Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Categoria: Causa

“O mundo da lusofonia tem de assumir que a liderança é do Brasil” (Marcelo Rebelo de Sousa)

CPLP em Cabo Verde Foto: TIAGO PETINGA/LUSA

CPLP em Cabo Verde Foto: TIAGO PETINGA/LUSA

 

CPLP aprova recomendação de “esforços para implementação do Acordo Ortográfico”

A Declaração de Santa Maria, aprovada na XII Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Cabo Verde, inclui uma recomendação para “o desenvolvimento de esforços para a implementação do Acordo Ortográfico”.

No texto aprovado na FXII Cimeira da CPLP, que decorre em Santa Maria, na ilha do Sal, Cabo Verde, lê-se que os Estados-membros “recomendaram o desenvolvimento de esforços para a implementação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, instando à sua ratificação e ao estabelecimento de formas de cooperação efectiva para a elaboração dos Vocabulários Ortográficos Nacionais (VON)”.

Por outro lado, os nove Estados-membros “tomaram nota, com satisfação, da dinâmica desenvolvida pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), assumindo-se, cada vez mais, como uma instituição de carácter multilateral e fórum de planeamento e coordenação de projectos ligados ao fortalecimento da Língua Portuguesa”.

Neste plano, “expressaram o seu reconhecimento pelos significativos avanços dos projectos ‘Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC)’ e ‘Portal do Professor de Português língua estrangeira/língua não materna (PPPLE)’, sob responsabilidade do IILP”.

Ainda no que respeita ao ILLP, “reconheceram os esforços desenvolvidos” por este instituto “na articulação com os Observadores Associados”.

Criada há 22 anos, a CPLP tem actualmente nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A XII Cimeira da CPLP, que marca o início da presidência rotativa desta organização por parte de Cabo Verde, começou na terça-feira e termina hoje, com a participação de todos os chefes de Estado, menos o de Timor-Leste, e ainda dos primeiros-ministros português e cabo-verdiano.

Source: CPLP aprova recomendação de ″esforços para implementação do Acordo Ortográfico″

As letras em falta no original do artigo foram automaticamente repostas pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

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‘Não há dinheiro, não há palhaços’

Directora apreensiva com indefinição sobre liderança do IILP depois de Dezembro

A directora do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), manifestou-se, em entrevista à agência Lusa, preocupada com o futuro desta instituição da comunidade lusófona devido à indefinição sobre a liderança e aos recorrentes problemas financeiros.

 

Marisa Mendonça, que deixa a presidência do IILP em Dezembro, mostrou-se apreensiva por não existir, até ao momento, decisão sobre quem assumirá a direcção do instituto a partir dessa altura ou manifestações de interesse no cargo.

Cabo Verde assume a presidência da comunidade lusófona na XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), agendada para 17 e 18 de Julho, na ilha do Sal.

As propostas sobre os países que irão assumir a liderança dos órgãos da comunidade são aprovadas durante as cimeiras, mas até ao momento não é conhecida a vontade de qualquer país em apresentar uma candidatura.

“Ainda não há uma decisão neste sentido e isto está a deixar-me, de certa forma, muito apreensiva. Estranhamente, até este momento, estamos a menos de 15 dias da cimeira da CPLP, e não há nomes“, disse.

Marisa Mendonça considerou que “seria bom perceber quais são os países ou as pessoas que se estão a perfilar” para a direcção deste organismo, lembrando que, aquando da sua nomeação, Moçambique propôs “muito cedo” o seu nome.

A directora executiva do IILP, que cumpre o seu segundo mandato à frente da instituição, manifestou-se também preocupada com os atrasos recorrentes no pagamento das quotas por parte dos países-membros, adiantando que o instituto tem estado a funcionar com 8% do seu orçamento.

“A nível financeiro estamos numa situação complicada. Quando entrei fizemos um grande esforço de contacto com os Estados-membros, que estavam com uma dívida global acima de um milhão de euros, quatro orçamentos anuais do IILP. Não preciso de entrar em grandes pormenores para se perceber a dificuldades de gerir o instituto nessa situação”, disse.

Adiantou que a dívida chegou a reduzir para 300 mil euros, mas que actualmente ascende a mais de 800 mil euros.

“É uma dificuldade imensa, temos compromissos assumidos diante de outras instituições que dão cobertura técnica às nossas plataformas, aos nossos projectos e andamos muitas vezes com o coração nas mãos, porque não sabemos como honrar os nossos compromissos”, reforçou.

Marisa Mendonça assinalou que se trata de “uma situação recorrente e que vem do passado”.

“Temos vivido sempre com este problema a nível financeiro. Isto não nos permite dar outros passos, temos obrigações, orientações plasmadas nos planos de acção de Brasília, de Lisboa e de Díli, mas temos de ser muito cautelosos quando pensamos abrir mais uma frente de trabalho e trazer outras dimensões àquilo que é a actividade do IILP”, disse.

Ainda assim, a directora executiva do instituto faz um “balanço positivo” do seu mandato, manifestando a expectativa de que os projectos em curso não sejam postos em causa.

“Fez-me muito trabalho, temos projectos em bom nível de desenvolvimento, seria realmente uma pena que estes projectos não pudessem ser continuados. É muito importante pensarmos como é que essas actividades vão continuar, mas antes de pensarmos nisto temos de pensar na consolidação da instituição, temos de pensar noutras formas de manter a instituição viva e com as condições que obrigatoriamente tem de ter”, considerou.

Marisa Mendonça sublinhou a importância de ter dado continuidade aos projectos que estavam em curso na organização – Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), Portal de Português Língua Estrangeira e a Revista Plateau, bem como de ter conseguido iniciar novos projectos.

“Iniciámos e estamos a desenvolver três projectos: CPLP – Comunidade Mais Leitora, que visa o desenvolvimento e promoção da leitura e da escrita, como uma estratégia comum a todos os países da CPLP, o dicionário de autores de literaturas africanas de língua portuguesa, que é a transformação de um dicionário em formato físico num dicionário virtual, e as terminologias científicas e técnicas comuns da língua portuguesa”, enumerou.

Para Marisa Mendonça, este último projecto será “bastante importante” porque “vai trazer uma plataforma consensualizada de terminologias que poderão ser um apoio fundamental para as actividades tanto de tradução como de interpretação de conferências”.

Marisa Mendonça apelou às autoridades cabo-verdianas, que vão presidir à CPLP e país onde está a sede do instituto, que olhem para o IILP “com outra atenção”.

Sediado na cidade da Praia, o IILP é um instrumento para a gestão comum da língua portuguesa, envolvendo todos os Estados-membros da CPLP.

CFF/RYPE // VM

Lusa/Fim

https://24.sapo.pt/noticias/internacional/artigo/diretora-apreensiva-com-indefinicao-sobre-lideranca-do-iilp-depois-de-dezembro_24501232.html

[A transcrição deste texto da Brasilusa, como de costume estropiado pelo AO90, foi corrigida automaticamente pela solução Firefox contra o AO90. Destaques meus.]

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«Queremos um português com as características idiomáticas brasileiras»

EXPLICAÇÕES ORTOGRÁFICAS PARA O PORTUGUÊS

Palavras escritas com SS, Ç, SC, C, X, XC geram muitas dúvidas. Afinal, há explicação para tantas diferenças? 

A questão ortográfica da Língua Portuguesa é bem polêmica. Muitas exceções e poucas reflexões convincentes. Nunca me conformei com explicações como: “É assim e pronto!

”Sempre achei horrível não saber, por exemplo, por que a palavra EXCEÇÃO é escrita com “Ç”. Sabemos, pelo contato de comunicação do dia a dia, que algumas pessoas escrevem com “SS” e acabam cometendo o tal “erro” ortográfico.

Este suposto equívoco não ocorre apenas por conta do desconhecimento da regra ou pelo uso. Muitas vezes, ele ocorre por falta de informação. Vamos analisar a origem do vocábulo.

EXCEÇÃO (com “Ç”) significa aquilo que está excluído de um todo. A palavra se originou da raiz latina “CAP”, que significa pegar. Para você entender melhor, essa raiz latina também originou a palavra CAPTEI, isto é, “peguei, compreendi”. O particípio latino da raiz “CAP” é “CAPTUS”, ou seja, aquilo que é pegado.

Para se formar uma palavra com a ideia daquilo que é pegado para fora, diferente ou fora de um todo, colocou-se o prefixo latino “EX”, que significa “para fora”. Com isso, a palavra formada foi: EXCAPTUS, aquilo que é pegado para fora.

Veja: CAP (pegar) formou CAPTUS (pegado), que formou EXCAPTUS (pegado pra fora).

O particípio latino formado com a consoante T (TUS) vai gerar, em Língua Portuguesa, a “terminação” com Ç.

Assim, EXCAPTUS forma EXCEÇÃO. Para você entender melhor, veja outro exemplo. NARE, verbo latino que significa nadar, tem o particípio NATATUS (aquilo que foi nadado) e forma NATAÇÃO (com Ç).

Veja: NARE formou NATATUS, que formou NATAÇÃO.

Alguns colegas alegam que as crianças dos ensinos fundamental e médio, e até adultos do ensino superior, não conseguiriam entender tudo isso. Eu não concordo.

Em uma sociedade altamente desenvolvida do ponto de vista da tecnologia, com ferramentas de realidade aumentada, internet cognitiva e inteligência artificial, os jovens compreendem questões muito mais complexas, sem o menor problema. O que devemos mudar mesmo são os nossos conceitos.

Explicações históricas e coerentes podem auxiliar o aprendizado e, ainda, o interesse pelo idioma.

Queremos um português com as características idiomáticas brasileiras, mas, também, com explicações mais consistentes do que um simples: “É isso e pronto!”

Source: EXPLICAÇÕES ORTOGRÁFICAS PARA O PORTUGUÊS – Prisma – R7 Português de Brasileiro

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A “monstruosa agremiação de pessoas”

«Em Lisboa há uma Academia Real das Ciências, grande título que por si se impõe, deduzindo-se que Lisboa possui sábios e se encontra dotada com um lugar onde se honra e cultiva as ciências… Risum teneatis amici, porque esta Academia não passa de um madeiro que, ao flutuar na água, por vezes pode aparentar um grande barco.»
«Esta Academia é uma monstruosa agremiação de pessoas, umas que não sabem nem têm nada a fazer, outras que não sabem nem querem fazer nada, e ainda de alguns sujeitos que se mexem muito para fingirem que andam muito ocupados e que, no entanto, não produzem mais que aqueles que nada fazem.» [“Panorama de Lisboa no ano de 1796”, J.B.F. Carrère]

 

Se o ridículo matasse…

Afinal, ao que parece, algumas pessoas, até do “respeitável Público”, levam a sério a espécie de sarau que a lisboeta “Academia das Ciências” está a preparar para amanhã, 10 de Julho de 2018.

Ao que parece também, afinal os paineleiros não serão exactamente os anunciados em cartaz para abrilhantar a coisa, mas isso, uma ou outra lacuna, aquela ou aqueloutra ausência (decerto imediatamente colmatada por algum “académico” da assistência, é favor uma das 15 pessoas presentes levantar o braço, obrigado, então pode ser aquele cavalheiro ali ao fundo, o de bigode), não há-de ser nada de cuidado, a eleição da Miss Mundo Lusófono decorrerá conforme previsto, dê lá por onde der.

Mantém-se o programa na íntegra, a julgar pelo que diz o “respeitável Público”, apenas com uma ligeira diferença, questão de pormenor, nada de ainda mais absurdo ou ridículo do que o inicialmente previsto: um dos modelos prevê a oficialização do Português como “língua minoritária”, expressão técnica esta que designa um conceito totalmente estranho aos cerca de 99,999% de cidadãos que jamais chegaram sequer perto da tristonha fachada da ACL.

O que isto significa, traduzido em miúdos, para que as outras pessoas, as normais,  entendam, é que  dentro daquelas tão vetustas quanto impenetráveis paredes preparam-se, uns quantos gatos pingados de borla, capelo e lata, para oficializar num papel, de uma vez por todas, a “solução final“, a liquidação sumária, a extinção definitiva da Língua Portuguesa enquanto património histórico e identitário. 

O que vale é que ninguém lhes liga nenhuma, aos gajos das borlas mai-la sua senil ociosidade.

Qualquer documento que decida exarar, portanto, esse académico colectivo de inúteis sumidades, será para todos os efeitos absolutamente nulo e de nenhum efeito.

“A diversidade na língua não compagina com actos ditatoriais”

Unidade e Diversidade da Língua Portuguesa é o tema de um colóquio que a Academia das Ciências de Lisboa promove esta terça-feira, dia 10, a pensar nas línguas maternas.

Nuno Pacheco
“Público”, 09.07.18

A Academia das Ciências de Lisboa promove esta terça-feira, por iniciativa do seu presidente, Artur Anselmo, um colóquio subordinado ao tema Unidade e Diversidade da Língua Portuguesa, com participação de académicos, professores e autores portugueses mas também brasileiros e africanos. “O colóquio decorrerá durante todo o dia”, diz ao PÚBLICO Artur Anselmo, “com três conferências de cerca de meia hora cada, não mais, e umas 20 a 30 comunicações de 20 minutos. A primeira conferência, de abertura, é feita pelo professor Adriano Moreira, com um título sugestivo: ‘A Língua não é nossa mas também é nossa’; a conferência da tarde é feita pelo Manuel Alegre, que falará, como grande escritor que é, em nome da língua portuguesa viva, dos escritores; e na conferência de fecho, feita por mim, tratarei do direito à diferença, um tema que me agrada muito, no respeito pelas línguas maternas.” O colóquio começa às 9h, no salão nobre da Academia, e terminará por volta das 19h com um intervalo das 13h às 15h.

O que motiva este colóquio é uma preocupação, já antiga, do presidente da Academia das Ciências quanto ao futuro das línguas maternas. Ele explica: “A Língua Portuguesa tem de conviver, cada vez mais, em boa paz, com as outras línguas. Porque nós não podemos alienar um património riquíssimo de línguas maternas. São as dezasseis de Moçambique, são as doze de Angola, são os crioulos. Depois o português vai-se adaptando, como diz o Manuel Ferreira, como diz o Mia Couto. E eu acho que a diversidade não compagina com actos ditatoriais.” Isto aplica-se à convivência entre as línguas maternas ou os crioulos e as variantes que assume a língua portuguesa em cada país, mas também à ortografia, que, embora não sendo tema deste colóquio (foi-o de um anterior, Ortografia e Bom Senso, em 2015), estará presente nalgumas comunicações. Artur Anselmo: “O uso da língua tem de ser um acto de civismo: respeitar os outros, respeitar as línguas maternas, respeitar as áreas dialectais, respeitar os falares (vai haver uma comunicação sobre falares brasileiros, que não são dialectos, são falares!). Como diz Adriano Moreira, a língua não é nossa mas também é nossa. Por isso vamos insistir: a diversidade é um ponto importante. E eu vou apresentar uma comunicação sobre os direitos linguísticos das minorias.”

Source: “A diversidade na língua não compagina com actos ditatoriais” | Língua Portuguesa | PÚBLICO

[Links” meus.]

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Dar à língua

«(…) algumas pessoas que só falam das questões lusófonas por razões negativas, sendo que, nalguns casos, o fazem até com indisfarçado júbilo.»

Como diriam brasileiros: “oi? É nóis.”

Enfio de bom grado, com cagança e pundonor, qual forcado da cara numa pega rija, o competente barrete. Confesso, eu cá só falo dessas tais “questões lusófonas” por “razões negativas” (há outras?) e faço-o não apenas com “indisfarçado júbilo” como até com manifesto gozo: apreciamos basto ficções, invenções e ilusões, é por isso, daí a piada.

E não apenas apreciamos esse tipo de números “lusófonos” como não desprezamos usar, quando em vez, nosso plural majestático. Sim, que a 1.ª pessoa do plural tem — como toda a gente sabe — muitíssimo mais pinta do que a 1.ª do singular, essa pessoinha desprezível.

Consideramos, por conseguinte, eu e aqui o Garfield da vizinha, que em mais este texto perpassa a já bocejante obsessão pelo “gigantismo” da língua (ou seja, do Brasil), a estranha fixação pelos “260 milhões” de “falantes” (dos quais “só” 240 milhões são brasileiros) que serão mais não sei quantos milhões não sei quando nem sei onde, mai-la costumeira teoria do “crescimento” (“exponencial”) da língua aliando esta a uma “defesa” que não sei quê e à “difusão” não sei das quantas.

Enfim, quero dizer (ou queremos significar), cá na minha (nossa), a conversa fiada da “lusofonia” já chateia. E já parava.

Mas parece que não, temos agora duas indústrias paralelas, quais Pepsi e Coca-Cola por escrito: uma para dar a língua, a outra para dar à língua.

Opinião

Língua portuguesa, do lirismo ao desastre? Resposta a Nuno Pacheco

São as autoridades de cada um dos Países de Língua Oficial Portuguesa que, legítima e soberanamente, têm reafirmado a sua aposta na defesa e difusão da língua portuguesa.

Renato Epifânio
“Público”, 29 de Junho de 2018

Sabemos que não é o caso de Nuno Pacheco (NP), mas o seu artigo “Língua portuguesa, do lirismo ao desastre” (PÚBLICO, 14.06.2018) não pôde deixar de nos lembrar algumas pessoas que só falam das questões lusófonas por razões negativas, sendo que, nalguns casos, o fazem até com indisfarçado júbilo.

Feita esta justa ressalva, vamos então ao teor do texto. No essencial, NP contesta “que a língua portuguesa, se é falada hoje (garantem) por mais de 260 milhões de seres, sê-lo-á por 400 milhões até 2050 e por nada menos do que 600 milhões até ao final do século”. Fá-lo, porém, a nosso ver, misturando bons e maus argumentos. Daí a nossa resposta.

Começando por dar razão a NP, importa reconhecer que, na realidade, os únicos países de língua portuguesa (no sentido em que nesses países se fala massivamente a nossa língua) são, no presente, Portugal e Brasil. E se é incontestável, como alega NP, que “o Brasil está numa tremenda crise (também em matéria educativa)”, não será por isso que no Brasil se deixará de falar a nossa língua. A língua portuguesa é no Brasil uma realidade mais do que consolidada, sendo também, por via disso, um dos grandes factores de coesão nacional, apesar de todas as crises.

Atravessando o Atlântico, a situação já é bem diferente, como importa igualmente reconhecer. Em todos esses países, o número real de falantes de língua portuguesa está muito aquém da maioria. Aqui, porém, mais do que para os dados, importa olhar para as tendências. E o que estas nos antecipam é que a tendência é de crescimento, assim se consolidem os diversos sistemas de ensino. Esse tem sido, até ao momento, o maior obstáculo a esse crescimento.

Aqui, a única (semi-)excepção é Cabo Verde, que, como refere NP, está entretanto a apostar mais no crioulo do que na língua portuguesa. Pela nossa parte, acreditamos que essa tendência não é irreversível, desde logo porque a língua portuguesa tem, em relação ao crioulo, uma vantagem óbvia: enquanto o crioulo será apenas uma língua de comunicação interna, a língua portuguesa garante uma comunicação a nível internacional. De resto, situação similar se passa em Timor-Leste: apesar da força do “tétum”, as autoridades timorenses não deixam cair a língua portuguesa porque perceberam isso há muito tempo.

Em suma: são as autoridades de cada um dos Países de Língua Oficial Portuguesa que, legítima e soberanamente, têm reafirmado a sua aposta na defesa e difusão da língua portuguesa. Obviamente, não o fazem para agradar a Portugal. Fazem-no (talvez até, nalguns casos, a contragosto) porque sabem que isso é do seu essencial interesse. À medida que o Estado em cada um desses países se for consolidando (também a nível do sistema de ensino), é mais do que previsível que o número real de falantes de língua portuguesa vá crescer exponencialmente, até porque esses países se mantêm em expansão demográfica (neste plano, a única excepção é, como se sabe, Portugal).

Tudo isto são, porém, aspectos quantitativos. Ora, mais importantes são, a nosso ver, os aspectos qualitativos. E aqui, de facto, o cenário é bem menos auspicioso: esse conjunto em crescendo de pessoas que falam a língua portuguesa está ainda longe, muito longe, de formar uma real comunidade. Nalguns casos, cada vez mais longe. Sendo que aqui as razões são outras: no Brasil, por exemplo, o sistema de ensino continua a diabolizar, em grande parte, a colonização portuguesa; em África, em geral, a situação não é muito diferente; depois, têm existido alguns incidentes político-diplomáticos, como entre Portugal e Angola; corolário de tudo isso tem sido a crescente inércia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que, mais do que uma redinamização, precisa de uma refundação.

Ainda assim, o facto de um país como Angola estar a multiplicar as suas relações (com os países anglófonos e francófonos, como NP salienta) não fará com que Angola deixe de ser um país lusófono, cada vez mais lusófono, ainda que só linguisticamente. O que mais importa é, sobre isso, consolidar uma cooperação (a todos os níveis) digna desse nome. Aí sim, Portugal pode e deve fazer muito mais. Já quanto às nossas comunidades de emigrantes, o cenário é bem diferente: a esse respeito, NP refere, citando Onésimo Teotónio de Almeida, que “o movimento de crescimento do português está nos Estados Unidos da América a ter uma curva descendente desde 2015”. E o mesmo tem acontecido, acrescentamos nós, noutros países com fortes comunidades portuguesas.

Há, a nosso ver, duas razões para tal: em primeiro lugar, é natural que, à medida que as gerações se sucedem, a ligação com a língua portuguesa se vá desvanecendo, sobretudo porque (e essa é a segunda razão) não parece haver motivos para contrariar essa tendência, a não ser os afectivos/ familiares. Quando, nalguns casos, são as próprias autoridades políticas e académicas portuguesas a promoverem uma visão envergonhada da nossa história e cultura, que estímulo podem ter os netos ou bisnetos de portugueses para aprenderem a nossa língua? Falamos por nós: se tivéssemos nascido nos Estados Unidos da América ou em França, apenas para dar dois exemplos, e se nos tivéssemos deixado formatar pela “cultura dominante” (bem visível, por exemplo, na polémica em curso sobre o “Museu dos Descobrimentos”), não teríamos o menor estímulo para manter uma ligação linguística com Portugal. Pelo contrário.

https://www.publico.pt/2018/06/29/culturaipsilon/opiniao/lingua-portuguesa-do-lirismo-ao-desastre-resposta-a-nuno-pacheco-1836095

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45% dos alunos não conseguem situar Portugal no mapa

«Então, por causa dos tais dois mil para quem o conhecimento desta língua é útil, noventa e oito mil foram torturados e em vão sacrificaram um tempo precioso. (…) Daí que seria essencialmente mais útil se ao jovem estudante fossem transmitidos apenas os contornos gerais da língua (…) Evitar-se-ia também o perigo de, de toda a sobrecarga de matéria, apenas ficarem uns fragmentos na memória, uma vez que o jovem só teria de aprender o essencial, sendo assim feita antecipadamente a selecção do que é útil e inútil. (…) Ganhar-se-ia assim no currículo o tempo necessário para a educação física (…)»

[“Mein Kampf”, Adolf Hitler]

«É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam. De facto como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c? Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.» [Acordo Ortográfico – Nota Explicativa [Pseudologia fantastica – 12]

 

 

 

Grande parte dos alunos que fizeram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, em 2017, não conseguiam localizar o país no Sudoeste da Europa.

Entre os mais de 90 mil alunos que fizeram provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, em 2017, 45% não conseguiram localizar Portugal continental em relação ao continente europeus. Esta conclusão consta num novo relatório que abrange dois anos de provas de aferição – 2016 e 2017 – de várias disciplinas e anos de escolaridade, citado pelo Diário de Notícias.

Ou seja, utilizando os pontos colaterais da rosa-dos-ventos, os alunos não conseguiam localizar o país no Sudoeste da Europa. Além disso, apenas 45% dos estudantes localizaram correctamente “o continente europeu em relação ao continente asiático, o continente africano em relação ao continente europeu e Portugal continental em relação ao continente americano”.

O presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), Hélder de Sousa, não considera que estas falhas sejam por falta de conhecimento, mas sim na capacidade de o aplicar.

“Em alguns relatórios, na análise que se faz da Geografia do ensino secundário, uma das coisas um pouco anacrónicas é a dificuldade que os alunos têm em utilizar a informação cartográfica, quando a Geografia é a área em que, por excelência, estas áreas deviam estar mais consolidadas”, frisa.

Source: 45% dos alunos não conseguem situar Portugal no mapa – Portugal – SÁBADO

 

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