O 28.º Estado

Tanto na imprensa generalista como nas redes anti-sociais são em barda as últimas “novidades” sobre o êxodo em direcção a Portugal. E, como já anteriormente aqui foi referido (1, 2, 3), existem nas peças jornalísticas e nos conteúdos cibernéticos particulares zero menções tanto ao Acordo de Mobilidade (2021) como ao Tratado que o originou, o Estatuto de Igualdade (2000).

A este estranhíssimo “lapso” informativo não será com certeza alheio o facto de não convir aos implicados que a opinião pública relacione — ou seja, que entenda — o nexo de causalidade entre o “estatuto” de partida e o “acordo” de chegada, bem como o que na verdade foram e para que serviram a criação da CPLB (1996), a Declaração de Brasília (2002) e, por fim, a imposição manu militari do #AO90 em 2008.

A transcrição que se segue é apenas um exemplo das notícias mais recentes sobre o êxodo em massa que nos chegam, via Internet, das terras de Vera (verdadeira, real, séria) Cruz.

Imigração para Portugal: Brasileiros trocam Lisboa por interior em busca de menor custo de vida

Dados oficiais mostram que sete outros distritos portugueses tiveram crescimento de imigrantes residentes proporcionalmente maior do que Lisboa. A BBC News Brasil conversou com brasileiros em Portugal que decidiram mudar para cidades menores.

Por Lais Alegretti, BBC, 27/11/2022

 


 

[fotografia de uma rua de Lisboa]
Custo de moradia em em[sic] Lisboa tem levado imigrantes a buscar cidades menores em Portugal

Morar em Lisboa foi um plano que a gaúcha Aline Dorneles, de 34 anos, precisou realinhar quando decidiu que se mudaria para Portugal.

“Era meu sonho morar em Lisboa, sempre gostei muito da cidade. Só que quando sentei para fazer as contas, vi que não dava”, diz. “Vim para o interior pelo custo de vida menor e pela qualidade de vida.”

Ao considerar o preço de aluguel na capital portuguesa e em cidades menores — além da oportunidade de, no interior, fazer mestrado com bolsa de estudos —, a brasileira optou por viver em Leiria, município com 128 mil habitantes na região central de Portugal, a 75km de Coimbra.

A decisão de Aline Dorneles representa um movimento mais amplo, como revelam os dados oficiais do governo português sobre o total de imigrantes nas diferentes áreas do país. (Leia abaixo o relato de Aline e de outros brasileiros que vivem em cidades menores em Portugal)

Uma análise do aumento da população estrangeira residente nos diferentes distritos de Portugal em dez anos (2011 a 2021) mostra que sete outros distritos tiveram um crescimento de imigrantes proporcionalmente maior do que Lisboa. São eles: Braga, Beja, Castelo Branco, Porto, Viana do Castelo, Bragança e Leiria.

Estrangeiros residentes em Portugal — Foto: SEF/Governo de Portugal

Os brasileiros são a principal comunidade estrangeira em Portugal — um terço dos imigrantes residentes no país, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). São mais de 250 mil brasileiros registrados em Portugal.

A BBC News Brasil conversou com imigrantes brasileiros em Portugal e com especialistas para entender suas motivações — e ouvir o que avaliam como pontos positivos e negativos da vida nas cidades portuguesas menores.

A especialista em estudos migratórios Thaís França, pesquisadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, diz que tem percebido esse movimento focado no interior e concentra a explicação nos preços de moradia em Lisboa.

Lisboa está ficando insuportavelmente cara. Ainda mais para brasileiro, que é acostumado com apartamento grande — com dois, três banheiros —, morar em Lisboa está impossível”, diz.

As condições de vida em cidades menores, se comparadas ao subúrbio das grandes cidades, pode ser atraente, a pesquisadora diz. “Entre morar no subúrbio de Lisboa e Porto, que tem o tempo com deslocamento, é preferível morar em cidade menor com melhor qualidade de vida, sem parte daquele perrengue que brasileiros passam com trânsito, transporte público.”

Segundo dados divulgados em outubro pela imprensa portuguesa, houve um aumento de 10% nos aluguéis de contratos firmados de julho a setembro em Lisboa e Porto, em relação ao trimestre anterior. Os dados são do Índice de Rendas Residenciais, apurados pela Confidencial Imobiliário.

A plataforma colaborativa Numbeo, que reúne e compara dados sobre custo em diferentes cidades, aponta que um apartamento de um quarto no centro de Lisboa custa cerca de 1.170 euros (770 euros fora do centro), enquanto em Leiria os preços estariam, respectivamente, em 750 euros e 570 euros.

‘Arriscado financeiramente’

A escolha de Aline Dorneles por Leiria veio depois da conclusão de que seria “arriscado financeiramente” ir para Lisboa.

Depois de três anos vivendo em Dublin, na Irlanda, ela chegou a Leiria em agosto e está satisfeita com as condições de moradia. “A acomodação que estou é mais em conta que em Lisboa, o quarto é bem melhor, a casa é bem organizada. Tenho notado que as casas aqui são melhores, mais espaçosas do que em Lisboa.”

[fotografia da pessoa citada]
Aline Dorneles no Castelo de Leiria: a gaúcha se mudou para o interior de portugal em agosto
— Foto: Arquivo pessoal/Aline Dorneles e Camila Barbosa

O transporte público, no entanto, foi uma surpresa ruim. “Tem poucos ônibus e são espaçados. Nem sempre cumprem a tabela. Dificultou para mim porque não dirijo. Para qualquer trajeto que eu vá fazer, preciso meia hora pra ir a pé ou um pouco mais para ir de ônibus porque nem sempre passa na hora.”

Dorneles também diz que notou “uma mentalidade um pouco mais tradicional” na cidade. “Uma coisa que sempre comentamos entre os amigos recém-chegados, que nos impacta bastante, é a questão de dificilmente ver casais homoafetivos na rua de mãos dadas.”

Ela conversou com a BBC News Brasil dias antes de começar a trabalhar em um café. E diz que a busca por emprego, na comparação com a Irlanda, tem sido mais difícil.

“Por falar português, inglês, estar fazendo um mestrado em área administrativa, achei que fosse ser mais fácil conseguir, por exemplo, um emprego em uma loja de shopping. Eu me cadastrei em sites de grandes marcas e só dão negativa”, diz. “Eu achava que seria diferente. Não achei que fosse ter um cargo muito alto, mas nem como secretária ou vendedora estão me chamando.”

Ela atribui, em parte, à nacionalidade. “Acredito que tem a ver com a questão de não ser portuguesa. Não sei se o fato de ser brasileira, mas não ser portuguesa. Acho que isso contribui muito”.

E compara com a experiência anterior: “Na Irlanda, eles querem muito o trabalhador brasileiro, porque consideram um bom trabalhador, esforçado. Mas aqui, quando você fala que é brasileiro, eles tentam colocar uma posição mais baixa. Tem um preconceito velado.”

Também conta que já ouviu respostas de que seria muito qualificada para a vaga. “O que dizem muito para mim e para meus colegas de faculdade que estão passando pelo mesmo processo é que o currículo é muito bom e você não vai querer ficar lá muito tempo, como vendedora, por exemplo.”

‘Brasileiro está descobrindo as cidades menores’

[fotografia: uma das “vistas” de Lisboa]
Antes, o brasileiro “olhava Portugal e via Lisboa (foto) e Porto”, diz Lemos.
“O resto do pais era desconhecido” — Foto: Laís Alegretti/BBC

A empresária Patrícia Lemos, proprietária da consultoria Vou Mudar Para Portugal, que presta serviços para brasileiros que querem se mudar para o país, viu subir significativamente a procura por cidades menores.

Ela diz que o brasileiro, antes, “olhava Portugal e via Lisboa e Porto” e que “o resto do pais era desconhecido”. Agora, “o brasileiro está descobrindo as cidades menores em Portugal e percebendo que, mesmo em cidades pequenas, tem infraestrutura de educação e saúde”. Ela acrescenta que o “divisor de águas” são os custos — principalmente de aluguel.

“O aluguel de um quarto em Lisboa está na faixa de 350, 400 euros. Se você pega o salário mínimo, que líquido fica 627 euros, você não vai encontrar a qualidade de vida que você foi buscar.”

Na experiência dela, as cidades no radar dos brasileiros que buscam alternativas a Lisboa e Porto são principalmente: Braga, Aveiro e Leiria.

Lemos considera que o brasileiro tem a ideia de que serviços públicos não funcionam fora dos grandes centros, e diz que em Portugal eles encontram educação, saúde e segurança nas cidades menores também.

E qual é a dificuldade? A adaptação ao estilo de vida do interior português — que ela define como pacato — pode ser um desafio para alguns, diz ela.

“Não é o interior do Brasil. Interior de portugal é: cinco da tarde não tem ninguém na rua. E o brasileiro está muito acostumado com aquela coisa de que você conhece um, vai pra casa do outro. O interior aqui é mais fechado.”

Questionada sobre eventual dificuldade de encontrar emprego no interior, Lemos diz que “o brasileiro, profissionalmente, quando ele chega a Portugal, tem que se reinventar”. “O que você tem é uma dificuldade de algumas pessoas de descer alguns degraus no que se chama de cargo, status.”

Trabalho remoto em Portugal

[fotografia da pessoa nomeada na legenda]
O paulista Daniel Mendes, de 33 anos, saiu de Sintra para viver em Figueira da Foz — Foto: Arquivo pessoal/Daniel Mendes

Para quem tem oportunidade de trabalhar de forma remota, encontrar uma opção de moradia no interior é uma realidade mais próxima.

O paulista Daniel Mendes, de 33 anos, saiu de Sintra para viver em Figueira da Foz.

“Trabalhar remoto, sem escritório, me dá certa flexibilidade. Isso me ajudou a encontrar cidade fora dos grandes centros”, diz ele, que é funcionário de uma consultoria na área de estratégia.

Há seis meses na cidade, ele mora em um apartamento que considera superconfortável. “Uma qualidade de vida muito maior do que tinha antes, por preço menor”.

Ao se mudar para Portugal, em 2019, ele trabalhou por cerca de um ano em um hostel na Costa da Caparica, onde trocava o trabalho por hospedagem e alimentação. Depois, mudou-se para Sintra e, quando a dona da casa vendeu o local que ele alugava, conta que foi procurar opções.

[Transcrição integral (em brasileiro, conforme o original, de artigo publicado em “BBC News Brazil” em 27/11/2022.
Imagem de topo de: “Visit Portugal“.]

Segundo os dados publicados pelo EuroStat, Portugal tinha em 2020 um rácio de imigrantes de 6,5 por cada mil habitantes.

Mas isto era há quase três anos, bem entendido. Entretanto os negócios estrangeiros precipitaram-se e o fluxo migratório de proveniência brasileira cresceu exponencialmente.

Conforme diz por escrito o Presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos, num texto que intitula como «A primeira cidadania da língua», o Brasil precisa de uma porta de entrada para um mercado europeu.

“Sábias” e cirúrgicas palavras (sendo a cirurgia, em sentido literal, directamente à jugular), aliás na linha da escola neo-colonialista que pasquins brasileiros vão difundindo alegre e metodicamente através de, por exemplo, parangonas e frases bombásticas como esta: “Portugal se apresenta cada vez mais como um Estado brasileiro na Europa“.

É, por conseguinte, naturalíssimo que agora surjam igualmente em catadupa as manifestações “populares” de regozijo pela mais recente — e de facto espantosa — invenção do Governo português para materializar (em sentido literal, de “em contado”) os “acordos”, os “estatutos” e, sobretudo, aquilo a que chamam “igualdade”.

Esta sequência de vídeos — apenas 11 de muitos — ilustra uma excelente oportunidade de negócio que consubstancia, entre muitas outras benesses privativas e exclusivas concedidas pelo erário público português, o corolário “natural” do sinistro plano de anexação urdido por Cavaco, Sócrates, Lula, Costa e respectivos homens-de-mão, alguns lacaios, não poucos agentes e uma imensa trupe de idiotas úteis.

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