Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Categoria: Apartado

O Estado de cAOs: ótica por óptica

A ferramenta de pesquisa do índice cAOs, a funcionar desde Janeiro de 2015, serve em especial para encontrar bacoradas acordistas nas páginas do “Diário da República” e da agência LUSA e também nos sites do Governo e da Presidência.

O critério de busca, desta vez, foi por uma única palavra: “ótica”.

789 resultados ao longo de 10 páginas…

Documentos oficiais, concursos, despachos, éditos, comunicados.

 

Vejamos um desses documentos, para amostra.
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Os números não mentem – 5 (de 5)

«– É lindo destruir palavras. Naturalmente, a maior parte é nos verbos e adjectivos mas há centenas de substantivos que podem perfeitamente ser eliminados. Não apenas os sinónimos; os antónimos também. Afinal de contas, que justificação há para a existência de uma palavra que é apenas o contrário de outra? Cada palavra contém em si o contrário. “Bom”, por exemplo. Se temos a palavra “bom” para que precisamos de “mau”? “Inbom” faz o mesmo efeito – e melhor, porque é exactamente oposta, enquanto que mau não é. Ou ainda, se queres uma palavra mais incisiva para dizer “bom”, para quê dispor de toda uma série de vagas e inúteis palavras como “excelente”, “esplêndido”, etc. e tal? “Plusbom” corresponde à necessidade, ou “dupliplusbom”, se queres alguma coisa ainda mais forte. Naturalmente já usamos essas formas, mas na versão final da Novilíngua não haverá outras. No fim, todo o conceito de bondade e maldade será descrito por seis palavras – ou melhor, uma única. Não vês que beleza, Winston? Naturalmente, foi ideia do Grande Irmão – acrescentou, à guisa de conclusão.»

George Orwell, “1984”


Termina aqui esta pequena série de “posts” sob o título (e tema) genérico “os números não mentem”. Não vou maçar mais as pessoas com aborrecidíssimos tecnicismos, dados, quadros, cálculos, algoritmos, critérios, métodos e processos. O trabalho está feito, a função cumprida, os resultados publicados e demonstrados. Avançar com ainda mais pormenores técnicos seria, além de fastidioso, algo redundante: é claro que — a partir de agora — já toda a gente sabia de tudo isto “há que tempos”. Mudei de ideias, por conseguinte, quanto à intenção que expressei no “post” anterior (o 4.º da série): não vou afinal “esmiuçar” coisa nenhuma, à uma porque me parece já o ter feito exaustivamente, às duas porque sempre quero ver como se desenrascarão os “autores de obras feitas” do costume. Deverão agora, tão somente, segundo a técnica habitual, bolçar umas “indignações” avulsas pescando uns quantos números do estudo, depois copiá-los daí para outro lado qualquer e por fim citar esse lado qualquer — com destaque — como “fonte” e o figurão que bolçou a diatribe como “autor” do trabalho. Enfim, repito, que se desenrasquem os parasitas da ordem. O que é preciso é que a mensagem passe, que se lixe o mensageiro.

Adiante.

Por algum subtil, estranho ou suspeito motivo, as perguntas basilares jamais tinham sido formuladas e, por inerência, visto não ser possível responder a algo que ninguém perguntou, ninguém sabia o que dizer quanto a  incógnitas vazias ou a questões omissas.

Mas que poderiam ter sido atempadamente formuladas, ambas, as perguntas e as respostas.

P – O Brasil cedeu de facto mais do que Portugal?

R – Não.

P – Se o Brasil não cedeu mais, então cedeu menos?

R – Sim.

P – É possível calcular quanto (ou em quanto) menos?

R – Não.

P – Como “não”?

R – Não é possível calcular quanto representa zero em relação a um número, zero comparado com um valor ou um montante é uma função impossível.

P – “Zero”?

R – Zero. É este o número de palavras que o AO90 alterou na variante brasileira do Português. Zero. Não se trata de apurar, ao certo, quanto “cedeu” a variante brasileira em relação às reais “cedências” (eufemismo para vendas de vendilhões) do Português-padrão. A questão resumiu-se aqui a apurar se a dita variante cedeu de facto em alguma coisa. E deste trabalho resulta isto: nada. O Brasil não cedeu absolutamente (em) nada.

P – “Absolutamente nada”? De certeza?

R – Absolutamente nada, de certeza absoluta. Nada de nada. As “cedências” da variante brasileira provieram do acordo ortográfico de 1945, não do “acordo” de 1990; e, mesmo, assim, todas essas “cedências” dizem respeito, por um lado, a questões de acentuação (só a abolição do trema representa mais de metade do total dessas inexistentes “cedências”), e, por outro lado, a questões de hifenização. Não existe, em suma, UMA ÚNICA PALAVRA brasileira REALMENTE alterada pelo AO90.

P – Mas isso então é uma vigarice tremenda… Não há nem uma excepção, uma só, para amostra?

R – Não. TODAS as palavras REALMENTE adulteradas (consoantes “mudas” abatidas segundo os ditames brasileiros) afectam apenas o Português-padrão, evidentemente. Há uma porção subsidiária que diz respeito a palavras que sofrem alterações iguais no Português-padrão e na variante brasileira… mas apenas a nível de acentuação e de hifenização.

P – Isso é “um bocadinho” difícil de imaginar, quanto mais de digerir…

R – Pois é. Mas não é nada de imaginado, é a mais pura das realidades — como os números atestam, os factos comprovam e a realidade demonstra.

 

Imagem de: http://www.orwelltoday.com/

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Os números não mentem – 4

«Qualquer acordo pressupõe cedências e compromissos de ambas ou de todas as partes envolvidas, o que não é de todo o caso deste.»

A nossa ILC

A pergunta que nunca alguém sequer se atreveu a fazer: quantas palavras da variante brasileira foram realmente alteradas pelo “acordo ortográfico” de 1990?

Nunca, jamais, em tempo algum foi dada a resposta: está num dos três resultados finais, a vermelho. Pista: não é nenhum dos dois repetidos.

A seguir esmiuçaremos esta verdade a partir de agora insofismável.

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Os números não mentem – 3

 

Chama-se a isto, cientificamente falando, pôr a carne toda no assador.

O que está ali em cima é o quadro de resultados globais obtidos a partir dos cálculos que estão ali em baixo, os quais incidem sobre os dados do “Vocabulário de Mudança” disponibilizados pelo “Portal da Língua Portuguesa”.

Carecem porventura de algum tipo de explicação, tanto os cálculos como os resultados, caso alguém não entenda claramente o que significam, mas seria fastidioso, monótono e quiçá, para o efeito, irrelevante, esmiuçar cada um deles e demonstrar o respectivo algoritmo. Atenhamo-nos, por conseguinte, ao essencial: a folha-de-cálculo em baixo contém as perguntas e o quadro em cima as respostas.

Seguindo esta exacta lógica, traduzamos a frieza dos números para o calor do Português (legítimo) utilizando a mesma técnica, ou seja, transformemos os algoritmos que perguntam e os cálculos que respondem numa sequência simples de perguntas e respostas entre duas pessoas vulgares.

Imaginemos, portanto, que abancam dois bacanos (eu e outro) numa mesa de café e desatam a falar sobre “os números do AO90”. Escusado será dizer que um dos bacanos (o outro) não vê um boi sobre o assunto mas o outro bacano (eu) tem a obrigação, até por dever de ofício, salvo seja, de ver não apenas um boi como uma manada inteira.

E aventa o outro bacano, para início de conversa:

P – Mas o que raio é aquilo?! É para a gente entender ou será preciso tirar um curso?

R – Aquilo é uma análise estatística sobre o “Vocabulário de Mudança”. Os resultados comprovam que o AO90 não passa de uma vigarice colossal. Não é preciso tirar curso algum para entender o conceito de vigarice e, quanto aos números, basta olhar para eles com olhos de ver.

P – Bem, então eu cá devo ser muito cegueta. Já olhei para os números e, confesso, não entendi patavina. Por que ponta se lhes pega?

R – Pela filtragem dos dados de origem: o “Vocabulário de Mudança” contém 6620 entradas mas 2717 delas (41%) têm esta indicação: “na prática, a situação anterior não muda”. Se não mudam, então o que fazem na lista da “mudança”? Primeira aldrabice. Não são “mudança” coisíssima nenhuma, não contam, restam por conseguinte 3903 entradas.

P – Mas se esses 41% de palavras não contam porque afinal não mudam, então para que diabo é que os acordistas as incluíram na lista?

R – Para esconder que omitiram outras que realmente mudam e que são de uso muito mais comum ou frequente. Assim, aldrabando alarvemente a lista de base, podem difundir a patranha de que o AO90 altera “poucachinhas” palavras e que, destas, em quase metade “na prática, a situação anterior não muda”.

P – Ah, está bem. Estão explicadas as 3903 entradas. E daí?

R – A finalidade deste trabalho é apurar se é verdade, ou em que medida seria verdade, que “o Brasil cedeu mais do que Portugal no AO90”. Portanto, sobre as 3903 entradas, de reais “mudanças” listadas, há que determinar quantas palavras (quantos lemas) mudaram efectivamente na variante brasileira e quantas do “português brasileiro” foram integradas à força na “variante portuguesa” (como lhe chamam acordistas).

P – E então?

R – E então, respectivamente, 636 (ou 9,6%) e 1450 (ou 21,9%).

P – Ah, pronto, já entendi: afinal de contas nós tivemos de “importar” mais do dobro de  palavras escritas em “brasileiro” do que os brasileiros palavras com a nossa ortografia. Afinal é o contrário do que dizem os acordistas! É isto, não é?

R – Nim. Sim, porque o que eles dizem é uma mentira descabelada (olha a grande novidade), não porque o embuste não é “só” em dobro. É muito mais do que “só” o dobro: às 636 palavras que, em teoria, os brasileiros tiveram de “importar” do Português “europeu”, há que descontar todas aquelas que já tinham sido objecto do AO de 1945, que nós cumprimos e que o Brasil ignorou olimpicamente: o trema e a acentuação em “éia” e em “éico”.

P – E isso a quanto monta?

R – Isso monta a 587. É só ver no quadro: 321 “ü” mais 174 acentos em “éia” mais 92 acentos em “éico”. Ora, 636 menos 587 dá o quase redondo resto de 49 palavrinhas. O que significa que o “sacrifício” brasileiro desce de 9,6% para… 0,7%.

P – Ah, pois, confere, são esses os resultados do quadro, de facto. Ou seja…

R – Ou seja, não havendo “descontos” nenhuns no Português-padrão (são mesmo palavras impingidas taxativamente da variante brasileira), os nossos 1450 lemas estropiados representam não apenas 21,9% do total (6620) do “Vocabulário de Mudança” mas… quase 3000% de diferença, isto é, de taxa de “cedência”, em termos comparativos.

P – Errrrr… 3000%? Não duas vezes mas trinta vezes mais? Trinta vezes?! Pode lá ser!

R – A variante brasileira “cedeu” em 49 palavras. O Português-padrão cedeu em 1450. Arredonda, pá, se isso te faz confusão: multiplica 50 por 30. Quanto dá?

P – 1500… errrrr… chiça… Então e agora?

R – Agora, bem, por agora é tudo mas isto ainda não acabou.

P – Não acabou? Há mais?

R – Há. Lá iremos.

  • OA: Ortografia Antiga
  • PE: Português Europeu
  • PB: Português do Brasil
  • ON: Ortografia Nova

Acordo Ortográfico de 1945
XVI – Omissão do acento agudo na terminação eia (ideia, assembleia, epopeia), na terminação eico (epopeico, onomatopeico) e no ditongo oi de algumas palavras cuja pronúncia não é uniforme nos dois países (comboio, dezoito).
XXVII – Supressão total do emprego do trema em palavras portuguesas e aportuguesadas.

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Os números não mentem – 2

Devo confessar que tudo isto é “um bocadinho” assustador. A enormidade da mentira, quero dizer.

Recordo-me perfeitamente de que já em 2008, aquando do primeiro trabalho sobre o assunto, sentia de vez em quando um verdadeiro arrepio na espinha, uma sensação estranha, misto de estupefacção e incredulidade: pode lá ser!, aqueles tipos não se atreveriam a mentir assim tanto, caramba, não é possível…

Mas pode ser, sim, como naquela altura me pareceu, a contragosto, e como agora plenamente se confirma, para meu e certamente vosso (grande, enorme, gigantesco) desgosto.

O “acordo ortográfico” de 1990 não passa de uma colossal mentira.

Sem ponta por onde se lhe pegue, ou seja, vendo a coisa por qualquer perspectiva, ângulo, prisma, vector, vertente, tópico ou tema.

No primeiro “post” desta pequena série comparámos alguns números, no que diz respeito ao “Vocabulário de Mudança” e respectivas análises estatísticas, em 2008 e na actualidade. A primeira mentira desmontada, se bem que (para já) apenas referindo os dados essenciais, foi a de que “o Brasil cedeu mais do que Portugal no Acordo Ortográfico”. É falso, evidentemente: o Português-padrão “cedeu” cinco vezes mais do que a variante brasileira… e a seu tempo veremos se terão sido “só” cinco vezes mais.

Que venha a próxima patranha dos acordistas.


«Contrariamente ao muito que se diz por aí, as alterações que vão ser introduzidas são muito poucas e julgo que basta uma meia hora para os professores aprenderem as novas regras. E depois é aplicá-las.»
Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português (APP), 2 de Setembro de 2009, “Diário Digital” [“post” ILCAO, 29.11.14]

Olha que engraçado. Então, se eram assim tão “poucachinhas” as alterações, para quê… alterá-las?! Se fosse possível “aprender” em “meia hora” todo aquele absurdo, então para que diabo continuam ainda hoje a servir os incontáveis “cursos de formação” sobre aquela porcaria?

Isto no pressuposto (paradoxal, convenhamos) de que é de facto possível aprender alguma coisa sobre coisa nenhuma ou apreender o absurdo ou sequer decorar contradições no meio do cAOs total.

E serão afinal assim tão “poucachinhas” como isso, as alterações?

Ora vejamos.

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Os números não mentem – 1


«O responsável pelo vocabulário ortográfico no Brasil, Evanildo Bechara, defendeu hoje que o Brasil fez mais concessões para o novo Acordo Ortográfico do que Portugal, atribuindo a tese contrária defendida por muitos ao “abuso” das consoantes mudas.»
“JN”

«O Brasil não vai cumprir seja o que for que não lhe interesse. Dizer que o Brasil cedeu alguma coisa é de uma hipocrisia total.»
Artur Anselmo

——–

Pois está claro, “hipocrisia”, sim, mas na acepção de redonda mentira. O que aliás é natural, vindo de quem vem, já que a incontinência mental e a dissimulação verborreica são características intrínsecas de qualquer mentiroso compulsivo.

Porém, se qualificar patranhas e designar aldrabões — ainda que, polidamente, com adjectivação inócua — é algo meritório, não basta qualificar, há que também quantificar: aquela é mais uma mentira de todo o tamanho, pois, mas de que tamanho é esse “todo”, ao certo?

Vamos a números, então.

Entre Setembro e Outubro de 2008 apurei os primeiros resultados sobre a base-de-dados que na altura se chamava “Mordebe” e cujo “Vocabulário de Mudança” compreendia então um total de 4497 entradas.

Nessa época toda a gente dava palpites sobre o assunto mas ninguém podia dizer (e muito menos comprovar) quais eram os níveis de afectação (infecção) ou de incidência do AO90 sobre o Português-padrão, por um lado, e sobre a variante brasileira, por outro. Ou seja, quantas “palavras” (lemas) mudavam à força, de um lado e do outro do Atlântico, e que percentagens comparativas os dois totais representariam.

Contas à moda do merceeiro da esquina, evidentemente, pois bem sabemos que as palavras não são todas iguais, não têm o mesmo “peso” no uso quotidiano e no registo, nível ou tipo de texto, em que as ocorrências dependem (não apenas em frequência) de inúmeras variáveis.

Mas adiante. Se era números que pretendiam, já em 2008, pois então lá foram esses números, tudo importado página a página para folha-de-cálculo, tudo contado, comparado e analisado com fórmulas específicas (há um programa Excel…ente para análise estatística de texto), até chegar às primeiras respostas.

A começar por esta: em que percentagens “afetou” o AO90 o Português-padrão e a variante brasileira?

Resposta: 1,6% e 0,6%, respectivamente.

Ou 1,5% e 0,5%, claro, porque pode haver oscilações de uma décima para mais ou para menos, dependendo de algumas variáveis, como será o caso do montante total considerado como termo de comparação, isto é, o universo lexical considerado na análise: 90 mil, 100 mil ou, no limite, 230 mil verbetes dicionarizados.

Mas isto foi há quase nove anos. Então e agora, em 2017, como está a coisa? Tudo na mesma, como a lesma, ou não há novidades, como no quartel-general de Abrantes?

Bem, agora, oito anos e meio depois, o dito “Vocabulário de Mudança” inchou, por assim dizer: passou de 4497 para 6621 entradas (lemas).

Fartaram-se de trabalhar, pelos vistos, lá pelo “Portal da Língua”; ao longo de 3060 dias conseguiram desencantar mais 2124 palavrinhas demolidas pelo aleijão. No entanto, mesmo descontando as palavras entretanto integradas no “corpus” linguístico, como no caso das provindas das chamadas “novas tecnologias”, ainda assim as diferenças não bulem com os resultados iniciais.

Uma percentagem é uma percentagem (ou seja, é para alguns um aborrecimento) e portanto a coisa pouco ou nada oscilou neste interim: se à partida o Português-padrão sofreu quase o triplo das alterações que tocaram ao Brasil, agora a situação global mantém-se mas… a dobrar!

Não existe contradição alguma na formulação antecedente: em 2008 concentrei-me apenas nos totais globais, em bruto, enquanto que nesta actualização incluí um parâmetro de análise absolutamente essencial: dos 0,6% que “afetam” a variante brasileira, quantos casos dizem respeito à abolição do trema? .

Pois isto é que é mesmo surpreendente: 0,3%!

Metade (0,3%) da afectação total do AO90 sobre a variante brasileira (0,6%) corresponde a palavras em que desaparece aquele sinal de acentuação. O que significa, na prática, que a incidência (a destruição) no Português-padrão afinal não é de quase o triplo, é superior a o quíntuplo, é cinco vezes mais, mudou mais 500% do que a variante brasileira!

Note-se que os brasileiros assinaram e depois denunciaram o AO de 45, no qual a abolição do trema já estava prevista. Portanto, isto não é uma “mudança” imposta pelo AO90, é apenas uma reposição do acordado em 1945. E não pode tal “pormenor” ser invocado como “cedência” da parte brasileira, evidentemente, porque isso mesmo já tinha feito a outra parte 45 anos antes.

E se isto é assim no que respeita ao trema, o que sucederá quanto a outros diacríticos? E no que diz respeito a questões de hifenização, já agora?

De facto, a questão não é apenas que Bechara minta com quantos dentes tem na boca ou que Malaca outro tanto faça amiúde, com igual desfaçatez e ainda que use dentadura postiça integral. Isso já é folclore, por conseguinte, a questão agora será responder finalmente a isto: quantas palavras mudam efectivamente no Brasil, ao certo?

Sempre tivemos a resposta para tão singela pergunta mesmo debaixo de nossos fungantes narizes mas, por algum motivo que em absoluto me escapa, jamais alguém se atreveu a verbalizá-la.

Pois bem, digo eu, que devo ter um apêndice nasal pouco fungante, ele é mais para o fumegante.

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