Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Espanha

‘Enquanto isso, numa galáxia muito, muito distante…’

«La defensa de la identidad lingüística por parte de este grupo propició dos acontecimientos destacables. Por un lado, en octubre de 1843, Domingo Faustino Sarmiento propuso en la Facultad de Filosofía y Humanidades de Santiago de Chile un audaz proyecto de reforma ortográfica. Por otro, en enero de 1876, el poeta Juan María Gutiérrez devolvió el diploma de académico correspondiente que le había enviado la Real Academia Española. Todos ellos, pues, fueron tempranos promotores del autoctonismo idiomático, basados en el principio de que uno de los atributos esenciales de una nación libre es la posesión de una lengua propia.»

La lengua propia como ejercicio de la identidad

Oscar Conde

Clarin.comRevista Ñ

José Luis Moure propone una antología de textos que pone al día las discusiones acerca de un español argentino.

 

Más allá de que los intentos de acercamiento de la Real Academia hacia sus correspondientes americanas hayan comenzado a mediados del siglo pasado, ha sido recién en el actual cuando se inició por fin un proceso para el desmantelamiento de la subvaloración del español de América. No hace demasiado –un par de décadas, a lo sumo– que se le reconoce al español un estatus policéntrico. En otras palabras, ya no es defendible la posición que hace del habla de Madrid (o de cualquier otra ciudad de la península) un modelo único y “puro” para más de 560 millones de hispanohablantes. El policentrismo enseña que no existe un solo paradigma de la lengua española, y que las variedades utilizadas en Lima, Medellín, La Paz o Buenos Aires son igual de prestigiosas que las de Toledo o Salamanca.

Los departamentos de español y romanística de diversas universidades europeas y estadounidenses han comenzado ya a trabajar con la lengua sobre la base de este concepto que, lejos de resultar disruptivo o incómodo, parece haberse consensuado dentro de los estudios lingüísticos para poner en su lugar las cosas. La posición clásica del monocentrismo, prevalente no solo durante la época colonial sino al menos hasta mediados del siglo XX, conserva sin embargo muchos adeptos en el espacio simbólico de la enseñanza de español para extranjeros –ámbito en el cual, además de una disputa entre políticas lingüísticas de signo opuesto, está en juego un jugosísimo negocio–. Es que los profesores de español, cuando son españoles, normalmente combaten la tesis policéntrica, ya porque acuerdan con las posiciones político-económicas del Instituto Cervantes, ya por orgullosa convicción patriótica.

Nuestra expresión (EUDEBA), del filólogo José Luis Moure, actual presidente de la Academia Argentina de Letras, se inscribe en una larga tradición de escritos en torno al español de la Argentina, iniciada casi a comienzos del siglo XIX –pocos años después de la Revolución de Mayo– y, más puntualmente, se suma a dos antologías recientes que, como esta, ofrecen testimonios acerca de las distintas posiciones sostenidas a través del tiempo en los debates político-lingüísticos referidos a la existencia o no de una lengua nacional. Tales antecedentes son Voces y ecos (2012), de Mara Glozman y Daniela Lauría, y La querella de la lengua en la Argentina (2013), de Fernando Alfón.

La discusión acerca de un español americano y, más adelante, de un español argentino tuvo como protagonistas, en primera instancia, a los intelectuales nucleados en el Salón Literario, entre otros, Marcos Sastre, Esteban Echeverría y Juan Bautista Alberdi, quien en la sesión inaugural del 18 de junio de 1837 reclamaba ya una lengua nacional capaz de reflejar la nueva realidad de la América libre. La defensa de la identidad lingüística por parte de este grupo propició dos acontecimientos destacables. Por un lado, en octubre de 1843, Domingo Faustino Sarmiento propuso en la Facultad de Filosofía y Humanidades de Santiago de Chile un audaz proyecto de reforma ortográfica. Por otro, en enero de 1876, el poeta Juan María Gutiérrez devolvió el diploma de académico correspondiente que le había enviado la Real Academia Española. Todos ellos, pues, fueron tempranos promotores del autoctonismo idiomático, basados en el principio de que uno de los atributos esenciales de una nación libre es la posesión de una lengua propia.

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“Costa devia ponderar recuo. Era acto de inteligência” (faltava o C em “acto”, corrigi a gralha)

Acordo Ortográfico: “Costa devia ponderar recuo. Era acto de inteligência”

Joaquim Jorge acredita que “a esmagadora maioria da população portuguesa não se revê neste Acordo Ortográfico que está mal feito”.

“Não chega aperfeiçoar o Acordo Ortográfico (AO) e introduzir melhorias, é importante rejeitar”.

A posição é do fundador do Clube dos Pensadores, que considera que “é importante reabrir o debate e a discussão do tema”.

“Este acordo residiu unicamente na teoria economicista e beneficiou o Brasil. Sou português, gosto muito da minha língua e recuso-me a escrever como não aprendi na escola. A diversidade da nossa língua é uma mais-valia e enriquecimento cultural”, defende num texto de opinião veiculado ao Notícias ao Minuto.

Joaquim Jorge diz ainda que não tem problemas em perceber o português de outros países. E dá mesmo como exemplo outras línguas.

“Veja-se a beleza da língua espanhola quer em Espanha, quer em Cuba, quer na Venezuela, passando pelo Chile, etc. Nunca houve uma imposição para todos esses países que falam espanhol”, escreve, acrescentando ainda que “a vivacidade do inglês está nas suas variantes e em não haver regras rígidas”.

Pela sua parte, Joaquim Jorge assume que, da mesma forma que no Brasil se continuará a escrever cômico em vez de cómico, ou judô e não judo, também ele irá manter a escrita das palavras como a aprendeu. “Esse manancial de vivências faz parte da minha vida intelectual e do meu enriquecimento humano”, sublinha.

“Não me podem obrigar a adoptar uma ortografia que não se justifica e não é uma necessidade premente. Podem ser simplificadoras mas não são uma necessidade de uso”.

O fundador do Clube dos Pensadores deixa ainda uma ‘achega’ ao Governo e à Presidência da República.

“O Governo de António Costa, que já fez inúmeras alterações na educação, deveria ponderar um recuo neste Acordo Ortográfico. Seria um acto de inteligência, de liberdade individual e de liberdade de escrita. E, com a ajuda de Marcelo Rebelo de Sousa, isso pode acontecer…”, sugere.

Fonte: Noticias ao Minuto – Acordo Ortográfico: “Costa devia ponderar recuo. Era ato de inteligência”

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Viva

vivalinguabrasileira_sergior«Hoje, são mais de 200 línguas no Brasil.»
Se calhar dava jeito um acordo ortográfico entre os Estados brasileiros para unificar todas essas línguas brasileiras.

«O nosso país é o resultado da mistura (algumas vezes pacífica, muitas vezes não) de espanhóis, franceses, alemães, holandeses, italianos, árabes, japoneses… Não podemos nos esquecer dos índios, habitantes originais desta terra.»
Portugueses é que não há no Brasil, nem naturais nem descendentes, pelos vistos não há lá nada disso.

«A língua de um povo é o que caracteriza de forma mais profunda a sua identidade. Por meio da língua, é possível conhecer sua história, sua forma de falar e de sentir o mundo. A língua também permite a transmissão de conhecimento, arte e cultura.»
Pois sim, nós por cá, em Portugal, também gostaríamos imenso — caso não desse muita maçada ao Brasil, está claro — que fizessem a fineza de deixar a nossa Língua nacional em paz.

«Quando as diferenças impedem ou dificultam consideravelmente a compreensão, então estamos falando de línguas diferentes. »
Caso do Português e do brasileiro, não? Ou para lá caminhamos a passos largos, pelo menos. Qualquer filme português já é legendado no Brasil e os livros de autores portugueses são  “adaptados” para que os indígenas entendam alguma coisinha.

«Quando os portugueses chegaram, eles eram cinco milhões. Hoje são apenas 734 mil indígenas.»
Ah, claro, a “narrativa” do costume: a culpa (de tudo) é toda nossa, fomos nós, portugueses, que liquidámos sumariamente mais de 4 milhões de indígenas brasileiros. Aquilo foi um forrobodó de massacres.

«Os missionários da igreja, na época da colonização, responsáveis por catequizar os índios, esforçaram-se para criar uma única língua indígena para todos os povos. A ideia dos missionários era facilitar a comunicação. Foi assim que surgiu o Nheengatu. Hoje, cerca de duas mil pessoas falam essa língua no Brasil.»
Bem, isso da “língua única” é não apenas uma ideia fixa como uma idiossincrasia tipicamente brasileira. E, ao que parece, essa ideia resultou tanto com os índios como o AO90 com os portugueses: duas mil pessoas, ena, mas que farturinha.

«Vários governos brasileiros não deram importância à diversidade de línguas do Brasil e tentaram implantar aqui uma só língua, o português, ignorando milhares de falantes e reprimindo a manifestação de várias pessoas. O primeiro que agiu assim foi Marquês de Pombal, que governou o Brasil de 1750 a 1777. Pombal queria que o Brasil tivesse apenas uma língua e proibiu que outras fossem faladas.»
O Marquês de Pombal fez parte de um governo brasileiro? Fantástico, Melga! Mas, Melga, tens a certeza de que o velho Sebastião alguma vez pôs os pés no Brasil? Ainda mais fantástico, Melga!

«Quer ver como o Português é uma língua rica, resultado da contribuição e mistura de vários povos? Lá vai o desafio: de onde vêm as palavras “cutucar”, “bagunça” e “cochilar”?»
“Português”? Isso é “Português”? Com caixa alta e tudo? Bem, nenhuma dessas palavras existe em Português (de Portugal).

agenciabrasilBrasil, um país de muitas línguas

Criado em 16/11/16 10h22 e atualizado em 16/11/16 10h38
Por Plenarinho

 

Você conhece a história da Torre de Babel? Segundo essa passagem bíblica, no começo da história da humanidade, todos os homens da Terra falavam a mesma língua. Até o dia em que resolveram construir uma enorme torre – tão, tão grande, que chegasse ao céu. Durante a construção da torre, os homens começaram a falar línguas diferentes e pararam de se entender. O resultado foi que a torre ficou inacabada por causa da dificuldade de comunicação entre eles. E o que essa história tem a ver com o Brasil?

Aqui na nossa terrinha, também se falam várias línguas. Tantas que talvez você nem imagine! Hoje, são mais de 200 línguas no Brasil. Parece a história da Torre de Babel, com uma diferença: aqui as pessoas se entendem. E, com todas as variedades, permanecemos unidos pelo fato de sermos todos brasileiros. Cada um com sua história.

O nosso país é o resultado da mistura (algumas vezes pacífica, muitas vezes não) de espanhóis, franceses, alemães, holandeses, italianos, árabes, japoneses… Não podemos nos esquecer dos índios, habitantes originais desta terra. E eles não são apenas um povo. São guaranis, ianomamis, xucurus, baniwas, tikuna… Ah, e existem também os africanos bantos, nagôs, gêges (ou ewes)… Seria muito difícil que todos esses povos que se misturaram para formar o povo brasileiro falassem apenas o português, certo?

Línguas, dialetos, sotaques

Para se comunicar, o ser humano precisa de uma linguagem. A língua, meio usado para a comunicação, é um sistema de símbolos usados por pessoas de uma mesma comunidade. Você certamente conhece ou já ouviu falar de algumas línguas como o Inglês, o Espanhol, o Alemão, o Italiano, o Francês…

A língua de um povo é o que caracteriza de forma mais profunda a sua identidade. Por meio da língua, é possível conhecer sua história, sua forma de falar e de sentir o mundo. A língua também permite a transmissão de conhecimento, arte e cultura.

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«Les guerres de l’ortografia» [“VilaWeb” (Catalunha)]

Les guerres de l’ortografiavilaweb_logo

Per: Redacció

02.10.2016 22:00

La polèmica i el debat social ha acompanyat la reforma ortogràfica d’algunes llengües europees com ara el portuguès, el francès o l’alemany.

La confirmació que el IEC prepara una reforma ortogràfica i la presentació del Diccionari Normatiu de l’AVL han posat sobre la taula la reforma de l’ortografia del català, fixada per Pompeu Fabra, promulgada pel IEC el 1913 i assumida per tots els Països Catalans des de l’aprovació de les Normes de Castelló, el 1932.

El català va fixar l’ortografia fa un segle i ara sembla que s’afegeix a la reforma que unes quantes llengües europees han fet aquests últims anys. En el cas del portuguès, de l’alemany o del francès, per exemple, les reformes ortogràfiques recents han anat acompanyades ben sovint de molta polèmica. En la majoria de casos la proposta de ‘simplificar’ l’ortografia ha topat amb la resistència ferotge dels qui consideraven que això equivalia a empobrir el llegat cultural i la llengua mateixa. I en molts casos el debat ha pres una dimensió social que ha superat de molt els límits de l’acadèmia.

El portuguès, una batalla geopolítica global

Un cas especial és el del portuguès, en què la reforma ortogràfica fou motivada per la divergència en les regles que s’aplicaven a Portugal i al Brasil. La llengua va originar-se a Portugal, però és al Brasil on hi ha la gran majoria de parlants.

El 1911 la nova república portuguesa va encarregar a una comissió d’experts que fixés la nova ortografia de la llengua, i tots els territoris de parla portuguesa la van acceptar, excepte Galícia i el Brasil. El Brasil va establir unes regles pròpies el 1938, seguint en bona part les de la reforma de Portugal, però amb algunes diferències molt estridents. Els brasilers adduïen que ningú no els havia consultats res el 1911, per més que eren la majoria de parlants del portuguès i, per tant, no es consideraven vinculats a la reforma feta des de Portugal, dita de Gonçalves Viana. El 1971 una nova reforma al Brasil va introduir-hi encara més canvis, i reduí d’una manera molt dràstica les paraules que duien accent. Portugal va dubtar i el 1973 en va acceptar alguns, però no pas tots. Finalment el Brasil va convidar tots els estats lusòfons a elaborar conjuntament una reforma, el 1986. En fou el resultat una reforma molt radical que eliminava pràcticament tots els accents, aguts i circumflexos. Però ni els escriptors ni els mitjans no la van acceptar i la reforma, tot i que es va aprovar, no es va arribar a implantar.

Prova n’és que quatre anys després els mateixos estats van proposar una reforma més suau que finalment va entrar en vigor el 2009, amb un període de sis anys per a aplicar-la, que tot just ha acabat ara. Aquesta reforma ha estat més ben rebuda pels mitjans i pels escriptors, però encara mou polèmica i té, a més, un curiós problema legal, perquè es basa en un tractat subscrit pels estats lusòfons. Doncs bé, com que la llei internacional estipula explícitament que un tractat en vigor no es pot canviar, l’ortografia portuguesa ratificada és l’anterior!

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«A ‘nostalgia da língua portuguesa’» [Inês Pedrosa, “Sol”]

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SOL230716A ‘nostalgia da língua portuguesa’

Semanário “SOL”, 23.07.16

Inês Pedrosa

Fora do minúsculo meio político-cultural — um dedal, embora os seus elementos não gostem de se incomodar a reparar nisso — não conheço ninguém que saiba o que é a CPLP, que agora completou 20 anos.

Mesmo dentro desse culto e informado meio, é fácil encontrar quem nunca tenha ouvido falar dela, pelo menos no Brasil, que por sinal é o maior país dessa associação.

CPLP é a sigla para Comunidade dos Países de Língua Portuguesa; uma comunidade tão generosa que inclui, desde 2014, a Guiné Equatorial, que não fala português nem respeita os direitos humanos básicos. É certo que ‘respeito’ é um conceito relativo: os sheiks das Arábias acham que faz parte do respeito pelas mulheres proibi-las de decidir o que quer que seja e apedrejá-las caso se deixem violar, tal como os governantes de Angola acham que faz parte do respeito pela liberdade de expressão prender quem pense que manter o povo na miséria não corresponde ao modelo ideal de democracia.

Eu própria, que me interesso por estas coisas, só agora descobri que a CPLP inclui um Instituto Internacional da Língua Portuguesa, para promoção mundial da Língua.

Não sei o que tem feito o Instituto para cumprir esse nobre desígnio: da Língua e da CPLP, a bem dizer, só tenho ouvido falar a propósito do mal-amanhado Acordo Ortográfico, que supostamente nasceu para reforçar o peso do idioma no mundo e para estreitar os laços culturais entre os países lusófonos.

Maria Velho da Costa disse há anos que Lusofonia parecia nome de doença de garganta, e assim tem sido: um pigarreio contínuo, que o tal acordo unificador, brilhantíssimo – que faz com que receção se escreva hoje sem ‘p’ em Portugal e com ‘p’ no Brasil – não veio curar, antes pelo contrário.

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«Lingüística: Dejad a la lengua en paz» [“EL PAÍS” (España)]

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¿QUIÉN MANDA EN LA LENGUA?

Dejad a la lengua en paz

Hablantes frente a expertos. Con la excepción de la ortografía, quien decide sobre los fenómenos lingüísticos es la colectividad, no la Academia ni los ministerios.

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En un artículo reciente, Javier Marías ha vuelto a explicar a sus lectores mediante un par de ejemplos lo que infinidad de veces desde la Academia Española se ha señalado: que son los hablantes, y no ella, quienes han decidido emplear la palabra autista en sentido figurado, para referirse a alguien encerrado en su mundo y desconectado de los demás; o la voz cáncer para designar, también por vía metafórica, la “proliferación en el seno de un grupo social de situaciones o hechos destructivos”. No supone insensibilidad por parte de la corporación el no poder atender las peticiones de expulsión lexicográfica que le hacen las asociaciones de padres de niños con autismo o de enfermos de cáncer. “Esta institución”, escribía el novelista, “en contra de lo que muchos quisieran, no prohíbe ni impone nada; tampoco juzga”; como mucho, advierte de que tal o cual vocablo puede resultar malsonante o denigratorio.

Al hablar de los fenómenos lingüísticos es imprescindible distinguir cuidadosamente los niveles, y en particular el ortográfico de todos los demás. De los distintos planos de una lengua, el único que está sometido a una regulación convencional es el de la ortografía. Del mismo modo que en carretera se circula por la derecha y no por la izquierda —salvo en ciertos países en que la convención es justamente la contraria— o que una luz roja obliga a detenerse y una verde nos permite pasar —podría ser al revés, u otros los colores—, determinadas palabras se escriben — ajenos los hablantes a complejos condicionamientos etimológicos o de otra índole— con j o con g, con b o con v, con hache o sin ella, llevan acento gráfico las agudas que terminan en vocal, n o s y no lo llevan en cambio las llanas que están en esa misma situación, etcétera. Son reglas, insistamos, convencionales, que podrían ser otras, o cambiar. Podría decretarse que en todos los casos el sonido velar llamémoslo “fuerte” que tiene g delante de e o i se escribiera con jota, como le gustaba a Juan Ramón (y se tomaba la libertad de practicarlo). Podría hacerse caso a la propuesta —notablemente demagógica, y por lo demás en absoluto nueva— que Gabriel García Márquez hizo en el congreso de Zacatecas de “jubilar la ortografía”, es decir, simplificarla de raíz.

Pero si la regulación del tráfico está en manos de la dirección general correspondiente (y, supongo, de organismos supranacionales, para que, al menos en lo básico, no haya grandes disparidades de un país a otro), ¿a quién compete la regulación ortográfica? La respuesta a esta pregunta es sumamente compleja, y apunta a un abanico de posibilidades que van desde el mero consenso asentado en una tradición consuetudinaria hasta la existencia de una entidad que ejerce la potestad reguladora. Ni siquiera son equiparables los casos de dos lenguas dotadas ambas de Academia, como el español y el francés, pues, por ejemplo, la autoridad prescriptiva en materia ortográfica de la Real Academia Española es sensiblemente mayor que la de la Académie française.

Antes de la fundación de la Española se habían producido intentos particulares de regular nuestra ortografía, pero no habían pasado de ser eso: conatos individuales. ¡Cuánto le hubiera gustado a Nebrija, por ejemplo, que su propuesta ortográfica de 1492, renovada en 1517, fuese generalmente aceptada! No fue así, ni con la suya ni con otras posteriores, y solo la existencia de una entidad respaldada por la Corona hizo que las decisiones académicas en materia de ortografía literal (esto es, ortografía de las letras), sabiamente dosificadas entre 1726 y 1815, fueran progresivamente aceptadas por las imprentas y se generalizaran a través de la enseñanza, de modo que, en lo sustancial, el uso de las letras no ha cambiado en los dos últimos siglos. A que ello haya sido así, en un caso a priori tan proclive a la dispersión como el de una lengua escrita no solo en España sino en un elevado número de repúblicas soberanas que se extienden entre el río Bravo y el estrecho de Magallanes, contribuyó decisivamente la fundación desde 1871 de toda una serie de academias correspondientes de la Española en los países de aquel continente, corporaciones hoy integradas en la Asociación de Academias de la Lengua Española (ASALE).

Los hispanohablantes tenemos motivos para estar satisfechos no solo por nuestra unanimidad ortográfica —que tanto contrasta, por ejemplo, con el divorcio entre la ortografía portuguesa y la brasileña—, sino también por la sencillez, la transparencia y la racionalidad de nuestra ortografía, no absolutamente fonológica, es decir, sin completa correspondencia entre sonidos y letras, pero muy cercana a ella y con un sistema de acentuación inequívoco que bien podría envidiarnos, por ejemplo, el italiano.

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