Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: França

O AO90 e a “maravilhosa projecção internacional da língua” «unificada»

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

L’Angola lusophone fait les yeux doux au Commonwealth et à la Francophonie

 

Faire d’une pierre deux coups. C’est l’ambition du nouveau président angolais Joao Lourenço qui souhaite, contre toute attente, voir son pays, une ancienne colonie portugaise, intégrer à la fois la Francophonie et le Commonwealth britannique.

La mission ne s’annonce pas impossible, à en croire le chef de l’Etat, qui tente coûte que coûte d’attirer les investisseurs étrangers dans son pays producteur de pétrole, mais embourbé depuis des années dans une profonde crise économique.

Joao Lourenço en veut pour preuve le Mozambique, une autre ex-colonie portugaise qui a rejoint le Commonwealth en 1995.

“L’Angola n’est pas entouré de pays lusophones”, a-t-il benoîtement constaté pour justifier son initiative. Il est pressé au nord par la République démocratique du Congo et le Congo-Brazzaville, adeptes de la langue de Molière. Au sud et à l’est par la Namibie et la Zambie, pratiquants de celle de Shakespeare.

“Par conséquent, ne vous étonnez pas que nous demandions maintenant l’adhésion à la Francophonie et, dans quelques jours, au Commonwealth”, a lancé le président angolais lors d’une récente tournée diplomatique en Europe.

Londres a réagi avec enthousiasme à cette annonce surprise. “Formidable”, s’est extasié le chef de la diplomatie britannique Boris Johnson sur Twitter.

“Nous accueillons avec une grande satisfaction l’engagement du président Lourenço sur des réformes de long terme, la lutte contre la corruption, l’amélioration des droits humains. Au plaisir de l’accueillir bientôt au Royaume-Uni”, a-t-il lancé.

L’intégration au Commonwealth répond à des critères stricts. Sa charte insiste notamment sur “l’égalité et le respect de la protection et de la promotion des droits civils, politiques, économiques, sociaux et culturels” de ses membres.

La perspective d’y ajouter l’Angola réjouit Zenaida Machado, de l’organisation Human Rights Watch (HRW).

“Il devra adhérer à des règles et des principes qui, s’ils sont respectés, seront très bons pour le climat du pays”, se réjouit-elle, “pour nous c’est un bon signal”.

– “Bonne idée” –

Car, de l’avis des ONG, l’Angola n’est pas précisément un parangon de vertu démocratique.

Il sort à peine de trente-huit ans de règne autoritaire de Jose Eduardo dos Santos, qui a largement muselé ses adversaires politiques. Son successeur Joao Lourenço, issu du même parti, le MPLA, a promis d’éradiquer la corruption, mais la route reste longue sur la voie d’un changement de régime.

S’il a autorisé en mars une rare manifestation de l’opposition, sa police a encore été épinglée au début du mois pour avoir abattu sans autre forme de procès un suspect dans la rue.

A ce jour, seuls deux pays sans histoire coloniale commune avec le Royaume-Uni – le Mozambique et le Rwanda – sont membres du Commonwealth. Et ceux qui adhèrent en même temps à la Francophonie (84 membres) et au Commonwealth (53) se comptent sur les doigts des deux mains.

“C’est une bonne idée que l’Angola (les) rejoigne car la majorité des pays africains sont liés à ces organisations”, estime l’analyste politique Augusto Bafua Bafua. “L’Angola est déjà membre de la Communauté des pays de langue portugaise, mais cette organisation est très faible”, fait-il remarquer.

Dans les rues de Luanda, les Angolais, qui se débattent au quotidien avec un chômage de masse et une forte inflation, s’interrogent pourtant sur l’impact de telles adhésions.

“L’Angola fait déjà partie d’organisations similaires et les avantages ne sont pas visibles”, estime Augusto Pedro, chômeur de 36 ans. “Le portugais n’est pas parlé par toute la population, donc on devrait se battre pour rejoindre ces communautés”, nuance un autre habitant, Manuel Joao, 28 ans.

L’opposant Rafael Marques, lui, reste très perplexe. “Les gens en Angola peuvent à peine écrire portugais parce que le système éducatif s’est effondré”, constate-t-il, “si on ne peut pas éduquer son peuple dans la langue officielle, à quoi bon rejoindre deux autres communautés de langue ?”

Alors Rafael Marques, féroce critique du parti au pouvoir, avance une autre explication. “Cette annonce sympathique va lui faire gagner des points dans les médias”, cingle-t-il.

Source: L’Angola lusophone fait les yeux doux au Commonwealth et à la Francophonie

https://twitter.com/BorisJohnson/status/1004039780076748802?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Feco.pt%2F2018%2F06%2F06%2Fboris-johnson-confirma-no-twitter-angola-quer-juntar-se-a-commonwealth%2F

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Afinal nAO!

Mesmo com a misteriosa ausência de Malaca Casteleiro, esta previsível cilada de todos contra um (tipo “moche” de pancadaria, ou “arreia nesse gajo, caia, caia”) acabou, afinal, por não correr nada mal ao único anti-acordista do painel e, portanto, saiu a ganhar a Causa anti-AO90.

Afinal, milagrosamente, mesmo fumegando já o caldeirão para cozer a vítima em fogo lento, desenvencilhou-se muitíssimo bem o suposto pitéu e chegou até, ele próprio, a chamuscar os salivantes canibais. Não aconteceu felizmente mais uma fantochada, enganei-me no vaticínio e ainda bem, o que resultou foi uma excelente acção de agitprop contra o “acordo”.

Afinal, apesar de em esmagadora maioria (4 para 1), mesmo tendo sido escolhidos a dedo, os acordistas levaram um verdadeiro baile de bola e ficaram a falar sozinhos, ou, melhor formulando, limitaram-se a recitar a ladainha do costume perante uma plateia que fazia um tremendo esforço para não rebentar a rir com as baboseiras.

Contra.o.Acordo Ortográfico
Published on Jun 6, 2018
No âmbito do ciclo de debates “Ensino Superior, Ciência e Sociedade”, a Universidade da Beira Interior (UBI) promoveu o debate “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” com a presença de Nuno Pacheco (Redactor principal do jornal “Público”), Fernando Paulouro Neves (escritor e jornalista), Henrique Manso (Departamento de Letras da Faculdade de Artes e Letras da UBI) e Eduarda Maria Andrade (professora). Vídeo gentilmente cedido pela Universidade da Beira Interior.

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As variações da mentira – II

As primeiras cinco poderão ter sido um pouco incomodativas, com estas outras cinco o incómodo passará talvez à fase do enjoo. Suponho que no fim da tareia, completados uns 20 “assaltos” de 3 minutos (se não houver prolongamento), qualquer pessoa normal sentir-se-á completamente estonteada, nauseada, prestes a vomitar. Efectivamente, a imaginação delirante dos mentirosos compulsivos, quando “servida” assim, em “rounds” consecutivos e sistemáticos, deita qualquer um abaixo, põe-nos de rastos… por momentos.

Claro que já todos ouvimos e lemos inúmeras vezes todos estes violentíssimos insultos à nossa inteligência, equivalentes a murros no estômago e patadas na cabeça. mas uma coisa é levar com a agressividade doentia dos aldrabões acordistas de forma esparsa e esporádica e outra coisa bem diferente é seriar, enumerar, esquematizar-lhes as pancadas.

 

6. Não existe “brasileiro”, apenas existe “português do Brasil”. Mentirola.
«Há poucos dias, o provedor da Santa Casa da Misericórdia estava no emblemático Empire State Building, em Nova Iorque, quando viu algo que não lhe agradou. «Lá em baixo havia uma placa a dizer: ‘Vídeo disponível em alemão, inglês, italiano, espanhol, brasileiro’. Com a bandeira do Brasil. Confesso que fiquei transtornado» [“Sol”, 06.2016] Mentirola.

a) «Norma culta portuguesa contra o brasileiro: Para o linguista, as preocupações do governante estão relacionadas com as “questões da norma culta portuguesa contra o brasileiro“, que também estiveram na base de muitas das críticas nacionais à aplicação do acordo.» [Malaca Casteleiro, “DN”, 11.2016]
b) «A maioria dos brasileiros não tem qualquer relação com Portugal. Existe um certo desprezo. O que vai acontecer é que vamos cada vez mais distanciar-nos, o português de Portugal vai acabar por ser um mero dialecto da língua brasileira.» [Luiz Ruffato, jornal “Hoje Macau”, 03.2016]
c) «
O Brasil salvará o português? Infelizmente, não. Uma política errada de falta de cooperação separou já o português do Brasil do português de Portugal de forma irreversível. Em termos escritos, o português do Brasil é hoje uma língua estranha e estrangeira. Com os seus duzentos milhões de falantes, o português do Brasil sobreviverá, sem que com isso salve o nosso português.» [Jorge Fonseca de Almeida, “Jornal de Negócios”, 02.2018]

7. O AO90 extingue duas normas ortográficas, passando a haver uma única. Aldrabice.
«Em segundo lugar, a harmonização ortográfica nos países da CPLP é fundamental para que os cerca de 250 milhões de falantes, presentes em comunidades portuguesas no estrangeiro, nos países de língua oficial portuguesa ou, ainda, integrados no crescente número de pessoas que procuram a língua portuguesa por outras razões, possam comunicar utilizando uma grafia comum.» [RCM 8/2011] Aldrabice.

a) «A versão 3.6 do LanguageTool inclui também suporte ao Acordo Ortográfico de 90 e às variantes do português utilizadas em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Macau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.» [Revista PC Guia, 12.2016]
b) Não há “unificação” alguma, muito pelo contrário: o AO90 originou ainda mais diferenças entre as duas normas, novos casos de duplas grafias (e triplas e quádruplas). Neste momento (2018) existem não duas mas três “normas”: PT-BR (Brasil), “acordês” (organismos do Estado e algumas empresas em Portugal) e PT-PT (Angola e Moçambique). [Apartado 53, FAQ]
c) «De qualquer modo, mesmo em relação ao Brasil, não se trata de uma simples questão de ortografia, é o léxico e a sintaxe, que são muito diferentes. Um livro de Portugal, para os brasileiros, que inovam muito em termos linguísticos, soa sempre a arcaico. É muito difícil exportar para lá. » [Francisco Vale (editor), “Jornal de Leiria”, 02.2018]

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Acordo ortográfico para totós – 4

populaire_2012Como vamos vendo, lendo e ouvindo, o AO90 é um verdadeiro festival de aldrabices. Uma das mentiras mais desconchavadas — e a mais sistematicamente repetida, por sinal — é a da “ortografia unificada”, essa gigantesca patranha impingida a papalvos como insinuação de que já “só falta um bocadinho assim” para “termos” uma “língua única”, o fabuloso “português universal” que irá “promover a língua portuguesa no mundo”, em especial porque, entre outras maravilhas, aquela espécie de “patuá universal” vai passar a ser “língua oficial da ONU”, ena, ena, mas que luxo de peta.

O mais espantoso não é que os aldrabões acordistas aldrabem, pois claro, estão no seu elemento natural de vendedores de banha-da-cobra, aquilo que de facto surpreende no embuste   malaquenho-bechariano é que alguém (em seu perfeito juízo) consiga engolir tais enormidades, tão intragáveis aldrabices.

Aqui fica mais uma demonstração prática de como aqueles fulanos mentem com quantos dentes têm na boca: vejamos dois “trailers” do mesmo filme, neste caso, ‘A Dactilógrafa’ (“Populaire”, de Régis Roinsard, 2012); nem é preciso indicar qual deles é para promoção do filme em Portugal e qual o que serve para o mercado brasileiro.

Ambos os “trailers” são exactamente os mesmos e têm sensivelmente a mesma duração: a legendagem  da versão tuga está acordizada (o AO90 não é obrigatório coisa nenhuma mas o tuga adora vergar a mola) e a versão brasileira está em… brasileiro. Qualquer pessoa (normal) pode verificar com toda a facilidade: as legendas são completamente diferentes!

Pois claro. Nada de surpreendente. Mesmo estando já a versão portuguesa adulterada segundo os ditames brasileiros (e, ainda assim, divergente), o que aqui temos é sintaxe diferente e  léxico diferente; portanto, duas traduções que pouco ou nada têm em comum.

“Língua universal”? O tanas!

A propósito: como é que se diz “o tanas” em brasileiro?

 

 

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«Les guerres de l’ortografia» [“VilaWeb” (Catalunha)]

Les guerres de l’ortografiavilaweb_logo

Per: Redacció

02.10.2016 22:00

La polèmica i el debat social ha acompanyat la reforma ortogràfica d’algunes llengües europees com ara el portuguès, el francès o l’alemany.

La confirmació que el IEC prepara una reforma ortogràfica i la presentació del Diccionari Normatiu de l’AVL han posat sobre la taula la reforma de l’ortografia del català, fixada per Pompeu Fabra, promulgada pel IEC el 1913 i assumida per tots els Països Catalans des de l’aprovació de les Normes de Castelló, el 1932.

El català va fixar l’ortografia fa un segle i ara sembla que s’afegeix a la reforma que unes quantes llengües europees han fet aquests últims anys. En el cas del portuguès, de l’alemany o del francès, per exemple, les reformes ortogràfiques recents han anat acompanyades ben sovint de molta polèmica. En la majoria de casos la proposta de ‘simplificar’ l’ortografia ha topat amb la resistència ferotge dels qui consideraven que això equivalia a empobrir el llegat cultural i la llengua mateixa. I en molts casos el debat ha pres una dimensió social que ha superat de molt els límits de l’acadèmia.

El portuguès, una batalla geopolítica global

Un cas especial és el del portuguès, en què la reforma ortogràfica fou motivada per la divergència en les regles que s’aplicaven a Portugal i al Brasil. La llengua va originar-se a Portugal, però és al Brasil on hi ha la gran majoria de parlants.

El 1911 la nova república portuguesa va encarregar a una comissió d’experts que fixés la nova ortografia de la llengua, i tots els territoris de parla portuguesa la van acceptar, excepte Galícia i el Brasil. El Brasil va establir unes regles pròpies el 1938, seguint en bona part les de la reforma de Portugal, però amb algunes diferències molt estridents. Els brasilers adduïen que ningú no els havia consultats res el 1911, per més que eren la majoria de parlants del portuguès i, per tant, no es consideraven vinculats a la reforma feta des de Portugal, dita de Gonçalves Viana. El 1971 una nova reforma al Brasil va introduir-hi encara més canvis, i reduí d’una manera molt dràstica les paraules que duien accent. Portugal va dubtar i el 1973 en va acceptar alguns, però no pas tots. Finalment el Brasil va convidar tots els estats lusòfons a elaborar conjuntament una reforma, el 1986. En fou el resultat una reforma molt radical que eliminava pràcticament tots els accents, aguts i circumflexos. Però ni els escriptors ni els mitjans no la van acceptar i la reforma, tot i que es va aprovar, no es va arribar a implantar.

Prova n’és que quatre anys després els mateixos estats van proposar una reforma més suau que finalment va entrar en vigor el 2009, amb un període de sis anys per a aplicar-la, que tot just ha acabat ara. Aquesta reforma ha estat més ben rebuda pels mitjans i pels escriptors, però encara mou polèmica i té, a més, un curiós problema legal, perquè es basa en un tractat subscrit pels estats lusòfons. Doncs bé, com que la llei internacional estipula explícitament que un tractat en vigor no es pot canviar, l’ortografia portuguesa ratificada és l’anterior!

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«Que cache la réforme de l’orthographe ?» [“Le Figaro” (France)]

Mais uma notícia sobre a “reforma ortográfica” do Francês em que de novo ficamos estarrecidos com a incrível semelhança entre a gaulesa fantochada e a malaquenha imbecilidade: as mesmas golpadas de vaidosos patológicos, os mesmos golpes de Estado (e de estado), os mesmíssimos absurdos para justificar o injustificável, para enganar tolos com bolos, para insultar, em suma, a inteligência das pessoas normais.

Lá como cá alguns julgam que os demais são feitos da mesma massa esponjosa que enche seus crânios de alforreca.

Le_Figaro_logo

Que cache la réforme de l’orthographe ?

Par Alice Develey
Mis à jour le 30/08/2016 à 15:11
INTERVIEW – L’orthographe est en proie à de grands changements : disparition partielle de l’accent circonflexe, simplification graphique de 2400 mots… Pourquoi de telles modifications ? A-t-on raison de parler de nivellement par le bas ? L’écrivain et professeur de lettres classiques Julien Soulié répond au Figaro.

La réforme de l’orthographe prendra effet dans quelques jours. Le 1er septembre exactement. Tous les manuels scolaires sont concernés. Y compris leurs «apprenants».

Comme des milliers d’étudiants qui s’apprêtent à faire leur rentrée des classes, des millions de francophones vont voir leur quotidien changer avec l’apparition de 2400 nouveaux mots. Du moins 2400 simplifications. Parmi les principaux points, la réforme ne rendra plus obligatoire l’accent circonflexe sur le «u» et le «i», elle excusera le «f» de «nénufar» et permettra la suppression du trait d’union. Adieu donc les «extra-terrestres», les «porte-clés» et les «pique-niques».

Jugée irrecevable pour les puristes et les amoureux de la langue française, la nouvelle réforme de l’orthographe n’en reste pas moins adoptée. Que faut-il penser de cette simplification? Que cache-t-elle vraiment? A-t-on raison de s’en inquiéter? Julien Soulié, professeur de lettres classiques et auteur de La nouvelle orthographe, Les 2400 mots qui changent, analyse ce bouleversement linguistique.

LE FIGARO – Pourquoi cette réforme de l’orthographe intervient-elle maintenant, en 2016?

Julien Soulié – En réalité, cette réforme n’est pas nouvelle. Elle date d’il y a 25 ans. On l’a simplement ressortie des cartons. Alors pourquoi maintenant? On se demande bien pourquoi. D’autant plus qu’il y a des mots dont on propose la modification, qui ont déjà vu leur orthographe changer par l’usage, ou qui sont totalement obsolètes. Le mot «tagliatelle» par exemple s’écrit depuis des années avec un «g» et les réformateurs proposent de lui en enlever un…

En fait, je pense que cette réforme coïncide avec celle du collège, introduite par la ministre de l’éducation Mme. Vallaud-Belkacem. C’est une concomitance qui me paraît quelque peu hasardeuse… Je me demande si celle-ci n’aurait pas été pilotée par le ministère de l’éducation nationale. Est-ce qu’elle ne servirait pas à faire diversion, pour ne avoir à parler d’autre chose?

Qu’en pensent les élèves?

J’en avais parlé avec mes troisièmes en cours de latin. Je leur avais expliqué que certains mots allaient changer, dont «oignon» qui s’écrirait désormais sans son «i». Je peux vous assurer que s’ils ne sont pas forcément tous très bons en orthographe, tous se sont récriés. Et vous ne pouvez pas imaginer avec quelle violence et quelle passion! Je m’attendais à de l’indifférence ou au contraire à une acceptation plutôt franche, mais ce ne fut pas du tout pas le cas.

Pourquoi cette réaction selon vous?

Vous savez, on les ennuie tellement avec l’orthographe que lorsqu’ils l’ont acquise et qu’on leur dit finalement «non, il va falloir en changer», c’est un peu rayer d’un trait de plume tout ce pourquoi ils ont sué et fait des efforts. Vous annihilez des années de travail… Mais je suis réaliste, je pense que cette réforme cache aussi la déshérence de l’orthographe et de la grammaire chez les jeunes. En effet, j’ai lu dans une étude que les élèves de cinquième avaient aujourd’hui, en 2016, le même niveau scolaire que des élèves de CM2 dans les années 1980.

Il s’agirait donc d’un nivellement par le bas avec cette réforme?

Plutôt que d’essayer de faire progresser les élèves en orthographe, on change l’orthographe. On a effacé le problème au lieu de le prendre à bras-le-corps. C’est comme si pour l’histoire de France, on disait: «Comme il est trop difficile de retenir des dates, on va les supprimer». Ça n’a pas de sens.

En fait si l’on est contre la réforme, on considère que ce changement c’est déjà trop de changement. On a changé des mots qui n’avaient pas forcément besoin de l’être. En revanche, si l’on est pour la réforme on peut considérer que les réformateurs n’en ont pas fait assez. Ils ont modifié a minima, en introduisant parfois des anomalies. Par exemple, «porteclés», «portemonnaie» seront soudés, mais d’autres composants avec le mot «porte» resteront avec leur trait d’union. Sous couvert de simplifier, les réformateurs rendent en réalité l’orthographe encore plus compliquée. On en arrive à des constructions absurdes…

N’aurait-on pas finalement voulu adapter notre orthographe à toutes celles et ceux qui ne la maîtrisent pas?

Cette simplification pourrait en effet aider les francophones ou du moins les étrangers à apprendre le français. Mais il ne faut pas être dupe, toute langue a ses difficultés. L’anglais a une prononciation extrêmement difficile par exemple. Il y a plusieurs graphies pour un seul son et plusieurs sons pour une seule graphie. Mais les anglais n’ont pas réformé leur langue pour nous. Ni même les allemands. Ils n’ont pas supprimé leurs déclinaisons sous prétexte que c’était difficile à apprendre pour les étrangers.

Est-ce que cette réforme apportera un véritable changement?

Je ne pense pas que le changement puisse se faire en légiférant et que le pouvoir politique doive d’ailleurs avoir une influence sur la langue. La modification de la langue se fait naturellement, dans l’usage de tous les jours, dans la communication, par les écrivains, l’Académie… Lorsque l’usage a entériné une certaine forme, il est difficile de revenir en arrière.

Que symbolise cette volonté de toucher à la langue française?

La langue est notre plus grand dénominateur commun. C’est important de se retrouver là-dessus. C’est une valeur refuge. On est dans une société qui est un peu perdue, qui cherche ses repères et la langue française fait partie de notre identité. L’orthographe est aussi un code social. Bien écrire à quelqu’un, c’est le respecter et faire acte de bonne manière. En fait, l’orthographe dit beaucoup de choses de notre société, de notre culture…

Est-ce une façon de préparer les Français à de plus amples modifications à l’avenir?

Il y a un petit côté «cheval de Troie» avec cette réforme. C’est la partie émergée de l’iceberg. Je sais qu’il y aura à l’avenir des changements au niveau de la grammaire et plus particulièrement du participe passé. La règle du participe passé avec le COD placé devant, est une règle qui dans environ cinquante ans aura disparu. Et je suis optimiste! Mais ce qui peut-être intéressant dans ce débat, c’est de se demander: «Est-ce que l’on doit complètement laisser faire l’usage ou est-ce que l’on doit résister?» C’est là, toute la question.

Source: Que cache la réforme de l’orthographe ?

Destaques meus.

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