Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

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Prémio António de Macedo – Edição 2019

De forma a promover a ficção especulativa em Portugal na forma de romance em Língua Portuguesa e homenagear um grande nome da nossa literatura e cinematografia, a Editorial Divergência abre as inscrições para a segunda edição do “Prémio António de Macedo”.

Apenas podem concorrer textos inéditos, em língua portuguesa, respeitando o Acordo Ortográfico de 1945 e submetidos pelos próprios autores.

Source: Prémio António de Macedo – Edição 2019 – Editorial Divergência


António de Macedo (5 July 1931 in Lisbon − 5 October 2017 in Lisbon, Portugal) was first a filmmaker and later a writer, university professor and lecturer.[1]

He gave up from filmmaking in the nineties as he felt systematically excluded from the state support programs of the Portuguese Ministry of Culture, the only financial source for film production in Portugal in that time. As a consequence, he dedicated himself entirely to writing, investigation and teaching. He published several books, essays, philosophy and fiction.

Wikipedia

 

(ver “post” sobre a 1.ª edição do prémio)

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Dicionários em acordês? Servem nos “dabliúcês”!

Aviso higiénico

O artigo seguidamente transcrito contém falas, ditos e piadas (foleiras) que podem irritar gravemente as meninges das pessoas normais. A mais do que óbvia manobra publicitária para vender papel higiénico acordista (passe a redundância) pode, pela sua toxicidade, originar situações de agressividade nos mais susceptíveis. Não me responsabilizo por quaisquer danos que os leitores possam provocar, como consequência da leitura e em reacção (natural, compreensível) às insanidades ali regurgitadas, nos seus teclados, ecrãs de computador, cadeiras ou mesas de trabalho e demais utensílios de trabalho (ou lazer). Desta vez, em suma, o Governo não adverte coisa nenhuma, sou eu mesmo quem adverte o pessoal: pessoal, tenham lá calma, ok? Não se enervem. Como podem ver ali em cima, naquele anúncio, o papel higiénico de marca branca está caro, caríssimo, pela hora da morte. Haja poupança, com mil raios, salvemos umas árvores, ou assim, vamos lá dar alguma serventia ao papel acordista.

 

Dicionários em papel para quê? (e para quem?)

Dão-nos informação completa e de confiança e são instrumentos imprescindíveis para qualquer falante de uma língua, sobretudo em ambiente pedagógico. A Texto Editora lançou há pouco tempo o Dicionário da Língua Portuguesa — Léxico, Gramática, Prontuário. Para alunos, professores e para quem não se contenta com a superficialidade dos dicionários online.

Rita Pimenta (texto) e Miguel Feraso Cabral (ilustração)
“Público”, 30 de Dezembro de 2018

 

“Um bom dicionário em papel é o poema primitivo da língua”, diz a escritora Lídia Jorge. “Uma alegria”, segundo a editora e escritora Maria do Rosário Pedreira. “Um companheiro”, afirma o tradutor Francisco Agarez. Afirmações retiradas da divulgação pela Texto Editora do novo Dicionário da Língua Portuguesa.

“Verbetes”, “lexicografia” e “contexto frásico” fazem parte da linguagem específica dos dicionaristas. Há palavras “difíceis” no depoimento conjunto que Aldina Vaza e Emília Amor, autoras do recentemente lançado Dicionário da Língua Portuguesa — Léxico, Gramática, Prontuário (Texto Editora), nos fizeram chegar por correio electrónico. Caso escape ao leitor o significado de algum vocábulo ou expressão, sabe o que tem a fazer: consultar um dicionário. Em papel.

Porque é de linguistas que se trata, respeitámos[nota] a grafia escolhida por estas profissionais que há mais de 20 anos se dedicam a coligir e descodificar as palavras que nos ajudam a comunicar. Assim sendo, a prosa que surgir nas respostas segue o Acordo Ortográfico de 1990, a outra, não. Um espelho actual das letras portuguesas.

Mas comecemos pela resposta de Carmo Correia, directora de Edições Escolares da Leya (que integra a Texto), quando se lhe pergunta se ainda vale a pena publicar dicionários em papel. “Obviamente que sim. Os dicionários online disponibilizam habitualmente uma informação mais curta do que os dicionários em papel. E, sobretudo, são utilizados para uma consulta mais rápida, mais imediata. A existência deste dicionário em papel justifica-se por se tratar de uma obra que apresenta uma informação mais completa, para uma consulta menos superficial.”

Esta responsável informa que a tiragem inicial do dicionário foi de 2 mil exemplares e diz que quem compra dicionários em papel são “os professores, os alunos, os encarregados de educação, os profissionais da língua — jornalistas, escritores, tradutores, editores, … — e as pessoas que, de um modo geral, pretendem conhecer e usar correctamente a língua portuguesa”.

Carmo Correia diz ainda que “este dicionário tem uma vocação escolar assumida”. Pelo que “os programas e metas curriculares do ensino básico e do ensino secundário e o Dicionário Terminológico de Língua Portuguesa foram tidos em linha de conta na selecção de entradas do dicionário, para que esta obra corresponda às necessidades lexicais e de aprendizagem dos alunos”.

Damos agora voz às autoras Aldina Vaza e Emília Amor.

Este dicionário é para quem? 
A delimitação do público-alvo e a identificação das suas necessidades e interesses estão entre as preocupações dominantes de quem se propõe fazer um dicionário. O perfil desse público tem o papel de guia na produção de toda a obra, desde a definição da nomenclatura até aspectos como qualidade e tipologia das definições, exemplos, marcas de uso, etc.

Este dicionário, que se assume como de aprendizagem, tem como público-alvo privilegiado os alunos dos ensinos básico e secundário, mas, pelas suas características, serve também um público muito mais vasto, em que cabem todos os que usem a língua portuguesa como instrumento de estudo ou de trabalho e os que desejem aumentar os seus conhecimentos sobre a língua e esclarecer dúvidas sobre o seu bom uso.

Como é que se escolhe o que se “põe” num dicionário?
O que incluir num dicionário e como fazê-lo são outras das preocupações dominantes da actividade dicionarística. Para produzir um dicionário original, não basta socorrer-se de alguma da informação fornecida por outro(s) dicionário(s) já existente(s), acrescida de mais dados e efectuados os necessários ajustamentos. É preciso muito mais.

Um dicionário feito de raiz, original, impõe outro percurso: elaborar um corpus, ou recorrer a um já existente, mas reconstruindo-o e explorando-o de uma forma inovadora, com critérios e instrumentos adequados ao perfil do dicionário pretendido. Seleccionar uma lista de palavras (nomenclatura) que constitua a base de um dicionário de aprendizagem, como o nosso pretende ser, é um trabalho complexo e moroso. A nossa experiência testemunha-o.

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Lá foi

Uma coisa é o estilo, outra é a marca de cigarros. Esta pretendia ser uma (fumegante) homenagem àquele, mas nem o arquitectónico tributo salvou a marca, pela intenção, das chamas ateadas pela Nova Inquisição. Os velhos maços de “Português Suave”, com ou sem filtro (eu cá pelava-me por ambas as modalidades), foram amputados do segundo termo pelos crentes fanáticos da SLPC (Santa Linguagem Politicamente Correcta).

Pois então, lá diz o povo, não há duas sem três, ou que uma desgraça nunca vem só, chiça, que o povo é lixado, com a mesma designação temos agora algo bem mais modesto e que certamente não deixará marca, este artigalho sobre um livrinho da autoria de certo gajo porreiríssimo. Trau, tomai lá, portuguesitos, este é o ‘Lá Fora´, obra primorosa, não desfazendo, a qual tem toda a pinta de autobiografia ou será, no mínimo, não sei bem porque não li nem vou saber porque não faço (agora) tenções disso, uma espécie de auto-retrato.

Português suave“, a peça jornalística, é, de facto, laudatório título a condizer com o criador de “Lá Fora“, a criatura, pois assim deviam ser todos, suavezinhos e bonacheirões, uns barilaços que fazem questão de estar de bem com Deus e com o Diabo, tudo gajos (e gajas) tipo Marcelo — a propósito, é estranhíssimo não ter o Presidente da República estado presente no lançamento da obra, sendo o autor desta seu “consultor cultural” e tudo — que têm sempre uma palavrinha solidária para dar, abracinhos a gastar e milhões de selfies para tirar.

Acho que já vi este filme, daí a irritação. Em Portugal, que é uma aldeia (ou uma pequena cidade, vá), onde toda a gente se conhece e conhece os grupos aos quais é conveniente pertencer (ou, ao menos, não hostilizar), as “causas” não passam de simples produto de consumo que se usam enquanto convêm (e convém) e que se deitam fora quando deixam de convir.

O livro foi publicado em Março de 2018. Teve desde então direito a inúmeros artigos, textos e entrevistas, tudo em acordês, à excepção desta última, no “i”: por exemplo, na Visão, no Observador, no DN, entre outras. Teve ainda direito a… direito de antena: na Antena 2, na Antena 3 e na Feira do Livro de Lisboa.

Foi bonita a promoção, pá! Nada a objectar, bem entendido. Escrever é preciso, divulgar também é preciso. Mas… e o Português? Nem uma palavra, agora, sobre o “acordo”, nada a respeito da Língua, sequer? Gastaram-se todas as palavras entre 2010 e 2013 (ou 2015), o assunto deixou de interessar — ou seja, já não convém — e pronto, toda a gente foi à sua vidinha, assobiando, vamos lá ver se o guisado está encruado ou se terá ficado recozido? O AO90 “já era”, Maria, olha, procura aí no Google uma  “causa” que esteja a dar?

Mas… ora vejamos… irra, que até fico entupido, digo, estúpido.

Não teriam sido todas estas ocasiões, ou qualquer delas, artigos e entrevistas de um “Português Suave” promovendo o seu “Lá Fora”, excelentes oportunidades para defender — referir, no mínimo, raios! — o Português Correcto? Queda-se por nada de nada elevado ao cubo, opta por zero absoluto? Nem uma palavrinha, caramba?!

Não fui lá, mas quem sou eu, ui, iria dar péssimo aspecto à tertúlia, que horror, mas se tivesse sido convidado, se calhar, ao lançamento da obra até iria, para ouvir falar de “Lá Fora” lá fora. Assim, nada feito, “Lá Fora” lá foi.

E palpita-me que Mexia também, seu estilo e sua marca.

Pedro Mexia. Português Suave

João Oliveira Duarte
jornal “i”, 12/12/2018

Em «Lá Fora», conjunto de crónicas editadas este ano, Pedro Mexia dá largas a uma tonalidade que se vem tornando cada vez mais comum nas letras portuguesas: uma tristeza vaga, levemente nostálgica, cuja razão de ser não se entende. Um mundo declinado em português suave.

Antigo director interino da Cinemateca, comentador político na televisão e na rádio, crítico literário e cronista do jornal Expresso, director de uma colecção de poesia da editora Tinta da China, consultor cultural da Presidência da República, júri de inúmeros prémios literários e, encimando um já extenso currículo político-cultural, poeta, Pedro Mexia publicou, em Abril deste ano, «Lá Fora», um conjunto de crónicas com prefácio de outro nome maior da cultura em Portugal, António Mega Ferreira.

Maioritariamente escritos para o Expresso, estes pequenos textos vão do bucolismo da Serra da Lousã à placidez da Figueira da Foz, passam por África, Brasil, Havana ou Londres e englobam histórias menores e pequenos apontamentos que tanto podem versar sobre temas mais mundanos (a ponte «25 de Abril», o «Café Império» ou Robert Falcon Scott, o segundo homem a atingir o Pólo Sul, por exemplo) como sobre literatura, cinema, música pop ou mesmo política – um dos melhores textos deste volume é, sem dúvida, «A sauna da democracia».

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Ligue os pontos para ver a imagem “escondida”

 

«Luandino Vieira, Pepetela, Ondjaki fazem parte dos geniais que tiveram a audácia de escrever em “mau” português o Desacordo Ortográfico. O diálogo fora criado a partir da similaridade e da diversidade que nos remonta para um convívio linguístico onde a língua portuguesa é apenas um dos códigos das nacionalidades /internacionalidades dos escritores. Fica a saudade do livro e a vontade de comprar outro Desacordo Ortográfico. E no futuro, quem sabe, o “Lusíadas de Angola”.»

[Transcrição de: “Um ataque pessoal a Camões” | Artigos | Opinião | Jornal de Angola – Online]”
[“Angola em ‘Desacordo Ortográfico”, 01.05.17]

Editar em Portugal “é mais fácil” para autores angolanos, mas depende – autor e editor

 

O editor livreiro Zeferino Coelho defende que “é mais fácil aos autores angolanos editar” em Portugal e chegar a outras paragens, nomeadamente o Brasil, enquanto o escritor angolano Pepetela considera que “depende”, justificando-se pelos “percursos individuais” dos autores.

Lusa/”DN” , 24 Novembro 2018

 

Para Pepetela, que recentemente publicou em Portugal “Sua Excelência de Corpo Presente”, em declarações à agência Lusa afirmou: “Eu acho que depende, há muitos percursos individuais, há gente que se lançou e é conhecida, publicando em Londres”.

“O Sousa Jamba, por exemplo, começou por publicar o livro dele, ‘Os Patriotas’, em Londres, e só depois em Luanda, mas há outros casos que passaram por Portugal, sobretudo mais da minha geração”, disse o escritor nascido há 77 anos, em Benguela, no sul de Angola, e que, em 1997, se tornou o primeiro autor angolano a receber o Prémio Camões.

Depois da independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975, os autores angolanos começaram a ser publicados em Portugal. Pepetela recordou que “havia um acordo entre a União de Escritores Angolanos (UEA) e as Edições 70, em Portugal”.

“Esse grupo, dos primeiros escritores que formaram a UEA, passaram a ser conhecidos em Portugal, com mais ou menos destaque, e uns foram traduzidos e outros não”, disse Pepetela, referindo que “há escritores que publicaram em Luanda e foram traduzidos para outras línguas”, e citou o poeta Lopito Feijó, que publicou em Espanha, antes de publicar em Portugal.

Lopito Feijó, 55 anos, foi cofundador da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e é membro da UEA. Em 2015, publicou “Desejos da Aminata”, obra poética inspirada na sua mulher. O poeta, que foi deputado à Assembleia Popular, está também traduzido, entre outros idiomas, em francês e inglês.

Pepetela reconheceu que “Portugal tem ainda um papel importante”, mas referiu que a edição no Brasil, sendo “rara”, já vai acontecendo, e permite mais rapidamente o acesso ao mercado de língua espanhola, “e a partir do espanhol, parece-me, há uma difusão maior”.

O editor livreiro Zeferino Coelho, por seu turno, argumentou que “o facto de as editoras nacionais, prestigiadas, interna e internacionalmente, que compram e vendem direitos de publicação”, serem “conhecidas um pouco por todo lado”, dá uma maior visibilidade aos escritores que editam, nomeadamente os angolanos.

“Isto é assim desde há bastante tempo, continua a ser e acho que vai ser”, argumentou.

Zeferino Coelho lidera a Editorial Caminho, que publicou a coleção “Uma terra Sem Amos”, no âmbito da qual vários escritores africanos de língua portuguesa editaram, como “A Conjura”, do angolano José Eduardo Agualusa, que continua a publicar em editoras portuguesas.

O Grupo LeYa, do qual faz parte a Editorial Caminho, que é liderada por Zeferino Coelho, tem uma editora em Angola, a Nzila

Jorge Mendonça, Ondjacki, Luandino Vieira ou Pepetela, de quem saiu recentemente “Sua Excelência de Corpo Presente”, e Kalaf Epalanga, que no ano passado lançou “Também os Brancos Sabem Dançar”, são alguns dos escritores angolanos que editam sob a chancela do grupo LeYa.

“É melhor publicar [em Portugal], que apenas em Angola. Aqui ganham maior visibilidade porque há atenção de meios [de comunicação] internacionais do que se passa no mundo Língua Portuguesa”, disse Zeferino Coelho à Lusa, referindo, todavia, que “não é algo muito forte, mas ainda assim há”.

O editor realçou ainda que a atenção que em Portugal se presta a um autor angolano “é maior” que noutros países, e que actividade editorial portuguesa é mais dinâmica do que a angolana.

[Source: Editar em Portugal ″é mais fácil″ para autores angolanos, mas depende – autor e editor. “DN”/Lusa, 24.11.18. Destaques, sublinhados e “links” meus. Imagem de topo de: “Connect The Dots” ( European Donkeys).]

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Biodesagradável

O que se deve fazer, xôtor, quando sentimos uma súbita vontade de vomitar? “Vomitar mesmo e pronto, já está”, xôtor? Mas… xôtor… e se estivermos num sítio cheio de gente, num café, à mesa de jantar, numa paragem de autocarro, por exemplo, ou até em plena rua, a ver as montras ou assim? Não que eu seja do tipo de andar a ver montras, por acaso até detesto andar a ver montras, fico fulo da vida quando a patroa insiste, ela é que tem esse vício, enfim, era só um exemplo, o caso é que a gente está muito bem e de repente vem-nos aquela coisa à garganta, oops, canoijo, se desato a vomitar já aqui é uma bronca dos diabos. E se, ainda por cima, para desajudar à festa, salvo seja, não houver por perto uma casa-de-banho, um simples balde, aqueles saquinhos para o enjoo que dão nos aviões ou outro recipiente qualquer? Isto é uma coisa que me angustia, xôtor, confesso, não sei se está bem a ver. Aborrece-me mortalmente incomodar o próximo com as minhas substâncias pastosas, digamos.

Sim, xôtor, bastantes vezes. E tem vindo a piorar muito, sabe? Como diz? Ah, pois, pois sim, infelizmente. Todos os dias tenho de ler muito texto incrivelmente nojento, sim, o paleio abjecto de uns tipos sinistros que parecem levantados do chão, como dizia o outro, ou que saltam de debaixo dos calhaus, como os lacraus, digo eu. Mas, repito, acho que a frequência e a intensidade dos acessos (será uma síndroma, xôtor, acha?, não poderá ser só um sintoma colateral de outra chatice qualquer?) têm aumentado exponencialmente nos últimos tempos. Quanto mais leio mais se me assoma à boca este asco, esta repulsa incontrolável.

Queira desculpar, xôtor. Eu vou ali e já volto.

Germano Almeida diz-se a favor de uma revisão do novo Acordo Ortográfico com base científica

InforPress” (Cabo Verde), 21/11/18

 

Cidade da Praia, 21 Nov (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano, Germano Almeida, concorda que as decisões sobre o novo Acordo Ortográfico devem ter base científica, mas mostrou-se a favor de uma revisão se também os países envolvidos o defenderem, porque há coisas nele que não concorda.

Em entrevista à Inforpress, o prémio Camões 2018 corroborou a posição do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, de que decisões sobre o Acordo Ortográfico devem ter base científica e não resultar de opiniões de políticos “transitoriamente nos cargos”.

O escritor afirmou que a sua escrita em grande medida leva em conta o novo acordo e lembrou que ele foi aprovado pela maioria dos países que definiram que entraria em vigor há já alguns anos. Por isso, não pode ser posto em causa, defendeu.

″O senhor ministro tem toda a razão. Há uma coisa que as pessoas não se lembram é que Cabo Verde aprovou este Acordo Ortográfico. Ele pode não estar a ser seguido em Cabo Verde, mas a verdade é que Cabo Verde o aprovou. Portanto, para nós devia estar oficialmente nas escolas, nas repartições públicas e muito mais”.

Entretanto, Germano Almeida revelou que aprova uma revisão se os países envolvidos se juntarem para chegar à conclusão de que esse acordo merece ser revisto, porque há muitas coisas nesse acordo com as quais não concorda.

Mas, para se ter uma revisão, o romancista também defende que são necessários subsídios das comissões nacionais de línguas, das universidades e de investigadores que devem ser estudadas por especialistas nomeados pelos países envolvidos para depois decidirem sem imposições.

″Agora não é pelo facto de eu não concordar, que posso dizer que uso a antiga forma de escrita. Se digo que vou usar a forma nova não posso usá-la somente naquela parte que me convém. Portanto, o ministro tem razão quando ele diz que para a modificação do acordo será necessário uma coisa científica, mas de todos os países subscritores, ″ reiterou.

Para o escritor cabo-verdiano, natural da Boa Vista, esta questão não é apenas de Portugal, de Cabo Verde ou de Angola. Afirmou que em Portugal há muita gente, sobretudo os escritores, que são contra o novo acordo e escrevem de acordo com a forma antiga, mas considera esta atitude ″uma asneira″.

″Na minha opinião também é uma asneira porque as gerações mais novas estão a aprender a escrever tendo em conta o novo acordo e, daqui a algum tempo já ninguém se lembra mais do acordo antigo″.

No entanto, conforme Germano Almeida, o Acordo Ortográfico é importante para ter cada vez mais uma língua mais próxima. Isto porque todos os países de língua portuguesa, apesar de terem uma cultura diferente, usam a mesma língua para expressar essa cultura.

Por isso, os acordos são sempre bons porque não há interesse que haja no futuro uma dispersão de tal maneira que cada um tenha uma língua, ajuntou.

O escritor não acredita que o novo acordo tenha sido uma imposição, mas acredita que há pessoas que não estavam interessadas na sua feitura e depois de publicado resolveram protestar. No seu entender, não há dúvidas que há um certo conservadorismo, mas lembrou que ″a língua é uma coisa viva″.

″Lembro-me que quando eu fui para a escola estudar a primeira classe a palavra quisesse escrevia-se com “z”, farmácia escrevia-se com “ph”, mas agora ninguém escreve desta forma porque a língua é evolutiva.

De acordo com Germano Almeida, não se deve estranhar uma evolução da língua, mas o que se pode defender é uma evolução convincente, o que não acontece neste novo acordo. ″Este acordo tem muitas coisas que não são convincentes″.

[Transcrição integral de:Germano Almeida diz-se a favor de uma revisão do novo Acordo Ortográfico com base científica” (c/áudio),InforPress” (Cabo Verde), 21/11/18. Destaques, sublinhados, “links” e comentários meus. Imagem de topo de: Sema Pak.]

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Natal 2018 — Clássicos da “Guerra & Paz”

 

 

 

colecção de clássicos da Guerra e Paz nasceu em Setembro de 2015, fez agora três anos. Publicámos já 38 títulos, de Os Maias, de Eça, ao Frei Luís de Sousa, de Garrett, passando pela Madame Bovary, de Flaubert, o Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, o Lord Jim, de Conrad, ou os Lusíadas, de Camões.

Há três razões pelas quais nos orgulhamos desta colecção. Todos os textos de autores portugueses foram revistos e fixados pelos colaboradores da Guerra e Paz, que têm trabalhado connosco, o Helder Guégués, a Ana Salgado, a Inês Figueiras e o André Morgado. Todos os clássicos estrangeiros, sem excepção, foram objecto de novas traduções, assinadas por Rui Santana Brito, Maria João Madeira, João Moita ou Miguel Nogueira, entre outros. Todos os clássicos incluem notas de apresentação e anexos finais, com listas de personagens e com textos de análise, por vezes de outros grandes autores, como seja o texto de Baudelaire sobre a Madame Bovary ou o de D. H. Lawrence sobre Moby Dick, ou o de Virginia Woolf sobre Conrad e Lord Jim.

E o que nos deixa ainda mais felizes é a resposta que os livreiros têm dado à concepção visual que o nosso designer gráfico, Ilídio Vasco, imprimiu à colecção. Os livreiros gostam – fazem uma mancha linda – e expõem. É outra sintonia que queremos aqui celebrar e que é tão necessária ao mundo do livro, a sintonia entre o editor e o livreiro. Quem mais dela beneficia é, claro, o leitor.

Para comemorar este terceiro aniversário, até final de Novembro, os nossos clássicos, que já estejam fora da lei do preço fixo, estão aqui, no nosso site, à disposição dos leitores com um valente e mais do que clássico desconto de 30%. Boas compras.


[imagem de topo de: PlusPNG]

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