A “terrinha”

Constituição da República Portuguesa

PARTE I – Princípios fundamentais
Artigo 9.º
Tarefas fundamentais do Estado

a) Garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam; (…)
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais (…);
e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português (…);
f) Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa; (…)

PARTE III – Organização do poder político
TÍTULO II – Presidente da República
Artigo 127.º – (Posse e juramento)

(…)
3. No acto de posse o Presidente da República eleito prestará a seguinte declaração de compromisso:
Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa.

⇐——————–⇔

Marcelo Rebelo de Sousa: “Portugal tem de lutar para dar a supremacia ao Brasil”

Questionado pela plateia sobre as vantagens do novo Acordo Ortográfico entre países lusófonos, que deverá entrar em vigor em 2014, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se a favor, defendendo que “há um debate artificial sobre a questão “. O professor disse que as alterações ao acordo “não são substanciais” para a Língua Portuguesa.
Marcelo referiu que o Brasil hoje é a maior potência económica e o maior país lusófono e realçou a ideia que “Portugal precisa mais do Brasil, do que o Brasil de Portugal”. Afirmou que o acordo tem “virtuosidades” e disse que “para Portugal conseguir lutar pela lusofonia no mundo tem de lutar por dar a supremacia ao Brasil.

Source: Marcelo Rebelo de Sousa: “O mundo da lusofonia tem de assumir que a liderança é do Brasil”
– JPN – JornalismoPortoNet, 1 de Maio de 2008

Receita de bolinho de bacalhau

Queremos despedaçar Portugal
Matar e comer, eis nosso desejo.
Foda-se os bons costumes e a moral
Foda-se Camões, os Pedros, o Tejo.
Queremos bombardear Portugal
Seus livros, estátuas, navios, cruzes
Que este incêndio nos livre do mal
E limpando o tapete acenda as luzes.
Ai, queremos violentar Portugal
Escarrar na língua, cagar no porto
Ver um futuro em que seja banal
O luso passado enterrado e morto
O nosso seio está seco de leite
De Portugal apenas o mar e o azeite.

Bruna Kalil Othero

Recusa de assinaturas pela Língua Portuguesa na Feira do Livro do Porto

«A Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico (ILC-AO) foi impedida de levar a cabo acções de recolha de assinaturas nos jardins do Palácio de Cristal, local onde desde sábado decorre a Feira do Livro do Porto.» (…)
(…) «O comissário Nuno Artur Silva, é conhecido desde há muito, «preferia já estar a escrever à brasileira» para «em vez de falar para dez milhões de pessoas falar para duzentos ou trezentos milhões», como referiu em 2011 em entrevista a um canal televisivo. Em 2014, num colóquio promovido pela Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), manifestou-se convicto de que «no futuro todos vamos escrever em brasileiro e que o português vai ser uma variante regional da língua brasileira», segundo noticiou a organização.» (…)

[revista “Abril Abril”, 10.09.2019]

Nuno Artur Silva, da administração da RTP a secretário de Estado de António Costa

Em 2015, Nuno Artur Silva chegou ao Conselho de Administração da RTP, a estação pública de rádio e televisão. Foi substituído n’O Eixo do Mal por Aurélio Gomes, o apresentador até aos dias de hoje, assumindo na RTP o pelouro dos conteúdos.
Deixou o board da empresa pública no ano passado, depois de um diferendo espoletado pela Comissão de Trabalhadores. Em causa, o facto de Nuno Artur Silva manter-se proprietário da “Produções Fictícias” mesmo depois de ter prometido vender a posição quando assumiu o cargo na administração, algo que não chegou a fazer.

Face a isto, o Conselho Geral Independente da RTP não reconduziu Nuno Artur Silva para um novo mandato de três anos, uma decisão justificada pelo órgão com uma incompatibilidade provocada pela “irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados”.

ECO”, 21.10.2019

Período de governação: 2019-10-26 até 2022-03-30

Biografia

Nuno Artur Neves Melo da Silva nasceu em Lisboa em 5 de Outubro de 1962.
Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1985).
Foi professor de Português no Ensino Secundário (1985/1992).
É autor de livros diversos, sobretudo de banda desenhada e poesia.
Autor e produtor de peças de teatro e eventos culturais.
Autor, produtor e apresentador de inúmeras séries e programas de rádio e televisão, em diferentes canais portugueses.
Foi fundador, editor e director da Produções Fictícias, agência criativa (1993/2015).
Foi fundador e publisher do jornal satírico «O Inimigo Público» (2003/2015).
Foi fundador e director do Canal Q, canal de entretenimento (2010/2015).
Foi assessor criativo da Direcção de Programas da RTP (1996/1997).
Foi administrador da RTP com o pelouro dos Conteúdos (2015/2018).
Em 2018/2019 foi cronista do Diário de Notícias e comissário dos eventos «O Gosto dos Outros» e «O Fascínio da Histórias» para a Fundação Calouste Gulbenkian.
Em 2019 foi também comissário da programação da Feira do Livro do Porto.

[transcrição] «Não, eu escrevo ainda consoante aquilo que aprendi mas eu acho que o acordo ortográfico é uma coisa que não tem importância, é uma convenção. É assim. Eu vou dizer de outra maneira que pode ser provocatória. Eu acho que nós devíamos escrever todos brasileiro. Porque é a nossa melhor probabilidade de em vez de falar para dez milhões de pessoas falar p’ra duzentos ou trezentos milhões. Isto é. Eu, se for escritor ou se for realizador de cinema ou se for… eu prefiro pensar que vou ter um público potencial de duzentas e tal milhões de pessoas do que ter a escala de dez milhões. Portanto, eu acho que o acordo ortográfico… se calhar foi mal feito… há ali coisas que se calhar não fazem sentido… mas eu diria eu preferia já estar a escrever à brasileira. Eu se escrever um livro adoraria que o meu livro fosse desde logo capaz de chegar a duzentas ou trezentas milhões de pessoas e não apenas a dez. Portanto eu acho que o acordo ortográfico é um acidente de percurso, inevitável, que é a nossa melhor hipótese de futuro, é o Brasil.» [/transcrição]

Notas

1 – A gravação vídeo da entrevista ao ex-Secretário de Estado do Governo português foi feita a partir do original (evidentemente) emitido por aquele canal televisivo do Estado. Essa gravação foi publicada em 20.07.2011 no site da ILCAO.

2 – O original da gravação desapareceu do respectivo endereço virtual no site da RTP:

https://www.rtp.pt/noticias/?t=A-criatividade-e-cada-vez-mais-essencial-defende-Nuno-Artur-Silva.rtp&headline=20&visual=9&article=461281&tm=4

3 – O conteúdo que lá está agora — para o qual continua a remeter o URL onde antes estava a gravação — não tem nada a ver com o título da peça noticiosa que dele consta referindo-se ao mesmo vídeo:

A-criatividade-e-cada-vez-mais-essencial-defende-Nuno-Artur-Silva.rtp

4 – A página com o conteúdo referido não consta do serviço de arquivo universal “WebArchive”:

https://web.archive.org/web/20210516001337/https://www.rtp.pt/noticias/?t=A-criatividade-e-cada-vez-mais-essencial-defende-Nuno-Artur-Silva.rtp&headline=20&visual=9&article=461281&tm=4


[A imagem de topo é uma criação do autor do blogperspectivas“.
Foi publicada no Twitter em 05.04.23 e é aqui reproduzida
com autorização expressa do autor.]

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