Etiqueta: ensino

O macho-alfa


Ah, pois, isso das caixas de comentários é como os sacos para vomitar que se distribuem nos aviões. A gente precisa de um mas só se nunca tiver sido usado. Ou seja, assim com’assim o melhor é nem olhar para eles, a não ser em caso de extrema necessidade e na condição exclusiva de ainda estar virgem de todo, por assim dizer; quando não, pela certa levaremos com o pivete e se porventura não nos estiver a apetecer “restituir”, como dizia o Conselheiro Acácio, então com aquela abjecta visão  teremos de largar um vómito interminável, tão nojento como o que já lá está. Em suma, é fazer de conta que se trata de “ordens do médico”, o mais avisado para que se nos resguarde a saúde mental será conservar uma distância higiénica das caixas de comentários tanto quanto dos sacos aeronáuticos.

Neste caso, tratando-se do AO90, a “matéria orgânica” é a habitual: ou de brasileirófilos empedernidos, sapateiros que não cobram nada para engraxar brasileiros, ou então aqueles outros que, armando ao “tolerante”, concedem que o “acordo” não passa de “uma questão de hábito”. Ambos os tipos restituem os mesmos eflúvios, diferindo entre si apenas pelo grau de octanagem da lavadura regurgitada — porque o AO90 já se transformou numa bebedeira homérica, algo como uma pandemia mental, demencial alucinação colectiva. Exceptuando uma ou outra pessoa, um ou outro comentário, isto é, nos raros e honrosos casos em que não há insultos ou asneiras como ácidos gástricos e bolo alimentar mal digerido, então estamos perante alguém que não carece de Kompensan, logo, de pouco ou nada adianta alimentar uma hipotética discussão; discutir o indiscutível é, com gente normal, converter os convertidos ou sobrecarregar com proselitismo quem já sabe da missa a muito mais de metade.

Não são portanto de grande utilidade os comentários escritos em “caixas” várias, sejam eles latrinários ou redundantes; porém, com certeza algo de aproveitável sobrará da mais simples e amena cavaqueira — face a face, sem “nicknames”, sem “alias”, sem gorilas, sem machos-beta (ou delta ou zeta) que se julgam alfa por se esconderem atrás de um vidro, um teclado e imensa bazófia. 

 

O ocaso das consoantes e a felicidade dos jovens

Nuno Pacheco
“Público”, 14.01.21

…………….

Num tempo dominado por pês (Presidenciais & Pandemia) pode parecer excessivo reincidir no magno problema de escrever com os pés. Mas como a minha crónica anterior suscitou três comentários a merecer resposta, aqui vai. Um: “Na minha opinião o AO 90 tem defeitos, que podem ser analisados e corrigidos, havendo vontade para isso. Nuno Pacheco limita-se a repetir até à exaustão exemplos de erros e incorreções que pouco ou nada têm a ver com o AO 90, numa lógica do ‘quanto pior, melhor’. Analisar e debater seriamente os defeitos e propor correções/soluções não parece ser para ele importante”; outro: “Meta na sua cabeça que está a lutar contra moinhos de vento. Desaparecida a sua geração, estas confusões deixarão de existir porque teremos uma nova geração de gente que aprendeu a escrever a língua portuguesa segundo a nova norma”; Último, que uma criatura assinou como “Macho Alfa”: “Títulos à la André Ventura para continuar uma guerra perdida? É muito à la Trump. Há gente confusa? Há? Sempre houve gente confusa aquando dos acordos ortográficos, nomeadamente os velhotes. Os jovens estão na onda AO90 e felicíssimos. Estão sintonizados. Esta conversa já dá sono.”

O acordo ortográfico de 1990 tem defeitos, há que propor soluções e “correções” (sic). Pois. Isso até os seus autores diziam. Mas algum deles mexeu um só músculo para corrigir o que quer que fosse? Nem um. E já lá vai tempo suficiente para perceber que, tecnicamente, como já muita gente demonstrou (e felizmente por escrito), o problema não são os erros que ele terá, é o erro monumental que ele é: a dita “nova norma” é uma fraude, que não só não uniformizou a grafia nos países de língua portuguesa como fomentou um persistente caos ortográfico que, em lugar de diminuir, a cada dia vai dando novos ares da sua (des)graça.

Debater seriamente? Há décadas que muita gente o faz, apontando erros técnicos, disparates, noções erradas. A isso, os responsáveis pela coisa fazem “orelhas moucas”. Não admira, tal o autoconvencimento de que este acordo é uma coisa com futuro. Já em 1986, um dos grandes defensores, à época, do acordo, escrevia: “Umas semanas bastarão para que as pessoas fiquem acomodadas a ler o seu jornal com meia dúzia de letras e acentos a menos. Alguns dias bastarão para que uma pessoa que escreva frequentemente assimile as novas regras” (Expresso, 21/6).

Contudo, nestes muitos anos cavou-se um fosso abissal entre a prática e essa falsa e ilusória propaganda. A tal “assimilação” rápida das “novas regras” produz todos os dias pequenos monstros, obrigando-nos a ler coisas como “otogonal”, “inato” (por inapto, que inato é outra coisa!), “impato”, “etoplasma”, “adeto”, “ocipital”, “inteletual”, “ocional”, “eucalito”, “rétil”, “elítico” e até “arimética”. Esta colheita é recente e pode juntar-se à da minha crónica anterior. Mas é curioso que já em 2015, no PÚBLICO, o jornalista e escritor Octávio dos Santos (num artigo intitulado “Apocalise abruto”) mencionava dezenas de disparates deste calibre, coligidos em documentos oficiais, institucionais ou na imprensa, por especialistas atentos. Dir-me-ão que erros sempre houve. É verdade. Mas estes são novos, induzidos pela “guerra” às consoantes que o AO90 incentivou. “Arimética”, por exemplo, é dada como correcta no vocabulário oficial do IILP, como grafia facultativa de “aritmética”. Já no da Academia das Ciências não existe.

Gente confusa? Sim, os “velhotes”, coitados. Como os Prémios Camões Vítor Aguiar e Silva e Manuel Alegre, o também premiado linguista Fernando Venâncio ou os recém-desaparecidos Eduardo Lourenço e Carlos do Carmo, aos quais o país teceu as louvaminhas do costume. Adversários, todos eles, do AO90. Deve ser por aquilo que Pedro Mexia disse ao recomendar em 2020 um livro de Vítor Aguiar e Silva no “Governo Sombra” da SIC: “Há esta curiosidade, de pessoas que conhecem bem a língua e a literatura serem contra o acordo ortográfico.”

E os jovens? Diz o tal “Macho” que estão “felicíssimos” e “sintonizados”. É. Basta passar junto das escolas para se ouvirem gritos de alegria onde antes só havia gemidos de dor a temer pelas aulas de português. Aliás, porque não abolir a ortografia? Era muito mais barato e os resultados não andariam longe destes. Tal conversa já dá sono? Deve ser por isso que os responsáveis ou cúmplices de tal trapalhada pedem logo umas almofadas quando se lhes fala no assunto. Azar: os disparates já são tantos e tão ruidosos que não hão-de ter um só minuto de sossego.

[Transcrição integral de artigo com o título “O ocaso das consoantes e a felicidade dos jovens”, da autoria de Nuno Pacheco. (publico.pt, 14.01.21.Destaques, sublinhados e “links” (a verde) meus. Foto de topo de: “¿Qué comen los gorilas?” (quecome.org)]

Rádio Comercial

Esta semana passaram a ser obrigatórias as regras do acordo ortográfico. Ricardo Araújo Pereira explica os problemas do acordo, com o auxílio de Samantha Fox.

«O (des)investimento na Educação em Portugal» [Ricardo Ferraz, “Eco”, 11.12.20]

Embora o tema do artigo transcrito entre na categoria “Outros Detritos” e não expressamente na secção principal, a do “Acordo Ortográfico”, evidentemente ambos estão umbilicalmente interligados: não existe Educação em geral sem o AO90, o qual contamina em especial aquela recém-misteriosa área lúdica em que se entretêm a destruir metodicamente qualquer vestígio de ensino/aprendizagem alguns políticos avulsos e decerto meia-dúzia de atrasados “técnicos” e linguistas.

Ora, se quem fala de Educação fala de AO90 e, por conseguinte, por mais elaborado que seja o método de demolição em curso, fala também um pouco de caligrafia — a eterna forma de expressão manual (e com alma). E nem a sua extinção administrativa nos planos curriculares — mesmo que no artigo não haja uma única referência expressa a “antiguidades” como os cadernos de duas linhas e os alunos com a língua de fora, concentradíssimos, escrevendo à mão na sua bela Língua — impede que pelo menos se reflicta sobre as mil e uma formas de o “nosso” Ministério da Educação torrar dinheiro.

Daí a imagem que ilustra este “post”. Aniquilar a Caligrafia e tornar em simultâneo obrigatória a “Ginástica” (“Educação Física”, sinal dos tempos), foi e continua a ser mais uma irritante imbecilidade mas, ao que parece, destruir é que é “progresso”. Isto, claro, dizem os “técnicos especialistas” que julgam suficiente para alterar o significado das palavras mudar-lhes o significante. Não é gente de tino, ignore-se os ignorantes diplomados.

Fica portanto à laia de sugestão esta pasta de caligrafia com papeis, carimbos, lacre (?), tinta, canetas de aparo. Por uns somíticos 12 €, agora que apesar de tudo vem aí o Natal.

O (des)investimento na Educação em Portugal

Ricardo Ferraz“Eco”. 11 Dezembro 2020

 

É evidente que Portugal não tem apostado o suficiente num sector que é vital. E um país que não investe no seu futuro está condenado ao insucesso e à insignificância no panorama internacional.

Quando alguém me pergunta onde é que pode aplicar o seu dinheiro, costumo responder: “educação e formação”. Perante um mercado laboral global e feroz, trata-se da solução mais adequada para quem pretende vingar. Para os que já estão fora do mercado, tal significa ocupação e aquisição de novos conhecimentos; há sempre novos mundos para explorar.

Também esta deve ser uma das principais apostas do Estado. Embora a literatura sobre o tema seja vasta, há consenso acerca dos benefícios da despesa pública em educação. Conciliando fontes primárias e secundárias e estimando um modelo econométrico, pude confirmar recentemente a existência de uma relação positiva e estatisticamente significativa entre as despesas do Estado em educação e o PIB per capita português ao longo de um extenso horizonte temporal compreendido entre a segunda metade do século XIX e os dias de hoje (veja-se The Portuguese Military Expenditure from a Historical Perspective publicado na revista científica britânica Defence and Peace Economics). Mais uma evidência acerca da importância da Educação para a economia portuguesa.

De facto, só nos poderemos tornar mais produtivos e competitivos se tivermos trabalhadores mais qualificados. Só assim o nosso país se poderá desenvolver e modernizar. Mas será que Portugal tem apostado verdadeiramente na Educação ao longo dos últimos anos?

Como se observa na Figura 1, a despesa das administrações públicas portuguesas em educação em percentagem do PIB tem apresentado uma trajectória descendente desde o ano de 2011; altura em que a ‘troika’ aterrou em Portugal. A partir de 2016, já após o fim do programa de assistência, começámos mesmo a registar valores inferiores aos da média da União Europeia a 28 (UE-28).

Despesa pública em educação (% do PIB), Portugal versus UE-28, 2001-2018)

Fonte: INE, Eurostat e cálculos próprios.

As estatísticas oficiais demonstram ainda que se no início do presente século Portugal era o 3.º país da UE-28 com a mais elevada despesa pública em educação em percentagem do PIB, no ano de 2018 encontrava-se no modesto 20.º lugar. Caímos a pique no ranking.

Recordo que em 2017, o primeiro-ministro, António Costa, veio a terreiro afirmar que o investimento na Educação era “absolutamente essencial” e uma “prioridade central”. No ano seguinte, Portugal acabaria por registar o rácio despesa pública em educação/PIB mais reduzido desde que há registos oficiais. A realidade não casa com o discurso político. Onde está o Ministro da Educação? Onde está o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior? Afinal de contas, qual é o peso político destes dois ministros no Governo do Dr. Costa?

(mais…)

Issu daí é porrtugueiss universáu, viu?

A reboque ou à boleia (“pegando carona”, em brasileiro) do AO90 e do respectivo paleio-para-enganar-idiotas-deslumbrados sucedem-se as aberrações, qual delas a mais “imaginativa” e absurda. Já conhecemos as verdadeiras intenções da CPLB e, como escorrência (ou vomitado) daquela inacreditável palhaçada, as consequências catastróficas do AO90 sobre a Língua Portuguesa (Portugal e PALOP), mas de facto seria impossível sequer imaginar esta: brasileiros e brasileiras pretendem, à conta da tão propalada “língua universal” (o brasileiro), emigrar para cá e vir-nos “ensinar” a falar… Português. Ou seja, gêntchi, qui légáu, vamu dizê qui akilo é porrtugueiss; eles, pelo menos, apropriaram-se já da “marca”, a fingir que são muito europeus.

Confesso que nunca, jamais, em tempo algum poderia ter sequer imaginado semelhante coisa: 4 mil pessoas (4 mil, raios!) do Brasil vêm para cá ensinar o indígena (o “portuguesinho”) a usar a sua própria Lingua!

O AO90 em todo o seu brasileiro esplendor, em toda a sua asquerosa dimensão de ex-colónia que coloniza o ex-colonizador, em toda a dimensão sem medida do mais horrível pesadelo que acontece debaixo do Sol.

Inacreditável?

Não, é “terapia da fala”.

Fonoaudióloga brasileira em Portugal luta para provar que fala português…

– Veja mais em https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/11/22/fonoaudiologa-brasileira-em-portugal-luta-para-provar-que-fala-portugues.htm?cmpid=copiaecola

Luciana Alvarez
Colaboração para o TAB, de Lisboa
22/11/2020 04h01

Quando Thaís Cruz chegou a São Paulo falando “tu vais”, “tu queres”, os colegas da faculdade de fonoaudiologia logo a apelidaram de portuguesinha. Thaís vinha na verdade de Belém, Pará, cidade onde se usa a segunda pessoa do singular (tu) por padrão. Thaís precisou viajar 2,5 mil km para fazer o curso porque, em 1997, não havia fonoaudiologia em nenhuma faculdade paraense.

Quase 23 anos depois, agora morando em Cascais, município do distrito de Lisboa, a portuguesinha não consegue exercer a fonoaudiologia porque seu português não é suficientemente português, segundo o órgão responsável por regular a profissão no país de Camões. Depois de passar por uma entrevista e escrever uma redação, recebeu um documento dizendo que ela não domina a semântica (sentido das palavras), a morfossintaxe (construção das frases), a fonética e a fonologia (os sons) do português europeu.

Preconceito linguístico ou reserva de mercado seriam as verdadeiras motivações para que seu credenciamento profissional em Portugal tenha sido negado, acredita Thaís. “A existência da prova é um disparate. Se eu não tivesse as habilidades linguísticas, sequer conseguiria me comunicar com as entrevistadoras. A justificativa é completamente inaceitável”, afirma a brasileira, que faz mestrado na área de linguagem na Universidade Nova de Lisboa.

Thaís não é a única fonoaudióloga formada no Brasil impedida de trabalhar como “terapeuta da fala” em Portugal — assim é a nomenclatura local. No dia de fazer a prova, conheceu outras fonos brasileiras, que acabaram se reunindo num grupo de WhatsApp, que foram chamando outras conhecidas. Hoje, o time das reclamantes têm quase 40 profissionais. Algumas ainda esperam ser convocadas para o exame, outras aguardam os resultados. O processo todo, entre dar entrada na papelada e receber o resultado, leva quase dois anos. Todas que já receberam resposta tiveram seus pedidos indeferidos com a mesma justificativa, ipsis litteris.

O número total de profissionais tentando obter o registro deve ser muito maior — nas redes das fonos brasileiras, especula-se que cheguem a 4 mil. Procurada pela reportagem, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) não informou até quinta-feira (19) qual era o número de pedidos de credenciamento total, quantos foram aceitos e quantos foram negados.

Com o recente aumento da emigração brasileira para Portugal, alguns setores de profissionais da saúde sentem pressão com a chegada de diplomados. Mais de 50% dos dentistas estrangeiros que atuam em Portugal vieram do Brasil; são quase 500 com autorização para trabalhar. Entre os médicos, há quase 600 registros de brasileiros, com número de pedidos de autorização recorde em 2018.

Sem conseguir o registro, muitas fonos acabam trabalhando em funções de baixa especialização. Thaís conta que já trabalhou na parte administrativa de um asilo, mas não gostou. “Sou fonoaudióloga. Foi a profissão que escolhi para a minha vida e não sei ser outra coisa.”

A prova para comprovar que falam português passou a ser exigida apenas em 2018. Quando questionada, a ACSS não explicou por que decidiu submeter os profissionais a um exame de proficiência no seu seu idioma materno, tampouco mostrou os referenciais teóricos para classificar o português europeu, uma variante regional, um fator decisivo para a atuação de terapeutas da fala.

As diferenças na forma de se expressar fazem com que um cidadão português reconheça um brasileiro no primeiro “oi”, até porque, em Portugal, usa-se “olá”. Mas a língua em Portugal continua sendo a mesma falada oficialmente no Brasil e em mais sete países de África e Ásia.

Existem tratados internacionais, como o Acordo Ortográfico de 1990, e órgãos oficiais, como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), uma espécie de ONU, cujos objetivos comuns são a “defesa do prestígio internacional” e “promoção e difusão da Língua Portuguesa”. Assim, em maiúsculas, no singular e sem subdivisões.

Dentro do próprio território português, embora pequeno, há variações de palavras, construção de frases e de pronúncia. No sul do país, tênis é chamado de sapatilha. No Alentejo, usa-se o gerúndio como no Brasil e como usava Camões, embora no restante do país a construção normal seja diferente: dizem “estou a escrever”, em vez de “estou escrevendo”. No norte, o som do “v” se parece como o do “b”, como se fala no espanhol.

Na prática, as variantes do idioma não afetam o trabalho de um terapeuta da fala. Thaís faz um estágio em hospital não remunerado (porque não tem registro) e conta que nunca teve dificuldade de desempenhar qualquer função. “Faço vários exames. Em um deles, falo algumas palavras e as pessoas têm de repetir. Ninguém nunca reclamou”, garante.

Também já ajudou, informalmente, a filha de uma amiga portuguesa a pronunciar o /l/ do jeitinho português. “Cá em Portugal o fonema /l/ no final das palavras produz-se com a elevação da ponta da língua. Em duas semanas eu consegui instalar o fonema na miúda de 6 anos. Apesar de eu falar ‘Portugau’, porque sou brasileira, eu estudei a produção fonoarticulatória dos fonemas”, explica ela, já introjetando o “miúda” característico.

Por considerar o exame da ACSS “um absurdo”, Thaís tentou outro caminho para comprovar que fala, sim, português. Já tinha um laudo de um terapeuta da fala nascido, criado e estudado em terras lusitanas. O laudo foi apresentado, mas nada adiantou. Tentou fazer uma prova externa, mas a única certificação de idioma do Estado Português, do Instituto Camões, não é aplicada a brasileiros, pois dirige-se exclusivamente a quem fala português como língua estrangeira.

Enquanto aguarda uma solução, contínua no mestrado e faz até aulas de português europeu. “Resolvi estudar por causa do mestrado, não para mudar o sotaque, mas pelo fato de a gramática ser diferente — o que não quer dizer que seja melhor ou pior, certo ou errado. Como estudiosa da linguagem, penso ser interessante conhecer essas variações”, explica.

Apesar da frustração, Thaís mantém a esperança de conseguir validar de alguma forma seu diploma. Já contactou um advogado e deve ser a primeira do grupo das fonos brasileiras a levar o caso à Justiça. As demais se articulam para esperar a manifestação do juiz e, dependendo do teor, entrar uma ação coletiva. Para ela, a história realmente ainda vai dar o que falar.

[Transcrição integral de artigo com o título “Fonoaudióloga brasileira em Portugal luta para provar que fala português…”, com redacção da autoria de Luciana Alvarez, publicado online em “Tab” a 22.11.20. Destaques e “links” meus. Foi conservada, sem corrector automático ou manual, a cacografia do original em brasileiro. Base da imagem de topo: magalu (Brasil)]

[A reprodução de artigos e/ou conteúdos da autoria de terceiros tem por finalidade única a constituição de acervo documental sobre tudo aquilo que, segundo critérios meus, interessam ou dizem respeito ao chamado “acordo ortográfico” (e a outros detritos).]

Negócios da China


Mais do mesmo.

Estas “notícias” não são notícias e não têm absolutamente nada a ver com a chamada “lusofonia”, uma artimanha brasileira para impor o seu próprio linguajar (e escrevinhar) aos indígenas de Portugal e dos PALOP. A qual artimanha — ou golpada, para ser rigoroso — não passa de um pretexto (grotesco), bem entendido, para a protecção e “difusão” dos interesses económicos do Brasil “no mundo”.

Neste caso, na China, que de facto é o lugar mais adequado para fazer negócios, como sabe perfeitamente qualquer vigarista.

Claro que da pompa e circunstância dos anúncios — a fingir que são notícias — o que inevitavelmente resultará há-de ser exclusivamente uma universidade brasileira em língua brasileira, com a conhecida cortina de fumo (AO90) para esconder negócios da China brasileiros. Apesar de Macau, do Japão e de todas as orientais paragens que portugueses descobriram e colonizaram (ou ali se estabeleceram), criando laços comerciais duradouros, cooperação frutuosa, num encontro e simbiose de civilizações, algo absolutamente único no mundo, desde sempre e para nunca mais.

Temos, portanto, uma ex-colónia que não apenas coloniza a potência colonizadora como anda agora, 500 anos depois dos Descobrimentos portugueses, a apanhar bonés  nas outras ex-colónias portuguesas e a traficar os restos da nossa História no Oriente. Restos esses que lhes renderão lucros equivalentes aos de qualquer serralho saudita, ou de mil deles, como nas “Miu e Uma Noitchis”, mas a verdade é que o dinheiro não tem mau feitio.

O que virá a seguir? Para onde seguirá a ganância brasileira mai-las suas histórias para criancinhas (o AO90)? Para o Japão? A Indonésia? A Malásia? A Índia?!

Já sabemos de Angola e dos seus diamantes, de Moçambique e as imensas riquezas por descobrir, de Cabo Verde e as suas belezas naturais, de Timor-Leste e do seu mar de petróleo. Já sabemos (porque “vemos, ouvimos e lemos”) que Portugal está em época de saldos, cheio de coisas baratinhas, e até é calmo e tudo, não há cá massacres nem facadas nem tiros nem assaltos como no Brasil — um dos países mais violentos do mundo — e traz de brinde uma porta, a de entrada na Europa; mesmo a calhar para usar “isto” como trampolim (ou tábua de chamada), contornando maçadas como o Acordo de Schengen e outras “papeladas”. Tudo a coberto de um outro papel, o “acordo ortográfico” de 1990, para o qual se recomenda um uso, errrr… digamos… portanto… mais escatológico; intestinal, por assim dizer.

Enfim. O Brasil não se chateia com nada e muito menos ainda com “minudências”. Para esses aborrecimentos têm cá os tugazitos, essa raça de canídeos mais fiel aos brasileiros do que um Serra da Estrela ao seu pastor.

É oficial: China abre a primeira faculdade dedicada à língua portuguesa

Primeira faculdade dedicada à língua portuguesa, na China — Imagem: Universidade do Porto

Pela primeira vez abriu, em território chinês continental, uma instituição académica pioneira dedicada à língua portuguesa: a Faculdade de Estudos Hispânicos e Portugueses da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim.

Aprofundar o ensino da língua e os conhecimentos sobre os países lusófonos, bem como aumentar o intercâmbio internacional são os primordiais objetivos da nova aposta universitária.

Até então, uma licenciatura em português só era possível na Universidade de Estudos Estrangeiros, sediada em Pequim, e na Universidade de Estudos Estrangeiros de Xangai. Contudo, desde 1999, as instituições de ensino superior chinesas têm apostado no incremento de licenciaturas lusófonas mais completas. Hoje em dia, mais de 1500 estudantes nacionais frequentam estes cursos. Contexto que será, ainda mais, impulsionado, devido à crescente procura por este tipo de formações.

Numa altura em que os mercados sino-lusófonos têm estreitado relações, a procura por pessoas que falem simultaneamente mandarim e português — atualmente a quarta língua mais falada no mundo —, tem crescido. Deste modo, graças à recém-novidade, serão abertas mais cadeiras de estudo, alicerçadas em sete áreas distintas: linguísticatraduçãoliteraturaciênciapolíticaeconomia e comércio.

É importante relembrar que o envolvimento económico chinês nos países lusófonos, nomeadamente em Portugal, Angola e no Brasil, tem sido fortalecido. Consequentemente, milhares de jovens têm demonstrado interesse em dominar o português — uma língua que começa a assumir-se, na contemporaneidade, como indispensável para o sucesso das transações inter-comerciais.

«Conexão “lusôfona”»]

Primeira faculdade de português na China quer aprofundar conhecimento sobre os países lusófonos

Faculdade de Estudos Hispânicos e Portugueses em Pequim vai sofrer uma reforma que reflecte a necessidade da China em formar melhores quadros para trabalhar com países de língua portuguesa.
A primeira faculdade dedicada ao português na China continental quer complementar o ensino da língua com conhecimentos “mais aprofundados” sobre os países lusófonos e “aumentar o intercâmbio internacional”, revelou hoje à agência Lusa a directora.” (fonte: Blogue do IILP)

Hiperligação para a notícia completa

Navegação de artigos

[Universidade do Porto]

[Notícia (e título) via Olga Rodrigues. Fotografia de topo de: “Expediente Sínico“. Fotografia do texto de: Barkyn.]

 

Seu Brásiu

 

Nuno Artur Silva sobre o AO90: «Devíamos escrever todos brasileiro» Mais um texto dos que estavam  à espera de melhor oportunidade e de que se adequasse o timing da matéria em recheio.

É o caso, cada vez mais patente, da atávica aversão dos brasileiros para com tudo aquilo que lhes cheire a Portugal, aos portugueses, à História, à Cultura, aos nossos factores identitários, à maneira de ser aqui da “terrinha”.

Tudo coisas, aliás, que não passam na idiossincrasia brasileira (ou seja, a sua característica, impenetrável ignorância) de arquétipos distorcidos (e maldosos). É extremamente comum ouvir cantores e outros artistas brasileiros jurando — apenas desembarcam na Portela ou no Porto com seus batuques — que têm um Avô em Alguidares-de-Baixo, que seus paizinhos emigraram de Lamego, e que são “transmontanos” ou “minhotos”  de origem; mas, na verdade, brasileiro algum — ou a esmagadora maioria, admitamos — vai além de “Seu Zé” padeiro e da matrona deste, a “Dona Maria” de bigode e sem “calcinha”.

O mesmo fenómeno ocorre noutras “manifestações exteriores” do brasileiríssimo novo-riquismo neo-colonialista, como é o caso evidente da CPLP e da respectiva capa folclórica, o disfarce político a que se convencionou chamar “acordo ortográfico” (AO90).

Interessante também, ainda que esmagadoramente triste, é assistir ao apoio (descarado) de alguns pseudo-intelectuais da nossa praça a este neo-colonialismo serôdio bem como aos suportes idiotas dessa colonização ao contrário, revanchista e sumamente boçal.

Como o Brasil nos vê: o anti-lusitanismo histórico do sistema de ensino

Carlos FinoJornal “Público”, 09.08.20

 

Está tudo num estudo sobre a imagem dos portugueses nos livros didácticos de história do Brasil financiado pela Fundação Gulbenkian, em finais dos anos 80 [1]. Mais de três décadas depois – a julgar pela pesquisa que nós próprios realizámos [2] –, a situação, no essencial, não se alterou.

 

A narrativa sobre a imagem dos portugueses nos livros escolares brasileiros pode ser agrupada em três grandes blocos. No primeiro, abordam-se o descobrimento e os primeiros anos da colonização – os lusos começam por ter valorização positiva, sendo associados ao “nascimento” do Brasil por via da miscigenação; mas logo aí surgem valorações negativas quando se insiste na ideia de “abandono e descaso” a que a Coroa teria votado o território, a ele trazendo depois elementos sociais desqualificados (deportados e degredados), sempre se referindo também o “fracasso geral das capitanias hereditárias”.

No segundo, o elemento português “tem o seu anonimato acentuado”, ao mesmo tempo que se deixa implícita “a sua incapacidade administrativa como colonizador”. A tarefa dos portugueses ter-se-ia circunscrito à defesa da costa, que se limitavam “a arranhar ao longo do mar como caranguejos”, na expressão consagrada de Frei Vicente do Salvador. Nesta visão, a tarefa grandiosa de desbravamento do sertão teria sido já obra dos brasileiros, em particular dos paulistas, sem nunca se referir que – embora portadores de identidade regional própria – eles eram basicamente portugueses enquanto súbditos da Coroa e como tal percepcionados pelas nações vizinhas. Acentua-se que os paulistas eram os mais capacitados para penetrar os sertões, dada a sua origem mestiça de branco com índio, cabendo a este último a transmissão das características de maior aptidão para tal empreendimento.

No terceiro e último desses blocos, figura – por contraste com as valorações negativas dos lusos – o enaltecimento da administração holandesa quando da ocupação do Nordeste, no século XVII. Tudo somado, ter Portugal como descobridor e colonizador só trouxe como único resultado positivo o mito das três raças na base da formação étnica brasileira. “Todos os outros contornos associados ao colonizador português (…) são negativos.”

À medida que nos aproximamos da actualidade, cada vez menos a sociedade portuguesa da época dos Descobrimentos é abordada. “O Portugal que nos chega através dessa narrativa é um verdadeiro anónimo. Nada sabemos sobre os hábitos, costumes, estrutura familiar, etc., da sociedade portuguesa que nos veio colonizar”. Por fim, a vinda da família real para o Brasil é vista como mais uma expressão da incapacidade política portuguesa, de que “Portugal não tinha peito, não tinha tamanho, ou seja, de que Portugal não merecia o Brasil, não quis e não soube ser seu colonizador”. Na perspectiva dos livros didáticos brasileiros, Portugal deve, portanto, com um sinal de “até que enfim”, entrar definitivamente para a história “como metrópole e colonizador que gostaríamos de não ter tido, como fonte de todos os males, problemas e dilemas da história brasileira recente.

Temos assim uma justaposição de duas ideias: Portugal abandona, rejeita, não quer o Brasil nos primeiros momentos, interessando-se apenas quando se dá conta das riquezas que poderia auferir; mas, aqui, essas riquezas apontam já para que o Brasil é grandioso, apesar de Portugal. Daí que caiba ao Brasil remeter Portugal para o passado, “como uma presença que o Brasil encara como compulsória, que queremos que se torne ausente, que se vá embora”.

Jovens brasileiros saídos do ensino médio em Brasília confirmam-nos esta situação: “A história que nos é contada sobre a colonização portuguesa é brutal, muito violenta, o que deixa em nós um sentimento de ressentimento” (Mateus Fonseca); “Fiz todo o ensino médio e também o vestibular [acesso à universidade] com essa imagem do português transmitida pela escola: já não tanto do ‘português burro’, mas com essa ideia bem sólida do português agressivo” (Gabriel Oliveira); “Não há nostalgia ou ideia de que foi bom ter sido Portugal; o que há é o contrário – uma ideia de que isso aí – Portugal, eu não quero” (Artur Carreira). E assim por diante…

Na relação Portugal-Brasil, mesmo quando há avanços no relacionamento entre Estados, o anti-lusitanismo de fundo histórico que desde a Independência foi cultivado por razões políticas permanece, alimentado que é, até hoje, pelo sistema de ensino

Ao destacarem a presença humana já existente no território do futuro Brasil, anterior à chegada dos europeus, e ao diluírem as referências a Portugal e aos portugueses num contexto histórico mais vasto, em que surgem com (quase) idêntica ênfase outras nações europeias rivais, o que os manuais brasileiros do ensino médio acabam por fazer é atenuar ou mesmo praticamente ilidir os laços específicos de ligação (sangue, língua, história, cultura e política) entre os dois países e as duas nações que chegaram a ser uma; e que – apesar de todos os confrontos, diferenciações, ressentimentos e rivalidades – se prolongam de uma ou outra forma até hoje, mas sobre os quais é em geral rasa a consciência dos brasileiros [3].

Vemos assim que na relação Portugal-Brasil, mesmo quando há avanços no relacionamento entre Estados, o anti-lusitanismo de fundo histórico que desde a Independência foi cultivado por razões políticas permanece, alimentado que é, até hoje, pelo sistema de ensino.

Esta realidade já era perceptível nos anos 40. No Congresso de História Luso-Brasileira, Serafim Leite pediu um voto para “a purificação do ensino da história” (à semelhança do que já fora convencionado, em 1934, entre o Brasil e a Argentina), “com supressão dos textos susceptíveis de criar desamor entre uma e outra nação e dar parte mais ampla ao estudo dos factos históricos que interessam a cada um dos dois povos, com três séculos de história comum” [4].

Um voto que permaneceu pio até aos nossos dias, com os consequentes reflexos negativos em termos de relacionamento bilateral mais profundo. Não espanta, por isso, que os brasileiros de hoje não se vejam como continuadores dos portugueses de ontem que aqui chegaram – primeiro, como pioneiros das grandes navegações marítimas; depois como conquistadores, desbravadores e colonizadores do território; em seguida, como protagonistas da primeira grande corrida ao ouro do Ocidente, que precedeu em dois séculos a do Far-West; e por fim, já nos séculos XIX e XX, em sucessivas levas de imigrantes em busca de um futuro melhor que não encontravam na sua própria pátria. Haverá aí maior estranhamento, gerador de (in)comunicação?

História e memória, como se sabe, não coincidem; mas se os historiadores não podem deixar de investigar, já a escolha do que reter e divulgar é opção livre de cada nação como “comunidade imaginada” em relação a si própria e às outras. Quase dois séculos volvidos sobre a sua independência, não estará já na hora do Brasil rever a forma como olha a sua relação histórica com Portugal?

[1] Coordenado pelo antropólogo brasileiro Roberto Damatta, o estudo foi realizado no âmbito de um projeto mais vasto sobre imagens dos portugueses e de Portugal no Brasil (Barbosa & Medeiros-Portela, 1987)
[2] Fino, C. Raízes do Estranhamento: a (in)comunicação Portugal-Brasil, UMinho, 2019
[3] Vicentino, C. & Gianpaolo, D. História para o Ensino Médio. Editora Scipione, São Paulo, 2001
[4] Ramos, M. B. et al (org.), O Beijo através do Atlântico – o lugar do Brasil no panlusitanismo, Argos, Editora Universitária, Chapecó, 2001

[Transcrição integral de artigo, da autoria do jornalista Carlos Fino, publicado no jornal “Público” de 09.08.20]

[Os textos que eventualmente sejam publicados na imprensa usando a cacografia brasileira no original (por exemplo,da Agência brasileirusa) e aqui reproduzidos são automaticamente corrigidos com a solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do browser.]

No Brasil, erros ortográficos não são erros…


Ora aqui está. Era mesmo esta exacta porcaria o que procurava  e finalmente  encontrei. Um caso oficial brasileiro (ou privado, mas sobre assuntos governamentais) que trata com os pés — e servindo-se das características arrogância e ignorância brasileiras — assuntos de admissão na função pública daquele “país-continente”. País incontinente, melhor dizendo.

Esta coisinha inacreditável reza assim na sua página “about“:

O portal Notícias Concursos foi criado em 2010 com objetivo de ajudar aqueles que almejam uma vaga na carreira pública, através de notícias e dicas relacionadas a Concursos Públicos. Nossos conteúdos prezam pela qualidade e objetividade.

Graças aos nossos leitores, resultado de um trabalho árduo, hoje atingimos mais de 15 MILHÕES de visualizações de páginas mensais.

Estamos sempre em busca de melhorias, tanto na qualidade do conteúdo quanto na disponibilidade de novas ferramentas.

“sobri nóis” ou equivalente

Ficamos cientes. Trata-se portanto de um site oficial-comercial-particular cujo “produto” maior é a estupidez, as cunhas ao pontapé, presume-se, e em suma um imenso apego à língua brasileira — isenta de erros porque tal coisa sequer existe, dizem aqueles brincalhões — que pretendem impingir à força a toda a população de expressão portuguesa.

Extraordinário. A maneira que o Brasil inventou para acabar com o erro na língua brasileira, falada ou escrita, foi abolir administrativamente o próprio conceito de erro. Não há disso no Brasil porque o erro não é erro. E o erro não é erro porque sim, ou, melhor, não existe erro em brasileiro porque não!

São de facto especialistas na matéria, isto é, a inventar coisas estapafúrdias e completamente imbecis: inventaram a CPLP, a “lusofonia”, a “difusão” da língua (brasileira) no mundo, a quarta (ou quinta, é indiferente) “língua de trabalho da ONU” e por fim o AO90 para servir de pretexto à colonização ao contrário e â promoção dos interesses geoestratégicos do Palácio do Planalto.

Caso alguém porventura duvidasse da intrincada maquinação que foi o “acordo ortográfico” — com os prestimosos serviços prestados por meia-dúzia de traidores e vendidos portugueses — tem aqui uma pequena amostra do que ganharam com a sua aposta mercenária.

Ridículos. Que a terra lhes seja pesada.

 

Um erro de ortografia é um erro de português?

por Wlianna Araújo  –  10 de novembro de 2020

 

É comum encontrarmos diversos sites que falam sobre “erros de português” que devem ser evitados em textos escritos ou mesmo na fala dos estudantes. Os tais erros muitas vezes são apenas marcas de oralidade ou problemas de ortografia. No entanto, há diversas questões delicadas quando se fala em “erro de português”.

O que é ortografia?

Primeiramente, é preciso compreender o que é a ortografia para saber o do que se trata um erro de ortografia. Muitas línguas naturais são ágrafas, diferente do português que tem uma longa tradição de cultura escrita. Desse modo, já se pode observar a partir disso que a ortografia não é natural, mas sim uma convenção.

A ortografia é, então, um conjunto de normas que padronizam a grafia das palavras de uma língua, ou seja, como se deve escrever os seus vocábulos seguindo um direcionamento oficial. Desse modo, a ortografia é uma decisão política e dita diversas regras para que haja certa unidade na escrita da língua. Sendo assim, esse sistema pode mudar ao longo dos anos. Exemplo disso é o que ocorreu recentemente com o Novo Acordo Ortográfico firmado entre os países lusófonos e que nos fez retirar, por exemplo, o acento agudo da palavra ideia.

Nesse sentido, é aceitável que se fale em erro de ortografia, caso o estudante escreva uma palavra fora das regras da ortografia vigente. No entanto, nomear tais problemas de escrita como “erros de português” é incorreto.

Existe erro de português?

O português, como qualquer língua natural, não funciona de acordo com regras preestabelecidas por um seleto grupo de falantes, como ocorre com a ortografia. Por mais que muitos alunos brasileiros acreditem que “não sabem português”, isto não é uma realidade do ponto de vista da Linguística, ciência que estuda as línguas.

Todos os falantes que adquiriram o português como sua língua materna, sua língua primeira, sabem português, pois sabem falar nessa língua, compreendem o que é dito e conseguem produzir uma infinidade criativa de sentenças nessa língua. Por mais que o falante não domine a norma culta do português ou qualquer outra norma privilegiada que seja bem vista socialmente, se essa é sua língua materna, ele não cometerá um “erro de português”.

Desse modo, há um grande equívoco em atribuir um problema de escrita de alguma palavra, como “caza”, “fui ao mossar” e “atensão“, por exemplo, a um erro de português. Na verdade, se trata de um problema de ortografia, já que as regras estabelecem que a escrita de tais palavras seja de outro modo: casa, almoçar e atenção.

Em suma, erros de ortografia não são erros de português.

Além disso, estes últimos não existem no que tange àqueles que tem o português como língua materna.

 

Notícias/Concursos (Brasil)

[Transcrição integral. Original publicado por Notícias/Concursos (Brasil). Destaques e sublinhados meus. Imagem de topo gerada no serviço WordClouds. Desenho de rodapé copiado do “blog” Timor Agora.]