Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Categoria: diversos

WordPress em Português de Portugal

Mais um espantoso artigo, desta vez da autoria de Álvaro Góis mas, como sempre, em nome de toda a equipa WP-Portugal, sobre a questão — integralmente inventada pelos acordistas — da tradução do WordPress para acordês, essa novilíngua de trapos que meia dúzia de brasileiros “adotivos” pretendem impor a uma esmagadora maioria de cidadãos nacionais.

Este assunto, se bem que evidentemente parvo, dada a patológica parvoeira que afecta quem o inventou, tem sido amiúde (nem me atrevo a imaginar com que carga de sacrifício) escalpelizado, analisado, explicado e concomitantemente rebatido por vários dos competentíssimos elementos da WordPress Portugal.

Além deste novo texto, que aqui fica também replicado porque é acervo documental de relevo para o historial da luta contra o AO90, conviria ler a acesa troca de comentários no “post” original. Por dois motivos, em essência: pela profunda irritação dos acordistas (“ah, e tal, lei é lei”, nhónhónhó, rebéubéu, pardais ao ninho) e pela extraordinária paciência (ou invejável calma) com que os membros do WordPress em Português vão tentando responder aos desconchavos e até aos insultos dos ditos acordistas.

O WordPress em português de Portugal e o Acordo Ortográfico de 1990

De vez em quando a Comunidade Portuguesa de WordPress agita-se em redor da utilização do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) na tradução principal do WordPress para português.

Levantam-se questões legítimas, apresentam-se opiniões, um ou outro decreto-lei para uma discussão que ultrapassa as barreiras do uso da língua e toca aspectos de ordem técnica, que vão muito além das opções individuais de usar ou não o AO90.

Este texto não pretende abrir qualquer debate sobre:

  • O AO90 é bom ou mau;
  • O AO90 vai ou não ser alterado e quando;
  • O AO90 é ou não obrigatório.

Não é um texto sobre legalidade ou obrigatoriedade de usar uma determinada forma escrita da língua. Pretendemos apenas fazer um resumo do que têm sido as opções da equipa de tradução do WordPress para português de Portugal e, acima de tudo, clarificar o que está a ser feito e porquê, para corresponder às diversas necessidades dos utilizadores.

O histórico

A discussão sobre a utilização do Acordo Ortográfico de 1990 na tradução oficial portuguesa do WordPress começou a fazer-se por volta de 2013.

Já nessa altura, apesar de depender de uma equipa relativamente pequena de contribuidores, a tradução estava estabilizada. Tinha envolvido um grande trabalho de revisão e de consolidação de termos e era actualizada a tempo do lançamento de novas versões. No GlotPress, a plataforma que gere as traduções do projecto WordPress, cabiam ainda apenas as traduções do core (o próprio WordPress). As traduções de plugins e temas não estavam incluídas. Eram geridas individualmente, adicionadas ou não a cada tema ou plugin disponíveis nos respectivos directórios do WordPress.org.

Dentro da equipa de tradução havia a percepção de que a adopção do AO90 por instituições públicas e alguns meios de comunicação começava a colocar a questão da sua adopção ou não pelo WordPress. E alguns de nós eram favoráveis a essa adopção.

Como sempre procurámos fazer dentro da Comunidade Portuguesa de WordPress, colocámos à discussão pública se deveria ou não a tradução oficial adoptar o AO90.

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‘Enquanto isso, numa galáxia muito, muito distante…’

«La defensa de la identidad lingüística por parte de este grupo propició dos acontecimientos destacables. Por un lado, en octubre de 1843, Domingo Faustino Sarmiento propuso en la Facultad de Filosofía y Humanidades de Santiago de Chile un audaz proyecto de reforma ortográfica. Por otro, en enero de 1876, el poeta Juan María Gutiérrez devolvió el diploma de académico correspondiente que le había enviado la Real Academia Española. Todos ellos, pues, fueron tempranos promotores del autoctonismo idiomático, basados en el principio de que uno de los atributos esenciales de una nación libre es la posesión de una lengua propia.»

La lengua propia como ejercicio de la identidad

Oscar Conde

Clarin.comRevista Ñ

José Luis Moure propone una antología de textos que pone al día las discusiones acerca de un español argentino.

 

Más allá de que los intentos de acercamiento de la Real Academia hacia sus correspondientes americanas hayan comenzado a mediados del siglo pasado, ha sido recién en el actual cuando se inició por fin un proceso para el desmantelamiento de la subvaloración del español de América. No hace demasiado –un par de décadas, a lo sumo– que se le reconoce al español un estatus policéntrico. En otras palabras, ya no es defendible la posición que hace del habla de Madrid (o de cualquier otra ciudad de la península) un modelo único y “puro” para más de 560 millones de hispanohablantes. El policentrismo enseña que no existe un solo paradigma de la lengua española, y que las variedades utilizadas en Lima, Medellín, La Paz o Buenos Aires son igual de prestigiosas que las de Toledo o Salamanca.

Los departamentos de español y romanística de diversas universidades europeas y estadounidenses han comenzado ya a trabajar con la lengua sobre la base de este concepto que, lejos de resultar disruptivo o incómodo, parece haberse consensuado dentro de los estudios lingüísticos para poner en su lugar las cosas. La posición clásica del monocentrismo, prevalente no solo durante la época colonial sino al menos hasta mediados del siglo XX, conserva sin embargo muchos adeptos en el espacio simbólico de la enseñanza de español para extranjeros –ámbito en el cual, además de una disputa entre políticas lingüísticas de signo opuesto, está en juego un jugosísimo negocio–. Es que los profesores de español, cuando son españoles, normalmente combaten la tesis policéntrica, ya porque acuerdan con las posiciones político-económicas del Instituto Cervantes, ya por orgullosa convicción patriótica.

Nuestra expresión (EUDEBA), del filólogo José Luis Moure, actual presidente de la Academia Argentina de Letras, se inscribe en una larga tradición de escritos en torno al español de la Argentina, iniciada casi a comienzos del siglo XIX –pocos años después de la Revolución de Mayo– y, más puntualmente, se suma a dos antologías recientes que, como esta, ofrecen testimonios acerca de las distintas posiciones sostenidas a través del tiempo en los debates político-lingüísticos referidos a la existencia o no de una lengua nacional. Tales antecedentes son Voces y ecos (2012), de Mara Glozman y Daniela Lauría, y La querella de la lengua en la Argentina (2013), de Fernando Alfón.

La discusión acerca de un español americano y, más adelante, de un español argentino tuvo como protagonistas, en primera instancia, a los intelectuales nucleados en el Salón Literario, entre otros, Marcos Sastre, Esteban Echeverría y Juan Bautista Alberdi, quien en la sesión inaugural del 18 de junio de 1837 reclamaba ya una lengua nacional capaz de reflejar la nueva realidad de la América libre. La defensa de la identidad lingüística por parte de este grupo propició dos acontecimientos destacables. Por un lado, en octubre de 1843, Domingo Faustino Sarmiento propuso en la Facultad de Filosofía y Humanidades de Santiago de Chile un audaz proyecto de reforma ortográfica. Por otro, en enero de 1876, el poeta Juan María Gutiérrez devolvió el diploma de académico correspondiente que le había enviado la Real Academia Española. Todos ellos, pues, fueron tempranos promotores del autoctonismo idiomático, basados en el principio de que uno de los atributos esenciales de una nación libre es la posesión de una lengua propia.

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RAP no Brasil, o AO90 e a tomada de três pinos

Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier conversam sobre a Língua Portuguesa. Assunto obviamente incontornável, o “acordo ortográfico”.

Alguns excertos da gravação.

RAP (13:40): “A gente estava nos bastidores a falar sobre a maneira como o acordo ortográfico não resolve rigorosamente nada. [comentário de GD: “E cria novos problemas.”] Exacto. Até porque o acordo ortográfico ataca precisamente o único sítio onde a gente não tem muita dificuldade em entender-se. Não há muito problema para o… a gente escreve “acção” com dois cês, vocês escrevem só com um. Não interessa para muito. Agora, a maneira com às vezes a gente se desentende tem a ver com o vocabulário. Se em Portugal eu disser que «estou no acostamento porque a minha perua não tem estepe», não há um português… um português entende que se está a falar Português mas ele não sabe nada do que se está a dizer. Porque em Português essa frase diz-se «eu estou na berma porque a minha carrinha não tem pneu sobresselente. É muito diferente de «acostamento porque a minha perua não tem estepe». E portanto as nossas diferenças são às vezes de pronúncia e de sotaque e outras vezes são de vocabulário, sendo que essas diferenças nos deviam enriquecer e não afastar. E como é óbvio o acordo ortográfico não resolve em nada essa questão.”

GD: “Além de criar problemas terríveis, terríveis, que eu acho que são realmente… na minha opinião foi um crime tão grande quanto a tomada de três pinos. Eu acho que ele é uma tomada de três pinos linguística porque ele cria uma solução para um problema que não havia. Ninguém olhava para uma tomada de dois pinos e falava «hmmm, falta alguma coisa aqui!» Não existia isso. Ninguém olha para a língua portuguesa e fala «hmmm, ’tá faltando aqui… ah, esse trema, eu não aguento esse trema, não posso com esse trema, dá uma preguiça escrever esse trema…”

Lucas André Teixeira

Published on Jun 21, 2017

Experimenta Portugal’ 17 – Arte e Cultura.
Um português e um brasileiro entram num bar – Humor de Ricardo de Araújo Pereira e Gregório Duvivier
Unibes Cultural – 21.06.2017

[Nota: a ortografia do “screenshot” no topo (do Consulado de Portugal em S. Paulo) foi corrigida automaticamente.]
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Disclaimer: não papo grupos.

Ainda a propósito das chamadas “redes sociais” e da lumparia que por lá circula, à mistura com e fazendo-se passar por pessoas normais, o que temos aqui é uma pequena amostra do imenso arsenal de aldrabices ao dispor de qualquer pulha que delas queira servir-se.

Não apenas é possível inventar (de raiz) “identidades” em série como é facílimo — com essas “identidades” falsas e arrebanhando uns quantos incautos — artilhar “grupos” muito catitas e com imeeeensos “membros”. Entre outras maroteiras, pois claro, que isto hoje em dia, nos meios virtuais, virtualmente já vale tudo.

O que está ali em cima não é o tiroliroliro e aqui em baixo não está o tiroliroló. Não são brincadeira nenhuma, qualquer deles.

Na imagem de cima está uma pequeníssima amostra dos 927.000 resultados devolvidos por uma pesquisa no YouTube segundo um critério aparentemente insuspeito: “facebook group add members“. Nas páginas do mesmo Fakebook também é possível fazer umas artistices do género mas de facto o que mais agrada a vigaristas é a “cena” dos “grupos”. Um nojo.

Mas há ainda pior, se tal é possível.

Aqui em baixo está uma imagem que, ao contrário de qualquer outra, não vale por mil palavras; vale por todas as palavras que existem: seja quem for pode pôr as palavras que entender “na boca” de quem quiser. E depois publicar ou até usar a “composição” de outras formas, que não vou para já explicar mas que facilmente se imaginam, para “provar” que determinada pessoa (ou pessoas)  disse (ou disseram) as maiores enormidades, imbecilidades, inanidades.

Tudo mais falso do que uma nota de 30 €, é claro, mas isso agora não interessa nada, como dizia a outra, os meios existem e servem na perfeição para os fins que interessam a patifes: achincalhar, caluniar, difamar pessoas de bem. Sempre sob a capa de anonimato (identidade falsa), bem entendido, que só nessa condição aqueles cobardes profissionais se dão ao trabalho de tentar demolir o carácter, destruir a reputação, infernizar a vida dos seus inimigos de estimação — ou daqueles cujo assassinato moral tenha sido encomendado a um qualquer escroque por outro.

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Armando Baptista-Bastos (1934 – 2017)

“Isto não é escrever por sons, senão samarra escrevia-se com c cedilhado”: carta de despedida para Baptista-Bastos

Baptista-Bastos, 83 anos, morreu esta terça-feira. Rui Cardoso, editor de internacional do Expresso,escreve-lhe uma carta de despedida, eles que se conheceram no espaço mais íntimo do jornalismo: a redacção

Quando comecei a colaborar no “Diário Popular”, em finais de 1977, já não fui a tempo de conhecer todos os grandes repórteres que tinham feito a grandeza do jornal. Dois destes eram famosos e iguais em valor profissional, ainda que opostos no plano das ideias: José de Freitas, já então falecido e simpatizante da esquerda, e Urbano Carrasco, que ainda conheci, incondicional do salazarismo.

Durante os anos quentes de 1974/75, o bom senso, inspirado por José Manuel Rodrigues da Silva, prevalecera e o jornal seguira o lema “trabalhadores não saneiam trabalhadores” e ninguém foi afastado por razões políticas, em nome de um bem maior que era continuar a fazer um bom jornal.

Nesta redacção, a única da imprensa portuguesa com um director eleito – Jacinto Baptista –, aprendi a profissão, vendo trabalhar grandes profissionais, infelizmente desaparecidos com o correr dos anos: Abel Pereira, meu primeiro chefe de redacção, que me dizia sempre “olha a pressa rapaz, a pressa passa mas as asneiras ficam”; Acácio Barradas, que o substituiu, eleito pelos seus camaradas de trabalho; Adelino Cardoso, Humberto de Vasconcelos, Ângelo Granja, que era tão alto que na brincadeira lhe chamávamos “o maior jornalista português”.

E havia o Baptista-Bastos, claro. Sempre impecavelmente vestido, dava-se por ele quando entrava na redacção, até porque raramente era o primeiro a fazê-lo. Com voz de trovão, elevando-se acima do matraquear das máquinas de escrever e de dúzias de conversas em voz alta ao telefone, lançava um tonitruante “bom dia camaradas” que às vezes, ao sabor das indisposições e dos ódios de estimação, evoluía para fórmulas das quais a única publicável era “bom dia a todos menos a um”.

Era um dos últimos representantes do velho jornalismo da boémia e do Bairro Alto (onde ficavam, entre outros, o “Popular”, “A Capital”, o “Diário de Lisboa”, a “Bola”, o “Record” e o “Século”), o que fazia com que pertencer a esta profissão significava estar paredes meias com a literatura, as artes, a ciência a política e a filosofia. E, acima de tudo, com a correcção da escrita e a virtuosidade no uso da palavra.

Bastos, com obra publicada, escrevia primorosamente e não tolerava tiques de escrita, modismos ou prosas escritas à pressa. Muito menos cacofonias, erros de sintaxe ou de ortografia. Ainda não se sonhava com acordo ortográfico e já ele berrava a plenos pulmões: “Isto não é escrever por sons, senão samarra escrevia-se com c cedilhado”.

Seria impensável naquele tempo encontrar nas páginas do “Diário Popular” prosas cheias de “implementar”, “imperdível”, “emblemático”, “de acordo com” e demais barbaridades hoje tornadas corriqueiras, para não falar nos desmandos vindos de quem nem fala inglês nem português e nos mimoseia com “serviços de inteligência”, “oficiais do governo”, “adictos” ou “jovens mulheres”…

Eu e o João Garcia, que naquele tempo éramos os miúdos daquela redacção, habituámo-nos a ver partir muitos daqueles que nos ensinaram a ser o que somos. Foi agora a vez do Bastos. Até sempre, camarada!

 

Fonte: Expresso | “Isto não é escrever por sons, senão samarra escrevia-se com c cedilhado”: carta de despedida para Baptista-Bastos

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«Breve reflexão sobre a minha esquisitíssima profissão» [Pedro Barroso, músico]

Breve reflexão sobre a minha esquisitíssima profissão

Tenho um grave problema pessoal e profissional. Não sei o que faço.

Normalmente as pessoas sabem o que andam a fazer: – são canalizadores, médicos, professores, carpinteiros, coisas assim.

Ora eu não. Desde que fabricaram este “acordo ortográfico” desconheço a minha profissão, e peço misericórdia por isso.

Vejamos. Eu conto.

Em pequenino era prendado e dava sempre zero na redacção. Hoje “redação, fato, receção e direção” entre muitas outras palavras, perderam o “c” portanto a coisa ficou de “facto” complicada e sem …”direcção”. Perturba. Desorienta.

Hoje digo ao autocarro “pára” e ele diz que é “para”. Quero um autocarro “para” qqr lado e ele baralha-se e …”pára”! Caos absoluto.

Em jovem, fui “actor” no TEC. Mas essa profissão, estranhamente, desapareceu. Hoje existe uma coisa a que se chama “ator” que eu situo entre os atilhos de sapatos e sei lá o quê. E eu, sinceramente, custa-me cada vez mais a dobrar; uso sapatos de pala e calçadeira e acabei por dedicar-me mais à composição e à música. Tive de abandonar.

Mas continuo com o mesmo problema grave. Não saber no fundo, como se chama aquilo que faço.
Costumo chamar ao que produzo “concertos”; embora sinta que, de facto – embora toque piano e fale francês…- um concerto é uma coisa com maestros de labita, Beethoven, Rachmaninov, etc. Ora bem. Coisas sérias, a preto e branco etc. Não é propriamente o caso. Normalmente levo camisa e vou até com a fralda de fora. Não deve ser concerto, portanto. Já não sei.

Provável alternativa deveria ser “espectáculo”. Estou hora e meia, duas horas seguidas em palco com os músicos, enfim. “Espectáculo”. Talvez. Contudo, essa expressão parece-me mais adequada ao Circo, lembra-me mais uma trupe do Circo Chen ou talvez os trapezistas do circo de Moscovo. Isso sim. Espectáculo. Ou o “Preço certo” do Fernando Mendes. “Espectáculo”! Portanto, também fico aflito perante o desafio, como podeis supor, por razões de total incapacidade em assumir tal tipo de arriscadas “performances”.

“Performances”. Bem lembrado! Poderia também usar, de facto, este termo estrangeirado; mas, francamente, “performance” parece mais tirado do Atletismo, Ciclismo ou Natação, cujos também já não são de minha pratica corrente. E quando subo ao palco, raramente é na intenção de entrar no Guiness por qualquer “conseguimento”, como pretendia a nossa inefável “Presidenta” da AR.

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