Etiqueta: França

Casa-grande e CPLP

Só resta a última razão, ou sem-razão, por que os senhores desprezam os escravos, que é a vileza e miséria da sua fortuna. Oh fortuna! E que mal considera a cegueira humana as voltas da tua roda? Virá tempo, e não tardará muito, em que esta roda dê volta, e então se verá, qual é melhor fortuna, se a vil e desprezada dos escravos, ou a nobre e honrada dos senhores. [Padre António Vieira, “Vigésimo Sermão do Rosário”]

 

 

Concordando-se ou não, no todo ou em parte, com aquilo que diz o autor, nomeadamente quando ilustra a sua tese com um episódio recente ocorrido no Bairro da “Jamaica” (Vale de Chícharos, Fogueteiro, Seixal), a verdade é que  — na minha simples opinião, claro — neste texto está claramente exposto e muito bem denunciado o carácter intrinsecamente neo-colonialista da CPLP.

Pena é que, talvez devido ao enraizado hábito de atirar sempre ao mesmo “colonizador” (ou seja, Portugal), Sérgio Dundão tenha omitido o verdadeiro nome da potência colonizadora que, servindo-se da CPLP como pano de vela (e do AO90 como alvará), pretende tomar posse administrativa do antigo Império Português, a começar pela respectiva sede; sempre a pretexto da “língua comum”, como sabemos, e escorando-se em efabulações avulsas nas quais fingem acreditar alguns mercenários portugueses.

Aliás, é esse carácter neo-colonialista, mesmo não o tendo feito consciente e deliberadamente, que o próprio autor formula como desfecho: «Cabe, portanto, à CPLP funcionar como uma demarcação dos antigos territórios coloniais, como um quintal idealizado pelo colonizador que serve de abrigo aos cidadãos e às empresas da casa grande, em tempos de crise.»

Exacto. “Casa-grande“. Faltou o hífen, se calhar por gralha ou abatido pelo AO90. O Brasil, portanto.

CPLP: Uma comunidade ilusória

A CPLP não assegura um tratamento paritário entre os cidadãos dos seus Estados-membros.

Sérgio Dundão
publico.pt

 

Os acontecimentos do Bairro da Jamaica mostram como a comunidade supostamente lusófona está alicerçada no equívoco do colonialismo tardio da pós-colónia. Esse colonialismo manifesta-se através da constituição de instrumentos políticos para actuar nos espaços africanos, nomeadamente a CPLP, os institutos culturais e as agências de desenvolvimento, que são uma autêntica réplica do modelo francês de projecção mundial na era global. A forma como a França se projecta no mundo acaba por reflectir, segundo Mbembe (na obra Sair da Grande Noite), a sua resistência em analisar e pensar a pós-colónia. Ao fazer esta projecção sem uma reflexão profunda, e até crítica, do seu papel no mundo, observa-se uma situação de exclusão da mundicidade que se encontra nas suas periferias e de não-aceitação do francês sem a matriz europeia.

Essa situação coloca-se igualmente no projecto português. Por exemplo, a CPLP projectou-se como uma plataforma de Estados falantes de língua portuguesa, mas a unidade linguística guineense e cabo-verdiana é em torno do crioulo, que constitui também uma marca portuguesa na medida em que é uma língua que resulta do cruzamento das línguas africanas com uma língua europeia. Mas os portugueses dificilmente reconhecem este património cultural, desejando somente projectar o português como o único instrumento linguístico na sua acção externa nos países africanos da CPLP. Por isso, na obra A Câmara, a Escrita e a Coisa Dita, Ruy Duarte de Carvalho considerou a CPLP como um mecanismo de demarcação de um território ao estilo dos machos no reino animal. O que constitui uma rejeição das línguas das comunidades africanas, fortemente enraizadas no espaço “lusófono”.

Portugal pretende assegurar um espaço de influência nos países africanos de forma a permitir que as suas empresas e cidadãos possam retornar em condições extremamente favoráveis aos lugares coloniais, sem o rótulo de colonizadores. Por isso, os quadros portugueses em Angola e Moçambique são hoje vistos como expatriados, representando um status migratório distinto dos africanos em Portugal, enquanto que os moradores do Bairro da Jamaica são meros imigrantes que vivem nos subúrbios. Em alguns casos são os antigos moradores dos “musseques” africanos que agora vivem nos guetos da exclusão e de esquecimento social.

Assim, a CPLP não assegura um tratamento paritário entre os cidadãos dos seus Estados-membros. Deixando que as comunidades africanas sejam vistas como incómodas, que nunca aceitaram submeter-se aos valores culturais europeus, tal como os indígenas africanos. O que reproduz uma velha modalidade colonial presente no discurso oficial e na imprensa: que existe uma falta de vontade por parte das comunidades africanas na inclusão e aceitação dos superiores valores europeus.

Essa perspectiva de superioridade cultural constitui uma negação da presença histórica dos portugueses no mundo, impedindo que a língua portuguesa seja assumida nas suas variações linguísticas e geográficas como um património comum. Por conseguinte, mesmo os membros das comunidades falantes de língua portuguesa com cidadania portuguesa são constantemente rejeitados por força da sua origem. Porque hoje já não basta ser cidadão português para se ser considerado um português (ou europeu) de plenos direitos, ideia já traçada por Mbembe a propósito da realidade francesa.

É sob esta perspectiva de rejeição de pertença que os acontecimentos do Bairro da Jamaica foram comentados, i.e., os polícias portugueses agrediram uma família angolana. Esta descrição mostra como a Europa tem vindo a cristalizar a distância entre negros e brancos (os de cá e os de lá). Este fenómeno pode ser explicado pelas vagas de africanos e asiáticos que chegaram ao continente europeu com o fim da colonização, cujos membros são igualmente rejeitados mesmo possuindo a cidadania europeia devido à sua origem não-europeia.

Tornando-se vital, sim, a protecção da população de origem europeia que ficou nos territórios colonizados, através da concessão de cidadania aos descendentes dos europeus. Prevalecendo, desta forma, o princípio de jus sanguinis. Por exemplo, os sujeitos africanos nascidos em Portugal, pelo facto de não pertença à origem europeia, não são tratados automaticamente como portugueses.

Observando essa realidade socio-histórica, torna-se “natural” acreditar que o tratamento dado aos moradores do Bairro da Jamaica faz parte dessa lógica de rejeição. Daí que a constituição de uma comunidade lusófona seja totalmente ilusória, porque está em vigor uma política identitária que visa preservar os europeus como sujeitos brancos e de uma só origem histórica e etno-social.

Cabe, portanto, à CPLP funcionar como uma demarcação dos antigos territórios coloniais, como um quintal idealizado pelo colonizador que serve de abrigo aos cidadãos e às empresas da casa grande, em tempos de crise.

[Transcrição integral de: «CPLP: Uma comunidade ilusória», por Sérgio Dundão, “Público”, 12.03.19. “Links”, destaques e sublinhados meus. Imagem de topo de: Prefeitura do Rio de Janeiro, via “ecompras Rio” (Brasil).]

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500 anos Barreiras (em pista coberta)


Já começamos a ficar um bocadinho fartos deste bacano (termo aqui aplicável com a devida carga de dignidade parlamentar) mas, dado voltar ele à carga com o seu querido “valor da língua” (este também só vê cifrões, como o Tio Patinhas) e com mais uma declaração de amor dedicada à sua verdadeira pátria, a terra do samba, bom, assim sendo, atão váláver o que lá vem desta.

Pois parece que, por entre dois ou três novíssimos “argumentos”, esgalha Barreiras, neste seu segundo textículo a seguinte verdadeira pérola de cultura: «No ano 1500, só um milhão de pessoas falava português no mundo.»

Eisch! C’um caneco, bálhamedeus, etc.! Isto é mesmo fantástico. Uma descoberta sobre as Descobertas, mas que maravilha: no ano 1500, “por coincidência” aquele em que Cabral largou âncora em terras de Vera Cruz, éramos só um milhão, no total, mas agora — certamente, evidentemente, devendo-se tão extraordinário fenómeno (demográfico) ao Brasil — somos para cima de um ror de gente a “falar português no mundo”, eia, há quem aponte para 240 milhões, ou assim, números redondos.

Descobriu Cabral o Brasil há 500 anos e descobre agora Barreiras que a História deu um salto de cinco séculos, em 1500 a população total do planeta não era afinal de 500 milhões. Deixemos os pormenores insondáveis (a Revolução Industrial, a máquina a vapor, a “pílula”, a mecanização maciça, a vacinação, )  para quem sabe umas coisas, como é o notório caso de Barreiras, ele há-de ter informações fidedignas sobre o senhor Taylor, o senhor Ford, o senhor Von Braun e outras personagens inventadas pelos suspeitos do costume.

Há 500 anos nós éramos “só” um milhão e agora somos mais de 260 milhões de “lusófonos”, eis a tese de Barreiras, de 1 vamos num pulinho a 240+IVA, e que se não fosse o Brasil mai-lo milagroso “acordo ortográfico” continuávamos a ser aquele triste milhãozito, e pronto, não se fala mais nisso, adiante.

Nota, porém, Barreiras, neste seu artigalho, com tremendo susto, que a coisa  terá emperrado algures. Chega mesmo ao inusitado ponto, Barreiras, de se queixar com excruciante amargura que é preciso  «resolver de uma vez por todas o que fazer ao chamado Acordo Ortográfico. Será um nado morto?»

Pois, Barreiras, ainda bem que pergunta.

É, Barreiras. É um nado-morto.

II) Monolinguismo – o analfabetismo do século XXI?

Na Sorbonne, o português é a terceira língua mais procurada, a seguir ao inglês e ao espanhol.

«Os preconceitos têm mais raízes do que os princípios».

Nicolau Maquiavel

No que respeita à aprendizagem de línguas estrangeiras, os dados disponíveis atestam que, ao contrário do percepcionado, não são muitas as pessoas na Europa que aprendem (aprenderam) e falam línguas estrangeiras (inglês e outras). Em 1970, 25% dos portugueses não sabiam ler e escrever. Essa percentagem é actualmente de 4% (ou seja, ainda meio milhão de pessoas com idade entre os 18 e os 65 anos).

No ranking EPI (English Proficiency Index) de 60 países, Portugal é o 14º (igual à Alemanha e Suíça) entre os melhores, apesar de tudo, a falar inglês. Os melhores são a Suécia, a Noruega, a Holanda, a Estónia, a Dinamarca, a Áustria e a Finlândia; os piores são o Chile, Marrocos, Colômbia, Equador, Venezuela, Jordânia, Tailândia, Arábia Saudita e Iraque.

Da Europa, os piores a falar inglês são os franceses e os italianos. No ano 1500, só um milhão de pessoas falava português no mundo. Em 2019, em todos os continentes, são mais de 260 milhões os que hoje falam português. Mais do que nós, nas línguas europeias, só o espanhol e o inglês. Em 2100 serão 400 milhões os falantes de português em todo o mundo. No Facebook e no Twitter, o português é a 3ª língua mais utilizada, e na Internet é a quarta. Países como o Senegal (que as estimativas assumem ir ter um grande aumento da população) já tem quase 50 mil alunos a aprender o português.

Em setenta dos quase duzentos países que o mundo tem, existem actualmente mais de duzentos mil estudantes de português. Na Sorbonne, o português é a terceira língua mais procurada, a seguir ao inglês e ao espanhol. Na China, a aprendizagem e o domínio da língua portuguesa estão em grande expansão e não só através de Macau. O português, língua com mais de oitocentos anos (desde o século XII), tem sido ao longo dos séculos um instrumento de identidade de vários estados e comunidades politicamente organizadas.

O monolinguismo, enquanto uma espécie de analfabetismo do século XXI, não pode servir para acabar e secundarizar (e/ou matar) línguas e dialectos. Antes pelo contrário. No caso do português, temos de ser mais inteligentes e corajosos na sua afirmação enquanto língua de poder. Língua falada e oficial nos principais fóruns internacionais (Nações Unidas, FMI, OCDE, Organização Mundial de Turismo, Organização Mundial do Comércio, Vaticano, etc.). O poder regulatório das políticas linguísticas à escala mundial tem um caminho a fazer e muitos objectivos a atingir.

Fora de Portugal, a língua portuguesa não pode ser apenas uma língua de ‘rua’, do ‘café’, do ‘centro comercial’, etc. Tem de ser também e acima de tudo uma língua da diplomacia, da economia, das cimeiras internacionais.

E neste domínio há muito a fazer. Desde logo, resolver de uma vez por todas o que fazer ao chamado Acordo Ortográfico. Será um nado morto? E já agora, quem cuida da ortofonia? E quem explica a alguns dos nossos ricos e profissionais das bolsas de estudo que não devem esquecer a sua língua materna? Isabelle Oliveira, vice-reitora da Sorbonne, diz que «um cientista que abandone a língua que lhe é mais familiar para realizar o seu trabalho nunca poderá alcançar o seu pleno ‘potencial’». Porque o valor das línguas maternas no mundo científico é muito relevante.

O dia 5 de Maio é o dia internacional da língua portuguesa. O dia 8 de Setembro é o dia internacional da literacia. Saibamos estar à altura não só da importância de ambas as datas mas também de projectar a importância do seu significado. Num tempo desafiante, em que o monolinguismo não pode significar o analfabetismo do nosso tempo – e o esmagamento da generalidade das línguas por uma língua dominante. Em particular, pelo inglês.

olharaocentro@sol.pt

[Transcrição integral. Semanário “Sol”, Feliciano Barreiras Duarte, 18.02.19, II) Monolinguismo – o analfabetismo do século XXI?. Destaques e sublinhados meus.As letras em falta no original do artigo foram automaticamente repostas pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

Gráfico de Keith Montgomery, Department of Geography and GeologyUniversity of Wisconsin USA

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Difusão e expansão da língua… francesa!

«Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o português é a 5ª língua mais falada no mundo, a 3ª mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul do planeta.» [Wikipédia (brasileira)]

 

French is climbing towards the top!

Publicado por The language nerds. em Domingo, 18 de Novembro de 2018

 

French is now the fifth most spoken world language and growing—thanks to Africans

Africans are making French a truly global language.

By Lynsey Chutel – 

 

French has moved up a place to become the world’s fifth most spoken language, thanks largely to the millions of Africans who speak it each day. There are now 300 million people on five continents who speak French, according to a recent by the Organisation Internationale de la Francophonie (pdf in French). French is ranked behind Chinese, English, Spanish and Arabic.

“The center of gravity of the Francophonie continues to move south,” the report found. The number of people speaking French has shown a steady increase: up nearly 9.6% since 2014. Measuring from 2010 to today, 22.7 million more people speak French: 68% of these are sub-Saharan Africa, while 22% live in North Africa. The Americas are home to 7% of the world’s French speakers, while Europe is home to only 3%.

Much of this is due to Africa’s age demographic, specifically the continent’s youth bulge. The daily use of French has increased by 17% on the African continent from the survey period 2010 to 2014, compared to an 11% growth in the rest of the world. In Asia and the Caribbean the daily use of French is decreasing, and this is largely due to education systems that no longer embrace the language as they did before, opting instead for Chinese or English.

A previous generation of African leaders have been criticized for their failure to introduce the official use of African languages, and yet it seems Africans today are ensuring that European languages remain relevant. Of the Africans who were surveyed by the francophone organization, between 80% and 100% expressed the desire to would want to pass the language on to their children.

French remains the sole official language in 11 African countries, and the second official language in 10. It is also the main or only language of instruction in schools in Benin, Burkina Faso, the Central African Republic, the Comoros, Congo-Brazzaville, the Democratic Republic of Congo, Côte d’Ivoire, Gabon, Guinea, Mali, Niger, Senegal and Togo.

In most of these countries, though, French is one of many languages spoken, which influence how the language is spoken. Nouchi in Côte d’Ivoire and Toli Bangando in Gabon were born out of urban francophone Africa, by young people who made the language their own by combining it with their vernacular languages.

It’s worth noting French, like English and Portuguese in other African countries, serves as a lingua franca in part because of the multitude of languages spoken in many African countries.

In the global economy, language is yet another form of power, and the lopsided relationship between France and its former African colonies already shows that even with the numbers, Africa remains weaker.  This is even as president Emmanuel Macron conceded that (link in French) “France is only one part of the French-speaking world,” and is does not “carry the fate of French alone.”

[Transcrição integral, incluindo imagens e “links”, de artigo publicado no “site” Quartz Africa. Destaques meus.]

«Fundamentalmente porque havia duas ortografias oficiais para a língua portuguesa, a brasileira e a portuguesa. Do ponto de vista da promoção internacional da língua, era prejudicial. Numa universidade ou instituição estrangeira onde se ensine o português, qual era a ortografia que se ia ensinar? A de Portugal? A do Brasil?» [Malaca Casteleiro, Observador, 02.2017]

 

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“Dinheiro vivo”

O “despacho” da agência Brasilusa que agora se reproduz tem tudo a ver com o artigo de opinião anterior. Basta ler aquele e depois este, de enfiada, e facílimo se torna concluir que estamos perante uma espécie de jogo de espelhos: o que um constata com amargura (o Brasil está a aniquilar as ancestrais relações culturais e linguísticas entre Portugal e os PALOP) o outro apresenta em triunfo como sendo uma “conquista” da organização brasileira CPLP mai-lo seu “império global”.

Mais uma alegre trupe de maluquinhos, está bem de ver; até metem Donald Trump ao barulho, qual verdadeiro artista que abrilhantará a festa. Tal é o desplante deste grupo excursionista especializado em “turismo linguístico” cujos membros, a expensas de alguns tugas deslumbrados, percorrem as estâncias de veraneio, os casinos e outros tipos de estabelecimentos de acesso VIP (“é favor usar gravata e não usar as mangas para assoar-se, seu labrego“) levando o samba, o fio dental e a aguardente de cana aos confins do mundo.

Uma espécie de Novas Descobertas pós-modernistas, sem caravelas nem padrões mas com imensa batucada e imensos gajos do futchibóu.

Lisboa, 11/7/2018 - Maria do Carmo Silveira posa na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de que é secretária executiva. Política são-tomense, foi primeira-ministra de São Tomé e Príncipe e chega em breve ao fim do seu mandato de dois anos à frente da CPLP. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Lisboa, 11/7/2018 – Maria do Carmo Silveira posa na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de que é secretária executiva. Política são-tomense, foi primeira-ministra de São Tomé e Príncipe e chega em breve ao fim do seu mandato de dois anos à frente da CPLP. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

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Líderes da CPLP reúnem-se para debater liderança global

Os líderes dos países de língua oficial portuguesa reúnem-se esta terça-feira depois do debate Geral da 73.ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque.
Os líderes de Portugal e dos Países de Língua Portuguesa reúnem-se esta terça-feira em Nova Iorque, depois das intervenções de abertura do Debate Geral da 73.ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O debate vai ser inaugurado esta terça-feira pelas 09:00 em Nova Iorque (14:00 em Lisboa) com a intervenção do Presidente do Brasil, Michel Temer. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também vai fazer uma intervenção na abertura do Debate Geral, seguido pelo Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, da França, Emmanuel Macron e do Irão, Hassan Rouhani, entre outros. À tarde, na continuação dos trabalhos, falará o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que segundo um comunicado da presidência moçambicana, vai apresentar o compromisso do país com a consolidação da paz e reconciliação nacional. O debate geral deste ano tem como tema: “Tornar a ONU relevante para todos: Liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis”. A reunião informal dos chefes de Estado e de governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem início às 16:00 locais, 21:00 em Lisboa, com uma duração esperada de duas horas e meia. Vão estar presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao lado dos representantes lusófonos. A reunião é promovida por Cabo Verde, país que assume a presidência temporária da CPLP. Hoje, o Presidente da República português participa também num evento de alto-nível sobre acção para a manutenção de paz. O ministro dos Negócios Estrangeiros participa num evento da ONU sobre a pena de morte e noutro sobre o combate à poluição provocada pelo plástico. O dia termina com o Jantar Transatlântico, promovido pelo Departamento de Estado norte-americano. O Presidente do Brasil participa também numa reunião de chefes de Estado dos países do Mercado Comum do Sul, mais conhecido como Mercosul, às 11:00 horas locais. Também hoje, realiza-se na ONU uma Reunião Ministerial do G4, com representantes da Alemanha, Brasil, Índia e Japão.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também vai fazer uma intervenção na abertura do Debate Geral, seguido pelo Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, da França, Emmanuel Macron e do Irão, Hassan Rouhani, entre outros. À tarde, na continuação dos trabalhos, falará o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que segundo um comunicado da presidência moçambicana, vai apresentar o compromisso do país com a consolidação da paz e reconciliação nacional. O debate geral deste ano tem como tema: “Tornar a ONU relevante para todos: Liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis”. A reunião informal dos chefes de Estado e de governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem início às 16:00 locais, 21:00 em Lisboa, com uma duração esperada de duas horas e meia. Vão estar presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao lado dos representantes lusófonos. A reunião é promovida por Cabo Verde, país que assume a presidência temporária da CPLP. Hoje, o Presidente da República português participa também num evento de alto-nível sobre ação para a manutenção de paz. O ministro dos Negócios Estrangeiros participa num evento da ONU sobre a pena de morte e noutro sobre o combate à poluição provocada pelo plástico. O dia termina com o Jantar Transatlântico, promovido pelo Departamento de Estado norte-americano. O Presidente do Brasil participa também numa reunião de chefes de Estado dos países do Mercado Comum do Sul, mais conhecido como Mercosul, às 11:00 horas locais. Também hoje, realiza-se na ONU uma Reunião Ministerial do G4, com representantes da Alemanha, Brasil, Índia e Japão.
[Transcrição parcial de “Líderes da CPLP reúnem-se para debater liderança global ”, publicado no jornal “Dinheiro Vivo” de 25.09.18. Destaques meus. A desortografia  abrasileirada do original  foi automaticamente corrigida pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]
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O AO90 e a “maravilhosa projecção internacional da língua” «unificada»

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

L’Angola lusophone fait les yeux doux au Commonwealth et à la Francophonie

 

Faire d’une pierre deux coups. C’est l’ambition du nouveau président angolais Joao Lourenço qui souhaite, contre toute attente, voir son pays, une ancienne colonie portugaise, intégrer à la fois la Francophonie et le Commonwealth britannique.

La mission ne s’annonce pas impossible, à en croire le chef de l’Etat, qui tente coûte que coûte d’attirer les investisseurs étrangers dans son pays producteur de pétrole, mais embourbé depuis des années dans une profonde crise économique.

Joao Lourenço en veut pour preuve le Mozambique, une autre ex-colonie portugaise qui a rejoint le Commonwealth en 1995.

“L’Angola n’est pas entouré de pays lusophones”, a-t-il benoîtement constaté pour justifier son initiative. Il est pressé au nord par la République démocratique du Congo et le Congo-Brazzaville, adeptes de la langue de Molière. Au sud et à l’est par la Namibie et la Zambie, pratiquants de celle de Shakespeare.

“Par conséquent, ne vous étonnez pas que nous demandions maintenant l’adhésion à la Francophonie et, dans quelques jours, au Commonwealth”, a lancé le président angolais lors d’une récente tournée diplomatique en Europe.

Londres a réagi avec enthousiasme à cette annonce surprise. “Formidable”, s’est extasié le chef de la diplomatie britannique Boris Johnson sur Twitter.

“Nous accueillons avec une grande satisfaction l’engagement du président Lourenço sur des réformes de long terme, la lutte contre la corruption, l’amélioration des droits humains. Au plaisir de l’accueillir bientôt au Royaume-Uni”, a-t-il lancé.

L’intégration au Commonwealth répond à des critères stricts. Sa charte insiste notamment sur “l’égalité et le respect de la protection et de la promotion des droits civils, politiques, économiques, sociaux et culturels” de ses membres.

La perspective d’y ajouter l’Angola réjouit Zenaida Machado, de l’organisation Human Rights Watch (HRW).

“Il devra adhérer à des règles et des principes qui, s’ils sont respectés, seront très bons pour le climat du pays”, se réjouit-elle, “pour nous c’est un bon signal”.

– “Bonne idée” –

Car, de l’avis des ONG, l’Angola n’est pas précisément un parangon de vertu démocratique.

Il sort à peine de trente-huit ans de règne autoritaire de Jose Eduardo dos Santos, qui a largement muselé ses adversaires politiques. Son successeur Joao Lourenço, issu du même parti, le MPLA, a promis d’éradiquer la corruption, mais la route reste longue sur la voie d’un changement de régime.

S’il a autorisé en mars une rare manifestation de l’opposition, sa police a encore été épinglée au début du mois pour avoir abattu sans autre forme de procès un suspect dans la rue.

A ce jour, seuls deux pays sans histoire coloniale commune avec le Royaume-Uni – le Mozambique et le Rwanda – sont membres du Commonwealth. Et ceux qui adhèrent en même temps à la Francophonie (84 membres) et au Commonwealth (53) se comptent sur les doigts des deux mains.

“C’est une bonne idée que l’Angola (les) rejoigne car la majorité des pays africains sont liés à ces organisations”, estime l’analyste politique Augusto Bafua Bafua. “L’Angola est déjà membre de la Communauté des pays de langue portugaise, mais cette organisation est très faible”, fait-il remarquer.

Dans les rues de Luanda, les Angolais, qui se débattent au quotidien avec un chômage de masse et une forte inflation, s’interrogent pourtant sur l’impact de telles adhésions.

“L’Angola fait déjà partie d’organisations similaires et les avantages ne sont pas visibles”, estime Augusto Pedro, chômeur de 36 ans. “Le portugais n’est pas parlé par toute la population, donc on devrait se battre pour rejoindre ces communautés”, nuance un autre habitant, Manuel Joao, 28 ans.

L’opposant Rafael Marques, lui, reste très perplexe. “Les gens en Angola peuvent à peine écrire portugais parce que le système éducatif s’est effondré”, constate-t-il, “si on ne peut pas éduquer son peuple dans la langue officielle, à quoi bon rejoindre deux autres communautés de langue ?”

Alors Rafael Marques, féroce critique du parti au pouvoir, avance une autre explication. “Cette annonce sympathique va lui faire gagner des points dans les médias”, cingle-t-il.

Source: L’Angola lusophone fait les yeux doux au Commonwealth et à la Francophonie

https://twitter.com/BorisJohnson/status/1004039780076748802?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Feco.pt%2F2018%2F06%2F06%2Fboris-johnson-confirma-no-twitter-angola-quer-juntar-se-a-commonwealth%2F

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Afinal nAO!

Mesmo com a misteriosa ausência de Malaca Casteleiro, esta previsível cilada de todos contra um (tipo “moche” de pancadaria, ou “arreia nesse gajo, caia, caia”) acabou, afinal, por não correr nada mal ao único anti-acordista do painel e, portanto, saiu a ganhar a Causa anti-AO90.

Afinal, milagrosamente, mesmo fumegando já o caldeirão para cozer a vítima em fogo lento, desenvencilhou-se muitíssimo bem o suposto pitéu e chegou até, ele próprio, a chamuscar os salivantes canibais. Não aconteceu felizmente mais uma fantochada, enganei-me no vaticínio e ainda bem, o que resultou foi uma excelente acção de agitprop contra o “acordo”.

Afinal, apesar de em esmagadora maioria (4 para 1), mesmo tendo sido escolhidos a dedo, os acordistas levaram um verdadeiro baile de bola e ficaram a falar sozinhos, ou, melhor formulando, limitaram-se a recitar a ladainha do costume perante uma plateia que fazia um tremendo esforço para não rebentar a rir com as baboseiras.

Contra.o.Acordo Ortográfico
Published on Jun 6, 2018
No âmbito do ciclo de debates “Ensino Superior, Ciência e Sociedade”, a Universidade da Beira Interior (UBI) promoveu o debate “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” com a presença de Nuno Pacheco (Redactor principal do jornal “Público”), Fernando Paulouro Neves (escritor e jornalista), Henrique Manso (Departamento de Letras da Faculdade de Artes e Letras da UBI) e Eduarda Maria Andrade (professora). Vídeo gentilmente cedido pela Universidade da Beira Interior.

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