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‘Preconceito linguístico’, racismo e xenofobia – 5

imagem de página de "Eurodicas" (Brasil)

imagem de página de “Eurodicas” (Brasil) https://www.eurodicas.com.br/universidade-do-porto/

O Que É O Enem E Como Funciona?

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova anual que tem o objetivo de avaliar a qualidade do Ensino Médio em escolas de todo o País. Ele é a principal porta de acesso a cursos em universidades públicas e privadas. Além disso, essa prova garante a estudantes de baixa renda o acesso aos programas governamentais de bolsas de estudo ou financiamento com juros reduzidos. [https://descomplica.com.br/tudo-sobre-enem/enem/o-que-e-o-enem/]

Guia completo da redação Enem 2022

Dá para entrar na UPorto pelo Enem?

Sim, a UPorto é uma das várias universidades portuguesas que aceitam Enem.
No área de candidatura internacional, a universidade informa que aceita os resultados do Enem para a seleção de estudantes brasileiros que desejam ingressar na licenciatura ou mestrado integrado. Assim como para os estudantes portugueses, cuja nota no exame nacional tem peso de acordo com ao curso pretendido. Assim, as notas podem ter peso diferente de acordo com o curso. [“Eurodicas” (Brasil)]

Custos da UPorto

A Universidade do Porto, é uma das instituições que apresenta valores diferenciados para estudantes brasileiros. Esses valores podem ser até 45% menos do que o pago pelos estudantes internacionais. Dessa forma, os estudantes brasileiros pagam mais que os nacionais, mas menos que os demais estrangeiros, pois estão ao abrigo do acordo CPLP.
Os valores se referem ao tempo integral na universidade, ou seja, cursando todos os créditos do ano. Além disso, são valores anuais, que são divididos em 10 vezes pela universidade. [“Eurodicas” (Brasil)]

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Universidade do Porto regista quatro processos relacionados com assédio sexual no último ano lectivo

A 26 de Outubro de 2020, o grupo de estudantes universitários Quarentena Académica denunciou que estavam a ocorrer actos de xenofobia e racismo por parte de alunos e professores nas Faculdades de Engenharia e Letras da U.Porto, noticiou na altura a agência Lusa.
Questionado pela agência Lusa sobre a denúncia, fonte oficial da U.Porto avançava que a instituição ponderava avançar com a “abertura de processos disciplinares”, mas avisava os estudantes, todavia, que só o poderia fazer com uma queixa formal das vítimas.
Em entrevista telefónica à Lusa na altura, Ana Isabel Silva, dirigente da Quarentena Académica referiu que o movimento havia recebido denúncias de estudantes estrangeiros, principalmente de nacionalidade brasileira, de que estavam a ser cometidos “actos de xenofobia e de racismo” por outros estudantes e também por professores, designadamente da “Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP)”. [BrasiLusa/Observador (texto corrigido automaticamente)]

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Enem assim

Em resumo, os estudantes brasileiros em Portugal gozam de todas as facilidades, algumas das quais em rigoroso exclusivo, mas nem assim consideram suficientes tão profusas e generosas prerrogativas. Querem ainda mais, pois é claro, como aliás devem considerar ser seu direito natural. Daí, portanto, os acalorados protestos em escadarias académicas e também daí, também portanto, as duas fotografias de web meme que serviram para encenar uma espécie de “luta” contra o suposto “racismo” e a pressuposta “xenofobia” a condizer.

Apesar da redundância, facilitismo mais facilitista não há, os universitários brasileiros advogam o tau-tau nos mauzões dos tugazinhos, aiaiai, que lhes fazem tanto mal, e logo a eles, coitadinhos, que tanto se sacrificam tirando seus canudos cá na “terrinha”, aonde vieram parar com imenso sacrifício apenas por altruísmo, aspergindo com algumas gotinhas do seu brilhantismo este lugar “cafona” e nada “légau”.

Ou seja, visto que o deprimente rol de pungentes lamentações puxa ao jogo de palavras, substituindo a lubricidade miserabilista pelo trocadilhismo militante, então teremos que eles trocam frequentemente a tautologia pela tau-taulogia. E vice-versa.

Tau-tau esse que se espalha, qual marabunta, pelas parangonas e respectivas peças “jornalísticas” (leia-se propagandísticas) de incertos pasquins.

Como é o notório caso do”Observador” (acima citado), que titula isto: «Universidade do Porto regista quatro processos relacionados com assédio sexual no último ano lectivo».

E desembrulha a bomboca : «fonte oficial da U.Porto avançava que a instituição ponderava avançar com a “abertura de processos disciplinares».

Por fim, ou, melhor, dizendo, era este mesmo o fim, baralha e torna a dar: «o movimento havia recebido denúncias de estudantes estrangeiros, principalmente de nacionalidade brasileira».

O jornalismo, quando a serviço da política e a mando de políticos, serve na perfeição como arma de destruição maciça da verdade. Não informa, desinforma. Não esclarece, confunde. Não relata factos, inventa-os. Não atende a outros interesses que não os de quem dá mais.

Este é mais um caso flagrante. Mistura-se “assédio sexual” — um crime previsto e punido por lei (Artigo 170.º Importunação sexual) — com “denúncias” fora de contexto e com opiniões, dúvidas espúrias ou simples atoardas sobre alegações de “actos de xenofobia e de racismo”.

Quando, afinal, da imensa zaragata provocada por duas fotografias de (in)certos alunos da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, que teriam — segundo alguns ruidosos manifestantes — expressado “racismo e xenofobia” atingindo os seus colegas brasileiros, e que os “racistas” iriam levar com “processos disciplinares” em cima, bem, olha, que surpresa, afinal não, não aconteceu nada disso, a própria “subdiretora” (assim mesmo, com o título academista grafado em brasileiro e tudo) veio comunicar que… enfim… que nhónhónhó.

Faltará pois, do ponto de vista dos “atingidos”, atingir o objectivo principal: passar, obter o diploma (europeu) de qualquer coisa e de qualquer forma. Daí as queixinhas de “racismo”, “xenofobia” e “preconceito”. Qualquer aluno da 4,ª Classe entende uma relação de causa e efeito assim tão clara, evidente, básica. Lá diz o povo, na sua imensa sabedoria: “quem não chora não mama.”
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‘Preconceito linguístico’, racismo e xenofobia – 4

‘Portugal Giro’

Desta vez são dois em simultâneo os artigos, ambos brasileiros e pela mesma medida monocórdicos, a merecer destaque nesta série sobre a pretensa “xenofobia” lusitana de que alguns pretendem convencer-nos e assim enganar os mais incautos ou “distraídos”.

Agora até vêm aqueles tipos com números para cima da gente, nós, os portugueses por junto e por extenso, os quais na sua douta opinião não passam de uma chusma de “racistas”, uns “cara” carregadinhos de “preconceito linguístico” que até ferve e ainda por cima somos pobres e mal agradecidos, isto ele se não fosse o Brasil a “terrinha” era uma desgraceira completa. A sobranceria e o insuportável paternalismo com que se referem a Portugal, à excepção dos artistas que aqui vêm ganhar o seu — todos esses têm um Avô ou uma Tia em Sobral de Monte Agraço –, resulta num efeito com seu quê de anedótico, se bem que triste… caso atendamos ao ar “grave e sério” que as autoridades portuguesas arvoram quanto a este tipo de histórias da Carochinha a levar porrada de sua Avó e a ser comida, salvo seja, pelo lobo-mau.

Sobre os tais números, que foram aos zucas solicitamente disponibilizados por entidades portuguesas absolutamente insuspeitas e de uma competência a toda a prova, sem absolutamente bajulação alguma, dizem que as “denúncias de xenofobia contra brasileiros em Portugal aumentaram 433%” (título de “O Globo”), que há por cá gente do piorio, capaz de tudo, porque existe (saiu na BBC – Brasil) “discriminação contra brasileiros em Portugal” e esse “fato” é “provado” com o depoimento de um tipo qualquer que se queixa desta pictórica, porém psicadélica invenção: “tive que falar inglês para ser bem tratado”. E isto é só uma piquena amostra. Há mais, muito mais.

A foto que usam para ilustrar a colecção de bojardas é sempre a mesma. Pois, pudera, só há uma! Ou duas, vá, sempre do mesmo sítio, do mesmo caixote em madeira no qual apenas vai mudando um suposto cartaz que estaria pendurado no dito; de resto é só copy/paste das tais dois instantâneos, mais uns cortes para fabricar grandes-planos e supostas novas fotos “de pormenor”, fora as montagens ao estilo web meme. Nada de mais suspeito do que o habitual, portanto.

Aliás, nem o facto de não existirem mais fotografias (e porque não filmagens? Os brasileiros não têm espertofones?) suscitou a mínima dúvida a um único jornalista português; foi tudo engolido sem pestanejar, isco, anzol, bóia, cana e carreto. Ou seja, é de novo o habitual: o que brasileiro diz é sagrado, tugazinho algum atreve-se a sequer franzir o sobrolho, mesmo se o caipira estiver a convencê-lo de que o Pai Natal (seu papai Noeu, viu?) mora num cottage de luxo em Búzios, alimenta as renas a pão-de-ló e afinal essas renas não são renas, aquilo é uma manada de vacas Girolando (as vacas “mais produtivas do mundo”, está claro, que o “país-continente” é um colosso, uiui, tudo o que é brasileiro é o melhor do mundo, olha o futchibóu).

A “tese”, tal como as duas fotografias, é invariavelmente a mesma, sempre explorando até à medula (política) fenómenos que em Portugal são, como sempre foram, a absoluta excepção e nunca por nunca a regra: em matéria de racismo e xenofobia, o povo português não tem nada que receber lições ou aturar sermões seja de que estrangeiro for, brasileiros incluídos… e por maioria de razões.

Incrível, sem dúvida. Haverá ainda alguém que não veja a mais comezinha das realidades que se escondem por detrás deste afã vitimista e as finalidades que das queixinhas inventadas subjazem?

As duas peças “jornalísticas” agora aqui transcritas são ambas exemplos flagrantes da mistificação, da mentira descarada em doses industriais, da montagem de cenários absurdos e da mais pura e dura invenção de “fatos” — distinguindo-se estes não pelo aspecto mas antes pelo corte e costura. Assinalei nelas a “bold” azul algumas das (muitas) coisas que na minha opinião não passam de tangas. São tantas, tão repetitivas e de tal forma idiotas que só alguém pertencendo a essa classe profissional (o idiotismo) poderá conferir-lhes alguma espécie de credibilidade. Seria de facto necessário ser-se um perfeito imbecil para engolir semelhante chorrilho de patranhas; a repetição sistemática das mesmas formulações, ad infinitum, são indício seguríssimo de que estamos em ambos os textos (e muitos outros de rigorosamente igual teor saíram em tudo quanto é OCS brasileiro) perante mistificações escabrosas, patranhas escandalosas, manifestações fictícias de histeria, queixas inventadas e cheias de lamechice e coitadismo militante.

A vitimização é de facto uma arma política. A lavagem ao cérebro é outra. Quando aquela serve de detergente a esta, bem, então o que temos aqui é, de novo, brasileiros explicando a tugas que o Pai Natal, no fim de contas, é natural da Freguesia do Corcovado.


Denúncias de xenofobia contra brasileiros em Portugal aumentaram 433%

Gian Amato
“Portugal Giro”, Apr 14, 2022 – blogs.oglobo.globo.com

Ofensas racistas contra brasileiros em 2019 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Ofensas racistas contra brasileiros em 2019 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

As denúncias de casos de xenofobia contra brasileiros em Portugal aumentaram 433% desde 2017, ano em que a comunidade imigrante do Brasil no país voltou a crescer,

No Porto: Universidade de Portugal decide demitir professor que chamou brasileiras de mercadoria

Em 2020, ano com dados mais recentes, foram 96 queixas nas quais a origem da discriminação foi a nacionalidade brasileira. Haviam sido 18 em 2017.

É possível que os números sejam maiores porque nem sempre as vítimas relatam oficialmente uma queixa. Mas o fato de as denúncias terem aumentado ao longo dos anos mostra uma tendência de mudança de comportamento.

As denúncias foram recolhidas pela Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial (CICDR) e enviadas na última terça-feira ao Portugal Giro.

Brasileiras são alvo: Queixas de discriminação sobem 52% em Portugal na pandemia

Os dados também constam nos relatórios anuais do órgão, presidido pelo Alto Comissariado para as Migrações e com integrantes parlamentares, do governo e de associações de imigrantes, contra o racismo e a favor dos direitos humanos.

A CICDR explica que “a expressão que mais se destaca enquanto fundamento na origem da discriminação é a nacionalidade brasileira”.

A discriminação sofrida pelos brasileiros supera as manifestações de racismo e de xenofobia contra outras nacionalidades. E pode reunir múltiplas expressões, que acontecem quando o discurso de ódio atinge uma nacionalidade ou a cor da pele simultaneamente.

Os dados de 2021 ainda estão em fase de apuração pelo CICDR e estarão no relatório que será divulgado este ano.

Barreira: Em Portugal, Parlamento bloqueia extrema direita e cala discurso xenófobo

Denúncias anuais de xenofobia contra brasileiros (CICDR):
2017 – 18
2018 – 45
2019 – 74
2020 – 96
2021 – (Em apuração)

Evolução da população brasileira em Portugal (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras):
2017 – 85.426
2018 – 113.636
2019 – 151.304
2020 – 183.993
2021 – 209.558 (Dados provisórios)

Ver também https://www.dn.pt/pais/lisboa-uma-piada-sobre-brasileiros-poe-a-faculdade-de-direito-em-polvorosa-10845576.html
E ainda https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/04/universidade-de-lisboa-recebe-50-denuncias-contra-professores-em-11-dias.shtml

[Reprodução integral (incluindo imagem de topo e alguns destaques originais) de artigo
publicado no blog brasileiro “Portugal Giro” em Apr 14, 2022. Destaques a azul
e “links” a verde meus. Evidentemente, desactivei o corrector automático
para transcrever o texto, que assim conserva a cacografia do original brasileiro.]

Discriminação contra brasileiros em Portugal: ‘Tive que falar inglês para ser bem tratado’

LuisBarrucho – @luisbarrucho
Da BBC News Brasil em Londres, 6 maio 2022

[legenda de foto no original] Denúncias de casos de xenofobia contra brasileiros em Portugal aumentaram 433% desde 2017, diz órgão ligado ao governo português

“Não é problema meu se você não sabe falar português”. “Não há água potável no Brasil”. “Mulher brasileira vem para cá para roubar o marido das portuguesas”. “Os moradores estão se sentindo incomodados de ver uma pessoa assim como você, estranha, andando por aqui”. “Brasileiras são todas p*”. “Você não entende nada. Você é burra”. “Claro que não, brasileiro vir dar aula aqui?”

As declarações acima foram compartilhadas com a BBC News Brasil por brasileiros que viveram ou ainda vivem em Portugal. Apesar de fazerem parte de uma nova geração de imigrantes, mais qualificados e com maior poder aquisitivo, eles relatam episódios de xenofobia. E essa é uma das razões pelas quais alguns dos que já deixaram o país dizem não querer mais voltar a viver lá.
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‘Preconceito linguístico’, racismo e xenofobia – 3

«O acordo de Schengen foi assim denominado em alusão a Schengen, localidade luxemburguesa situada às margens do rio Mosela e próxima à tríplice fronteira entre Alemanha, França e Luxemburgo (este último representando o Benelux, onde já havia a livre circulação). Ali, em Junho de 1985, foi firmado o acordo de livre circulação envolvendo cinco países, abolindo-se controles de fronteiras, de modo que os deslocamentos entre esses países passaram a ser tratados como viagens domésticas.»

«Posteriormente, o Tratado de Lisboa, assinado em 13 de Dezembro de 2007, modificou as regras jurídicas do espaço Schengen, reforçando a noção de um “espaço de liberdade, segurança e justiça“, que vai além da cooperação policial e judiciária e visa a implementação de políticas comuns no tocante a concessão de vistos, asilo e imigração, mediante substituição do método intergovernamental pelo método comunitário [Wikipédia]

Brazilian tutoring

Desde que o AO90 foi compulsiva e selvaticamente impingido, fazendo-se passar por obrigatoriedade “legal”, a Portugal (e PALOP), têm sido essencialmente duas as técnicas de desinformação e intoxicação da opinião pública utilizadas pelos papagaios de serviço e pelos media mercenários (pagos pelos nossos impostos, é claro, que os mandantes não gastam nas suas golpadas um pataco de seu): a criação, invenção, encenação, teatralização de “factos políticos” e a difusão maciça de mentiras segundo a infalível técnica prescrita pelo Ministro da Propaganda do III Reich.

As mais do que evidentes finalidades da desinformação decorrem implicitamente dos métodos: transmitir a “ideia” de facto consumado e, submergindo os destinatários num caldo espesso de repetição ad infinitum de patranhas básicas, eliminar qualquer hipótese de reflexão e, por consequência, de contestação. Foi exactamente assim, com umas frases ocas e uns chavões publicitários facílimos de decorar, que o “acordo ortográfico” passou de abominável aberração, segundo quase todas as pessoas normais, a “nova ortografia” para o mais comum dos acordistas e, de forma maciça, para as grandes massas de anestesiados mentais. O AO90 era — como continua a ser, claro — uma total idiotice, uma imbecilidade à qual ninguém ligava nenhuma e, depois de atravessar um longuíssimo período de intensiva lavagem cerebral e de branqueamento das negociatas dos políticos envolvidos, de Cavaco a Costa, passando por Sócrates e Lula, o que agora vemos é um imenso cortejo de zombies descerebrados programados para ignorar o assunto, como se ele não existisse, ou para, na menos má das hipóteses, repetir o que lhes manda a voz do dono.

Dessa geral anestesia, o efeito pretendido pela desinformação e pela propaganda acéfala dos DDT — os detentores da patente da “língua univerrssau” — resulta uma ainda mais geral indiferença pelas (óbvias) implicações da bambochata político-linguística em curso.

No “post” anterior desta pequena série vimos — esperemos que não seja de facto necessário fazer um desenho — como a dita campanha de propaganda e intoxicação da opinião pública funciona. A orgia de desinformação torna-se perfeita e facilmente inteligível se atendermos à sequência de acontecimentos e às respectivas relações de causa e efeito: atirada para a praça pública (mais) uma mentira descabelada — utilizando exactamente os mesmos meios que os poderosos e governamentais autores das patranhas “unificadoras” dizem ser necessário policiar, censurar e reprimir –, segue-se uma campanha intensiva de vitimização (não há vítimas? Inventam-se), o que implica uma série de concessões, e destas escorrem, como que por mero acaso mas sempre no timing exacto, alterações legislativas visando aproveitar a “onda” de contestação para abrir e facilitar ainda mais a obtenção da nacionalidade e, com esta, a livre circulação em todo o espaço da União Europeia. Acordo de Schengen? O que é isso?

Se atendermos à concatenação dos factos políticos, à sua estarrecedora cronologia e à “casual” mistura deliberada de assuntos (nacionalidade portuguesa para judeus sefarditas, manifestações contra a “xenofobia” de portugueses indeterminados, vitimização de alunos universitários por causa de um caixote com um cartaz se calhar inventado), o que ressalta de imediato é a imagem da pura e dura manobra política. O regresso às origens, portanto, aos idos de entre 86 e 90, quando o AO90 foi parido à moda das galinhas; esse ovo podre passou por uma longa gestação de 16 anos, a chocar, e por fim teve de ser tirado a ferros da cloca em 2002 (Cimeira de Brasilia), em 2006 foi oficialmente declarado como galináceo (com a 3.ª assinatura do 2.º Protocolo, a de S. Tomé e Príncipe) e em 2008 Portugal admitiu ter trepado na galinha (via RAR 35).

É nesta conformidade que surgem os mecanismos, os organismos estatais de ambos os lados e não poucas nem pouco trampolineiras empresas privadas prontas a colher os frutos do plano. Para quem quiser emigrar para qualquer país europeu, a porta dos fundos está escancarada; já só falta o pequeno pormenor da dupla cidadania automática. Concretamente para “estudantes” da “lusofonia” (ou seja, para brasileiros, porque existem acordos antigos com todas as ex-colónias africanas e com Timor), Portugal passa a aceitar cursos manhosos e diplomas-brindes dos pacotes de farinha Amparo como habilitações suficientes; a fase seguinte poderá ser, por exemplo, o regresso aos gloriosos tempos do PREC — as passagens administrativas fazem imensa falta para este tipo de contingentes. Talvez venha a ser possível até, num futuro nada distante, proceder utilizando o método prescrito no texto do site “Porrtugau Légau”: «fazer toda a tramitação de modo remoto».

Além de ler os dois conteúdos em texto, veja e oiça também o vídeo em baixo; estes três conteúdos ilustram perfeitamente o processo, a sequência, como, quando, o quê e porquê. Deve ser isto bem mais do que o suficiente para que os apreciadores do cAOs em geral e os da neo-colonização inversa em particular fiquem todos contentes com a facilitação a nível industrial — a única política (des)estruturante nacional.

Ainda mais genericamente, a alguns agradará com certeza que o processo e as convulsões políticas não tenham afinal terminado no século passado. Com a diferença de que agora, em vez do PREC, têm o BREC — processo de brazileirização em curso.

What are the Benefits of Passing the CAPLE Exam?

People take the CAPLE exam of proficiency in European Portuguese as a second language for various reasons. In this post, we’ll review the benefits of possessing an internationally recognized certificate of proficiency.
[…]

One of the main reasons people take the CAPLE exam is to prove their Portuguese proficiency and gain access to the highly desirable services they offer.

Get a Job in Portugal

Although not an economic giant like Brazil, Portugal has a thriving service industry (nearly 75% of Portugal’s GDP is generated by the tertiary sector) and a strong tourist sector (particularly in the south of the country), and it is a world leader in the generation of renewable energy. To gain access to these opportunities, passing the CAPLE exam is highly advisable. If you have the CAPLE certificate on your resume, then your job application will automatically be taken more seriously.

Get a Job Outside of Portugal

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‘Preconceito linguístico’, racismo e xenofobia – 2

Quantos são, quantos são?

vimos, no post anterior, que as (apenas) três fotos divulgadas sobre a pretensa “xenofobia” visando estudantes brasileiros da Universidade de Lisboa não passam, afinal, pelo menos duas delas, de simples aldrabice, desinformação, Internet memes, montagem e composição de conteúdos por definição falsificados.

A histeria colectiva suscitada por esse acto provocatório — ao qual os órgãos de comunicação social portugueses deram imensa atenção, sem hesitar, sem pestanejar, sem investigar coisa alguma — enquadra-se numa perspectiva mais geral do vasto plano delineado em “navegação à vista” sobretudo a partir de 1986.

Assim, será com certeza de toda a conveniência, para que se entenda claramente o que se está a passar e em que ponto do dito plano estamos agora, apurar — além dos pressupostos e motivos subjacentes — de que “universo” estamos a falar, ou seja, quantos são ao certo não apenas os universitários mas também, de forma abrangente, quais são os totais e que implicações terá mais esta convulsão social em concreto. Como é do mais básico senso comum, a ocorrência de conflitos varia na razão directa do número de potenciais envolvidos. Portanto.

Segundo a peça do jornal “O Globo” de 17.12.21, transcrito na 1.ª parte desta pequena série “temática”, a coisa varia… muito. Muitíssimo. Imenso.

«A comunidade que vive no país supera os números oficiais e, na realidade, é muito maior que os dados expostos nas planilhas dos órgãos do governo.
Segundo o último relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), existem 183.993 brasileiros residindo de maneira considerada oficial, com documentos válidos.

Mas a conta do SEF só vai até dezembro de 2020 e exclui brasileiros com cidadania portuguesa e europeia que residem no país. Também ficaram de fora os brasileiros em processo de regularização.» [“O Globo” (Brasil)]

É praticamente impossível deslindar dados em falta, gráficos desgarrados (ou “enfeitados”), relatórios confusos e desactualizados, números sem ponta por onde se lhes pegue, estatísticas paradas há três anos nalguns sítios e outras maroteiras do género.

Mas podemos tentar apurar alguma coisa, ainda assim, com tempo e estudo, cruzando cifras e desmontando verborreias de campanha quando ou se for o caso.

Pelo “Gabinete de Estratégia e Estudos” do Ministério Que Está Sempre A Mudar De Nome não vamos lá. E nem ajuda, de tão obsoletos são os dados e tão paralíticos são os automatismos.

No I.N.E. ainda só há dados provisórios do Census 2021 e nada (pelo menos nos quadros ou por busca) sobre a população estrangeira no país.

Podemos tentar o excelente serviço Pordata. A começar pelo seguinte quadro que, apesar de ir só até 2020, é fidedigno e permite extrapolar resultados em progressão geométrica.

Dados obtidos na Pordata. “Click” para ampliar (em nova “janela”)

Isto é um ponto de partida mas ainda não chega, de todo, para apurar, ignorando especulações e “cenários” manhosos, afinal “quantos são”.

Voltando a”O Globo”, mais adiante, como sempre por palpite e a ver se cola, dizem que…

«Portugal só fica atrás dos Estados Unidos (1,7 milhão) em número de expatriados. Segundo o Itamaraty, são 276 mil brasileiros em Portugal, quase 100 mil pessoas a mais que no relatório do SEF[“O Globo” (Brasil)]

Ora então, mesmo que apenas presumindo que estes dados não são totalmente inventados, vejamos o que representa uma correspondência “estatística” de ordem de grandeza. Uma “regra de três simples” (mas simples que até chateia) comparando — como se fosse possível comparar caganitas com nêsperas — a dimensão geográfica e a população total dos Estados Unidos da América com ambas as “contas” no que diz respeito a Portugal:

USA: 0,52% (1,7/329,5) – 9.834.000 km²

PT: 2,6% (0,276/10,345) – 92.212 km²

Ou seja, números redondos, para um território 107 vezes maior e com população que monta a 32 vezes a de Portugal, o Brasil exporta para os EUA o equivalente a 0,52% (1,7 milhões) da população americana (329,5 milhões), enquanto que em Portugal já estarão 276.000 — 2,6% da população portuguesa.

Então… e se afinal não forem apenas 276 mil para 10 milhões e 300 mil? E se forem, como aliás adiantam alguns jornais brasileiros (veremos isso mais adiante), “o dobro das estimativas oficiais”? Serão, no fim de contas, 5,2% de toda a população com passaporte português?

Uma das tácticas políticas mais “batidas” é aldrabar os números. Outra, ainda mais antiga, é demonizar quem se atrever a sequer pestanejar perante as aldrabices; é no âmbito dessa demonização que surgem os rótulos insultuosos (racismo, xenofobia, preconceito) cuja única finalidade é tentar intimidar seja quem for que sequer tente escapar ao rebanho de gado vacum ou da récua de asnos que os DDT pastoreiam. E há ainda uma terceira técnica — cada vez mais pujante, em conformidade com o avançar da ditadura do “pugresso” — que é a (auto-)vitimização, o que sucede quando determinado grupo, tipo ou camada social faz render o seu peixe da espécie Threnu Asininus, tentando alcançar à força de baba e ranho determinado tipo de benesses.

Alinhando os factos mais evidentes de toda a trama obtemos como conclusão a relação de causa e efeito — passo a passo, numa sequência absolutamente nada casual — não apenas das etapas do plano inicial que já foram ultrapassadas como também daquelas que estão em curso e… das que logicamente se seguirão.

Das quais a mais óbvia está contida no artigo de seguida transcrito. O qual merece, evidentemente, não apenas a devida reflexão (consequente) como também, ou principalmente, uma análise minimamente inteligível — “traduzindo” para a corrente a linguagem jurídica da autora — que por fim explique o que há largos anos aqui se escreve sobre as duas verdadeiras finalidades do AO90.

As principais alterações ao Regulamento da Nacionalidade em 2022

De salutar a Apensação de Processos de requerentes ligados pelo casamento ou união de facto, adopção ou parentesco, de forma a aproveitar actos, diligências e documentos comuns.

Uma das principais inovações introduzidas pelo Decreto-Lei 26/2022 ao Regulamento da Nacionalidade (RN), é a tramitação electrónica de processos, que apenas será obrigatória para advogados e solicitadores.

O sistema será concretizado por Portaria, mas é já certo que os documentos apresentados por advogado têm força probatória de original, devendo os documentos em papel ser por estes conservados por dez anos.
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‘Preconceito linguístico’, racismo e xenofobia – 1

Artes gráficas

A montagem das duas imagens acima, reproduzidas infinitamente nos mais diversos sites brasileiros e portugueses, contém uma ligeira diferença entre a fotografia da direita, em plano médio enquadrado, e o pormenor da mesma “retratado” na figura da esquerda: a da direita apresenta um cartaz com os dizeres “Grátis se for para atirar a um zuca” e a da esquerda, o suposto “pormenor”, diz “Atira uma pedra a um caciqueiro“. A caixa onde supostamente ambos os cartazes foram pendurados por alunos da Universidade de Lisboa é a mesma, evidentemente, daí a definição de “ampliação de pormenor”. Deduz-se, portanto, que o cartaz nessa caixa ou mudou ou foi ou ia mudando.

Do mesmíssimo caixote em madeira existe até outro “pormenor”, desta vez mostrando o interior do dito, vendo-se no fundo oito pedras de diversos tamanhos. O significado disto não é propriamente explicitado, nem é dito algures se os calhaus eram para atirar a “zucas” ou à cabeça dos “caciqueiros”, consoante o cartaz que em cada momento estivesse a decorar o caixote. Também ficamos sem saber se porventura as pedras não seriam para escorar a tábua vertical, ou como lastro, ou ainda se simplesmente, por exemplo, alguém teria usado aquilo para jogar ao “chinquilho”. Curiosamente, aliás, nesta vista de cima não se vislumbra letreiro algum na ilharga, ainda que em perfil, e o objecto parece ter levado um pontapé, ou algo assim, desviando-se da coluna a que estava acostado.

Segundo a imprensa brasileira e de acordo com alguma imprensa portuguesa, começa a surgir em Portugal uma onda de racismo, preconceito e xenofobia, onda essa que parece engolfar exclusiva ou pelo menos principalmente os emigrantes brasileiros em geral e, destes, os estudantes universitários em particular. Ou vice-versa, não se entende bem.

A busca Google devolve neste momento “About 93,800 results” pelo critério de pesquisa “brasileiros em portugal+xenofobia”.

Para os emigrantes provenientes de qualquer dos 27 estados da República Federativa do Brasil é completamente indiferente — na medida em que não é sequer do seu conhecimento, de tão ocupados que estão em viver o melhor que podem e sabem — que Portugal tenha a sua própria Cultura, feita de hábitos, costumes e gostos diferentes, assim como para pouco ou nada interessa a brasileiros a História e o património (material ou imaterial, identitário ou meramente idiossincrático) daquilo que entre nós é assumido como sendo “o” português… a começar pela Língua.

Não é culpa dos brasileiros, como aliás nada nem ninguém, colectiva ou individualmente, pode ser responsabilizado por uma fatalidade mundial, que existe em maior ou menor grau em todos os países — Brasil incluído –, o facto de por aqui rastejarem também alguns racistas ou xenófobos. Esse estranho e primitivo fenómeno não é uma característica nacional e não afecta exclusivamente uma ou outra potencial vítima em função da sua nacionalidade de origem, seja ela brasileira ou qualquer outra.

O que não invalida, ainda assim, que o fenómeno tenha já sido e continue a ser explorado pelos propagandistas de serviço até ao osso, com não pequena soma de exageros, repetições marteladas até à exaustão, montagens, colagens e falsificações avulsas (como a das imagens acima) ou utilizando a pura e simples invenção como técnica de persuasão, isto é, de intoxicação da opinião pública.

Os episódios de racismo são (felizmente) raros, até porque, ao invés da propaganda vitimista, em Portugal existe uma espécie de idolatria — não apenas nas camadas populares — por tudo quanto é brasileiro: telenovelas, jogadores de futebol (e de outras inúmeras modalidades), programas de TV, “pregadores”, “pastores” e até “bispos” de diversas seitas brasileiras.

Não são “só” as técnicas “jornalísticas” manhosas. Não são “só” as fotografias aldrabadas, os títulos bombásticos, a histeria da linguagem, as ameaças veladas (ou expressas). Não são “só” as lamúrias de fazer uivar os lobos, as rapsódias de faca e alguidar e as escolas de samba a “bombar”. Também, por “mera coincidência”, os números estão sempre “atrasados” e incompletos e truncados. Talvez este seja um êxodo sem precedentes; nem entre 1974 e 1976, com os chamados “retornados”. Veremos.

Tudo isto entronca, evidentemente, naquilo que em linguagem de Eça se designa como “a base, a basesinha”, ou seja, já não propriamente o vetusto Latim mas um dos honrados filhos deste — o Português.

Dos netos ainda não reza a História.

Brasileiros são maioria entre os 555 mil estrangeiros em Portugal | Portugal Giro – O Globo

Por Gian Amato
“O Globo” (Brasil), 17/12/2021

Estrangeiros e brasileiros em protesto do Comitê dos Imigrantes de Portugal em Lisboa | Divulgação/CIP

O número de residentes estrangeiros em Portugal aumentou 40% em 10 anos. É o que descobriu o Censo realizado no país este ano. Os dados preliminares foram divulgados na quinta-feira (16).

Entre os 555.299 estrangeiros residentes, 5,4% da população, a maioria tem sido brasileira ao longo dos últimos anos. A comunidade que vive no país supera os números oficiais e, na realidade, é muito maior que os dados expostos nas planilhas dos órgãos do governo.
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Não sabe? Devia saber.

Dizer isto é elitismo e sobranceria? Talvez. Mas tenho por mim a memória de Medeiros Ferreira e um seu momento numa entrevista em que falou do “nó górdio”, e a jornalista perguntou-lhe o que era. Medeiros Ferreira irritou-se e respondeu: “Se não sabe, devia saber…”
[Pacheco Pereira, «Acordo Ortográfico só subsiste pela inércia cultural da ignorância», 02.07.22]

Os alunos de língua portuguesa e a língua portuguesa

Francisco Miguel Valada
www.publico.pt, 16.11.22

“Alencar interrompeu-os, exclamando que não eram necessárias tantas filosofias. – Vocês estão gastando cera com ruins defuntos, filhos.” Eça de Queiroz, Os Maias

O dilema de João Rodrigues, professor na Escola Secundária Rainha Dona Amélia, em Lisboa, relatado há uns meses no PÚBLICO, serve de mote para as três considerações que aqui trago. Queixava-se então Rodrigues de ter tido de penalizar alunos brasileiros em respostas escritas na “variante brasileira de português” que não correspondiam à “norma do padrão do português europeu”. Acrescentava o professor de Português que era revoltante ter de penalizar alunos, quando a expressão sintáctica estava correcta na variante brasileira. Por fim, Rodrigues confessava-se revoltado, sentindo também que estava a prejudicar e a discriminar os alunos. Convém que este testemunho sincero e concreto seja levado muito a sério por quem tem andado há muito tempo a dormir na forma com ilusões e a tapar o sol com uma peneira de abstracções.

Há uns anos, apresentei uma comunicação na Universidade de Évora, na qual mostrei e analisei diferenças lexicais, fonológicas, fonéticas e morfossintácticas entre o português europeu e o português do Brasil. Uma das críticas que me fizeram – e que imediatamente aceitei e reconheci – foi a de ter misturado (adrede, acrescento) registos formais e informais, isto é, pus na mesma panela alguns (poucos, acrescento) registos que seriam utilizados em sala de aula e registos meramente coloquiais. Respondi que o fizera intencionalmente, para suscitar o debate, mas agradeci a reprimenda e, felizmente, aprendi imenso com ela. Por esse motivo, trago-vos hoje as tais três considerações. Obviamente, apresento-as, partindo do princípio de que o Governo português, de facto, quer resolver este problema: de uma vez por todas.

A primeira consideração diz respeito à vontade política de resolver problemas. Esta vontade política inclui o doloroso reconhecimento de haver diferenças entre os vários portugueses que são falados no espaço lusófono. Quanto à dimensão e importância da diferença, reservo o debate para outros fora. No entanto, já que estudos académicos e exemplos do quotidiano sobre este assunto não interessam aos políticos portugueses, as legítimas queixas de alunos brasileiros a estudar em Portugal poderão servir como indicação de que algo deve ser reconhecido e resolvido.

A segunda consideração relaciona-se com a formação dos professores. Se, efectivamente, o Governo português quiser resolver o problema e, como sugere o Instituto de Avaliação Educativa (Iave), “abordar as variedades da língua portuguesa ‘no âmbito das aulas de Português’”, a solução é simples: deve dar-se formação aos professores das disciplinas em que, actualmente, a adopção da norma portuguesa europeia é obrigatória, para que estes possam avaliar correctamente o desempenho dos alunos falantes nativos dos vários portugueses que são falados em todo o espaço lusófono. Isto implica bastante tempo e, é claro, algum dinheiro. Mas também é nestes momentos que vemos a diferença entre a garganta (o discurso político) e o porta-moedas (o Orçamento do Estado).

A terceira e última consideração tem a ver com a reciprocidade. Nenhuma – repito, nenhuma – das minhas duas anteriores considerações terá qualquer validade se não houver medidas idênticas (ou semelhantes) tomadas por quem governa os outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Isto é, os alunos portugueses que estudarem nos outros países da CPLP deverão dispor exactamente das mesmas condições que os alunos de outros países da CPLP terão em Portugal, no âmbito das minhas primeira e segunda considerações.

A penalização de alunos, nestas condições, é de facto um problema extremamente grave e convém que a resolução seja rápida. Aproveito o ensejo para recomendar o seguinte ao actor político que executar estas minhas considerações/recomendações: pegue no Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e deite-o fora. Ponha-o no caixote do lixo. É justamente por causa do logro da “unidade essencial da língua portuguesa”, conceito consagrado no AO90, que chegámos a esta situação ridícula e muito grave. Matemos dois coelhos de uma cajadada só e andemos para a frente. Avancemos.

  1. «quem tem andado há muito tempo a dormir na forma com ilusões e a tapar o sol com uma peneira de abstracções»
    Tornou-se irrelevante — e até contraproducente, na situação actual — qualquer abordagem tanto pelo “lado” jurídico como pelo da ortografia. Enquanto se entretêm com enormes listas de “aberrações” e de “casos flagrantes” que teoricamente seriam “corrigíveis” e depois de uma série de “petições” completamente (porque muito previsivelmente) inúteis, o alegre grupo de adeptos da “revisão” vai desopilando seus honoráveis fígados em… inutilidades absolutas. [Egipto em brasileiro e a cuestão légau – 11 Novembro 2022]
  2. «partindo do princípio de que o Governo português, de facto, quer resolver este problema»
    Este aparente conflito resultante da aculturação selvagem deixará de o ser de imediato, como que por milagre, com o estalar de dedos do costume — ou seja, via “orientações” internas da tutela, na secretaria da 24 de Julho, e de seguida com a consagração legal na respectiva linha de montagem, a São Bento. [A vitimização como arma política (2) – 03 Agosto 2022]
  3. «vontade política de resolver problemas»
    quanto mais abundante e espectacular for o coro de lamúrias a que os media dão cobertura, mais “generoso” será o “pacote” legislativo que a carimbadela parlamentar transformará de imediato em lei. Este imutável, repetitivo, geralmente encenado e sistematicamente rapidíssimo processo de vitimização-legislação, num país em que é “normal” que uma simples Proposta de Lei fique congelada durante mais de três anos até que finalmente não obtenha resposta, é um indicador seguro do enquadramento político (logo, económico) em que se insere desde 1986 o processo de demolição linguística e cultural em curso. [A vitimização como arma política (1) – 1 Agosto 2022]
  4. «diferenças entre os vários portugueses que são falados no espaço lusófono»
    A pretensa “língua unificada” (a brasileira, claro) que teoricamente o justificaria serve como a camuflagem perfeita para a imposição selvática a Portugal (e PALOP) de uma língua alienígena — em todas as suas partes constituintes, não apenas numa única categoria gramatical — e para o esmagamento sumário, por arrastamento ou inerência, de todo e qualquer resquício da identidade nacional… portuguesa. [A vitimização como arma política (2) – 03 Agosto 2022]
  5. «legítimas queixas de alunos brasileiros a estudar em Portugal»
    É miserável mas não deixa de ser caricato o que vai sucedendo, por exemplo paradigmático, no assim dito “sistema de Ensino” indígena: evidentemente, visto que “eles são 230 milhões e nós somos só 10 milhões”, então há que — além de escrever como “eles” falam — “facilitar” e “agilizar” também o percurso académico “deles” (e só deles, para os alunos portugueses fica tudo na mesma), aceitando que escrevam como falam (ou como de resto lhes der na real gana). [A vitimização como arma política (2) – 03 Março 2022]
  6. (mais…)