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O barulho dos culpados

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Sob diversos pontos de vista, o artigo transcrito em baixo tem muito interesse. Apesar de ter sido publicado previamente num jornal brasileiro, por alguma razão o “Público” ter-se-á dado ao incómodo de publicar matéria requentada; a qual, aliás, deverá ter sido tão ignorada na Folha-de-couve de S. Paulo como passou despercebida por cá. Talvez por distracção, suponho, à conta das exéquias de Sua Alteza a Rainha Isabel II; ou poderá ter sido por causa da guerra na Ucrânia; ou então devido à canseira que acarretou o “dossier” do tal bicentenário.

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=256028919860527&id=100063602625538&__cft__[0]=AZX1IjV49bqTmJkcZnsCeF9kAxrj_d9UDSZ1Zwas_-tXzDBuPCeRMHflDB4hc9fJfkqi725XrCN50yNwqG4FQuUEAnOnZO6H6r1yws0lRm_W51CNCEXxD8W8WCDtCXEMjI7Z5JKcbuRUTs74GrRmjmFJxdqSOu9qP63mzyg6p_m33A&__tn__=%2CO*FSemelhante menosprezo por tão “rica” peça é um desperdício, porém. Não acontece muito — mesmo nos tempos mais recentes, em que os acordistas e brasileiristas já nem se ralam a disfarçar — tropeçar na imprensa tuga com tamanha carga de ingenuidade (chamemos-lhe assim), uma espécie de inocência quase pueril. A não ser, hipótese aliás mais provável, que a este autor também já não assista um módico de contenção; não está tudo, mas muito daquilo que realmente se passa está ali escarrapachado.

Os festejos antecipados pela vitória de um candidato a manda-chuva do Brasil e as “simpatias” desse pelos mamíferos que actualmente ocupam as baias de Belém e São Bento; a culpabilização sistemática de Portugal (é um hábito contagioso, a julgar pelo número crescente de infectados) não se sabe bem porquê, mas isso não interessa para nada (faz parte do vício, coisa de rotina); que o apreciador de banhos em água de esgoto é recordista mundial de visitas “de Estado” ao seu país irmão e que aquilo para ele é mais assunto doméstico e familiar e pouco ou nada de Estado e diplomacia. De tudo isto resultará, na opinião do autor do texto, uma putativa aliança entre a República Federativa do Brasil e o estado europeu que, segundo alguns tipos qualificadíssimos, já faz parte da dita federação. Anexação, portanto.

De facto, há por aí uns tipos que, exultantes e um pouco frenéticos, exultam com essa miserável, abominável, insuportável perspectiva — que para os mesmos deixou de ser mera expectativa — e assim julgam-se à vontade para servir em rodízio o escarmento aos apreciadores de miolos salteados.

Portugal precisa do Brasil para ser português?

Portugal, para ser português, precisa de acreditar que exerce algum tipo de influência sobre o Brasil, e que tem o seu respeito. Mas isso não acontece.O Brasil é um país superlativo que nunca reconheceu em Portugal uma prioridade longeva.

Rodrigo Tavares
“Público”, 13.09.22

 

No dia do bicentenário da independência do Brasil, António Costa publicou um artigo de opinião na Folha de S. Paulo para justificar porque é que Portugal se associou aos festejos. Se a presença de Marcelo Rebelo de Sousa era uma inevitabilidade histórica e se a relação entre Portugal e o Brasil “é umbilical”, porquê a necessidade de se explicar? Vários órgãos de imprensa portugueses republicaram acriticamente trechos do texto, mas, no Brasil, passou praticamente despercebido, apesar de ter sido impresso no principal jornal brasileiro.

Nos últimos 200 anos, a relação entre os dois países foi-se modelando, ao longo do tempo, de acordo com oscilantes interesses nacionais, circunstâncias inesperadas, visões ideológicas cíclicas e afeições pessoais entre alguns líderes. Nada que seja incomum nas relações internacionais entre Estados. Mas, no caso do Brasil e Portugal, há um elemento imaterial que torna a relação incomparável e complexa: a consciência auto-induzida, por parte de Portugal, do seu excepcionalismo.

Como ensinaram os republicanos, as identidades colectivas podem ser moldadas. E, ao longo de centenas de anos, a nossa identidade portuguesa foi forjada pela ideia de que a vulnerabilidade do país (pobreza, pequenez territorial e isolamento geográfico) pode ser superada pela heroicidade do seu povo. A função messiânica, o ímpeto pluricontinental, a nossa capacidade miscigenadora e constituição multirracial foram celebradas por Camões, António Vieira, Pessoa, Freyre sem meios-tons. O impulso português para o universalismo, assente em muitos elementos tangíveis e alguma selectividade memorial, está presente em discursos públicos, no baptismo de obras públicas com nomes de navegantes, nos livros escolares.

A partir de 1974, com o fim do império colonial e o enxugamento territorial do país, Portugal apropriou-se da ideia de lusofonia para continuar a irradiar a sua influência pelo mundo. Criou a CPLP, actualmente com nove países-membros. Portugal também é um país europeu e europeísta, mas na Europa voa sem sair do lugar; a sua influência é directamente proporcional à sua vulnerabilidade. É apenas no campo da lusofonia que Portugal tem conseguido consumar a sua identidade universal. O que significa que Portugal, para ser português, precisa de acreditar que exerce algum tipo de influência sobre o Brasil, e que tem o seu respeito.

Mas isso não acontece. O Brasil é um país superlativo que nunca reconheceu em Portugal uma prioridade longeva. E sempre que o Brasil mostra alguma frieza, Portugal contorce-se, retorce-se, desconforta-se e azia-se, enquanto sob[e] o tom para falar “nos laços de amizade que unem dois povos irmãos”.

Lula (Honoris Causa pela Univ. Coimbra) e Sócrates (PM), Dilma e Cavaco

Lula (Honoris Causa pela Univ. Coimbra) e Sócrates (PM), Dilma e Cavaco

Bolsonaro, Temer e Dilma mostraram muita indiferença por Portugal. As passagens pelo país foram poucas e fugidias. Como reagiu Marcelo Rebelo de Sousa? Fazendo seis visitas ao Brasil em seis anos, um recorde que viola códigos diplomáticos de reciprocidade. Marcelo nasceu no berço do universalismo português. Na década de 1960, o seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, foi nomeado governador-geral de Moçambique. Após o 25 de Abril, refugiou-se no Brasil. O avô de Marcelo, António Joaquim, viveu em Angola, depois de também ter trabalhado no Rio de Janeiro. Para o Presidente, as capitais da lusofonia, de Díli a Luanda ou a Maputo, não são capítulos da história portuguesa, mas páginas no álbum de família. O Brasil é um assunto de Estado, mas também é uma memória pessoal.

Consensualizou-se em Portugal a ideia de que a presença do Presidente no bicentenário da independência do Brasil era uma inevitabilidade histórica. As relações são entre Estados e não governantes e o Brasil não se pode esgotar na pessoa de Bolsonaro, um líder consensualmente desdenhado pelos portugueses.

Mas era a presença de Marcelo inevitável? O Rei de Espanha participou nos 200 anos da independência da Colômbia (em 2010), do Chile (em 2010), da Argentina (em 2016) ou da Venezuela (em 2010-2011)? Não. São inúmeros os exemplos em que chefes de Estado de países com tradição colonial não participam neste tipo de cerimónias. A presença de Marcelo no Brasil foi um gesto retórico de um presidente que é particularmente sensível à importância de manter o Brasil dentro de uma certa esfera de influência. A sua 6.ª visita ao Brasil foi mais importante para os portugueses do que para os brasileiros.

Mas está a relação entre Brasil e Portugal condenada a ser um rendilhado de insígnias, um permanente pretérito perfeito, um discurso panegírico? À coluna, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil Celso Lafer (1992, 2001-2002) salienta que os dois países sempre conseguiram encontrar “convergências úteis” sobre temas pontuais, principalmente quando há afinidade pessoal entre líderes luso-brasileiros. F.H.C. nutria muito apreço por António Guterres e Jorge Sampaio, o que facilitou a intervenção de Portugal, na União Europeia, para que o Brasil não fosse prejudicado pelo surto da doença das “vacas loucas” em 2001-2002. A boa relação entre Lula e José Sócrates ou entre os ministros Celso Amorim e Luís Amado e Celso Lafer e Jaime Gama são outros exemplos. Mas o Brasil é pragmático e transnacional. É condescendente com a retórica universalista portuguesa apenas quando vê a possibilidade de extrair dividendos específicos.

E o futuro? Uma eventual vitória de Lula abrirá um campo de novas oportunidades. Se cumprido o programa eleitoral, a sua política externa será vigorosa. Enquanto o vice-presidente Alckmin arrumará a casa interna a partir do palácio do Jaburu, Lula tentará arrumar o mundo a partir do Planalto.

Em declarações à coluna, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado (2006-2011) reforçou que estamos a atravessar uma “reconfiguração geopolítica de larga escala”. Enquanto o Norte Global obedece a uma lógica binária que opõe países democráticos a Estados autocráticos, o Sul Global tem uma visão mais utilitarista e menos principiológica das relações internacionais. Quando a expulsão da Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU foi a votos, em Abril, 82 países do Sul puxaram o travão de mão, incluindo a Indonésia, índia, México e China. Estes países têm mostrado uma posição neutral no conflito Ucrânia-Rússia. Estimativas de bancos e consultoras europeias indicam que, em 2030, sete das dez maiores economias do mundo serão do Sul Global, incluindo as duas primeiras (China e índia). As declarações públicas de Lula, nunca criticando taxativamente a Rússia, estão alinhadas com este novo contexto, facilitando a sua ascensão como líder do Sul Global. Hoje o trono está vazio.

Surge, assim, uma oportunidade para Portugal forjar com o Brasil de Lula uma aliança de futuro, ao servir como um dos países do Norte Global que é capaz de construir pontes com o Sul. Se actualmente os dois hemisférios são o contraponto um do outro e estão envoltos por um manto de animosidade, Portugal e o Brasil podem ser interlocutores estratégicos numa missão que extravasa a relação bilateral. Ao dar a Portugal acesso a novos espaços de influência a sul, o Brasil ajudaria, agora com outros contornos, os portugueses a envigorarem a sua idealização universalista e a perceberem que o ideário da lusofonia também tem limitações. A língua portuguesa é um poderoso instrumento de unificação entre países, mas também é uma divisa que aparta povos. Portugal e o Brasil podem ser maiores do que o seu idioma comum.

Rodrigo Tavares
Prof. catedrático convidado na Universidade Nova de Lisboa (Nova SBE)

«Artigo publicado originalmente na Folha de S. Paulo e republicado,
com actualizações, ao abrigo de uma parceria com o PÚBLICO»

[Transcrição integral (da edição em papel) de artigo da autoria de Rodrigo Tavares no jornal “Público” de 13.09.22.
Destaques, sublinhados e “links” (e emendas) meus. Inseri imagens no bloco de citação.
Imagem de topo (do filme “Hannibal”, de Ridley Scott) de: YouTube. Imagem de topo de: PNGitem.]

Feira do Livro de Lisboa – 2022

A Feira do Livro de Lisboa 2022 realiza-se no Parque Eduardo VII, entre 25 de Agosto e 11 de Setembro, com 140 participantes representando centenas de marcas editoriais, num total de 340 pavilhões. As editoras e entidades assinaladas no mapa são as que editam, promovem e distribuem publicações em Língua Portuguesa.

https://www.google.com/maps/d/edit?mid=17_fEQLMlmVBJhJcTjbh5hjqMZuHSYOI&usp=sharing

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Sistema Solar

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210 117 011
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(mais…)

Lápis azul nas redes anti-sociais [3]

Isto é o resultado de um bufo ter informado a polícia política portuguesa, via Fakebook, de que era necessário bloquear o meu domínio. A lista de crimes que a ciberpide imputa a cedilha[ponto][extensão n, e, t] é enorme. Quem quiser ver o “perigo” que aquilo é (dizem eles) só precisa de consultar qualquer dos serviços de “web reputation“. [post no Facebook (URL empastelado]


‘O estado a que isto chegou’

A questão é só uma e essa implica outra: a censura na plataforma criada por Mark Zukerberg é um exclusivo ou também existe nas outras redes anti-sociais? Esta censura é sistemática, uniforme e generalizada ou é casuística, discricionária e selectiva?

Das duas respostas uma terceira emerge: não, não é um exclusivo, cada rede segue o seu próprio guião político e exerce a sua própria metodologia censória, a qual depende dos objectivos e dos efeitos pretendidos pelas respectivas castas de financiadores (sempre os mesmos, os muito poucos que estão em todas), sendo a repressão em qualquer dos casos discriminatória, visto depender de critérios subjectivos (interpretação de cada censor, momentum, similitude) e sendo também, por conseguinte, episódica. Do que resulta: os “serviços” de “mesa censória” são únicos, os do próprio Fakebook, na sua sede americana, prestando essa “mesa” serviços aos DDT (Donos Disto Tudo – mundo), ou existem “delegações” da dita espalhadas pelo mundo que obedecem apenas aos ditames particulares dos DDT (Donos Daquilo Tudo – país)?

As orientações gerais, lançadas e centralizadas nos States, são conhecidas: terminologia “jurídica” (rotulagens) das “violações”, parametrização de confomidade/desconformidade, lista de penalizações (uma espécie de Código Penal particular/pessoal) etc. São também conhecidas as diversas listas negras de organizações terroristas banidas e de indivíduos comprovadamente criminosos ou pertencentes a tais organizações, bem como de toda e qualquer terminologia que possa estar (ou ser) associada a actividades criminosas; está também tipificada, até porque isso é do mais elementar senso comum, a gama de crimes que implicam banimento a priori e existe até a discriminação por país de todas as organizações políticas, todos os grupos ou bandos (três em Portugal) ou indivíduos que tenham sido considerados como criminosos pelas mais diversas entidades policiais, nacionais ou internacionais.

“L’Origine du monde”, de Gustave Courbet. Este quadro “custou-me” outra suspensão de 3 dias. Acusação: “pornografia”.

De toda a documentação atinente, que é imensa e tende a crescer exponencialmente, nada consta sobre as atribuições e prerrogativas — grau ou nível de autonomia — de qualquer das delegações que a multinacional Meta, a designação genérica e domicílio fiscal/empresarial do Fakebook, possui em todo o mundo. Por exemplo, nos escritórios de República da Irlanda (3), Israel, Austrália, Reino Unido (2), Holanda, Alemanha (2), Bélgica, Dinamarca (2), Dubai (EAU), Suíça (2), Nigéria, Suécia, Espanha, Itália (2), Noruega, França, República Checa e Polónia, por exemplo, as orientações políticas e comerciais (1.ª “coincidência”) serão exactamente as mesmas das determinadas pela sede em Menlo Park, California (USA)?

Curiosamente, ou talvez não, do mapa-mundi fakebookiano não consta o “jardim à beira-mar plantado”. Deve ser mais uma “coincidência”, claro.

Sucede que, apesar de constar amiúde que eles têm cá uma sede, muito pouco ou rigorosamente nada se sabe sobre quem e o que são os agentes-delegados na Tugalândia, ao certo, em que estaleiro se acoitam e quem terá dado posse (e poderes ilimitados) a semelhante pandilha.

Não terá sido por falta de “novidades” sobre o assunto, porém. É irrelevante que sejamos poucos, em Portugal, a denunciar os esbirros (e os bufos), assim como não tem qualquer importância a imensa colecção de rótulos, epítetos, insultos, insinuações e ataques ad hominem, tentativas persistentes de demolição de carácter, um verdadeiro estendal de “brincadeiras” que serve de entretém àquela gentalha. Pois aqui vai-se fazendo o que se pode — e principalmente o que não se pode, segundo eles — para expor a manigância, a arbitrariedade, o embrionário estado de sítio dentro do Estado que vai já mexendo.

O banimento do meu webdomain, os sucessivos e constantes casos de “suspensão” da conta de utilizador no Fakebook por motivos galopantemente absurdos e exponencialmente imbecis, o apagamento radical de conteúdos (incluindo partilhas cujos originais permanecem intocados) e de comentários em “murais” alheios (ou no próprio), a espionagem (e censura) até de correspondência privada, tudo tenho tentado divulgar publicamente — não há deste lado seja o que for a esconder.

O que significa, na prática, a inviabilização imediata e a extinção a curto prazo de quaisquer “sites” ou “blogs” que se dediquem primordialmente — como é o caso do Apartado 53 — a constituição de acervo monotemático e, fundamentalmente, tendo este por tema monográfico o AO90, um assunto que em nada agrada à oligarquia vigente? Não haverá nada de muito “estranho” em tudo o que tem sucedido com este blog naquela “rede social” (e fora dela, como veremos ainda)? Não serão “coincidências”, “mal-entendidos” ou “lapsos” a mais?

De que nacionalidade pode ser um censor de serviço que entenda expressões idiomáticas do Português (mas em Língua Portuguesa mesmo, Português de Portugal) que são absolutamente intraduzíveis e não têm a mais remota equivalência em qualquer outra Língua? Poderá ser americano (ou inglês ou canadiano ou sul-africano ou nigeriano) um censor que entenda o calão típica e exclusivamente não apenas português como até lisboeta ou tripeiro ou alentejano ou madeirense ou “duus açuores” ou “algarvie” ou à “xoque frrite”? E a gíria de Alcântara (a dos “vacanos espacialistas em meter os garfes“), também entendem, lá os “cámones”? Então e a linguagem “codificada”, à base de iniciais, corruptelas indecifráveis para “gente de fora”, os nomes dos bois todos trocados, empastelamento e código verdadeiro (sim, também uso disso, é só para quem interessa), enfim, de todos esses e de muitos outros “truques”, como pode algum estrangeiro entender seja o que for? “Estes polacos são tontinhos toc toc toc” (Obélix dizia o mesmo dos romanos) significa o quê, ao certo, para os pides tugas? “Hate speech”? WTF?!

Ora, evidentemente, quem “entendeu” que Obélix faz “apelo ao ódio” (ou que o termo em calão para “florzinhas” significa “rosinhas”, referindo-se aos do largo do Rato), abreviando, só pode ser tuga. Está absolutamente fora de causa qualquer outra hipótese.

E nem vale a pena falar de rastreamento/varrimento automático por “bot”, por algoritmo ou pelo diabo que os carregue. O do toc-toc-toc foi um fulaninho baixinho e de bigodinho, o das flores foi de outro fulaninho, este sem bigodinho mas igualmente raquítico (um requisito essencial na carreira pidesca), e os de todas as outras aberrações foram sempre a mesma chusma de fulaninhos e fulaninhas, a nova geração de pides que por aí impera, a beber imperiais na tasca da esquina e a cavaquear amenamente sobre quantos “perigosíssimos inimigos” chatearam hoje, sobre “ténicas” de contra-informação e desinformação, sobre o Estado maravilhoso a que isto chegou.

[Imagem de Obélix (toc toc toc) copiada de: “Pinterest“; autor: Albert Uderzo.][continua]


  1. Lápis azul nas redes anti-sociais [3] – ‘O estado a que isto chegou’
  2. Lápis azul nas redes anti-sociais [2] – O “Código Penal” do Fakebook
  3. Lápis azul nas redes anti-sociais [1] – Delito de opinião e pensamento

Lápis azul nas redes anti-sociais [2]

Facebook Standards

O “Código Penal” do Fakebook

Esta é a reprodução do dicionário terminológico do Facebookês, a língua em uso naquela rede anti-social, tipificando onomasticamente tudo o que a casa gasta e também — principalmente — aquilo que à casa rende. “Fala” por si mesma a rigidez terminológica assim determinada, não prevendo qualquer espécie de concessão ou elasticidade, sinónimos ou alternativas.

O que se segue, em bloco de citação, contém o que a “legislação” interna estipula como sendo “Hate Speech” (“discurso de ódio”, na tradução vulgarizada). Escusado será dizer que absolutamente ninguém lê uma só linha de qualquer dos enormes manuais de “Direito” facebookiano, as suas diversas Policies, o “código de conduta” — interna, mas que é aplicada externamente –, os volumes dispersos e os escondidos, os inúmeros documentos de “orientação” e as orientações propriamente ditas, as de pé-de-orelha, tudo muito bem protegido, que de calhamaços também se fazem muros e com sussurros se rosnam ameaças.

Facebook Community Standards

Hate Speech

Do not post:

Content targeting a person or group of people (including all groups except those who are considered non-protected groups described as having carried out violent crimes or sexual offenses or representing less than half of a group) on the basis of their aforementioned protected characteristic(s) or immigration status with:

  • Violent speech or support in written or visual form
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    • Violent and sexual criminals
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    • Caricatures of Black people in the form of blackface.
    • Jewish people and rats.
    • Jewish people running the world or controlling major institutions such as media networks, the economy or the government.
    • Denying or distorting information about the Holocaust.
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    • Muslim person and sexual relations with goats or pigs.
    • Mexican people and worm-like creatures.
    • Women as household objects or referring to women as property or “objects”.
    • Transgender or non-binary people referred to as “it”.
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  • Generalizations that state inferiority (in written or visual form) in the following ways:
    • Physical deficiencies are defined as those about:
      • Hygiene, including but not limited to: filthy, dirty, smelly.
      • Physical appearance, including but not limited to: ugly, hideous.
    • Mental deficiencies are defined as those about:
      • Intellectual capacity, including but not limited to: dumb, stupid, idiots.
      • Education, including but not limited to: illiterate, uneducated.
      • Mental health, including but not limited to: mentally ill, retarded, crazy, insane.
    • Moral deficiencies are defined as those about:
      • Character traits culturally perceived as negative, including but not limited to: coward, liar, arrogant, ignorant.
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    • Expressions about being less than adequate, including but not limited to: worthless, useless.
    • Expressions about being better/worse than another protected characteristic, including but not limited to: “I believe that males are superior to females.”
    • Expressions about deviating from the norm, including but not limited to: freaks, abnormal.
  • Expressions of contempt (in written or visual form), which we define as:
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  • Expressions of dismissal, including but not limited to: don´t respect, don’t like, don´t care for
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    • Referring to the target as genitalia or anus, including but not limited to: cunt, dick, asshole.
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    • Terms or phrases calling for engagement in sexual activity, or contact with genitalia, anus, feces or urine, including but not limited to: suck my dick, kiss my ass, eat shit.

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    • Political exclusion, which means denying the right to right to political participation.
    • Economic exclusion, which means denying access to economic entitlements and limiting participation in the labour market.
    • Social exclusion, which means things like denying access to spaces (physical and online)and social services, except for gender-based exclusion in health and positive support Groups.

Content that describes or negatively targets people with slurs, where slurs are defined as words that are inherently offensive and used as insulting labels for the above characteristics.

Para que se não misturem conceitos, contaminando uns com os outros, é melhor evitar — pelo menos, para já — quaisquer analogias entre o Fakebook e aquilo que se passa no Twitter. Os princípios basilares são os mesmos, a repressão pura e simples do livre pensamento, a liquidação sumária da liberdade de opinião e expressão, mas os métodos pidescos diferem em diversos aspectos, numa rede e na outra. Atenhamo-nos, por conseguinte, àquilo que é cada vez mais (descaradamente) notório no recreio do puto Mark, esse insuportável fanfarrão, e dedicando particular atenção ao que estão por cá a fazer agentes portugueses com a sua particular maestria na arte da estupidificação em massa. Portanto, de momento, “basta-nos” o Fakebook (incluindo as demais “redes” que o dito puto já devorou, como o Instagram) e quais os métodos pidescos mais utilizados na delegação tuga da chafarica markiana.

Não misturemos também aquilo que vamos vendo e lendo, as figuras públicas (talvez) banidas pela sede de Menlo Park, California — são principalmente americanos, mas há também canadianos, franceses e ingleses, entre outros — e as controvérsias que esses episódios mediáticos geram, com o que se vai passando entre as imensas manadas de gado que pastam na paisagem, as reses pastoreadas pelos portadores da flauta ideológica.
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Não sabe o que é a lusofobia? Então veja os “bonecos”…

O tema não é assim tão novo quanto isso, ainda que possa soar vagamente familiar (salvo seja) e se bem que, paradoxalmente, a esmagadora maioria dos portugueses não tenha jamais ouvido falar em tal coisa. Não se trata, porém, de uma bizarria estranha ou de qualquer neologismo; muito pelo contrário. O termo poderia facilmente remeter para a esquizofasia ou para outra das particularidades que encerram patologias mentais (como, por exemplo, o fenómeno de “projecção” enquanto reflexo do vasto “campo” da esquizofrenia) mas, como veremos — para já, essencialmente através de registos “instantâneos” (imagens, “bonecos”), é esse mesmo fenómeno de projecção que em simultâneo explica o estupro da Língua Portuguesa e, como extra ou brinde, as recentes “queixas” de alguns imigrantes quanto a um putativo “preconceito anti-brasileiro” que, dizem, existe em Portugal.

Fica assim devida e plenamente explicado o referido fenómeno de projecção. Não são os portugueses os culpados e autores daquilo que imputam a outros — os que acusam de dizer e fazer o que eles fazem e dizem.

Existe lusofobia, o termo e de facto, mas não existe “brasileirofobia”, nem de facto nem o termo. A “xenofobia”, o “racismo” de que os brasileiros em Portugal tanto se queixam, tentando fazer-se passar por vítimas, é afinal a xenofobia brasileira, o racismo brasileiro, o preconceito anti-português dos brasileiros, a sua aversão atávica a tudo aquilo que lhes cheire a português, a sua raiva (nem sempre) surda à História de Portugal, o seu desprezo pela Cultura portuguesa, a sua determinação em enterrar para sempre um passado de que se envergonham.

Abre-se assim uma nova e imensa (“22 vezes maior”) área de estudo em Psiquiatria: a lusofobia. Ora, atendendo a que, por definição, qualquer fobia é, de entre todo o arsenal de distúrbios mentais, um dos sintomas mais dificilmente tratáveis — exceptuando talvez o uso de doses cavalares de psicotrópicos, anti-depressivos e benzodiazepinas –, poderemos porventura concluir que afinal os mais “perturbados” não são os próprios pacientes, são quem lhes dá crédito e atura as suas taras e manias. A começar pela fobia anti-lusitana.



[Pesquisa Google (imagens) em 03.07.22; critério de pesquisa: “lusofobia”]



[Reprodução da página da “Wikipédjia” brasileirófona sobre o desporto nacional (“ispórrtchi nációnau”) do Brasil.]

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«Acordo Ortográfico só subsiste pela inércia cultural da ignorância» [Pacheco Pereira, 02.07.22]

Não sabe o que é o nó górdio? Se não sabe devia saber

O ‘turnover’ geracional político e jornalístico criou uma espécie de simbiose no pensar, no falar, no viver entre os jovens políticos e jornalistas.

 

Ele há dias, em bom rigor cada vez mais dias, em que o meu interesse pela política corrente portuguesa, se não é nulo, é quase nulo. Não é uma atitude aconselhável, porque o desinteresse pela coisa pública não é uma atitude cívica que se deva ter, mas não consigo, pura e simplesmente não consigo, passar o dia a ouvir e a ler sobre as trapalhadas entre António Costa e Pedro Nuno Santos, ou sobre a tragédia da menina Jéssica, ou sobre as “contingências” na saúde, ou as ciclópicas tarefas do novo líder do PSD. No entanto, em todas estas histórias há aspectos relevantes, seja a qualidade da acção governativa, seja o retrato da miséria física e moral do mundo da pobreza e a sua implícita violência, seja o conflito larvar entre corporações poderosas, interesses privados e, de novo, a incompetência da governação, ou sobre o dilema entre uma oposição dos decibéis ou uma oposição reformista num país demasiado pequeno e atrasado para poder ultrapassar os interesses instalados.

Mithridates or Mithradates VI Eupator was ruler of the Kingdom of Pontus in northern Anatolia from 120 to 63 BC, and one of the Roman Republic's most formidable and determined opponents. WikipediaDe novo, insisto, tudo isto é relevante e não merece indiferença, mas… a pasta informativa que nos é servida todos os dias transforma-o numa espécie de puré de batata, ou, melhor, num puré de maçã adornado por frutos vermelhos e uma pétala ou uma pequena flor por cima, como um pastiche da pseudocomida francesa que por aí se come. E quando não é só isso, no meio do puré está um fio de veneno, com a crescente politização escondida da informação, que torna mais saudável ler o ‘Abril, Abril’, um ‘site’ informativo do PCP que não engana ninguém, do que a mais sofisticada e profissional manipulação da Radio Observador pelas manhãs. Isto para quem não seja seguidor de Mitrídates do Ponto, como eu sou há muito tempo, e corra o risco de se envenenar mesmo a sério.

A culpa é dos jornalistas? Já foi mais do que o que é, porque, entretanto, o ‘turnover’ geracional político e jornalístico criou uma espécie de simbiose no pensar, no falar, no viver entre os jovens políticos e jornalistas – jovem aqui segue o critério do Komsomol – que cada vez são mais parecidos na visão do mundo, no vocabulário, no modo de viver entre si, na frequência de lugares, de restaurantes, de leituras, de “sítios”, do que vêem na televisão e ouvem na rádio, que se entendem como quem respira. É uma coisa que se tem vindo a desenvolver nos últimos anos, uma comunidade de vida e cultura, uma redução da política a critérios mediáticos, uma espécie de contínuo entre a má política e o mau jornalismo feito de uma atenção quase obsessiva as chamadas “redes sociais”, de uma redução da complexidade a favor de um simplismo redutor, de uma pobreza vocabular de que resulta numa incapacidade expressiva e, por isso mesmo, ou uma brutalidade argumentativa ou uma sucessão de lugares-comuns , muito pouco estudo e uma dose exagerada de comentários e debates televisivos.

Todos os rodriguinhos dos nossos tempos são absorvidos, quer como aspirações quer como tabus, com um medo pânico e um não-pensar em relação as matérias proibidas, seja o racismo, seja a homofobia, seja a condição feminina, seja, noutra área de “negócios”, a interiorização da economia da ‘troika’, a começar pelo PS. A indiferença face aos estragos feitos à língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico, que só subsiste pela inércia cultural da ignorância, é mais difícil de mudar do que pôr-nos a todos a dizer “todes” para sermos politicamente correctos.

Viver vidas a sério, ou seja, as que têm dificuldades e escolhas, não garante experiência, mas as vidas de plástico aproximam-se muito do mundo imbecil das/dos influenciadores das revistas do ‘jetset’. Esperem para chegar a praia e vão ver como é. Ler muito também não garante nem qualidade nem razão, mas ler pouco garante muita ignorância e, para quem vive num mundo com uma forte componente explícita de símbolos e escondida de interesses, resulta num ‘modusoperandi’ de rotina e incompetência e de serviço aos glutões que por aí andam e comem estes políticos e jornalistas ao pequeno-almoço.

Dizer isto é elitismo e sobranceria? Talvez. Mas tenho por mim a memória de Medeiros Ferreira e um seu momento numa entrevista em que falou do “nó górdio”, e a jornalista perguntou-lhe o que era. Medeiros Ferreira irritou-se e respondeu: “Se não sabe, devia saber…”

– historiador

 

[Transcrição integral (semi-manual) de crónica, da autoria de “Público” em 2 de Julho de 2022. Sublinhados e destaques a “bold” meus. Inseri “links”, citações e imagens. Imagem de Medeiros Ferreira: recorte de imagem no “site” com o nome do próprio.]

«O mais flagrante exemplo é a defesa de um Acordo Ortográfico que se pretende impor manu militari, e que corta as raízes ortográficas do português no latim.»
«
A perda de raízes é uma constante nas sociedades contemporâneas, não só em Portugal, mas em Portugal com a gravidade maior de que a nova ignorância se soma à antiga. E em que há pouca consciência dos estragos que essa nova ignorância nos faz, fazendo-nos andar para trás.»
«O problema actual da ignorância é que a ignorância nunca teve tão boa imprensa, tão bons defensores, tão arrogantes cavaleiros contra o saber, como nos dias de hoje.» [“AO90: imposição ‘manu militari’” [Pacheco Pereira, “Público”, 03.04.2017]
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