Categoria: documentos

Lápis azul nas redes anti-sociais [4]

https://www.amnesty.org/en/Web Action WA 14/06; AI Index POL 30/010/2006
Start date: 20/07/06

An Amnesty International Campaign

Chat rooms monitored. Blogs deleted. Websites blocked. The Internet is a new frontier in the struggle for human rights.

Sign our pledge to keep the internet as a space for freedom of information and expression.

Irrepressible

adj. Impossible to repress or control

Chat rooms monitored. Blogs deleted. Websites blocked. Search engines restricted. People imprisoned for simply posting and sharing information.
The Internet is a new frontier in the struggle for human rights. Governments — with the help of some of the biggest IT companies in the world — are cracking down on freedom of expression.
Amnesty International, with the support of The Observer UK newspaper, is launching a campaign to show that online or offline the human voice and human rights are impossible to repress. [“Amnesty International” (pdf)]

Irrepreensível*

Adj., 2g. 1) Que não se pode reprimir.

“Chat rooms” vigiadas. Blogs apagados. Sites com acesso bloqueado. Restrições a motores de busca. Pessoas encarceradas apenas por escrever ou trocar informações.
A Internet é uma nova fronteira na luta pelos direitos humanos. Existem Governos que – com a ajuda de algumas das maiores empresas na área das novas tecnologias, a nível mundial – estão a “cair em cima” da liberdade de expressão.
A Amnistia Internacional, com o apoio do jornal The Observer UK, lançou uma campanha para demonstrar como é impossível reprimir a voz das pessoas e os direitos humanos, tanto online como offline.

Assine a nossa petição pela liberdade na Internet
Estou convicto de que a Internet deve ser uma força de liberdade política, não de repressão. As pessoas têm o direito de procurar e de receber informação, e de pacificamente expressar as suas convicções na Internet, sem receio e sem interferências.
Apelo aos governantes no sentido de que acabem com a restrição injustificada da liberdade de expressão na Internet, e às empresas para que deixem de ajudar os governos a fazê-lo.

Acerca desta petição
Em Novembro de 2006, reunir-se-ão governantes e representantes de empresas de todo o mundo, numa conferência em Nova Iorque, onde será discutido o futuro da Internet; ajude-nos a enviar-lhes uma mensagem clara, significando que existe gente por todo o lado que acredita ser a Internet um espaço de liberdade política e não de repressão.
Apresentaremos o número total (de adesões) naquela conferência. Quanto mais pessoas assinarem, mais alto se fará ouvir a nossa voz.
Por favor, leia e assine a nossa petição em http://irrepressible.info/**.

(Tradução de Apdeites, 11.11.2006)
(*) Sobre a tradução de “irrepressible” é favor ler os comentários ao post original.
(**) O webdomain http://irrepressible.info “desapareceu” em Julho de 2010.

As “amplas liberdades”

O documento acima serve para bastante mais do que apenas ilustrar a mais significativa das implicações da gigantesca máquina de censura que já foi posta em movimento por todo o mundo.

A primeira constatação é que não apenas o delito de opinião foi instituído a nível global, incluindo as ou principalmente nas próprias organizações supra-nacionais, como também não é de hoje ou sequer recente a internacionalização de todas as instituições repressivas que progressivamente vão cooperando entre si.

Os mecanismos de vigilância e de formatação das liberdades do indivíduo, outrora exclusivos dos regimes mais ditatoriais e sanguinários, espalharam rapidamente a peçonha estendendo-se — desde os primórdios da Internet — à esmagadora maioria dos governos de países que se intitulam a si mesmos como regimes democráticos.

É o caso — absolutamente flagrante — de Portugal. Em princípio, os direitos, liberdades e garantias individuais, que em teoria continuam a ser válidos e efectivos, nos termos constitucionalmente previstos, manter-se-ão pelo menos tecnicamente em vigor enquanto não for revogada a Constituição da República Portuguesa. Porém, como sabem por experiência própria alguns cidadãos, as liberdades de pensamento, opinião, expressão e informação não valem, hoje por hoje, o papel em que estão impressos — ou, em rigor, no caso, o espaço virtual onde se possa ler o texto.

Não está de forma alguma em causa o direito — e até a obrigação — de as mais diversas entidades e organizações nacionais e internacionais protegerem os cidadãos, até porque é essa a sua missão e a sua razão de existência, contra quaisquer actividades criminosas, sejam elas quais forem, desde que tal resulte ao menos da presunção da ocorrência de crimes previstos e puníveis nos termos da respectiva legislação nacional, internacional ou global, e da presunção de inocência inerente a um verdadeiro estado de direito.

Five ways technology will shape the future of politics, society and human rights

Precisamente, a questão reside na destrinça entre aquilo que é o cometimento de um crime e o que não passa de forma de expressão (mesmo que agressiva, porque as palavras não matam nem causam ferimentos) e de opinião (mesmo que a de “um contra todos” ou de péssimo gosto, porque também isso é mero enunciado). Ora, as liberdades de expressão e de opinião jamais poderão constituir um delito, dado resultarem em qualquer dos casos do pensamento — que poderá até ser extremamente mal expresso ou completamente estúpido, o que são opiniões de terceiros — e o pensamento não pode de forma alguma ser regulamentado, limitado, condicionado ou reprimido… a não ser pelo próprio indivíduo. Donde se conclui que a definição constitucional daquilo que é “opinião” e de que forma a mesma pode ser expressa (“liberdade de expressão”) constitui em essência a (de)limitação, o condicionamento, a restrição da liberdade de pensamento — que é a origem da opinião que gera a expressão.
(mais…)

Feira do Livro de Lisboa – 2022

A Feira do Livro de Lisboa 2022 realiza-se no Parque Eduardo VII, entre 25 de Agosto e 11 de Setembro, com 140 participantes representando centenas de marcas editoriais, num total de 340 pavilhões. As editoras e entidades assinaladas no mapa são as que editam, promovem e distribuem publicações em Língua Portuguesa.

https://www.google.com/maps/d/edit?mid=17_fEQLMlmVBJhJcTjbh5hjqMZuHSYOI&usp=sharing

Pavilhões de editoras em Português

Alêtheia Editores

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R. de São Julião, 140, R/c
1100-527 LISBOA
210 939 748|9
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Av. Infante Santo, 52 – 3.º E
1350-179 LISBOA
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Antígona

A42, A44

R. Silva Carvalho, 152 – 2.º
1250-257 LISBOA
: 213 244 170
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Edições Colibri

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«Nota – Não seguimos o Acordo Ortográfico de 1990.»

Sabooks Editora – Lusodidacta

B29

Sabooks Editora – Lusodidacta – Livros técnicos de saúde
R. Dário Cannas, 5 A
2670-427 LOURES
926 803 798
http://www.lusodidacta.pt/

Maldoror

D22

Rua Heliodoro Salgado , 61 – 2.º
1170-175 LISBOA
Tel.: 914 282 659
E-mail: maldoror.livros@gmail.com
URL: www.livrosmaldoror.com

Nova Vega

A20; A22

Rua do Poder Local, 2 – Sobreloja A
1675-156 PONTINHA
217 781 028|217 786 295
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Orfeu Negro

A38, A40
Rua Silva Carvalho, 152 – 2.º
1250-257 LISBOA
Tel.: 213 244 170
Fax: 213 244 171
E-mail: geral@orfeunegro.org
URL: www.orfeunegro.org

Sistema Solar

A16: A18

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1150-258 LISBOA
210 117 011
editora@sistemasolar.pt

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Das duas, uma: ou racismo ou racismo

língua

língua | n. f. | n. m.

(latim lingua, -ae)

nome feminino

1. [Anatomia] Órgão móvel da cavidade bucal.
2. [Entomologia] Tromba dos insectos lepidópteros.
3. [Linguística] Sistema de comunicação comum a uma comunidade linguística.
4. [Figurado]
Estilo de escrita, discurso ou expressão característicos de alguém.
“língua”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

 

Das duas, uma: ou a definição de “Língua” está errada em todos os dicionários e enciclopédias ou então as comunidades por ela identificadas distinguem-se de quaisquer outras por isso mesmo.

Das duas, uma: ou a relação de causa e efeito entre o AO90 e a “adoção” compulsiva da língua brasileira não é ainda evidente, embora seja um facto, ou então não existe nem “acordo” nem “adoção”, de facto.

Das duas, uma: ou está em curso uma campanha de brasileirização sustentada e financiada pelo Estado português, ou então não, tal coisa não passa de mera ilusão ou falta de “entendimento”.

Das duas, uma: ou os portugueses são racistas e xenófobos e em especial em relação a brasileiros, ou então não existe qualquer nexo entre essa alegação e as queixas” em catadupa.

Das duas, uma: ou a relação de causa e efeito entre a imposição selvática da língua brasileira e o extermínio da Língua Portuguesa não é ainda evidente ou então a chamada “língua universau” afinal nunca foi inventada.

Por simples exclusão de partes, temos portanto que não apenas existem como são óbvios os nexos de causalidade entre:

  1. A”adoção” do AO90 e a imposição manu militari do “fálá” brasileiro e, por conseguinte, da sua transcrição fonética, pois nisso consiste semelhante cacografia.
  2. Os dois partidos políticos que se revezam no Poder impõem o AO90, em submissão aos interesses do Brasil e em função dos seus próprios interesses (políticos e económicos).
  3. Ambos os lados dos associados contam com a “comunicação social” (OCS) avençada para lavagens ao cérebro em massa e em sessões contínuas, encenando e repetindo ad infinitum pretensos episódios de “racismo” e “xenofobia”.
  4. Seleccionados os alvos (OCS, ensino básico, academias e demais instituições subsídio-dependentes, públicas ou privadas) e estabelecidas as prioridades do «processo de apagamento da identidade portuguesa em curso», procederam os governantes e seus assalariados ao estabelecimento do “fato consumado” e avançam agora para… as consequências.
  5. Como elemento “facilitador” do plano de linguicídio e aculturação , os manobradores servem-se da lusofobia que se vitimiza para (tentar) calar qualquer tipo de oposição ao plano iniciado em 1986.
  6. Lusofobia, como aliás qualquer outra fobia (medo patológico ou aversão), é uma forma de racismo.

Sem o AO90 — a origem de toda a trama — não haveria (como, de facto, não há) “xenofobia” alguma, nem mesmo a expressamente inventada para justificar as “queixas” de auto-proclamadas “vítimas”. A verdade é que antes da imposição do absurdo (2008) não apenas jamais tinha ocorrido fosse a quem fosse a necessidade de um “acordo” como também os dois países conviviam pacificamente, os portugueses com a Língua Portuguesa e os brasileiros com uma língua própria, descendente da nossa mas que desde há muito se autonomizou e que agora já pouco ou nada tem a ver com a original.

A lusofobia é um fenómeno arreigado no subconsciente do brasileiro “médio” e o complexo de culpa do ex-colonizador, que afecta não apenas o português “médio” como — ou principalmente — a camarilha pseudo-intelectualóide nacional, formam em simbiose uma espécie de base “ideológica” para “justificar” o injustificável.

Sem o AO90, lusófobo e complexado, não teria surgido qualquer alegação de “xenofobia”, real ou imaginária. Logo, não estaria em curso um processo de feroz aculturação, a pretexto de uma pretensa expiação de culpas… inventadas.

O povo português sempre se integrou em qualquer comunidade estrangeira, mesmo as mais racistas, e sempre acolheu (e bem) imigrantes de qualquer nacionalidade, etnia e Língua — incluindo a proveniente do lado de lá do Atlântico.

Outro tanto já não se passa em sentido inverso. Nisto não há “das duas uma” porque não há duas, só há uma. Racistas são os brasileiros. Eles próprios o dizem. E escrevem. E até gritam.

De tão gritante que é a realidade.

Livro ilumina herança africana do português do Brasil

“Folha de S. Paulo” (Brasil), 30.07.22
Sérgio Rodrigues – colunista da Folha

 

[RESUMO] Novo livro da etnolinguista Yeda Pessoa de Castro reforça a importância da autora no estudo das influências de línguas africanas no português falado no Brasil e oferece uma contribuição ao combate, no campo do idioma, do racismo entranhado na sociedade brasileira.

“Nós falamos um português africanizado.” O lançamento de “Camões com Dendê” (Topbooks), da etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro, 84, seria um acontecimento cultural de grande magnitude em qualquer época. Neste momento de reavaliação histórica radical da herança deixada na sociedade brasileira por séculos de escravidão negra, é ainda maior.

Principal autoridade brasileira em línguas africanas, com tese de doutoramento defendida em 1976 na Universidade Nacional do Zaire (atual República Democrática do Congo), Castro destaca o quanto havia de pioneirismo em seu percurso acadêmico, àquela altura, no cenário abertamente eurocêntrico da universidade brasileira.

[imagem]
A etnolinguistaYeda Pessoa de Castro, autora de ‘Camões com Dendê’
[/]

“O CNPq me negou bolsa de doutorado, disseram que eu tinha que estudar línguas africanas em Londres”, lembrou ela em maio deste ano, ao lançar o livro no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

De tanto caminhar “na contramão da história”, como gosta de dizer, a história —que, como sabemos, é tudo menos linear — a alcançou. Combater o racismo profundamente entranhado na sociedade brasileira é e será por muito tempo uma guerra em múltiplas frentes. No campo da língua, o pensamento antirracista tem uma dívida impagável com Castro.

Trata-se da primeira intelectual brasileira a ter compreendido que o estudo da influência africana no português brasileiro exigia estudar… a África, ora vejam. O caminho que temos pela frente —aquele que, se tudo der certo, levará o Brasil a se encontrar um dia com o Brasil — é tão longo que daqui não se enxerga o fim.
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Lusofobia: causa(s) e efeito(s) – 5

grupo Braguil no Facebook

“Bombardear Portugal”

lusofobia

lusofobia | n. f.
lu·so·fo·bi·a

(luso- + -fobia)

nome feminino

Antipatia ou aversão pelos portugueses ou pelas coisas de Portugal.

Palavras relacionadas: lusófobo.

“lusofobia”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/lusofobia [consultado em 21-07-2022].

Esta série de “posts” destina-se exclusivamente a documentar aquilo em que de facto consiste a lusofobia enquanto fenómeno sociológico, por assim dizer, já que a maioria das pessoas não apenas desconhece o conceito como nem mesmo alguma vez ouviu sequer falar de tal coisa. No fim de contas, o próprio termo presta-se a confusões visto que difere numa única letra de “lusofonia”; evidentemente, apesar da semelhança “sonora”, o significado do substantivo “lusofobia” — que remete para uma atitude concreta — não tem absolutamente nada a ver com a ideia abstracta e indefinida de “lusofonia”, uma palavra vazia de significado que serve apenas finalidades e objectivos políticos.

Nestes pressupostos e neste âmbito, os conteúdos aqui apresentados destinam-se, sem outras pretensões que não as evidenciadas expressamente, a esclarecer minimamente os menos informados, tentando explicar as causas e demonstrando os efeitos da lusofobia, mas sempre sem acicatar sentimentos ou estados de alma que, pela própria natureza dos enxovalhos, provocações e insultos envolvidos, vão já ameaçando vir a tornar-se num problema sério e, como por regra sucede neste tipo de questões baseadas em preconceitos, de resultados absolutamente imprevisíveis.

Mantenhamos, por conseguinte, um módico de contenção, deixando o proselitismo e a mentira como desde sempre foram, isto é, exclusivos de acordistas e seus acólitos, tendo sempre presente duas premissas tão óbvias quanto curiais: a lusofobia é uma afecção de sentido único, sem reciprocidade do lado português, mas nem por isso poderemos generalizar: mesmo contando com alguns casos patológicos entre figuras públicas naquele país, o fenómeno é ainda assim restrito, manifestando-se principalmente — como aliás por regra sucede com a xenofobia ou o racismo em geral — nas camadas mais ignorantes da população. Não confundamos, portanto, um bosque com o maciço da selva amazónica ou, dito de outra forma, mesmo que sejam muitos os trogloditas, ainda assim há bastantes que o não são de todo.

O que mais importa, por falar em bosque, é que nos não deixemos emboscar. Não sem ao menos dar luta.

Receita de bolinho de bacalhau

Queremos despedaçar Portugal
Matar e comer, eis nosso desejo.
Foda-se os bons costumes e a moral
Foda-se Camões, os Pedros, o Tejo.
Queremos bombardear Portugal
Seus livros, estátuas, navios, cruzes
Que este incêndio nos livre do mal
E limpando o tapete acenda as luzes.
Ai, queremos violentar Portugal
Escarrar na língua, cagar no porto
Ver um futuro em que seja banal
O luso passado enterrado e morto
O nosso seio está seco de leite
De Portugal apenas o mar e o azeite.

Bruna Kalil Othero

Contra-colonização em curso

José Manuel Diogo*
“Jornal de Notícias”, 14 Julho 2022

Quando a Câmara Brasileira do Livro escolheu Portugal como país convidado da Bienal do Livro de São Paulo, o maior evento dedicado à literatura e ao livro que acontece em todo o mundo de língua portuguesa, sabia que nesse convite existia um significado maior.

A CBL não nos escolheu “apenas” porque o Brasil comemora 200 de independência, 100 de Saramago ou porque Abel Ferreira, treinador e ídolo do Palmeiras, fez o gosto ao dedo e lançou um livro com enorme sucesso e na presença do próprio embaixador de Portugal em Brasília.

Todos estes motivos são bons, mas não são a causa da escolha, eles são a sua consequência. A causa é mais simples, menos evidente e, por isso, mais difícil de explicar.

Ela faz parte de um processo que se está se transformar num verdadeiro movimento (o primeiro) de contra-colonização na História. Desta vez planeado politicamente, organizado pelas elites e amplamente conhecido pelos povos.
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Lusofobia: causa(s) e efeito(s) – 3

A actriz Maitê Proença gravou em Portugal um vídeo que foi transmitido para todo o Brasil pelo canal GNT, algures em 2007; esta gravação do programa “Saia Curta” foi descoberta por alguém que resolveu, e muito bem, colocar uma cópia no YouTube.

Esta coisa já teve repercussões em todos os meios de comunicação social convencionais e, evidente e principalmente, também no Twitter, no Facebook, nos blogs e em outras redes, sistemas e plataformas virtuais.

A questão, como alguns diletantes pretendem fazer crer, não se resume a um fait divers inconsequente. O facto de alguns portugueses se sentirem cultural, nacional e mesmo pessoalmente insultados é uma reacção tão natural como a de qualquer poltrão não ter reacção de espécie alguma – à excepção da sua (deles, poltrões) costumeira ironia tresandando a mania da superioridade.

A questão, neste episódio, radica na atávica lusofobia que uma parte dos brasileiros sistematicamente faz questão de alardear, por um lado, e no desprezo ancestral que essa mesma parte sente e demonstra pela sua própria História, pela sua Cultura ou, dito de outra forma, radica na idolatria pacóvia que certos brasileiros e brasileiras devotam à mais pura, singela, esmagadora ignorância.

Aquela “senhora”, acompanhada em estúdio por outras igualmente merecedoras de aspas na designação, não se limitou a trocar umas piadolas em privado sobre essa coisa “de somenos” que é Portugal. Não. Aquele chorrilho de insultos, aquela parafernália asquerosa de xenofobia, de boçalidade, de pura estupidez e da mais despudorada lusofobia, tudo isso foi servido, por sinal em péssimo Português e com um nível de instrução do mais rasteirinho que existe, a todo o Povo brasileiro. Aquela “senhora” e as outras que tal não estavam propriamente numa roda de amigalhaços a soltar umas larachas avinhadas sobre Portugal e os Portugueses. Seja lá como for que se passem esses mistérios em terras de Vera-Cruz, aquelas “senhoras” alcançaram – quiçá em virtude da sua imbatível ignorância – o estatuto de figuras públicas e, vá-se lá entender o paradoxo, até mesmo de referências culturais para as “massas”. Têm, qualquer delas, por conseguinte, responsabilidades que não lhes caberiam em circunstâncias informais, em ambiente privado e restrito.

Assim, arrogando-se o direito de enxovalhar publicamente não apenas a sua própria História mas também a de um Povo independente e a de um país soberano, bem, nesse caso outra coisa não poderiam esperar as ditas “senhoras” mai-las suas risadinhas imbecis: haverá certamente por aí gente que não é filha de boa gente e que, por conseguinte, como se costuma dizer, não se sente, mas serão por certo uma risível minoria – para a maioria dos portugueses esta afronta não pode passar em claro.

A “senhora” Proença que se retracte, de forma igualmente pública e com igual projecção mediática, desmentindo tintin-por-tintin as calúnias e as mentiras exibidas na “reportagem” em causa. A GNT (Rede Globo) que peça formalmente desculpas ao nosso país e ao nosso Povo por ter permitido a emissão de semelhante nojo.

Quanto às autoridades portuguesas, no que diz respeito a este episódio, que é, além do mais, um evidente caso de Polícia, esperemos actuem devidamente e como manda a Lei: existem matérias de prova suficientes para procedimento judicial por conduta imprópria em território nacional. Talvez mesmo não fosse exagerado, como muito bem sugere Luísa Castel-Branco, declarar oficialmente Maitê Proença como persona non grata em Portugal. [“post” no “blog” Apdeites, 13.10.2009]

Dar a outra face?

O texto do “post” acima, publicado num dos meus antigos “blogs”, foi repescado dos já remotos tempos em que ainda ninguém acreditava que fosse possível suceder o que mais tarde se viu — e se continua a ver –, com a “adoção” à força (e à sorrelfa) do AO90. Por isso mesmo, dado que os marcos temporais quanto ao episódio da imbecil “atriz” já não interessam e visto que nessa época eu próprio era “um pouco” ingénuo (porque inexperiente em matéria de lusofobia), a transcrição acima não é nem integral nem ipsis verbis; de fora, omitidas, ficaram as referências a datas e algumas expressões que entretanto se tornaram obsoletas. De qualquer forma, o original lá continua, intocado, mantendo no essencial toda a actualidade; de facto, o anti-portuguesismo brasileiro percorreu um longo e (exclusivamente para os portugueses) penoso caminho que definitivamente descambou, agora sem sequer se ralar alguém de lá com subterfúgios e desculpas esfarrapadas, em manifestações xenófobas e racistas — sem mais atavios nem disfarces.

Desde 1822 até aos nossos dias, mais marcadamente em certos períodos históricos mas desde sempre em estado latente — com a característica prontidão brasileira para a violência –, em maior ou ainda mais insuportável grau, a aversão dos brasileiros ao “tuga” é uma espécie de pau para toda a obra, a desculpa favorita de que aquela ex-colónia sempre se socorre para justificar, iludir, desculpar, passar uma esponja por cima de todos os seus próprios falhanços enquanto povo e como nação independente.

«Depois das agruras da viagem, o português desembarcado no Brasil depara, particularmente nos tempos pós-independência, com uma lusofobia acentuada, que sintetiza vários tipos de animosidades (políticas, económicas, sentimentos de rua contra a carestia…). Pedro Calmon sublinhou devidamente as dificuldades iniciais de um “sistema imigrantista” que substituísse a escravidão, devido a “preconceitos ancestrais, de xenofobia colonial, cuja informe agressividade espicaçava, nas ruas, o delírio nacionalista”. E, “consumada a Independência, resta o acto popular de desforra, o matamaroto, que na Baía se repete, pitoresca e tragicamente, todo o ano, e em Recife tem o aspecto de uma ameaça permanente, social da patuleia contra o comércio retalhista”» (…) «Embora amainando à medida que surgiam medidas graduais no longo caminho da abolição da escravatura e se desenvolviam políticas de imigração, esta animosidade está subjacente ao relacionamento do brasileiro com o português, num clima vivencial que Pedro Calmon definiu exemplarmente como “o contraste entre a transacção lusófila do alto e a trepidante lusofobia das ruas“. Assim, de vez em quando emergem conflitos em que o português se torna bode expiatório.»

[Alves, Jorge Fernandes – Variações sobre o “brasileiro” – Tensões na emigração e no retorno do Brasil. Revista Portuguesa de História, tomo XXXIII (1999), U. Coimbra, p.191-222]

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Lusofobia: causa(s) e efeito(s) – 2

O rasgão

Os conteúdos que se seguem, na sequência dos contidos no “post” anterior, farão a ponte com os de temática semelhante que se seguirão. Sempre na expectativa, porém, porque é essa a única intenção subjacente, de que a publicação de documentos porventura surpreendentes ou até chocantes (para alguns, claro) não sirva para acicatar ainda mais a já de si absurda “guerra” que o Brasil tradicionalmente e por mero desfastio move e promove contra Portugal, contra o legado histórico lusitano — que pervertem com requintes de malvadez — e, de forma geral, contra os portugueses.

Logo à cabeça, salvo seja, nem vale a pena referir o desconchavo da “letra” que “ilustra” o vídeo em que um grupo “musical” brasileiro (cujos elementos faleceram num acidente, paz à sua alma) produz o barulho horripilante que sai pelas colunas de som. Adiante, portanto, passemos por cima de tão asquerosa pantomina e vamos ao que interessa.

Da leitura do(s) artigo(s) de Carlos Fino e da entrevista subsequente resulta em síntese aquilo que já se sabia (para os brasileiros, os portugueses são os culpados de tudo o que no Brasil está coxo ou corre mal) mas ressalta também que a simples constatação desse facto irrefutável provoca algumas “comichões” nas terras do pau-brasil (Paubrasilia echinata) e, nada surpreendentemente, implica alguma icterícia também do lado de cá do Atlântico. Felizmente, pelo menos quanto a portadores de passaporte português, parece que são apenas meia dúzia os afectados por esse tipo de problemas de pele.

Carlos Fino, um jornalista português com pêlo na venta, honra lhe seja feita, não se põe com rodriguinhos e muito menos cai no logro do costume — a fábula do “gigante brasileiro” e do mitológico Quinto Império (mais o título no Mundial de futebol) atinge boa parte da população tuga –, dispensando com elegância os salamaleques da ordem, a bajulação, o brasileirismo pitosga característico de algumas capelinhas da tugalândia. O jornalista diz o que tem a dizer mas, como bom profissional, estudando e investigando e documentando o que escreve. Não inventa coisa alguma, não finge ser a favor ou militar contra, não se arma em fidalgo ou sabichão, não faz fretes seja a quem for.

Factos são factos, fábulas são fábulas, tretas são tretas.

O ressaibo brasileiro é um facto e a treta da “língua unificada” é uma fábula. A lusofobia, uma doença infecto-contagiosa originária do Brasil mas que já vai ganhando foros de pandemia em Portugal, explica em boa parte porque foi inventado o AO90 — materializar violentamente uma espécie de vingança histórica — e para que servem as tretas que apregoam mercenários, vendidos e traidores ao serviço dos interesses político-económicos brasileiros: precisamente, as prestidigitações intelectualóides e os truques verborreicos têm por finalidade encobrir a golpada bicéfala, escondê-la sob um manto de palavras ocas e vencer pela exaustão os mais tíbios ou confusos.

Relação de causa e efeito, portanto, se bem que funcionando a lusofobia apenas como adjuvante estratégico. O ódio ao português cultivado no Brasil, com o beneplácito do próprio Estado brasileiro, especialmente através de um sistema de Ensino marcadamente anti-lusitano, funciona como base para o processo de linguicídio, de neo-colonização linguística em curso; contando com esta base, sem a qual seria impossível atingir as reais finalidades de todo o plano, podem então os estrategas portugueses (mai-los mandantes na sombra) — os mesmos que arquitectaram toda a tramóia — servir a estrangeiros numa bandeja de lata a Língua Portuguesa e, para sobremesa, a História, a Cultura, a identidade nacional. E então, com esse capital de destruição na bagagem, passar sem mais rodeios àquilo que exclusivamente lhes interessa: o capital a sério, metal sonante, dinheiro verdadeiro, ganância e corrupção à escala industrial.

O “acordo ortográfico” é um negócio fabuloso. Quem meter a mão na massa tem garantido um futuro opíparo: no mínimo, cada um dos envolvidos tornar-se-á de certeza absoluta o condómino mais rico e poderoso do cemitério. Alguns poderão até chegar à suprema honraria de um funeral de Estado ou, pelo menos, de estadão, com um impressionante Saveiro Deluxe e tudo e gatos-pingados de libré e tudo e tudo.

Não queremos que lhes falte nada.

Vira-vira

“artistas”: Mamonas Assassinas

Raios!
Fui convidado pra uma tal de suruba
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa
Toda arregaçada, não podia nem sentar
Quando vi aquilo, fiquei assustado
Maria chorando começou a me explicar
Daí então eu fiquei aliviado
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba já me passaram a mão na bunda
E ainda não comi ninguém
Ó, Manoel, olha cá como eu estou
Tu não imaginas como eu estou sofrendo
Uma teta minha um negão arrancou
E a outra que sobrou está doendo
Ô, Maria, vê se larga de frescura
Que eu te levo no hospital pela manhã
Tu ficaste tão bonita monoteta

Mais vale um na mão do que dois no sutiã
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba já me passaram a mão na bunda
E ainda não comi ninguém
Bate o pé
Bate o pé
Ô, Maria, essa suruba me excita
Arrebita, arrebita, arrebita
Então vá fazer amor com uma cabrita
Arrebita, arrebita, arrebita
Mas, Maria, isto é bom que te exercita
Bate o pé, arrebita, arrebita
Manoel, tu na cabeça tem titica
Larga de putaria e vai cuidar da padaria
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba já me passaram a mão na bunda
Eu ainda não comi ninguém
Vamos lá, dançando raios, todo mundo comigo
Ô, a Maria se deu mal, vamo lá
Ai, como dói

Brasil tem vergonha das origens portuguesas, diz autor de livro sobre estranhamento entre países

Para Carlos Fino, visão negativa de Portugal alimenta lusofobia dos brasileiros, que negam heranças históricas

Giuliana Miranda
“Folha de S. Paulo”, 31.12.21

Lisboa

Apesar do discurso diplomático de que Portugal e Brasil são países irmãos, unidos por profundos laços de amizade, existe um estranhamento entre as duas nações. Enquanto o Brasil tem vergonha de suas origens lusitanas, os portugueses menosprezam a antiga colônia.

Essas e outras considerações são feitas por Carlos Fino, 73, uma das figuras mais conhecidas do jornalismo português. Ele acaba de lançar “Portugal-Brasil: Raízes do Estranhamento” (Ed.LisbonInternationalPress) como resultado de sua tese de doutorado, defendida na Universidade do Minho.

Na obra, o autor argumenta que existe uma lusofobia no Brasil, alimentada por uma visão negativa de Portugal presente na imprensa, nos livros didáticos e até em produções culturais, como filmes e telenovelas.

O Brasil tem vergonha da herança portuguesa“, afirma o jornalista, para quem o preconceito com o passado lusitano é inconsciente e até rejeitado pela intelectualidade brasileira.

“Isso não existe em relação ao Portugal contemporâneo, que é muito procurado pelos brasileiros. Muitos gostam do país, os ricos brasileiros vão para Portugal comprar casa, mas isso não apaga o antilusitanismo, que está profundamente enraizado a ponto de ser inconsciente“, avalia Fino.

Após uma longa carreira como correspondente internacional e de guerra pela RTP (emissora pública de Portugal), com temporadas em Moscou e Bruxelas, Fino mudou-se para o Brasil em 2004 para trabalhar como conselheiro de imprensa da embaixada portuguesa em Brasília. Ocupou o cargo até 2012.

O convite surgiu após o jornalista passar a ser reconhecido também no Brasil por causa de sua cobertura da invasão americana do Iraque em 2003. Ele foi o primeiro a noticiar, antes das grandes emissoras internacionais, o início do bombardeio em Bagdá. As imagens ganharam o mundo e também foram exibidas no Brasil em decorrência de um acordo entre a RTP e a TV Cultura.

Acadêmicos rechaçam tese de lusofobia entre brasileiros

O novo livro, segundo o autor, é uma tentativa de contribuir para a superação do estranhamento entre os dois países. “É melhor aceitarmos a diferença para podermos superá-la”, diz.

No livro, o senhor afirma que há um forte estranhamento entre Portugal e Brasil. Como começou a se dar conta disso?

A minha missão na embaixada era projetar Portugal no Brasil, então eu estava particularmente antenado a esse tipo de coisa. Um episódio em um posto de gasolina, quando uma funcionária não sabia que em Portugal se falava português, foi um dos primeiros e mais marcantes, mas houve muitos outros.
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