‘Preconceito linguístico’, racismo e xenofobia – 3

«O acordo de Schengen foi assim denominado em alusão a Schengen, localidade luxemburguesa situada às margens do rio Mosela e próxima à tríplice fronteira entre Alemanha, França e Luxemburgo (este último representando o Benelux, onde já havia a livre circulação). Ali, em Junho de 1985, foi firmado o acordo de livre circulação envolvendo cinco países, abolindo-se controles de fronteiras, de modo que os deslocamentos entre esses países passaram a ser tratados como viagens domésticas.»

«Posteriormente, o Tratado de Lisboa, assinado em 13 de Dezembro de 2007, modificou as regras jurídicas do espaço Schengen, reforçando a noção de um “espaço de liberdade, segurança e justiça“, que vai além da cooperação policial e judiciária e visa a implementação de políticas comuns no tocante a concessão de vistos, asilo e imigração, mediante substituição do método intergovernamental pelo método comunitário [Wikipédia]

Brazilian tutoring

Desde que o AO90 foi compulsiva e selvaticamente impingido, fazendo-se passar por obrigatoriedade “legal”, a Portugal (e PALOP), têm sido essencialmente duas as técnicas de desinformação e intoxicação da opinião pública utilizadas pelos papagaios de serviço e pelos media mercenários (pagos pelos nossos impostos, é claro, que os mandantes não gastam nas suas golpadas um pataco de seu): a criação, invenção, encenação, teatralização de “factos políticos” e a difusão maciça de mentiras segundo a infalível técnica prescrita pelo Ministro da Propaganda do III Reich.

As mais do que evidentes finalidades da desinformação decorrem implicitamente dos métodos: transmitir a “ideia” de facto consumado e, submergindo os destinatários num caldo espesso de repetição ad infinitum de patranhas básicas, eliminar qualquer hipótese de reflexão e, por consequência, de contestação. Foi exactamente assim, com umas frases ocas e uns chavões publicitários facílimos de decorar, que o “acordo ortográfico” passou de abominável aberração, segundo quase todas as pessoas normais, a “nova ortografia” para o mais comum dos acordistas e, de forma maciça, para as grandes massas de anestesiados mentais. O AO90 era — como continua a ser, claro — uma total idiotice, uma imbecilidade à qual ninguém ligava nenhuma e, depois de atravessar um longuíssimo período de intensiva lavagem cerebral e de branqueamento das negociatas dos políticos envolvidos, de Cavaco a Costa, passando por Sócrates e Lula, o que agora vemos é um imenso cortejo de zombies descerebrados programados para ignorar o assunto, como se ele não existisse, ou para, na menos má das hipóteses, repetir o que lhes manda a voz do dono.

Dessa geral anestesia, o efeito pretendido pela desinformação e pela propaganda acéfala dos DDT — os detentores da patente da “língua univerrssau” — resulta uma ainda mais geral indiferença pelas (óbvias) implicações da bambochata político-linguística em curso.

No “post” anterior desta pequena série vimos — esperemos que não seja de facto necessário fazer um desenho — como a dita campanha de propaganda e intoxicação da opinião pública funciona. A orgia de desinformação torna-se perfeita e facilmente inteligível se atendermos à sequência de acontecimentos e às respectivas relações de causa e efeito: atirada para a praça pública (mais) uma mentira descabelada — utilizando exactamente os mesmos meios que os poderosos e governamentais autores das patranhas “unificadoras” dizem ser necessário policiar, censurar e reprimir –, segue-se uma campanha intensiva de vitimização (não há vítimas? Inventam-se), o que implica uma série de concessões, e destas escorrem, como que por mero acaso mas sempre no timing exacto, alterações legislativas visando aproveitar a “onda” de contestação para abrir e facilitar ainda mais a obtenção da nacionalidade e, com esta, a livre circulação em todo o espaço da União Europeia. Acordo de Schengen? O que é isso?

Se atendermos à concatenação dos factos políticos, à sua estarrecedora cronologia e à “casual” mistura deliberada de assuntos (nacionalidade portuguesa para judeus sefarditas, manifestações contra a “xenofobia” de portugueses indeterminados, vitimização de alunos universitários por causa de um caixote com um cartaz se calhar inventado), o que ressalta de imediato é a imagem da pura e dura manobra política. O regresso às origens, portanto, aos idos de entre 86 e 90, quando o AO90 foi parido à moda das galinhas; esse ovo podre passou por uma longa gestação de 16 anos, a chocar, e por fim teve de ser tirado a ferros da cloca em 2002 (Cimeira de Brasilia), em 2006 foi oficialmente declarado como galináceo (com a 3.ª assinatura do 2.º Protocolo, a de S. Tomé e Príncipe) e em 2008 Portugal admitiu ter trepado na galinha (via RAR 35).

É nesta conformidade que surgem os mecanismos, os organismos estatais de ambos os lados e não poucas nem pouco trampolineiras empresas privadas prontas a colher os frutos do plano. Para quem quiser emigrar para qualquer país europeu, a porta dos fundos está escancarada; já só falta o pequeno pormenor da dupla cidadania automática. Concretamente para “estudantes” da “lusofonia” (ou seja, para brasileiros, porque existem acordos antigos com todas as ex-colónias africanas e com Timor), Portugal passa a aceitar cursos manhosos e diplomas-brindes dos pacotes de farinha Amparo como habilitações suficientes; a fase seguinte poderá ser, por exemplo, o regresso aos gloriosos tempos do PREC — as passagens administrativas fazem imensa falta para este tipo de contingentes. Talvez venha a ser possível até, num futuro nada distante, proceder utilizando o método prescrito no texto do site “Porrtugau Légau”: «fazer toda a tramitação de modo remoto».

Além de ler os dois conteúdos em texto, veja e oiça também o vídeo em baixo; estes três conteúdos ilustram perfeitamente o processo, a sequência, como, quando, o quê e porquê. Deve ser isto bem mais do que o suficiente para que os apreciadores do cAOs em geral e os da neo-colonização inversa em particular fiquem todos contentes com a facilitação a nível industrial — a única política (des)estruturante nacional.

Ainda mais genericamente, a alguns agradará com certeza que o processo e as convulsões políticas não tenham afinal terminado no século passado. Com a diferença de que agora, em vez do PREC, têm o BREC — processo de brazileirização em curso.

What are the Benefits of Passing the CAPLE Exam?

People take the CAPLE exam of proficiency in European Portuguese as a second language for various reasons. In this post, we’ll review the benefits of possessing an internationally recognized certificate of proficiency.
[…]

One of the main reasons people take the CAPLE exam is to prove their Portuguese proficiency and gain access to the highly desirable services they offer.

Get a Job in Portugal

Although not an economic giant like Brazil, Portugal has a thriving service industry (nearly 75% of Portugal’s GDP is generated by the tertiary sector) and a strong tourist sector (particularly in the south of the country), and it is a world leader in the generation of renewable energy. To gain access to these opportunities, passing the CAPLE exam is highly advisable. If you have the CAPLE certificate on your resume, then your job application will automatically be taken more seriously.

Get a Job Outside of Portugal


Although most jobs in the USA that require Portuguese skills will focus on Brazilian Portuguese, the two variants of the language are mutually intelligible, and the CAPLE is just as attractive to US companies as its Brazilian equivalent, the CELPE-Bras. Portuguese is an in-demand skill, and either of these qualifications is an asset in the US job market. In addition, Portugal does a high volume of trade within the EU (particularly with Spain, France, and Germany), and there are therefore a number of job opportunities in EU member states for Portuguese speakers. In these, the CAPLE is preferred, as European Portuguese speakers tend to favor what they regard as the “correct” version of the language.

Become a Portuguese Citizen

This is another important reason why people take the CAPLE exam. Candidates for Portuguese citizenship must pass the CAPLE at CIPLE (A2) level or above. Portuguese citizenship is highly desirable for a number of reasons, not least because Portugal is an EU member state, and by becoming a citizen of Portugal you gain freedom of movement across a whole continent.

[…]

[Transcrição parcial de página de apresentação do site “Portuguese Tutoring” (ou seja, Brazilian tutoring): What are the Benefits of Passing the CAPLE Exam? (portuguesetutoring.com). Imagem da bandeira da UE de: “Best Animations“. Destaques e sublinhados meus.Conteúdo de “Portuguese Tutoring” apontado por Olga Rodrigues]

Enem Portugal

“Portugallegal”

 

Os resultados individuais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) podem ser usados nos processos seletivos de instituições de educação portuguesas. Mais de 50 universidades, institutos politécnicos e escolas superiores têm acordo interinstitucional com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que garante acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursos de graduação em Portugal. Cada instituição define as regras e os pesos para uso das notas.

Os acordos não envolvem transferência de recursos e não preveem financiamento estudantil pelo governo brasileiro. A revalidação de diplomas e o exercício profissional no Brasil dos estudantes formados em Portugal estão sujeitos à legislação brasileira. As instituições de ensino superior portuguesas signatárias de convênio são responsáveis pela comunicação oficial sobre essas regras com os candidatos admitidos em seus cursos.

As instituições portuguesas que procuram o Inep para celebrar acordos interinstitucionais são, em geral, pessoas coletivas de direito público que congregam unidades orgânicas de ensino superior universitário e ensino superior politécnico. As instituições públicas de Portugal concentram a maior parte dos alunos do ensino superior no país, com cerca de 80% do total de matrículas, e todos os estudantes pagam taxas como forma de coparticipação nos custos do ensino, mesmo nas instituições públicas.

O Enem Portugal, como é chamado o programa de acordos interinstitucionais entre o Inep e as instituições de educação superior portuguesas, foi criado em 2014, quando algumas instituições de Portugal já aceitavam os resultados individuais do Enem em seus processos seletivos. Para simplificar o acesso dessas instituições ao desempenho dos candidatos interessados no ensino superior português, o Inep passou a realizar os acordos interinstitucionais de cooperação. Essa troca de informação possibilitou a ampliação de possibilidades de intercâmbio educacional.

O programa se tornou possível com uma mudança na legislação portuguesa, a partir do Decreto-Lei nº 36, de 10 de março de 2014, que regulamentou o estatuto do estudante internacional no país europeu. Em março do mesmo ano, o Ministério da Educação de Portugal permitiu às suas instituições definirem a forma de ingresso de estudantes internacionais. A Universidade de Coimbra foi a primeira a assinar o convênio interinstitucional com o Inep, em 26 de maio do mesmo ano.

O Inep tem conjugado esforços para simplificar a celebração dos acordos, inicialmente assinados de forma presencial. Desde maio de 2016, é possível fazer toda a tramitação de modo remoto. Com o acordo formalizado, o Inep permite a consulta direta às informações do desempenho de estudantes brasileiros para fins de seleção e de acesso às instituições portuguesas. O processo é conduzido pela Assessoria Internacional e pela Diretoria de Avaliação da Educação Básica do Inep.

Instituições de educação superior portuguesas que aceitam notas do Enem
1. Universidade de Coimbra (UC) – 26/5/2014 | Renovação em 6/6/2019
2. Universidade do Algarve (UAlg) – 18/9/2014 | Renovação em 6/6/2019
3. Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria) – 24/4/2015
4. Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) – 10/7/2015
5. Instituto Politécnico do Porto (P.Porto) – 26/8/2015
6. Instituto Politécnico Portalegre (IPP) – 8/10/2015
7. Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) – 9/11/2015
8. Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) – 24/11/2015
9. Universidade de Aveiro (UA) – 25/11/2015
10. Instituto Politécnico da Guarda (IPG) – 26/11/2015
11. Universidade de Lisboa (ULisboa) – 27/11/2015
12. Universidade do Porto (U.Porto) – 9/3/2016
13. Universidade da Madeira (UMa) – 14/3/2016
14. Instituto Politécnico de Viseu (IPV) – 15/7/2016
15. Instituto Politécnico de Santarém (IPSantarem) – 15/7/2016
16. Universidade dos Açores (UAc) – 4/8/2016
17. Universidade da Beira Interior (UBI) – 20/9/2016
18. Universidade do Minho – 24/10/2016
19. Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (Cespu) – 24/3/2017
20. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (Universidade Lusófona) – 5/4/2017
21. Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) – 5/4/2017
22. Instituto Politécnico de Bragança (IPB) – 6/4/2017
23. Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) – 22/5/2017
24. Universidade Lusófona do Porto (ULP) – 25/5/2017
25. Universidade Portucalense (UPT) – 26/7/2017
26. Instituto Universitário da Maia (Ismai) – 26/7/2017
27. Instituto Politécnico da Maia (Ipmaia) – 6/10/2017
28. Universidade Católica Portuguesa (UCP) – 22/1/2018
29. Universidade Fernando Pessoa (UFP) – 26/2/2018
30. Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (Ispa) – 27/4/2018
31. Instituto Leonardo da Vinci (ILV) – 27/4/2018
32. Escola Superior de Saúde do Alcoitão (Essa) – 23/5/2018
33. Universidade Lusíada – Norte – 23/5/2018
34. Universidade Lusíada – 23/5/2018
35. Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) – 21/9/2018
36. Escola Superior Artística do Porto (Esap) – 29/10/2018
37. Universidade Europeia – 20/12/2018
38. Instituto Universitário de Lisboa (Iscte-IUL) – 6/6/2019
39. Escola Superior de Saúde Norte da Cruz Vermelha Portuguesa (ESSNorteCVP) – 6/6/2019
40. Universidade Autônoma de Lisboa (UAL) – 6/6/2019
41. Instituto Politécnico da Lusofonia (Ipluso) – 14/8/2019
42. Instituto de Estudos Superiores de Fafe (IESFafe) – 17/10/2019
43. Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (Ismat) – 19/11/2019
44. Instituto Superior Dom Dinis (Isdom) – 19/11/2019
45. Instituto Superior de Gestão (ISG) – 19/11/2019
46. Instituto Superior de Gestão e Administração de Santarém (Isla Santarém) – 19/11/2019
47. Instituto Superior de Gestão e Administração de Gaia (Isla Gaia) – 19/11/2019
48. Instituto Português de Administração de Marketing (Ipam) de Lisboa – 23/1/2020
49. Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) – 13/3/2020
50. Instituto Português de Administração de Marketing (Ipam) do Porto – 5/5/2021
51. Universidade Nova de Lisboa – 7/1/2021

[Transcrição integral do original em brasileiro da página “ENEM Portugau” do site “Portugau Légau”. Imagem da/dos banana de: Banana – Liberapedia. Destaques e “link” (a verde) meus.]

 

[Nota: depois de instaladas as ferramentas adequadas, torna-se agora possível importar texto da Wikipédjia Lusôfuna cuja cacografia brasileira é automaticamente corrigida para Português.]


[1.ª parte] [2.ª parte] [continua]

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