Etiqueta: Brasil

Números, V3

 

Sim, esta é já a terceira versão.

A primeira, de 2017, utilizava os “dados” inicialmente disponibilizados pelo “Portal da Língua Portuguesa brasileira” e continha uma série de “posts” que tentavam explicar os quadros de resultados que foi então possível obter.

A segunda versão, bem mais recente e com outro fôlego, serviu para contrastar, completar e corrigir os dados de 2017, que o dito Portal foi alterando ao longo de 2018, disto resultando não apenas resultados mais exactos como também listas temáticas cada vez mais expurgadas — se não de todos, pelo menos da maior parte — dos inúmeros erros e imprecisões da “fonte”.

E então chegamos à terceira versão, que utiliza a plataforma “online” da Microsoft, integralmente em Excel. Mesmo para quem nunca na vida viu uma folha-de-cálculo (sim, com hífenes), espero que listas e quadros não cheguem para assustar seja quem for, até porque ninguém tem de calcular coisa nenhuma ou meter-se em alhadas técnicas. O Excel tem tudo a ver com lógica e pode, como sucede neste caso, tratando-se de analisar dados de (ou em) texto, ter muito pouco ou nada a ver sequer com a mais básica operação algébrica. Evidentemente, para chegar aos resultados todos os cálculos (em especial, de probabilidades) já foram feitos.

Basta, portanto, ver o que está nas listas e verificar os quadros. Havendo um pouco de curiosidade, é possível alguma espécie de manuseamento daquelas listas: por exemplo, pode-se ordenar os dados por tipo/coluna ou filtrá-los segundo determinado(s) critério(s). “Mexer” nisto é bem mais fácil do que parece e leva muito mais tempo a explicar quão simples é do que a testar essa simplicidade.

 

 

O produto final está pronto a consumir, sem agoiros, não vá aquilo provocar indigestões ou algo ainda pior. As conclusões são de tal forma evidentes que não há sequer margem para dúvidas.

Finalmente, depois de limpa toda a poeira que o “Vocabulário de Mudança” pretendia atirar-nos para os olhos, é possível ver com clareza este facto indesmentível: a “mudança” consistiu apenas em copiar as colunas com as palavras estropiadas à moda brasileira (OAPB1 e OAPB2) para cima das colunas (ON1 e ON2) da desortografia imposta pelo AO90 aos demais membros da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa Brasileira. Portanto, sem direito a relativismos ou tergiversações de qualquer espécie, o que aqui e agora se demonstra pode resumir-se numa singela, lapidar e horripilante frase: o AO90 significa a “adoção” integral da cacografia brasileira e implica a erradicação definitiva do Português-padrão.

A miserável manobra de ocultação deste facto culminou, por fim, em que alguns tugas tenham andado anos entretidos  a empastelar o “copy/paste”, trocando aleatoriamente (mas programaticamente) a ordem das colocações, com a óbvia finalidade de que se tornasse impossível perceber a golpada.

Azar o deles, com trabalho e boas ferramentas não há impossíveis. Removidas diversas camadas de mentiras, descobrimos, como num palimpsesto, que debaixo da reescrita está ainda e sempre a verdade — e que ela é totalmente diferente do que por cima rabiscaram mentirosos e falsários.


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«Arranjem uns assentos para os acentos, senão eles caem» [Nuno Pacheco, “Público”, 14.03.19]

«Faz décadas que alguém decidiu, neguinho decidiu, um grupo de pessoas decidiu (quem, afinal, foi a esse piquenique?) que seria mais fácil para os estudantes brasileiros e estrangeiros que os acentos diferenciais dançassem.» [Caetano Veloso]

 

Arranjem uns assentos para os acentos, senão eles caem

Nuno Pacheco
publico.pt, 14.03.19

 

Há quem os odeie, ou baralhe, ou ignore, mas é injusto. Porque os acentos operam milagres. Alteram, com um simples traço, pais em país, e transformam uma fracção de unidade, o avo, num avô ou numa avó, consoante se escolha o acento (ou sinal diacrítico) adequado. Isto na escrita, porque na oralidade ninguém confundirá pais, país, avos ou avós. Que se saiba…

Mas, tal como se despreza a boa escrita, há muito que se começou a desprezar os acentos. O cantor e compositor brasileiro Caetano Veloso disse um dia que a língua portuguesa não tem acentos de mais, tem até acentos a menos. Na sequência disso, num artigo que escreveu no jornal O Globo, em 2012, a propósito do “acordo ortográfico” de 1990 (“outra maluquice”, dizia ele), falou assim da língua: “É seguro que a ausência de acentos a torna mais fácil? A facilidade é uma virtude para uma língua? Ouço muitos malucos brasileiros dizerem que ‘o português é uma língua muito difícil’. De onde vem essa ideia? Do Ministério da Pesca?”

Sim, o Ministério da Pesca deve ter culpas. Mas antes dele deve haver, até entre escritores, quem ache que a escrita merece tudo menos cuidados e apuro. Não se trata de criatividade gráfica, que essa é também uma arte (veja-se Guimarães Rosa ou Mia Couto), trata-se de desleixo. Num interessantíssimo e acutilante texto publicado no início deste ano na revista do Expresso (em 5 de Janeiro) e intitulado “Lixo linguístico”, Pedro Mexia lembrava que “em 1981 Vasco Graça Moura pediu a 68 poetas, ensaístas, romancistas, historiadores, académicos, críticos e jornalistas um testemunho sobre os desafios que a língua portuguesa enfrentava.” O resultado foi publicado dois anos depois pela Imprensa Nacional: 17 textos. Isto quereria dizer, concluiu então Vasco Graça Moura, que aqueles a quem endereçou tal desafio “não consideravam ‘preocupante’ ou ‘pertinente’ a questão da língua e o seu uso.”

Ainda não consideram. Ironia das ironias, acaba de chegar às lojas um volume antológico da obra completa do poeta açoriano J. H. Santos Barros (1946-1983) intitulado Alexandrina, Como Era – Todos os Poemas, editado pela mesma Imprensa Nacional, filtrado pelo “acordo ortográfico” de 1990 mas todo ele ligado, ou escrito, ou prefaciado, por gente que discorda do dito “acordo” e não o usa na escrita (António Lobo Antunes, autor do prefácio, que só escapou à acordização por não usar ali nenhuma palavra propensa a alterações; Jorge Reis-Sá, autor da nota à edição; e, pior ainda, o próprio Vasco Graça Moura, que criou a colecção onde o livro é publicado, a Plural Poesia, e era feroz adversário do “acordo”). Claro que isto não importa aos editores: o desrespeito por tais opções faz-se lei pela imposição.

Mas adiante, que ainda não chegámos aos acentos (alguns escreveriam “chegamos”, mas convém sempre distinguir o tempo verbal na escrita, para evitar confusões: aqui é passado, não presente). Em finais do ano passado, coincidiram em Lisboa dois textos exemplares quanto à não-acentuação. O primeiro, em Setembro, foi a edição nacional (igual à brasileira, como deve ser) do mais recente livro do escritor e compositor brasileiro Nelson Motta, Força Estranha. Nele, tão estranha quanto a força intrínseca do livro, estava (e está) a ausência de uma série de acentos gráficos. Podia ser estilo, e assim percebia-se, mas não é. Nem sequer é respeito pelo “acordo ortográfico” de 1990, já que, à data, ele disse ao PÚBLICO: “Achei uma bobagem esse negócio da nova ortografia, não faz o menor sentido.” O que é, então? Ele atribuiu o caso a erro de revisão. O certo é que, no livro, a par de palavras como “côro” e “idéia” acentuadas (respeitando, e bem, a ortografia brasileira pré-1990), surgem palavras sem acento como “voce” (você), “taxi” (táxi), “dificil” (difícil), “ridiculo” (ridículo) ou “Polonia” (Polónia, que é Polônia no Brasil) ou “chines” (chinês). E há incongruências como, na mesma linha (pág. 175) surgir “tablóides” e, a seguir, “escandalos” (sem acento).

Mas nada supera o que sucedeu, em Novembro, com o manifesto-convocatória da Marcha Pela Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres. Já na palavra de ordem inserida na capa se lia “Basta de violencia” (sem acento). Mas no interior, num texto aliás longo, não há uma única palavra acentuada. E assim temos “sistemica”, “confortavel”, “nao”, “genero”, “assedio”, “adulterio”, “hipocrita”, “indigenas” ou sentencas”, “intencao”, “exploracao” (estas últimas sem cedilha), etc. Os promotores da malograda proposta de acordo ortográfico de 1986 devem ter pulado de gozo: também eles propunham a abolição (ou seria “abolicao”?) dos acentos, poupando-nos a essa maçadoria de uma escrita clara e fácil de entender sem memorizações ou segundas leituras. Também eles, nesse malfadado texto, escreviam “licito” (por lícito), “vocabulos” (por vocábulos) ou “grafica” (por gráfica).

Pois bem: tirem os assentos aos acentos, e eles caem; como as pessoas quando lhes tiram, sem aviso, a cadeira. E com os acentos caem as palavras, nesse lamaçal ininteligível para onde os “acordos” têm vindo a arrastá-las.

É esse o “lixo linguístico”, que tanto repugna.

 

[Texto de Nuno Pacheco, publico.pt, 14.03.19]

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A “unificação” ao contrário

Palavras iguais que o AO90 torna diferentes

Não, o assunto não está esquecido.

Primeiro, com base nos “dados” disponibilizados em 2017 pelo “Portal da Língua Portuguesa brasileira”, foram quantificadas e enumeradas as palavras literalmente INVENTADAS pelo AO90, ou seja,  aquelas que não existiam nem no Brasil nem em Portugal nem em África nem em qualquer planeta do sistema solar.

De seguida, com base nos mesmos dados da mesma versão, quantificámos por tipo diversos grupos de registos, para responder a outras tantas questões.

Numa terceira abordagem ao tema, ainda usando os dados de 2017, identificámos as quase três centenas de entradas que eram diferentes antes do AO90 e que diferentes permanecem segundo o mesmo.

Ora, entretanto alguém resolveu fazer alguma coisinha, lá pelo ILTEC, e agora os resultados já não conferem a 100%. A trapalhada homérica levou uma volta, algures em 2018, seguindo os “técnicos” lá do sítio a extremamente científica técnica “baralha e torna a dar”, e portanto tornou-se necessário passar a usar os dados da 2.ª “versão”. Nova versão esta que não contém correcção alguma, apenas modificou a confusão da inicial, mas será de todo conveniente não dar margem a desculpas nem abrir espaço a álibis.

E pronto, foi isto, está explicado o longo hiato desde o último quadro de resultados aqui publicado; foi necessário refazer quase tudo, a começar pela transformação dos novos dados redigidos na origem como texto em dados propriamente ditos: uniformes, com campos regulares, segundo critérios definidos. O que implicou, evidentemente, um longo (e repetido) trabalho de detecção e correcção de erros de digitação, de colocação e de formação, além da rectificação de lacunas várias.

Ficam assim também explicadas as diferenças entre as listas anteriores e as mais actuais. Pequenas diferenças, apesar de tudo; por exemplo, a lista de invenções tinha, segundo a versão anterior,  215 registos e, segundo a nova, passa a ter 213.

Para encerrar esta série de quatro “posts” sobre o assunto, retomemos então a questão mais violentamente estúpida, por assim dizer, que envolve o AO90: a supressão liminar do Português-padrão.

No fundo, e em concreto, é a isto mesmo que se referem — ainda que de tal não se apercebam — aqueles que, muito “indignados” e furiosos, rasgam as vestes reclamando a “revisão” do “acordo”. Aquilo a que alguns anti-acordistas chamam “contradições” ou “aberrações” (como se existisse no AO90 algo que não seja flagrante contradição ou pura aberração) e que, segundo protestam os mesmos, deverá ser “imediatamente corrigido“, consiste afinal na reposição das sequências consonânticas (as ditas “consoantes mudas”) que… no Brasil se mantêm, como única ou como dupla grafia. A anulação destas verdadeiras contradições e das aberrações que são as palavras INVENTADAS pelo AO90, eis aquilo em que consiste a tal “revisão”; com tudo o mais, ponham em “ata” para dar em “direto” um “ótimo aspeto” à “redação”, não se ralam os revisionistas.

O que significa que os ditos “anti-acordistas furiosos” reclamam ao Brasil, em substância e como esmola, quando “exigem” “revisão do AO90″ e, por via dessa “revisão”, a reposição no Português-padrão das “consoantes mudas”, apenas que o Brasil consinta (repito: que o Brasil consinta) em que Portugal e os PALOP “adotem”, de uma vez por todas e na íntegra, a desortografia brasileira, consoante e conforme for determinado pelo “falar” brasileiro. Ou seja, tratar-se-ia então de “adotar” não apenas a desortografia brasileira como a ortoépia brasileira, já que aquela depende exclusivamente desta.

Nem todos os casos da lista agora apresentada são lineares, gerais e unívocos, mas todos eles seguem a mesma regra, que aliás é comum a todo o AO90: por um lado, se no Brasil existia dupla grafia, ali continua a existir e aqui é aniquilada a respectiva sequência consonântica; se, por outro lado,  lá havia apenas uma grafia e esta continha consoantes “mudas” cá mas sonoras lá, então no Português-padrão os brasileiros liquidam-nas mas conservam-nas no brasileirês. Não será esta bambochata, em particular, assim tão escandalosa como as palavras INVENTADAS (um truque a que voltarei oportunamente), mas não me parece de inferior gravidade.

Ora então vejamos e confiramos se é assim ou não. Vamos à lista.

Sem contar com as INVENTADAS, que já aqui vimos, e sempre excluindo os casos de acentuação e de hifenização, são 785 registos, no total: palavras que eram iguais no Brasil e em Portugal e PALOP. O Brasil mantém sequências consonânticas (como única ou dupla grafia) que em Portugal e PALOP são aniquiladas pelo AO90.

A página com esta lista tem por título N.A.P., abreviatura/acrónimo de “Não Aplicáveis em Portugal”.

Parece coisa de filme de terror, não é? Tão aviltante rol de horrores, com tal sorte de canalhices implícitas e de canalhas envolvidos, deveria chegar e sobrar para que ao menos — à míngua de vozes sonantes — certos notáveis se dignassem soerguer uma sobrancelha desconfiada ou, mais que não fosse, a avaramente rosnar uma pergunta singela (“mas que merda vem a ser esta?”, por exemplo) ou a acrescentar um adjectivo não menos singelo (“merdoso” serve) quando mencionam o excremento.

Felizmente ainda há quem conserve um módico de juízo, uns poucos, e quem não aprecie ser comido por lorpa, outros tantos. Há os que se acomodam, que são muitos, os que se acobardam ou os que não estão para se ralar com “minudências”, e disso há por aí aos pontapés, mas de uns, de outros e dos restantes não rezará com certeza a História, porque de coveiros, assim como de intenções, está o Inferno cheio.

É disso e é de “gênios”.

Nota: alguns erros mais do que evidentes (ver, p.ex., “sector, sectorização, sectorizar“) na origem não foram deliberadamente corrigidos, como dados, porque são insondáveis os “critérios” do ILTEC.

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A terra e a terrinha

Esta política, este S. Bento, esta eloquência, estes bacharéis matam-me. Querem dizer agora aí que isto por fim não é pior que a Bulgária. Histórias! Nunca houve uma choldra assim no universo!
— Choldra em que você chafurda! observou o Ega rindo.
O outro recuou com um grande gesto:
— Distingamos! Chafurdo por necessidade, como político: e troço por gosto, como artista!
Mas Ega justamente achava uma desgraça incomparável para o país – esse imoral desacordo entre a inteligência e o carácter.
Assim, ali estava o amigo Gonçalo, como homem de inteligência, considerando o Gouvarinho um imbecil…
— Uma cavalgadura, corrigiu o outro.
— Perfeitamente! E todavia, como político, você quer essa cavalgadura para ministro, e vai apoiá-la com votos e com discursos sempre que ela relinche ou escoucinhe.
Os Maias’, Eça de Queirós

 

Enquanto a Assembleia da República da “terrinha” conserva intacto o balde do lixo onde serão despejados quaisquer laivos de resistência, o patronato brasileiro comemora o décimo aniversário da sua campanha de terraplanagem linguística e cultural. 

São, de facto, mais do que evidentemente concordantes, consequentes, interligados os sinais de um lado e do outro: a extrema arrogância do “gigante” brasileiro, passeando à trela a “sua” língua pequenina, e a vergonhosa, insultuosa, asquerosa passividade do minorca tuga, encolhido a um canto, sempre fingindo que nada se passa, receoso das chibatadas ou ganindo pelos restos que lhe possa atirar o dono.

Esta “notícia” da “terra” (brasileira, claro) é apenas uma de entre as muitas que de igual forma “parabenizam” a sua nacional golpada neo-colonialista — sem cujos acólitos, mercenários, deslumbrados, vendidos tugas não teria sido possível — e exultam, já cantando vitória, pela extinção radical do Português-padrão.

Note-se como os “caras” já nem se ralam com minudências como sejam a existência de outros países na CPLP (não contando com Portugal, pois, que não é um país, é uma choldra) e que a esses outros também “afeta” a cacografia brasileira. No parágrafo inicial da “notícia”, lá aparecem a “choldra” e os “outros” mas isso serve apenas para efeitos contabilísticos, como lembrete do número, quantas são as novas colónias.

No resto, no corpo da “notícia”, o costume: mentiras atrás de mentiras. Em todos os aspectos. Nem vou, desta vez, dar-me à maçada de acrescentar “links” ou notas; é tudo, de cabo a rabo, um chorrilho de mentiras tão descabeladas que nem vale a pena “atrapalhar” mais a fluidez das tangas, o texto ficaria virtualmente ilegível; e mesmo assim, apenas sublinhando ou destacando algumas das patranhas mais significativas, já se torna difícil ler (e muito mais ainda acreditar na lata descomunal daqueles “caras”).

A vertente política da matéria — a única que de facto interessa — é literalmente “chutada para canto”, mas até quanto ao “acordo” propriamente dito não têm qualquer pejo em reafirmar aquilo que toda a gente sabe e que apenas alguns tugas tentam iludir: o AO90 tenta atenuar um pouco a cacografia nos diversos estados do Brasil e impor a salgalhada daí resultante a sete “colônias” no “isstêriô”. Por isto mesmo referem apenas “dificuldades” brasileiras (sobrantes do AO45, não resultantes do AO90), “hábitos” brasileiros, “especialistas” brasileiros, “populações” brasileiras, “pessoas” brasileiras.

Pois sim, pois sim. Em Angola não há dificuldades nem há populações. Em Moçambique não há hábitos nem especialistas. E em Portugal ainda é pior: aqui na “terrinha” não há pessoas, só há impessoas. E “grupos de trabalho”.

Acordo Ortográfico da língua Portuguesa completa 10 anos

Acentuação e hifenização ainda são maiores dificuldades apontadas por especialistas

No dia 1º de janeiro de 2009, entrava em vigor no Brasil o novo Acordo Ortográfico, medida que pretendia padronizar a grafia das palavras do Português nos nove países que adotam o idioma como língua oficial. Estima-se que as novas regras afetaram de 0,5% a 0,8% das palavras do Português brasileiro, bem menos do que as alterações estimadas para o Português de Portugal, que ficaram em 1,5% – o que explicaria a menor resistência do brasileiro em abraçar o Acordo.

“Mudanças na ortografia, por meio de leis e acordos, ocorrem de tempos em tempos no Português. O último acordo, antes do vigente, datava de 1943, com alterações em 1971. Sempre haverá, nesses momentos, quem esperneie e blasfeme quanto às mudanças, mas nenhum Acordo nesse sentido é feito para dificultar – e sim para tornar as coisas mais simples, mais fluentes. O Português carecia de uniformidade em sua modalidade escrita. São 250 milhões de usuários que escreviam e liam com diferenças que atrapalhavam essa uniformidade do idioma. A sintaxe, a forma de combinar as frases, o vocabulário de cada localidade falante dos diversos tipos de Português não sofreram alteração. Sob o ponto de vista simbólico, essa uniformização valoriza a Língua Portuguesa em sua representatividade no cenário internacional”, avalia Yeso Osawa Ribeiro, professor de Língua Portuguesa e Redação no Curso Positivo, de Curitiba (PR).

Gestado desde 1990, como desdobramento de um encontro para unificação do Português ocorrido em 1986, o Acordo Ortográfico deveria ter entrado em vigor em 1994. Em vez disso, por questões burocráticas, ele só passou a ser adotado há uma década, quando o Brasil iniciou a implantação, fazendo com que os outros países iniciassem seus processos em seguida. Por alguns anos, as novas regras conviviam com as antigas sem qualquer problema. Porém, desde 2016, quando terminou o período de transição, somente o novo Acordo Ortográfico passou a ser aceito no Brasil.

O assessor pedagógico de Língua Portuguesa do Sistema Positivo de Ensino, Caio Castro, afirma que, apesar de o novo Acordo Ortográfico pretender facilitar a comunicação entre os países de Língua Portuguesa, é comum as pessoas apresentarem dúvidas em relação à nova ortografia – principalmente aquelas que estavam acostumadas com as normas antigas há mais tempo. Segundo ele, uma das alterações que mais confunde as pessoas, atualmente, estão ligadas à hifenização. “É muito comum nos perguntarem em que situações o hífen deixou de ser usado, como em ‘antirreligioso’ e ‘autorretrato’, e em quais não, como ‘bem-vindo’ e ‘anti-inflamatório'”, explica. Outro caso em que o hífen deixou de ser usado e ainda gera confusão na população é quando o prefixo termina em vogal e o sufixo começa com uma vogal diferente, como em aeroespacial, lembra o especialista.

Com as novas regras do Acordo Ortográfico, palavras como “assembleia”, “ideia” e “jiboia” perderam o acento, por serem paroxítonas, enquanto “herói”, “chapéu” e “anéis”, que são oxítonas, mantiveram o acento. Para Ribeiro, o caso que mais trouxe dor de cabeça, principalmente aos adultos, foi o da mudança nos ditongos abertos em “ei”, “eu”, “oi”. “Antes, todos eles eram acentuados, indistintamente. Agora, apenas quando ocorrem em palavras oxítonas”, explica o professor. Outra dificuldade de assimilação citada por ele foi a extinção do acento circunflexo nos hiatos “oo” e “ee”, o que fez com que palavras como “voo” e “leem” não sejam mais acentuadas; bem como o fim do acento diferencial em palavras com a mesma grafia, mas pronúncia e significados diferentes, como é o caso do verbo e da preposição para, ou do substantivo e da preposição pelo. “As regras dos acentos diferenciais e dos hiatos em vogais dobradas ainda causam problemas, embora a frequência seja muito menor do que os dos ditongos”, explica Ribeiro.

Por outro lado, diz ele, algumas alterações, como o fim do trema, só expressaram o que já acontecia de fato e foram rapidamente absorvidas. “As pessoas, de um modo em geral, não usavam trema; a regra, nesse sentido, facilitou o trabalho para a maioria”.

Source: Acordo Ortográfico da língua Portuguesa completa 10 anos (destaques meus)

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(Com o AO90) “A diversidade cultural AINDA é preservada”

Esqueçamos as patranhas do costume.

Finjamos não ver as patacoadas enjoativamente repetitivas.

Atenhamo-nos, por conseguinte, ao essencial: mas o que raio vem a ser isto?

Bem, isto, esta “notícia” da treta, este conjunto desconexo de paleio acordista, esta inacreditável lista de bojardas brasileirófilas é só mais uma espécie de eructação propagandística, de branqueamento do neo-colonialismo: não existe aqui a mais ínfima réstia de “notícia”, os “conteúdos” do artigalho — bem como os nomes e cargos nele citados — servirão apenas para citar como “fonte”. Táctica básica na difusão de contra-informação, o confusionismo referencial consiste em publicar umas coisas algures para mais tarde citar esses mesmos “sound bites” (que não significam nada) e respectivos autores (que ninguém conhece), tentando assim conferir alguma espécie de validade “científica” às bojardas e revestindo-as de uma suposta dignidade intelectual conferida pela respectiva publicação na “imprensa”, insinuando-se esta simples citação de um manhoso artigo publicado num jornal ainda mais manhoso como sendo algo semelhante a “citação bibliográfica”.

Como perfeitamente sintetiza Nuno Pacheco, citar substitui a leitura, tal como a vaga ideia substitui o pensamento“; pois muito bem, então aqui temos um espectacular exemplo do axioma.

Este mais do que evidente caso de propaganda e intoxicação, inserido na mais recente campanha de contra-informação lançada por alguns brasileiros alucinados e acolitada por alguns portugueses deslumbrados (ou  vendidos), contém toda a “cartilha” da seita acordista. Estas vão destacadas a “bold”, algumas sublinhadas e as mais evidentes ou risíveis ficam assinaladas a vermelho.

Mas há no texto desta “notícia” em particular uma expressão que, de tão sinistra, assinalei a “bold”, sublinhada e a vermelho.

Arrepiante enquanto ameaça descarada, será certamente citada no futuro como “fonte” pelos agentes policiais da novilíngua.

Que outros o leiam como se estivessem ouvindo um toque a finados. E que por isso mesmo corram a fazer soar o toque de alerta, que por todo o lado se oiça a ordem para cerrar fileiras.

Linguista afirma que acordo ortográfico amplia alcance da língua portuguesa

Por Amanda Mendes

Jornal “Bom Dia”  (Brasil), 21.02.19

Novo acordo ortográfico completou 10 anos em 2019

Linguista e professora da URI, Lúcia Balvedi Pagliosa
Ministrante do curso de extensão da URI Cássio Lucas
Professora de Língua Portuguesa do Colégio Estadual
Professor Mantovani, Nádia Federle
Professor de Português da URI, Neivo Zago

 

Entre encontros e desencontros, muitas discussões e elaboração de alternativas para difundir internacionalmente a língua portuguesa, o novo acordo ortográfico completa neste ano, uma década. 

Contudo, a história da atualização da norma escrita iniciou no século passado, o acordo entrou em vigor em 2009, mas com período de transição até 2016 e há três anos as regras já são obrigatórias.

De acordo com a linguista e professora da URI, Lúcia Balvedi Pagliosa, há mais de 20 anos foram suscitados debates para promover a unificação ortográfica entre os países que têm a língua portuguesa como oficial. “Nesse momento, existia a exigência de que todos os países deveriam assinar o decreto. No entanto, depois foi protocolado uma notificação permitindo que pelo menos três países ratificassem as alterações ortográficas”, destaca Lúcia.

A professora ressalta ainda, que se trata de um acordo e não de uma reforma ortográfica, portanto, além de não ter a pretensão de alterar a modalidade oral da língua, é apenas uma forma de criar convenções para unificar a língua portuguesa. “Muitas pessoas questionavam: “terei que me alfabetizar de novo?” e a resposta é não. Estatisticamente, no Brasil foi mudado cerca de 0,47%, já em Portugal, por exemplo, as modificações ficaram próximas a 2%, ou seja, nós não temos muito a que nos adaptar“, pontua.

Lúcia reforça que a unificação permite ampliar de forma expressiva a circulação de obras em língua portuguesa e potencializa seu uso, sendo que é a mais falada do hemisfério Sul, “afinal, o uso de uma linguagem implica o entendimento de todos os usuários e, por isso, a alteração é apenas na escrita, ou seja, a diversidade cultural ainda é preservada, pois não foi mudada a pronúncia das palavras, somente a grafia“, enfatiza.

Nos últimos anos, a URI tem promovido semestralmente um curso de extensão para auxiliar nesse processo de atualização da escrita em língua portuguesa, coordenado pela professora Lúcia e ministrado por Cássio Lucas, que possui formação em licenciatura em Letras. Conforme o ministrante, a unificação também permite, por exemplo, que a Organização das Nações Unidas (ONU) adote a língua portuguesa como oficial.A ONU não reconhece como oficial as línguas que possuem mais de uma ortografia. Nestes casos, só a consideram como um dialeto, pois não tem força de língua cultural e com representatividade. Vale ressaltar que foi alterada a escrita, porque não é uma unificação da língua, mas da ortografia. Assim, ainda continuarão existindo os sotaques, diferenças e riquezas culturais na língua“, destaca Cássio.

Com relação a recepção das pessoas às novas regras, Cássio acredita que não é a maioria das pessoas que está apta a escrever conforme o acordo. “Percebo que aqueles que trabalham com a palavra escrita, tais como, jornalistas, advogados, publicitários e professores de língua portuguesa, estão atentos às regras do novo acordo, no entanto, penso que uma outra parcela da população ainda possui muitas dúvidas“, conclui.
Desafios na escolarização
Para a professora de Língua Portuguesa do Colégio Estadual Professor Mantovani, Nádia Federle, o acordo facilitou significativamente a união entre os países que a utilizam o português como língua oficial. “A língua é um organismo vivo, ela se modifica, se transforma e temos que nos adaptar às novas regras, caso elas estejam sendo implementadas para possibilitar melhoras culturais”, pontua.
No entanto, Nádia percebe que ainda há desafios para melhorar a aprendizagem dos estudantes. “Como professora do terceiro ano do ensino médio, eu noto que estamos enfrentando uma dificuldade muito grande com as novas regras. Percebo que devem ser intensificados alguns exercícios no momento da trajetória escolar em que aprendem essas regras. Outra questão é apostar na repetição de exercícios e leitura para fixar a norma escrita. A resistência de assimilação do novo acordo não é só dos alunos, mas também das famílias e professores, por exemplo”, destaca Nádia.
Analisando o contexto de escola pública, a professora ainda apresenta outras dificuldades, tais como a atualização de obras literárias. “Não temos como nos desfazer de livros se não temos recursos para substituí-los, considerando que são obras de extrema importância e os estudantes precisam ter esse contato. Outra questão é que alguns livros não foram atualizados, portanto, eles acabam lendo com a ortografia antiga”, pontua.

A falta de assimilação das regras entre os estudantes também preocupa o professor de Português da URI, Neivo Zago. “É importante considerar que as alterações são planejadas para melhorar algo, contudo, a praticidade não trouxe benefícios. Algumas modificações são muito difíceis para os estudantes e falantes quando se trata da redação de texto”, pontua.

Outro aspecto que Zago questiona é a motivação comercial do acordo. “Há quem diga que um dos objetivos do acordo articulou interesses comerciais, levando em consideração que as novas regras demandaram a reedição de livros e, com isso, mobilizou editoras, por exemplo”, conclui o professor.

Confira algumas mudanças:
– O alfabeto ganhou, novamente, três letras: k, w e y;
– Não se usa mais o trema;
– Caiu o acentos gráficos em ditongos abertos (ei e oi) das palavras paroxítonas;
– Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos;
– Caiu o acento das palavras terminadas em eem e oo(s);
– Não se usa mais os acentos diferenciais.

Source: Jornal Bom Dia | Notícias | Notícias: linguista-afirma-que-acordo-ortografico-amplia-alcance-da-lingua-portuguesa

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500 anos Barreiras (em pista coberta)


Já começamos a ficar um bocadinho fartos deste bacano (termo aqui aplicável com a devida carga de dignidade parlamentar) mas, dado voltar ele à carga com o seu querido “valor da língua” (este também só vê cifrões, como o Tio Patinhas) e com mais uma declaração de amor dedicada à sua verdadeira pátria, a terra do samba, bom, assim sendo, atão váláver o que lá vem desta.

Pois parece que, por entre dois ou três novíssimos “argumentos”, esgalha Barreiras, neste seu segundo textículo a seguinte verdadeira pérola de cultura: «No ano 1500, só um milhão de pessoas falava português no mundo.»

Eisch! C’um caneco, bálhamedeus, etc.! Isto é mesmo fantástico. Uma descoberta sobre as Descobertas, mas que maravilha: no ano 1500, “por coincidência” aquele em que Cabral largou âncora em terras de Vera Cruz, éramos só um milhão, no total, mas agora — certamente, evidentemente, devendo-se tão extraordinário fenómeno (demográfico) ao Brasil — somos para cima de um ror de gente a “falar português no mundo”, eia, há quem aponte para 240 milhões, ou assim, números redondos.

Descobriu Cabral o Brasil há 500 anos e descobre agora Barreiras que a História deu um salto de cinco séculos, em 1500 a população total do planeta não era afinal de 500 milhões. Deixemos os pormenores insondáveis (a Revolução Industrial, a máquina a vapor, a “pílula”, a mecanização maciça, a vacinação, )  para quem sabe umas coisas, como é o notório caso de Barreiras, ele há-de ter informações fidedignas sobre o senhor Taylor, o senhor Ford, o senhor Von Braun e outras personagens inventadas pelos suspeitos do costume.

Há 500 anos nós éramos “só” um milhão e agora somos mais de 260 milhões de “lusófonos”, eis a tese de Barreiras, de 1 vamos num pulinho a 240+IVA, e que se não fosse o Brasil mai-lo milagroso “acordo ortográfico” continuávamos a ser aquele triste milhãozito, e pronto, não se fala mais nisso, adiante.

Nota, porém, Barreiras, neste seu artigalho, com tremendo susto, que a coisa  terá emperrado algures. Chega mesmo ao inusitado ponto, Barreiras, de se queixar com excruciante amargura que é preciso  «resolver de uma vez por todas o que fazer ao chamado Acordo Ortográfico. Será um nado morto?»

Pois, Barreiras, ainda bem que pergunta.

É, Barreiras. É um nado-morto.

II) Monolinguismo – o analfabetismo do século XXI?

Na Sorbonne, o português é a terceira língua mais procurada, a seguir ao inglês e ao espanhol.

«Os preconceitos têm mais raízes do que os princípios».

Nicolau Maquiavel

No que respeita à aprendizagem de línguas estrangeiras, os dados disponíveis atestam que, ao contrário do percepcionado, não são muitas as pessoas na Europa que aprendem (aprenderam) e falam línguas estrangeiras (inglês e outras). Em 1970, 25% dos portugueses não sabiam ler e escrever. Essa percentagem é actualmente de 4% (ou seja, ainda meio milhão de pessoas com idade entre os 18 e os 65 anos).

No ranking EPI (English Proficiency Index) de 60 países, Portugal é o 14º (igual à Alemanha e Suíça) entre os melhores, apesar de tudo, a falar inglês. Os melhores são a Suécia, a Noruega, a Holanda, a Estónia, a Dinamarca, a Áustria e a Finlândia; os piores são o Chile, Marrocos, Colômbia, Equador, Venezuela, Jordânia, Tailândia, Arábia Saudita e Iraque.

Da Europa, os piores a falar inglês são os franceses e os italianos. No ano 1500, só um milhão de pessoas falava português no mundo. Em 2019, em todos os continentes, são mais de 260 milhões os que hoje falam português. Mais do que nós, nas línguas europeias, só o espanhol e o inglês. Em 2100 serão 400 milhões os falantes de português em todo o mundo. No Facebook e no Twitter, o português é a 3ª língua mais utilizada, e na Internet é a quarta. Países como o Senegal (que as estimativas assumem ir ter um grande aumento da população) já tem quase 50 mil alunos a aprender o português.

Em setenta dos quase duzentos países que o mundo tem, existem actualmente mais de duzentos mil estudantes de português. Na Sorbonne, o português é a terceira língua mais procurada, a seguir ao inglês e ao espanhol. Na China, a aprendizagem e o domínio da língua portuguesa estão em grande expansão e não só através de Macau. O português, língua com mais de oitocentos anos (desde o século XII), tem sido ao longo dos séculos um instrumento de identidade de vários estados e comunidades politicamente organizadas.

O monolinguismo, enquanto uma espécie de analfabetismo do século XXI, não pode servir para acabar e secundarizar (e/ou matar) línguas e dialectos. Antes pelo contrário. No caso do português, temos de ser mais inteligentes e corajosos na sua afirmação enquanto língua de poder. Língua falada e oficial nos principais fóruns internacionais (Nações Unidas, FMI, OCDE, Organização Mundial de Turismo, Organização Mundial do Comércio, Vaticano, etc.). O poder regulatório das políticas linguísticas à escala mundial tem um caminho a fazer e muitos objectivos a atingir.

Fora de Portugal, a língua portuguesa não pode ser apenas uma língua de ‘rua’, do ‘café’, do ‘centro comercial’, etc. Tem de ser também e acima de tudo uma língua da diplomacia, da economia, das cimeiras internacionais.

E neste domínio há muito a fazer. Desde logo, resolver de uma vez por todas o que fazer ao chamado Acordo Ortográfico. Será um nado morto? E já agora, quem cuida da ortofonia? E quem explica a alguns dos nossos ricos e profissionais das bolsas de estudo que não devem esquecer a sua língua materna? Isabelle Oliveira, vice-reitora da Sorbonne, diz que «um cientista que abandone a língua que lhe é mais familiar para realizar o seu trabalho nunca poderá alcançar o seu pleno ‘potencial’». Porque o valor das línguas maternas no mundo científico é muito relevante.

O dia 5 de Maio é o dia internacional da língua portuguesa. O dia 8 de Setembro é o dia internacional da literacia. Saibamos estar à altura não só da importância de ambas as datas mas também de projectar a importância do seu significado. Num tempo desafiante, em que o monolinguismo não pode significar o analfabetismo do nosso tempo – e o esmagamento da generalidade das línguas por uma língua dominante. Em particular, pelo inglês.

olharaocentro@sol.pt

[Transcrição integral. Semanário “Sol”, Feliciano Barreiras Duarte, 18.02.19, II) Monolinguismo – o analfabetismo do século XXI?. Destaques e sublinhados meus.As letras em falta no original do artigo foram automaticamente repostas pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

Gráfico de Keith Montgomery, Department of Geography and GeologyUniversity of Wisconsin USA

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