Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Angola

‘Improba vita, mors optabilior’

Irreversível, o acordo ortográfico? Só uma coisa é irreversível: a morte

Nuno Pacheco
publico.pt, 10 de Janeiro de 2019, 7:30
(actualizada às 11:25)

 

Chegado a 2019, o grupo Cofina decidiu estender a aplicação do acordo ortográfico de 1990 (AO90) às restantes publicações do grupo. Já aplicado no Correio da Manhã, no Destak, no Record e na CMTV, ei-lo agora no Jornal de Negócios e nas revistas Sábado, Máxima e TV Guia.

Razões? Porque “é inegável que a sua aceitação está estabilizada e é irreversível”, disse o director do Jornal de Negócios. Já a Sábado, na pequena nota que escreveu sobre o assunto, quis deixar bem claro que “o novo acordo não é perfeito, foi mais político do que técnico, mas é hoje uma realidade incontornável e definitivamente assimilada na sociedade portuguesa”. Mais: “Quando várias gerações de jovens estudantes já estudam por manuais adaptados à nova grafia e toda a administração pública está vinculada a ele, não faz sentido persistir numa atitude de resistência anacrónica.”

Recuando seis anos, há alguma similitude com o argumento invocado pelo Correio da Manhã para “adotar” (sic) o AO90 a partir de 2 de Janeiro de 2013. “Já é seguido nos manuais escolares, nos livros, na legendagem”, diziam. Para concluir: “Nunca seremos um obstáculo à mudança.” Portanto, toca a “tornar a comunicação mais fácil”. Como? Escolhendo o que mais lhes convinha, claro! “Nas palavras que admitem dupla grafia optámos por manter tal como na ‘escrita antiga’.”

Sim? Fizeram-no em pára e “para”. Mas é bom recordar o resto: se entre espectador e “espetador” e ceptro e “cetro” escolheram as primeiras, no mais fizeram o contrário do que prometiam, optando por “aspeto” em lugar de aspecto, “carateres” em vez de caracteres, “receção” em vez de recepção, “perentório” em vez de peremptório, “setor” em vez de sector, sendo os restantes exemplos falsas escolhas, porque apresentavam como “dupla grafia” palavras que nunca existiram em Portugal, sendo usadas apenas na fala e na escrita brasileira: anistia (amnistia), indenizar (indemnizar), suntuoso (sumptuoso), fato (como facto) ou até gênio (génio)!

É isto optar pela “escrita antiga”? Não leram sequer o que escreveram? Não devem ter lido, senão não deixavam passar esta “dupla grafia” extraordinária: “​fémea” [sic] e fêmea. Escolheram a segunda, claro. Aliás, era fácil, porque a primeira não existe em lado nenhum. Ia assim a brincadeira, nos idos de 2013. Agora, por decisão cofineira, alastrou. Teme-se o pior.

Mas, para lá desta mudança, que só irá contribuir para ampliar o caos ortográfico reinante a que alguns chamam “nova ortografia” (embora não passe de uma ridícula mistura de grafias a esmo, sem freio nem norte), pesemos os argumentos. O AO90 é mesmo uma “realidade incontornável e definitivamente assimilada na sociedade portuguesa”? E é verdade que “a sua aceitação está estabilizada e é irreversível”?

Para palavras, antes tivessem escolhido “enfermeiros”, como fez a Porto Editora. Era mais aplicável neste contexto, até porque a ortografia da língua portuguesa, na forma que lhe foi imposta em Portugal (não por lei, mas já lá iremos), precisa mais de cuidados médicos do que de palavras como “incontornável”, “assimilada”, “estabilizada” e “irreversível”. Todas falsas, como a realidade demonstra.

Mas recuemos a 2011, quando o XIX Governo (PSD-CDS) dizia no seu programa que “acompanhará a adopção do Acordo Ortográfico” (assim mesmo, sem AO90, senão teriam escrito “adoção”) com vista à “crescente universalização” da língua portuguesa. Na mesma altura, o então secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, declarava ao Diário Digital: “O acordo ortográfico é uma nova norma do acordo a que se chegou e é para ser implementado. Vamos prosseguir o trabalho de implementação porque é um caminho sem retorno.”

Dois anos depois, já ex-governante, o mesmo Francisco José Viegas afirmava ao jornal Record (25/3/2013): “Já não suporto falar do acordo ortográfico, acho que já ninguém o suporta. Portugal e o Brasil já não suportam o acordo ortográfico. E o que acontece é que para fechar o acordo é preciso fechar o vocabulário. Agora isso ainda não aconteceu. E o Governo anterior quis correr mais depressa, ser pioneiro nessa matéria, e impôs a entrada em vigor para 2012. Sem Angola ter dito que sim e sem o vocabulário estar concluído.”

Chegados a 2019, eis o panorama: o dito “vocabulário” está “concluído”, não um mas vários e contraditórios entre si; Angola, tal como Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste não entregaram os instrumentos de ratificação do AO90, logo não lhe disseram “sim”; e o AO90, que inventou para Portugal um grande número de palavras que ninguém aplica noutro país (mudando até muitas que aqui e no Brasil se escreviam da mesma maneira), está “em vigor” por resoluções do Conselho de Ministros e da Assembleia da República, enquanto o acordo de 1945 se mantém em vigor por lei – que não foi revogada, nem podia ser, por resoluções ministeriais ou parlamentares.

A finalizar, e parafraseando Francisco José Viegas, se já ninguém suportava o acordo ortográfico em 2013, o que devemos dizer agora, em 2019? Talvez isto: como várias asneiras outrora cometidas e felizmente corrigidas, esta só espera por um momento de clarividência. Porque irreversível, neste mundo, só mesmo a morte.

Errata: Por lapso (já corrigido), escrevi inicialmente, no segundo parágrafo, Visão onde deveria estar, como é óbvio, Sábado. As minhas desculpas aos leitores e às revistas visadas.

Nuno Pacheco

[Os “links” a verde são meus.]

Share

“Políticas linguísticas”…

Sempre batendo na única tecla que sabe tocar (pim pim pim pim), ou seja, o “colonialismo” mai-las respectivas maroteiras, e sistematicamente culpando com efeitos retroactivos — à boa maneira brasileira — o “tuga” pelas desgraças que assolam o seu país, o angolano Zau (nascido em Lisboa, músico da banda “Maravilha”) vem agora esclarecer, se bem que não se perceba nada, que existirá porventura em Angola uma coisa a que chama “políticas linguísticas no ensino primário”. Coisa essa que eu cá, devo dizer, do alto da minha ignorância sobre Angola em geral e sobre maravilhas em particular, acho fantástico.

Convém esclarecer, para que se entenda alguma coisinha deste texto quase integralmente incompreensível (bem, pelo menos para a paupérrima inteligência da minha chatérrima pessoa), que este senhor Zau ostenta, além do título académico que faz questão de amostrar (citemos, com a devida vénia, “Ph. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais”, ena, soergamos nossos glúteos em sinal de respeito), o não tão honroso sub-título de co-signatário do AO90. Ou “cocossignatário”, como “manda” grafar o AO90 quando há mais do que um “co” a “cocoisar”.

Se bem que uns anos após tal fatalidade (a cocossignatura) o senhor pareça ter mudado de opinião, a mim me parece não haver nessa hipotética mudança um átomo de sinceridade ou sequer um módico de convicção. Talvez o cambalacho tenha tomado um rumo que porventura não antecipou (afinal, raios, não há “acordo” nenhum, isto é só impor o “brasileiro” aos indígenas e nada mais) e portanto o homem foi ligeiramente aos arames com a brincadeira. Compreende-se, vá. Delegado angolano com Ph. D e tudo, um gajo que até tocou na banda “Maravilha” e acompanhou (nas congas?) o “Duo Ouro Negro”, bem, isto não se faz, já não há respeito, no fim de contas foi tudo uma grande aldrabice, aiaiaiaiaiai, não brinquemos, eles nem sabem com quem se meteram.

Vai, Filipe, dá-les! Dá-les!

Contribuições para a implementação de políticas linguísticas no ensino primário

“Jornal de Angola”, 9 de Dezembro, 2018
Filipe Zau |*

Através da análise das experiências educativas em países africanos, alguns deles vizinhos de Angola, pudemos, em artigos anteriores, verificar a importância das políticas linguísticas, quer do ponto de vista da aprendizagem, quer patrimonial.

De um modo geral, as administrações coloniais impuseram às populações africanas estratégias de aculturação, que, através do assimilacionismo, levaram as gerações mais jovens de africanos, sobretudo das áreas urbanas e sub-urbanas, a perderem valores e hábitos culturais para aquisição de atitudes e comportamentos característicos da sociedade dominante. Tal ocorreu, em grande parte, com as administrações coloniais francesa e portuguesa. De acordo com uma fonte da UNESCO sobre “Políticas de Educação e Formação na África Sub-Saariana”, em 1987, a França chegou a fazer 4 experiências de utilização de línguas africanas no ensino, contra 11 de utilização exclusiva da língua metropolitana, enquanto Portugal não realizou nenhuma experiência nas suas cinco colónias em África. Contrariamente, a Grã-Bretanha fez 13 experiências de utilização de línguas africanas no ensino oficial contra 2 de utilização exclusiva na língua inglesa. Já a Bélgica, apenas no ex-Congo Belga (actual Congo Democrático), fez duas experiências de línguas africanas e apenas uma, em regime de exclusividade, em língua francesa.

Porém, existe também a escola da vida, pelo que não há uma única forma de educação nem um único modelo de ensino. A escola não é evidentemente o único lugar onde as pessoas aprendem, o ensino escolar não é a única prática educativa, nem o professor o seu único praticante. “Em casa, na rua, na igreja ou na escola, aprende-se e ensina-se para saber, para saber-fazer; para saber-ser e para saber-conviver”, diz-nos também o sociólogo brasileiro Carlos Rodrigues Brandão.

(mais…)

Share

Há dinheiro, há palhaços

Orçamento do Instituto Camões não diminui e poderá ir até 70 ME em 2019

Lisboa, 30 Nov (Lusa) – O orçamento de 2019 do Camões não deverá baixar face a 2018, ficando entre 60 e 70 milhões de euros, e é suficiente para cumprir os objectivos da entidade, agregando orçamento de instituições europeias, disse hoje o seu presidente.

Em entrevista à Lusa, a propósito do seu primeiro mandato como presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Luís Faro Ramos afirmou que, no próximo ano, o Orçamento do Estado deve prever “um valor entre 60 a 70 milhões de euros”, mas o responsável ressalvou que ainda se desconhecem quais serão as cativações.

No ano passado, o orçamento do Camões “foi de 60 milhões de euros, mas desse valor, 20 milhões são para pagar à rede de professores de ensino do português no estrangeiro”, destaca.

O facto de não estar prevista uma diminuição do orçamento no próximo ano já é, para Faro Ramos, “muito bom”.

Além disso, explica, o Camões está a tentar agregar ao orçamento financiado pelo Orçamento Geral do Estado “orçamento que vem de instituições europeias”.

“Existe uma modalidade de cooperação para o desenvolvimento, que é a cooperação delegada, que o Camões, que é uma entidade certificada para executar projectos em nome da União Europeia irá aproveitar”, explicou.

“Isto também nos ajuda a reforçar a área da cooperação”, afirmou o diplomata.

Por isso, assegurou, “os recursos financeiros do instituto são suficientes [para dar resposta às ambições do Governo em termos de metas]”, mas é necessário alocá-los “de uma maneira judiciosa às várias actividades – cooperação, cultura e língua -, e obviamente à estrutura, que tem um peso significativo no orçamento”, sublinhou.

Temos o que precisamos” e as metas coadunam-se com o orçamento, garantiu Faro Ramos.

No âmbito da cooperação delegada, estão alguns dos projectos que estão a ser pensados com Angola e que vão ser certamente executados nos próximos anos. “Projectos, aliás, muito importantes e que se enquadram num contexto do novo relacionamento estratégico com Angola”, afirma o diplomata.

Luís Faro Ramos faz um balanço “positivo” de um ano de mandato à frente do Camões e diz que as perspectivas para 2019 também são boas.

“Obviamente que também houve dificuldades, mas também se não as houvesse não teria sido tão desafiante. É o que temos, os recursos humanos que temos e os recursos financeiros que temos. E os números estão todos em crescimento. O balanço de 2018 é muito positivo e as perspectivas para o próximo ano também”, afirmou.

“Há mais alunos a estudar de português pelo mundo fora, 200 mil, há mais professores, há mais pessoas interessadas em aprender o português, há mais protocolos com instituições de ensino assinados, há mais países onde o português está a ser ensinado no currículo escolar, há mais actividades culturais”, descreveu.

O embaixador revela ainda que “todos os dias” recebe pedidos no Camões, vindos do mundo inteiro, de autoridades que querem ensinar o português ou acções culturais com o Camões e isso, considerou, “é o mais compensador”.

E sublinha que esse é o resultado de um trabalho “notável” da equipa, tanto a da sede, em Lisboa, como a que trabalha um pouco por todo o mundo, num total de 600 pessoas.

Sobre a escolha de um diplomata para o lugar que ocupa, Faro Ramos diz que “é um reconhecimento do valor da carreira diplomática portuguesa”.

“Isso é reconhecer que as actividades do instituto, seja a promoção da língua e cultura portuguesas, seja a cooperação para o desenvolvimento, são centrais para a política externa do nosso país e isso é muito reconfortante”, destacou.

A rede do Camões alcança mais de 80 países, embora na área da cooperação as prioridades do instituto vão, como definido há muito pelo Governo português, para os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste.

Para 2019, além do crescimento do ensino do português pelo mundo e do reforço da cooperação Luis Faro Ramos, quer também aumentar o número de bolseiros.

“O Camões pretende reforçar o número de bolsas atribuídas em 2019”, disse o presidente do instituto, não querendo avançar com metas.

Actualmente, o Camões tem mais de 500 bolseiros dos países africanos de língua portuguesa e de Timor-Leste, seja em bolsas externas (as que os estudantes desses países recebem para estudar em Portugal), seja em internas (as que os aluno recebem para estudarem nos seus próprios países), adiantou.

Mas na opinião do diplomata, “em termos de promoção dos nossos valores, as bolsas são fundamentais”.

“Dar a um estudante de um país lusófono uma bolsa no nosso país, é estarmos a dar-lhe directamente a conhecer os nossos valores, a nossa cultura e economia”, salientou.

Além disso, os bolseiros são pessoas que normalmente “no futuro terão um papel importante a desempenhar nos seus países” e são por isso “absolutamente fundamentais na política portuguesa de cooperação para o desenvolvimento”.

Faro Ramos lembrou ainda que, além destas bolsas que o Camões atribui, “há inúmeras outras bolsas que as universidades portuguesas dão a pessoas dos países lusófonos”.

ATR // JH – Lusa /Fim
Source: Orçamento do Instituto Camões não diminui e poderá ir até 70 ME em 2019

 

[Via Olga Rodrigues. “Links” e destaques meus. Imagem de: Kisspng]

Share

A mula da “cupulativa”

Deste artigo há um “facto político” a reter: o semanário “Expresso”, que aferrolha na versão online todos os  seus conteúdos — quem quiser ler qualquer daquelas “preciosidades” tem de pagar — deixou aberto este artigo, sem qualquer ferrolho virtual, totalmente grátis para quem o quiser ler.

Este raro fenómeno de extraordinária generosidade terá porventura, por exclusão de partes, uma única explicação: o “Expresso”, enquanto órgão central da seita DDT (em especial dos ramos maçónico, Bilderberg e Opus Dei), abre os cordões à bolsa em se tratando — exclusivamente — de pura propaganda do “ideário” lojista (na acepção do avental decorativo, não do utilitário).

Traduzindo em miúdos esta hermética linguagem, que não por mero acaso adoram os próprios aventaleiros Donos Disto Tudo: este artigo, abrilhantado e servido pelo mais promissor irmãozinho da confraria, é grátis apenas porque serve de panfleto promocional.

Expresso | Augusto Santos Silva: “Temos de olhar para Angola como o nosso próximo Brasil”

Quatro dias depois de João Lourenço deixar Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros responde aos cépticos: “Quem não compreender o que está a acontecer em Angola não está a compreender nada”. Numa conferência com banqueiros, advogados, empresários e diplomatas, Santos Silva criticou o BCE e avisou a Europa: “Desvalorizar a relação com África é um erro crasso”.

Augusto Santos Silva não deixou arrefecer a visita de Estado que o Presidente de Angola fez a Portugal e que Marcelo Rebelo de Sousa retribuirá em Março quando se deslocar a Luanda. Quarta-feira, numa conferência em Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros insistiu (para céptico ouvir?) que o apelo deixado por João Lourenço para que os portugueses se virem “em força” para Angola é a sério e que “quem não compreender o que está a acontecer em Angola não está a compreender nada”.

Temos de olhar para Angola como o nosso próximo Brasil“, arriscou o ministro , que foi o convidado de mais uma conferência organizada pela Abreu Advogados, desta vez sobre o tema “O papel de África na política externa portuguesa”. Muito crítico da forma como a Europa, e em particular o Banco Central Europeu, têm encarado a relação com o continente africano – “a Europa não se pode fechar sobre si própria” -, Santos Silva explicou como África tem um papel “absolutamente central” não só na nossa política externa como na nossa política europeia.

“Quando nos perguntam se Portugal vale na Europa pelo que vale fora ou se vale fora pelo que vale na Europa, eu uso a cupulativa“, afirmou. Ou seja, Portugal vale pela soma e pela relação privilegiada que mantém com africanos e europeus. Prova disso, anunciou o ministro, é que “uma das prioridades da presidência da União Europeia que Portugal assumirá em 2021” vai ser, precisamente, “a relação Europa-África”.

Convicto de que “grande parte dos problemas e das potencialidades da Europa só se resolvem em parceria com África”, Augusto Santos Silva exemplificou com as questões demográficas, a segurança, o crescimento, as necessidades de comércio, e os movimentos migratórios, para concluir que no actual contexto internacional, “desvalorizar a relação com África é um erro crasso”. No caso português, o ministro assumiu que “as duas Áfricas, Magrebe e Subsariana, são igualmente próximas”. Mas deu destaque a Moçambique e a Angola, que na sua opinião “vai ser o navio-almirante da língua portuguesa no mundo“.

Muito crítico da forma como o BCE obrigou à desalavancagem do investimento financeiro europeu em África – “um erro enorme” – Santos Silva viu nessa decisão “um preconceito” e avisou que “é um erro querer usar a mesma forma de sapato para pés diferentes”. É preciso “aumentar o orçamento comunitário”, fazer “mais parcerias para investimento“, defendeu o chefe da diplomacia portuguesa, que insistiu na oportunidade que representam para os portugueses as possíveis parcerias com Angola na educação, saúde, agricultura e investimento.

Marques Mendes, presidente do conselho estratégico da Abreu Advogados, também falou de Angola como “um mundo de oportunidades”, quem sabe até para “novos clientes”. Na plateia, a ouvir Augusto Santos Silva estiveram, entre outros, os CEO e Chairman do BCP, Miguel Maia e Nuno Amado, o CEO do Novo Banco, António Ramalho, o vice da Caixa Geral de Depósitos, José João Guilherme, Eduardo Catroga da EDP, Bruno Bobone da Câmara de Comércio luso-angolana, os presidentes da Siemens e dos CTT, responsáveis do grupo Sana, deputados, e os embaixadores de Angola, Moçambique e Bélgica.

 

[Source: Expresso | Augusto Santos Silva: “Temos de olhar para Angola como o nosso próximo Brasil” . Destaques meus. Imagem de topo de: Masoneria Libertaria.]

Share

Ligue os pontos para ver a imagem “escondida”

 

«Luandino Vieira, Pepetela, Ondjaki fazem parte dos geniais que tiveram a audácia de escrever em “mau” português o Desacordo Ortográfico. O diálogo fora criado a partir da similaridade e da diversidade que nos remonta para um convívio linguístico onde a língua portuguesa é apenas um dos códigos das nacionalidades /internacionalidades dos escritores. Fica a saudade do livro e a vontade de comprar outro Desacordo Ortográfico. E no futuro, quem sabe, o “Lusíadas de Angola”.»

[Transcrição de: “Um ataque pessoal a Camões” | Artigos | Opinião | Jornal de Angola – Online]”
[“Angola em ‘Desacordo Ortográfico”, 01.05.17]

Editar em Portugal “é mais fácil” para autores angolanos, mas depende – autor e editor

 

O editor livreiro Zeferino Coelho defende que “é mais fácil aos autores angolanos editar” em Portugal e chegar a outras paragens, nomeadamente o Brasil, enquanto o escritor angolano Pepetela considera que “depende”, justificando-se pelos “percursos individuais” dos autores.

Lusa/”DN” , 24 Novembro 2018

 

Para Pepetela, que recentemente publicou em Portugal “Sua Excelência de Corpo Presente”, em declarações à agência Lusa afirmou: “Eu acho que depende, há muitos percursos individuais, há gente que se lançou e é conhecida, publicando em Londres”.

“O Sousa Jamba, por exemplo, começou por publicar o livro dele, ‘Os Patriotas’, em Londres, e só depois em Luanda, mas há outros casos que passaram por Portugal, sobretudo mais da minha geração”, disse o escritor nascido há 77 anos, em Benguela, no sul de Angola, e que, em 1997, se tornou o primeiro autor angolano a receber o Prémio Camões.

Depois da independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975, os autores angolanos começaram a ser publicados em Portugal. Pepetela recordou que “havia um acordo entre a União de Escritores Angolanos (UEA) e as Edições 70, em Portugal”.

“Esse grupo, dos primeiros escritores que formaram a UEA, passaram a ser conhecidos em Portugal, com mais ou menos destaque, e uns foram traduzidos e outros não”, disse Pepetela, referindo que “há escritores que publicaram em Luanda e foram traduzidos para outras línguas”, e citou o poeta Lopito Feijó, que publicou em Espanha, antes de publicar em Portugal.

Lopito Feijó, 55 anos, foi cofundador da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e é membro da UEA. Em 2015, publicou “Desejos da Aminata”, obra poética inspirada na sua mulher. O poeta, que foi deputado à Assembleia Popular, está também traduzido, entre outros idiomas, em francês e inglês.

Pepetela reconheceu que “Portugal tem ainda um papel importante”, mas referiu que a edição no Brasil, sendo “rara”, já vai acontecendo, e permite mais rapidamente o acesso ao mercado de língua espanhola, “e a partir do espanhol, parece-me, há uma difusão maior”.

O editor livreiro Zeferino Coelho, por seu turno, argumentou que “o facto de as editoras nacionais, prestigiadas, interna e internacionalmente, que compram e vendem direitos de publicação”, serem “conhecidas um pouco por todo lado”, dá uma maior visibilidade aos escritores que editam, nomeadamente os angolanos.

“Isto é assim desde há bastante tempo, continua a ser e acho que vai ser”, argumentou.

Zeferino Coelho lidera a Editorial Caminho, que publicou a coleção “Uma terra Sem Amos”, no âmbito da qual vários escritores africanos de língua portuguesa editaram, como “A Conjura”, do angolano José Eduardo Agualusa, que continua a publicar em editoras portuguesas.

O Grupo LeYa, do qual faz parte a Editorial Caminho, que é liderada por Zeferino Coelho, tem uma editora em Angola, a Nzila

Jorge Mendonça, Ondjacki, Luandino Vieira ou Pepetela, de quem saiu recentemente “Sua Excelência de Corpo Presente”, e Kalaf Epalanga, que no ano passado lançou “Também os Brancos Sabem Dançar”, são alguns dos escritores angolanos que editam sob a chancela do grupo LeYa.

“É melhor publicar [em Portugal], que apenas em Angola. Aqui ganham maior visibilidade porque há atenção de meios [de comunicação] internacionais do que se passa no mundo Língua Portuguesa”, disse Zeferino Coelho à Lusa, referindo, todavia, que “não é algo muito forte, mas ainda assim há”.

O editor realçou ainda que a atenção que em Portugal se presta a um autor angolano “é maior” que noutros países, e que actividade editorial portuguesa é mais dinâmica do que a angolana.

[Source: Editar em Portugal ″é mais fácil″ para autores angolanos, mas depende – autor e editor. “DN”/Lusa, 24.11.18. Destaques, sublinhados e “links” meus. Imagem de topo de: “Connect The Dots” ( European Donkeys).]

Share

O grande timoneiro

Mais uma vez lá vem Marcelo, no seu peculiar estilo nacional-porreirista, meter o bedelho onde não é chamado. Na verdade, para estes números circenses da “lusofonia” já temos um especialista em malabarismos, o inefável Augusto Santos Silva. “Negócios estrangeiros”, desde logo por inerência terminológica, são trapalhadas da competência exclusiva do MNE; ao PR, nesta como em qualquer outra matéria de gestão da “coisa pública”, toca um papel meramente protocolar, içar a bandeira, escutar em sentido o hino, acenar ao povo, etc. Identificar as diferenças entre “poder executivo” e “poder passar revista às tropas”, distinguir “negócios estrangeiros” de “ócios no estrangeiro”, conhecer estas comezinhas evidências não implica necessariamente um doutoramento na Sorbonne, aprende-se até na Wikipedia ou nos pacotinhos de açúcar do acordista Nabeiro.

Mas “prontos”, o que se há-de fazer, Marcelo é omnipresente, Marcelo é omnisciente, Marcelo “comenta tudo, tudo, no próprio dia” — como afirma Pereira — e portanto lá temos que levar com ele, salvo seja, também debitando seus palpites em matéria de “livre circulação” dentro da CPLB (Cambalacho de Países de Língua Brasileira) e sobre a forma como Portugal poderá, enquanto membro da União Europeia, aldrabar em simultâneo e pela mesma via as regras do Acordo de Schengen.

Entretanto, ou por acréscimo a esta saga palpiteira, à laia de recheio, assim como se abríssemos uma carcaça e lá dentro aparecesse um Pokémon (vivo), diz Marcelo sobre o AO90 que ah, e tal, “não quero pronunciar-me para não abrir uma querela”.

Ou seja, a aparente querela que “aqui há atrasado” o mesmíssimo Marcelo simulou sobre o assunto, fingindo embirrar com Malaca e devolvendo-lhe este a cortesia, não passou afinal de tremenda fita, uma encenação, uma peça teatral de cabo a rabo.  Peça essa que estreou em Maio de 2016 e que teve, ao menos aqui, a devida resposta de um apreciador de Teatro que não aprecia aldrabices em palco, literal ou metaforicamente falando:

«Quando o actual Presidente da República proclamou, em 2008, que “Portugal tem de lutar para dar a primazia ao Brasil” e quando, em 2015, reforçou essa “ideia” defendendo um “acordo militante”… queria ele dizer o quê, ao certo?» [O camartelo (1)]

 

Marcelo admite que se pode “ir mais longe” na liberdade de circulação dos nacionais da CPLP

Lusa/”Observador”, 19.11.18

O Presidente da República começou por distinguir os problemas do “lado burocrático”, em relação ao quais o MNE tem feito um “esforço permanente e contido para ultrapassar.”

—————

O Presidente da República português considerou existir “uma janela de oportunidade para a mobilidade no espaço” dos cidadãos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), podendo-se “ir mais longe” na liberdade de circulação.

Em entrevista à Rádio Nacional de Angola, esta segunda-feira difundida, questionado sobre as dificuldades na concessão de vistos para a entrada no espaço europeu, Marcelo Rebelo de Sousa começou por distinguir os problemas do “lado burocrático”, em relação ao quais o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem feito um “esforço permanente e contido para ultrapassar”, dos relacionados com a liberdade de circulação.

Penso que, mesmo respeitando as regras de outras comunidades, como a União Europeia, há espaço para irmos mais longe na circulação”, sustentou o chefe de Estado português, para quem existe actualmente “uma oportunidade muito boa, porventura única, para se avançar em domínios como este”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse depositar “muita esperança” nas presidências da CPLP, actual (Cabo Verde) e seguinte (Angola), para a resolução deste problema.

Questionado se o problema deve ser resolvido no quadro da CPLP ou bilateralmente, o Presidente da República português afirmou preferir a forma de resolução global, no quadro da comunidade dos países que falam português. “O ideal era irmos multilateralmente, no quadro da CPLP, mas eu admito que, se isso não puder avançar, que se avance bilateralmente”, acrescentou.

Quanto à questão do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que Angola ainda não ratificou, tal como Moçambique, o chefe de Estado português disse que evita pronunciar-se, “para não abrir uma querela”, embora acompanhe “com interesse” as posições dos vários países da comunidade.

Muito ruído introduzido pela minha pronúncia não facilitava a convergência”, argumentou, defendendo a necessidade de “aproximar realidades que têm muito em comum, mas, legitimamente, têm posições próprias”. “Essa é uma matéria que poderá vir, porventura, a ser equacionada, se os responsáveis políticos entenderem que merece, a nível de CPLP ou a nível meramente informal, uma troca de impressões adicional no futuro”, salientou.

Na entrevista, interpelado sobre o pagamento das dívidas angolanas a empresas portuguesas, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou a “forma franca e honesta, clara e frontal” como o ministro das Finanças do executivo de Luanda colocou a questão, aquando da visita oficial a Luanda do primeiro-ministro português. “Há boa vontade de parte a parte. Tem havido, continua a haver e o trabalho continua”, concluiu o Presidente da República português.

[Transcrição integral deMarcelo admite que se pode “ir mais longe” na liberdade de circulação dos nacionais da CPLP”, jornal online “Observador”, 19.11.18. Destaques, sublinhados e “links” meus. Texto automaticamente corrigido pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

[A fotografia, de autoria desconhecida, que utilizei para a fotomontagem de topo, foi copiada do mesmo artigo. Nessa fotomontagem incluí uma fotografia, também de autoria de desconhecida, da estátua do célebre “Cego do Maio“, um homem de bem. ]

Share
Apartado 53 © 2015, 2016, 2017, 2018 Frontier Theme