Categoria: Causa

3%

«Fotografia aérea dos Liceus Salazar/D. Ana da Costa Portugal, actualmente Liceu Josina Machel. Situado na Polana, o complexo foi edificado no final dos anos 1940 e dos pontos de vista arquitectónico e funcional é considerado dos mais bem conseguidos.»«Fotografia aérea dos Liceus Salazar/D. Ana da Costa Portugal, actualmente Liceu Josina Machel. Situado na Polana, o complexo foi edificado no final dos anos 1940 e dos pontos de vista arquitectónico e funcional é considerado dos mais bem conseguidos.»

A ofensiva neo-colonialista continua, sistemática e implacável, qual rolo compressor, através da imposição brutal da língua nacional brasileira; com a cobertura política da sua invenção primordial — a chamada CPLB (Comunidade dos Países de Língua Oficial Brasileira) –, os mandantes brasileiros e os paus-mandados portugueses vão demolindo cada vez mais vastas zonas dos países que no passado foram colónias portuguesas;  paulatinamente e com a prestimosa conivência de “técnicos”, de “académicos” e, em especial, de políticos tugas (labregos deslumbrados, cretinos patológicos e vigaristas profissionais), a golpada está já largamente disseminada, começando a infectar outros países além de Portugal. Como é o caso relatado na notícia (pura propaganda) agora aqui reproduzido.

É arrepiante de facto. Como Portugal “já está” e enquanto ainda não lhes é possível enterrar o dente naquilo que de essencial os move, isto é, Angola, então no imediato segue-se, por exemplo, Moçambique (e Timor-Leste, servindo este micro-país como tubo de ensaio).

Muita coisa haveria a dizer sobre o episódio, se bem que tristemente sumarento, ou seja, amargo, porém não vale a pena maçar as pessoas com a irritante trivialidade das evidências: o Brasil mai-los seus tugas apaniguados desembarcaram em Moçambique, a 2.ª das ex-colónias portuguesas a ser abocanhada  (Timor-Leste também “já está”, como Portugal), e ali vão iniciando o seu trabalho de terraplanagem. Quais bandeirantes do avesso, com o solícito empenho do Ministro dos Negócios Estrangeiros e de outras entidades portuguesas igualmente cooperantes, os enviados do Itimaraty inauguraram — a coberto do AO90, o guião da palhaçada, e da respectiva “difusão internacional da língua” brasileira — a tomada de posse administrativa de Moçambique.

Para os 3% de Moçambicanos falantes de Português (na escrita, devem ser algo como 1%, ou coisa que o valha), a neo-colonização deve ser uma grande alegria, digo eu. Terá sido a um qualquer moçambicano, aliás, digo eu também, que repente ocorreu que. por exemplo, a maiúscula inicial nos meses do ano provocava imensas comichões e que era tremendamente incómodo (e inútil) ter de redigir um porradal de “consoantes mudas”. Pronto, é uma explicação como outra qualquer, agora já se sabe quem e porquê se lembrou de esgalhar o AO90, foi um moçambicano que certo dia acordou com os pés de fora.


Projecto do primeiro Dicionário de Português de Moçambique arranca com formação em Maputo


Jornal “Mundo Lusíada” (Brasil), 13.03.21

Da Redação
Com Lusa

Os trabalhos para a elaboração do primeiro dicionário de língua portuguesa de Moçambique (DiPoMo) arrancaram, em Maputo, com uma formação promovida pela Cátedra de Português da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), anunciou o instituto Camões.

O anúncio do arranque do projecto para o lançamento de um dicionário de língua portuguesa de Moçambique, com financiamento do instituto Camões, através do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), tinha sido feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no início de Março no parlamento português.

“É o primeiro dicionário da língua comum de Saramago e Mia Couto que se publicará fora de Portugal e do Brasil”, disse na altura Santos Silva.

De acordo com uma nota do instituto Camões, no âmbito do Projecto DiPoMo – Dicionário do Português de Moçambique, a Cátedra de Português Língua Segunda e Estrangeira na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo, promoveu, no início de Março, o primeiro curso de formação sobre a construção do “corpus do português de Moçambique”.

A formação, que decorreu de forma virtual, contou com a participação de investigadores e representantes de cada uma das províncias moçambicanas.

O Dicionário de Português de Moçambique surge na sequência da construção e publicação, em 2014, do Vocabulário Ortográfico Moçambicano da Língua Portuguesa – VOMOLP, “recurso que permitiu descrever o português moçambicano” e “desenvolver um primeiro recurso linguístico de larga escala”, segundo a nota.

O VOMOLP é parte integrante do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), acervo do qual constam vocabulários ortográficos de outros países de língua portuguesa.
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Uma questão de milhões

O que dizer sobre isto? Por vezes não é nada fácil conseguir, mesmo retendo com tremendo esforço os palavrões, apresentar ou sequer comentar aqui um artigo; bem sei que a principal “missão” deste modesto blog é constituir acervo sobre o AO90 (e outros detritos), e que, portanto, tenho mesmo de me aguentar à bronca, mas, porém, contudo, no entanto, bálhamedeus, já são demasiadas as ocasiões em que este masoquista exercício torna-se  absolutamente insuportável. Estes acordistas (e também os assimilados, ou seja, os que fingem ser contra) são, de facto, uns aldrabões do piorio; por regra, como agora de novo é o caso, mentem com quantos dentes têm na boca e apenas são capazes de debitar as tretas do costume.

Nem de propósito, como espectacular demonstração de tão inamovível quanto arrepiante premissa, eis aqui uma (inacreditável) entrevista de certa ex-governante, calculo, ex-Directora-Geral de Nãoseiquê, presumo, e ex-pessoa decente, imagino. Escusado será dizer, até porque isso é um vício comum entre os políticos em geral e os acordistas em particular, que mente por método e sistema, de cabo a rabo, sem ponta por onde se lhe pegue no paleio de chacha: um chorrilho, uma torrente, um tsunami de galgas.

Claro que o objectivo é promover os interesses geo-estratégicos do Brasil, aproveitando as raspas dos negócios (estrangeiros), se possível, isto é, correndo atrás das migalhas que porventura possam sobejar dos milhões traficados entre o “país-continente” e, por exemplo, o petróleo venezuelano, a carne argentina, as minas chilenas e até, se calhar, nunca se sabe do que são capazes os meliantes da “língua universáu”, produtos da Colômbia. Uma versão revista e aumentada da CPLP, por conseguinte, sustentadas ambas as teatralizações pela patranha fundamental, aquilo a que chamam “difusão da língua“; da língua brasileira, bem entendido, porque, dizem os mesmos, “eles são 220 milhões e nós somos só 10 milhões“. O Estado português, que paga a CPLP e as demais despesas das negociatas, incluindo os “pacotes” de “turismo linguístico” (ahahahah, boa malha, têm imensa piada com as desculpas para as roubalheiras, são uns pândegos), cala-se muito caladinho ou, mil vezes pior, alinha no caldinho.

Na promoção de eventos propagandísticos, sessões de esclarecimento de mentiras delirantes, igualmente escabrosas mas também hilariantes, o Estado português faz a todos nós, em nome da “expansão da língua” brasileira no mundo, o favor de torrar milhões sonegados aos nossos impostos.

Fica assim explicado, com todos os éfes e érres, esplendorosa e escarrapachadamente, o significado da expressão “valor económico da língua“, essa fulcral aldrabice que tanto os fascina e de que tanto se esticam nas suas ridículas prelecções.

Agora era capaz de citar o “jingle” do Euromilhões mas não queremos abusar, enfim, por algum motivo isto dos milhões (de dólares, por hipótese) provoca uns reflexos condicionados aborrecidos, é fácil, é barato e rima com aldrabões.

Já quanto a outro tipo de milhões, por assim dizer, ao que parece os 280 da CPLB (Comunidade dos Países de Língua Brasileira) afinal não chegam, agora o alvo da “difusão” é constituído por 800 milhões de alminhas, nada menos, soma aos tais 280 do Brasil e anexos (incluindo Portugal) os 50 de Espanha e os sobrantes 470 milhões acumulados no Uruguai, no Peru, na Argentina, na Colômbia, no Chile e nos restantes países da América do Sul e arredores.

Bem, convenhamos, de facto é um magote de respeito. E devem estar  todas elas, as referidas alminhas, da cordilheira dos Andes às Pampas, até aposto, lá estarão todos contentes, felizes da vida com esta coisa da OEI que uns señores simpáticos pariram, oh, extraordinário milagre, isto ele nem na América.

São tão altos dignitários — e destes, em especial, os que têm dedo para o negócio — realmente uns cómicos, por conseguinte (se bem que não tenham gracinha nenhuma) e, como se vê, essa chusma de maduros (salvo seja) apenas pretendem, segundo protestam — além da “difusão”, ou lá o que é –, o melhor para apascentar os povos: e estes outros, perdidos no meio de 800 milhões, agora também alardeiam com imenso salero e não menor precisão a vinda de tão fantásticos salvadores linguísticos da Pátria, oops, melhor dizendo, das pátrias.

Bem, longa história, abreviemos. A ver se a Espanha cai desse cavalo abaixo. Palpita-me que não.

Y olé, olé, ¡arriba, arriba! ¡Ándale, ándale!

 

A Estratégia da OEI para a língua Portuguesa

raiadiplomatica.info, 05.03.21

 

Em 2017 foi inaugurada a delegação em Portugal da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Ciência, Educação e Cultura (OEI). Em entrevista à Raia Diplomática, Ana Paula Laborinho, directora da OEI em Portugal, contou-nos a estratégia desta organização internacional para a difusão da língua portuguesa no espaço ibero-americano. Para além disso, ainda houve tempo para falar da dimensão científica, cultural…e da cidadania ibero-americana.

Quais foram as razões para a abertura de uma delegação em Portugal da Organização de Estados Ibero-americanos para a Ciência, Educação e Cultura (OEI)?

Portugal é Estado membro da OEI desde 2002 e, nesse sentido, desde essa data se perspectivava a abertura de uma representação nacional. Portugal tem participado desde [o] princípio nas Cimeiras Ibero-americanas e tem reforçado o seu interesse pelo espaço ibero-americano onde tem dois parceiros relevantes – Brasil e Espanha – mas também tem havido um aumento das relações com outros países da região, seja económica, seja cultural como foram os casos das Feiras do Livro de Bogotá (2013) e de Gu[a]dalajara (2018) em que Portugal foi o país convidado.

Durante vários anos foi a Directora do Instituto Camões. Quais são as diferenças nas suas competências na promoção da Língua Portuguesa como directora em Portugal da OEI com as anteriores funções de Directora do Instituto Camões?

As minhas actuais funções têm um âmbito centrado na região ibero-americana, o que desde logo se distingue das anteriores funções. Também se concentram nas áreas de actuação da organização – educação, ciência e cultura – enquanto as responsabilidades na área da cooperação da instituição que dirigi são muito mais alargadas. Fui recentemente nomeada Directora-Geral de Bilinguismo e Difusão da Língua Portuguesa da OEI, sendo a minha primeira acção melhorar a cooperação entre línguas em áreas em que a sua relevância é grande, desde logo a educação, incluindo o ensino superior, mas também ao nível da produção científica aberta e plurilingue, área fundamental para o reconhecimento internacional das duas línguas. Estamos também a desenvolver um grande esforço para tornar a OEI verdadeiramente bilingue, desde logo produzindo toda a sua documentação nas duas línguas, incluindo relatórios técnicos, mas também conferências, reuniões técnicas, o que tem possibilitado o envolvimento da CPLP, de que somos Observadores Associados e que também é Observador Associado da OEI.
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Os encantos da corrupção

«Eu casualmente conheci Pacheco. Tenho presente, como n’um resumo, a sua figura e a sua vida. Pacheco não deu ao seu paiz nem uma obra, nem uma fundação, nem um livro, nem uma idéa. Pacheco era entre nós superior e illustre unicamente porque tinha um immenso talento. Todavia, meu caro snr. Mollinet, este talento, que duas gerações tão soberbamente acclamaram, nunca deu, da sua força, uma manifestação positiva, expressa, visivel! O talento immenso de Pacheco ficou sempre calado, recolhido, nas profundidades de Pacheco!»
[Eça de Queirós, “A Correspondência de Fradique Mendes”]

 

Chame-se-lhe nepotismo, amiguismo, compadrio ou qualquer outra ternurenta designação do género, a verdade é que nessa alegre actividade, para variar e por excepção, Portugal e Brasil são de facto “países irmãos”; oh, sim, sim, sem dúvida, no que toca a usurpar cargos à conta de “cunhas” ou arrumar tachos consoante a seita, ah, caramba, em tal mister tanto os tugas  como os zucas são verdadeiros especialistas; e se alguém disser que na Itália ainda é pior, isso só pode ser por uma lamentável (e imbecil) carga de ingenuidade: os meliantes que integram organizações de crime organizado como a Mafia (ou a Camorra ou a Ndrangheta) são verdadeiros meninos de coro quando comparados com o crime desorganizado em Portugal e no Brasil.

Vem este intróito a propósito da geral orgia tachista que deu origem ao “acordo ortográfico”, abreviando uma longa história, inventado por agremiações informais de ladrões — de ambos os lados do Atlântico — mas suportado, incentivado e promovido por instituições formais, esses ninhos de compadres, correlegionários, compinchas, tachistas a granel.

A ABL, de que fala um brasileiro no artigo agora reproduzido, o qual, aliás, versa exclusivamente sobre o nepotismo ali vigente, tem o seu lamentável paralelo em membros da tuga ACL; não oficialmente na instituição, propriamente dita, cujo presidente pretende “despiorar” o AO90, mas em alguns bacanos que alegre e ociosamente envergam o traje cerimonial da lisboeta agremiação.

De certa forma, a colaboração — seja ela activa ou passiva — desses académicos na “adoção” em Portugal da cacografia brasileira torna-se compreensível: o papel de tais gerontes brasileiros e portugueses, tradicional e sumamente desocupados, isto é, sem nada que fazer, resume-se a produzir de vez em quando umas papeladas sobre o “acordo” e a mandar umas bocas pseudo-científicas para tentar justificar o AO90. Exercício fútil (e cretino), é claro, dada a impossibilidade técnica (e pragmática) de justificar o injustificável.

Sucede que o AO90, como bem sabemos, não contou na sua atrapalhada feitura com qualquer das duas Academias; quando muito, alguns dos “notáveis” de ambos os tugúrios (como Bechara, por exemplo e desgraça) juntaram umas papeladas à letrada aberração, a ver se porventura conseguiriam aldrabar algum patego ou catolizar um ou outro retardado.

Como sabemos também, ou ainda melhor, o AO90 foi exclusivamente cozinhado entre políticos indiferenciados, governantes (Cavaco, Lula da Silva, José Sócrates) e deputados do PS e do PSD.

Suas académicas sumidades não se meteram na marosca, pelo menos não de forma a comprometer-se em semelhante alhada, guardando assim nas profundidades de si mesmos, gravemente, prudentemente, o que talvez fosse da sua competência mas que o seu imenso talento emudeceu então e agora cala.

Os encantos da Academia Brasileira

jornaldiabo.com

O século XXI marca o fim de uma instituição que passou mais de cem anos no melhor do imaginário popular e das aspirações dos homens ligados de alguma forma à cultura. Trata-se da Academia Brasileira de Letras (ABL), criação de um grupo efetivamente de grandes valores intelectuais, liderados por Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Graça Aranha e outras referências da cultura em sua época.

Tendo a Academia Francesa como modelo, a ABL procurou sempre reunir aqueles que se destacavam, especialmente na criação literária. Mas sempre teve espaço para notáveis, como o caso dos presidentes da República, desde Getulio Vargas, eleito por aclamação em pleno Estado Novo, a José Sarney, com obra compatível, e Fernando Henrique Cardoso, sociólogo de esquerda, cuja contribuição à cultura foi ter tido nos seus dois mandatos um ministro da Cultura eficiente, Francisco Weffort, que, curiosamente, a Academia não elegeu. Mas, em troca de favores para a formação de seu património, hoje robusto, derrotou Juscelino Kubitscheck, campeão da pura democracia no Brasil. Não foi de direita nem de esquerda. A Academia sempre foi sensível a abrigar os donos de ‘Media’, como foram os casos de Assis Chateaubriand e Roberto Marinho.
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Malhas que o II Império não tece

Este artigo de “The Language Nerds” não é de simples opinião, não contém qualquer palpite e não é — evidentemente — propagandístico. Isto é pura constação de factos — consensuais entre todos os linguistas ou seja quem for que de alguma forma se interesse pelo assunto — e consiste no alinhamento lógico dos elementos exactos que suportam, documentam e explicam o título; título esse que, por mera técnica de escrita para captar a atenção dos potenciais leitores, está em forma de pergunta mas que afinal, pois claro, é uma afirmação: sim, toda a gente no mundo há-de acabar por falar Inglês.

Todo este conteúdo, portanto, é o oposto diametral do discurso anárquico (e sumamente enganador) dos acordistas brasileiros e dos seus obedientes lacaios portugueses. De resto, para uns e para outros a “cassette” é de todo indiferente; para essa espécie de vigaristas profissionais, mentirosos patológicos, basta dizer qualquer coisa, seja o que for, pela simples razão de que adoram ouvir-se a si mesmos e deliram com as bojardas que escrevem. Não é de todo necessário dizer alguma coisa de jeito ou que faça o mínimo sentido, basta babujar as tangas do costume sobre a sua querida cacografia “universáu”.

Não aceitam factos ou dados ou evidências, como sabemos, e por conseguinte odeiam que a realidade, essa abominável chatice, lhes estrague a bela teoriazinha, a “língua universal” brasileira, o “valor económico da língua” brasileira”, o II Império brasileiro, enfim, todas as “políticas oficiais” da treta que os tipos propagandeiam geralmente sem se rir.

Ora, em especial para os imensamente letrados brasileiros que esgalharam ou apoiam o AO90, coisa de 0,000001% em 200 milhões, o anti-inglesismo é um pouco estranho, visto que eles usam substantivos, verbos, adjectivos em Inglês (americano) usando uma “ténica” bizarra: adaptam à matroca (e a martelo) os termos americanos originais ou traduzem-nos literalmente para brasileiro. Daí as sua pérolas de “coltura” como deletar, usuário, subir (upload), baixar (download), etc.

Gostariam imenso de trepar num qualquer “ranking” das línguas mais faladas, ou coisa que o valha, mas não têm sorte nenhuma: a língua brasileira jamais terá a menor hipótese, nunca passará das suas próprias fronteiras; invadiu Portugal, pretende extinguir a nossa Língua, começa já a contaminar as ex-colónias portuguesas, mas nem assim o seu neo-imperialismo linguístico passará de um ridículo, inconsequente e irrelevante linguajar.

Pretendem empurrar o Português para fora da História, para o precipício do esquecimento. A “revisão” do AO90, implícita no próprio texto do “Tratado” desde a primeira versão (de 1986), conduzirá ao mais do que evidente objectivo final (Endlösung) que meia-dúzia de brasileiros e uma mão-cheia de vendidos portugueses desejam com ganância: incluir o Português-padrão no clube das línguas mortas, enterrá-lo na honrosa companhia dos honoráveis cadáveres dos idiomas minoritários extintos.

Will Everyone In The World Eventually Speak English?

thelanguagenerds.com

We can’t predict the future, but we can certainly learn from the past. And the answer to the above question is a resounding NO. Of course, you may have a difference of opinion, but consider the line of reasoning first. While it is true that more than 50% of the 6000-7000 languages in the world are endangered and will be dead in a matter of a century, that still leaves billions of people speaking the rest of the remaining languages, which can be numbered between 600-700. Compared to one, this is a huge number.

Not only that. The concern that is spreading now with the popularity of English and that it could replace other languages is not a new thing. In fact, people throughout history thought the same could happen with other languages. Let’s see some of them below.

1. Greek:

We all know the flourish that Greek enjoyed in the last three centuries BC. Its prestige and practical value, especially to the peoples in the Mediterranean basin, were immense. It was the primary language in which science, commerce, and art were carried out. Important matters such as trade and politics were discussed overwhelmingly in Greek, similar to English today, and with few real competitors than English has. Then rose Rome, and the political situation eventually changed. The popularity of Greek started to shrink. It gradually decreased and now used only in the eastern Mediterranean. Then, after the Muslim conquests, it shrank even more, as it was spoken only in Anatolia and Greece. Then, it shrank even further after the Ottoman conquests. Then, after the population exchanges in the 1920s, Greek met its ultimate semi-demise and was confined to Greece only. Although Greek didn’t completely die out, it didn’t replace other languages and was not even close. It didn’t replace even the languages in the area in which it had been spoken for three millennia.


2. Latin:

The spread of Latin was enormously accelerated with the rise of the Roman empire, which disseminated Latin across a wide area including western Europe, North Africa, and parts of the Balkans. But again, the equation of power changed. The Arabs took over North Africa, the Slavs took over the Balkans, the Germanic tribes took over England, Rhineland, Austria, and Switzerland. This resulted in the total displacement of Latin from these areas, and ultimately the colloquial verities that remained disintegrated into unintelligible varieties that we know today as Spanish, French, Italian, etc, with Classical Latin a completely dead language. (Read about how Latin is not dead and still spoken today [here]).

The distribution of Latin

3. Arabic

Arabic had gained a tremendous status and prestige in the 7th century not just in the Arabian Peninsula, but throughout the whole of the Middle East and far out into North Africa. Muslim conquests played a major role in spreading Arabic in these areas, exploiting the unprecedented weakness of Byzantium and Persian empires. It replaced Greek in the major cities and many Afro-Asiatic languages like Aramaic and Coptic in the countrysides. Briefly after two or three centuries, however, the Muslim Caliphate collapsed, and with it collapsed the status and prestige of Arabic. Now Arabic shrank into a language mostly used for religious purposes.

The distribution of Arabic. From Wikipedia

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Alves dos Reis

O ex-Reitor da Universidade Aberta diz nesta entrevista, por entre muitas outras imaginativas mentiras, que “foi insultado” por gente decente mas que ele “nunca insultou ninguém”. Uma verdadeira avis rara, este ex-Magnífico, capaz de afirmar uma coisa com denodo e empenho e logo a seguir jurar o contrário, o exacto oposto da tese inicial, proferindo ambas, a tese e o seu contrário, com a mesmíssima cara-de-pau. Mesmo a pedi-las, portanto, este outro Alves dos Reis.

Evidentemente, será mera coincidência que ambos os “amigos do alheio”, ora mencionados pela comum esperteza saloia, batam na aldraba os mesmos apelidos; porém, caso para tal sejamos servidos dos favores de Themis (ou Justitia, para os romanos e os amigos), há-de ser algo interessante interpretar certos sinais comuns, por assim dizer. De resto, se nos restringirmos ao essencial, podemos estabelecer um paralelo entre um roubo do século (XX) e outro roubo do século (XXI).

Alves dos Reis emitiu em nome do Banco de Portugal um camião cheio de notas de 500 escudos com a efígie de Vasco da Gama. Este outro Alves dos Reis, o ora entrevistado, participou activa e selvaticamente na eliminação administrativa do Português-padrão e sua substituição por uma espécie de cacografia fonética, a da língua brasileira.

Não resulta claro a qual dos dois será mais justo atribuir o “troféu” de Maior Roubo de Sempre, mas estou em crer que o assalto à Ortografia portuguesa tem uma preponderância que nem carece de comparação com a performance do outro vigarista profissional, o que forjou para si mesmo um diploma de “engenheiro” e que deixou para a História o inegável legado de ter lesado o próprio Banco de Portugal, num quantitativo obsceno representado por notas mais falsas do que o “leão” de Rio Maior ou as camisolas Lacoste das feiras.

Liquidar a Língua Portuguesa a golpes de garganta e com requintes de malvadez é, de facto, uma coisa para constar dos anais (salvo seja) que ameaça transformar-se na mais miserável traição à pátria de todos os tempos, na mais malévola manobra de demolição do património identitário nacional, na perversão radical do próprio conceito de Cultura e da consciência daquilo que o saber envolve.

Ou seja, porque o AO90 contende com tudo e é parte integrante da nossa memória colectiva, isto é, da nossa própria identidade enquanto povo, com uma História a preservar e verdadeiros tesouros ancestrais a defender, quem participou nas secretas negociatas do “acordo” deveria ao menos — caso tivesse um pingo de honestidade intelectual e mais do que dois neurónios — cobrir-se de vergonha.

Nesta matéria, nem a pusilanimidade característica dos auto-intitulados “anti-acordistas” explica tudo. Aliás, essa tibieza ilustrada não explica absolutamente nada mas a verdade é que toda a gente baixa as orelhinhas e segue cantando e rindo, lambuzando-se de vez em quando com uma ou outra pilhéria sobre o gang de meliantes que pretende acabar com o Português e “adotar” os sinais gráficos do falar brasileiro. Nem uma só palavra agora, ou as que há são escassas e tipicamente fraquinhas, nem mesmo um simples soerguer de sobrancelha quando, como sucede nesta entrevista, um dos patronos do AO90 mente com imensa lata e não menor cagança.

Mente quando diz que nunca insultou fosse quem fosse, à boleia do AO90, mas acusa todos os anti-acordistas de serem “autistas”.

Mente quando usa a cartilha da propaganda oficial, esse rol de pseudo-argumentos, todos eles inventados e todos eles ridículos por igual.

Mente quando garante ser um purista da língua, um “conservador” empedernido das enciclopédias “puras”, sempre equipado com uma faca nos dentes para estripar anglófonos, estrangeiristas e bárbaros, quando afinal pára em todos os sinais de “STOP” e se calhar tem já em casa um nada desprezível STOCK de livros em puro brasileiro.

Mente quando estabelece um paralelo, como se houvesse nisso algum nexo causal, entre um simples erro — uma das inúmeras bacoradas com que nos presenteiam intelectuais da corda e até ministros sem pasta nem tino — com a abominável caterva de aleijões sortidos que inventaram os malacas e os Reis deste vale de lágrimas.

Mente ao garantir que o “acordo” é um facto consumado, qual maldição divina, qual “decisão irrevogável” do Mafarrico, como se o embuste colossal  fosse um simples bilhete caducado, uma franquia carimbada, um pacote de bolachas já bolorentas.

Mente quando fala em “reajustar” o que sabe perfeitamente ser imutável, segundo os ditames dos brasileiros. O AO90 é uma golpada estritamente política, sem ponta de ortografia por onde se lhe pegue, portanto não é “reajustável” — é somente rasgável.

Enfim. Basta! Até espiolhar patranhas na cabecinha do ilustre cromo, como quem cata piolhos, acaba por transformar-se num exercício danado, cruel, excruciante, porque de facto na referida cabecinha vai um festival de piolheira, mentiras a rodos, aquilo morde, aquilo dá uma coceira danada, aquilo é às centenas de bichinhos. O homem é o cúmulo da bajulação ao “país-continente” e ao patronato das famílias paulistas e cariocas.

Que fique a penosa leitura da longuíssima (e chatérrima) entrevista — ou então só do pequeníssimo excerto aqui citado —  pelas alminhas de quem teve a sorte de ir arejar para mais razoáveis paragens, ou que por simples curiosidade antropológica, exercício de subtil masoquismo, caso a alguém porventura apeteça conferir as tangas deste Alves “dos” Reis que, ao invés do outro, não tem nada que saber, é só ler e constatar o óbvio: mas que aldrabão, Deus me perdoe.

Ou Belzebu, que bem mais é entendido na matéria, nos nada misteriosos descaminhos das palavras.

[…]

sA — Como é que a literatura, que é essa arte da paciência, vai resistir às sociedades impacientes, apressadas, fragmentadas que já substituem as palavras por abreviaturas?

CRHá indicadores que nos dizem que continuam a publicar-se muitos livros. O caso Harry Potter é um fenómeno interessante. Milhões de livros vendidos e fanaticamente lidos por jovens fazem-nos pensar em duas coisas: uma é que há esperança, afinal não há falta de leitores; a outra é que a leitura não será para toda a gente. E temos de saber viver com isso.

sA — E o que pensa dessas hipóteses que coloca?

CR — Quando digo que o acto de ler não será para toda a gente, faço a afirmação não no sentido elitista, mas na perspectiva da predisposição cognitiva individual. Encaro isso do ponto de vista técnico, não sócio-económico. Haverá pessoas com predisposição para os vídeos jogos, por exemplo, outras para outro tipo de interesses. É nesse sentido.

sA — Referia-me também ao uso crescente de abreviaturas, à perda de hábito da escrita completa. Considera que esta tendência conduz a um empobrecimento da linguagem e, com ela, do próprio pensamento?

CR — Existe, claro, esse risco. Devo dizer que eu não sou capaz, escrevo tudo direitinho, as palavras todas e completas, com pontuação, etc. Agora, o que é preciso é dizer às pessoas que há contextos em que essa forma mais simples de escrita não é correcta. Porque o que a linguagem tem, ao mesmo tempo, de complexo e de muito rico é a sua maleabilidade para se adaptar a diferentes contextos de comunicação.
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Diz que coiso e tal

Lari e Hugo – 135K subscribers
Larissa, como é que você aprendeu a falar português de Portugal? É muito difícil? É muito diferente? Você demorou quanto tempo pra entender tudo? haha Recebo várias mensagem assim diariamente!! E no vídeo de hoje resolvi ser professora por um dia e vim “vos ensinar” a “FALAR PORTUGUÊS DE PORTUGAL” de uma maneira rápida, prática e fácil!! Quem aí tá animado? Vamos lá comigo que tenho a certeza que vai ser divertido!!

Uma das bacoradas favoritas de acordistas (e outras não menores mas de aparente sinal contrário) é esta coisinha intocável: «o falar influencia a ortografia mas no sentido inverso ‘no pasa nada’». Estabelecido na sua mirrada cabecinha tão grosseiro quanto idiota axioma, estendem-no como se fosse um tapete a outras “verdades” de igual ou semelhante calibre: por exemplo, diz que «a ortografia não passa de um código arbitrário para simples transcrição da fala», assim como diz que, ainda por exemplo, que «o AO90 não altera o modo de falar, só “afeta” a escrita».

Ora, evidentemente — e neste ponto dá imenso jeito aos acordistas a metáfora do tapete, para debaixo do qual varrem os argumentos contra os seus ditames –, qualquer aluno da 4.ª Classe (do 5.º Ano, vá) sabe e já percebeu que a via é bi-unívoca, dá para os dois lados, salvo seja, a fala afecta a escrita assim como a escrita influencia o modo de falar. Veja-se (e oiça-se) o que já se vai passando por aí, o emudecimento (por via da caça à consoante dita muda) daquelas coisinhas que antes eram sílabas tónicas (em Portugal e PALOP) e que agora até locutores de TV ou rádio fazem soar conforme lêem textos estropiadas pelo AO90 segundo a “lógica” fonética brasileira (em que todas as vogais são mais tónicas do que o Gin); a peçonha acordista já chegou ao inimaginável ponto de alguns não apenas tentarem ler o brasileiro com sotaque português (ou seja, sem sotaque algum) como, ainda por cima, os mais expeditos a engraxar brasileiros desataram já a “imitar” o próprio léxico brasileiro: os advérbios de modo foram abolidos (é tudo “fácil”, nada é feito facilmente, o que antes se fazia rapidamente agora faz-se “rápido”, e assim por diante), já não há pessoas, o que há é “oi, minha gente” (ou algo do género, igualmente asqueroso), volta-e-meia ouve-se tugas a balbuciar “registro” em vez de registo, o verbo “dizer” foi também administrativamente abolido, agora é “falar”, ele “falou” que ou, pior ainda, “ele me falou que”.

São aberrações destas (sim, isto é que são aberrações, fora o resto) que levam um ser-humano a interrogar-se “mas onde raio guardei eu a pistola”.

De semelhante cambada, de tais e tão estranhos fenómenos, temos aqui dois exemplos (também eles) contrastantes; lá em baixo, como o tiroliroliro, temos uma espécie de exposição do “mundo das línguas”; lá em cima, como se fosse o tiroliroló da loucura, temos a demonstração prática do processo de colonização linguística em curso.

Ao mundo dos conceitos básicos na matéria, traduzido sem calão da árvore em imagem, junte-se o vídeo com efeitos especiais de uma rapariga brasileira ensinando a seus patrícios como comunicar com os selvagens que habitam nesta sua nova província.

Que horror.

Viagem ao extraordinário mundo das línguas – Opinião

Marco Neves
24.sapo.pt
24.01.21

 

Fechado em casa, apetece-me fazer uma viagem pelo mundo das línguas. Vou escrever um facto sobre uma língua de cada vez. A língua seguinte terá de estar ligada à anterior pela geografia ou de outra maneira. No fim, regresso ao nosso país.

 

GALEGO | Será uma surpresa em Portugal, mas há galegos que consideram o galego e o português a mesma língua. As opiniões dividem-se, mas uma coisa é certa: se não forem a mesma língua, dificilmente encontraremos duas línguas mais próximas do que estas.

CASTELHANO | A língua aqui ao lado tem 5 vogais. Por cá, usamos umas 14 da boca para fora. É uma das razões pelas quais é tão difícil aos vizinhos perceber o que dizemos. Para compensar, na escrita, têm uma letra vogal adicional: o <y>.

BASCO | É a única língua não indo-europeia da Península. Na Europa, há mais umas quantas: o maltês, o turco e as línguas urálicas como o húngaro, o finlandês e o estónio (sem esquecer outras da família, como o lapão). O basco é a única sem familiares.

CATALÃO | Na Idade Média, foi uma importante língua do Mediterrâneo. Os primeiros textos conhecidos em catalão são mais antigos do que os primeiros textos escritos em galego ou português.

OCCITANO | A língua tradicional do Sul de França é hoje falada por poucos, mas recebeu um Prémio Nobel da Literatura antes do inglês ou do italiano. O laureado foi Frédéric Mistral, em 1904.

FRANCÊS | A ortografia francesa está particularmente distante da fonética da língua. Uma palavra como «août» é lida por muitos franceses simplesmente como [u]. A conjugação verbal é também muito mais simples na oralidade do que na escrita.

NEERLANDÊS | Apesar de, em Bruxelas, ser mais fácil encontrar quem fale francês, o neerlandês é a língua mais falada na Bélgica, onde era tradicionalmente chamada de «flamengo». Por cá, também usamos o termo «holandês» para designar a língua.

FRÍSIO | Esta é a língua mais próxima do inglês. Mesmo assim, são muito diferentes, porque o inglês sofreu profundas alterações (e o frísio também não deve ter ficado parado). Aqui fica uma frase em frísio: Myn namme is Marco en ik kom út Portegal.

INGLÊS | É uma língua germânica apaixonada pelo léxico de origem latina. Vindas do francês, do latim ou de outras línguas românicas, há tantas palavras latinas no inglês que é quase um membro honorário do nosso clube. Note-se: no inglês, as palavras latinas tendem a ser mais formais.

SCOTS | Ane leid is ne’er eneuch!* Na Escócia, fala-se gaélico (nas Terras Altas), inglês (à escocesa) e ainda Scots, considerado por uns dialecto do inglês e por outros língua separada. Uma coisa é certa: tem uma antiga tradição literária. [*Uma língua nunca é suficiente!]

NORUEGUÊS | Tem duas normas oficiais, ambas ensinadas nas escolas, cada uma com variedade interna considerável: o nynorks («novo norueguês») e o bokmål («língua dos livros»). Esta última é a mais usada e também a mais próxima do dinamarquês.

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