Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

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O camartelo (1)

A Língua Portuguesa não é um objecto que se possa trocar, comprar ou vender. Os portugueses que a usam como ferramenta de trabalho, ao menos esses, não estão em saldo. Nem apreciam particularmente que alguns salteadores e traficantes lhes tentem roubar a enxada, essa alfaia singular com que revolvem o chão da pátria que lhes deu o ser e lhes dá o pão. E que também serve, como qualquer sachola honrada, para dar com ela na cabeça dos meliantes. [‘O aborto ortográfico: pontas soltas e roubos de catedral‘, 16.04.2008]

O AO nem é acordo, porque num acordo se pressupõe cedências de ambas as partes e neste houve apenas de uma, nem é ortográfico, pela simples razão de que nega e renega o próprio conceito de ortografia. [jornal “O Diabo” (entrevista), 20.12.2011]

A finalidade deste “acordo” político é que uma das seis ex-colónias, sul-americana, submeta a sua ex-potência colonizadora, europeia, e as demais ex-colónias africanas desta, a uma forma de neo-imperialismo cultural que se consubstancia na “adoção” ditatorial de uma “ortografia única”: a brasileira. [‘Anatomia da fraude‘, 02.07.2017]

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Mas será “só” isto mesmo? Trata-se apenas de abater umas quantas “consoantes mudas” ou afinal pretende-se deitar abaixo, demolir outras coisinhas?

Quando o actual Presidente da República proclamou, em 2008, que “Portugal tem de lutar para dar a primazia ao Brasil” e quando, em 2015, reforçou essa “ideia” defendendo um “acordo militante”… queria ele dizer o quê, ao certo?

Bom, assim ao certo, ao certo, parece-me não haver nestas declarações qualquer tipo de subtileza que dê lugar a dúvidas: o que este Presidente quis dizer (como o anterior) é que sim, senhor, existem de facto mais umas quantas coisinhas a abater. O “acordo ortográfico” serve meramente, por assim dizer, como cabo para empunhar o camartelo.

Ao ritmo actual dos trabalhos de demolição, presumo que dentro de dois ou três anos, o mais tardar, não reste nas plataformas e nos serviços de Internet o mais remoto vestígio da ortografia do Português-padrão. E não “só” isso, evidentemente, e não “apenas” isso com efeitos retroactivos, como também toda a Internet “lusófona” será quase integral ou exclusivamente brasileira — na redacção e na terminologia mas também nos conteúdos.

Qualquer pesquisa genérica via Google devolve já, sempre à cabeça e sempre por sistema, resultados de “sites”, textos, produtos, serviços brasileiros.

Quanto mais curto for o critério de busca, maior a probabilidade de as primeiras sugestões serem de coisas… brasileiras, pois claro. Como neste caso***, procurando “hino” no YouTube.

Ah, e tal, dirão alguns, mas isso sempre foi assim.

Não, não foi, digo eu. E já o dizia, comprovando o facto com amostras, há quase uma década.

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“O idioma faz a nossa identidade”

Mais uma reversão ortográfica, salvo seja. Mesmo após todos estes anos desde que nos caiu em cima a malaquenha maldição, as pessoas continuam a acordar para a realidade — ou seja, vão desacordando.

Este é outro caso flagrante: oito anos depois, um “blogger” que apoiara entusiasticamente o AO90 declara agora que o rejeita categoricamente e rebate, um por um, todos os argumentos que ele próprio tinha enumerado para sustentar esse apoio.

É natural. Esmoreceu no entusiasmo, primeiro, faliram os argumentos, depois, e volatilizou-se-lhe o apoio, por fim, porque a realidade é mais sólida do que uma parede; mas, felizmente, não partiu a cabeça quando bateu com estrondo na dita parede. Pelo contrário, a pancada, digo, o embate, terá sido com certeza absolutamente indolor, uma espécie de despertar súbito e clarividente.

Como por definição acontece quando um chorrilho de mentiras esbarra e espatifa-se contra factos concretos, dúvidas feitas em cacos transformam-se — suave milagre — em sólidas convicções.

Em 2009 o Mark dizia “sim”, em 2017 o Mark diz — definitivamente — Acordo Ortográfico: Não!

E diz muito bem. É esta a nossa identidade.

Ainda o Acordo Ortográfico.

Mark às 16:20

O assunto está praticamente dado por encerrado entre todos, não obstante ainda proliferarem movimentos que se lhe opõem. Entre os organismos estatais, foi adoptado; órgãos de Comunicação Social e demais imprensa, de igual modo, gradualmente o implantaram, com uns quantos que se recusam. Há individualidades que lhe fazem frente, e eu, um fiel apoiante, vejo-me do outro lado. Não farei militância anti-AO, se bem que lhe retirei todo o apoio. Torna-se oportuno contextualizar.

Quando o AO entrou em vigor em Portugal, adoptei-o na minha escrita, inclusive no blogue. Por pouco tempo, porque cedo me dei conta da minha impossibilidade em adaptar-me às novas regras, ainda que as tenha, por conta própria, estudado. Esteticamente, foi-me impossível. Mantive, entretanto, o meu apoio ao Acordo. Perfilhei da maioria das razões invocadas pelos seus defensores, as quais expus aqui no blogue – tenho textos escritos, antigos, sobre esta matéria; por 2011, inclusive, lerão textos meus com a ortografia reformada. O principal argumento prende-se à disparidade entre as normas portuguesa e brasileira. Consoantes mudas, acentuação gráfica, sobretudo, o que levava, numa primeira análise, a que os leitores se apercebessem das divergências quase incomportáveis num mesmo idioma, divergências essas que o enfraqueciam no plano internacional, designadamente na hora de um aluno escolher entre qual norma aprender. Anos depois, continuo a considerar este argumento como aceitável e pertinente. A Língua Portuguesa queda enfraquecida com tamanhas, embora não abismais, diferenças, que existem nalguns idiomas, como no inglês, mas que não existem noutros, como no castelhano, sendo que o português goza de bastante menos prestígio do que ambos.

O que terá mudado? Sucintamente, o modo como encaro o Acordo. Continuo a ser partidário de uma uniformização, opondo-me veementemente ao processo em curso de simplificação. O Acordo Ortográfico de 1990 descaracteriza o idioma. A raiz etimológica, em detrimento do critério meramente fonético, sofreu um duro golpe. O primeiro foi-lhe dado justamente por Portugal, em 1911. Não sou um purista; todavia, não posso compactuar com este atentado ao idioma. Uniformização ortográfica, sim; AO de 1990, não.

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“Vezes sem conta”

Ainda a propósito do WordPress em Português de Portugal, e apesar de já ter chamado a atenção para os comentários ao artigo original, não resisto a transcrever aqui dois desses comentários. São apenas dois, para amostra, que há lá outros de nível equivalente, mas estes em particular ilustram na perfeição a premissa básica do “diálogo” (qualquer “diálogo”) entre acordistas, trogloditas verbais em sentido lato, e pessoas com dois dedos de ortografia: quanto mais claros e transparentes forem os factos apresentados por estes, mais feroz e estupidamente aqueles tentam “rebater” as evidências — a troco de alucinações neo-imperialistas e delírios pseudo-linguísticos.

Alucinações e delírios que, sem necessidade de ir lá ler as diatribes por extenso, coisa que ninguém merece, são perfeitamente detectáveis nestas elegantérrimas respostas.

WordPress Portugal, doze pontos, twelve points, douze points.

Zé Fontainhas

Chega.

Já te foi explicado (vezes sem conta), com infinita paciência, os comos, os porquês de todo este processo e em que é que ele é aberto e totalmente transparente e feito para respeitar as decisões da maioria.

A tradução para português (tal como o próprio core do WordPress), é open source, pelo que se não estás de acordo com a abordagem deste grupo, tens uma solução simples:

COMEÇA O TEU PRÓPRIO GRUPO DE “WP AO90”. Faz um site, abre discussões, recruta voluntários (parece que os há), implementa uma plataforma de tradução, distribui os ficheiros de tradução da tua versão. Podes até usar como base o trabalho desta comunidade à vontade, ninguém te leva a mal. Que se lixe, abre um canal no Slack, nós ajudamos.

Agora pára por favor de insultar quem aqui trabalha a troco de nada desde muito (mas muito, mesmo) antes de aqui apareceres, de inventares conspirações sem nenhuma substância ou fundamento sobre esta comunidade, e de insistires em que as coisas devem ser feitas como tu achas, pela simples razão que tu assim achas.

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WordPress em Português de Portugal

Mais um espantoso artigo, desta vez da autoria de Álvaro Góis mas, como sempre, em nome de toda a equipa WP-Portugal, sobre a questão — integralmente inventada pelos acordistas — da tradução do WordPress para acordês, essa novilíngua de trapos que meia dúzia de brasileiros “adotivos” pretendem impor a uma esmagadora maioria de cidadãos nacionais.

Este assunto, se bem que evidentemente parvo, dada a patológica parvoeira que afecta quem o inventou, tem sido amiúde (nem me atrevo a imaginar com que carga de sacrifício) escalpelizado, analisado, explicado e concomitantemente rebatido por vários dos competentíssimos elementos da WordPress Portugal.

Além deste novo texto, que aqui fica também replicado porque é acervo documental de relevo para o historial da luta contra o AO90, conviria ler a acesa troca de comentários no “post” original. Por dois motivos, em essência: pela profunda irritação dos acordistas (“ah, e tal, lei é lei”, nhónhónhó, rebéubéu, pardais ao ninho) e pela extraordinária paciência (ou invejável calma) com que os membros do WordPress em Português vão tentando responder aos desconchavos e até aos insultos dos ditos acordistas.

O WordPress em português de Portugal e o Acordo Ortográfico de 1990

De vez em quando a Comunidade Portuguesa de WordPress agita-se em redor da utilização do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) na tradução principal do WordPress para português.

Levantam-se questões legítimas, apresentam-se opiniões, um ou outro decreto-lei para uma discussão que ultrapassa as barreiras do uso da língua e toca aspectos de ordem técnica, que vão muito além das opções individuais de usar ou não o AO90.

Este texto não pretende abrir qualquer debate sobre:

  • O AO90 é bom ou mau;
  • O AO90 vai ou não ser alterado e quando;
  • O AO90 é ou não obrigatório.

Não é um texto sobre legalidade ou obrigatoriedade de usar uma determinada forma escrita da língua. Pretendemos apenas fazer um resumo do que têm sido as opções da equipa de tradução do WordPress para português de Portugal e, acima de tudo, clarificar o que está a ser feito e porquê, para corresponder às diversas necessidades dos utilizadores.

O histórico

A discussão sobre a utilização do Acordo Ortográfico de 1990 na tradução oficial portuguesa do WordPress começou a fazer-se por volta de 2013.

Já nessa altura, apesar de depender de uma equipa relativamente pequena de contribuidores, a tradução estava estabilizada. Tinha envolvido um grande trabalho de revisão e de consolidação de termos e era actualizada a tempo do lançamento de novas versões. No GlotPress, a plataforma que gere as traduções do projecto WordPress, cabiam ainda apenas as traduções do core (o próprio WordPress). As traduções de plugins e temas não estavam incluídas. Eram geridas individualmente, adicionadas ou não a cada tema ou plugin disponíveis nos respectivos directórios do WordPress.org.

Dentro da equipa de tradução havia a percepção de que a adopção do AO90 por instituições públicas e alguns meios de comunicação começava a colocar a questão da sua adopção ou não pelo WordPress. E alguns de nós eram favoráveis a essa adopção.

Como sempre procurámos fazer dentro da Comunidade Portuguesa de WordPress, colocámos à discussão pública se deveria ou não a tradução oficial adoptar o AO90.

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“OCTANAS: Ocorrência: Censurado pelo Público…”

Ocorrência: Censurado pelo Público…

Octávio dos Santos

… Ou, mais correctamente, por algumas pessoas no Público. Hoje, no meu (outro) blog Obamatório, publiquei o meu artigo «Histeria histórica»… integralmente, quando o objectivo inicial era apenas reproduzir do mesmo um excerto. E há mais de um mês: no passado dia 12 de Fevereiro enviei-o àquele jornal para ser editado, mas apenas electronicamente – a sua elevada dimensão (quase 14 mil caracteres) tornava a sua passagem a papel improvável, se não mesmo impraticável.

Porém, no dia 23, e depois de me ter garantido, em conversa por telefone no dia 20, que ele seria publicado a 22, Nuno Ribeiro enviou-me uma mensagem em que me informava de que, afinal, e após uma «avaliação», o meu texto não sairia. Em conversa por telefone posterior com o actual editor de opinião do Público perguntei-lhe repetidamente quem efectuara essa «avaliação» e o que se concluíra nela – isto é, quais os motivos concretos que haviam levado à reversão da decisão inicial. O meu interlocutor recusou-se a responder, reiterando que o meu artigo era «impublicável», e aconselhou-me a recorrer ao actual director, David Dinis. O que fiz…

… Por correio electrónico nesse próprio dia, 27 de Fevereiro, tendo recebido uma resposta a 8 de Março. Nela, finalmente, tive conhecimento da «justificação» para a reprovação de «Histeria histórica»: é «ofensivo»… não segundo DD, que alegou não o ter lido, mas sim segundo as tais pessoas – o editor de opinião, de certeza, e os directores-adjuntos, talvez – que fizeram a tal «avaliação». Na minha réplica desafiei o director a apontar-me específicas e indubitáveis calúnias, erros, falsidades, mentiras, contidas no meu artigo. Até ao momento não o fez (aliás, não voltou a responder-me) e também não mandou publicá-lo. Portanto, e como «quem cala consente», deve-se depreender que, lamentavelmente, optou por ratificar a decisão dos seus subordinados, atentatória da liberdade de expressão, minha e não só.

É a primeira vez, em mais de 20 anos de colaboração, que um artigo meu é recusado pelo Público. Já fui alvo de discriminação e de censura, tentadas e concretizadas, por vários indivíduos e instituições, mas nunca, até agora, tal acontecera a partir do jornal fundado por Vicente Jorge Silva. Fica desde já aqui a (primeira) denúncia… que, todavia, não esgotará a minha reacção a esta indigna, intolerável ocorrência.

Publicada por OCTÁVIO DOS SANTOS à(s) 8:30 da tarde

 

[Transcrição integral, incluindo “links”: OCTANAS: Ocorrência: Censurado pelo Público…]

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«Manuais Escolares: Sensacionalismo e Inconsequência» [Paulo Guinote, “Público”]

Manuais Escolares: Sensacionalismo e Inconsequência

Paulo Guinote

23 de Janeiro de 2017, 10:22

Há que ir além da arraia-miúda, ter coragem de elevar o olhar e apontar o dedo a quem tem mesmo grandes responsabilidades nisto tudo. E parar de acusar os professores.

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Alguns dias passados sobre os programas e debates da RTP3 e TVI sobre o processo de produção e comercialização dos manuais escolares, tendo pousado rapidamente a poeira levantada de forma muito agitada por aqueles dias, já é possível fazer um balanço do que (não) passou.

Comecemos pelo fim: a única consequência que se pode identificar daquilo tudo é que o Ministério da Educação (ME) vai encomendar um estudo para, em 2017, saber como é constituído o preço de um manual escolar. Sim, é verdade, com tanto grupo de trabalho e estrutura de missão ao longo das décadas, incluindo encomendas estranhas para sistematização de legislação já sistematizada por parte de alguém que também por ali passou, em Portugal, em 2017, aparentemente (sublinho o “aparentemente” por razões óbvias), o nosso ME não faz ideia da forma como se chega a um determinado preço de um artigo que ele impõe, em regra, como obrigatório para muito mais de um milhão de alunos (e esperemos por manuais para o pré-escolar, que deve ser o must da próxima temporada). Eu acho que o que se passa é outra coisa… o ME já sabe, sempre soube, mas precisava de um pretexto para anunciar o estudo que já deve estar mais do que alinhavado. Mas isso são os truques habituais para iludir a opinião pública.

Continuando. Comum a ambas as reportagens, embora com maior gravidade e ligeireza na da RTP, a imputação aos professores da responsabilidade por obrigarem os pais a comprar manuais, optando por aqueles em que os grandes grupos editoriais lhes dariam maiores ofertas, falando-se mesmo em viagens. Nada surgiu em qualquer das reportagens como prova documental da “denúncia”, muito pouco sobre o verdadeiro processo que determina o calendário e procedimento das adopções (responsabilidade do ME), nem grande coisa sobre tudo o que anda em volta dos materiais auxiliares que também são promovidos em catadupa em cada momento que um ministro ou secretário de Estado, pela sua cabeça ou como simples testa de ferro, decide alterar calendários e natureza de provas de avaliação externa ou inventa mesmo novas alterações às provas existentes ou aos programas das disciplinas, com destaque para o Português e a Matemática. Nada ainda sobre a implicação que a adopção do Acordo Ortográfico nas escolas de forma obrigatória teve em tudo isto.

O que apareceu de mais relevante: o enorme desperdício de manuais e outros materiais não adoptados ou não utilizados (reparem que não me pareceram manuais já usados a ser destruídos), algumas pessoas a fingirem que nada era com elas (o senhor da Autoridade da Concorrência, a ex-ministra que sacudiu para o secretário de Estado a responsabilidade por não ter conseguido um acordo com as editoras, o mesmo que não teve qualquer problema em não querer, sequer, um acordo com os professores sobre a sua carreira), outras com a pose de quem sabe dominar o “mercado”, um pseudo-arrependido a dizer banalidades sem concretização (o lamentável “promotor escolar”) e alguns professores a tentar descrever algumas perversões do sistema (o Luís Braga e o Carlos Grosso, por exemplo), mas parecendo ficar na mesa da edição o mais importante e decisivo em todo este processo e que é o nível da macro-decisão, aquela em que se decide o que muda, quando e que permitiu a existência de um processo de concentração e cartelização do mercado dos livros escolares.

O que passou ainda por aquelas reportagens foi uma enorme hipocrisia de algumas figuras que apareceram e o não cumprimento da promessa de denunciar certas cumplicidades institucionais e pessoais. Foi suave o tratamento dado a uma confederação parental demasiado prisioneira das suas parcerias, foi inexistente a relação estabelecida entre o secretário de Estado incapaz de negociar um acordo bom para o interesse público e o ex-secretário de Estado capaz de ir administrar um dos grupos empresariais do sector, bem como a investigação sobre a coincidência de preços entre manuais de grupos teoricamente concorrentes ficou pela mera enunciação do facto e apresentação de documentos de outros tempos. A verdade é que terão existido denúncias bem mais recentes para a Autoridade da Concorrência que ficaram por investigar, enquanto o seu dirigente máximo constata evidências e faz nada. O auto-branqueamento dos poucos políticos que apareceram já era esperado, estranhando eu mais que ninguém ligado aos pareceres do Conselho Nacional da Educação aparecesse a dar a cara pelo que escreveu, quando tão rápidos são a aparecer quando o assunto é outro. Tenho umas ideias sobre a razão, mas logo se verá qual o movimento editorial. O movimento editorial que também não foi investigado, fazendo uma verificação de nomes entre quem apoia a produção de legislação na esfera pública e quem publica na esfera privada a explicar aquilo que os normativos se esmeram por tornar opaco e carente de explicação anotada e comentada.

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