Priberam: em Português

Daquela que é, na minha opinião, a melhor ferramenta do género, absolutamente indispensável para quem trabalha com a Língua Portuguesa, ou seja, toda a gente que sabe ler e escrever em Português, apenas há a esperar que a equipa da Priberam não tenha estragado nada com esta nova versão, nem no corrector ortográfico e sintáctico FLIP (programa e utilitário) nem no dicionário online.

Parece que não. Corrector e dicionário continuam intactos e, portanto, imunes à brasileirização compulsiva que já vai infectando os programas e as plataformas da concorrência, nesta incluindo um “serviço” financiado pelo Governo que está convictamente assimilado, ao serviço da terraplanagem brasileira: refiro-me ao tremendo barrete que dá pelo nome de “ciberdúvidas”. Ora, a Priberam também disponibiliza, além do corrector, do dicionário e de diversos outros auxiliares da escrita, um verdadeiro serviço de “Dúvidas Linguísticas”.

Enfim. Por uma vez sem exemplo, aqui fica a sugestão — inteiramente grátis, é claro, que ninguém me encomendou frete algum — já não apenas de uma ferramenta única mas de uma caixa de ferramentas inteira, daquelas à moda antiga, sólida, em chapa e com pegas de ferro, pronta para resistir sem amolgadelas ou sequer riscos a quaisquer pancadas, marteladas e pontapés na gramática. Estamos todos fartos de porcarias tipo “loja do chinês” e de plástico moldável em tretas infantis enjorcadas por cabecinhas cheias de… enfim, digamos, borracha.

Este é todo um trabalho sério, escorreito, limpo e transparente, obra de portugueses competentes, e por isso não será exagero algum saudar ambos, os trabalhadores do cérebro e a empresa que os seleccionou e emprega: parabéns, mas que luxo!

 

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP) é um dicionário online de português. Compreende o vocabulário geral e os termos das principais áreas científicas e técnicas. O DPLP contém informação sobre as diferenças ortográficas e de uso entre o português europeu e o português do Brasil. O dicionário online apresenta funções avançadas de consulta e pesquisa assentes na plataforma lexicográfica da Priberam. Inclui ainda ligação para os auxiliares de tradução do FLiP (espanhol, francês e inglês).

O DPLP é um dicionário online de consulta gratuita. O seu conteúdo é assegurado por uma equipa de linguistas, estando em constante actualização e melhoramento.

A Priberam agradece desde já todos os comentários e sugestões dos utilizadores do dicionário online. A informação será tida em conta pela equipa de linguistas. Todos os comentários devem ser enviados para dicionario@priberam.pt.

O DPLP e o novo Acordo Ortográfico

O DPLP apresenta-se em duas versões. Por um lado, uma redigida na norma europeia do português, sem e com as alterações gráficas previstas pelo Acordo Ortográfico de 1990. Por outro, uma versão redigida na norma brasileira do português, com e sem as alterações previstas pelo novo Acordo Ortográfico.

Na secção Como consultar, cada uma destas opções de pesquisa no dicionário online é descrita pormenorizadamente.

Para mais informações sobre o Acordo Ortográfico, consulte a secção Acordo Ortográfico no site do FLiP.

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[“site” da Priberam]

Flip 11: nova versão do corrector ortográfico da Priberam para quem leva o Português a sério

TekGenius
Marco Trigo

Depois de alguns anos de espera, a Priberam lançou o FLiP 11, a nova versão do seu conceituado corrector ortográfico, e que chega com algumas novidades. Acima de tudo, chega com um foco muito forte na exactidão e nos glossários científicos, para se distinguir dos dicionários generalistas.

A questão que se coloca à Priberam é que, nos últimos anos, generalizaram-se os dicionários generalistas que encontramos nos telemóveis, nos browsers e, principalmente no Microsoft Office, que continua a ser uma ferramenta fundamental em muitas empresas. Mas, como a Priberam destaca, embora estes dicionários generalistas sejam suficientes para o cidadão comum, a Microsoft optou por um caminho peculiar com revisão pré ou pós acordo ortográfico, e também uma mista. O resultado é que muitas grafias erradas acabam por ficar nos nossos textos.

Não foi sempre assim. A partir de 2001 e até ao Office 2016, a Priberam e as diversas versões do FLiP foram os parceiros da correcção ortográfica do Microsoft Word.

A apresentação à imprensa, que contou com Carlos Amaral, CEO da Priberam, e com a linguista Helena Figueira, focou este ponto, mostrando amplos exemplos de grafias incorrectas aceites pela Microsoft e não pelo FLiP.

Um ponto forte do FLiP 11 é também a integração de dicionários temáticos, com uma grande riqueza de termos específicos das áreas científicas, uma lacuna ainda gritante no Office. Graças a estes dicionários temáticos, o FLiP é um facilitador da escrita científica, reconhecendo termos que para o Office (e outros) serão apenas erros ortográficos. O exemplo citado é bastante claro: para o FLiP, “cometário” refere-se a um cometa, mas para o Office é apenas um erro ortográfico em “comentário”.

Para o académico, o FLiP 11 tem então uma dupla vantagem: não só não lhe enche o ecrã de palavras sublinhadas, como também não o induz em erro, corrigindo falsos positivos.

O FLiP 11 tem também uma melhor compartimentalização das ortografias pré e pós Acordo Ortográfico e uma capacidade melhorada de correcção contextual da ortografia. Conta, além do mais, com dicionários para todos os países Lusófonos e é compatível não só com o Microsoft Office, mas ferramentas da Adobe ou Open Office e ainda é possível utilizá-lo como plugin para o WordPress. Estas aplicações tiram todas proveito não só das ferramentas correctivas (tanto ortográficas, quanto sintácticas e estilísticas), mas também dos dicionários Priberam e do conjugador de verbos.

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Priberam anuncia o FLiP 11 com foco na universalidade

noticiasetecnologia.com

A Priberam anunciou o novo FLiP 11, a décima primeira versão do pacote de ferramentas de revisão e auxílio à escrita da empresa portuguesa, conhecida pelo seu Dicionário. Disponível apenas para Windows, é totalmente compatível com o Microsoft Office 2019 e, a partir desta versão, e deixa de haver um produto diferente para o mercado brasileiro – ou seja, este é um FLiP universal.

“A disponibilização de um programa como o FLiP, quando o Microsoft Office já inclui correctores ortográficos, pode parecer algo redundante”, admite o CEO da Priberam, Carlos Amaral, “mas o valor acrescentado que conseguimos oferecer, claramente, justifica a continuidade do desenvolvimento do FLiP”.

A Priberam estima que o FLiP 11 tem uma capacidade de correcção de erros cerca de 5 vezes superior à das ferramentas de correcção ortográfica e sintáctica nativas do Office 2019.
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Aniversário fúnebre

Terminou aquela insuportável cerimónia fúnebre e, do cadáver adiado, em câmara ardente durante dois dias, sobraram pela 13.ª vez apenas os despojos do costume: discursos ocos de alguns convivas, os lugares-comuns rituais, com especial destaque para as baboseiras proferidas pelo primeiro-ministro António Costa e pelo Presidente Marcelo, e, para findar com um remate sinistro o geral vazio de ideias e a total ausência de princípios, foi oficializada a entrega das riquezas naturais de Angola aos interesses económicos do Brasil; o mesmo que sucederá, já de seguida, a Moçambique e a qualquer das outras ex-colónias portuguesas onde, por mero acidente da fortuna, para tremendo azar dos locais, porventura sejam descobertos filões de ouro, diamantes, petróleo, gás, pedras preciosas ou até madeiras exóticas, terras para cultura intensiva, mão-de-obra barata…

Na verdade, esta era de ultra-capitalismo — feroz, selvagem, virulento — ficará para a História do Esquecimento como sendo aquela em que a espécie humana ultrapassou, talvez irreversivelmente, a barreira da sua própria condição: o ser-humano deixará para a posteridade uma mole de gente indistinta, massas inertes infinitamente replicadas, peças de uma gigantesca máquina que sabe o preço de tudo e não conhece o valor de nada.

No artigo que se segue um cronista — português, logo, minimamente alfabetizado — irrita-se muito justamente com a aniversariante organização brasileira (paga, com magnanimidade, pelos impostos dos portugueses) e atira-se às canelas, em sentido figurado, note-se, do também ele optimista irritante Costa e do ainda mais irritante Marcelo, o Presidente-Rei que ficará para os anais com o cognome de O Baril.

Além de algumas preciosas (e tenebrosas) revelações, o autor utiliza (e bem) a Guiné Equatorial do ditador sanguinário Obiang como sendo um (ou o) problema fulcral da Comunidade dos Países de Língua Oficial brasileira. Pois sim, vale pela intenção, mas não, esse é o menor dos problemas da brasilofonia e da CPLB. Problemas reais são a neo-colonização às avessas e a extinção da Língua-matriz substituindo-a pela cacografia e o léxico e a prosódia e a sintaxe transitoriamente em uso no Distrito Federal de Brasília.

A CPLP irritante

João Gonçalves*

 

Se realizarmos uma sondagem fora do “meio” sobre o significado do acrónimo CPLP, poucos saberão – e não perdem nada com isso – tratar-se da “Comunidade dos Países de Língua Portuguesa“.

 

Esta CPLP reúne em “cimeiras”. Desta vez, coube a Luanda receber mais uma. Lá foram Marcelo e Costa, este devidamente parabenizado num jantar oferecido pelo general Lourenço. Consta que Marcelo “puxou” pelo “parabéns a você nesta data querida” e ambos, Costa e Marcelo, desmentiram existir qualquer “irritante” entre eles. Fizeram juras de acrisolado “amor” institucional que culminaram com Costa, no seu tradicional registo de brutalidade política, a insinuar que a Guiné Equatorial entrara na CPLP, em 2014, pela mão de Passos e de Cavaco. Vamos por partes. Logo à cabeça, a língua. Acerca da qual ninguém, na prosélita CPLP, se entende por causa do “acordo ortográfico” de 1990. No país do sr. Obiang, então, a questão nem se coloca. A Guiné Equatorial ignora por junto a democracia e a língua. Todavia, nada disso impediu que os ex-presidentes de Angola e do Brasil, respectivamente Eduardo dos Santos e Dilma Rousseff, tivessem forçado a mão dos outros a aceitar a presença de Obiang na CPLP. Sem a menor capacidade geoestratégica na Europa, ou seja onde for, a CPLP caiu definitivamente na irrelevância e na inutilidade que a caracteriza desde a sua brilhante “ideia” fundadora. Quanto a interesses e negócios – as determinantes não “irritantes” da exigência angolano-brasileira de incluir a Guiné Equatorial na CPLP e que os outros inalaram e engoliram com receio que se desfizesse tão ilustre agremiação -, Costa nada disse e desfez-se em retórica democrática. Por outro lado, se, em 2018, o Estado concedeu 1,5 milhões em isenções fiscais à filha de Obiang através da Zona Franca da Madeira, por que é que não se exigiu simultaneamente democracia e respeito pelos direitos humanos no “seio” da CPLP? Só agora é que se lembrou? Enfim, desta irritante CPLP, a única coisa que me interessaria seria a defesa da língua, matéria em que falha clamorosamente. E logo a matéria não petrolífera ou bancária, e um dos melhores meios de influência de Portugal, como Vasco Pulido Valente escreveu há sete anos. A CPLP será o que sempre foi. Um pretexto frívolo e inconsequente para o país lavar alguma má consciência “colonialista” que possa ter sobrado dos idos de 70 do século passado. O que representa nada, porque os “parceiros” se estão nas tintas para isso.

João Gonçalves

*Jurista

 

[Transcrição integral (incluindo destaques a preto) de artigo da autoria de João Gonçalves publicado no

O textículo seguinte reflecte, com as naturais limitações do analfabeto escrevente, aproveitando a fantochada da 13.ª cimeira, a posição oficial dos lobbies empresariais que suportam (e financiam, presumo) a política expansionista e neo-colonialista do Brasil.

Refere o deputado brasileiro o português Agostinho da Silva (vídeo em baixo) como sendo uma espécie de arauto, apoiante entusiasta da brasileirização da ex-potência colonizadora e das ex-colónias portuguesas em África. Este “exemplo” é citado como paradigma do conceito de “lusofonia” (o disfarce de “língua brasileira no mundo”), quando — que eu saiba, as minhas desculpas caso esteja equivocado — aquele professor tuga limitou-se a dar aulas no Brasil. Imagino a surpresa dos brasileiros, de facto, ao esbarrar num professor universitário da “terrinha”; isso não encaixa de forma alguma no arquétipo do portuguesinho no Brasil, esse “gigante” dos “coroné” e do preconceito chauvinista, “Seu Manuéu” padeiro, de bigode e cuspindo no chão, mais sua consorte D. Maria, anafada e brutal, igualmente de bigode e também padeira.

Os 25 anos da CPLP

“Pravda”, 19.97.21
José Fernando Aparecido de Oliveira

 

A CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – nasceu do objetivo de criar um diálogo tri-continental permanente entre os oito países de língua portuguesa espalhados pelo mundo, situados na África, Europa e América. Esse processo ganhou impulso decisivo na década de 1990, com o empenho do então embaixador do Brasil em Portugal, José Aparecido de Oliveira. José Aparecido dava vida ao antigo sonho visionário do português originário Agostinho da Silva.

 

O primeiro passo para sua consolidação foi dado em São Luís do Maranhão, em novembro de 1989, durante a realização do Primeiro Encontro dos Chefes de Estado e de Governo dos Países de Língua Portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. O Encontro foi promovido pelo presidente José Sarney, com a mobilização de seu ministro da Cultura, o mineiro José Aparecido de Oliveira. Ali nasceu o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, que se ocupa da promoção e difusão do idioma, e tem sua sede em Cabo Verde.

Timor-Leste tornou-se o oitavo país

Tornou-se imperativo, a partir daí, irmanar os países que tem herança histórica e o idioma comum. Assim, em fevereiro de 1994, os sete ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores dos países de língua portuguesa, reunidos pela segunda vez no Brasil, agora em Brasília, formalizaram o processo para a criação da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O que só veio acontecer oficialmente no dia 17 de julho de 1996, em reunião dos sete chefes de Governo em Lisboa, Portugal. Seis anos depois, com a conquista de sua independência, o Timor-Leste tornou-se o oitavo país membro da Comunidade, no dia 20 de maio de 2002. A inclusão da Guiné Equatorial só viria a ocorrer em 2014.

O maior desafio da CPLP foi erigir uma organização multilateral, fundamentada em laços culturais e alicerçada pelo idioma, dentro de um universo econômico, educacional e cultural tão distinto entre seus países. Para essa consolidação, a lusofonia foi a grande motriz dessa união e estruturação da CPLP como entidade internacional. Junto à lusofonia, outras duas organizações linguísticas, a francofonia e a commonwealth (anglófona), foram a amalgama que fundamentou a união entre os países. Vale destacar que o acordo ortográfico, universalizando a escrita entre os países de língua portuguesa, foi um passo dos mais importantes para a sua consolidação como entidade internacional e ponto de intercessão comum entre as nações.

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A 13.ª cimeira da CPLP: azar?

CPLP. Marcelo diz que Portugal “sai muito feliz” da cimeira – Renascença

Rádio Renascença, 17.07.21

 

O Presidente da República afirmou este sábado que a cimeira de Luanda da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ultrapassou todas as expectativas em matéria de resultados e que Portugal “sai muito feliz” com os novos progressos.

Esta posição foi assumida por Marcelo Rebelo de Sousa no final da XIII cimeira da CPLP, numa longa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro, António Costa, e com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

“Esta cimeira ultrapassou as expectativas que eram já positivas pela conclusão do acordo de mobilidade” no espaço lusófono, declarou o chefe de Estado.

No entanto, de acordo com o Presidente da República, a cimeira de Luanda “serviu para reforçar a ideia da cooperação em curso em matéria sanitária neste período pandémico que está a ser vivido em ritmos diferentes pelos países da CPLP”.

A ideia de irmos longe num instrumento financeiro de investimento, assim como outras intenções, tudo isso é muito promissor e um virar de página. Pode dizer-se que Portugal saiu muito feliz desta cimeira, porque correspondeu ao esforço de uma presidência [de Cabo Verde] em tempo difícil”, sustentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Perante os jornalistas, o chefe de Estado manifestou-se convicto “num novo ciclo de arranque político-diplomático na CPLP”, também abrangendo os domínios da língua e da cultura e no alargamento da própria comunidade – aqui numa alusão à entrada de Timor-Leste após ter conseguido a sua independência ao libertar-se da ocupação por parte da Indonésia.

“Este segundo ciclo não deixa de cuidar dos valores principais e foi reafirmada várias vezes a questão do Estado de Direito, dos direitos humanos e da democracia ligada a uma questão de desenvolvimento sustentável”, disse.

No entanto, na perspectiva de Marcelo Rebelo de Sousa, esta cimeira de Luanda abre para um caminho de desenvolvimento social, destacando o acordo alcançado em matéria de mobilidade.

Esta cimeira abre ainda para a economia e para a vida empresarial, completou o chefe de Estado, numa alusão à prioridade da nova presidência angolana da CPLP ao longo do próximo biénio.

Ainda segundo Marcelo Rebelo de Sousa, durante a cimeira “houve uma grande sintonia das intervenções todas”.

“Há uma convergência natural que explica a aclamação de todos os documentos submetidos à apreciação da conferência, todos eles, desde os que respeitam ao alargamento [de países observadores], até àqueles que tratam de temáticas específicas”, acrescentou.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP, que hoje celebra 25 anos.

[Transcrição integral. Publicação de “Rádio Renascença” de 17.07.21. Destaques, sublinhados e “links” meus. Imagem de topo de: ILCBrasil.]

Lá terminou mais um episódio, o 13.º, da triste saga baptizada como “Cimeiras dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados de Língua Oficial” brasileira.

Note-se, para início de conversa, que o facto de aparecer “Português” ou “Portuguesa” no título da Organização, através da sua cobertura política (cuja lógica é brasileira), constitui pura manobra de marketing, com a óbvia finalidade de disfarçar o indisfarçável para que a opinião pública em Portugal não abomine aquilo que é abominável, a raiz da mentira colossal urdida por meia dúzia de brasileiros e alguns traidores portugueses: a substituição da Língua-matriz por um sucedâneo que é língua nacional numa ex-colónia portuguesa.

Neste 13.º banquete não houve qualquer novidade, já que o plano está traçado e em execução desde 2008 (via RAR 35/2008), à excepção da oficialização da manobra de perversão do Acordo de Schengen, do qual Portugal é signatário enquanto membro da União Europeia. Marcelo declara, arrogando-se o direito de falar em nome do país, que “sai muito feliz” do repasto e, em especial, devido à parte da galhofa em que ficou combinado — preto no branco — que Portugal passa a ser a porta dos fundos para que milhões de brasileiros entrem na Europa legalmente e não a salto. Evidentemente, não é possível comparar o incomparável, ou seja, a dimensão (a população) do “gigante brasileiro” com os contingentes de emigração de qualquer dos PALOP; e também não tem nada a ver com a relação familiar entre os moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos, guineenses ou santomenses com os portugueses, com Portugal. “Revendo” o estatuto e o mecanismo de atribuição da dupla nacionalidade, ou mesmo sem essa “revisão”, a porta dos fundos fica desde já mais do que aberta, fica escancarada.

No que diz respeito à Língua propriamente dita, aquela que é comum a Portugal e PALOP, a patuscada luandense revelou extremo cuidado em fingir que não existe o mínimo engulho na “adoção” do brasileiro como “língua universáu“. Nas contas “oficiais”, utilizando diversas ferramentas de contra-informação, de propaganda, de intoxicação e de lavagem ao cérebro, os acordistas agitam por sistema o “tremendo” argumento (avassaladora patacoada) dos “mais de 210 milhões de brasileiros”; depois, para “agigantar” os falantes da sua língua, somam àquele ror de indígenas os habitantes de Portugal (10 milhões), Moçambique (35 milhões), Angola (30 milhões) e mais uns pouco milhões dos membros restantes. Assim, com esta continha de somar à maneira dos merceeiros, chegam a um número (absolutamente falso) cheio de zeros, coisa suficiente para que alguns labregos fiquem embasbacados, esmagados pelos milhões a granel, o que supostamente “comprova” a “difusão” da língua deles no mundo. O Brasil nacionaliza assim, de uma penada, a língua a que o Palácio do Planalto chama “portuguesa” — depois de impor a sua cacografia aos demais países — e é com base nessa engenharia comercial que se acha no direito de se apossar do conceito de “lusofonia”, abstracção que usa para esconder as suas ambições ultra-capitalistas.

Não interessa para nada que em Moçambique, por exemplo, apenas 17.º da população fale (e muito menos escreva) em Português ou que sejam 71% os angolanos que utilizam o idioma lusitano; para Timor-Leste nem há números, a coisa deve rondar os 0,5% ou, no máximo, 1% de falantes.

As estatísticas variam enormemente consoante as fontes mas, em todo o caso, a referida soma algébrica não passa de (mais uma) redonda mentira.

No entanto, apesar de pelo menos as pessoas informadas saberem perfeitamente a dimensão do logro, quais são as verdadeiras intenções do Brasil e de que estratégias se servem os acordistas portugueses para promover os interesses geoestratégicos e económicos brasileiros, ainda assim a comunicação social portuguesa reproduz em massa e até à exaustão “notícias” sobre a CPLP (e sobre o seu disfarce “linguístico”) que não passam de propaganda, pura propaganda.

Paga, é claro.

Brasil tem feito “esforço muito amplo” para promover o português no mundo

www.rtp.pt, 15.07.21

 

No âmbito dos 25 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o diplomata destacou o trabalho que o Brasil tem desenvolvido na projecção do português, com foco na Rede Brasil Cultural, hoje denominada Rede de Ensino do Itamaraty, cuja “vocação é a promoção e difusão da língua portuguesa e da cultura brasileira no exterior“.De acordo com Costa Filho, essa tem sido uma das principais ferramentas usadas pelo Brasil na promoção do português, estando presente em mais de 40 países, em cinco continentes.

“Através dessa rede, são oferecidos cursos de língua portuguesa em todas as suas vertentes. O português pode ser ensinado como uma língua estrangeira, língua de herança ou como uma língua não materna. Então, todos esses focos estão presentes nesse esforço. A rede conta também com leitores, ou seja, professores que actuam em universidades no exterior nessa promoção“, explicou.

Paralelamente a esta rede de ensino, o Itamaraty – nome como é conhecido o Ministério das Relações Exteriores do Brasil -, tem, anualmente, um programa de actividades de língua portuguesa conduzido no exterior pelas embaixadas, consulados e missões por todo o mundo.
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Moçambique maningue mahala

Nos próximos quatro anos, Moçambique vai investir 50 mil milhões de dólares no desenvolvimento de um projeto de gás natural que visa tornar o país um dos cinco maiores produtores mundiais. Paranyu Pithayarungsarit ["Expresso"]

«Nos próximos quatro anos, Moçambique vai investir 50 mil milhões de dólares no desenvolvimento de um projecto de gás natural que visa tornar o país um dos cinco maiores produtores mundiais.» Paranyu Pithayarungsarit [“Expresso”]

«Mozambique has commercially important deposits of coal (high quality coking coal and thermal coal), graphite, iron ore, titanium, apatite, marble, bentonite, bauxite, kaolin, copper, gold, rubies, and tantalum.»
«Mozambique holds some of the world’s largest untapped coal deposits.  Vale of Brazil has made major investments in their coking coal mine.  Their first coking coal shipments were in 2011. Vale, through its participation in the Northern Corridor Development (CDN) consortium, has refurbished the Nacala rail line, which runs through parts of Malawi to the deep-water Port of Nacala.» «Opportunities for the provision of coal mining equipment and railway logistics and equipment exist.  Given the expectation that mining costs in South Africa will rise considerably over the coming years, Mozambique could gain a regional competitive advantage.»
«Two large investment projects focused on the mining and processing of heavy sands deposits are moving forward.  The Moma Heavy Sands (Kenmare Resources) and Corridor Sands (BHP Billiton) projects together will require more than USD1 billion in investment.»
«Mozambique’s mineral potential is largely untapped.  Gold deposits in Niassa, Tete, and Manica Provinces have attracted domestic and international investor interest in recent years.  Gold mining has been slow to develop as most of its activities are done by informal artisanal miners.  However, increasing regulation of gold mining may lead to larger scale production, as the Government begins to require miners to formalize their legal status.  Xtract Resources recently acquired a gold mining concession with estimated reserves of 2.97mnoz.  Gold industry production is forecasted to grow 1.1% annually from 2016 to 2020 [“Privacy Shield”]

 

Do repasto não constam “apenas” os diamantes e o petróleo de Angola; outro petisco será montar um entreposto comercial em Macau para assaltar o gigantesco mercado chinês; e por sobremesa, para acamar, pretendem inaugurar em Portugal uma porta dos fundos para acesso livre à União Europeia e para penetrar no mercado europeu como parceiro comunitário. Os objectivos geoestratégicos brasileiros, cavalgando uma farsa (a CPLP) e sob o disfarce da “difusão e expansão da língua” brasileira (o AO90), visam também as riquezas e recursos naturais de Moçambique.

No caso desta última “frente”, o assalto ao gás natural, ao ouro, ao cobre e a outros minérios está já em marcha. 

Tanto Moçambique como Angola não ratificaram o expediente (RAR 35/2008) que determinou serem suficientes três assinaturas dos oito Estados-membros da CPLP para tornar automaticamente obrigatória a entrada em vigor do AO90 em todos os oito. Assim, a partir do momento em que o Brasil (pois claro) assinou, em 2004, e conseguiu — sabe-se lá por que bulas — forçar Cabo Verde, em 2005, e São Tomé, em 2006, a assinar também, então a partir desse momento o dito AO90 entrou em vigor — “legalmente”, obrigatoriamente, compulsivamente — também em Angola, em Moçambique, em Timor e na Guiné-Bissau. Nem mesmo os próprios governantes moçambicanos, angolanos, timorenses e guineenses fazem a menor ideia de que nos seus países entrou em vigor uma imposição do Estado brasileiro e de meia dúzia de gulosos tugas. Foi para amaciar esta violência, aliás, que Portugal juntou-se ao Brasil e às ilhas africanas, em 2008, e assinou também; eis, em suma, a acepção definidora daquilo em que consiste o conceito de “cobertura política”…

Portanto, é natural que agora, quando se reúnem o Presidente e o Primeiro-Ministro portugueses com um suplente do Governo brasileiro, os moçambicanos sofram repentinos ataques de estupefacção: “mas o que diabo vem a ser isto?”, interrogam-se; “mas o que nos querem estes madala?”

 

CPLP: Analistas moçambicanos consideram que organização não tem impacto na sociedade

 

www.voaportugues.com, JWilliam Mapote

 

MAPUTO — Vinte e cinco anos depois da criação da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, com nove Estados membros distribuídos por quatro continentes e unidos língua portuguesa. Analistas moçambicanos olham para os propósitos iniciais e não vêem impacto da sua acção na sociedade.

Dário Camal, especialista em assuntos internacionais, diz haver “uma crise de subjectividade e legitimidade da CPLP, por isso o seu impacto, neste momento, não é sentido”.

Na opinião dele os Estados membros focam-se mais nas suas organizações regionais.

“Se olharmos para Moçambique e Angola, focam-se mais na SADC, porque é aqui que nos afecta, é com os nossos parceiros de fronteira que fazemos negócio e vivemos o dia-a-dia”, sinaliza.

A concertação político-diplomática entre os membros, para reforçar a significância no cenário internacional, é um dos principais objectivos.

Mas mesmo aí, a radiografia não é muito positiva quanto podia.

Do lado da sociedade civil, a avaliação não foge à regra.

A CPLP está aquém do que podia ser, em termos de potencialidades, na leitura do investigador e activista social Borge Nhamirre, para quem o nó de estrangulamento está nas lideranças.
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Tandem

‘Mozambican soldiers are on the streets of Palma, as seen in this picture taken on Monday’ [EPA/BBC]

 

«Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira» [jornal “Opção” (Brasil)]

«A verdade é que a resistência de Portugal é de cunho político. As mudanças para os portugueses, “pátria da língua”, são maiores, visto que a influência brasileira nos demais países lusófonos cresceu muito nos últimos anos. Sendo Portugal a colonizadora, aceitar mudanças impostas pela antiga colônia significa receber um duro golpe na soberania nacional portuguesa.»

«Como a lógica do acordo é brasileira, poucas foram as modificações graves para a língua do Brasil.»

«A grande pergunta é: por que o Brasil, um país que não investe em políticas públicas para difusão de sua língua e de sua literatura, tem interesse em colocar o acordo ortográfico em prática? Tânia Rezende responde: “A língua é, até hoje, uma ferramenta de dominação política e econômica. A África ainda é um campo de dominação. O Brasil quer entrar e o acordo é um meio para isso”.»

 

Se bem que existam outros “posts” anteriores sobre o assunto, nada é mais claro do que a admissão expressa que os próprios brasileiros fizeram a fineza de publicar em 02.07.2016 sobre a sua estratégia expansionista e claramente neo-colonialista: «Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira», titulava naquela data o jornal brasileiro “Opção”. De facto. Ainda que alguns tugas recusem tão flagrante evidência, com uma mescla de fé, crendice e devoção aos “irrmaums” deles, torna-se-lhes assim — preto no branco — impossível negar a lógica férrea dos maiores interessados na propagação da colossal fraude. E ainda para mais porque o arrazoado vai ao ponto de determinar o conteúdo programático da expansão brasileira utilizando o AO90 como cortina de fumo e pretexto para que se sirvam da CPLP, outra invenção brasileira. «A língua é uma ferramenta de dominação política e económica», dizem os zucas, e dizem bem. E «a África ainda é um campo de dominação onde Brasil quer entrar e o acordo é um meio para isso.» Ah, pois é. Ah pois quer. E «o acordo é um meio para isso», concluem… e concluem perfeitissimamente.

Todo o articulado da notícia comprova essa mesma lógica (sem aspas), aliás com o maior desplante, no que não difere em estilo dos diversos apelos já aqui igualmente transcritos a que seja finalmente reconhecida a língua brasileira como a Língua nacional do Brasil.

Ao contrário do que sucede tradicional e sistematicamente naquele exótico país (até em questões de Estado), não há nisto o mais ínfimo vestígio de “candomblé” ou bruxedos em geral. Trata-se de pura estratégia geopolítica, motivada por ambição desmedida, a explanação (com algum descaramento) daquilo em que consiste e para que lhes serve a CPLP, decorrendo e dependendo dos negócios realizados à sua sombra o pretexto político, o disfarce, a inacreditável fantochada — o AO90.

É precisamente nessa linha de actuação que surge o textículo transcrito em baixo. Na sequência do “post” anterior e usando o mesmo tipo de “Inteligência” (transliteração brasileira do termo em Inglês “intelligence”, serviços secretos), a agência Brasilusa despacha mais um pacho de lavagem ao cérebro. Mais do mesmo, como previsto: Portugal, a “terrinha” onde todos os brasileiros que desembarcam no Porto ou em Lisboa têm um tio, uma avó e uma chusma de primos, passará em breve a servir como porta dos fundos para a União Europeia. Outra “novidade” velha e relha é que os tipos já estão a arreganhar a taxa para abocanhar os diamantes e o petróleo angolanos. Tudo à conta da “lusofonia”, é claro, essa foleiríssima fábula ao estilo das telenovelas mexicanas (centenas de episódios emitidos desde 1986), mas agora já sem sequer tentar esconder os negócios (daí “o valor económico da língua“) e a “mobilidade” (fintar o acordo de Schengen, enganar os contribuintes europeus).

É de caras. Montados num tandem sem pedais, a caminho de mais uma Cimeira, mais umas mentiras, mais uns quantos discursos ocos e mais um chorrilho de insultos à inteligência de 10 milhões, os altos dignitários presentes em Luanda — afinal baixos — irão prestar vassalagem aos DDT (Donos Daquilo Tudo), os emissários de Brasília, e oficializar a sua “participação” nas gemas, nos carates, no barril.

Barril, não baril. 

CPLP: António Monteiro pede ajuda concreta a Moçambique

“Público”/Lusa, 13.07.21

 

O embaixador António Monteiro, um dos impulsionadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) quando ela foi criada, defende que os chefes de Estado e de Governo da lusofonia devem, na cimeira que começa na sexta-feira em Luanda, manifestar disponibilidade para ajudar Moçambique, mas também aprovar o acordo de mobilidade e repensar o financiamento da organização.

Numa entrevista à Lusa a propósito dos 25 anos da organização e da cimeira de Luanda, na qual Angola assumirá a liderança da organização, António Monteiro disse esperar “cada vez maior envolvimento dos países na CPLP e que estes dêem, cada vez mais, o valor que a CPLP merece”, tendo em conta aquilo que a organização pode ser no futuro.

Moçambique merece, no actual contexto, uma atenção especial. Para o embaixador, os chefes de Estado e de Governo “têm de pronunciar, nem que seja uma palavra de solidariedade, que eles [moçambicanos] precisam, mas também de disponibilidade de todos os meios diplomáticos, militares e de inteligência”, defendeu. Na sua opinião, a situação em Cabo Delgado exige ainda um papel de outras organizações, junto das quais a CPLP pode chamar a atenção, de modo a que haja “uma intervenção que não pareça uma ocupação” e ao mesmo tempo se desenvolvam acções de desenvolvimento, para dar alguma confiança às populações, considerou.“Moçambique precisa de auxílio, se for preciso até militar, mas sobretudo de segurança, em matérias de inteligência, para poder fazer face àquilo que eu acho que é terrorismo, que depois poderá explorar alguns descontentamentos locais e atrasos no desenvolvimento que ali possa haver” frisou. A CPLP, como tem “alguma cooperação no campo militar, que é profícua e tem tido até alguns êxitos na maneira como trabalha, podia e devia debruçar-se sobre esse tema em conjunto”, considerou.

Já sobre a proposta para a mobilidade de pessoas no espaço da CPLP considera-a como um passo positivo. “Aquilo que me parece que é correcto e faz parte deste tempo de CPLP é criar gradualmente espaços de mobilidade, dando a certas categorias mais facilidades do que outras, exactamente para que nenhum de nós, no espaço que integramos, assuste os nossos outros parceiros”, defendeu.

Na sua opinião, com este acordo, já aprovado em Conselho de Ministros, a CPLP “vai agilizar, em certa medida, por categorias, claro, e começando com gradualismo pontos de facilitação de deslocação” de pessoas no espaço da comunidade, referiu. E “isso é importante, porque é mais um sinal de confiança da CPLP”, salientou.

Facilitar o acesso ao crédito

Da Cimeira de Luanda, o actual presidente da Fundação Millennium BCP espera, aliás, “duas grandes medidas”: um acordo sobre mobilidade e, “sobretudo, um apelo muito forte a entrar no campo económico e empresarial”. Mas para se desenvolver o vector económico também “temos de ver como, de um ponto de vista multilateral, podemos criar condições de acessibilidade ao crédito”, defendeu. António Monteiro recordou que “até já se tentou criar um banco” multilateral, da CPLP, mas os sistemas bancários dos Estados-membros eram tão diversos que a ideia não avançou.

Quanto ao financiamento da própria CPLP, António Monteiro realça que a eventual aprovação do novo regulamento dos observadores associados na cimeira será outro avanço importante, num momento em que há 13 novas candidaturas a esta categoria, entre as quais as dos EUA, Canadá, Índia e Espanha. “Penso que neste regulamento ou está previsto o pagamento de quotas ou a participação efectiva [dos observadores associados] em projectos, dos quais uma percentagem caberia à CPLP”, referiu. Assim, “sinto que se pode trabalhar em formas criativas de dotar o orçamento da CPLP de mais valor, de o aumentar”, realçou.

Caso sejam aprovadas em Luanda, e tendo em conta que a CPLP já tem hoje 19 observadores associados, a comunidade passará a contar com um total de 32 países e organizações com aquele estatuto. Porém, para o diplomata, “os tempos e as circunstâncias em que vivemos impõem agora à comunidade avançar em áreas, que até aqui mereceram menos atenção”, como “a parte económica e a parte da mobilidade”.
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‘Para Angola, rapidamente e em força’


«A CPLP tem mantido esta tradição de ser uma organização em que tudo se decide por consenso». A “notícia” despeja assim a frase, a seco, citando as circunspectas declarações de  um tipo qualquer, um tal Téte, acordista como todos os índios da tribo Lusofon; tocou a este Téte chegar-se à frente e bolçar uma das mentiras favoritas dos brasileiros adoptivos; repetem eles, veneradores, atentos e obrigados, o exacto inverso daquilo que foi decidido na cimeira de Chefes de Estado da CPLP, em Brasília (pois claro), no desgraçado ano de 2002.

Ou seja, não a voo de pássaro mas a voo de F16, que é ligeiramente mais rápido, resumamos a golpada que se iniciou precisamente naquela mesma Cimeira de Brasília: a partir de 2002 deixou de ser necessário que todos os oito Estados da CPLP subscrevam seja o que for, bastando o autógrafo de três deles (nem metade!) para que um “tratado”ou  “acordo” entre em vigor… em todos os oito. Foi com base nesse expediente espertalhão (e nojento) que o II Protocolo Modificativo (que vertia em articulado a golpada) foi aprovado, tendo este dado origem em Portugal à RAR 35/2008 (aprovada pelos zombies de São Bento) e tendo esta accionado os mecanismos governamentais (RCM 8/2011) para a entrada em vigor do AO90, de forma “automática” e inerente.

Belíssimo esquema, não? Ah, pois sim, pois sim, o cambalacho (como se diz em brasileiro) é algo à altura de Al Capone, por exemplo, e, não desmerecendo, truque de prestidigitação mental digno de um Alves dos Reis, esse honestíssimo gatuno.

Outra frase lapidar igualmente escarrapachada na notícia é, por engraçada coincidência, do seguinte teor: «o mandato de Angola da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) será marcado pela criação do pilar económico e empresarial

Extraordinária ordinarice.

Disfarçar era dantes; os homens-de-negócios que vão “fazendo pela vidinha”, os garbosos marialvas da língua universáu por aí andam, ataviados de políticos ou carreando lantejoulas de artistas feéricos, cavalgando a trote o jerico da “expansão do idioma” brasileiro, essa fina escumalha exibe-se hoje em dia com cagança. Agora ele é muito mais de caras, imensa lata, nada de fingimentos, que já não carece: pretendem enriquecer estupidamente à conta da lusocoisa e portanto vale mesmo tudo menos tirar olhos (mas nunca fiando).

Evidentemente, a expressão “criação do pilar económico e empresarial” significa literalmente, parafraseando a célebre máxima de Oliveira Salazar, se bem que a propósito de outras guerras, “para Angola, rapidamente e em força”. Garantida a neo-colónia inversa como porta dos fundos para entrar na Europa e garantido o assinar de cruz por parte de dois micro-estados ad-hoc (Cabo Verde 2005, São Tomé 2006), só faltava invadir Angola e saquear as suas riquezas naturais.

O próximo encontro de homens-de-negócios do II Império brasileiro tocou não por acaso àquela ex-colónia portuguesa. A Cimeira de Chefinhos 2021 não surge “ao calhas” em Luanda. Os sinais eram mais do que evidentes e já aqui mesmo, neste modesto apartado de correio, tinham sido assinalados alguns deles, nomeadamente tomando a pista do que se vai passando em Macau — um entreposto para a China e feitoria para Angola. Basta unir as pontas da meada ou ligar os pontos do desenho (sim, porque há muita gente a quem é preciso fazer um desenho para que entendam minimamente o óbvio ululante); poderá suceder que por fim aos mais cépticos se descomponha o sorrisinho cínico e o seu insuportável convencimento nos meandros do paternalismo.

Talvez ajude na não muito complexa desmontagem da tramóia atender ao desfecho de Téte, salvo seja: «relativamente ao Acordo Ortográfico, ainda não ratificado por Angola, Téte António disse que é um trabalho “em progresso”

Em política, isto é, nos negócios (estrangeiros ou domésticos), brandir a espada de Dâmocles — metáfora para a expressão típica da polícia de trânsito “das duas, uma, o xidadão ou paga a multajinha ou então paga a multajinha” — continua com a mesma eficácia que tinha há 2.300 anos: sim, com certeza, mas há aqui estas facturazinhas que é necessário liquidar…

Bem, está claro ou ainda não?

Não? Pronto, haja pachorra, então ficam mais três “djicaiss”: não é gelo mas em bruto parece, diz que nem tudo o que brilha é, usa-se para besuntar batoteiros.

“Não existem fricções” entre estados-membros da CPLP, afirma chefe da diplomacia angolana

expressodasilhas.cv, 10.07.21

 

Entrevistado pela Lusa em vésperas da cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o chefe da diplomacia angolana desvalorizou controvérsias recentes e destacou a aproximação entre os nove países integrantes (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial), que se farão representar ao mais alto nível em Luanda nos dias 16 e 17 de Julho.

Questionado sobre a ausência do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, encarada como um sinal do alegado esfriar das relações entre os dois países por conta da situação da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, Téte António garantiu que “não existe fricções entre os Estados-membros da CPLP”.

“Este é um caso que aconteceu numa Igreja e não tem nada a ver com as relações entre a República de Angola e o Brasil. As agendas dos chefes de Estado não são agendas fáceis e há sempre uma compreensão cada vez que acontece que um ou outro não possa estar presente, mas não existem fricções entre os Estados-membros da CPLP. Pelo contrário, a CPLP tem mantido esta tradição de ser uma organização em que tudo se decide por consenso”, argumentou.

De acordo com Téte António, a aproximação existente entre os Estados-membros da CPLP é algo “raro” de encontrar noutras organizações.

A mesma resposta foi dada em relação à participação da Guiné-Bissau, face a informações recentes sobre um alegado mal-estar diplomático entre os dois países, depois das críticas que o presidente guineense Umaro Sissoco Embaló dirigiu, no ano passado, ao seu homólogo angolano, João Lourenço, que acusou de interferir em assuntos internos da Guiné-Bissau e de perseguir a família do anterior chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.

O diplomata destacou, por outro lado, que o mandato de Angola da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) será marcado pela criação do pilar económico e empresarial, para o qual contam com o apoio de todos os Estados-membros.

“A República de Angola gostaria de ver um quarto pilar acrescentado às nossas prioridades actuais, que é o pilar económico e empresarial”, declarou Teté António.

O ministro das Relações Exteriores de Angola frisou que Angola vai continuar a defender os conteúdos e prioridades já existentes na organização, que completa agora 25 anos de existência.

Segundo Téte António, cada presidência é chamada a dar a sua pequena contribuição à vida da organização e à dinâmica que esta vai conhecendo, e, nesse sentido, Angola “conta com o apoio de todos para que se tenha este novo pilar, que constitui, na verdade, parte de um processo de crescimento da organização”.
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