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200 anos e 880 anos de independência

Declaração de (des)interesses: não tenho absolutamente nada a ver nem com a carga política do vídeo publicado no Twitter (à direita) nem com a carga política de sinal contrário do texto do “Público” (em baixo). De certa forma, não carecendo a questão de grande perspicácia para estabelecer o respectivo nexo de causalidade, uma coisa explica a outra.
voltar ao Apartado 53Nota: o diploma a que o autor do tweet se refere é o chamado “Acordo de Mo(r)bilidade“, que foi recentemente tramitado pelo Governo português e aprovado no sítio e pela forma do costume.

Seria talvez fastidioso e irrelevante esmiuçar o acesso agudo de brasileirismo que de repente afectou o jornal “Público” (cinco ou seis páginas inteiras por dia, a pretexto do “Bicentenário da Independência do Brasil“) e seria maçada ainda maior depositar aqui mais umas moedinhas para o mesmo peditório. O textículo ora transcrito ilustra o conceito.

Caprichosa selecção de patacoadas, umas mais triviais, outras apenas divertidas, enformam esta carga de paleio laudatório cada vez mais despudoradamente agressivo no seu peculiar nacionalismo hiper-narcisista.

Nacionalismo esse que, além de declarado, deve ter ido buscar inspiração à máxima “tudo pela pátria, nada contra a pátria” do antigamente. Aplicado o ditame (ultra-nacionalista, repita-se) ao caso do “país-continente”, à provavelmente ilustre citada no artigo saiu a seguinte citação histórica: «Tudo pelo Brasil e para o Brasil.» Se sobre a contracção não há grandes dúvidas, já quanto à preposição a coisa começa a plissar um pouco: como diz? “Tudo para o Brasil”? Ah, pois sim, fazia o favor, dirão alguns criados ao dispor de Sua Senhoria mai-las outras, é servir-se.

«Diversidade da língua portuguesa», escreve a autora do texto, a propósito do tal Museu da Língua Brasileira que o Estado português, extremamente solícito e sempre pronto a acudir a desastres no estrangeiro, ajudou a reconstruir com alguns dos seus parceiros preferenciais. Diversidade aquela que, segundo a versão oficial, decorrem das «diferenças regionais» e que o dito museu procura reflectir segundo uma espécie de axioma pelos vistos infalível: «as marcas da fala dessas populações estão no português brasileiro».

Enfim, um verdadeiro festival de brasileirofonia, com os insuspeitos patrocínios do costume, o apoio do Governo tuga e a aprovação por unanimidade, como sempre acontece quanto a estas coisas brasileiristas, dos não muito honoráveis, não muito sábios, não muito sérios deputados da “terrinha”.

E o Brasil criou uma língua. Também é português

Até que ponto soube o Brasil tornar sua uma língua imposta? A tentativa de resposta a tal pergunta começa no Museu da Língua Portuguesa e passa por uma história feita de zangas e contaminações: do tupi aos quilombos, passando por um tratado pombalino e pela literatura enquanto construção de identidade também linguística. Que língua é a língua brasileira? É o português brasileiro.

“Bicentenário da Independência do Brasil
Isabel Lucas
“Público”, 27 de Agosto de 2022

É uma vertigem feita de sons. Um labirinto do qual não apetece sair. Cada som tem um sotaque diferente, o léxico é diverso. De vez em quando há uma palavra que ganha corpo, significado. No resto é música. Harmoniosa, outras vezes dissonante, contém todos os sons que uma língua pode ter. No caso, a portuguesa. Estão ali, concentrados numa instalação feita para mostrar a riqueza e a diversidade de um idioma, e perdidos nessa caixa de palavras ditas — percebe-se o quanto essa língua está por conhecer, por explorar, por cada um dos seus falantes. Aquilo a que essa língua soa quando não a entendemos, ou, pelo contrário, a alegria de encontrar um sentido ainda que ele se perca quase de imediato naquela Babel do mundo da lusofonia e de todos os contactos linguísticos que ajudaram a construir esse sistema de cultura.

A instalação, um conjunto de colunas em forma de troncos aludindo aos troncos que saíram do tronco central a partir do qual o português brasileiro nasceu — o indo-português –, fica numa nas entradas do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, na antiga Estação Luz, edifício de 1867. Reconstruída em 1901, época de ouro do café, num projecto do arquitecto Charles Henry Driver, e pensada para receber comboios, a estação carrega múltiplos simbolismos, sendo os mais marcantes o da viagem e o da tragédia.

Em 1946, foi destruída por um incêndio, numa altura em que o comboio perdia protagonismo enquanto principal meio de transporte no Brasil. Seria reconstruída e fechou em 1982 como estação ferroviária, e em 2002 arrancava a ideia de Paulo Mendes da Rocha de a transformar no Museu da Língua Portuguesa. Inaugurou-se em 2006 e em 2015 voltava a arder. Abriu renovada em Julho de 2021 e pode continuar com o acervo de antes que não se perdeu em 2015 por ser quase na totalidade digital. Estamos perante um património imaterial na cidade com o maior número de falantes de português.

Estamos num território de sons e imagens que pretende “valorizar a diversidade da língua portuguesa, celebrá-la como elemento da cultura e aproximá-la dos falantes do idioma em todo o mundo”, lê-se no ‘site’ do museu. Um ano depois da reabertura, essa intenção continua a ecoar enquanto caminhamos para a Estação Luz, um edifício em betão e ferro totalmente renovado a contrastar com a degradação do bairro da Luz, na junção da Avenida Tiradentes com a Rua João Teodoro, mesmo em frente à pinacoteca de São Paulo.
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“Silêncio escuro de lagoa morta”

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.» [Guerra Junqueiro, in ‘Pátria’ (1896)]


Para entender as três “notícias” que se seguem é necessário armar-se a gente de algum arsenal de paciência e de ao menos um módico de perspicácia. O trivial, portanto; a coisa é tão evidente que até dói, salvo seja.

Tanto as “novidades” do “Expresso das Ilhas” como (ou principalmente) a “local” do “Observador” — um dos mais activos órgãos de propaganda e contra-informação governamental — surgem do factor comum habitual, ou seja, através de despachos da Agência Brasilusa (a central oficial de intoxicação e de lavagem ao cérebro), denotando estes de novo o seu habitual esforço para disfarçar a realidade e mascarar as mentiras de Estado com o disfarce da “língua universau” e sob a capa de um “acordo” fictício. As aberrações do costume, portanto, mas estas — se lidas em sequência cronologicamente inversa — sem deixar qualquer margem a que os “distraídos” (tipos que não querem “guerras com o Brasil” e lindezas assim, como se tais guerras existissem fora das suas moleirinhas) finjam que por distracção algo se lhes escapou. Por mais que tentem, com essas mais do que evidentes declarações de intenções, os anjinhos “pacifistas” que se dizem anti-AO90 e tudo não podem desta vez escapar às reais intenções da pseudo-linguística golpada ou iludir as reais intenções (exclusivamente económicas) da diplomacia brasileira e dos colaboracionistas domésticos.

  1. Em 17 de Julho de 2021, na 13.ª Cimeira da CPLB, em Luanda, é “assinado” entre os Estados-membros (quantos deles, ao certo, não consta, mas também não interessa para nada) o Acordo de Morbilidade, garantindo que, por exemplo, um português possa emigrar para a Guiné Equatorial.
  2. Em 12 de Fevereiro de 2022, o “acordo de morbilidade” foi aprovado pelo equivalente — em todos os aspectos, incluindo negociatas de bastidores, corruptos, roubos de “colarinho branco” — que no Brasil faz as vezes do Parlamento tuga. Esta aprovação «seria suposto demorar seis meses, mas foi rápido», dizem os próprios.
  3. 7 de Março de 2022, o «Brasil conclui ratificação do acordo de mobilidade da CPLP e coloca Portugal como prioridade». Na mesma data é “anunciado” (mais propaganda, mais areia p’rós olhos) que o gigantone sambístico «passa a ser o sexto país da CPLP a concluir o processo de adesão ao Acordo» de morbilidade.

Ou seja, em conclusão, a incrível pressa com que homens de negócios brasileiros e portugueses esgalharam este outro “acordo” — apenas oito meses desde a redacção até à assinatura, coisa que é certamente record mundial — demonstra claramente aquilo que por diversas vezes aqui foi bem mais do que exposto, denunciado e esclarecido: a ganância desenfreada é aquilo que exclusivamente move políticos e empresários e foi apenas com essa finalidade objectiva (o petróleo e os diamantes de Angola, o gás natural de Moçambique, Portugal como porta dos fundos para excedentários) que o AO90 foi literalmente inventado, tentando dessa forma conferir algum lustro “académico” e “cultural” à Comunidade dos Países de Língua Oficial Brasileira (CPLB).

A pressa extraordinária em fazer sair esta espécie de lei é só por si extremamente reveladora e ainda mais tresanda a vigarice caso atendamos ao facto de, sem qualquer espécie de transição, nos textos dos despachos dos propagandistas de serviço, passar-se das expressões ocas do costume sobre “Línguas, Cultura, Ciência e Inovação, Educação, Ciência e Cultura, Língua Portuguesa” para o verdadeiro busílis da questão: “Comércio Exterior, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, ministros da Economia, Finanças e Comércio“. Ou seja, os textos passam de repente do paleio rotineiro sobre a língua brasileira para aquilo que realmente interessa aos vendilhões de pátrias — o dinheiro. Não o dinheiro em migalhinhas, que isso ficará para as comissões dos vendidos portugueses, mas o dinheiro à séria, largas centenas ou milhares de milhões em que se banharão os Tios Patinhas da “metrópole” brasileira.

Desta vez, para esta expedita aldrabice, não serviu de nada a regra de três Estados subscritores valerem por todos os oito (agora nove) que os acordistas e brasileiristas inventaram para aprovar o AO90 à força. Mais uma vez se demonstra que aquilo foi um expediente ad-hoc: serviu exclusivamente naquela data fatídica e, arrancado a ferros o efeito pretendido (a imposição da cacografia brasileira a toda a CPLB), nunca mais a “regra” voltou a ser utilizada.

É portanto natural que o tal Zacarias, o actual capataz do Brasil na CPLB, tenha proferido uma “curiosa”, lapidar “sentença”, sublinhando «a rapidez com que o acordo de mobilidade foi ratificado pelo Brasil: “Em tempo recorde”».

Brasil é o sexto país a ratificar Acordo de Mobilidade da CPLP

 

“Expresso das Ilhas” (Cabo Verde), 7 de Março de 2022

 

“O Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, Carlos Alberto França, vai visitar a sede da CPLP (…) para efectuar o depósito do instrumento de ratificação pela República Federativa do Brasil do Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-Membros da CPLP”, assinado a 17 de Julho de 2021, na cimeira de Chefes de Estado e de Governo, em Luanda, referiu um comunicado da organização.

Assim, o Brasil passa a ser o sexto país da CPLP a concluir o processo de adesão ao Acordo de Mobilidade, que já foi ratificado e completado também por Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Esta iniciativa será também um dos pontos altos da agenda do primeiro dia da visita oficial a Portugal do chefe da diplomacia brasileira.

Na sede da CPLP, hoje, o ministro das Relações Exteriores do Brasil “vai ser recebido pelo secretário-executivo, Zacarias da Costa, numa cerimónia que contará também com a presença dos representantes permanentes dos Estados-membros junto da CPLP”, adianta ainda a nota daquela organização emitida sexta-feira.

Carlos Alberto França sublinhou na mesma ocasião que Brasília queria reforçar o seu papel na CPLP e pagar as contribuições em atraso num horizonte de dois anos.

[“Links”, sublinhados e destaques a verde meus.]

Brasil conclui ratificação do acordo de mobilidade da CPLP e coloca Portugal como prioridade

Agência Lusa
“Observador”, 7 de Março 2022

 

O Brasil tornou-se esta segunda-feira o sexto membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) a aderir ao acordo de mobilidade, após depositar o instrumento de ratificação na sede da organização, e colocou Portugal como prioridade para parcerias.
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Nas Jezik [por Rui Valente]

Há dias, numa conversa caseira, fui testemunha da enorme influência que a cultura inglesa exerce sobre os mais novos. Ao contar a história de um amigo que se candidatou a um emprego, o meu filho tropeçou no vocabulário — só lhe ocorria qualquer coisa à volta de “aplicou-se para”, numa clara influência do Inglês “to apply for”.

Vem isto a propósito da polémica em torno da enorme pressão a que está actualmente sujeito o Português Europeu, em risco de se descaracterizar completamente por força da enorme penetração de conteúdos brasileiros no nosso país — uma tendência que tem como expoente máximo o fenómeno Luccas Neto.

Embora afecte particularmente os mais novos, esta “brasileirização” está em todo o lado. Nas crianças, é assustadora — no curto espaço de uma geração corremos o risco de ver toda a estrutura do Português Europeu desaparecer, dando lugar à (des)ortografia, à construção frásica, ao vocabulário e até ao sotaque brasileiros. Mas também existe nos adultos, embora de forma mais subtil, muitas vezes sem que os próprios se apercebam. Veja-se, por exemplo, dois artigos consecutivos de Ana Cristina Leonardo no PÚBLICO: no artigo do dia 28 de Janeiro denuncia, e bem, o Acordo Ortográfico, estabelecendo uma ligação entre a sua influência e a crescente estupidificação da campanha eleitoral. Na semana seguinte, num outro texto, referindo-se a uma aplicação para telemóvel, a mesma autora dá preferência ao termo “aplicativo” (em Português de Portugal: aplicação).

Estranhamente, parece haver, entre os “influenciados”, quem desvalorize esta influência brasileira — a começar pelos pais das próprias crianças. Por um lado, dizem, essa influência sempre existiu. É anterior às próprias telenovelas brasileiras e nunca veio daí mal ao mundo. Por outro lado, acrescentam, não é pior do que a influência do Inglês. Há até quem diga que é melhor, referindo-se aos termos ingleses como “estrangeirismos”. Como se “aplicativo” e outras expressões similares não tivessem origem, também elas, noutro país.

Não é fácil desmontar este raciocínio porque a argumentação tem um fundo de verdade. Sim, a influência brasileira sempre existiu. Mas também sempre existiu entre todas as Línguas, em maior ou menor grau. Em larga medida, é desta forma que as Línguas evoluem.

A relação entre as Línguas do mundo sempre foi fluida. Quaisquer duas Línguas estão, ao mesmo tempo, a aproximar-se e a afastar-se, embora o saldo natural deste movimento seja sempre favorável ao afastamento. Português e Inglês, por exemplo, aproximaram-se no momento em que ambas escolheram a palavra “internet” para definir “rede informática à escala global”. Mas a tendência natural é a do afastamento.

Qual é então o problema da influência brasileira? Desde logo, há o facto de essa influência estar a acontecer em doses industriais. Mas, acima de tudo, estamos perante uma influência que não ocorre de forma espontânea. Pelo contrário, tem um cunho forte de imposição, pela aplicação da lei do mais forte. A influência do inglês, por grande que seja, não ameaça a nossa identidade — o meu filho jamais tentará convencer alguém de que “aplicar-se para um emprego” é uma expressão portuguesa. Pelo contrário, no caso da influência brasileira, há um risco real de termos de “debater” com terceiros a propriedade de expressões como “registro”, “econômico” ou “pantorrilha”.

Com a influência brasileira, hoje em dia, e residindo eu em Portugal, já tive de preencher formulários de “registro” numa actividade. Na internet, pedem-me que me “cadastre”. E, numa consulta a uma empresa portuguesa, recebi uma proposta para a realização de um estudo “socio-econômico”.

O que é que isto tem que ver com o Acordo Ortográfico? Tudo.

Na era pré-acordo, não passaria pela cabeça de ninguém, numa empresa portuguesa, escrever a um cliente uma carta em Português do Brasil.

Mas imaginemos, por absurdo, que isso acontecia. Qual seria a minha reacção? Sem o Acordo Ortográfico, o meu raciocínio só podia ser um: por alguma razão que não compreendo, uma empresa decidiu escrever-me em Português do Brasil. E, com um encolher de ombros, seguiria em frente.

Na era pós-acordo as fronteiras desapareceram. Pode muito bem acontecer que quem me escreve em Português do Brasil esteja convencido — e a tentar convencer-me — de que o faz em “Português”, um Português “universal” que dizem existir agora e que mais não é do que Português do Brasil.

Com a imposição do Acordo Ortográfico estamos, portanto, perante mais um fenómeno de engenharia social, de cariz eminentemente político, em que a Língua é usada não como meio de comunicação mas como forma de construir — ou destruir — identidade.

E, como sempre, quando a política mete as mãos na Língua — seja por estratégia geo-comercial, seja por conflito étnico ou religioso, seja por absoluta falta de senso — as consequências não são boas. Regra geral, acontece uma de duas coisas: a substituição forçada de uma Língua por outra, ou a criação de duas Línguas “diferentes”. Veja-se o caso do Bósnio, do Sérvio e do Croata. São apenas variantes do Servo-Croata, perfeitamente inteligíveis entre si. No entanto, num cenário de pós-guerra na ex-Jugoslávia, Bósnia-Herzegovina, Croácia e Sérvia entenderam por bem sublinhar as pequenas diferenças existentes, apresentando-as agora como três Línguas distintas. É frequente encontrar-se cartazes “triligues” onde se vê a mesma coisa escrita três vezes, sendo que a única diferença é que o Sérvio, que também pode ser escrito com caracteres latinos, está geralmente escrito em cirílico. São experiências “contra-natura” que tendem a correr mal: na Croácia, a legendagem de filmes Bósnios foi abandonada depois de ter sido ridicularizada e as pessoas da região, independentemente da sua origem, limitam-se a usar a expressão “Nas Jezik” (a nossa Língua) quando se referem ao idioma que usam.
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Língua universau, língua globau etc. e tau

Coexistirão várias sintaxes“, dizem eles. Ah, pois, pois, disso ninguém duvida, a língua brasileira é infinitamente flexível, aquilo dá para tudo, literalmente, basta escrever como eles falam e pronto, está feito, toma lá a língua universáu, ô cara.

Pérolas deste calibre são a granel no texto, mas no vídeo ainda há mais e melhores: sempre sem se rir, um tipo qualquer “ispilica” — a propósito do “quadro a óleo” supra, essa fantástica obra de renomado “pintor” brasileiro — qual a categoria, de entre cinco possíveis, mais adequada para “enquádrá” os dizeres do garoto e as suas dúvidas pungentes sobre o “new portuguêis”.

Desiluda-se, no entanto, quem achar que as brincadeiras dos brasileiros com a sua língua (ou, melhor dizendo, com a língua deles) contém algo de inconsequente ou inócuo, que não irá para além do corso carnavalesco habitual e que, portanto, isto não passará das marcas. Já as passou todas. Já estamos do lado de lá. O crioulo de origem portuguesa de que o Brasil se apossou com a designação original, chamando sua a Língua, cumpre hoje — perante a indiferença geral e com a conivência activa de alguns lacaios políticos portugueses — uma função meramente instrumental como “facilitadora” de negócios (como está profusamente expresso), enquanto pretexto para dar vazão ao expansionismo da mediocridade (e da estupidez e da ignorância) e ainda como veículo de propaganda dos putativos méritos do neo-colonialismo invertido, de um neo-imperialismo absolutamente insuportável.

Ultrapassada por brasileiristas deslumbrados a fronteira da decência, desbaratados os últimos resquícios de dignidade que ainda restavam a esta campa rasa à beira-mar escavada, pouco ou nada mais nos resta do que prosseguir na senda da resistência. Contra todas as probabilidades, sim. Custe o que custar, sim.

Como no primeiro dia.

Portuguêsbrasileiro afirma-se, cada vez mais, como língua global de futuro

“Comunidades”, 31.01.22

O portuguêsbrasileiro afirma-se, cada vez mais, como uma das línguas globais de futuro. Estima-se que em 2050 o número de falantes de portuguêsbrasileiro ultrapasse os 400 milhões e que, até ao final do século, chegue aos 600 ou 700 milhões.

Os cálculos foram apresentados, no final de 2021, pelo director executivo do Instituto Nacional de Língua Portuguesabrasileira (IILPB), Incanha Intumbo, no âmbito de um webminar[sic] internacional promovido pela Lusa LanguageSchool (escola de portuguêsbrasileiro para estrangeiros sediada em Lisboa).

Ainda que ligeiramente diferentes, também a[sic] projecções das Nações Unidas apontam para um “avanço robusto” da língua portuguesabrasileira, concretamente para uma duplicação dos seus actuais 260 milhões de falantes, até ao final do século.

Tanto para o responsável do IILP, como para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesabrasileira (CPLPB) “a aprendizagem da língua portuguesabrasileira está em alta”, sendo actualmente a quinta língua mais falada no mundo, a primeira no Hemisfério Sul e uma das línguas mais usadas na internet e nas redes sociais. Apresenta um forte crescimento, sobretudo em África.

“Só no Senegal (país de língua oficial francesa) estão inscritos mais de 40.000 novos alunos de portuguêsbrasileiro no âmbito do Instituto Camões”, ilustrou o cabo-verdiano Incanha Intumbo.

“Não quer dizer que o portuguêsbrasileiro do futuro seja totalmente homogéneo, coexistirão várias sintaxes, mas isso é a riqueza da língua. Desde que todos nos entendamos isso é que interessa”, sublinhou o responsável.

Intumbo lembrou que países tão poderosos economicamente como a Índia ou os EUA são membros observadores associados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesabrasileira (CPLPB ), “o que revela o interesse global do Portuguêsbrasileiro como língua cultural, técnica, científica e de negócios”.

Nélia Alexandra, directora do Centro de Avaliação de Língua para Estrangeiros da Universidade de Lisboa (CAPLE) confirmou este interesse crescente do portuguêsbrasileiro no Centro de Avaliação de Língua para Estrangeiros (que examina e confere os títulos académicos para novos falantes de portuguêsbrasileiro) no âmbito da Universidade de Lisboa.

“Há um novo paradigma, mais novos falantes de portuguêsbrasileiro que procuram a língua por motivos académicos, científicos e profissionais e menos por razões de cidadania ou residência, como acontecia até recentemente”, defendeu a directora do CAPLE, para quem o ensino do portuguêsbrasileiro “está cada vez melhor, reflectindo-se tal nos exames”.

Por seu turno, Susana Moura, professora na Lusa LanguageSchool, sugeriu que “o ensino do Portuguêsbrasileiro mudou muito nos últimos anos”.

Houve uma explosão a partir de 2015 e, hoje em dia, há uma grande variedade etária, coisa que não acontecia há 10, 15 anos. Hoje em dia coexistem alunos de português seniores com jovens de 9 anos. É muito diferente, há mais procura, mais variedade, mais exigência e qualidade”, frisou.

Um dos problemas que se identificam, na opinião desta docente, é a “falta de manuais escolares e textos de apoio, mesmo a nível online”, referiu.

O Brasil neste campo é bastante mais dinâmico. A nível de apps, por exemplo, ou outras formas de apoio, o que alunos encontram online é quase tudo brasileiro, os apoios para português de Portugal são muito escassos”, sustentou.

“Livros e textos de apoio fazem muita falta. Já começam a aparecer as edições e apoios online, mas nunca é demais, é muito importante”, vincou.

Próximas gerações

“Se hoje a nossa língua tem um considerável valor estratégico, geopolítico, económico e cultural, essas projecções permitem prever um futuro auspicioso para o nosso idioma comum nas próximas gerações”, destacou Francisco Ribeiro Telles, ex-secretário executivo da CPLPB, por ocasião do Dia Mundial da Língua Portuguesa brasileira, celebrado a 5 de Maio.

A língua portuguesabrasileira esteve na génese e é a matriz identitária da Comunidade dos Países da Língua Portuguesabrasileira, a Colo[sic], permanecendo até hoje como o pilar fundamental e um elemento congregador de todos os países e povos que a partilham.

É, acima de tudo, um património comum de todos os que a usam e que a foram alimentando e valorizando ao longo dos séculos apropriando-se dela, recriando-a e vivendo hoje como um elemento central da sua própria identidade.

[Transcrição integral (emendado e com a cacografia brasileira convertida em ortografia portuguesa) de versão publicada em 31.01.22 num “site” que se auto-intitula como “Comunidades”. Destaques, sublinhados e “links” meus.]

Acordo de Morbilidade

Consummatum est.

O plano de anexação “subtil”, após um longo processo que se arrastou durante 35 anos, está completo: Portugal e PALOP são agora, por via da transformação da língua brasileira em “português universal” e sob o pretexto de uma falácia baptizada como “CPLP”, simples entrepostos comerciais, feitorias, estâncias de férias, colónias sob o domínio do gigante brasileiro. O Acordo de Morbilidade é a oficialização do combinado entre os cabecilhas.

Para muito pouco ou nada serviu a oposição “amiga” e “conciliadora” (a única, aliás, à qual os mesmos que ditaram as regras de civilizadíssima subserviência desde sempre entronizaram como sendo “oposição”, segregando qualquer outra forma e “castigando” a mais leve rebeldia), pelo que estão a partir deste momento abertas de par em par todas as portas para que o neo-imperialismo brasileiro se instale a seu bel-prazer em todas as ex-colónias portuguesas — explorando os respectivos recursos, empochando os lucros e atirando com os custos (políticos e outros) para cima da “prefeitura” portuguesa — e para que utilize a ex-metrópole europeia, a ex-potência colonizadora agora reduzida à absoluta insignificância, como sede administrativa dos seus negócios em África e como “porta dos fundos” para escoar “excedentários”.

Mantendo-se religiosamente na mesma linha de industrialização da mentira e de geral lavagem ao cérebro através de propaganda paga, tudo o que foi planeado foi de facto executado, com algumas inflexões e até uma ou outra torção mas, há que reconhecê-lo, visto terem sido profissionais da mistificação os autores e serem agentes altamente treinados os executores, no essencial não existiu qualquer desvio quanto aos objectivos e quaisquer cambalhotas por cima da própria cabeça foram executadas por palhaços, malabaristas, ilusionistas e outros artistas circenses contratados para o efeito.

A notícia do fim do plano, sub-reptícia e nada casualmente foi difundida quando o parlamento português se encontra dissolvido (não que aquilo sirva para alguma coisa, bem entendido, mas no plano político meramente protocolar deveriam ter sido ao menos cumpridas certas “formalidades”), num momento em que decorre já uma espécie de campanha eleitoral para as próximas legislativas e, ainda para mais, quando o país está de novo a braços com a peste moderna. Exceptuando o despacho da agência Brasilusa publicado no jornal online “Eco” (ver transcrição em baixo), nem mais um único órgão de comunicação social português mencionou o assunto; silêncio absoluto, portanto, como convém aos corruptos e aos seus apaniguados, lacaios e “colaboradores”.

Só não vê, mesmo para além da cortina de falácias, quem não quer ver: este é o golpe final (bem, ainda falta oficializar o saque homérico a Angola, questão de tempo mas pouco) na geral golpada que foi desde 1986 impingida à opinião pública portuguesa a fábula da “língua universal” estribada numa pretensa “lusofonia” cuja sede — na Rua de São Mamede (ao Caldas) — servirá doravante como residência do governador nomeado por Brasília. Talvez seja permitido ao novel 27.º Estado manter em Lisboa um Consulado da comunidade portuguesa emigrada no seu próprio país, para tratar de uns casamentos e baptizados, ou assim, mas aquele palacete será doravante (já o é, na verdade) um simples centro empresarial brasileiro, um pouco à semelhança da Avenida Paulista e arredores.

Na prática, o agora assinado (por três em nome de todos) Acordo de MoRbilidade é um acto político de duplo efeito: em concomitância com o estabelecimento oficial de uma ponte facilitadora para a exploração de riquezas naturais das ex-colónias portuguesas em África (aquilo a que chamam CPLP), a celebração de tão leonino contrato representa a abolição unilateral do Acordo de Schengen, passando a região portuguesa a servir como “porta dos fundos” para a Europa, ou seja, para os sistemas europeus de segurança social, serviços de saúde e de segurança pública, entre outras benesses muito lacunares ou mesmo de todo desconhecidas na América do Sul em geral e no Brasil em particular.

Em suma, o tal despacho da Brasilusa e do “Eco” não é apenas uma notícia, é literalmente um tratado. Como auxiliares de leitura, digamos assim, será de atender a alguns tópicos — não arrolando exaustivamente os respectivos pressupostos — e através deles avaliar o peso, as dimensões, o tamanho, o imenso volume da fraude.

1. Já existiam, alguns desde 1975, outros posteriores mas já antigos e ainda mais uns quantos firmados ao longo da última década, diversos e variados acordos parcelares entre o Estado Português e os PALOP (uma organização informal mas funcional que a CPLB extinguiu), nomeadamente nas áreas educativa (estudos universitários, por exemplo) e médica (assistência, intervenções cirúrgicas etc.). Evidentemente, os acordos bilaterais entre Portugal e Brasil são também inúmeros e previam de igual forma diversos tipos de isenções na circulação de pessoas e bens.

2. Os termos de isenção e os requisitos quanto a vistos no espaço Schengen estão oficialmente definidos , valendo e sendo comuns, para todos os efeitos, entre os Estados europeus signatários daquele verdadeiro Tratado internacional de que Portugal faz parte. Fundamentalmente, o Acordo europeu de livre circulação de cidadãos em trânsito (aéreo, marítimo ou terrestre), o “Espaço Schengen”, compreende 26 países: Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Suíça.

3. A esmagadora maioria dos Estados subscritores do Acordo de Schengen são em simultâneo países-membros da União Europeia e, portanto, nos termos do seu Tratado constitutivo, os cidadãos de um país podem viver e trabalhar (ou fazer rigorosamente o que lhes apetecer) em qualquer dos outros. Pelo menos teoricamente, tendo em vista os correspondentes mecanismos de nivelamento económico, tanto a livre circulação como os direitos de residência (mais as respectivas benesses e prerrogativas de protecção social) não estão sujeitos a qualquer tipo de contingentação, ou seja, não existem limites para, por exemplo, os fluxos migratórios dentro da União Europeia.

Ora, sucede que a notícia-a-que-ninguém-ligou-nenhuma refere expressa e textualmente que «o acordo define que a mobilidade CPLP abrange os titulares de passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço e os passaportes ordinários.» Ou seja, o “Acordo de Morbilidade” vale PARA TODOS!

Pois claro. Voltamos à expressão idiomática do costume: “já nem disfarçam”. Andaram durante décadas a enrolar, a inventar delirantemente, numa espiral de insanidade que agora implode em cacos de loucura sanguinária; como chegaram ao fim da empreitada caiu de todo qualquer necessidade de continuar a festiva mascarada a que foram habituando — pelo cansaço — milhões de distraídos, milhares de irresponsáveis e dezenas de doidos furiosos.

Desde quando os diplomatas, os passaportes diplomáticos ou até a bagagem (e a chamada “mala diplomática”) necessitam de “visto” prévio? Pois bem, mesmo sendo o estatuto diplomático um pormenor do conhecimento geral, “de algibeira”, e estando a carreira diplomática perfeitamente definida, ainda assim os mentirosos profissionais não se coíbem de escarrapachar onde calha, sem o mínimo pudor ou um módico de vergonha na cara, as mais aberrantes enormidades. Na frase da “notícia”, aliás reiteradamente, a ideia foi encher de palavreado a construção frásica para tentar ocultar a crueza da verdade: a partir de 1 de Janeiro de 2022 um contingente de, num máximo potencial teórico, 210 milhões de cidadãos sul-americanos, podem tornar-se automaticamente cidadãos portugueses. Logo, ainda em teoria algébrica, a União Europeia passará quase instantaneamente dos actuais 447 para 657 milhões de cidadãos europeus.

Deve ser isto o tal “saldo natural” de que tanto se fala a propósito da decrepitude entre Lisboa e Tallin e das medidas necessárias para reverter o saldo negativo entre nascimentos e óbitos no “velho continente”. A Europa deve estar por conseguinte toda contente com esta “solução”, o milagroso e rapidíssimo plano enjorcado num qualquer fim-de-semana em Búzios por iniciativa de uns quantos foliões.

Apenas alguns passaportes ficam isentos de vistos a partir de Janeiro na CPLP

“Eco” online/Lusa, 10 Dezembro 2021

 

Só os passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço ficam isentos de vistos a partir de Janeiro de 2022. Acordo abrange por enquanto 3 países: Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

 

Os passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço passam a estar isentos de vistos a partir de 1 de Janeiro de 2022 para Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que ratificaram o acordo de mobilidade da CPLP.

Segundo um comunicado divulgado esta sexta-feira pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), apenas uma das modalidades de mobilidade previstas no acordo – “a isenção de vistos a favor dos titulares de passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço – decorre imediatamente da entrada em vigor do acordo”, no início do próximo ano.

O acordo de mobilidade, adianta a organização lusófona, entrará em vigor em 1 de Janeiro apenas para Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que já entregaram ao secretariado-executivo da organização os respectivos instrumentos de ratificação – como Portugal fez na quinta-feira, pelas mãos do primeiro-ministro, António Costa.

Ou seja, da entrada em vigor do acordo “não decorre a imediata aplicação de regime de isenção de vistos na CPLP, nem mesmo” para estes três países. “O acordo estabelece a base legal sobre a qual se construirá uma maior mobilidade e circulação no espaço da CPLP”, e que identifica, de forma “não exaustiva, as diferentes modalidades de mobilidade”.
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São Bento do Corcovado

Palácio de São Bento, Assembleia da República (Lisboa, Portugal)

 

De acordo com dados de 2010,[4] o desempenho do Brasil em participação política é comparável ao de Malauí e Uganda, considerados “regimes híbridos”, enquanto o desempenho em cultura política é comparável ao de Cuba, considerado um regime autoritário.[4] No entanto, a média geral do país é inferior somente à do Uruguai (nota 8,17), do Chile (nota 7,84) e da Argentina (nota 7,02) na América do Sul.[4] Dentre os BRICS, a Índia (nota 7,74) e a África do Sul (nota 7,56) possuem desempenho melhor.[4] [Wikipedia brasileira]

Com as devidas desculpas pela auto-citação, devo rectificar uma afirmação nela contida:

Esta campanha, utilizando as mais modernas tácticas (a CPLP), ferramentas (o AO90) e armamento (os OCS), foi lançada em 1986 por um “sindicato” de políticos brasileiros e portugueses que, em 1990, congeminaram um “acordo” político garantindo ao Brasil a tomada de posse administrativa da Língua Portuguesa e, re-baptizando-a como “língua universal”, outorgando àquele país o direito de se imiscuir (ou mandar) nos assuntos internos (ensino, diplomacia, exploração de recursos) de Portugal e dos ex-PALOP (agora PALOB). [post “Assinar de cruz”]

De facto, a fraseoutorgando àquele país o direito de se imiscuir nos assuntos internos de Portugal” peca por defeito. Conforme noticia o portal oficial da República Federativa do Brasil (em baixo, texto e áudio), o plano de anexação política em curso de execução desde 2008 tem agora o respaldo não apenas do Governo brasileiro como também do Congresso de Brasília, ou seja, literalmente, do poder executivo e do poder legislativo (mais ou menos) instituídos naquela federação.

O que significa, portanto, no que diz respeito a Portugal (e restante CPLP), que o Brasil já pode dispensar os acordos leoninos de bastidores, as conversações secretas, as negociatas e os “cambalachos” com os seus comparsas portugueses. Doravante, estribados na mesma “lógica” do “acordo ortográfico” (eles são 210 milhões e nós apenas 10 milhões), o Brasil está “legalmente” autorizado (por si mesmo e pelos vendidos portugueses) a não apenas ditar como a legislar sobre quaisquer matérias (literal ou metaforicamente) que sirvam os seus interesses.

O mais natural é que em Portugal ninguém sequer se aperceba de ter sido cumprida mais esta etapa do plano, como anteriormente ninguém se apercebeu da substituição de uma organização supra-nacional (os PALOP) por outra integralmente fabricada pelo Brasil (a CPLP), ninguém se apercebeu de que o objectivo principal sempre foi o esbulho das riquezas naturais de Angola e de Moçambique (Angola especialmente, claro), ninguém se apercebeu do golpe diplomático-político-económico a que os envolvidos chamam Acordo de Mobilidade e ninguém se apercebeu de que o Acordo Ortográfico representa a eliminação sumária da Língua Portuguesa substituindo-a pela brasileira. Muito menos a alguém passou sequer pela cabeça o maquiavelismo da montagem e encenação desta espécie de peça em três Actos:

Acto I: imposição a Portugal e PALOP, com a “assinatura” protocolar de dois pequenos Estados da CPLP, de uma cacografia alienígena a pretexto de uma pretensa “unificação” da língua brasileira, para o efeito re-baptizada como “língua universal”.

Acto II: brasileirização intensiva com a cobertura política de uma organização internacional fictícia (a CPLP), abarcando primeiramente os sectores educativo, editorial, comercial e de tradução, e posteriormente invadir — com participações directas ou através de assalariados de fachada — as mais diversas áreas industriais.

Acto III: a deformação das crianças e dos jovens de Portugal através de intensos “banhos” com insistentes “mergulhos” no caldo cultural brasileiro, não apenas a língua mas também os costumes e tradições, como as escolas de samba, abarcando já todos os níveis de educação escolar, incluindo as escolas portuguesas nas ex-colónias e ainda os centros culturais e de ensino (mesmo os destinados a PLE – Português Língua Estrangeira), em especial nas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

É este o guião da peça. Como envolve imenso ilusionismo e toda a sorte de truques, ninguém acredita no que os seus olhos vêem.

Pois bem, há novidades sobre o feérico espectáculo: enquanto o respeitável público está muito entretido ou imensamente distraído, as portas do teatro estão a fechar-se para sempre. Em breve ninguém poderá sair, escapar dali.

E dessa sorte eles não devolvem o custo dos bilhetes, nem em espécie de embrutecimento nem em contado de convulsões.

Escola de Samba Costa de Prata | Site Oficial (escostadeprata.pt)

 

  • Presidente da Câmara defende participação maior do parlamento brasileiro na CPLP

O presidente da Câmara participa de evento internacional em Portugal. Durante o encontro, Arthur Lira (PP-AL) anunciou a criação de comissão mista e encontro de países de língua portuguesa na Câmara. Mais informações na matéria do repórter Antonio Vital.

Na abertura do seminário sobre os 25 anos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, defendeu uma maior participação do parlamento brasileiro no fortalecimento da instituição, que reúne nove países e 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

Lira anunciou apoio à criação de uma comissão mista do Congresso Nacional para tratar dos temas e propostas relativos à CPLP, entidade que busca reunir e viabilizar interesses comuns dos países do bloco na economia e na cultura.
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