Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Espanhol

O Chile na CPLB (Comunidade dos Países de Língua Brasileira)

«Brasil y Chile iniciaron este miércoles en Brasilia la primera ronda de negociación de un acuerdo de libre comercio de “segunda generación”, pues ya tienen el 100% de su comercio liberado desde hace más de 20 años, dijeron las fuentes diplomáticas.» [Camara Aduanera de Chile, 07.06.18.]

 

Chile na Comunidade de Países de Língua Portuguesa

Germán Guerrero

No passado dia 18 de Julho, o Chile aderiu à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como Estado Observador Associado. Assim, foi alcançado um novo marco nas excelentes relações diplomáticas entre o Chile e Portugal que para nós constitui não só um canal para relações políticas, comércio e negócios, mas também uma expressão de uma cultura e de valores partilhados.

Ambos os países reconhecem-se como likeminded country com uma afinidade nos seus princípios, objectivos e interesses, o que explica a nossa privilegiada relação e o trabalho conjunto no domínio da cooperação bilateral e multilateral.

No entanto, ao aderir à CPLP não realizámos unicamente um gesto meramente diplomático. Embora os dois países tenham dado um passo importante na integração latino-americana e africana, o reencontro da língua, que é a expressão da alma de um país, é também uma ponte para aprofundar a compreensão mútua e os valores culturais que partilhamos.

Como dizia Fernando Pessoa: “Usando do inglês como língua científica e geral, usaremos do português como língua literária e particular. Teremos, no império como na cultura, uma vida doméstica e uma vida pública. Para o que queremos aprender leremos inglês; para o que queremos sentir, português. Para o que queremos ensinar, falaremos inglês; português para o que queremos dizer.”

Com efeito, na língua está a chave para entrar na alma de um país, a chave para descobrir os seus sentimentos, as suas esperanças e os seus sonhos. É também a chave para compreender que não estamos isolados do resto do mundo e que fazemos parte de uma mesma comunidade.

O Chile e Portugal fazem parte da comunidade ibero-americana composta por 23 países, sendo não só uma comunidade política e económica mas, sobretudo, cultural, constituindo, com o castelhano e o português, uma das maiores comunidades linguísticas do mundo.

O nosso reencontro com o português é também um passo importante para uma real integração latino-americana, que não é possível sem os laços com o Brasil. Metade da América Latina fala a língua de Cervantes e de Pablo Neruda e a outra metade fala o português de Camões e de Eça de Queirós.

O Brasil e o Chile têm uma identidade latino-americana comum e partilham valores fundamentais, tais como a sua vocação democrática e de liberdade e uma firme vontade de lutar contra a pobreza, a exclusão e a desigualdade social.

Por estas razões, as relações entre o Chile e o Brasilsão do mais alto nível. Somos parceiros estratégicos nos processos de integração, no diálogo político bilateral e multilateral e no intercâmbio científico, cultural e educacional. Da mesma forma, no domínio comercial, estamos a negociar um tratado de livre comércio entre os dois países.

A participação do Chile e do Brasil, agora também, na CPLP é uma nova porta para estreitar as relações recíprocas e partilhar novos projectos nas áreas da educação, da cultura e da promoção das nossas línguas e dos nossos escritores.

Por sua vez, Portugal conta com uma significativa presença, cooperação e investimentos em países africanos, o que vai em concordância com o interesse do Chile em se aproximar do referido continente. Assim, o Chile aspira, através da CPLP, estreitar os vínculos, o intercâmbio e a cooperação com o continente africano.

Nessa perspectiva, a Agência para a Cooperação Internacional e o Desenvolvimento do Chile (AGCID) e o Instituto Camões da Cooperação e da Língua subscreveram um memorando de entendimento para a cooperação triangular, especificamente em países africanos de língua oficial portuguesa e na América Latina e o Caribe.

A AGCID também criou o Programa de Bolsas República do Chile-Nelson Mandela para estudos de pós-gradução em universidades chilenas, que beneficiam actualmente 72 funcionários públicos de países desse continente. Da mesma forma, desenvolvemos um programa de diplomados específico para Moçambique e para Angola, nas áreas de aquicultura, manejo costeiro e produção de moluscos.

Outro aspecto muito importante é que, através da adesão do Chile à CPLP, aspiramos também aprofundar a difusão e o ensino da língua portuguesa no Chile.

Actualmente, a Universidade de Santiago do Chile ministra uma licenciatura em Tradução Português-Espanhol-Inglês, iniciando em breve um curso de diplomado em Pedagogia em língua portuguesa. Simultaneamente, numerosos professores de língua portuguesa ministram cursos em institutos privados ao abrigo do protocolo subscrito em 2015, tal como divulgado, entre a referida universidade e o Instituto Camões da Cooperação e da Língua.

Igualmente, o Centro Cultural Brasil-Chile trabalha em três áreas principais: a difusão da língua portuguesa, a promoção da cultura e o reforço dos laços de amizade e cooperação cultural entre os dois países.

Assim, a adesão do Chile à CPLP constitui não só um gesto diplomático ou publicitário mas também uma oportunidade para promover uma comunidade cultural e valiosa e, ainda, reforçar a política de aproximação aos países lusófonos, facilitando, por essa via, as relações entre o nosso povo, os nossos intelectuais e artistas e as nossas instituições, com os seus homólogos de língua portuguesa num vasto horizonte que vai desde Lisboa ao Rio de Janeiro, desde Díli a Maputo.

A Comunidade de Países de Língua Portuguesa é também uma associação para a concertação político-diplomática, para a cooperação e promoção do desenvolvimento humano, a paz e a segurança internacional e a implementação da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, entre outros temas de importância global.

Como Embaixada do Chile em Portugal ficamos felizes por este novo passo nas relações chileno-portuguesas. Simultaneamente, estamos a cumprir o sonho da nossa poetisa e Prémio Nobel Gabriela Mistral, cônsul do Chile em Lisboa (1935-1937), que ansiava pelo reencontro das nossas línguas.

Gabriela Mistral dizia: “Nuestros idiomas han vivido de espaldas vueltas, sin odio alguno, pero también sin amor… muchas veces el verbo luso y el castellano me han parecido un árbol absurdo partido en dos frondosas ramas” e concluía: “algún día nuestros pueblos celebrarán la fecha del intercambio idiomático… la fiesta de la reconciliación de dos verbos malamente olvidados, que borraron por siglos su apelativo común, aún sabiendo que la sangre seguía siendo una y entera debajo de la falsa extranjería”.

Partilhando hoje as palavras da nossa poetisa, comove-nos dizer que chegou a data tão esperada da festa das nossas línguas e celebramos com alegria a adesão do Chile à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, por constituir um passo de grande importância para a compreensão mútua, a aprendizagem e a construção de um futuro comum.

Embaixador do Chile em Portugal

[Transcrição integral do paleio debitado pelo embaixador do Chile em Portugal que o “Diário de Notícias” (órgão central da propaganda acordista) publicou em 16.08.18. Destaques meus. A desortografia abrasileirada foi automaticamente corrigida pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

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As variações da mentira – III

E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará“.
João, 8:32

Isto é de facto extremamente cansativo. O que aliás faz parte, desde o início, da estratégia acordista: vencer-nos pela exaustão, derrotar-nos pela descrença, paralisar-nos pelo silenciamento.

Já pudemos constatar, na primeira série de patranhas e na segunda, que toda esta gigantesca mentira é uma espécie de “vira o disco e toca o mesmo”: o tema é monótono, as variações monocórdicas.

O que implica, para que semelhante quantidade de patranhas, a granel e a seco, possa ser minimamente deglutida, salvo seja, necessitar um cristão de não despiciente dose de humildade, quando não de puro masoquismo. Trata-se de um cruel exercício de auto-flagelação, quase a raiar a santidade, digamos, se bem que não exista alternativa ao sacrifício para enfrentar a peçonha da mentira.

E pronto, haja coragem, aguentemos estoicamente mais um pouco, para a vintena final já só ficam a faltar outras cinco além das anteriores 10 e de mais estas.

 

11. O AO90  abriu um mercado único de edições (livros, imprensa, etc.). Intrujice.
«Juca Ferreira não acredita que, com o Acordo Ortográfico, o Brasil possa “engolir” o mercado editorial português. “Acho difícil. Acredito mais na possibilidade de cooperação, não só entre Brasil e Portugal, mas de todos os países de Língua Portuguesa, para criarmos um espaço para a literatura dos nossos países neste mundo editorial”» [“Expresso”, 08.2008] Intrujice.

a) «O Acordo Ortográfico não facilitou o intercâmbio cultural e não teve qualquer papel positivo nas exportações.» [Francisco Vale (editor), “Jornal de Leiria”, 02.2018]
b) «A Porto Editora fez uma queixa-crime contra o ex-candidato à Presidência da República, Paulo de Morais, alegando “prejuízo ao bom nome e reputação da empresa” ao associar a editora a corrupção e cartelização do mercado de manuais escolares. Por seu lado, o ex-vice-presidente da autarquia do Porto já reagiu, declarando que considera “inadmissível” o sistema de “cartelização de venda de livros escolares” em Portugal e que irá continuar a denunciar esta situação “enquanto não for efectivamente resolvida”.» [“Público”, 03.2016]
c) «De resto, não vejo qualquer problema em que o português escrito possa ter grafias um pouco diferentes conforme seja de origem portuguesa ou brasileira. Antes pelo contrário, ajuda a mostrar a diversidade das expressões e acentua os factores de diferenciação que nos distinguem realmente e que reforçam a nossa identidade. Aliás, considero míope a visão de que o mercado brasileiro de cultura passará a estar aberto aos autores portugueses em razão da homogeneidade da grafia, pois que o interesse desse mercado pela nossa produção só pode depender do real interesse pelas nossas especificidades e aí a suposta barreira do grafismo não chega a ser uma barreira, pode ser um factor de distinção que acentua o interesse pela diferença.» [Pedro Passos Coelho, 05.2008]

12. O AO90 no ensino facilita e poupa tempo para outras tarefas. Invencionice.
«É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam. De facto como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c? Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.» [Acordo Ortográfico – Nota ExplicativaInvencionice.

a) Não há “maior facilidade” na aprendizagem coisa nenhuma: no Ensino oficial em Portugal a confusão é total e o cAOs instalado afecta gravemente as crianças e jovens, confundindo-as estúpida e desnecessariamente. Não sendo imbecis ou retardados, os alunos portugueses estão mergulhados num caldo de instabilidade ortográfica no qual não só eles mas principalmente eles já não sabem ao certo como se escreve (ou lê). Por isto mesmo os resultados são cada vez piores desde que o AO90 passou a ser obrigatório nos exames. [Apartado 53, FAQ]
b) «Que avaliação rigorosa foi feita por parte do Governo dos impactos que, do ponto de vista do sistema educativo, teve a entrada em vigor do Acordo Ortográfico? Que avaliação foi feita das consequências que, do ponto de vista científico e pedagógico, nos programas de Português, teve a entrada em vigor do Acordo Ortográfico?» [PCP, Projecto de Resolução, 02.2018]
c) «Estou de acordo com o que disse o Malaca Casteleiro neste aspecto: o ensino é que fracassa completamente. Nós deveríamos ensinar os alunos a dicção correcta do português e devíamos combater esse “engolir” das vogais; os brasileiros fazem o contrário e é essa a grande razão que faz com que muitos estrangeiros prefiram aprender a variante brasileira.» [Teolinda Gersão, Antena 1, 05.2015]

13. O AO90 é simplificação da língua. Tanga.
«Questionado, entretanto, sobre as resistências que existem em Portugal em relação ao Acordo Ortográfico, o ministro disse que este movimento não é tão forte. (…) O Acordo é uma simplificação da Língua.» [José António Pinto Ribeiro, ex-Ministro da Cultura, “Expresso“, 08.2008] Tanga.

a) «(…) é impossível unificar ortograficamente um idioma a partir das suas variantes linguísticas e ignorar por completo a origem comum das palavras; consequentemente, as muitas excepções à regra, por falta de referências estandardizadas, em vez de facilitarem a ortografia, acabam por dificultá-la ainda mais.» [Filipe Zau, “Jornal de Angola”, 05.2016]
b) «O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO), assinado em 1990, possibilita diferentes interpretações das novas regras dado que não estabelece uma ortografia única e inequívoca: a interpretação do vocabulário oficializado em Portugal, a interpretação da Academia das Ciências de Lisboa e a interpretação do vocabulário oficializado no Brasil que, logo após a publicação da sua 5.ª edição, disponibilizou ‘online’ um Encarte de Correções e Aditamentos à 5.ª Edição, além de outras possíveis interpretações do texto propriamente dito.» [Vasco Teixeira (Porto Editora), 01.2013]
c) «Afinal, ainda é preciso ir atrás da pronúncia da moda para saber escrever. Há quem chame a isto “simplificação”. Eu chamo-lhe “pesadelo”.» [Manuel Matos Monteiro,“Público”, 04.2018]

 14. Sem o AO90, o Português-padrão caminharia para a extinção. Fantasia.
«Estará o “português de Portugal” condenado a desaparecer? Será o fechamento das vogais, que aparentemente fará que muitos dos nossos parceiros dos países de língua portuguesa não nos percebam, a sua sentença de morte? A questão foi levantada pelo próprio ministro dos Negócios Estrangeiros [“DN”, 11.2016] Fantasia.

a) Mas o camartelo acordês teve outro tipo de repercussões a nível mundial, nomeadamente na Internet, a primeira das quais foi a quase extinção da bandeira portuguesa (e respectivos “interfaces”) nos mais diversos “sites” internacionais, incluindo os institucionais. [Apartado 53, FAQ]
b) «Ao contrário do que diz, a escrita é um repositório de enxames de significações ancoradas em redes etimológicas e um tesouro da memória. Na medida do possível, a ortografia deveria evitar o seu apagamento.» [Maria Filomena Molder, “Público”, 05.2015]
c)
«Que se saiba, isso nunca impediu Portugal ou o Brasil de marcarem presença nas conferências das Nações Unidas e das suas agências especializadas. Ora, se até agora as divergências terminológicas não comprometeram e, aparentemente, não ameaçam vir a comprometer os contributos que os dois países têm a dar em tais fóruns, ilustrando com as suas divergências uma riqueza cultural fundada na diversidade geográfica da Língua Portuguesa, porque virá a ortografia a determinar o seu desaparecimento da cena internacional? Esta questão já foi colocada demasiadas vezes para que os defensores do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 continuem a ignorar que têm de vir a terreiro expor, decentemente, as verdadeiras razões subjacentes à teimosia em impor um acordo que nada resolve, mas tem gerado antagonismos que anteriormente não existiam.» [Isabel Coutinho Monteiro, ILCAO, 05.2014]

15. “Portugal tem de lutar por dar a supremacia ao Brasil“. Burla.
«Marcelo referiu que o Brasil hoje é a maior potência económica e o maior país lusófono e realçou a ideia que “Portugal precisa mais do Brasil, do que o Brasil de Portugal”. Afirmou que o acordo tem “virtuosidades” e disse que “para Portugal conseguir lutar pela lusofonia no mundo tem de lutar por dar a supremacia ao Brasil.”» [JPN, 05.2008] Burla.

a) «Então por que motivo se tenta em Portugal, impor tais mudanças? Para ficarmos iguais ao Brasil, claro. Parece a velha anedota: então porque não ficamos? Simples: porque se trata de uma mirabolante utopia sem possibilidade de concretização prática.» [Nuno Pacheco, “Público”, 02.2017]
b) «
Países lusófonos apresentam resistência em introduzir as novas normas de modo efetivo. Por quê? O argumento principal é de que se trata de um acordo brasileiro. (…) O Brasil ratificou a norma e deu início à implantação. Porém, o país parece estar só na viabilização dessas políticas públicas. Por quê? A questão é muito simples: toda a lógica instrumental do acordo é brasileira.» [Jornal “Opção” (Brasil), 07.2016]
c)«There are 200 million of us, and not even 11 million of them [in Portugal],” says Tania de Souza Bastos, a Portuguese teacher and linguaphile in Rio. “It only makes sense that ours will be the world’s Portuguese. They have no choice.This bit of realpolitik is understood, if not relished, in Lisbon. “In Portugal, it’s obvious that people don’t feel very good that they are adopting the Brazilian norm, in most cases,” says João Vincente Faustino, a scholar with Portugal’s Instituto Camões (which promotes Portuguese globally) who is now a visiting lecturer on Portuguese at the University of Toronto. “In the background, you have the issue of, Are we being dominated by Brazil?”» [Jornal ‘The Globe and Mail (Canadá), 10.2013’]

 

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As variações da mentira – I

 

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”
Joseph Goebbels Ministro da Propaganda de Adolf Hitler

 

«All this was inspired by the principle—which is quite true within itself—that in the big lie there is always a certain force of credibility; because the broad masses of a nation are always more easily corrupted in the deeper strata of their emotional nature than consciously or voluntarily; and thus in the primitive simplicity of their minds they more readily fall victims to the big lie than the small lie, since they themselves often tell small lies in little matters but would be ashamed to resort to large-scale falsehoods. It would never come into their heads to fabricate colossal untruths, and they would not believe that others could have the impudence to distort the truth so infamously. Even though the facts which prove this to be so may be brought clearly to their minds, they will still doubt and waver and will continue to think that there may be some other explanation. For the grossly impudent lie always leaves traces behind it, even after it has been nailed down, a fact which is known to all expert liars in this world and to all who conspire together in the art of lying
— Adolf Hitler, “Mein Kampf”, vol. I, ch. X [“Big Lie”, Wikipedia]

——————

Na perspectiva dos acordistas, tudo se resume a seguir a táctica preconizada por Goebbels, a qual consubstancia na prática o “pensamento” teórico do seu alucinado chefe: uns quantos agentes  papagueiam, sistematicamente e à vez, como servindo-se num rodízio com patranhas em vez de acepipes, sempre as mesmas aldrabices básicas.

A táctica é de facto viável: basta repetir infinita e invariavelmente as mesmas tretas. E a técnica parece ser mesmo infalível: quanto maior e mais simples é a mentira, mais gente acredita nela — até porque ninguém concebe que “outros possam distorcer a verdade tão abominavelmente“.

Neste caso concreto, quanto ao AO90, prato principal do alucinado repasto, com CPLP e “lusofonia” por acompanhamento e decoração, sequer existe “distorção da verdade” — isto ele é só mentiras mesmo.

Das quais aqui temos as primeiras 5, algumas das principais, mais requentadas, mais repetidas e mais conhecidas — cuja colecção ficará, qual expositor de vitualhas podres, na nova página “Pseudologia Fantastica“.

 

1. O AO90 facilita ensino/aprendizagem, é mais fácil para as crianças. Mentira.
«Não fazia sentido, e essa foi a principal razão para adoptarmos o princípio da pronunciação. Se não houvesse essa diferença, com certeza que as consoantes teriam ficado. Além disso, do ponto de vista pedagógico-didáctico, para as crianças que começam a aprender a ler e a escrever, era mais fácil.» [Malaca Casteleiro, Observador, 02.2017] Mentira.

a) «Então, por causa dos tais dois mil para quem o conhecimento desta língua é útil, noventa e oito mil foram torturados e em vão sacrificaram um tempo precioso. (…) Daí que seria essencialmente mais útil se ao jovem estudante fossem transmitidos apenas os contornos gerais da língua (…) Evitar-se-ia também o perigo de, de toda a sobrecarga de matéria, apenas ficarem uns fragmentos na memória, uma vez que o jovem só teria de aprender o essencial, sendo assim feita antecipadamente a selecção do que é útil e inútil. (…) Ganhar-se-ia assim no currículo o tempo necessário para a educação física, bem como para as crescentes exigências nas áreas já atrás referidas.» [“Mein Kampf”, Adolf Hitler]
b) «Uma avaliação internacional apurou que os alunos portugueses do 4.º ano [i.é, 4.ª classe] pioraram na leitura. Em cinco anos a média desceu onze pontos, colocando Portugal em 30.° lugar entre 50 países […] O problema está nos resultados aos testes sobre literacia e a leitura. E aqui as crianças portuguesas entre os 9 e 10 anos descem 11 pontos em relação ao estudo anterior realizado em 2011. Na prática estão pior na leitura. («Má nota na leitura», Jornal da Noite, S.I.C., 5/XII/17.) Ora bem, em 2011, começaram a ensinar aos meninos o acordo ortográfico para a aprendizagem do português ser mais fácil. E foi.”» [Blog “Bic Laranja”, 12.2017]
c) «Porque chumbam os alunos logo no 2.º ano de escolaridade? A principal razão apontada é esta: “por não lerem bem e não terem atingido os objectivos estabelecidos no programa no que respeita à leitura e escrita”. » [“Público”, 05.2017]

2. O AO90 permite “expansão da Língua Portuguesa no mundo”. Treta.
«Fundamentalmente porque havia duas ortografias oficiais para a língua portuguesa, a brasileira e a portuguesa. Do ponto de vista da promoção internacional da língua, era prejudicial. Numa universidade ou instituição estrangeira onde se ensine o português, qual era a ortografia que se ia ensinar? A de Portugal? A do Brasil?» [Malaca Casteleiro, Observador, 02.2017]. Treta.

a) «Fecharam muitos dos leitorados nas universidades e esse espaço foi ocupado pelos Brasileiros”. No entender de Filipa Melo, “hoje o ensino de português no estrangeiro é feito por brasileiros”.» [Rádio Renascença, 04.2018]
b) «O que se passa em alguns sectores importantes da Cúria Romana revela precisamente a perda da importância de Portugal e da língua portuguesa. Em Março, por exemplo, a Congregação para a Causa dos Santos anunciou que deixaria de ter o português como língua oficial.» [DN, 09.2016]
c) «De acordo com a governante, a promoção do ensino e uso das línguas nacionais e a elaboração de estudos sobre a variante da Língua Portuguesa em Angola constam das acções prioritárias do sector a par de criação de infraestruturas, com vista ao desenvolvimento de uma indústria cultural forte e eficiente.» [DN/Lusa, 06.2017]

(mais…)

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5 de “maio”, dia da língua de vaca (e da cultura do feijão)

O “Dia da Língua Portuguesa (e da Cultura Lusófona)” é uma patranha inventada em 14 de Maio de 2005 pelos acordistas de serviço, portugueses e brasileiros (com a presença folclórica de representantes dos PALOP), no intuito de revestir de uma aparência “tradicional” e “histórica” a colossal manobra de genocídio linguístico (e cultural) a que alguns mafiosos chamam “acordo ortográfico”.

Citando a “Wikipédjia lusôfuna“, «O dia foi criado em 2005 durante uma reunião em Luanda, Angola, dos ministros da cultura de sete países lusófonos».

Tudo nesta ridícula “efeméride” é absurdo. O próprio conceito de “cultura lusófona” é absurdo: não significa absolutamente nada, porque semelhante coisa não existe, e não passa de um mais do que evidente oximoro, já que os termos da expressão contradizem-se entre si.

A transcrição que se segue não é, por conseguinte (e por excepção, neste Apartado), de uma notícia ou de qualquer outro tipo de peça jornalística sobre a Língua Portuguesa.

Trata-se de simples demonstração daquilo em que consiste a mais pura e dura propaganda — lavagem ao cérebro — em que se especializaram os membros, alguns cidadãos brasileiros e meia dúzia de mercenários portugueses, da repugnante seita acordista de cujo proselitismo imbecil apenas a imbecis pode escapar a absoluta ausência de conteúdo.

E de significado.

E de tino.

CPLP – Quantas línguas cabem na língua portuguesa?

Em Cabo Verde não se pode usar a expressão “pitada de sal”. No Brasil ninguém sabe o que é um autoclismo. Mas todos nos entendemos. Hoje é dia da Língua Portuguesa, que é falada por mais de 260 milhões de pessoas.

Em Cabo Verde não se pode usar a expressão “pitada de sal”. No Brasil ninguém sabe o que é um autoclismo. Mas todos nos entendemos. Hoje é dia da Língua Portuguesa, que é falada por mais de 260 milhões de pessoas

“Eu pergunto se ele vai de terno, ele me diz que não vai de fato. Eu uso calcinhas, que ele diz que são cuecas, ele usa boxers, que eu digo que são cuecas.” Parece caricatura mas não é. “Eu digo para de frescura e ele me diz não me venhas com fitas. Eu digo que ele não sabe porra nenhuma, ele diz que eu não sei a ponta de um corno.” Os problemas de comunicação da brasileira Ruth e do seu marido, o português Filipe, foram o tema da crónica semanal que ela assina no Estadão, no passado dia 22 de abril. O título era: “Eu digo “Brasiu”, ele diz “Purtugal””. E nela Ruth Manus elencava os vários equívocos provocados pelas diferentes línguas que eles usam, apesar de ambos falarem a mesma língua portuguesa.

“É tudo verdade”, garante Ruth Manus, advogada e escritora de 29 anos que vive em Portugal desde 2015. “Às vezes, eu pergunto uma vez, duas vezes, três vezes e continuo sem entender o que ele ou outra pessoa dizem e então simplesmente desisto.” Porque é que isto acontece? “Com o vocabulário eu já estou mais ou menos familiarizada, leio muito, os jornais, os livros. Mas para mim a dificuldade é mesmo a rapidez com que as pessoas falam e a maneira como falam, para dentro. Parece que é outra língua. Às vezes, penso que seria mais fácil falar em inglês, talvez porque eu desde logo presumisse que não fosse entender.”

É essa diversidade e ao mesmo tempo essa união que se celebram hoje, Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP. Entre os muitos eventos programados nos nove países de língua oficial portuguesa – que fazem desta a quarta língua mais falada no mundo – destaque para as celebrações em Nova Iorque, sede da ONU. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o humorista Ricardo Araújo Pereira e o escritor Onésimo Teotónio de Almeida são alguns dos que participam no programa, ao longo de todo o dia, nos Jardins das Nações, onde também serão evocados os 20 anos da atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao escritor português José Saramago.

Não é tradução, é adaptação

Como escritora, Ruth Manus tem uma tarefa complicada. “Se eu não trabalhasse com a escrita, não teria o menor problema em aportuguesar o meu português, eu até acho bonito. Mas eu não posso permitir que isso aconteça porque o meu público está preponderantemente lá no Brasil.” Ao mesmo tempo, Ruth começou também a publicar crónicas no Observador, em Portugal, e aí a sua preocupação é ser entendida: “Eu jamais vou tentar escrever em português de Portugal porque seria ridículo. Mas tomo alguns cuidados. No outro dia, eu ia escrever celular, depois lembrei-me que aqui se diz telemóvel, mas isso não seria natural para mim, então escrevi iPhone”, conta, rindo.

A jornalista brasileira Giuliana Miranda tem o mesmo problema. Giuliana tem 30 anos e mora em Portugal desde 2014. Quando publica na Folha de São Paulo tem de pensar nos seus leitores brasileiros: “Em alguns lugares do Brasil, rapariga é uma palavra muito feia, quer dizer prostituta, então, se um entrevistado português usasse a palavra muito provavelmente eu traduziria”. Por outro lado, quando participa no programa da RTP Mundo Sem Muros ou quando escreve artigos para o DN, confronta-se com outras dificuldades. Não se trata só de ter de usar autoclismo em vez de descarga ou casa de banho em vez de banheiro. No Brasil, diz-se Irã em vez de Irão. E canadense em vez de canadiano. E mesmo que tenha todas as palavras certas e a preocupação de usar sempre o Acordo Ortográfico, Giuliana percebe que os seus textos são muitas vezes corrigidos: “Eu não me importo, acho que a essência do que escrevo em português do Brasil está ali, mas tem de ser adaptado.”

“Claro que é maravilhoso a língua ser a mesma. Poder reclamar em português, poder xingar ou dizer o que eu gosto. Eu já morei nos Estados Unidos e apesar de falar bem inglês não é a mesma coisa do que a gente poder se expressar na nossa língua de origem”, diz Giuliana. Mas, ao mesmo tempo, não tem problemas em admitir que o português dos dois lados do Atlântico é tão diferente que quase parecem ser duas línguas: “Tem muita gente que leva a mal quando se diz que nós falamos brasileiro, mas eu não levo.” Ruth Manus concorda: “No Brasil existe uma certa mágoa, até ofensa, quando os portugueses dizem que a gente fala brasileiro, porque nós falamos português, a matéria da escola é língua portuguesa. Mas agora que estou cá eu já não me ofendo. Nós falamos brasileiro mesmo.”

[…]

Source: CPLP – Quantas línguas cabem na língua portuguesa?

 

Notas:

  1. A acordista fantochada referida na “peça” não passa de uma (triste) macaqueação das reais efemérides promovidas pela ONU. Existe o “Dia da Língua”, sim, mas apenas daquelas que são “Línguas de trabalho” da Organização: Inglesa (23 de Abril), Francesa (20 de Março), Árabe (18 de Dezembro), Chinesa (20 de Abril), Russa (6 de Junho), Espanhola (12 de Outubro).
  2. Propositadamente (é claro), para esta transcrição não utilizei a abençoada combinação de teclas Shift+F9, que a solução “Firefox contra o AO90” requer para corrigir automaticamente qualquer texto na Internet; portanto, a transcrição reflecte ipsis verbis a imitação rasca da cacografia brasileira constante daquele original de imprensa tuga brasilófona.
  3. Também propositadamente (é claro de novo), atrasei a publicação deste “post” para o dia seguinte ao da “comemoração” em causa. Não iria eu, jamais, participar de alguma forma — e nem mesmo a contrario — em tal vergonhosa palhaçada, um dos incontáveis números  protagonizados por palhaços, contorcionistas e malabaristas como Cavaco, Malaca, Sócrates, Bechara, Lula, Reis, Santana, Canavilhas e outros artistas de quejandos méritos circenses.
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FAQ AO90 — 3


13. Das quatro vias para acabar com o “acordo ortográfico”, qual a mais viável?

Dessas 4, que afinal são 5, se contarmos com a denúncia unilateral do AO90 enquanto Tratado internacional, existem duas muito semelhantes entre si e são ambas igualmente viáveis: em qualquer destes dois casos, a solução passará sempre pela apresentação de uma iniciativa legislativa — ou por um mínimo de 23 deputados ou por mais de 20.000 subscritores no caso de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC).

Seja de uma forma ou seja de outra, o objectivo terá de ser forçosamente a anulação do instrumento legal que ratificou o II Protocolo Modificativo (alterando este a redacção original do AO90) e que, assim, colocou em vigor o “acordo” na ordem jurídica nacional.

Instrumento legal esse (RAR 35/2008) que fez ainda mais do que “apenas”, ratificando o dito Protocolo, aceitar em nome de Portugal o golpe perpetrado pelo Brasil: a ratificação do Protocolo por apenas 3 Estados implica a automática entrada em vigor do AO90 em todos os oito Estados-membros da CPLP.

Portanto, só revogando aquela Resolução parlamentar será possível reverter a entrada em vigor do AO90 em Portugal; a anulação de qualquer outra legislação subsequente, decorrente e dependente da RAR 35/2008, seria inútil. Por exemplo, a revogação da RCM 8/2011 não teria quaisquer efeitos práticos, já que o AO90 continuaria legalmente em vigor.


14.  Em que diferem do “acordo ortográfico” brasileiro os casos Francês, Espanhol ou Alemão? Porque é que o Inglês nunca teve qualquer “acordo”?

Não existe a mais pequena similitude entre as reformas ortográficas dos países civilizados e aquilo que se passa em Portugal.

Primeiro, nenhuma das reformas ortográficas promovidas por outros países que não os terceiro-mundistas Brasil e Portugal é vinculativa ou obrigatória. Não contêm qualquer imposição — e muito menos implicam sanções para os “renitentes” –, visto que nenhuma dessas reformas é  compulsiva, como o AO90.

Segundo, tais reformas são a consequência natural e não a causa artificial das alterações ortográficas. Ou seja, os estrangeiros fixam a sua norma ortográfica, apenas quando absolutamente necessário, em função das naturais oscilações que porventura ocorram pela simples passagem do tempo. “As Línguas” evoluem, de facto, como tanto gostam de cuspilhar os acordistas portugueses, mas de forma natural e não por decreto.

O caso da Língua inglesa é algo completamente diferente. Evoluiu ao longo de 1.400 anos mas a sua ortografia mantém-se praticamente inalterada há vários séculos. Por alguma razão — ao invés do que dizem acordistas, com a sua alucinada teoria do facilitismo e da “expansão” — o Inglês é “só” a Língua mais falada (e escrita) no Ocidente e é “só” a lingua franca por excelência em todo o mundo. De resto, em todos os países do ex-Império britânico a ortografia e a etimologia são ponto de honra e motivo de orgulho; nos EUA e no Canadá, por exemplo, existem concursos nacionais, regionais e locais dedicados exclusivamente a soletrar: spelling bee.


15. Se existiu desde o início tanta resistência (e indiferença), porque é que o “acordo ortográfico” entrou em vigor?

Por uma questão de agenda: aos políticos implicados na tramóia e aos empresários gananciosos interessados nela (é a grande finança que paga as campanhas eleitorais e os tachos dos políticos) convinha que a coisa avançasse o mais depressa possível. Assim, primeiramente avançou a parte política do assunto — aprovação do II Protocolo Modificativo — preparando o terreno para que os grandes grupos editoriais, por exemplo, começassem de imediato a facturar. A expansão económica brasileira, tendo por objectivos primordiais Angola e a União Europeia (usando Portugal como trampolim, bem entendido), ficaria para mais tarde, a seu tempo.

Primeiro, era necessário garantir que o AO90 entrasse em vigor em todos os países da CPLP, fosse como fosse, à força, à má-fila.

Como os processos de ratificação tinham vindo a arrastar-se desde 1994, em todos esses países, então o Brasil e seus agentes em Portugal descobriram a pólvora: cozinhar uma espécie de adenda ao “acordo”, o II Protocolo Modificativo, passando a obrigatoriedade de ratificação do AO90 por todos os 7 para apenas 3 Estados-membros; ou seja, a ratificação por 3 Estados implicaria que o AO90 entraria em vigor oficialmente nesses 3… e também nos outros quatro, mesmo que não ratificassem coisa alguma (ratificar é diferente de simplesmente subscrever o AO90, são processos autónomos).

Assim, em 2004 o Brasil (é claro) ratificou, em 2005 Cabo Verde também e por fim São Tomé e Príncipe idem. Pronto, já está, o AO90 entrou em vigor em todos os Estados da CPLP por via administrativa, por imposição de países terceiros. Só faltava então a aquiescência de Portugal para dar um ar de legalidade ao golpe e assim enfiá-lo goela abaixo dos pategos portugueses.

Foi precisamente esta incrível vigarice que o Parlamento português sancionou, através da RAR 35/2008, entrando do mesmo passo o AO90 em vigor também em Portugal.
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FAQ AO90 — 2


7. Que fundamentos alegaram os inventores do “acordo ortográfico” para o justificar?

Três completos absurdos, basicamente:

Não há “unificação” alguma, muito pelo contrário: o AO90 originou ainda mais diferenças entre as duas normas, novos casos de duplas grafias (e triplas e quádruplas). Neste momento (2018) existem não duas mas três “normas”: PT-BR (Brasil), “acordês” (organismos do Estado e algumas empresas em Portugal) e PT-PT (Angola e Moçambique).

Não há qualquer tipo de “projecção e expansão”, acontece o oposto: fecham cada vez mais leitorados de Português no estrangeiro e diversos organismos internacionais extinguem o Português como Língua de trabalho ou institucional.

Não há “maior facilidade” na aprendizagem coisa nenhuma: no Ensino oficial em Portugal a confusão é total e o cAOs instalado afecta gravemente as crianças e jovens, confundindo-as estúpida e desnecessariamente. Não sendo imbecis ou retardados, os alunos portugueses estão mergulhados num caldo de instabilidade ortográfica no qual não só eles mas principalmente eles já não sabem ao certo como se escreve (ou lê). Por isto mesmo os resultados são cada vez piores desde que o AO90 passou a ser obrigatório nos exames.

E os estrangeiros que aprendem Português não são também, em princípio, atrasados mentais: o AO90, abolindo radicalmente a etimologia, afasta ainda mais o Português das demais Línguas de países europeus ex-colonizadores, em especial os das Línguas francesa, espanhola e inglesa.


8. Qual foi a ideia-base para sustentar tecnicamente o “acordo ortográfico”?

Uma ideia de jerico, evidentemente, na qual apenas fingem acreditar alguns idiotas ou pessoas que comem da gamela acordista: prescindir do critério etimológico (a raiz e a evolução ortográfica das palavras) substituindo-o pelo “critério” fonético (“o que não se pronuncia não se escreve”). Uma abominável cretinice, portanto, que jamais passaria pela cabeça de um francês, americano, inglês, espanhol, australiano ou canadiano, para citar apenas alguns povos que são “parvos” por ignorarem as maravilhas dos acordos ortográficos; ideias assim tão asininas, se bem que vendidas como “geniais”, jamais ocorreriam a qualquer cidadão daqueles atrasadíssimos países; só em Portugal e no Brasil, duas super-potências mundiais, como sabemos, existem “génios” capazes de esgalhar semelhante “genialidade”.

Consequência directa do “genial” critério fonético: como no Brasil a pronúncia é completamente diferente das de Portugal e PALOP, a suposta “unificação” resulta em milhares de novas duplas grafias.

Mas esta ideia de jerico deveria levar os ditos “génios” ainda mais longe: sendo o Brasil um país-continente, nada de mais natural do que, apenas ali, existam  “dialectos” — o que, segundo a máxima acordista “se não se pronuncia não se escreve”, deveria dar direito a 16 “ortografias” brasileiras diferentes. Fica a sugestão.

Claro que algum estratagema, de preferência suficientemente idiota para impingir a perfeitos cretinos, teria de ser inventado para mascarar as verdadeiras motivações — ambições políticas e económicas do Brasil — e por conseguinte os acordistas atiraram para o ar um dos absurdos disponíveis no seu arsenal de insanidades: o critério fonético “facilita imenso”.
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