Dia: 9 de Dezembro, 2022

O 28.º Estado

Tanto na imprensa generalista como nas redes anti-sociais são em barda as últimas “novidades” sobre o êxodo em direcção a Portugal. E, como já anteriormente aqui foi referido (1, 2, 3), existem nas peças jornalísticas e nos conteúdos cibernéticos particulares zero menções tanto ao Acordo de Mobilidade (2021) como ao Tratado que o originou, o Estatuto de Igualdade (2000).

A este estranhíssimo “lapso” informativo não será com certeza alheio o facto de não convir aos implicados que a opinião pública relacione — ou seja, que entenda — o nexo de causalidade entre o “estatuto” de partida e o “acordo” de chegada, bem como o que na verdade foram e para que serviram a criação da CPLB (1996), a Declaração de Brasília (2002) e, por fim, a imposição manu militari do #AO90 em 2008.

A transcrição que se segue é apenas um exemplo das notícias mais recentes sobre o êxodo em massa que nos chegam, via Internet, das terras de Vera (verdadeira, real, séria) Cruz.

Imigração para Portugal: Brasileiros trocam Lisboa por interior em busca de menor custo de vida

Dados oficiais mostram que sete outros distritos portugueses tiveram crescimento de imigrantes residentes proporcionalmente maior do que Lisboa. A BBC News Brasil conversou com brasileiros em Portugal que decidiram mudar para cidades menores.

Por Lais Alegretti, BBC, 27/11/2022

 


 

[fotografia de uma rua de Lisboa]
Custo de moradia em em[sic] Lisboa tem levado imigrantes a buscar cidades menores em Portugal

Morar em Lisboa foi um plano que a gaúcha Aline Dorneles, de 34 anos, precisou realinhar quando decidiu que se mudaria para Portugal.

“Era meu sonho morar em Lisboa, sempre gostei muito da cidade. Só que quando sentei para fazer as contas, vi que não dava”, diz. “Vim para o interior pelo custo de vida menor e pela qualidade de vida.”

Ao considerar o preço de aluguel na capital portuguesa e em cidades menores — além da oportunidade de, no interior, fazer mestrado com bolsa de estudos —, a brasileira optou por viver em Leiria, município com 128 mil habitantes na região central de Portugal, a 75km de Coimbra.

A decisão de Aline Dorneles representa um movimento mais amplo, como revelam os dados oficiais do governo português sobre o total de imigrantes nas diferentes áreas do país. (Leia abaixo o relato de Aline e de outros brasileiros que vivem em cidades menores em Portugal)

Uma análise do aumento da população estrangeira residente nos diferentes distritos de Portugal em dez anos (2011 a 2021) mostra que sete outros distritos tiveram um crescimento de imigrantes proporcionalmente maior do que Lisboa. São eles: Braga, Beja, Castelo Branco, Porto, Viana do Castelo, Bragança e Leiria.

Estrangeiros residentes em Portugal — Foto: SEF/Governo de Portugal

Os brasileiros são a principal comunidade estrangeira em Portugal — um terço dos imigrantes residentes no país, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). São mais de 250 mil brasileiros registrados em Portugal.

A BBC News Brasil conversou com imigrantes brasileiros em Portugal e com especialistas para entender suas motivações — e ouvir o que avaliam como pontos positivos e negativos da vida nas cidades portuguesas menores.

A especialista em estudos migratórios Thaís França, pesquisadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, diz que tem percebido esse movimento focado no interior e concentra a explicação nos preços de moradia em Lisboa.

Lisboa está ficando insuportavelmente cara. Ainda mais para brasileiro, que é acostumado com apartamento grande — com dois, três banheiros —, morar em Lisboa está impossível”, diz.

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