Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: artes

Fronteiras 31

25 depoimentos recolhidos por  Contra.o.Acordo Ortográfico

  1. Lena d’Água – “O Acordo Ortográfico não é nenhum acordo, é uma grande aldrabice!” 0:58
  2. Miguel Somsen – “Da minha parte eu vou morrer com o velho acordo ortográfico” 1:19
  3. Fernando Ribeiro – “A minha opinião (do Acordo Ortográfico) tem mudado, de opressivo para inútil” 1:31
  4. Ricardo S. Amorim – “acho que a riqueza da língua se vê também pela sua diversidade” 0:29
  5. Amélia Muge – “acções como o acordo ortográfico fazem-me lembrar os transgénicos, no pior sentido” 3:04
  6. Nuno Rogeiro – “um acordo ortográfico que empobrece e não enriquece não é um bom acordo” 1:28
  7. António-Pedro Vasconcelos – “Esta tentativa de uniformizar acabou por criar um caos total na língua” 4:11
  8. Celso Augusto Nunes da Conceição – “A realidade é essa, (…) colapso linguístico por todo o lado” 3:39
  9. José Jorge Letria – ” vejo isto com apreensão, porque é um instrumento básico da nossa comunicação” 3:00
  10. João David Nunes – “É um disparate de tal maneira grosseiro que não se justifica de maneira nenhuma” 0:54
  11. Carlos Alberto Moniz – “Eu gosto demasiado da língua portuguesa para adoptar este acordo” 0:53
  12. Carlos Pinto de Abreu – “a diversidade das formas de escrita não afecta a unidade da nossa cultura” 0:35
  13. António Manuel Ribeiro – “Chamo-o Erro Ortográfico”…”que pudéssemos rever com coragem os erros” 0:46
  14. Ricardo Araújo Pereira – “Ninguém pára o Benfica com acento” 0:58
  15. Casimiro de Brito – “O Acordo Ortográfico é um problema nacional” 1:39
  16. Júlio Isidro – “esse monstro que se chama acordo ortográfico, eu chamar-lhe-ia aborto ortográfico” 0:52
  17. Camané – (o AO90) “está a pôr em causa a nossa língua e a arte do Português” 0:59
  18. António Araújo – “As vicissitudes (…) em vários países da lusofonia mostram que é um mau acordo” 0:30
  19. Pedro Vieira – “Deixemos estar a diversidade” 1:49
  20. Carlos Guilherme – “A História da palavra tem que ser respeitada” 1:49
  21. Pedro Mexia – “Eu acho que muito pouca gente defende o Acordo Ortográfico por convicção.” 1:38
  22. Richard Zimler – “O Acordo parece-me absolutamente desnecessário.” 1:16
  23. Catarina Molder – “Sou inteiramente contra o AO e convido mesmo a que as pessoas não o apliquem” 3:46
  24. Catarina Molder – “O caos ortográfico está instalado” 1:47
  25. Né Ladeiras – “A língua é a nossa maior herança, é o nosso maior legado” 0:51

(mais…)

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«Lamento muito que os portugueses…» [Paulo Franchetti, Facebook]


Este “post” foi publicado por Paulo Franchetti no Facebook há exactamente três anos, mas bem poderia ter sido escrito e publicado hoje; mantém absoluta actualidade.

Trata-se de um pequeno mas extraordinariamente incisivo texto que foi aliás citado por, pelo menos, três cronistas tão diversificados quanto Filipe Zau, em Angola, João Gonçalves, em Portugal, e o Padre Belmiro Narino, no Luxemburgo.

  1. «Os falsos pressupostos do Acordo Ortográfico» [“Jornal de Angola”, 31.05.16]
  2. «O Acordo e a linguiça» [João Gonçalves, JN]
  3. “O poder despreza a cultura” [Belmiro Narino, “Luxemburger Wort”]

 

Por alguma estranha razão, com três anos de atraso (algum acesso de tuguismo ao retardador, ou então é só da velhice mesmo), só agora me apercebi de que ainda não tinha aqui reproduzido o dito “post”.

Pronto, fica rectificado o lapso.

Tenho acompanhado um pouco a reação e os apoios ao Acordo Ortográfico em Portugal, onde estou no momento. Lamento muito…

Publicado por Paulo Franchetti em Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

 

Tenho acompanhado um pouco a reação e os apoios ao Acordo Ortográfico em Portugal, onde estou no momento.

Lamento muito que os portugueses passem a ser obrigados a escrever da forma abstrusa que o acordo preconiza.

Para nós, brasileiros, é mais fácil: sumiu o trema, perderam-se uns acentos, trocou-se a confusão dos hífens por outra confusão dos hífens. Saiu barato.

Em Portugal se produzem aberrações.

Espanta-me ver que há professores da área de Letras a defenderem o acordo. Alguns com argumentos tão inconsistentes quanto o próprio “acordo” que defendem.

As perguntas essenciais nunca afloram: quem precisa de um acordo desses, quem tem dinheiro para implementá-lo, qual a sua prioridade no plano das carências culturais?

Cientificamente, o acordo não se sustenta. Culturalmente, além de perverso, é irresponsável. Mas há vontade política de implementá-lo a qualquer custo.

Pobre país este… E não porque tenha de se dobrar ao Brasil. Isso é balela. O acordo tampouco interessa à cultura brasileira. Exceto à indústria dos livros didáticos e de referência. Pobre país este no qual muitos políticos e alguns intelectuais acham que a ordem que vem de cima deve ser a ordem das coisas.

Para nós, brasileiros, o acordo é inócuo. E talvez não sobreviva muito tempo, como não sobreviveu a reforma de 45, quando deixamos Portugal a escrever sozinho no novo sistema.

Mas aqui o chamado acordo é simplesmente inútil, custoso e absurdo, do ponto de vista científico e, principalmente, cultural. E está sendo enfiado goela abaixo de um grande número de intelectuais de primeira linha, implantado por lei e mandado fazer cumprir…

Paulo Franchetti

[Evidentemente, na transcrição textual, os destaques, sublinhados e “links” foram adicionados por mim. Imagem de topo de: Antero (Facetoons). ]

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Odiar pelos dois

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Novembro 1999

Caetano Veloso acha que “a colonização portuguesa foi a pior coisa” que alguém pode imaginar. Em entrevista ao jornal português “Expresso”, concedida na semana passada, em Londres, o cantor e compositor disse que os portugueses só foram ao Brasil, “lugar que não lhes interessava nada”, para “sugar, sugar, sugar o que fosse possível e matar os índios”.
No entender do compositor, a colonização do Brasil por Portugal “foi o oposto dos EUA, para onde alguns ingleses foram para criar um país melhor”.
“Bom, os ingleses são melhores a matar índio e a discriminar preto do que os portugueses. Porém, os ingleses criaram na América uma sociedade nova, melhor e mais justa”, disse.»

“Folha de S. Paulo”, 17.11.99


Agosto 2012

(…)
E deixe os Portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira! Fala!
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?(…)Letra: Língua – Caetano Veloso

CaetanoVelosoVEVO, 13.08.12

 


Maio 2018

Imagem de topo: recorte de original © RegionalPress/DR publicado no “JM Madeira”

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Editorial Divergência: Prémio António de Macedo

 


De forma a promover a ficção especulativa em Portugal na forma de romance em Língua Portuguesa e homenagear um grande nome da nossa literatura e cinematografia, a Editorial Divergência abre as inscrições para a primeira edição do “Prémio António de Macedo”.

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Regulamento do Concurso

  1. Apenas podem concorrer textos inéditos, em língua portuguesa, respeitando o Acordo Ortográfico de 1945 e submetidos pelos próprios autores. Por inédito entendem-se textos que não tenham sido anteriormente publicados de forma profissional por terceiros, como um todo ou em parte, em formato físico ou electrónico. Textos anteriormente publicados em formato amador ou de auto-publicação podem ser aceites mediante análise individual.

  2. Podem concorrer autores residentes em Portugal Continental e Ilhas.

  3. Autores menores de idade podem concorrer desde que autorizados pelo responsável legal. A autorização deverá ser remetida em conjunto com a submissão e o responsável legal estar claramente identificado (nome, morada, idade, endereço electrónico, contacto telefónico).

  4. Os textos submetidos terão de ter pelo menos 40000 (quarenta mil) palavras.

  5. Todos os textos submetidos deverão estar inseridos no género da ficção especulativa: Terror, Fantasia ou Ficção Científica.

  6. O prazo-limite de entrega por via electrónica nos moldes abaixo indicados é as 23:59 do dia 30 de Junho de 2018, hora de Portugal Continental. Os textos enviados após essa data não serão considerados para efeito do concurso.

(…)

 

 

fotoam«Surge inclusive a ideia de que se tentou eliminar o nome de Macedo da história do cinema português, ocultando o papel seminal da sua primeira longa-metragem, ‘Domingo à Tarde’. Se durante muito tempo esta era citada, a par de ‘Os Verdes Anos’, de Paulo Rocha, e ‘Belarmino’, de Fernando Lopes, como um dos filmes fundadores do Cinema Novo, aos poucos foi sendo desvalorizada ou simplesmente deixou-se de mencioná-la. “Penso nessa questão da conspiração”, diz João Monteiro, não obstante crer que estas coisas acontecem sem intenções maquiavélicas, provavelmente sem os “perpetradores” darem conta dos possíveis resultados das suas acções (ou omissões). “Não gostavam do Macedo, optaram por não falar dele. A verdade é que ninguém pensa: ‘Se continuarmos a fazer isto, qualquer dia ele é esquecido.’»

[“A conspiração contra António de Macedo”, João Lameira]

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Activismo

 

 

Podemos e devemos reagir!Em momento algum da minha carreira artística, ou actividade enquanto produtor cultural ao…

Publicado por Luis de Matos em Sexta-feira, 6 de Abril de 2018

 

Luis de Matos

last Friday

Podemos e devemos reagir!
Em momento algum da minha carreira artística, ou actividade enquanto produtor cultural ao longo de 23 anos, tive a alegria e o incentivo de ser financiado pelo Estado Português. Com a minha equipa construímos um teatro e com ela continuamos a levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo. Na próxima segunda-feira partimos, uma vez mais, para fazer espectáculos em Monte-Carlo, Monaco, Lyon, France, Geneva, Switzerland, Bordeaux, France, Toulouse, France e Budapest, Hungary.
Por estes motivos, não estou sob suspeita quando digo ser absolutamente vergonhoso que continuemos a afastar-nos do famoso 1% do Orçamento para a cultura, de que Portugal se aproximou na passagem do século. É verdade que já vi muito lixo ser financiado. Mas a situação actual é inaceitável.
A destruição da nossa identidade começa com o patético Acordo Ortográfico e atinge hoje limites inacreditáveis com os cortes recentemente anunciados no sector da Cultura.
Não é tarde para tentar reverter o mal fadado Acordo, basta começar por seguir este link: https://ilcao.com
Não é tarde para tentar reverter a tragédia actual, basta começar por seguir este link: http://emdefesadacultura.blogspot.pt

 

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Cultura — de novo a empurrar com a barriga?


Foi Ministro da Cultura entre 1995 e 2000. Portanto, estava no Governo — e numa “pasta” de relevância equivalente à da Educação, não façamos a coisa por menos —  quando o AO90 estava, muito descansadinho, a repousar numa qualquer gaveta do Terreiro do Paço.

Apesar de nunca ter mexido uma palha a respeito do assunto enquanto podia, se calhar rezando a todos os santinhos para que o assunto esquecesse entretanto, porque Manuel Maria Carrilho sempre foi contra o “acordo ortográfico”, a verdade é que, na prática, limitou-se a empurrar com a barriga o problema. Ainda mais na prática, se tal é possível, “passou a pasta” do AO90 quando passou a “pasta” da Cultura.

Em 1990, quando aquela abominável porcaria (o AO90) foi assinada por todos os Estados da CPLP, ainda não tinha responsabilidades governativas. E em 2008 já não as tinha e portanto não teve nada a ver com a aprovação da malfadada Resolução parlamentar (RAR 35/2008), aquela tremenda vigarice que determinou a entrada em vigor do AO90 em Portugal.

Em 2004 também já não estava no Governo mas não tugiu nem mugiu, que se saiba (posso bem estar enganado, se calhar escreveu na época sobre o tema), quando o Estado português subscreveu a dita vigarice, a mesma que o Parlamento aprovou quatro anos depois e que é afinal a causa primordial daquilo que vemos agora, todos os dias, suceder com a Língua Portuguesa: o processo de destruição em curso.

Este ex-Ministro da Cultura poderia ter feito alguma coisa para liquidar o AO90 “no ovo” durante os cinco anos em que teve poderes para isso. Ou poderia ter tentado ajudar, já sem responsabilidades governativas, a impedir que chegássemos a “isto”. Que tivesse tentado fazer alguma coisa, intervir, actuar. Antes, durante ou depois. Mas não. Limitou-se, como a esmagadora maioria dos políticos, a assobiar para o lado, meditabundo, mudo e quedo, ainda que soubesse perfeitamente — só os deputados que aprovaram a RAR 35/2008 não sabiam o que estavam a aprovar — quais seriam as consequências da vigarice e o que era (é) de facto aquele “acordo”.

Mas vá, agora escreve Carrilho alguma coisinha sobre o assunto, pronto, menos mal.

Cultura – de novo a caminho do grau zero?

Manuel Maria Carrilho
“Público”, 06.04.18

A cultura portuguesa vê-se assim, neste momento, sob a ameaça de uma prolongada indigência político-orçamental.

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A cultura não é excepção. A não ser por a escassez em que vive ser bem maior do que a de outros domínios e de, em alturas de aperto, ser sempre ela a primeira vítima. Daí a justa cólera dos protestos em relação à actual política cultural e, em particular, à que diz respeito ao teatro.

Ora, se há área em que os socialistas têm uma responsabilidade histórica incontornável, ela é, indubitavelmente, a da cultura. Com efeito, foi por sua iniciativa que, por três vezes (em 1983, em 1995 e em 2015), ela teve um ministério próprio. Em 1995 ela foi mesmo objecto da definição de uma estratégia global muito precisa no âmbito do XIII Governo Constitucional, bem como de políticas sectoriais bem definidas, depois sempre acompanhadas de reforço orçamental. Foi certamente por isso que o actual Governo repôs o estatuto ministerial da cultura, interrompido pela direita em 2011.

Mas uma coisa é repor o estatuto, outra é retomar uma linha de acção política que lhe corresponda. Discrepância que, contudo, já vem de longe, quando em 2005 os socialistas voltaram ao poder. Foi aí que a herança da segunda metade dos anos 90 se começou a perder.

Foi aí, como o escrevi em 2009 ao procurar contribuir para o balanço da política cultural da legislatura 2005/2009, que o Governo de José Sócrates abandonou a responsabilidade histórica que os socialistas tinham no domínio cultural, tendo preferido retomar algumas controversas (e bem esquecidas…) ideias cavaquistas, como aconteceu com o Museu dos Coches, com o Acordo Ortográfico ou com o estrangulamento orçamental das instituições, das actividades e das expectativas do mundo da cultura.

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