“Agitprop” anti-AO90 (fotos)

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Caldeiruada de chuôque e joaquinzuinhes


Do naipe de supostos anti-acordistas, talvez as cartas mais irritantes sejam as dos duques e das senas tristes, ou seja, aqueles que nos primórdios — e alguns ainda hoje — garantiam, com imenso furor e raiva, quase possessos, que “ah, e tal, eu cá sempre hei-de escrever como aprendi” ou, ainda mais triste cena, “levei tantas reguadas na escola, agora não vou aprender tudo outra vez”.

Neste mesmo naipe devem ser incluídas também aquelas cartas que servem apenas para fazer bluff (“traduzam” lá bluff, ó ultra-puristas da treta) como, por exemplo, fingindo confundir sotaque, nível da linguagem ou registo (formal, informal, locutório etc.) com… ortografia. Este é um daqueles “argumentos” que, de tão imbecis, merecem apenas desprezo. Embora possa calhar, por puro espírito lúdico, isto é, gozando alarvemente, que a alguém um bocadinho racional apeteça responder alguma coisinha; para efeitos de estudo antropológico, ou assim, e tudo vai da paciência (e do sadismo ou do masoquismo) de cada qual.

No texto que se segue, publicado no “Jornal da Madeira”, há um pouco de tudo isso: confusão entre sotaque e gramática, apego ao hábito pelo hábito (ou pura preguiça, caso tal coisa exista nesta matéria), reverência a autores consagrados, registo “inclusivo” como se fosse alguma coisa a sério, vernaculidade versus barbarismo.

Nota-se alguma boa vontade por parte do autor — que se “atreve” até a empregar alguma ironia, se bem que demasiadamente subtil –, presumindo-se assim que o #AO90 o incomoda… mas não muito, não terminantemente. A muito cómoda, militantemente neutral, muito tuga atitude “não quero guerras“, o encolher de ombros congénito, o insustentável fatalismo dos pseudo-anti que se encolhem por natureza à sombra de tremendismos como “agora é assim” ou “já está, já está”.

Não está nada.

A tibieza do costume, caro Dr., com franqueza. De um causídico, mesmo que especializado em defesa do cliente, mesmo que sabendo escrever, é legítimo não apenas esperar como até exigir bastante mais.

E se deixassem a Pátria em paz?

Hugo Amaro

“Jornal da Madeira”, 04.03.23

O outro maluco dos heterónimos escreveu no desassossego de Bernardo Soares que a sua pátria era a língua portuguesa. Mas como o fulano era só um poeta maior na sua genialidade literária, e por isso só se lhe descobriu o valor depois de morto, a malta compraz-se em atribuir à sua autoria, nas redes sociais, um conjunto de baboseiras e poemas que nunca lhe passaram pela cabeça.

A cena granjeia gostos e o pessoal enche-se de orgulho, mas imagino que o coitado se deva revirar na cova de cada vez que lhe usam o nome em vão. Nestes enredos da língua, começa a afigurar-se-me que alguém que saiba ler e escrever se vai sentindo apátrida. Fiz a quarta classe, andei no liceu e apesar de me impelirem as letras, os ventos da vida levaram-me para o Direito, onde o valor das palavras não é despiciendo. E, ao final, fiquei convencido de que já usava a língua pátria num traço minimamente escorreito e aceitável.

Mas eis que, tempos mais tarde, houve uns rapazes muito sabedores que fizeram aprovar uma coisa chamada novo acordo ortográfico e eu, na minha mania de que já sabia ler e escrever, fiquei sem pátria e sem chão, como se me houvessem mandado para os bancos da primária para aprender tudo de novo. Casmurro, desisti de aprender e uso uma escrita errada e enviesada. Sossega-me a alma o facto de não ser o único, até porque nesta trama linguística, do novo e do velho, julgo que já ninguém sabe com que linhas se cose verdadeiramente, nem que seja porque urdir um fato, de facto, não é a mesma coisa que trajar um fato.

E como se não bastasse, agora há outra na berra. Sempre pensei que quando o Botas ou o Marcelo nas conversas em família se dirigiam aos Portugueses, estavam naturalmente incluídos todos: homens, mulheres, nascituros e concepturos. Mas alguém agora descobriu que não é bem assim, que o termo os Portugueses é uma coisa de macho que só se refere aos portugueses homens e que é preciso neutralizar a referência ou torná-la inclusiva. Melhor é dizer portugueses e portuguesas e já agora todos os outros, aliás, outres, para que ninguém fique melindrado.
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Brasil colonizando Cristina

Basicamente, este curioso textículo baseia-se na comovente história de um rapazinho chamado Moacir, que é aliás um nome tipicamente “indígena”, vê-se logo, pois claro, Moacir não tem nada de nada a ver com seu Mánuéu Padeiro, Moacir é que é Tupi, é Guarani, é Guajajara, é tudo ao molho e fé em Sumé (deus das leis, deve ser licenciado em Direito, ou assim). Em sumé, digo, em suma, Moacir é que o verdadeiro… hum… coiso, e tal nomezinho não tem nem raspas de “colonialismo” brasileiro.

Então, diz a Cristina (muito prazer, minha senhora, queira fazer a fineza de relevar qualquer coisinha, ou isso, sabe, são feitios) que o tal puto Moacir, coitadinho, em sua pagã inocência profere umas palavrinhas que, parece, diz a Cristina, é pecado dizer: «“Olá, o meu nome é Moacir e hoje foi um dia de festa na minha aldeia.”»

Passa-se a deprimente cena, relata Cristina, em frente a um painel de parede que, devo confessar, absolutamente ignoro, aliás pela muito ignorante razão de não pescar patavina em matéria de telas: «Seria cómico se não fosse trágico, pois no pano de fundo temos a chegada das naus e navegadores portugueses às terras que viriam a ser o Brasil.»

Ah, pronto, cá está de novo a rapsódia do “colonialismo” dos portugueses, esses malvados que têm de pagar caro — e até ao fim dos tempos, se não mais — pela insuportável pesporrência de terem “colonizado” o 5.º maior país do mundo, o qual, de resto, até já existia antes da chegada dos ditos malvados. É que, segundo reza a Cristina, naqueles virginais e impolutos 8.510.345 Km² não há absolutamente violência alguma, tal coisa jamais existiu, o Brasil nem é um dos países mais violentos do mundo nem nada, fomos e somos nós que malignamente pecámos e pecamos ocultando a «violência da colonização portuguesa do Brasil». E não podia faltar à historinha, pois claro, o infalível, omnipresente “argumento” — que a Cristina põe na boca da criancinha — do ouro que os “cara” da “terrinha” foram lá “roubar”: «“Mostraram-se muito interessados no nosso ouro e prata”».

Ao fim e ao cabo, e de fio a pavio, este espantoso manifesto lusofóbico — sem nada de racista, note-se, ou, bem, quase nada — serve apenas o propósito de matraquear as meninges de quem por azar tropeçar naquilo, usando para o efeito os ingredientes do costume, isto é, a mentira e o descaramento. Expressões como «violência infligida aos povos indígenas» e patacoadas que tais são, literalmente e salvo seja, aos pontapés.

A bem dizer, tão pretensamente radical discurso adequar-se-ia talvez a outro filme, com outros realizador, encenador, actores e cenário. Por exemplo, o “Apocalypse Now“. Cristina seria nesse caso a argumentista, pois com certeza. Só teria de se dar à maçada de trocar o Vietname por Mato Grosso, os tanques americanos pelas caravelas portuguesas, o napalm pela «transmissão de doenças», os vietcong pelos Kayapó, o coronel Kilgore por um “coroné” tuga e, portanto, Robert Duvall por… enfim, sei lá bem, talvez Ricardo Pereira, que é fluente em brasileiro.

Quanto ao argumento propriamente dito, cara “igualitária”, serve este mesmo, o do seu artigalho, que até começa logo por uma boa piada no título.

Porto Editora, descolonize-se

Cristina Roldão

“Público”, 02.03.23

Passado cerca de um ano do artigo “‘Descobrindo’ o Manual Colonial”, volto ao assunto, desta vez para falar sobre como as representações dos povos originários do Brasil nos manuais escolares são sintomáticos da profunda colonialidade que ainda estrutura o imaginário colectivo. A páginas tantas, no manual ‘HGP em Acção‘, 5.º ano, da Porto Editora — o mais utilizado neste ano lectivo (328 escolas, 28% dos estabelecimentos que oferecem esse ano escolar) –, temos uma colorida ilustração que, em primeiro plano, apresenta uma criança indígena que se dirige sorridente ao leitor dizendo num balão de fala: “Olá, o meu nome é Moacir e hoje foi um dia de festa na minha aldeia.”

Seria cómico se não fosse trágico, pois no pano de fundo temos a chegada das naus e navegadores portugueses às terras que viriam a ser o Brasil. Festa? Mas quem é que tem a ideia peregrina de chamar àquilo uma “festa”? É verdade que, mais adiante, Moacir refere sobre aqueles homens: “Mostraram-se muito interessados no nosso ouro e prata. Mas não se levanta o véu sob a violência infligida aos povos indígenas. É preciso dizer que, se esta imagem se destaca pelas doses cavalares de romantização da violência colonial, noutros manuais é também comum, por um lado, a omissão da história dos povos originários do Brasil e da sua resistência e, por outro, a minimização da violência da colonização portuguesa do Brasil.
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Macau põe a língua de fora

CAPÍTULO I
Disposição geral
Artigo 1.º

(Línguas oficiais)

1. As línguas chinesa e portuguesa são as línguas oficiais de Macau.
2. As línguas oficiais têm igual dignidade e são ambas meio de expressão válido de quaisquer actos jurídicos.
3. O disposto nos números anteriores não prejudica a liberdade de escolha, por cada indivíduo, da sua própria língua e o direito de a utilizar na sua esfera pessoal e familiar, bem como de a aprender e ensinar.
4. A Administração deve promover o ensino das línguas oficiais, bem como a sua correcta utilização.

Decreto-Lei n.º 101/99/

Muito se tem falado da CPLB, sempre torcendo a realidade para dar a entender que aquilo serve para mais alguma coisa além de encobrir politicamente o expansionismo brasileirista, mas na verdade essa fictícia “comunidade” de homens de negócios e caciques sortidos jamais fez fosse o que fosse além daquilo que identifica os dois tipos de sócios, ou seja, negócios para alguns e caciquismo para os restantes.

A Comunidade dos Países de Língua Brasileira, essa espécie de entidade especializada em efabulações — cuja eficácia apenas pode ser comprovada por alucinada estimativa, isto é, especulando sobre o número de débeis mentais que tais patranhas engolem — mas apenas interessada em cumprir à risca o plano de a) linguicídio, b) aculturação e c) anexação, nunca mexeu uma palha que escapasse à “lógica” imediatista do lucro.

A Guiné Equatorial, um pequeno país de língua espanhola (Castelhano) governado pelo ditador Obiang, aderiu à confraria sem a menor dificuldade ou sequer um assomo de dignidade (e muito menos de indignação) por parte do 28.º Estado ou da “metrópole” federal.

Timor-Leste, um Estado-membro “exótico” onde menos de 10% entendem, 5% falam e 1% escrevem Português, recebeu o PR tuga pelo 20.º aniversário da independência e o dito convidou os timorenses para “irem mais a Portugal” (ver/ouvir reportagem, a partir dos 3m26s). À excepção dos professores de Português (portugueses, eu próprio fui um deles) e dos brasileiros que por lá já vão parando (a Austrália é logo ali), a CPL”P” não mete o bedelho na Terra do Sol Nascente.

Quanto a Cabo Verde, basta dizer, a respeito da CPLB, isto: Cabo Verde adoptou a sua Língua nacional, o Crioulo.

Se o Brasil é o “gigante” que tantos pategos tugas admiram, então Angola e Moçambique são dois grandes matulões que os mesmos pategos menosprezam. Assinaram ambas as fantochadas, CPL”P” e #AO90, mas não participam de forma alguma em qualquer dos acordos inventados pelo Brasil com a conivência de alguns mercenários portugueses. Nem Angola nem Moçambique ratificaram ou sequer dão sinais de pretenderem sujeitar-se à língua brasileira.

Por fim, Macau. Apesar de recentemente ter havido algumas incursões exploratórias, a armar à “difusão e expansão” da língua brasileira, Macau ainda conserva algum tipo de imunidade tanto ao vírus do enriquecimento súbito (e brutal) como em relação a febres demagógicas e hemorragias de palavras ocas. Trata-se de uma região autónoma com Governo próprio, e ainda bem — no caso — que a China é um verdadeiro gigante ao pé do qual o Brasil (mais de seis vezes menor) terá de provar do seu próprio veneno supremacista. Resguarda-se assim Macau de contaminações, aquele belíssimo enclave, preservando em pleno viço o idioma de Camões.

Até quando se queixam de alguma coisa relacionada com a Língua Portuguesa, aos macaenses — honra lhes seja feita — apenas interessa resolver de imediato qualquer problema. Não fazem queixinhas a ninguém e nem lhes ocorre, decerto porque não são parvos, esperar que a CPLB vá lá impor-lhes a “língua universau”.

A este deputado Che Sai Wang não condecora o outro, o brasileirista-mor, o fulano dos “afetos”.

Criticada falta de meios e traduções tardias – Hoje Macau

Português | Criticada falta de meios e traduções tardias

João Santos Filipe
“Hoje Macau”, 2 Mar 2023

Che Sai Wang considera que os órgãos executivo, legislativo e judicial são maus exemplos da utilização da língua portuguesa. O deputado recorda aos governantes que o idioma de Camões também é oficial e pede medidas face à sua desvalorização

 

Apesar de o português ser uma língua oficial do território, os órgãos executivo, legislativo e judicial caracterizam-se por constantes limitações na utilização do idioma. A crítica é feita pelo deputado Che Sai Wang, ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), numa interpelação escrita em que pede medidas para contrariar esta tendência.

Uma das principais críticas de Che, tem a ver com o tempo que as autoridades demoram a fazer traduções do chinês para o português. E o deputado destaca o caso dos tribunais. “É necessário muito tempo para carregamento dos acórdãos dos diferentes tribunais no website. A publicação mais recente do Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base foi no dia 28 de Abril de 2022, e a publicação mais recente do Juízo Laboral foi no dia 21 de Janeiro de 2021. Não obstante a publicação mais recente do Juízo Criminal ter sido no dia 18 de Janeiro de 2023, a data da publicação anterior foi no dia 8 de Outubro de 2021, ou seja, registou-se um intervalo de dois anos”, apontou Che.

O Governo também não se livra de críticas, principalmente devido à suposta promoção da governação electrónica. Para Che é uma implementação a duas velocidades, em que a língua portuguesa é sempre descurada.

“O Governo não tem parado de realçar a necessidade de se continuar a promover o governo electrónico, mas a não divulgação atempada de informações impossibilita o respectivo acesso por parte do público, impedindo a implementação do governo electrónico e prejudicando o direito à informação dos residentes”, acusa.

Vamos lá “optimizar”

Num contexto em que a língua portuguesa está cada vez mais de marcha-atrás engatada, Che quer saber o que vai ser feito para “assegurar a utilização simultânea das duas línguas”. “De que medidas dispõe para o efeito?”, questiona. “O Governo deve ainda recrutar mais tradutores e actualizar, atempadamente, as informações em ambas as línguas, para evitar prejudicar os direitos e interesses dos residentes ao nível da respectiva consulta. Vai considerar fazê-lo?”, pergunta.

Ao mesmo tempo, Che WaiSang questiona o número de serviços do Governo com capacidade efectiva para cumprir as leis em vigor, no que diz respeito à utilização do português.

“Nos termos do n.º 1 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º101/99/M, ‘[t]odos têm o direito de se dirigir numa das línguas oficiais, oralmente ou por escrito, a qualquer órgão da Administração, bem como às entidades concessionárias no exercício de poderes de autoridade, e a receber resposta na língua oficial da sua opção.’ Actualmente, quantos serviços públicos cumprem e põem em prática, com rigor, esta norma?”, interroga.

Postedin Manchete, Política
Temas che sai wang, tradução

[Transcrição integral de artigo publicado no jornal “Hoje Macau” de 2 Mar 2023. Destaques meus. Imagem de topo de: semanário “Ponto Final” (também de Macau e também em Português)]

[Nota: não é mera coincidência o padrão da calçada portuguesa em Macau ser igual ao da imagem de cabeçalho do Apartado 53. Trata-se, evidentemente, de um traço cultural sui generis que se encontra em todos os países e territórios que foram outrora colónias portuguesas. Incluindo o Brasil.]

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A lógica instrumental do #AO90

«Países lusófonos apresentam resistência em introduzir as novas normas de modo efetivo. Por quê? O argumento principal é de que se trata de um acordo brasileiro»
«O Brasil ratificou a norma e deu início à implantação. Porém, o país parece estar só na viabilização dessas políticas públicas. Por quê? A questão é muito simples: toda a lógica instrumental do acordo é brasileira.»

[Marcos Nunes Carreiro, jornal “Opção” (Brasil),02.07.16]
[post
«Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira» [jornal “Opção” (Brasil)]

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«Portugal precisa de boa imigração e de investimento, do Brasil e dos países de língua portuguesa, da mesma forma que o Brasil e os outros países precisam de uma porta de entrada para um mercado europeu.»
«O primeiro-ministro português sabe isso e vai lutar na União Europeia por um regime especial para os cidadãos dos países de língua portuguesa, tentando aprovar – ou pelo menos permitir – a criação de uma primeira “cidadania da língua” na história universal.»

[José Manuel Diogo, “APBRA200”, 27.06.22]
[post
«Portugal, um Estado brasileiro na Europa»]

O “acordo” de 1990 foi o tiro de partida, aliás precedido de uma aparente falsa partida, em 1986, para uma longa corrida de (poucos) obstáculos e por etapas: Estatuto de Igualdade, Declaração de Brasília, Protocolo Modificativo, Acordo de Mobilidade.

Agora, com a meta já ultrapassada, os conspiradores rejubilam e preparavam-se até para convidar o putativo presidente da sua deles República para as comemorações; ao que parece, no entanto, a coisa seria por demais escandalosa, para já ainda convém ir disfarçando o estatuto de 28.º Estado da República Federativa do Brasil, o evento público de tomada de posse ficará talvez para o próximo ano, se calhar até no 10 de Junho.

Portanto, agora sim, o plano — cujos “ideais” neo-colonialistas já estavam aliás definidos muito antes de 1974 — está completo. Não será por os protagonistas de hoje serem filhos ou netos dos brasileiristas, vendilhões, negociantes e vigaristas de antanho que se deva presumir alguma espécie de abatimento (ou desconto) quanto a responsabilidades: os traidores actuais, os que renegam a História pátria e a sua própria memória, não têm antepassados — a falta de carácter não é hereditária — nem deixarão para a posteridade qualquer vestígio. Não. Um traidor é um traidor, extingue-se a si mesmo.

Porque é de traição que se fala quando se fala de tamanhas mentiras, a CPLB, o AO90, a “igualdade“, a “mobilidade“. Tão gigantesco é o embuste, aliás, que muito boa gente continua a recusar-se a acreditar seja possível semelhante absurdo, num país europeu, ainda por cima, e com mais de 800 anos e tudo. “Pode lá ser!”, dizem os incrédulos. Já outros, pouco ou nada incrédulos e bastante idiotas, passam logo ao chorrilho de insultos (de “reaccionários” ou “velhos do Restelo” a “fassistas”, passando por “preconceituosos, racistas e xenófobos” vale tudo), é preciso calar imediatamente quem se opõe à língua universáu brasileira, por isso cole-se aos incréus um rótulo na testa (“tipo” a estrela de David na lapela, que tão “bons” resultados deu), esfolem-se esses “negacionistas”, essa “cambada” que não acha que a língua tem letras a mais e que não é “muito complicada”, ora portanto, “simplifique-se”, os brasileiros é que a sabem toda.

Conviria ter algum tento na bola, por conseguinte, ou, ao menos, um mínimo de civilidade. Talvez recomendar um pouco de álgebra, por exemplo, conseguir apurar quantos são 2+2, bem, isso como requisito mínimo é capaz de ser realmente exorbitante.

Bem, mesmo assim, não sendo possível a alguns conseguir chegar ao resultado da referida operação algébrica (são 4, meninos e meninas), então ao menos podem tentar somar 1+1. A ver o que dá.

1=Comunidade de Países de Língua Brasileira (CPLB)
1=cidadania portuguesa (europeia) instantânea, automática e virtual
1+1=2 “cidadania da língua” brasileira

A “CPLP” é uma ficção inventada para integrar (nominalmente) os PALOP e servir como encobrimento político das ambições expansionistas e dos interesses económicos do Brasil. Nos termos previstos no Estatuto de Igualdade, a “igualdade” é uma prerrogativa exclusivamente reservada a brasileiros: os 5 PALOP estão excluídos e não existe reciprocidade para os portugueses.

Portanto as referências a “restantes” ou “demais” países da CPLP são pura falácia. Isso consta apenas do papel mas não vale nem a tinta que gasta a imprimir.

Conforme previsto no Acordo de Mobilidade (2021), esta mais recente e alucinantemente rápida sucessão de golpadas serve apenas para que brasileiros obtenham a nacionalidade portuguesa. Uma parte ficará por cá mas a maioria poderá emigrar (com passaporte europeu, logo, livre-trânsito) para qualquer dos outros 27 países da União Europeia.

E já pode ser tudo tratado remotamente. E nem é preciso pôr cá os pés. E até o expediente fica entregue à inteligência, digo, à estupidez artificial.

E tudo. Maravilhoso.

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