O “Prêmio” Camões

O cAOs não é apenas pontual, até porque os conceitos presentes na formulação excluem-se mutuamente.

A vitimização não é ocasional, até porque se baseia exclusivamente em queixas inventadas e/ou encenadas.

As consequências da ponte aérea nos diversos sectores de actividade não são irrelevantes, até porque — mesmo se ainda a medo — começam a acumular-se as denúncias.

A propaganda difundida pelos mais diversos órgãos de desinformação social não é menosprezável, até porque obedece a um plano… algo sinistro.

Até mesmo a (abundante) distribuição de bajulações avulsas, de condecorações e deste ou daquele “prêmio” (note-se, na imagem de topo, mesmo com interface em Inglês, a palavra grafada em brasileiro) não é meramente protocolar e muito menos será inocente.

Até porque, certamente a contragosto e por vezes com tímidos protestos, alguns portugueses são eles próprios agraciados com umas medalhinhas, umas palmadinhas nas costas, umas festinhas no ego.

Convém aos “presuntos” (presumíveis, em Castelhano) implicados disfarçar um pouco o carácter exclusivista da seita, o festim onanista do seu mal disfarçado brasileirismo, o fedor que ressuma da sua orgia brasileirista. Metendo tudo no mesmo saco (sem fundo) da brasileirofonia a que chamam “luso” e na segura presunção de que todos os portugueses — à excepção de eles mesmos — são absolutamente estúpidos, os DDT zucatugas julgam assim conseguir enganar toda a gente, impor a língua “universau” à manada e silenciar de uma vez por todas qualquer opinião dissonante… ou qualquer opinião tout court.

Prémio Camões 2023. “A Língua Portuguesa está a ser muito maltratada”

Rádio Renascença, 10 Out, 2023

Maria João Costa

Em entrevista à Renascença, João Barrento considera que “a Língua Portuguesa pode estar tão bem representada numa tradução de uma grande obra universal, se ela for feita com o nível que deve ser, como o romance ou na poesia”.

“A Língua Portuguesa está a ser muito maltratada e utilizada”, lamenta João Barrento, o ensaísta e tradutor português que venceu esta terça-feira o Prémio Camões 2023.

A Língua Portuguesa está a ser muito maltratada e utilizada“, lamenta João Barrento, o ensaísta e tradutor português que venceu esta terça-feira o Prémio Camões 2023.

Em entrevista à Renascença, João Barrento considera que o problema é mais patente com o novo Acordo Ortográfico, que “está cheio de incongruências”, porque a língua “perde um certo carácter a partir do momento em que se adultera a imagem da palavra”.

Sobre a distinção ao trabalho da sua vida, o ensaísta e tradutor explica que ficou “surpreendido” com a atribuição do Prémio Camões.

“Fiquei surpreendido porque normalmente o Prémio Camões tem sido atribuído a escritores portugueses ou brasileiros dos chamados grandes géneros, o romance ou a poesia, e eu não cultivo esses géneros e tenho dedicado toda a minha vida ao ensaio e à tradução, onde tenho um trabalho intenso nessas áreas”, afirma o novo Prémio Camões.

João Barrento considera, no entanto, que “a Língua Portuguesa pode estar tão bem representada numa tradução de uma grande obra universal, se ela for feita com o nível que deve ser, como o romance ou na poesia”.

Nestas declarações à Renascença, João Barrento sublinha que tem uma “obra bastante vasta no ensaio e na tradução, e quase sempre de autores e livros exigentes”.

O Prémio Camões 2023 confessa que só traduz o que gosta. Tem feito sobretudo tradução de escritores de língua alemã, como Goethe ou Walter Benjamim.

“Tenho-me esforçado quase sempre por escolher os meus autores, quase não fiz tradução por encomenda. Nos casos dos grandes autores, fui eu que sugeri aos editores. Por outro lado, tenho-me esforçado sempre por recorrer a esse grande reservatório, a esse grande depósito, que é a Língua Portuguesa que está ao dispor de nós todos. De modo que, é um trabalho que pode ser tão original na recriação como o trabalho a que se atribuiu um estatuto mais de criação original.”

João Barrento considera que o trabalho de tradução é “solitário”, tal como na escrita. “Nós temos que estar num diálogo íntimo quer com as ideias, no caso do ensaio, quer de vivências, no caso da poesia e do romance, ou com um texto na língua estrangeira, no caso da tradução”.

[Transcrição integral. Destaques meus. Introduzi no texto um “link” interno.]

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1 Comment

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  1. João Carvalho

    Pois, é isto. Do pouco que ouvi desta entrevista, está tudo dito e por pessoa autorizada, por força das circunstâncias da vida e respectivo profissionalismo, a dizê-lo.
    A língua escrita no Brasil não obedecendo às regras gramaticais da língua portuguesa perde a estrutura de língua maior e deixa de ter a estrutura linguística que se obtém num bom texto de língua portuguesa que ao acabar de ser lido se observa o raciocínio do seu autor e a forma como elaborou a exposição que acabou de ser lida.
    Portanto, o Brasil não fala nem escreve o idioma português. É uma variante da Língua Portuguesa que eles chamam “a nossa língua” mas que como portuguesa com regras de estrutura linguística parece que nunca a estudaram.
    E nunca a estudaram porque na reforma de 1911 não nos quiseram acompanhar já que o Brasil era um país independente e Portugal respeitando a soberania brasileira não podia impor a reforma e, desta forma, o Brasil seguiu o seu caminho onde se encontra hoje.
    Foi por aqui, lendo Cândido de Figueiredo, que concluí que os políticos portugueses, continuamente, ao longo destes 200 anos da história do Brasil, enganaram o povo português dizendo que no Brasil se falava Português.
    Falava mas não se escrevia com as mesmas regras.
    Do lado de lá do Atlântico parece terem procedido da mesma forma, foram enganando o povo e hoje aparece esta confusão entre portugueses e brasileiros criada pelos políticos de ambos os Estados e, entre nós, chega-se a esta tristeza dos três representantes dos órgãos de soberania de Portugal dizerem o que dizem acerca da língua do povo que representam.
    Portugal, os portugueses, académicos, letrados, professores e povo português, precisa de um grande debate sobre a condição actual do rumo que a língua portuguesa está a seguir.
    A língua portuguesa é de Portugal e ponto final, que a criaram, desenvolveram e a divulgaram e defenderam até aqui. Se outros povos a adoptaram e por bem a quiserem seguir e chamar-lhe Língua Portuguesa devem adoptar as suas bases e estrutura linguística, podendo criar as palavras que entenderem mas cuja base estrutural terá de ser portuguesa, para que não se criem equívocos. É português aquilo que é de Portugal.

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