Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: EUA

“OCTANAS: Ocorrência: Censurado pelo Público…”

Ocorrência: Censurado pelo Público…

Octávio dos Santos

… Ou, mais correctamente, por algumas pessoas no Público. Hoje, no meu (outro) blog Obamatório, publiquei o meu artigo «Histeria histórica»… integralmente, quando o objectivo inicial era apenas reproduzir do mesmo um excerto. E há mais de um mês: no passado dia 12 de Fevereiro enviei-o àquele jornal para ser editado, mas apenas electronicamente – a sua elevada dimensão (quase 14 mil caracteres) tornava a sua passagem a papel improvável, se não mesmo impraticável.

Porém, no dia 23, e depois de me ter garantido, em conversa por telefone no dia 20, que ele seria publicado a 22, Nuno Ribeiro enviou-me uma mensagem em que me informava de que, afinal, e após uma «avaliação», o meu texto não sairia. Em conversa por telefone posterior com o actual editor de opinião do Público perguntei-lhe repetidamente quem efectuara essa «avaliação» e o que se concluíra nela – isto é, quais os motivos concretos que haviam levado à reversão da decisão inicial. O meu interlocutor recusou-se a responder, reiterando que o meu artigo era «impublicável», e aconselhou-me a recorrer ao actual director, David Dinis. O que fiz…

… Por correio electrónico nesse próprio dia, 27 de Fevereiro, tendo recebido uma resposta a 8 de Março. Nela, finalmente, tive conhecimento da «justificação» para a reprovação de «Histeria histórica»: é «ofensivo»… não segundo DD, que alegou não o ter lido, mas sim segundo as tais pessoas – o editor de opinião, de certeza, e os directores-adjuntos, talvez – que fizeram a tal «avaliação». Na minha réplica desafiei o director a apontar-me específicas e indubitáveis calúnias, erros, falsidades, mentiras, contidas no meu artigo. Até ao momento não o fez (aliás, não voltou a responder-me) e também não mandou publicá-lo. Portanto, e como «quem cala consente», deve-se depreender que, lamentavelmente, optou por ratificar a decisão dos seus subordinados, atentatória da liberdade de expressão, minha e não só.

É a primeira vez, em mais de 20 anos de colaboração, que um artigo meu é recusado pelo Público. Já fui alvo de discriminação e de censura, tentadas e concretizadas, por vários indivíduos e instituições, mas nunca, até agora, tal acontecera a partir do jornal fundado por Vicente Jorge Silva. Fica desde já aqui a (primeira) denúncia… que, todavia, não esgotará a minha reacção a esta indigna, intolerável ocorrência.

Publicada por OCTÁVIO DOS SANTOS à(s) 8:30 da tarde

 

[Transcrição integral, incluindo “links”: OCTANAS: Ocorrência: Censurado pelo Público…]

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Sobre a Língua Portuguesa em Timor-Leste [“Tornado” online] 1/2

Timor_16

jornaltornado_logoLíngua de Camões em Timor-Leste: Quo Vadis?

parte 1/2

Texto: M. Azancote de Menezes, em Timor ·

17 Maio, 2016

Um investigador brasileiro da Universidade de Campinas, Alan Carneiro, escreveu um artigo “problematizador” sobre as políticas linguísticas em Timor-Leste, abordando também as tensões no campo da formação docente

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O autor, logo na introdução do seu estudo, referia, e passo a citar, «Ao chegar ao aeroporto de Díli, Timor-Leste, as placas de propaganda indicam uma complexa situação linguística: o anúncio de uma instituição financeira indonésia, o banco Mandiri, está em língua indonésia; curiosamente a propaganda do banco Australian and New Zealand (ANZ) está em português, a língua oficial; o de uma organização não governamental (ONG) norte-americana, Buy Local que actua no país, está em inglês, com a tradução para a língua oficial, o tétum».

No segundo parágrafo, Carneiro, desenvolvendo o seu pensamento em jeito de prosa, afirma: «ao percorrer a cidade, a diversidade de línguas utilizadas não só nas placas e sinalizações, mas também nos diversos contextos de interacção surpreende ainda mais: pessoas falando em tétum nas ruas, nas feiras e nas casas; professores portugueses e brasileiros ensinando e interagindo em língua portuguesa nas universidades e em cursos de formação de professores; trabalhadores internacionais dos mais diversos países conversando em inglês nos restaurantes, nas agências internacionais e nas sedes de ONG´s; comerciantes de diferentes nacionalidades, mas principalmente indonésios e chineses, utilizando a língua indonésia e o inglês, dentre estes últimos ainda se vê alguns que utilizam o hakka ou o yue, línguas vindas do sul da China que estão presentes no país desde tempos remotos».

Às citações mencionadas na introdução desta reflexão, independentemente de continuarem no seu todo a representar a realidade actual ou não, poderemos acrescentar outras, algumas caricatas. A carta de condução e o bilhete de identidade são entregues aos cidadãos em língua portuguesa e inglesa. O cartão de eleitor, tal como deviam estar todos os documentos, está em português e tétum, as duas línguas oficiais.

No entanto, vários formulários das universidades e outras instituições estão escritos em língua indonésia. Nos hospitais os médicos cubanos falam em espanhol. Outros profissionais de saúde comunicam em língua indonésia, tétum e alguns em português.

No espaço da classe política, caso do Parlamento Nacional, apesar dos documentos que por lá circulam estarem escritos em língua portuguesa e em tétum, os deputados discutem e abordam os diversos temas na língua tétum e alguns até em língua indonésia mas, raramente em português, devido à incapacidade de muitos deputados dominarem a língua portuguesa.

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«Apagamento deliberado das raízes portuguesas» [Carlos Fino, Facebook]

CarlosFino_FB_avatarO DILEMA DO MAZOMBO OU A DOENÇA DE NABUCO

por Carlos Fino

Facebook, 25.04.16

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Em dois anos de vivência nos Estados Unidos, no começo deste século, senti na pele aquilo a que o historiador e diplomata brasileiro Evaldo Cabral de Mello, reflectindo em Um Imenso Portugal sobre a obra de Joaquim Nabuco Minha Formação, designou por “dilema do mazombo”.

Mazombo era o vocábulo depreciativo pelo qual os portugueses nascidos no Reino, os reinóis, designavam os portugueses nascidos no Brasil. E estes, devido a essa circunstância, sentiam no espírito, como Nabuco o confessou, uma profunda dicotomia do sentimento pessoal de pertença, divididos que estavam entre os valores da América e os valores da Europa.

“Nós, brasileiros, e o mesmo se poderá dizer dos outros povos americanos, – escreveu aquele que foi o grande arauto da luta contra a escravatura – pertencemos à América pelo sentimento novo, flutuante do nosso espírito; e à Europa por suas camadas estratificadas”. Daí que, “desde que temos a menor cultura, começa o predomínio destas sobre aquele.”

E para acentuar ainda mais o dramatismo dessa dicotomia, concluía com esta fórmula magistral: “De um lado do mar, sente-se a ausência do mundo; do outro, a ausência do país”.

A este dilema daria mais tarde o iconoclasta modernista Mário de Andrade a designação sarcástica de “doença de Nabuco”.

Nascido em Portugal e aí formado, pessoalmente nunca tive dúvidas sobre o meu lugar de pertença; no entanto, vivendo nos Estados Unidos, deu para perceber com grande acuidade que essa dúvida se possa instalar no espírito daqueles que nascem de um dos lados do Atlântico, mas têm raízes no outro.

Ao contrário do velho continente, onde o peso do passado é dominante e na realidade está sempre presente, na América só há futuro e por isso, lá vivendo, tinha sempre falta do passado.

Ocorreram-me estas reflexões a propósito da passagem, dia 22, de mais um aniversário da chegada da frota de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, em 1500, efeméride que os brasileiros não celebram nem nunca celebraram, porventura por o considerarem um acontecimento nefasto.

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«Lusofonia económica» [Luciano Amaral, “CM”]

correio_da_manha_logoLusofonia económica

Andamos sempre com a Irlanda na boca mas o seu segredo foi não ter medo de americanos e ingleses.

Luciano Amaral

11.04.2016 00:30

A lusofonia económica anda mal. Vejam-se as coqueluches da elite político-económica portuguesa. O Brasil está devolvido ao colapso económico, político e institucional; Angola revelou na semana passada o desastre do seu capitalismo de monocultura petrolífera: caiu o preço do petróleo e foi logo preciso chamar o Fundo Monetário Internacional.

As esperanças que recorrentemente Portugal coloca no Brasil e em Angola tarde ou cedo confrontam- -se com a sua profunda disfuncionalidade social, económica e institucional. São essas disfuncionalidades que fazem esboroar rapidamente os seus aparentes êxitos económicos. O carinho por estes parceiros explica-se pelo facto de Portugal ser também um pouco como eles. O que é sobretudo visível nas elites do capitalismo rentista, que esperam, graças aos negócios com as elites idênticas desses países, perpetuar o ambiente de protecção e compadrio em que viveram até à crise. Veja-se, a título de exemplo, a história do Banco Espírito Santo e suas várias conexões angolanas (ESCOM, BESA…).

O medo que essas elites têm do capital de países mais desenvolvidos é o medo de se verem sujeitas a práticas empresariais mais transparentes e exigentes. Um exemplo que diz tudo é o da administração do recém-resolvido BANIF, cheia de medo do dinheiro espanhol mas ansiosa pelo da Guiné Equatorial: esperava certamente recebê-lo para tudo continuar como dantes, quartel-general em Abrantes.

As conexões lusófonas serão muito interessantes para essas elites. Para o comum dos portugueses, interessaria mais que o país se tornasse atractivo para investimento externo vindo de países que sabem fazer melhor as coisas. Andamos sempre com a Irlanda na boca, mas o seu segredo foi esse: não ter medo de americanos e ingleses. A crise de Brasil e Angola devia ser uma oportunidade para esquecermos essas fontes de dinheiro fácil.

Transcrição de: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/luciano_amaral/detalhe/lusofonia_economica.html

 

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O AO90 visto dos “States”

Virginia-flagOra aqui está (mais) um texto muito interessante vindo do estrangeiro (não “lusófono”), de novo revelando a surpresa ou até a estupefacção que o AO90 suscita em qualquer pessoa normal por esse mundo fora. Sem tergiversações nem meias palavras, esta tradutora americana enquadra a questão de uma forma desassombrada e frontal — coisa a que muito poucos portugueses se atrevem.

Em sinopse, vou já adiantando algumas expressões e palavras-chave, à laia de “appetizers” (entradas): o “acordo ortográfico” não é um acordo, é um Tratado internacional, privilegia a pronúncia e a ortografia do Brasil em detrimento das de Portugal, tratando-se por conseguinte de pura decisão política envolvendo “some money being handed back and forth” (dinheiro a mudar de mãos), ou seja, numa palavra, corrupção.

AlphaOmega_logoPortuguese Spelling Reform Still Creating Quite a Stir

February 25, 2016 |
By Sarah-Claire Jordan

Even before the French language committee had announced that there will be spelling changes implemented for around 2,400 French words, Portugal led the way in 1990 with a proposal to make Portuguese spelling more uniform across the different countries that speak it. This meant essentially favoring the Brazilian pronunciation and spelling of words, rather than the more traditional Portuguese spelling.

The part where this all gets more interesting is when you realize that this was not an agreement put forth by any sort of language committee, as is the case with the French spelling reform. This is an international treaty between the different Portuguese-speaking countries that was proposed by Brazil and has so far only been ratified by Portugal and Brazil. In that sense, given that it hasn’t been ratified and accepted by six of the other Portuguese-speaking countries, there is no legal basis to enforce any of these changes.

In Portugal, the newspapers and other media have been the first to take steps to implement these changes. They include the removal of certain consonants, such as “p” and “c”, when they are silent, plus the addition of the letters “k”, “w”, and “y” to the Portuguese alphabet, making it 26 letters instead of 23. There are also some new rules regarding accents, such as the removal of the diaeresis mark (as in “ü”) from the language.

The reasons behind the reform are a bit unclear, but the consensus seems to be that Brazil has become such a huge power in the Portuguese-speaking world, and thus can afford to ask for these kinds of changes. Supporters in Portugal believe the changes will affect trade relationships between the Portuguese-speaking countries and open up new markets in Brazil. Critics of the reform believe this is a purely political decision that was approved in Portugal by a corrupt prime minister, so there could be some money being handed back and forth.

A major problem right now is the dissonance between how the media and how other entities, such as schools, are taking the reforms. A famous newspaper in Portugal was the first to adopt the changes, but the results were a bit horrifying, as the texts were a mixture of old spelling, new spelling, and spelling that doesn’t exist. In other cases, the old and new spelling coexist in the same text, which is very confusing as there are basically two or more accepted ways to spell many words in Portuguese now.

Spelling rules imply that some words will now have two accepted forms of spelling, with the current spelling still being perfectly acceptable. However, we believe that, with time, the new spelling will be commonly accepted and used.

For the sake of terminology and style harmonization with past translations, Alpha Omega Translations will not be implementing these new, controversial spellings immediately. Progressive adaptations will, however, be implemented to adapt to on-going language trends and future usage as we think that language is a living organism that cannot be set in stone.

Throughout history, languages were born, started growing with time, and in some cases gave birth to different dialects or experienced death. Language has its own life. It develops depending on the environment it was born in, demonstrating to be unique in its sound system, spelling, vocabulary, and system of grammar. We are therefore committed to follow the trend and new rules.

[Transcrição integral de artigo, da autoria de Sarah-Claire Jordan, publicado em 25.02.16 no “site” da empresa de traduções americana Alpha Omega Translations (cidade de Alexandria, Estado da Virgínia). Acrescentei destaques, sublinhados e “links” ao texto. Imagem de topo copiada de  WDBJ7]

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