Search Results for – ""uma história (muito) mal contada""

Uma história (muito) mal contada [XXIV]

“Quantas assinaturas temos?” – 3

 

ilcao_esclarecimento1

E que tal se acabássemos com isto de uma vez por todas, hem? Afinal, raios, esta parvoíce de  “quantas assinaturas temos já tresanda! O que é demais é erro, caramba!

Pois sim. Pois será. Mas, na verdade, isto ele foram muitos anos a amochar em nome dos superiores interesses da Causa, perdoareis (ou não, paciência), sucede que fartei-me de levar e calar. Basta! Como dizem os brasileiros, “cansei de” ser o bombo da festa, logo, acabou a festa. Se porventura o assunto já for aborrecendo, pois tanto pior, ao fim e ao cabo ninguém é obrigado a ler coisa alguma e muito menos o que não agrada.

Aliás, ou conto a história para que ela deixe de estar assim tão mal contada ou então ninguém mais a contará — e portanto jamais alguém poderá entender as causas da coisa ou as coisas da Causa.

Ora, perdões à parte, aquela “pergunta” sobre as assinaturas não apenas foi o único pretexto para a sórdida campanha lançada contra a Iniciativa como explica, por si mesma, o ambiente tóxico a que, desde finais de 2011, tivemos de resistir.

Na minha opinião, quem manobra aqueles grupos anti-ILCAO, essa espécie de sexta-coluna que se infiltrou no  movimento anti-AO, é de facto gente que não brinca em serviço. A partir do momento em que o número exacto de subscrições foi por nós revelado, eles já apagaram, alteraram, eliminaram definitivamente conteúdos ou substituíram os mais ofensivos e comprometedores por outros completamente inócuos. Mas mesmo assim, além do que nesta história se vai expondo, de entre aquilo que fui guardando ao longo de todos estes anos, e o que alguns activistas da ILC-AO certamente conservarão em seu poder, um imenso manancial de documentação ainda restará com certeza, por aí, algures, para comprovar (ou provar) o que de facto se passou nesta “frente”, a do “fogo amigo”. É que, como se costuma dizer, quem tem amigos daqueles não precisa de inimigos.

Ou foram mesmo apagados conteúdos ou então sou só eu que já não os encontro; por exemplo, desapareceram todos os rastos das “causas” em que alguns dos aCtivistas anti-ILCAO militaram antes de se dedicarem a atacar a nossa iniciativa cívica; são consumidores de causas, portanto, coisa que lhes não convém se saiba. Desapareceram (ou não as vejo), no Fakebook, as páginas dos primeiros eventos a que chamaram “patuscadas” e que se destinavam, em teoria, a “recolher assinaturas para a ILC”, as quais (em que medida, é impossível saber-se) foram por eles “retidas”. O próprio grupo de “voluntários da ILC”, também no Fakebook, passou a ter o mesmo post repetido sucessivamente, removendo assim os posts reais das primeiras páginas. Desapareceram, se calhar, (quase) todos os conteúdos em que as suas “acções de recolha de assinaturas para a ILC” apareciam misturadas com actividades lucrativas ou com recolhas de fundos.

Mas nem apagando ou aldrabando registos conseguirão alterar os factos. O que pretendiam fazer, como plano A, parece-me mais do que óbvio: tomar de assalto a ILC-AO usando as “suas”  subscrições para nos chantagear. Se porventura isto não resultasse, então avançaria o plano B, igualmente simples: sabotar a ILC-AO usando o número exacto de assinaturas como pretexto para levantar suspeições sobre a Iniciativa e os seus promotores.

Posso até deduzir aquele plano A, passo a passo.

(mais…)

Uma história (muito) mal contada [XXIII]

Igreja_de_São_Francisco_de_Évora_-_Entrada_da_Capela_dos_OssosPai Nosso que estais no céus santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal. Ámen.

“Quantas assinaturas «temos»?” – 2

Confesso que nunca entendi, no “Pai Nosso”, a expressão “perdoai-nos as nossas ofensas”. Não percebo nada do assunto, a bem dizer — e literalmente — sou um perfeito leigo na matéria, mas, enfim, vejamos, quem ofende a Deus não incorre em pecado mortal? E se uma pessoa, se bem que formal e inerentemente pecadora, jamais O ofendeu? Nesse caso porque deverá pedir perdão por ofensas que não cometeu? Além disto, que já é aborrecido, o resto da oração na oração (“assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido“), peço desculpa pelo estilo blunt mas a coisa cheira-me a negociação manhosa, ou seja, parece que a gente está ali a pechinchar umas coisas com o Altíssimo, troca por troca, toma lá perdão, dá cá perdão.

Sobre esta matéria já Mateus se interrogava (18:21-22), interpelando o próprio Cristo:
«’Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?’ E Jesus respondeu: ‘Não até sete, mas até setenta vezes sete’»

Mistérios, como sabemos. Palpita-me, porém, esperando sinceramente não incorrer pelo dito no pecado, que eu cá devo ter perdoado, só desde 2008 e apenas no que toca à história que aqui se narra, um pouco mais do que 70X7 vezes. Entre traições e  deserções, injúrias e insultos, calúnias e difamações, foi algo como 71X7 vezes, isto é, contas redondas, uns 497 perdões. Ora, isto é um balúrdio, quase meio milhar, e por conseguinte — sem negociar, hem, que estamos aqui entre pessoas de bem — presumo já ter assegurado o meu lugarzinho no céu.

Por exemplo, voltemos à Terra, aquilo do apelo público a que os subscritores da ILC-AO “desassinassem” em massa: está perdoado, pronto, não se fala mais nisso.

Aliás, no caso desse rapaz houve que emitir perdões em série, tipo rolo de Ticket-O-Matic.

Apareceu o moço, surgido do nada, um ou dois dias depois do “2 de Fevereiro” e um ou dois meses depois da “aparição” já nos estava a “exigir” que o seu “perfil” de “subscritor” e o da senhora sua mãe constassem da nossa “galeria”; nesta apenas entravam perfis de subscritores, apoiantes e activistas convidados por nós, mas aquela dupla “exigência” foi logo ali perdoada, à cabeça, pronto, siga, lá colocámos ambos os perfis; posteriormente, o mesmo moço “exigiu” o apagamento da sua subscrição (e da de sua mãe) e do seu  perfil na “galeria” (idem quanto à  progenitora dele), ora, pois com certeza, é já a seguir, apaguem-se segundo as próprias vontades, adeus, estão ambos perdoados. Perdoámos-lhe igualmente quando teve (?) a ideia de se recolher assinaturas na Feira do Livro de Lisboa e fez o favor de nos dizer tudo aquilo que deveríamos fazer, tintim-por-tintim, materiais e pessoal necessários, etc., mas que estava demasiadamente ocupado para fazer ele mesmo fosse o que fosse, bom, está bem, isso é fácil,  perdoe-se. Depois, afinal, acabou por arranjar tempo, ao menos para recolher as assinaturas que deveriam ter sido remetidas para “o dito apartado de Carcavelos“, isto é, para a ILC-AO.

On 03-05-2012 19:39, I** M***** B****** wrote:

Cara Isabel Monteiro,
Não estava combinado que se deixasse as assinaturas na Gradiva.
No mail seguinte, eu reiterei que eles não queriam perturbações no “stand”.
Segundo uma fonte da ILC, as assinaturas são pessoais; devem ser guardadas pelos voluntários.
Disse num mail anterior que as recolheríamos no jantar (de dia 17 de Maio, no restaurante “A viúva”); ou, em alternativa, dando a uma pessoa que vá ao jantar.
Abraço,
Ivo MB

Isto, esta sonegação das subscrições, como já aqui foi explicado, é que não me parece seja lá muito fácil de perdoar.

(mais…)

Uma história (muito) mal contada [XXII]

possessos_dostoyevskyNo dia seguinte, Varvara Petrovna Stavrogina recebeu a visita de cinco homens de letras, três dos quais lhe eram desconhecidos. Com ar severo, declararam haver estudado o caso da revista em projecto e participaram a sua decisão: depois de fundado o periódico, devia ela ceder-lho com todos os capitais e nos termos de uma sociedade livre. Comprometer-se-ia também a voltar sem demora para o seu domínio, levando consigo Stepan Trofimovich Verkhovensky, esse velho farsante. Por delicadeza, reconheceram-lhe o direito de propriedade e prontificaram-se a pagar-lhe todos os anos a sexta parte dos lucros obtidos. O mais enternecedor de tudo foi o facto de quatro daqueles cinco indivíduos declararem não ter nenhum propósito lucrativo e só agir no interesse da «causa comum».

— Partimos desesperados — Contou Stepan Trofimovich. — Não percebia patavina do que se passava. Respirei de alívio ao chegar a Moscovo, como se naquela cidade pudesse encontrar coisa melhor. Ah, meus amigos — exclamava ele às vezes, diante de nós, como que tocado por uma inspiração súbita — não podeis medir a dor e a indignação que se apoderam da nossa alma quando uma ideia grande e nobre, que há muito tempo veneramos, é profanada por mãos inábeis e arrastada na lama. Depois encontramo-la assim conspurcada, sem forma nem harmonia, a servir de joguete a crianças desmioladas. Não! No nosso tempo as coisas passavam-se de outra forma. Isto agora desnorteia-me. Mas há-de vir uma época na qual se consolide o edifício que ameaça desmoronar-se. Senão, o que seria de nós?

Os Possessos“, Fyodor Dostoyevsky

———————–

“Quantas assinaturas temos?” – 1

Esta é realmente uma história (muito) mal contada, toda ela, sempre o foi, mas em especial quanto ao pormenor do número de subscrições recolhidas pela iniciativa. Pormenor esse que acabou por deixar de o ser, tornando-se a questão central a partir de certa altura: alguém, por algum motivo, em determinado momento, suscitou a polémica e urdiu a pretexto desse tema único uma estratégia de cerco, de assédio permanente e de insulto sistemático aos promotores da ILC-AO.

Perguntarem-nos “quantas assinaturas temos” começou por ser uma coisa perfeitamente natural, pois claro, não há nada mais natural do que a simples curiosidade, mas acabou — pelo menos para algumas alminhas — por se transformar numa verdadeira obsessão. De tal forma que aquilo deixou de ser uma pergunta e passou a implicar uma insinuação, primeiro, e uma ou várias acusações, por fim. Calúnias e mais calúnias, escusado será dizer.

Até à “fronteira” temporal já aqui referida, isto é, durante os primeiros dois anos, lá fomos respondendo com imensa tranquilidade a quem nos perguntava pelo número exacto, apenas de vez em quando porque a questão surgia só de quando em vez: a pergunta ainda era só isso mesmo, simples curiosidade.

Na verdade, após um breve período inicial em que as subscrições afluíram naturalmente em grande quantidade, entre Abril e Junho de 2010, rapidamente o afluxo começou a decrescer e seguiram-se longos meses de altos e baixos (com muito mais baixos do que altos) até a média diária chegar a um número que, sejamos directos, é de estarrecer: cinco por dia — cinco!

Desde o início da recolha de subscrições e até à tal “fronteira“, ou seja, de Abril de 2010 e Fevereiro de 2012, é facílimo fazer as contas, ainda que por simples estimativa (e de memória), a “quantas assinaturas”… tínhamos, nessa altura. Contando com cerca de 2.000 nos 3 meses de arranque, basta multiplicar por 5 o número de meses subsequentes (vezes 30 dias) até meados de Fevereiro de 2012, o que resulta numa bela contazinha. Vejamos então, assim à maneira das “contas de merceeiro”:
2.000+(5X20x30)=5.000.

É pouco? Claro que é pouco. É pouquíssimo, caramba! Mesmo sabendo nós que a “aldeia” anti-acordista é mais uma cidade de tamanho médio, com 200.000 “habitantes”, ainda assim temos de reconhecer as evidências: poucos desses “habitantes” se dão ao trabalho de preencher e enviar um impresso, é uma evidência, e, outra evidência ainda mais flagrante, parece que é ilegal andar por aí a apontar um revólver à cabeça dos cidadãos para que eles assinem um papel.

Portanto, em suma, a coisa foi esta mesmo: a ILC passou a “fronteira” do “2 de Fevereiro de 2012″ com cerca de 5.000 subscrições na “bagagem”; eram estes os “valores” que tínhamos a “declarar”, com aspas, nessa alfândega temporal.

Mas deveríamos tê-los efectivamente declarado, sem aspas? Deveríamos ter então divulgado esse quantitativo “maravilhoso”? E para quê? Com que finalidade, ao certo? Como reagiriam as pessoas se tomassem conhecimento dessa triste realidade? Não iriam os poucos militantes da Causa ficar (ainda mais) desmotivados? E, pelo contrário, do outro lado, essa divulgação, aquele número que era terrivelmente desmotivador para nós não iria dar (ainda mais) alento aos acordistas?

(mais…)

Uma história (muito) mal contada [XXI]

A resistência tem razões que a razão bem conhece

«Se estamos numa de palpites, deixo o meu: daqui a cinco anos ninguém se vai lembrar das razões de tanta resistência.»
Rui Tavares

Isto dizia Rui Tavares a propósito do AO90, em 24 de Julho de 2008. Quatro anos depois da tavariana “profecia”, a resistência estava mais fervilhante do que nunca.

RT5anos

 

2012 foi de facto um ano de viragem, em todos os aspectos. Em especial depois de franqueada a fronteira psicológica do “2 de Fevereiro”, isto é, a data em que  Vasco Graça Moura anulou o AO90 no Centro Cultural de Belém, os acontecimentos precipitaram-se espectacularmente. Além dos eventos realizados (e alguns falhados), dos sucessos (e certos insucessos), das notícias (e das não-notícias), dos avanços e retrocessos já relatados nesta história (muito) mal contada, houve ao longo desse ano de 2012 outras datas marcantes.

Por ordem cronológica, anotemos algumas delas.

Logo no dia 7 de Fevereiro, também a FLUL* anula o acordo ortográfico, segundo notícia da M80 rádio que posteriormente diversos OCS* viriam a difundir e que nós próprios tivemos o cuidado de confirmar junto da fonte original. Curiosamente (ou não, que já estamos habituados a estas governamentais trapalhadas), a notícia áudio refere que «Contactado pela M80 o Ministério da Educação fez saber que desconhecem o caso, já que as Faculdades são autónomas» mas o facto é que posteriormente, em data indeterminada, pelo menos o “site” daquela Faculdade acabou por ser totalmente arrasado pela máquina trituradora acordista. Ordens do patronato, deduz-se.

Avancemos.

Apenas uma semana após a decisão de VGM* no CCB*, o Editorial de dia 9 do Jornal de Angola — uma espécie de órgão oficioso do Governo angolano — deixava perfeitamente claro que aquele país não ratificou nem ratificará o “acordo ortográfico”; denotam-no com clareza expressões como “nada o justifica” ou “ninguém ouse impor regras“. Numa formulação ainda mais incisiva sobre a Língua Portuguesa, resulta claro que a posição oficial de Angola jamais será a de «pô-la a reboque do difícil comércio das palavras». Apenas alguns excertos desse editorial são o suficiente para entender toda a mensagem.

(…)
A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
(…)
O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos.
(…)
E o veículo utilizado foi o português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do “português tabeliónico” aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.
(…)
Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras.

[Excertos do editorial de 08.02.12 publicado no “Jornal de Angola“. Texto integral publicado no “site” da ILC-AO em 9 de Fevereiro de 2012.]

(mais…)

Uma história (muito) mal contada [XX]

No passado dia 7 de Dezembro uma delegação representativa do grupo de cidadãos que promovem a ILC contra o AO90 foi recebida por dois deputados do Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República, na sequência de encontros marcados com os diferentes grupos políticos com o fim de os informar a respeito da nossa luta e procurar apoios entre eles.

Esta reunião em particular alongou-se por várias horas e houve evidente interesse no assunto por parte dos deputados João Oliveira e Miguel Tiago.

Rocío Ramos

A ILC visita o Parlamento – ILC contra o Acordo Ortográfico

As causas da Causa

A maior parte do nosso trabalho sempre foi feito “pela calada”, em sentido literal, especialmente quanto a  contactos e reuniões de carácter estritamente político-partidário. Nada de “fazer ondas”! Trabalhámos, trabalhamos, trabalhemos sem qualquer alarido desnecessário, tão discretamente quanto possível, pois a essa espécie de “low profile” obrigam as regras implícitas do jogo político.

Chegados a Dezembro de 2012, já muita coisa se tinha passado neste âmbito: além das reuniões com dois deputados do PSD, tínhamos sido recebidos em audiência na CECC1, no dia 12 de Julho de 2012. E prosseguiu o seu curso, é claro, o nosso programa de audiências com deputados de várias áreas partidárias, a fim de os sensibilizar para a nossa iniciativa cívica em particular e para a oposição ao “acordo ortográfico” em geral. Muitos pedidos de reunião nos foram recusados, até então, e outros tantos viriam a ser  pura e simplesmente ignorados depois disso, é verdade, mas pelo menos duas das “bancadas” parlamentares conseguimos nós “furar”. Mas não somente. Até ao final daquele ano de 2012, para citar apenas alguns exemplos mais significativos, tivemos reuniões no jornal “Público” e na AEIST1, houve as palestras na FRAH1, em Espanha, e na Feira do Livro de Coimbra.

Portanto, estivemos lá, divulgámos a Causa, despertámos consciências, mobilizámos pessoas para a luta, promovemos a resistência activa e, sobretudo, conseguimos manter viva a polémica junto da opinião pública, com alguma repercussão nos órgãos de comunicação social. Em suma, até porque a “questão ortográfica” estava antes da ILC mais do que morta e enterrada, conseguimos liquidar a “política do facto consumado”.

Não se tratou de uma liquidação sumária, porém. Pelo contrário. Foi um longo e extremamente paciente trabalho de “minagem” da consumação, uma permanente e sistemática desmontagem do “facto”, em resultado de uma abordagem política de coerente e firme subversão do statu quo “desortográfico”. Quer dizer: tendo por objectivo último a revogação da entrada em vigor do AO90, o primeiro objectivo teria necessariamente de ser… não deixar a Causa morrer. “Só” isto.

A ILC-AO sempre foi muito mais do que uma simples iniciativa legislativa de cidadãos. A finalidade inicial tinha sido que alguma entidade de implantação nacional assumisse, patrocinasse e encabeçasse a ILC; como isso não sucedeu, pois então avançámos nós mesmos com a iniciativa,  mas sempre tendo presente que poucas ou nenhumas hipóteses teríamos, enquanto  simples “grupo de cidadãos”, se não conseguíssemos um número esmagador de subscrições. Portanto, teríamos de, usando a ILC como arma de arremesso (ou como  espada de Damocles  sobre a cabeça da Hydra acordista), procurar outras soluções com acrescidas hipóteses de sucesso.

Na verdade, o “problema” já tinha antes estado aparentemente “resolvido”, e até por mais do que uma vez, mas foi de facto naquele (belo) dia 7 de Dezembro de 2012 que a “questão ortográfica” alcançou finalmente um patamar sólido e exequível para a tão desejada solução: uma “bancada” parlamentar iria propor a constituição de um Grupo de Trabalho sobre o AO90.

Como já tinha sucedido com a palestra em Zamora, que é a sua cidade natal, também a ideia deste encontro com os deputados do PCP foi de Rocío Ramos, que é militante da espanhola Izquierda Unida. Nada de mais natural, portanto, que, sendo ela comunista e, ao mesmo tempo, sendo também a mais veterana activista da ILC-AO, tivesse sugerido a ideia e feito questão de estar presente nesse encontro no Parlamento português. RV1 estabeleceu os primeiros contactos com os deputados e HC1 preparou um “dossier” com documentação.

(mais…)

Uma história (muito) mal contada [XIX]

pastapreta1A pasta preta

7 de Junho de 2012. Um dia marcante. Mais uma vez, o problema estava resolvido. Seria desta, finalmente?

Muita água tinha já corrido sob as pontes desde o “2 de Fevereiro“. E, como sucede num jogo de batalha naval, que é brincadeira, mas não deveria acontecer nesta luta, que é séria, foi nessa mesma “água” que acertaram alguns dos nossos “tiros”.

Já tínhamos percebido por aquela altura, meados de 2012, que o destino mais provável da ILC — caso a entregássemos com “apenas” as 35.000 assinaturas exigidas — seria a recusa liminar, a priori, ou então a sua (humilhante)  derrota se porventura chegasse a ser votada no Parlamento.

Havia, portanto, que ir procurando  alternativas.

Por exemplo, sugerir aos deputados que tinham votado contra a RAR 35/2008 que avançassem eles mesmos com uma resolução ou outra iniciativa parlamentar do mesmo teor.

Para os que votaram contra a RAR 35/2008 poderem avançar “internamente” com uma iniciativa (ou resolução) própria teriam de ser pelo menos 23 (10% do total dos assentos parlamentares) e não apenas 4, que foram quantos votaram de facto contra a dita RAR. Ainda que pudessem contar com os 17 deputados que se abstiveram naquela mesma votação, seriam 21 no total: não era suficiente. Acresce que seria muito difícil os deputados do PCP, o único partido que então se absteve em bloco, aliarem-se numa iniciativa legislativa aos seus mais férreos adversários políticos, no mesmo hemiciclo onde todos os dias se confrontam. E acresce ainda que não é lá muito fácil ao povo sequer chegar “à fala” com os seus representantes no Parlamento, quanto mais convidar uns quantos deles, de vários partidos, para conversar placidamente à volta de uma mesa.

Mas foi isto mesmo o que efectivamente tentámos. Já tínhamos encetado contactos nesse sentido, tendo como alvo preferencial alguns dos deputados de diferentes “bancadas” que tinham tomado posição pública contra o AO90.

Um precedente, ainda no ano anterior, tinha entreaberto essa “porta”. Numa mensagem com data de 27 de Abril de 2011.

Não só já enviei por correio a minha subscrição de tal iniciativa legislativa, como enviei também as subscrições de outros elementos do meu agregado familiar.

Como pode verificar abaixo, a frase “O deputado Mendes Bota não se submete ao Acordo Ortográfico. Só por descuido!” consta em todos os email que envio, e só tenho recebido aplausos por essa posição.

Não sei o que pretendem colocar no meu perfil de subscritor e entusiástico apoiante da ILC. Sem qualquer pretensiosismo envio uns resumos biográficos que preparei recentemente, podem utilizá-los ou não, à vossa inteira vontade.

A (profusa e profícua) troca de correspondência com este deputado prolongou-se por todo o ano de 2011 e prosseguiu ainda mais intensamente em 2012. Depois de publicado o seu perfil na “galeria” de subscritores, apoiantes e activistas da ILC-AO, José Mendes Bota assinou também um excelente texto, de incentivo à subscrição da iniciativa, que saiu na edição do jornal “Público” de 3 de Maio de 2012. Por fim,  no dia 7 de Junho seguinte, recebeu-me no seu gabinete do “edifício novo” do Palácio de S. Bento.

(mais…)