Dentistas? Check! Advogados? Check! Médicos? Check!

Os diversos “acordos” entre Portugal e Brasil que se sucederam em catadupa ao pretexto comum a todos eles, o #AO90 da “língua universau” brasileira, tiveram por única finalidade aportar benefícios acrescidos aos brasileiros; e, por consequência, até pela sua própria natureza (bajulação, subjugação, vassalagem aos neo-bwana), zero benefícios para a parte portuguesa.
E ainda estamos para ver, seguramente não há-de faltar muito, que outras Ordens de profissionais altamente qualificados (por exemplo, a Ordem dos Médicos ou a Ordem dos Arquitectos) finalmente acordem para a realidade: os acordos parcelares — com ainda mais benesses garantidas à parte brasileira nos convénios “generalistas” (Estatuto de Igualdade e Acordo de Mobilidade) — acabam não apenas por ser inúteis como até se tornam prejudiciais para as respectivas classes profissionais portuguesas.
[post “
Bastonadas ou bastam nadas?”]

A citação acima é de um “post” sobre o que se está a passar com os advogados brasileiros em Portugal. Da premonição nele contida dá conta a notícia abaixo transcrita: agora, com ainda mais requintes de “reciprocidade” inexistente, o assunto é a importação de médicos brasileiros a granel.

Infelizmente não existe casa de apostas para o efeito, mas sempre será aliciante acertar num palpite qualquer: qual será a próxima Ordem a amochar perante o “Estatuto de Igualdade“, o “Acordo de Mobilidade“, a “lusôfonia” (ou seja, a brasileirofonia), o #AO90, a “língua universau” brasileira?

Bem, quanto a apostas, batota por batota, eu cá aposto já 50 cêntimos, não exorbitando, nos arquitectos. Ou nos engenheiros, vá. Bom. Nos enfermeiros. Enfim. Nos economistas é que não; temos por cá (também) disso à patada e esses, como sabemos, ao contrário dos advogados, dos dentistas e dos médicos, têm feito um excelente trabalho.

Três Ordens, que se saiba, pelo menos de forma declarada, já lá vão. Veremos quando marcharão as restantes.

“Quando”, não “se”.

Ordens profissionais em Portugal
      • Ordem dos Médicos Dentistas
      • Ordem dos Notários
      • Ordem dos Economistas
      • Ordem dos Arquitectos
      • Ordem dos Médicos
      • Ordem dos Engenheiros
      • Ordem dos Enfermeiros
      • Ordem dos Farmacêuticos
      • Ordem dos Advogados
      • Ordem dos Revisores Oficiais de Contas
      • Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução
      • Ordem dos Engenheiros Técnicos

“Uma falta de respeito”. Portugal oferece casa e salário bruto de 2800 euros a médicos brasileiros

“ZAP”, 4 Agosto 2023

Os sindicatos estão a contestar o recrutamento de médicos que está a ser feito no Brasil, dado estarem a ser oferecidas melhores condições do que aos médicos portugueses.

A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) de Portugal está a recrutar médicos brasileiros para trabalhar nos centros de saúde nas regiões com maior carência de médicos de família.

O convite propõe contratos de três anos em centros de saúde nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, com uma carga horária de 40 horas semanais, refere o Público.

Os médicos recrutados terão direito a um salário bruto mensal de 2863 euros, um subsídio de refeição de seis euros por dia e acomodação fornecida pelo município onde vão trabalhar.

Os requisitos para os candidatos incluem o reconhecimento de qualificações estrangeiras em Portugal e, preferencialmente, um mínimo de cinco anos de experiência como médico.

O ACSS está a divulgar este convite através de universidades brasileiras, que por sua vez estão a encaminhar a informação aos seus ex-alunos e funcionários de hospitais associados, mas afirma que a proposta “ainda está a ser trabalhada”.

Sindicatos descontentes

Esta iniciativa está a ser contestada pelos sindicatos dos médicos, que argumentam que o Governo deveria estar a fazer mais para melhorar as condições de trabalho dos médicos portugueses antes de procurar médicos no estrangeiro.

Os líderes sindicais querem que a oferta de casas seja estendida aos profissionais portugueses. “Vamos reivindicar casas de função para os jovens especialistas na próxima reunião com os representantes do Ministério da Saúde”, afirma Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que lembra que, em Lisboa, isso representa “mais mil euros por mês”.

A remuneração oferecida aos médicos generalistas brasileiros é ainda semelhante à que é paga aos especialistas no primeiro escalão em Portugal, algo que os sindicatos também contestam.

A presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), Joana Bordalo e Sá, considera que as condições mais favoráveis oferecidas aos brasileiros são “uma falta de respeito pelos médicos formados em Portugal”.

Este convite no Brasil avançou ainda antes da publicação de um decreto-lei que estabelece um regime excepcional para o reconhecimento automático de graus académicos estrangeiros, com o objectivo de agilizar o recrutamento no exterior.

O Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, esclareceu que esta é uma medida temporária destinada a garantir o acesso regular das populações aos cuidados médicos enquanto decorre o processo de formação de mais especialistas em medicina geral e familiar.

[Transcrição integral; incluindo destaques “bold” e “links” a azul.
Os destaques a verde são meus.

Cacografia brasileira corrigida automaticamente. Imagem de “check” de: PngTree.]

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