Dia: 10 de Junho, 2022

De pequenino se torce o pepino

De facto, como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c?

Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.

Tais divergências levantam dificuldades à memorização da norma gráfica, na aprendizagem destas línguas, mas não é com certeza a manutenção de consoantes não articuladas em português que vai facilitar aquela tarefa.

É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam.

[Nota “explicativa” do AO90]

 

Bem, ao que “parece”, afinal o AO90 não “facilita” coisa nenhuma…

Muito pelo contrário, aliás.

De entre o imenso arsenal de mentiras descaradas (e descabeladas) que apregoam acordistas desde os primórdios, esta é a mais glosada (e gozada). A real finalidade da alucinação palavrosa, que os vendidos em geral e os brasileiristas em particular tentam silenciar inventando mais uns “argumentos” para compôr o ramalhete de patranhas, é disfarçar o fedor nauseabundo que para seu grande embaraço se desprende da triste realidade: o AO90 “adota” exclusivamente o falar brasileiro, a prosódia brasileira, e, portanto, a cacografia brasileira — uma espécie de transcrição fonética da forma como por lá se fala –, com o objectivo de tornar obrigatória e exclusiva a sua (deles) “língua universau” em Portugal e nas suas ex-colónias africanas.

Qualquer pessoa, sem o menor esforço e dispensando a priori conhecimentos especializados na matéria, pode facilmente constatar que o aparelho fonador característico dos 210 milhões de brasileiros, apesar de todos os “grupos articulatórios” em que se sub-dividem (não circunscritos pelos sotaques respectivos), é radicalmente diferente do que em Portugal (e no essencial também nos PALOP) representa e materializa a nossa fala.

Basta confrontar ou comparar as tabelas alfabéticas dos símbolos de transcrição fonética do brasileiro com qualquer uma das que representam o “falar” (do) Português; para qualquer brasileiro é extremamente difícil — se não absolutamente impossível — articular “vogais surdas” (por exemplo, o “e” final em “pente, lentamente, doente”, etc.) e portanto a transcrição fonética até de letras do alfabeto como o “f” [′ɛfi], “l” [′ɛli] ou “s” [′ɛsi], que terminam invariavelmente em “i”: éfi, éli, éssi. Mais bizarro ainda se a vogal “surda” (para nós) for antecedida por “t” ou “d”; nesse caso temos algo como pêntchi, dêntchi, vontadji, vêlôcidadji, etc. Outra impossibilidade característica do brasileiro é a articulação do “l” (L) em posição final: a começar pelo nome do seu próprio país (Brásiu, não Brasil), vai tudo a eito: Pórrtugau, mau (mal), légau, fáciu e assim por diante. Não é preciso qualquer conversor, toda a gente sabe que isto é mesmo assim, se bem que alguns finjam que não, que é tudo “igual” (iguau) e viva a língua universau e tau (tal).

Mesmo sabendo que as diferenças fonológicas são abissais, esse seria o menor dos problemas — portugueses e brasileiros sempre conviveram bem com os diversos sotaques/sôtáquiss — porque o AO90 pretende ter a ver (mas não tem) “apenas” com a ortografia, sem atender à representação dos sons; “não afecta a pronúncia”, garantem os próprios acordistas e assegura o próprio “acordo”. O problema, na verdade, é que o AO90 pretende impor, além da transcrição fonética do falar brasileiro, o léxico, a sintaxe, a morfologia, a (aniquilação da) etimologia, a construção frásica e até as expressões idiomáticas que em São Paulo uns tipos consideram ser algo a que chamam “pronúncia culta”. A deles, bem entendido, pela singela “razão” de que são “21 vezes maiores”.Todos os fonemas, por grosso e por atacado, todas as diferenças radicais não valem nem representam e nem mesmo simbolizam, por conseguinte, o cAOs instalado em Portugal ( o Brasil continua a escrever na sua própria língua, e bem, conforme dá na real gana aos brasileiros) à conta da cáfila de tugas a quem devem ser assacadas com urgência responsabilidades… em especial pelas desastrosas consequências da ganância dos mafiosos no Ensino público.
O artigo seguidamente transcrito, do pasquim ultra-acordista “Observador”, demonstra com números e factos a relação de causa e efeito que é em simultâneo a imposição da língua brasileira às crianças portuguesas e a inerente decadência daquilo que ainda há poucos anos era o sistema de ensino no nosso país. O contraste flagrante e chocante da realidade com a propaganda política — exposta no quadro (em baixo) de uma das centrais governamentais de desinformação — exibe com estrondo a diferença abissal entre conteúdos que são informação e outros que não passam de intoxicação e embotamento da opinião pública.

Alunos de oito anos têm dificuldade em analisar textos, distinguir verbos e palavras no plural, revela estudo sobre provas de aferição

“Observador”, 31.05.22
Ana Kotowicz

A gramática é o calcanhar de Aquiles dos alunos portugueses. Pelo menos, quando se olha para as provas de aferição de Português do 2.º e do 5.º ano, feitas em 2021 por uma amostra de alunos. Nelas, salta à vista o mau resultado nas perguntas desta categoria em comparação com as restantes. Os alunos mais novos, de 8 anos, tiveram de responder a duas perguntas de gramática. A percentagem de acerto, ou seja, de alunos que responderam de forma totalmente correcta, foi de 35,1% numa e de 11,8% na outra. Assim, a maioria dos alunos (65%) do 2.º ano não conseguiu distinguir todos os verbos que era necessário assinalar e não foi capaz (90%) de identificar todos os nomes que estavam no plural.

No 5.º ano, o problema mantém-se. Avaliados os conhecimentos de gramática através de quatro perguntas, “a média de 35,2% [de acertos] obtida na globalidade dos quatro itens é reveladora da existência de dificuldades significativas neste domínio”. As conclusões são do volume II do Estudo de Aferição Amostral do Ensino Básico 2021, publicado pelo IAVE, o Instituto de Avaliação Educativa.

Em 2021, as provas de aferição foram suspensas por causa da pandemia. No entanto, uma amostra de cerca de 49 mil alunos fez os exames: os do 2.º ano foram avaliados a Português, Matemática e Estudo do Meio, os estudantes do 5.º ano a Português e a Inglês. Os mais velhos, a frequentar o 8.º ano, fizeram provas de Inglês e Matemática.

Outra conclusão do estudo do IAVE, e que mantém o sentido de relatórios anteriores, é que os alunos têm maior dificuldade em responder a perguntas complexas, que obrigam a usar o raciocínio. Este é um problema comum aos estudantes dos três anos de escolaridade.

A Inglês, os alunos do 5.º ano e os do 8.º têm uma coisa em comum: falam melhor do que escrevem na língua estrangeira. A Matemática, os resultados dos mais velhos evidenciam dificuldades em todas as áreas analisadas. Por exemplo, a maioria dos alunos (65%) não conseguiu aplicar o Teorema de Pitágoras para calcular um comprimento (num triângulo rectângulo, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa).
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“Um Português e Um Brasileiro Entram Num Bar”

Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier apresentam espectáculo em S. Paulo (Brasil) nos dias próximos dias 25 e 26 de Junho (de 2022)

Sendo ambos por igual conhecidos pela sua saudável aversão ao chamado “acordo ortográfico de 1990” e já com créditos firmados na militância contra o estropício, também do guião desta nova “conversa” não poderia deixar de constar a abominável invenção que lembrou a Malaca, Bechara e Companhia (e a outros palhaços, dos quais não consta o próprio Batatinha).

De entre os diversos conteúdos já aqui reproduzidos com intervenções de Ricardo Ararújo Pereira sobre o AO90, deve destacar-se o post AO90: a tomada de três pinos “lusófona” e também a reprodução de um documento (ver em baixo, depois dos vídeos) que plenamente comprova que este cidadão ao menos não se limita a falar.

Humoristas Gregório Duvivier e Ricardo Araújo Pereira apresentam Um Português e Um Brasileiro Entram

Cartão de Visita News
https://cartaodevisita.r7.com/conteudo/40322/humoristas-gregorio-duvivier-e-ricardo-araujo-pereira-apresentam-um-portugues-e-um-brasileiro-entram

Digital StillCamera

Espetáculo mescla palestra, improviso e conversa para discutir de forma espirituosa como fazer humor em tempos de cancelamento e outras questões inquietantes
https://cartaodevisita.r7.com/conteudo/40322/humoristas-gregorio-duvivier-e-ricardo-araujo-pereira-apresentam-um-portugues-e-um-brasileiro-entram

Considerados dois importantes nomes do humor em língua portuguesa, o brasileiro Gregório Duviver e o português Ricardo Araújo Pereira se encontram no espetáculo Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar…, que tem apresentações nos dias 25 e 26 de junho no Teatro Procópio Ferreira.

 

Em uma mistura de palestra, conversa e improviso, os dois amigos – separados apenas pelo oceano Atlântico – contam histórias engraçadas e falam sobre vários temas que os inquietam, como, por exemplo, como fazer humor em tempos de cancelamento e os novos obstáculos que tornam a profissão de humorista ainda mais desafiadora.

Gregório e Ricardo não responderão, no entanto, a perguntas como: “Pode-se rir de tudo?” ou “qual o limite do humor?”. Cansados de ouvir sempre essas mesmas questões, eles resolveram fazer novas perguntas: por que é que “já” é agora, mas “já já” é daqui a pouco? Por que é que “ãrrã” é sim, mas “ã-hã” é não?. Muitos dirão que existem pouquíssimos elementos que unam todas as variantes do português. A dupla de palestrantes vai discordar. Todas as variantes desprezam com igual fervor o Novo Acordo Ortográfico.

Assim, com esse tom debochado, eles exploram fatos que os aproximam. Gregório, por exemplo, criou junto com amigos o Porta dos Fundos. Já Ricardo fundou o Gato Fedorento, grupo que serviu de inspiração para esse canal. E ambos escrevem semanalmente para o jornal Folha de S.Paulo e fazem um programa de humor político.

Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar… surgiu em 2017 e os dois humoristas se juntaram e conversaram apenas duas vezes. Os vídeos desses encontros ultrapassaram um milhão de visualizações no YouTube. Mas o mais importante: ficaram amigos. Nunca mais se viram. Hoje são duas figuras ímpares do humor em português e precisam de um pretexto para voltar a se juntar.

Sinopse
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