Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: AO90

‘Errare humanum est, sed in errare perseverare diabolicum’

«Essa expressão de “caos” estaria mais relacionada com o ensino da língua portuguesa agora usando o acordo ortográfico.»

«Foi a sensação que eu tive de que o ensino se estava a tornar num negócio. Tornou-se num negócio com esta implementação do acordo ortográfico.»

«Porque eu reformei-me, e reformei-me por não querer cumprir o acordo ortográfico, porque não o cumpria.»

«Não interessa que o ser-humano pense. O que interessa é que fique indiferente às coisas e que se torne um escravo e também, às vezes, um selvagem em relação aos outros.»

«Séneca tem uma frase: “errar é próprio dos homens, persistir no erro é próprio de loucos”. »

«Se o critério fundamental é a pronúncia, então cada qual escreve como quer.»

«Dizem que as crianças, se tirassem as consoantes mudas, era tudo tão mais fácil, ora, eu sou professora e nunca foi nas consoantes — nos C e nos P — que os alunos faziam os seus erros.»

«O acordo, o Tratado internacional é uma perfeita fraude.»

«Nenhuma Língua evolui por decreto. Esta língua, que é uma mixórdia em que eu não reconheço o Português, não evoluiu nada, isto não é evolução, isto é o contrário da etimologia da palavra ‘evolução’. Por isso, se a estupidez quiser vingar, e é estupidez se nada se fizer para recuar.»

Maria do Carmo Vieira

Da Capa à Contracapa

Andamos a tratar bem a Língua Portuguesa?

16 Jun, 2018

 

Os professores Maria do Carmo Vieira, Adelino Calado e Rui Afonso Mateus juntam-se a José Pedro Frazão para discutir o ensino do português e a forma como tratamos a Língua Portuguesa na nossa sociedade.

Esta semana no “Da Capa à Contracapa” fala-se do ensino do português e a forma como tratamos a Língua Portuguesa na nossa sociedade.

Professores do Ensino Secundário, Maria do Carmo Vieira, Adelino Calado e Rui Afonso Mateus têm leituras muito próprias e críticas do sistema e do ensino, também das pedagogias aplicadas. Em particular no ensino do Português.

O Professor Adelino Calado, não sendo professor da mesma área, pois leciona Educação Física, é diretor do Agrupamento de Escolas de Carcavelos onde tem implementado medidas inovadoras como acabar com os TPC convencionais, os exames ou os toques de entrada. Com a sua ajuda lançamos também um olhar sobre a escola de hoje, trazendo ainda algumas ideias para a escola do futuro.

E recomendamos a leitura dos ensaios da fundação Francisco Manuel dos Santos sobre o tema: nomeadamente os dos autores que convidamos: o Ensino do Português e Literatura e Ensino do português.

O da Capa à Contracapa é uma parceria da Renascença com a Fundação Francisco Manuel dos Santos. A moderação como sempre é do jornalista José Pedro Frazão.

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“Egoísta”, dos que pensam e escrevem pela própria cabeça

Ditosa língua, esta, a portuguesa, a que Pessoa chamou a sua Pátria. Resiliente, também: enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive, incólume, na semântica dos que pensam – e escrevem – pela própria cabeça”, lê-se no texto de Assis Ferreira.

Revista Egoísta recebe três Grandes Prémios Papies e totaliza 86 distinções

SAPO 24, 15.06.18

A revista Egoísta foi distinguida com três Grandes Prémios Papies, relativos aos números 61.º, 62.º e 63.º, elevando para 86 o número de galardões que esta publicação da Estoril Sol já recebeu em 18 anos de edição.

“A Egoísta levou para casa três Grandes Prémios Papies na categoria de Revista, com as edições 61, intitulado ‘Televisão’, 62, ‘Doce’, e 63, ’18’. Esta publicação dirigida por Mário Assis Ferreira, soma assim 86 distinções alcançadas em competições nacionais e internacionais”, afirma a Estoril Sol em comunicado.

Sobre estes três troféus, a editora da revista, desde a sua fundação, a escritora Patrícia Reis, afirmou: “Numa era tecnológica em que as redes sociais parecem dominar, é bom e de salutar que possamos fazer a apologia do papel, da escrita na página, incentivando à leitura e à imaginação”.

No número celebrativo do 18.º aniversário da revista, intitulado enfaticamente “18”, Mário Assis Ferreira escreveu no editorial: “Longa vida à Egoísta! Tão longa, que já nem seja eu, maduro septuagenário, a ter o tempo de escrever o seu último editorial!”.

Este 63.º número da Egoísta conta com as colaborações de Gonçalo M. Tavares, Inês Pedrosa, Raquel Prates – com uma produção exclusiva – Ilda David, que ilustra Hélia Correia, Gonçalo F. Santos e Xavier Pereira, que juntos assinam uma fotonovela, Afonso Cruz, Nuno Júdice, Estelle Valente, Tiago Pimentel e Lena Pogrebnaya, entre outros.

A Estoril Sol, aquando da sua publicação, em Março, afirmou que “a edição da ’18’ será o primeiro de vários momentos que terão como propósito celebrar este marco na história da publicação, e que continuarão a ter lugar ao longo deste ano”.

O número 62.º, publicado em Dezembro do ano passado, intitula-se “Doce” e, no editorial, o seu director elogia a Língua Portuguesa que “enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive”.

“Ditosa língua, esta, a portuguesa, a que Pessoa chamou a sua Pátria. Resiliente, também: enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive, incólume, na semântica dos que pensam – e escrevem – pela própria cabeça”, lê-se no texto de Assis Ferreira.

“Na pujança do seu léxico, eis que cada vocábulo se desdobra numa multiplicidade de sinónimos e, não raro, cada sinónimo se espraia em duplos sentidos. Tal como a palavra Doce – na sua acepção gastronómica ou enquanto expressão imaterial. Pois que Doce, guloseima, e Doce postura humanística não se confundem, embora se conciliem no prazer da sua fruição”, prossegue Mário Assis Ferreira.

A capa deste número editada em 3D, sugere um rebuçado, e inclui ‘drops’ “flocos de neve”, numa parceria com a septuagenária confeitaria Vieira de Castro.

O 61.º número, editado em Agosto do ano passado, foi dedicado à televisão, “a máquina que mudou o mundo”, escreveu Patrícia Reis, tendo sido a primeira edição da Egoísta, numa versão bilingue – português e inglês.

Esta edição publicou o último texto do economista Miguel Beleza (1950-2017).

A edição realçou o 60.º aniversário da RTP, contou com a participação dos jornalistas João Adelino Faria e Cândida Pinto, e ainda com outros nomes do universo televisivo, como Carlos Ramos, Gonçalo F. Santos, Patrícia Fonseca, Filipe Santos Costa, Drumond, Luís Filipe Cunha, Inês Pedrosa, Richard Zimler, Nuno Artur Silva, Miguel Monteiro, Paulo Mendes Pinto, João Gobern, Henrique Raposo, Joel Neto, Andris Feldmanis, Pedro Boucherie Mendes, Alexandre Honrado, Dulce Garcia e Ricardo Alevizos.

Esta não foi a primeira vez que uma edição da Egoísta foi distinguida com o Grande Prémio Papies, na categoria Revista, pois já lhe tinha sido aliás entregue, pelo 60.º número, cuja temática foi a política.

[Source: Revista Egoísta recebe três Grandes Prémios Papies e totaliza 86 distinções – Atualidade – SAPO 24O texto em acordês no original foi corrigido automaticamente para Português-padrão pela solução Firefox contra o AO90.]

 

As edições Televisão, Doce e 18 foram reconhecidas com Grande Prémio na categoria de Revista, nos mais recentes Prémios…

Publicado por Revista Egoísta em Sexta-feira, 8 de Junho de 2018

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O AO90 e a “maravilhosa projecção internacional da língua” «unificada»

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

L’Angola lusophone fait les yeux doux au Commonwealth et à la Francophonie

 

Faire d’une pierre deux coups. C’est l’ambition du nouveau président angolais Joao Lourenço qui souhaite, contre toute attente, voir son pays, une ancienne colonie portugaise, intégrer à la fois la Francophonie et le Commonwealth britannique.

La mission ne s’annonce pas impossible, à en croire le chef de l’Etat, qui tente coûte que coûte d’attirer les investisseurs étrangers dans son pays producteur de pétrole, mais embourbé depuis des années dans une profonde crise économique.

Joao Lourenço en veut pour preuve le Mozambique, une autre ex-colonie portugaise qui a rejoint le Commonwealth en 1995.

“L’Angola n’est pas entouré de pays lusophones”, a-t-il benoîtement constaté pour justifier son initiative. Il est pressé au nord par la République démocratique du Congo et le Congo-Brazzaville, adeptes de la langue de Molière. Au sud et à l’est par la Namibie et la Zambie, pratiquants de celle de Shakespeare.

“Par conséquent, ne vous étonnez pas que nous demandions maintenant l’adhésion à la Francophonie et, dans quelques jours, au Commonwealth”, a lancé le président angolais lors d’une récente tournée diplomatique en Europe.

Londres a réagi avec enthousiasme à cette annonce surprise. “Formidable”, s’est extasié le chef de la diplomatie britannique Boris Johnson sur Twitter.

“Nous accueillons avec une grande satisfaction l’engagement du président Lourenço sur des réformes de long terme, la lutte contre la corruption, l’amélioration des droits humains. Au plaisir de l’accueillir bientôt au Royaume-Uni”, a-t-il lancé.

L’intégration au Commonwealth répond à des critères stricts. Sa charte insiste notamment sur “l’égalité et le respect de la protection et de la promotion des droits civils, politiques, économiques, sociaux et culturels” de ses membres.

La perspective d’y ajouter l’Angola réjouit Zenaida Machado, de l’organisation Human Rights Watch (HRW).

“Il devra adhérer à des règles et des principes qui, s’ils sont respectés, seront très bons pour le climat du pays”, se réjouit-elle, “pour nous c’est un bon signal”.

– “Bonne idée” –

Car, de l’avis des ONG, l’Angola n’est pas précisément un parangon de vertu démocratique.

Il sort à peine de trente-huit ans de règne autoritaire de Jose Eduardo dos Santos, qui a largement muselé ses adversaires politiques. Son successeur Joao Lourenço, issu du même parti, le MPLA, a promis d’éradiquer la corruption, mais la route reste longue sur la voie d’un changement de régime.

S’il a autorisé en mars une rare manifestation de l’opposition, sa police a encore été épinglée au début du mois pour avoir abattu sans autre forme de procès un suspect dans la rue.

A ce jour, seuls deux pays sans histoire coloniale commune avec le Royaume-Uni – le Mozambique et le Rwanda – sont membres du Commonwealth. Et ceux qui adhèrent en même temps à la Francophonie (84 membres) et au Commonwealth (53) se comptent sur les doigts des deux mains.

“C’est une bonne idée que l’Angola (les) rejoigne car la majorité des pays africains sont liés à ces organisations”, estime l’analyste politique Augusto Bafua Bafua. “L’Angola est déjà membre de la Communauté des pays de langue portugaise, mais cette organisation est très faible”, fait-il remarquer.

Dans les rues de Luanda, les Angolais, qui se débattent au quotidien avec un chômage de masse et une forte inflation, s’interrogent pourtant sur l’impact de telles adhésions.

“L’Angola fait déjà partie d’organisations similaires et les avantages ne sont pas visibles”, estime Augusto Pedro, chômeur de 36 ans. “Le portugais n’est pas parlé par toute la population, donc on devrait se battre pour rejoindre ces communautés”, nuance un autre habitant, Manuel Joao, 28 ans.

L’opposant Rafael Marques, lui, reste très perplexe. “Les gens en Angola peuvent à peine écrire portugais parce que le système éducatif s’est effondré”, constate-t-il, “si on ne peut pas éduquer son peuple dans la langue officielle, à quoi bon rejoindre deux autres communautés de langue ?”

Alors Rafael Marques, féroce critique du parti au pouvoir, avance une autre explication. “Cette annonce sympathique va lui faire gagner des points dans les médias”, cingle-t-il.

Source: L’Angola lusophone fait les yeux doux au Commonwealth et à la Francophonie

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“Do lirismo ao desastre” [Nuno Pacheco, “Público”, 14.06.18]

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

 

Língua portuguesa, do lirismo ao desastre

Nuno Pacheco
“Público”, 14 de Junho de 2018

Os panegíricos em torno da expansão da língua portuguesa equivalem a um banquete de bombeiros no interior de uma casa em chamas. Um absurdo.

 

Inflada pelo 5 de Maio, Dia Internacional da Língua Portuguesa, e o 10 de Junho, Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas, anda por aí a euforia do costume em torno da nossa língua. “A quinta mais falada no mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul”, diz a propaganda, e os políticos rejubilam. “Trabalho bem feito, hã? Valeu o esforço, ora se valeu!” Há como que uma espécie de embriaguez que nos tolda os sentidos e nos impede de ver o que se esconde por detrás dos desejos, da retórica, das frases encomiásticas, das estatísticas que anunciam, sem pejo, que a língua portuguesa, se é falada hoje (garantem) por mais de 260 milhões de seres, sê-lo-á por 400 milhões até 2050 e por nada menos do que 600 milhões até ao final do século. É obra, senhores, é obra!

Mas é obra, sobretudo, da imaginação. Quem preza a língua portuguesa desconfia de tal abundância. Para que isso fosse verdade, era preciso haver um trabalho sério de difusão da língua à escala global (e difundi-la é fazê-la ouvir e ser utilizada no mundo, não é trocá-la pelo inglês à mínima oportunidade, como é hábito nosso), era não confundir língua com ortografia (e o malfadado “acordo” nasce desse equívoco espúrio), era olhar primeiro para a nossa própria casa, que tão desarrumada está, e só depois para o horizonte em torno dela.

O debate que a Fundação Francisco Manuel dos Santos promoveu no mais recente programa Fronteiras XXI, que a RTP3 transmitiu em directo no dia 6 de Junho, foi bem elucidativo dos equívocos que persistem. Ouvimos Onésimo Teotónio de Almeida, escritor radicado há 46 anos nos Estados Unidos, dizer que o “movimento de crescimento” do português está ali a ter uma curva descendente desde 2015; ouvimos, numa reportagem, dizer que em cada dez crianças que chegam à escola em Moçambique, só uma fala português, e que, segundo o último censo moçambicano, só metade da população fala minimamente o português (só um em cada dez moçambicanos considera o português língua materna, disse-se também); ouvimos Germano Almeida, escritor cabo-verdiano recém-distinguido com o Prémio Camões, dizer que “Cabo Verde não é um país bilingue, é um país que tem uma língua que é o crioulo” e que “talvez 10% da população fale português” em Cabo Verde, sendo que “mais de 50%” entende a língua portuguesa (os restantes, conclui-se, nem sequer a entenderão). A este quadro, poderíamos juntar uma notícia inquietante desse mesmo dia 6: Angola vai pedir adesão à Commonwealth (comunidade com 53 países de língua inglesa) e à Francofonia (57 países), no que, aliás, não está isolada, já que Moçambique pertence também à Commonwealth, pertencendo Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, ambos, à Organização Internacional da Francofonia. Talvez em “troca”, França, Itália, Andorra, Luxemburgo, Argentina e Sérvia pedem agora adesão à CPLP, como observadores.

Perante tal quadro, que reacções houve? Preocupação? Insistência num trabalho mais firme e profícuo? Não, muito pelo contrário. Ouvimos, espantados, dizer que “o português nunca esteve tão bem”, que “continua firme”, que “está muito bem e recomenda-se”. E ouvimos Luís Antero Reto (um dos autores do panegírico Novo Atlas da Língua Portuguesa) dizer que “o facto mais significativo da língua portuguesa é o seu potencial de crescimento neste século”, garantindo que o português “é a língua que mais cresce a seguir ao árabe” por estar em mais continentes. Estar, está; mas de que modo? Disso os “promotores” da língua não querem saber. Há escolas a ensinar português na China, e isso basta-lhes, é sinal de “crescimento” (e logo na China, caramba!), mas ignoram que mesmo debaixo dos seus olhos Moçambique está como está; Angola afasta-se; o Brasil está numa tremenda crise (também em matéria educativa); Cabo Verde, São Tomé e Guiné privilegiam, compreensivelmente, os respectivos crioulos; e a língua portuguesa, em todo este enorme universo, corre o risco de minguar em lugar de expandir-se.

Ouvir os arautos desta mirífica expansão é como assistir a um banquete de bombeiros no interior de uma casa em chamas: um absurdo. Nos anos 1970, o PPD tinha um curioso slogan: “Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões”. Os anarquistas, cáusticos, acrescentaram-lhe um comentário: “Tomem a pílula”. Pois na língua portuguesa não precisamos: já tomámos a pílula da inconsciência, do lirismo e do desvario. A continuar assim, nenhum discurso nos valerá. A menos que abramos os olhos.

Nuno Pachecho

[Transcrição integral de texto, da autoria de Nuno Pacheco, publicado no “Ipsilon” (suplemento do jornal “Público”) em 14.06.18. Inseri “links”. Imagem de topo de: RTP.]

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O tanas

Ocorrência: Fraude na SPA

No jornal Público foi ontem publicado electronicamente, e hoje na edição em papel, o artigo (e notícia) «Rui Vieira Nery premiou como júri obra de que é um dos coordenadores», escrito por Rodrigo Nogueira.

Este é um facto do qual eu fui o primeiro a tomar conhecimento… fora da Sociedade Portuguesa de Autores, cujos principais (ir)responsáveis vieram a revelar-se cúmplices numa situação de autêntica fraude intelectual, e privando-me, e ao meu livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal» (e, eventualmente, a outros autores e a outras obras), de um prémio, com o nome de José Mariano Gago, já falecido e saudoso professor, investigador e ministro, nesta capacidade tendo dado início, em meados da década de 90, a um processo, a um projecto, de modernização tecnológica do país, do Estado e da sociedade civil, corporizado no «Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal», editado em 1997, e que, precisamente, constituiu o pretexto e o ponto de partida para a minha carreira enquanto jornalista especializado em tecnologias da informação e da comunicação. Reuni os que considero serem os melhores textos dessa carreira num volume publicado no ano passado, quando se assinalou o 20º aniversário do «Livro Verde…».

Custaria a acreditar que um livro feito por causa de José Mariano Gago, e em homenagem (explícita) a José Mariano Gago, não vencesse a primeira edição de um prémio com o nome de José Mariano Gago, com o objectivo declarado de «ser atribuído ao autor português do melhor livro de divulgação científica publicado no ano anterior». Porém, infelizmente e até escandalosamente, foi isso mesmo o que aconteceu. Para o artigo do Público dei o meu depoimento e, deste, excertos são citados, resumindo correctamente o que sucedeu desde 22 de Maio último: a minha surpresa após saber qual tinha sido a obra «vencedora», considerando as suas características, incluindo em especial o estar «escrita» em sujeição ao AO90; a minha ainda maior surpresa ao descobrir, quase por acaso, que um dos membros do júri era também um dos co-autores da obra – veja-se, e confirme-se, quem coordena(rá) o volume Nº 20 daquela; o meu contacto junto da SPA, com conhecimento do Presidente da Direcção daquela, José Jorge Letria, apelando a que a entrega do prémio fosse cancelada, o que não aconteceu; a minha mensagem a Carlos Fiolhais (que, enquanto director da colecção «Ciência Aberta» da Gradiva, recusou publicar o meu livro «Nautas» naquela editora, isto depois de se ter queixado, no seu livro «A Ciência em Portugal», de que faltavam obras escritas por jornalistas de ciência) sugerindo-lhe, e a José Eduardo Franco, que renunciassem ao prémio, e da qual, significativamente, não recebi resposta.

No momento em que escrevo e publico este relato não há indícios de que este caso de «compadrio cultural», de atropelo à ética, de «promiscuidade professoral», vá ter consequências, mais concretamente, e obviamente, (algumas) demissões. Afinal, é tão só mais um exemplo de como neste país certas pessoas sentem ter a autoridade e a impunidade para fazerem o que, como e quando querem, não obedecendo a regras ou adoptando regras diferentes para elas próprias. No entanto, e apesar de particularmente grave, este «incidente» com a SPA não constitui o único exemplo recente, e em que eu estou de algum modo envolvido, de prémios literários organizados e/ou atribuídos de forma duvidosa. Antes, mas já igualmente neste ano de 2018, (um júri nomeado pel)a Associação Portuguesa de Escritores concedeu o seu Prémio de Crónica e Dispersos Literários, não a «Nautas» mas sim a «A Alma Vagueante» de Mário Cláudio… que, por «coincidência» e curiosamente, é igualmente presidente da mesa da assembleia geral da APE! Todavia, aqui houve um regulamento, divulgado publicamente, que indicava claramente como (única?) incompatibilidade a de membros do júri não poderem ser autores concorrentes ao prémio. Contudo, será isso suficiente para afastar as suspeitas? (Também no MILhafre.)

Octávio dos Santos , “blog” Octanas, 14.06.18

«”Fiquei intrigado com a tipologia da obra vencedora, esperava que fosse algo mais recente, não uma obra estilo enciclopédia, com textos antigos da cultura portuguesa e abrangendo algumas áreas que nem são ciências”, partilha, acrescentando que também achou estranho o projecto “seguir o Acordo Ortográfico de 1990”, contra o qual – “e bem”, comenta – a SPA tem vindo a lutar.»

Rui Vieira Nery premiou como membro do júri obra de que é um dos coordenadores

Rodrigo Nogueira
“Público”, 13.06.18

Na sua primeira edição, o Prémio José Mariano Gago de Divulgação Científica foi para Carlos Fiolhais e José Eduardo Franco, pela coordenação do projecto Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa. Rui Vieira Nery, que fez parte do júri e vai coordenar um dos 30 volumes do projecto, diz que não há qualquer conflito de interesses.

Rui Vieira Nery fez parte, com Miguel Lopes e Elvira Fortunato, do júri que a 22 de Maio atribuiu ao físico Carlos Fiolhais e ao historiador José Eduardo Franco o primeiro Prémio José Mariano Gago de Divulgação Científica, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), pela coordenação do projecto Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa. Mas é também o coordenador de Primeiros tratados de música, o vindouro 20.º volume daquela colecção, cuja equipa reúne mais de 170 especialistas, investigadores nacionais e internacionais.

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Ainda o “Fronteiras 31”

«O futuro da Língua Portuguesa nunca poderá estar neste famigerado acordo ortográfico, em que a língua foi vilmente…

Publicado por Fundação Francisco Manuel dos Santos em Segunda-feira, 4 de Junho de 2018

Aldrabice. Aquilo foi, na verdade, e absolutamente ao contrário das expectativas, um saco cheio de lixo acordista. Não reciclável, portanto.

Como se já não bastasse tratar-se o programa de uma “parceria” entre a Fundação Francisco Manuel dos Santos, instituição respeitável e — pelo menos, aparentemente — insuspeita, e a RTP, rede televisiva de propaganda governamental e de intoxicação acordista, e mesmo que dêmos de barato a fraude das “perguntas do público” que afinal não existiram, ainda tivemos de levar com as baboseiras dos paineleiros (tirando a honrosa excepção de Ivan Lins) e com toda aquela encenação feérica, elegíaca, pacóvia, incrivelmente patega na sua “admiração” pelo “gigantismo” do Brasil.

Uma coisa nojenta, em suma.

O acordismo impingido às massas, o II Império brasileiro servido em bandeja “lusófona”. De novo. E, como sempre sucede quando a esmola é grande, o pobre, afinal, estupidamente, nunca desconfia.

O pobre, neste caso, ingénuo, crédulo, anjinho, fui eu. Divulguei aqui uma badalhoquice, peço desculpa.


«O vencedor do Prémio Camões, Germano Almeida, pede mais apoio do Estado de Cabo Verde à literatura portuguesa. Já o escritor português Pedro Mexia defende que a Guiné Equatorial não devia estar na CPLP. Declarações no programa Fronteiras XXI, da RTP 3, que discutiu o futuro da língua portuguesa.» [RTP]

https://www.rtp.pt/play/p4259/fronteiras-xxi

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