Parecer DGEBS

Base XVI

(…e de novo para simplificar o uso do hífen!)

  1. Que pedagogia e rigor científico há na redacção da observação feita ao ponto 1.º b: “Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral (sic) com (…)”?
  2. O disposto em 1.º d está em contradição com o 2.º a, e facilitaria a divisão silábica. Assim, porquê hiper-requintado e extrarregular, contrarregra e super-revista?
  3. Apenas um reparo: biorritmo (2.º a) não estará na situação técnica e científica de primo-infecção (XV, 1.º), sem que fique contraditado o ponto XVI, 1.º b?
  4. A redacção de XVI, 1.º f é incorrecta, porque as formas átonas de pró- e pré- já Vêm prefixadas do latim, enquanto as tónicas se grafam por hífen por razões semânticas, a fim de se marcar desse modo um ponto temporal em noção recentemente criada para referências do tipo de pré-pagamento, pós-graduação (cf. prever e pospor).

O caso de pró- que aparece prefixado em formas já derivadas do latim (promover, providência) grafa-se com hífen apenas quando significa ‘a favor de’: pró- africano.

O caso de pré-escolar está consagrado pela regra de XVI, 1.º b. Mas não levem ao exagero de escrever pós-tónico e pré-tónico (em vários passos: cf. XI, 1.º b e 2.º b), quando em Portugal e no Brasil já se escrevem postónico e pretónico.

 

Base XVII

  1. Esta terceira base para a simplificação do uso do hífen é, no mínimo, castiça, ao eliminá-lo em hão de, mesmo em frase absoluta, e não em hão-no.
  2. Dizem Cunha e Cintra (p. 547) e a NGB que eis não é um advérbio, mas “palavra denotativa de designação”. Ou talvez seja um simples díctico, daqueles que reforçam morfologicamente certos pronomes já em latim e um nome, uma frase… Como é advérbio o eis de “Eis o Homem ou de “Eis-nos chegados à Baixa!”?

 

Base XX

1. Na linha 5 desta base, que justifica a divisão silábica de hi-pe-ra-cú-sti-co? (Nova gralha, com certeza…)
2.1. Sejamos simples e práticos, isto é, soletremos bem, mas não confundamos com translineação a soletração, pois a translineação tem efeito Visual e correspondências etimológicas:

  • ab-le-ga-ção e ab-legue, mas a-blu-ção, quando o prefixo é o mesmo?
  • ad-li-gar e ad-ligar, mas a-pli-car, ou
  • sub-lu-nar e sub-lunar, mas su-pli-car, quando os prefixos são os mesmos?

Tal procedimento não facilita a aprendizagem na escola.

2.2. Em 2.º e 3.º, porquê íp-si-lon, se psi-lo-se, Terp-sí-co-re, se psi-quis-mo, disp-nei-a, se pneu-má-ti-co?
2.3. A redacção do ponto 5.º peca por falta de rigor e de síntese, pois unifica dois casos díspares com o mesmo efeito na grafia.
De qualquer modo, é um ponto da base ocioso, porque já ficara consagrado no ponto anterior, onde se diz: ”se a primeira delas não é u precedido de g ou q”.
3.Mas, por outro lado, veja-se como se complicam casos simples: áre-as, do ponto 4.º, confirma que á-gua é igualmente uma proparoxítona real, e não a proparoxítona aparente ou falsa, como se pretende fazer crer na Base XVI, 1.º b e 3.º, com a exemplificação de álea, náusea, ténue, fêmea, génio

Base XIX

1. Com a redacção desta base o caos fica completo no sistema ortográfico do Acordo 90, violenta-se a NGP, complica-se O esforço de sistematização, esfuma-se o conceito gramatical de nome próprio, prolifera a polissemia (cf. R. Gonçalves, Tratado, p. 301).

Assim, só há doze meses no ano e quatro estações, entre nós; mas nem por isso têm direito a nomes próprios grafados com maiúscula (1.º b). Ao contrário o nome de uma instituição escreve-se só com maiúscula (2.º d), contrariando O princípio disposto em 1.º g, para o nome de cursos ou de disciplinas académicas. E lembre-se que “a estudar matemática” não é sinónimo de ”passar a Matemática” ou “estudar línguas e literaturas modernas ou clássicas” não significa algo equivalente a ser aluno de / andar em ”Línguas e Literaturas Modernas”.

2. Podem escrever-se com minúscula os títulos de livros, mas não o dos periódicos (cf. 1% e 2.ºf).

3. Usa-se Fulano, em XVIII, 1.º c, mas restringe-se-lhe a semântica em 1.º b, onde só pode ser escrito com minúscula, apesar de, aqui o repito, D. Dinis satirizar um D. Fuão.

4.1. Confunde-se, sistematicamente, o caso do tratamento axiónimo em “senhor doutor J. Silva” com a puramente referencial designação de “bacharel M. Abrantes” ou “o cardeal Bembo” – aqui, nomes comuns do tipo cidade Roma.

4.2. Não se contempla o que Hamlet deseja tratar por “Excelentíssimo Senhor Qualquer-Coisa”, mas V. Exa escreve-se com maiúscula (ponto 2.º h) enquanto “vossa excelência” se fica na minúscula. Se for hagiónimo (o Céu nos valhal), podemos grafar santa / Santa… (1.º f).

5. Segundo os dicionários (ainda não autorizados, claro) fictício não é sinónimo de ficcional, por contraposição a real, como fica dito ou confundido em 2.º a e b.

Depois, D. Quixote existe como antropónimo ficcional, enquanto a Hespéria ou a Atlântida são topónimos históricos, embora em discussão de prova.

6. Todos os Santos, em 2.º e., sem hífen, vem complicar O disposto para o topónimo em XV, 2.º.

7. Adamastor não é um nome antropomorfizado mas tão mitológico como o próprio Neptuno, embora de invenção (quase só) nacional! Se fosse o Tejo quem ninfasse, a prosopopeia era outra…

8. Por amor de Deus, retirem o sorvedouro marítimo da observação final da Base XIX, por castradora, imprevisível, prepotente, petulante e ridícula!

9. E digam antes o que foi feito dos etrónimos e dos astrónimos, por exemplo.

 

Lisboa, 1 de Junho de 1991

José de Almeida Moura


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Updated: 28/03/2019 — 18:26