Categoria: Apartado

‘Esta pedra cinzenta’

abusive
/əˈbjuːsɪv/
adjective

  1. extremely offensive and insulting.
    “the goalkeeper was sent off for using abusive language”
    synonyms: insulting, rude, vulgar, offensive, disparaging, belittling, derogatory, disrespectful, denigratory, uncomplimentary, pejorative, vituperative; disdainful, derisive, scornful, contemptuous;
    defamatory, slanderous, libellous, scurrilous, blasphemous;
    scolding, castigatory, reproving, reproachful;
    informalbitchy;
    archaiccontumelious
    “he was fined for making abusive comments to officials”
    2. engaging in or characterized by habitual violence and cruelty.
    “abusive parents”
    synonyms: cruel, brutal, savage, inhuman, barbaric, barbarous, brutish, vicious, sadistic; ruthless, merciless, pitiless, remorseless, uncaring, heartless, cold-blooded, cold-hearted, unfeeling, unkind, inhumane
    “we rescued the animals from their abusive owner”
    3. involving injustice or illegality.
    “the abusive and predatory practices of businesses”

[Google Dictionary]

O domínio cedilha.net inclui quatro “blogs”, dois dos quais desactivados, e um “site”, igualmente desactivado. Visto não ter sido apenas este modesto Apartado 53 — que, de resto, ninguém lê — banido do Fakebook e estendendo-se esse banimento a todo o domínio, incluindo todos os conteúdos nele alojados, em qualquer dos seus endereços, então convirá talvez esmiuçar o caso, ou seja, qual ou quais dos conteúdos contêm linguagem abusiva, difamatória, cruel, selvagem, extremamente ofensiva, brutal, desumana ou podendo ser incluída em qualquer dos inúmeros sinónimos e das infindáveis designações similares que regista o virtual dicionário do Inglês para “abusive”.

Esmiuçar o caso, porém, apenas fará sentido no pressuposto de que existiu de facto interferência humana no processo, isto é, que alguém bufou alguma coisa ou que, hipótese bem mais provável, não tendo encontrado nada para bufar, o bufo ou os bufos inventaram algo para bufar ou ainda que o acto de bufar não carece de qualquer motivo, a bufaria existe por geração espontânea, simplesmente basta bufar algo no Fakebook para que o Fakebook, famoso ninho de bufos e de todo o tipo de quejandos escroques, se apresse a liquidar a conta do prevaricador, a censurar as palavras do criminoso, a anular de uma assentada todo o trabalho do bufado.

Que fique bem claro: se não houve afinal denúncia alguma, tratando-se este banimento radical de mero erro técnico, de qualquer “bug” programático ou de outras circunstâncias, necessariamente aleatórias e imprevistas, sobre as quais se conclua — como de costume — que “a culpa é do sistema”, então, encantados da vida, cá estaremos para repor nos eixos o relato do sucedido.

Da referida badalhoquice já dei conta no “blog” central do cedilha.net, o qual apenas utilizo esporadicamente mas que nem por isso deixa de ser a “porta de entrada” no domínio. A notícia do sucedido está ali, portanto, em “post” ajustado ao carácter generalista (e diversificado) do sítio. Em referências sucintas, mencionei alguns dos antecedentes principais: os ataques DDoS, especialmente visando o derrube do “site” original da ILC-AO, alojado neste domínio entre 2010 e 2015; os vídeos públicos denunciados por “copyright infringement“, o “bloqueio temporário”, no Fakebook, por delito de opinião, utilizando imagens “banidas” (por exemplo, da revista americana “Time”); a censura, também no Fakebook, dando “direito” a mais uma suspensão da conta de utilizador, de conteúdos perfeitamente inócuos que, por conterem imagens de mulheres, serão porventura considerados como “homofóbicos”.

No entanto, parece-me que o problema não é nem genérico nem generalista, o problema é apenas e só com este “blog” em concreto, o problema é (para os bufos, pides e assimilados) com o Apartado 53 e não com qualquer dos outros conteúdos alojados no mesmo endereço virtual comum — cedilha.net.

Nesta imagem terão talvez os mais atentos notado que o banimento funciona até no Messenger! Ou seja, para quem ainda tinha dúvidas sobre a privacidade das suas trocas de mensagens “privadas” através de um sistema autónomo teoricamente “privado”, então aqui tem uma prova de que o conceito de privacidade, no Fakebook (e não só), é igual a zero vezes zero ao quadrado. O bloqueio da mensagem “pecaminosa” ocorre   imediatamente, sempre; talvez suceda programaticamente (um simples algoritmo) mas também pode ser que  provavelmente não, o apagamento poderá ser manual: o pide de serviço, necessariamente português, dada a rapidez da reacção, detecta o endereço banido e bloqueia de imediato a mensagem “privada” onde tal “pecado” se encontra. Uma forma expedita de testar a coisa será enviar por mensagem “privada” uma imagem onde apareça o endereço banido: se essa mensagem for bloqueada, então está alguém a “assistir” à nossa “conversa privada”; nenhum extractor de texto em imagem pode ser assim tão rápido.

Mas este regabofe com a “privacidade” dos utilizadores em mensagens “privadas” não é a única consequência directa da actuação da polícia política portuguesa nas redes anti-sociais. Deixemos de lado, até ver, para não cansar as pessoas nem desfalcar já todo o paiol, as consequências indirectas, os efeitos colaterais deste tipo de acções pidescas.

Daquilo que imediatamente sucede quando um domínio é banido do Fakebook, destaquemos, de forma não exaustiva, apenas os principais.

  1. Qualquer endereço electrónico está incluído no banimento, seja de um dos “blogs” (o central, o Apartado 53, o Apdeites e o Mini-Mal) seja de sub-domínios (o ilcao.cedilha.net), como seja ainda de envio, partilha ou menção de qualquer conteúdo em ficheiros de texto, imagem ou gravação em todos os formatos ou tipos.
  2. O banimento tem efeitos retroactivos:
    a) No “mural” pessoal do titular da conta FB;
    b) Na ou nas páginas FB respeitantes a “sites” e/ou “blogs” do utilizador;
    c) Em todos os “murais” de toda a gente que alguma vez partilhou num deles, próprio, colectivo ou alheio, qualquer conteúdo sobre, proveniente de ou mencionando “cedilha.net”;
    d) Todos os comentários alguma vez publicados em qualquer “mural” ou página FB, bem como as respectivas citações, cópias e republicações;
    e) Todos os “likes”, “shares” e comentários deixam de ser indexados e contabilizados por todos os serviços de rastreio, baixando de imediato até zero as respectivas “cotações” em “rankings” nos serviços especializados.
    f) Referências externas com reflexos (automáticos ou manuais) no FB desaparecem (desde sempre), desaparecendo por inerência, se bem que de forma diferida, também dos “motores de busca”.
    g) Desaparecem instantaneamente de todo o histórico de todos os utilizadores todas as interacções que envolvam, directa ou indirectamente, o domain banido.

Ainda há, felizmente, honra lhe seja feita, quem proteste. É apenas um, pelo menos até ver, mas louve-se-lhe o esforço e, pelos vistos, já que mais ninguém até agora se ralou com o assunto, a coragem.

Coragem, talvez porque em Portugal expor a prepotência, o que é um dever de cidadania, confunde-se com “vitimização”, o que é uma estupidez.

Coragem, talvez porque é raro (a coragem é um bem escasso) em Portugal não se entreter o povo com o mínimo de subsistência (ovelha que berra é bocado que perde) no conforto da ignorância.

Coragem, talvez apenas porque sim, porque somos poucos mas somos assim, em Portugal ainda existe desta cepa, venha de lá o primeiro conferir se é bravata ou não.

Coragem, talvez porque Portugal está a banhos e, como sabem as duas ou três pessoas normais e os dez ou vinte bufos e pides que regularmente aqui vêm, quando Portugal vai a banhos — o que sucede durante 52 semanas a cada 12 meses — o mundo suspende-se, não pula nem avança, deixa de ser bola colorida entre as mãos de uma criança.

O dia

Entregue!

Caixas e "pen" com dados

As caixas com as assinaturas no gabinete de José de Matos Correia

 

No passado dia 26 de Janeiro anunciámos a ultrapassagem da meta das 20.000 assinaturas.

Era uma questão de tempo até a ILC contra o Acordo Ortográfico ser entregue na Assembleia da República. Aconteceu ontem, dia 10 de Abril de 2019. Pelas 15:30h, a ILC foi recebida em audiência por Sua Excelência o Sr. Vice-Presidente da Assembleia da República, deputado José de Matos Correia.

O Sr. Vice-Presidente agradeceu a nossa Iniciativa enquanto acto de cidadania e, para nossa grande satisfação, agradeceu-nos também a título pessoal, dando-nos conta da sua firme oposição ao Acordo Ortográfico de 1990.

Este é um dia que já é Histórico, com H grande, para os militantes, activistas e subscritores da ILC. Esperamos que possa vir a sê-lo também para todos os portugueses e para quem ama a Língua Portuguesa.

Finalmente, depois de mais de dois meses de troca de correspondência com várias entidades na Assembleia da República, a ILC-AO está entregue.

Pormenor das caixas com com subscrições em papel e da “pen” com as electrónicas.

 

[Reprodução do original publicado no “site” da ILC-AO em 11 de Abril de 2019]

 

 

Porquê

 

«Porque chicoteia o senhor o seu próprio escravo, mesmo sabendo que o desvaloriza? Porque pode. Para lembrar ao escravo que é um escravo.
Do mesmo modo chicoteiam os acordistas a sua própria Língua, sabendo que a desvalorizam. Porque podem. Para dizer aos falantes que até podem usar a Língua, sim — mas os verdadeiros donos da Língua são eles
Rui Valente

 

 

As respostas estão muito bem escondidas por detrás de um biombo de palavras, este dissimulado por uma cortina de mentiras, tudo entre muros de silêncio, janelas cerradas, portas fechadas à chave. Ninguém sabe responder a coisa nenhuma porque ninguém sequer sabe que perguntas fazer. Para chegar à verdade, sepultada num sarcófago de chumbo em local secreto, é preciso percorrer um longo e irresolúvel labirinto, confuso, retorcido, repleto de becos sem saída.

Saturada a vox populi, à qual, à falta de melhor expressão, tanto se lhe dá como se lhe deu a questão, quanto mais ter sobre ela opinião, resta por fatalidade o recurso último (e único) de ao menos deixar testemunho e prova, sendo esta viável, dos desmandos, do destrato, da histórica vergonha — deliberado paradoxo — a que vão sujeitando malfeitores a Língua Portuguesa.

E, no entanto, é viável.

Aquele “vocabulário de mudança” mai-la sua caótica lista de palavras “afetadas”, o sarcófago, torna-se afinal acessível e assim, podendo qualquer um conhecer as respostas, saber cada qual que perguntas fazer — das quais a primeira será certamente a última: porquê?

 

 

Move-se a busca, é viável a demanda da prova e portanto, se dela deixarmos testemunho, poderá talvez traçar-se um roteiro para sair do labirinto, derrubar muros, abrir portas e por fim deixar a verdade, como a luz eterna, entrar pelas janelas abertas de par em par.


 

FAQ AO90

[Imagem de topo de: Pinclipart]

Volta ao AO90 por etapas – 9 a 11

(continuação)

«O Acordo não é mais do que um instrumento de política da língua. É esta política da língua, que tem grandes falhas, que deveria ser bem equacionada em prol da promoção da Língua Portuguesa no Mundo, onde ela é cada vez mais ensinada, falada e lida.» [Malaca Casteleiro, Parlamento, 02.05.2013]

Seria curioso, se bem que extremamente doloroso e certamente arriscado para quem se metesse em semelhante empreitada, que alguém coligisse ao menos uma pequena parte das inúmeras barbaridades proferidas por este notável mitómano desde que assumiu, surgido do nada e de nenhures, o cargo de embaixador itinerante do II Império brasileiro. Sempre com aquela sua característica vozinha lamentosa e sempre arvorando a mesmíssima cara-de-pau (digo, cara de pau), o indivíduo anda há décadas por aí, pregando o evangelho (digo, a cartilha) acordista, enquanto à sua volta as moscas param de zumbir, respeitosamente, os mosquitos caem fulminados de aborrecimento e as pessoas adormecem inopinadamente, umas com súbitos ataques de narcoplepsia e outras a conselho do médico, para evitar algum enfarte ou ataque de nervos, que isto ele nem toda a gente é parva, o malaquenho chorrilho de baboseiras pode ser perigosíssimo para a saúde.

Considerandos clínicos à parte, a verdade é que as pessoas evitam-no, pobre diabo, toda a gente se está perfeitamente nas tintas para Malaca, mas Casteleiro acha que não, não senhor, o “acordo ortográfico” é uma coisa montes de catita, e útil, e até que a Língua “era a única no mundo com duas ortografias oficiais“, e tal e coiso, não brinquemos com coisas sérias.

Ao invés das aparências, no entanto, não é esta figurinha — ainda que se julgue figura de proa – quem está ao leme, quem realmente comanda as manobras. Andou lá nos seus cruzeiros ociosos, praticando desde 1986 o turismo linguístico tão em voga, cada vez mais esporadicamente ainda vai botando faladura, mas com o passar dos anos — e já lá vão três décadas, nada menos — foi-se tornando dispensável (será descartável a curto prazo, se calhar).

A mão invisível rapidamente percebeu, logo após o Verão de 2010 e com crescente alarme, que a coisa já lá não ia só à custa de paleio desconchavado e de conversa fiada sobre a “língua universal” ou tretas do género. Malaca y sus muchachos que regressassem mas é a penates, por conseguinte, que voltassem a apanhar Sol em Copacabana e pó nas academias.

O ambiente em Portugal estava a ficar escaldantemente perigoso, quem diria, mas que maçada (isto é a cabeça da mão invisível a pensar, salvo seja), há que tomar medidas com urgência, quando não, lá se vai a RAR pelo cano abaixo, às tantas aquela coisa da ILC ou lá o que é escangalha-nos o arranjinho todo. Temos de atirar a matar sobre aqueles gajos, está na hora de fazer avançar a artilharia pesada.

Dois anos depois, escaldava o Verão de 2012, em resultado de um espectacular recrudescimento da contestação desde o lançamento da ILC-AO, os acordistas estavam de facto a passar um mau bocado.

Mas seria (foi) de uma grande ingenuidade presumir que os deputados iriam remediar o seu erro, que os políticos e seus patrões iriam desistir dos chorudos proventos (alguns dos quais já estavam a render), que os acordistas, por junto, iriam desistir do seu Grande Prémio: tinham ganho sem novidade de maior as oito etapas previstas, tudo lhes estava a correr conforme o “projetado”,  e afinal ainda teriam de pedalar mais?! Bom, paciência, pensaram eles, vamos lá a isso então, abrir mão é que não.

  • 9.ª etapa: 2012-2014. O sinal de partida desta etapa foi dado pelo primeiro agente a alinhar no pelotão, ainda em finais de 2011; agente esse que, por acaso, como diria a então presidenta brasileira, era uma agenta. Poucos meses depois apareceu outro agente, desta vez efectivamente um betinho, a julgar pela roupinha azul, e de imediato saíram do cavalo mais uns quantos peões de besta. Claro que nem todos pertenciam à 5.ª coluna, alguns não faziam parte da tal “artilharia pesada” ou, pelo menos, não tinham disso consciência, mas acabaram por proceder exactamente como se estivessem ao serviço da mão. Estes homens-de-mão, fica definida a expressão, corporizam uma antiquíssima táctica de guerra que evoluiu e se transmutou, em áreas tão diversas e aparentemente tão díspares como a espionagem política, a sabotagem comercial, o tráfico de influências, a economia subterrânea, o banditismo de Estado. A ILC-AO centralizava a luta contra o AO90, confundia-se já com a Causa anti-acordista; era uma ameaça e por isso mesmo transformou-se num alvo abater. Como? Bem, deitando mão a essa antiquíssima táctica — dividir para reinar. Os acordistas introduziram nas fileiras cavalos de Tróia, não apenas um mas uma manada deles, todos com a mesma incumbência primordial: fazer a Iniciativa implodir (a partir de dentro, é claro). Umas atrás das outras, começaram a surgir as intrigas, a maledicência e, sobretudo, as ideias “geniais”: a partir de Março de 2012, desataram os penetras a lançar “aCções” paralelas, multiplicaram grupos (falsos) no Fakebook e lançaram uma campanha negra de suspeição, calúnia e difamação a pretexto do número de assinaturas já recolhidas pela ILC. Ao longo de 2013 esses sabotadores foram assim  armando, a coberto da noite que é a ignorância, as cargas explosivas que fariam detonar na primeira oportunidade. O que sucedeu, de facto, no final desse ano: destruíram com mais uma “petição” o grupo parlamentar cuja formação a ILC tinha conseguido influenciar. A Iniciativa foi encostada às cordas, daí em diante estava confinada à defesa. O inimigo interno ia cumprindo com eficácia o “projeto”. Em 2014 já pouco faltava para a eliminação da ILC;  por arrastamento e definição, a Causa anti-acordista fora sequestrada, a contestação abafada, a verdadeira oposição silenciada. Mais uma etapa ganha, portanto, pela equipa verde e amarela.
  • 10.ª etapa: 2014-2015.  Mesmo assim, a luta contra o AO90 prosseguia. Depois do “boom” inicial” e dos solavancos subsequentes, o afluxo de assinaturas foi diminuindo — até porque as pessoas já não sabiam ao certo o que é que estariam a subscrever — e acabou por decrescer até… zero. Dois factos confluíram para tal: chegámos ao “fim da aldeia”, isto é, estavam esgotados os 2% da população a quem a “questão ortográfica” interessa de alguma forma, e milhares de potenciais subscritores estavam convencidíssimos de que “já tinham assinado isso”; e tinham assinado, de facto, mas não “isto” (a ILC), a maioria tinha assinado “aquilo” — uma das petições dos sabotadores, que para esse mesmo efeito, evidentemente, tinham sido lançadas. Confundir as intenções, desviar as atenções, minar a credibilidade, eis os três pilares em que assentava a estratégia acordista, a qual foi “efetivamente” cumprida à risca pelos paus-mandados. Entre meados de 2013 e meados de 2015 andaram numa fona, começando por organizar recolhas de assinaturas “para a ILC” (assinaturas essas que jamais entregaram), almoçaradas, jantaradas e outras patuscadas a pretexto das mesmas assinaturas “para a ILC” (enquanto iam cobrando quotas e contribuições aos convivas), prosseguindo com petições sucessivas e culminando, como “brinde”, no lançamento de uma “Iniciativa Popular de Referendo”. Aparentando terem saído da ILC, em conflito com a ILC porque a ILC estava “mal redigida” e era “suspeita” porque não divulgava “quantas assinaturas «temos»”, esses servidores da mão invisível saíam também da obscuridade, ainda que apenas por momentos, quais salvadores da pátria ortográfica gozando os seus 15 minutos de fama. Estas marionetas articuladas, cuja manipulação era evidente apenas para quem fosse capaz de ver os fios que as faziam agitar-se grotescamente, já tinham lançado — além de petição atrás de  petição –, uma queixa contra o Governo cá dentro, a seguir uma queixa contra o Estado português “lá fora”; até organizaram uma “manif” e tudo, caramba, mas que espantosos  truques de ilusionismo. Parece que por alturas do Natal de 2014, ou assim, zangaram-se lá as comadres; mas não se descobriram as verdades, nada disso, apenas duplicou o número de grupelhos no Fakebook, cada qual com seu “boss”, a cada grupelho seu “iluminado”, até que a abóbora da Celeste ficou cheia de estrelinhas periclitantes, um “espetáculo” do qual foram escapando, à cautela, as pessoas normais, horrorizadas com semelhante constelação de gente avariada. Na prática, era o “projetado”, já não havia qualquer luta de todos contra o inimigo comum, sobrava apenas a guerrilha interna, permanente e cada vez mais suja, de todos contra todos, cada um daqueles gangs virtuais competindo com os outros, a ver qual deles conseguia transmitir para a opinião pública a imagem mais vergonhosa. Simultaneamente, prosseguiu até ao total esgotamento a drenagem de militantes e activistas da ILC, aliciados pela putativa infalibilidade do tal “referendo” — uma retinta imbecilidade, miserável corolário do “projeto” — que soou então, a alguns ouvidos ligeiramente duros, como um belíssimo canto de sereia, mas que não passava afinal, é claro, do fúnebre canto do cisne. Pobres moucos.
  • 11.ª etapa: 2015-2018. E assim, de novo, há que reconhecer a maestria do plano e a esperteza do Chico que o “arquitetou”, também aquela etapa venceram os acordistas; que de novo também julgaram ter sido a última. Mas não foi. O máximo que conseguiram foi uma etapa intermédia, de neutralização (de Junho de 2015 a Julho de 2016). Azar o deles.   Afinal o cisne era de plástico, terá sido provavelmente comprado em alguma “loja do chinês”. O tal referendo, lançado à socapa após uma “votação” à maneira norte-coreana (de braço no ar, meia dúzia de bacanos num anfiteatro qualquer), resultou em absolutamente coisa nenhuma: quase quatro anos após o seu “espetacular” lançamento, continua a “recolher” assinaturas online, tendo já alcançado quase 0,6% das subscrições necessárias. Ena, ena. Entretanto, a ILC-AO renovada, com nova liderança, novo site e nova equipa de activistas, mas com a determinação, a convicção e a persistência de sempre, ressurgiu, qual fénix renascida das cinzas, numa segunda vida cujos auspícios não poderiam ser melhores: no dia 31 de Dezembro de 2018 estavam reunidas as subscrições necessárias e uns dias depois foi anunciada a iminente entrega da Iniciativa na Assembleia da República. Por fim, ao menos esta etapa, que muitos previam e outros tantos desejavam fervorosamente fosse a derradeira, os acordistas não ganharam.

Assim termina o relato da Volta ao AO90 por etapas. Do que se passou, portanto, já que o porvir ninguém pode adivinhar. Talvez ainda haja uma Volta do Futuro, como é tradição no mundo da pedalada, mas o que desde já podemos tomar por certo é que o passado da Volta não volta mas também já ninguém no-lo tira.

Foi extremamente cansativa a série de jornadas, teve muitos momentos de desalento e poucos ou nenhuns motivos de regozijo, liquidou reputações, destruiu carreiras profissionais, custou a alguns tudo o que tinham e até o que não tinham.

Pois que, ainda assim e por isso mesmo, depois de tantos anos de luta, não nos falte agora a paz de espírito de que se alimenta a consciência. Vencemos a última etapa de uma longa volta mas a corrida continua…

[Imagem do cavalo de Tróia: By Adam Jones from Kelowna, BC, Canada – Replica of Trojan Horse – Canakkale Waterfront – Dardanelles – Turkey, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=64144380]

Números, V3

 

Sim, esta é já a terceira versão.

A primeira, de 2017, utilizava os “dados” inicialmente disponibilizados pelo “Portal da Língua Portuguesa brasileira” e continha uma série de “posts” que tentavam explicar os quadros de resultados que foi então possível obter.

A segunda versão, bem mais recente e com outro fôlego, serviu para contrastar, completar e corrigir os dados de 2017, que o dito Portal foi alterando ao longo de 2018, disto resultando não apenas resultados mais exactos como também listas temáticas cada vez mais expurgadas — se não de todos, pelo menos da maior parte — dos inúmeros erros e imprecisões da “fonte”.

E então chegamos à terceira versão, que utiliza a plataforma “online” da Microsoft, integralmente em Excel. Mesmo para quem nunca na vida viu uma folha-de-cálculo (sim, com hífenes), espero que listas e quadros não cheguem para assustar seja quem for, até porque ninguém tem de calcular coisa nenhuma ou meter-se em alhadas técnicas. O Excel tem tudo a ver com lógica e pode, como sucede neste caso, tratando-se de analisar dados de (ou em) texto, ter muito pouco ou nada a ver sequer com a mais básica operação algébrica. Evidentemente, para chegar aos resultados todos os cálculos (em especial, de probabilidades) já foram feitos.

Basta, portanto, ver o que está nas listas e verificar os quadros. Havendo um pouco de curiosidade, é possível alguma espécie de manuseamento daquelas listas: por exemplo, pode-se ordenar os dados por tipo/coluna ou filtrá-los segundo determinado(s) critério(s). “Mexer” nisto é bem mais fácil do que parece e leva muito mais tempo a explicar quão simples é do que a testar essa simplicidade.

 

 

O produto final está pronto a consumir, sem agoiros, não vá aquilo provocar indigestões ou algo ainda pior. As conclusões são de tal forma evidentes que não há sequer margem para dúvidas.

Finalmente, depois de limpa toda a poeira que o “Vocabulário de Mudança” pretendia atirar-nos para os olhos, é possível ver com clareza este facto indesmentível: a “mudança” consistiu apenas em copiar as colunas com as palavras estropiadas à moda brasileira (OAPB1 e OAPB2) para cima das colunas (ON1 e ON2) da desortografia imposta pelo AO90 aos demais membros da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa Brasileira. Portanto, sem direito a relativismos ou tergiversações de qualquer espécie, o que aqui e agora se demonstra pode resumir-se numa singela, lapidar e horripilante frase: o AO90 significa a “adoção” integral da cacografia brasileira e implica a erradicação definitiva do Português-padrão.

A miserável manobra de ocultação deste facto culminou, por fim, em que alguns tugas tenham andado anos entretidos  a empastelar o “copy/paste”, trocando aleatoriamente (mas programaticamente) a ordem das colocações, com a óbvia finalidade de que se tornasse impossível perceber a golpada.

Azar o deles, com trabalho e boas ferramentas não há impossíveis. Removidas diversas camadas de mentiras, descobrimos, como num palimpsesto, que debaixo da reescrita está ainda e sempre a verdade — e que ela é totalmente diferente do que por cima rabiscaram mentirosos e falsários.


“Vocabulário de Mudança”: o filme

 

O AO90 é uma fraude colossal. Ponto, parágrafo.

Por mais que alguns tentem escondê-la ou pintá-la de outras cores, aquela abominável porcaria não passa de uma negra manobra política para, de um só golpe, liquidar o Português-padrão e impor a desortografia brasileira. Por mais que tentem dourar a pílula esses tais alguns, mercenários, vendidos e deslumbrados portadores de passaporte português, não há escapatória ou sequer atenuante alguma para o que estão a fazer e não têm a menor desculpa, ainda que infantilmente ridícula, para justificar o chorrilho de mentiras com que tentam enganar as pessoas.

Alguns daqueles tipos poderiam alegar insanidade mental, ainda que apenas temporária ou episódica, mas até para isso já se vai fazendo tarde. Reiterando, a maioria esmagadora de tão desprezível minoria não é de loucos, é de mitómanos incuráveis  que, portanto, não poderiam alegar outra patologia ou distúrbio mental, visto ser geralmente reconhecida a sua desmedida ambição. Restaria um ou outro caso que talvez pudesse safar-se alegando padecer de profunda, pura e simples estupidez, o que, sendo mais do que patente para qualquer pessoa normal (uma besta quadrada tresanda a milhas), deixaria pouca margem de actuação ilibatória para as competentes autoridades de saúde pública.

Na verdade, o “acordista” típico só pode ser — além de transitória ou definitivamente louco – ou convictamente ganancioso  ou selvaticamente mentiroso ou profundamente estúpido. De tais e tão homogéneas “qualidades” constitui o AO90 basta prova, como vamos vendo quotidianamente pelos efeitos e conforme periódicos testemunhos dos ditos vamos ouvindo quando em vez.

Seja qual for a perspectiva, o ângulo de análise, o tipo de abordagem ou o elemento de estudo — histórico, linguístico, cultural, social ou simplesmente técnico, pragmático, utilitário — o “acordo ortográfico” de 1990 não passará jamais, ainda que sob um escrutínio inexperiente, empírico ou até incompetente, de uma miserável (e evidente) mescla de engenharia política e de experimentalismo social para, orwellianamente, controlar as massas (em todas as acepções) e assim poderem roubá-las em total impunidade. Roubar, sim, o verbo não é nem casual nem arbitrário, que é disso que se trata quando vigaristas nos tentam enganar, dissimulando as suas reais intenções com uma “conversa” totalmente desprovida de sentido, quando procuram convencer-nos dos méritos da banha cobra ou dos benefícios para a saúde que existem no prática regular da queda-livre sem pára-quedas.

Politicamente falando, já que falamos de roubo, estamos conversados. O AO90 é estritamente político, não é acordo algum e de ortográfico nada tem.

Porém, visto que ainda há inocentes no meio disto tudo, servindo aqui o plural condescendente para atenuar a burrice dos ditos, também não virá grande mal ao mundo se — com pinças — usarmos diversos meios para desmontar as mentiras. Para isso mesmo serve uma coisa genericamente designada como “informática” e, em especial, um dos seus ramos mais especializados, a folha-de-cálculo.

Este, pelo menos assim o espero, não é um trabalho “tipo” mete-nojo, de e para académicos, contendo impressionantes hermetismos e tecnicismos  incompreensíveis para o mais comum dos mortais. Sem peer review porque não há peers e porque há pouco quem review (em especial quando isso não é pago), sustenta-se apenas na escassa credibilidade que em Portugal é por regra atribuída ao trabalho.

Trabalho esse, no caso vertente, cuja complexidade aumenta exponencialmente na razão directa da absoluta bandalheira (cá está um termo “técnico”, peço desculpa) da matéria-prima, isto é, dos dados em análise: como nunca será demais destacar, aquilo a que o Portal da Língua Portuguesa brasileira chama “Vocabulário de Mudança” é de um amadorismo a toda a prova, tornando virtualmente impossível qualquer espécie de tratamento informático com base nos dados para ali atirados à matroca.

Para tornar possível o impossível, portanto, foi necessário esticar em muito o tempo e levar a paciência a um extremo verdadeiramente budista. Todas as tentativas de normalização automática — ou de automatização das correcções — revelaram-se infrutíferas pelo motivo mais óbvio: os erros são aleatórios, o preenchimento dos dados na origem foi feito ao acaso, sem qualquer espécie de critério, norma ou método de recolha. A título de simples ilustração, veja-se o caso da colocação (antes e depois da vírgula, outro absurdo) das entradas em PT-BR e em PT-PT: o que vai antes e o que vai depois? Qual é a regra? Nenhuma.

Tornou-se por conseguinte necessário conferir e corrigir os dados de origem, linha a linha (6569), registo por registo (4 a 11 campos cada). Existem entradas com erros de acentuação e de maiúsculas iniciais, dados  casuísticos (por exemplo, o preenchimento dos dois campos “Notas” é à sorte) e ausentes em casos de igual teor ou tipo, terceiras e (raras) quartas alternativas sem espaço para tal, “gralhas” diversas, casos únicos sem qualquer indicação, espaços a mais ou a menos, enfim, toda a sorte (digo, azar) de imprevisíveis. Confesso que não entendo sequer em que  raio de suporte aquela coisa terá sido feita; só pode ter sido uma simples tabela de texto mas nem assim acertaram nos requisitos mínimos; até em processamento de texto há regras, uma lista informatizada de palavras não é exactamente o mesmo que uma lista de compras escrita à mão.

Seja pelas alminhas, então. Para já, como appetizers, temos aí uns quadros básicos (DIF/DIF, Invenções, M.I, N.A.P.) e outros se seguirão com certeza.

Excelente Excel, de tão bons resultados quanto fiáveis conclusões. Os quais revelam e as quais implicam tratar-se o AO90 de um filme de terror — que até os inocentes só não vêem se não querem.