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Spelling Bee

 

«A spelling bee is a competition in which contestants are asked to spell a broad selection of words, usually with a varying degree of difficulty. To compete, contestants must memorize the spellings of words as written in dictionaries, and recite them accordingly.»

«The concept is thought to have originated in the United States, and spelling bee events, along with variants, are now also held in some other countries around the world. Spelling bees are common only in countries where English is spoken, because other languages have a more predictable spelling system[Wikipedia]

The 91st Scripps National Spelling Bee was held at the Gaylord National Resort and Convention Center in National Harbor, Md., in 2018. Credit…Scripps National Spelling Bee
July 8, 2021, 3:00 p.m.

By Alan Yuhas

The Scripps National Spelling Bee finals have returned.

 

W-e-l-c-o-m-e to our live coverage of the 93rd Scripps National Spelling Bee finals, where 11 students will face the clock, the cameras and a horde of the dictionary’s orthographic terrors, which are now all that stand between them and the title of national spelling champion.

The finalists, ages 11 to 14, have made it where nearly 200 other contestants could not — defeated by rhonchus, revetment, groupuscule, welkin and motmot, among others. Adding to their challenge, this year the students also face an on-camera vocabulary element to the competition. (A rhonchus is a kind of snoring sound, a revetment is an embankment, a groupuscule is a small group of activists, welkin is the heavens, and a motmot is a type of tropical bird.)

The contest’s organizers have also added another potential challenge since the last Scripps Bee, in 2019, when eight students shared the championship in a tie. In the event of a tie this year, the finalists will face a lightning round spell-off. The champion — or co-champions, if the spell-off itself ends in a tie — will receive a $50,000 cash prize.

[…]

[Transcrição parcial.

É uma actividade pedagógica, séria e consequente, adoptada como parte integrante e fundamental da política educativa em inúmeros países e territórios: Austrália, Bangladesh, CanadáÍndia, Kuwait, Nigéria, Nepal, Holanda, Bélgica, Paquistão, Emiratos Árabes Unidos, Arábia Saudita, Reino Unido, Estados Unidos da América, Vanuatu. Apesar de incidir sobre o Inglês, na actualidade a língua-franca mundial, este tipo de jogo didáctico é um factor estruturante do sistema educativo, principalmente nos USA (50 estados, 50 “países”), constituindo uma base sólida, a partir dos níveis básicos de escolaridade, do processo de ensino/aprendizagem de todas as crianças e jovens (e também de adultos!). Evidentemente, apesar de existir o exemplo contrastante dos concursos de caracteres chineses, estamos num campo até agora reservado a uma Língua cuja ortografia permanece intocada há séculos; também por isso mesmo os concursos de “spelling bee” ultrapassam largamente as fronteiras dos países em que o Inglês é Língua oficial, como, por exemplo, o Japão ou países diversos da América do Sul, através de instituições anglófonas de e para todos os níveis académicos, idades e estratos sociais.

São factos e evidências deste género aquilo que mais irrita os acordistas; irritação muito compreensível, portanto, visto que a realidade colide frontalmente com as suas teorias estapafúrdias, a sua militante imbecilidade na promoção de negociatas disfarçando-a com teorias “pedagógicas” horrivelmente sinistras. A “maior facilidade na aprendizagem” não resulta da “simplificação“, ou seja, não é exterminando a ortografia, substituindo-a por uma espécie de transcrição fonética do(s) falar(es) brasileiro(s), que se consegue maior “proficiência”, eficácia ou aproveitamento na aprendizagem da Língua, seja ela materna ou estrangeira. Essas e outras patranhas, qual delas a mais evidente, sustentaram a adopção do AO90 no sistema de Ensino português… por mais provas que se apresentem e por mais que se demonstre o contrário.
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Portugal dos piqueninos

Nada surpreendentemente, vistos os inúmeros casos aqui já citados, exumados e autopsiados in situ, o verdadeiro trabalho de “implementação” da língua brasileira é “obra” não de acordistas, mas, no fundamental, gratuita e alegremente executado por anti-acordistas ou então, pior ainda, por indefectíveis do NIM — a maralha sempre de bem com todos, os “tipos fixes” a quem jamais ocorre dizer NÃO seja ao que for nem SIM a coisa alguma; uma sub-espécie perigosa, a dos fiéis do abençoado e tranquilo “meio-caminho”, a terrível substância alucinogénia que tantos tóxicodependentes criou em Portugal.

Não deve ser muito difícil entender o mais elementar dos raciocínios a respeito das tácticas de contra-informação e de intoxicação da opinião pública e, portanto, do logro colossal veiculado e da geral anestesia induzida na propaganda, na “narrativa” da seita que se ocupa da demolição da Língua Portuguesa.

Fazer o jogo do adversário é algo que pode ser sintetizado numa relação de causa e efeito tão elementar, de resto, num silogismo de tal forma evidente que verbalizá-lo torna-se quase tão ridículo como explicar uma anedota: se tem alguma, perde a piada toda.

Atirar ao boneco, assim como fazer mira com os dois olhos fechados, sempre acertando ao lado e falhando por sistema, irritantemente, duas imagens que nada têm de metafóricas devem chegar e sobrar para ilustrar o conceito: o AO90 é uma manobra política (premissa maior) contra a qual apenas armas políticas podem e devem ser usadas (outra premissa maior), logo (conclusão), utilizar armas de outro tipo implica a menorização (ou a pura e simples abolição, através do “ruído”, das manobras de diversão) do objectivo que inicialmente se pretendia atingir, errando o alvo em que teoricamente se dizia pretender acertar.

Aqui está mais uma amostra do teorema, neste caso ainda mais flagrante do que o costume, quanto mais não seja pela quase alucinante profusão de encómios e a não menos generosa prodigalidade na adjectivação laudatória. Escrito em Português, ao menos isso, mas no resto quase um desastre.

Sem sequer ralar-se com os rituais da ordem, sem declarações de militância prévias contradizendo flagrantemente os disparos de Diana 50 que acertam no tecto da barraca de tiro-ao-alvo, sem referir uma única vez o AO90, prudentemente, lá vem a lenga-lenga da “universalidade” da língua (a brasileira, pressupõe-se, por exclusão de partes), das “potencialidades” da língua (idem, aspas) e de outras formas de pirotecnia becharo-malaquenha. Embora esteja de todo esgotada a paciência até do mais pachola, convirá ao menos ler de relance esta mescla de “patriotismo lusofónico” com “universalismo” (isto é, de idolatria de um quimérico e sumamente idiota Império “liderado pelo Brasil“), esta sopa de grelos romanescos com nabo grandiloquente, ah, caldinho catita porém um pouco insosso, uma pitadinha de sal era capaz de lhe “puxar” o sabor, chega-me daí o saquinho dos negócios estrangeiros, vai sal e apimenta-se de caminho.

«Hoje Portugal já não é um império, nem Lisboa essa cidade global, mas é-o a sua língua», por exemplo, diz o senhor que redigiu a coisa. Caramba! Mas que festival!

Ele é um «universo que pensa e fala» onde, pelos vistos, haverá sacanas a «deixar-se contaminar, e hoje é uma língua com vários donos, ou sem dono», ou terei porventura entendido mal, o autor deve pretender expressar o contrário, ora bolas, terá sido talvez pela bofetada que levamos em plenas, atónitas faces, com aquela do «pequeno país» (Portugal, aposto), que o Brasil é “um gigante” (também aposto que esta outra ribombante constatação há-de constar com certeza do arrazoado), essa raramente falha nestas loisas encomiásticas. Enfim, não sei bem, ou seja, “de ciência certa”, devo ter ficado esmagado, abananado, ofuscado com qualquer outra frasezinha elegantérrima, talvez a que postula ser «São Salvador, a cidade mais africana do Brasil», ora toma, pim, ou a outra, também lapidar e tremenda, catando da História que a «população portuguesa foi formada e formatada a visualizar um mapa que mostrava um Portugal do Minho a Timor». Olha, cá está, “do Minho a Timor”, já tal se dizia no tempo da “Outra Senhora”, ele a gente nunca espera o que nos aparece pela proa, há quem diga que é o destino, para outros o azar será, pois eu cá lamento mas não faço a mínima ideia de o que raio quer aquilo dizer.

Assim como também não sei, só o escriba saberá, calculo, em quê depositar (quem?) a esperança em «2026, esse ano mágico», na demanda de uma hipótese em que “talvez” «consigamos ter revelado e reavivado a teia de cumplicidades». Linguagem codificada, quase de certeza, ou então estará reservada a membros e por isso é naturalíssima a reserva, existem assuntos assim mais para o sigiloso que é de bom tom conservar em latas estanques.

Sobre a “teia de cumplicidades” estamos já bem mais do que conversados; não resta qualquer sombra de mistério nem permanece a menor dúvida sobre onde e quando, qual foi ao certo o móbil do crime e quem teceu a aracnídea teia.

É absolutamente impossível redigir um texto tendo a Língua Portuguesa como tema único sem jamais referir a própria escrita em Português, a Gramática portuguesa em qualquer das suas componentes, sem ao menos vagamente aludir à ortografia (ou ao léxico, ou à sintaxe, ou à prosódia) e, portanto, sem referir uma única vez o AO90 (ou a CPLP ou o IILP ou “o Camões” ou a BrasiLusa ou a Wikipédjia), mai-la sua esmagadora parafernália de armas de intoxicação em massa e quem as opera, quem põe o dedo em que gatilho. 

Que farei com esta Língua: uma Aldeia Global ou o Portugal dos Pequenitos

Carlos Fragateiro
“Ípsilon” (jornal “Público”), 25 de Junho de 2021

 

Potenciar a língua obriga-nos a ser capazes de pensar o seu universo como uma realidade plural e com vários centros, os pilares da construção de uma cartografia do e para o universo que pensa e fala em português.

1. Há mais de 500 anos, os portugueses, os mais aventureiros, saíram de Lisboa e partiram para o mar, não para aquele que seria o mais cómodo e familiar, o Mediterrâneo, mas para o desconhecido, para o mais perigoso e ameaçador e que poderia levá-los em direcção ao abismo, o Atlântico. Essa decisão levou-nos ao encontro de e com outros mundos, até então desconhecidos para os europeus, conduziu à criação do que hoje se chama a primeira aldeia global, e permitiu que Lisboa se tivesse tornado no centro comercial do novo mundo.

Hoje Portugal já não é um império, nem Lisboa essa cidade global, mas é-o a sua língua que, pela sua profunda ligação ao mar, o espaço da não fronteira por excelência, construiu mais pontes que muros.

Porque vinda de um pequeno país, esta língua foi obrigada a dialogar, a fundir-se, a deixar-se contaminar, e hoje é uma língua com vários donos, ou sem dono, que é o que distingue os tempos de hoje dos do início da sua viagem há mais de 500 anos, altura em que o mapa da língua se desenhava a partir de um só lugar, de Portugal e Lisboa, mapa que hoje se desenha a partir de múltiplos lugares.

É o ser uma língua sem dono, e o trazer dentro de si todo o mundo e de estar em todo o mundo, que a torna num instrumento privilegiado para responder aos desafios que a pandemia está a colocar: deixar de olhar o mundo a partir da nossa casa ou do nosso país, como centro de tudo, pois não há muros ou fronteiras que defendam o nosso bem-estar, se esse bem-estar não existir em todo o mundo.

2. Potenciar a língua obriga-nos a ser capazes de pensar o seu universo como uma realidade plural e com vários centros, os pilares da construção de uma cartografia do e para o universo que pensa e fala em português. Pilares de que, entre outros, são exemplos: São Salvador, a cidade mais africana do Brasil; Manaus, que, ao lado da Reserva da Biosfera da Ilha do Príncipe, pode ser o grande centro internacional da ecologia e do ambiente e da defesa das culturas e das línguas minoritárias; Goa a cidade/estado de encontro entre o ocidente e o oriente; o Faial, com o Café Peter e o centro de Oceanografia, que, tal como Cabo Verde, é uma plataforma no Atlântico. Estes pilares, porque têm já no seu ADN os gérmenes deste mundo global da língua, são, em cada país ou comunidade, os espaços de cruzamento de ideias e lançamento de projectos que liguem os diferentes pilares e construam as pontes que darão densidade à rede com que o universo da língua portuguesa atravessará todo o mundo.

Reforçar esta rede, e a sua capacidade de intervir globalmente, obriga à construção de uma plataforma onde se cruzem os diferentes projectos e se simulem os cenários para o futuro ou os futuros possíveis. Plataforma que não se limite a descrever o mundo como ele é, mas a criar uma nova forma de o ver, imaginando o inimaginável, sonhando o impossível e fazendo com que ele aconteça.

3. Há uns tempos, num seminário maioritariamente frequentado por europeus, pediram a um doutorando angolano para desenhar o mapa do mundo e, para surpresa de todos, ele começou a desenhá-lo pelo continente africano, e não pela Europa como nós, portugueses e europeus, o fazemos. Fizeram o mesmo pedido a um brasileiro que desenhou o mundo a partir do continente americano.

É em momentos como estes que nos sentimos incapazes de visualizar o mundo de outra forma da que era apresentada no mapa que estava sempre presente nas nossas escolas, com a Europa no centro a América tão distante da China, de tal modo que hoje, sabendo claramente que a terra é redonda, ainda pensamos nas longas viagens que os americanos têm de fazer para chegar perto da China, ignorando completamente o oceano Pacífico e que as viagens não têm necessariamente de passar pela Europa, podendo fazer-se pelo outro lado do mundo.
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O tubarão fantasma

«Sucedeu que as instruções do Ministério das Relações Exteriores à Delegação do Brasil na ONU chegaram por telegrama, causando grande impacto. O embaixador chefe da missão recusou-se a pronunciar o voto constrangedor, o seu número dois teve a mesma atitude. Sobrou um, então, jovem diplomata, marxista conhecido, António Houaiss, que declarou a surpreendente posição do Brasil, sob aplausos dos países da Cortina de Ferro, incluindo Cuba. Houaiss foi afastado do Itamaraty quando da Revolução e dedicou-se à grande obra que foi um dicionário, em associação ao filho do, então, chanceler Afonso Arinos.» [1963 e o voto do Brasil contra Portugal – Jornal “O Diabo” (jornaldiabo.com)]

Hydrolagus colliei (Chimaera), peixe cartilaginoso; nome vulgar em Português: quimera ou tubarão-fantasma.A chamada “lusofonia” não existe. É uma quimera. Ou será, quando muito, wishful thinking (passe o barbarismo). Embora possuindo o mesmo ar sinistro do peixe homónimo e, como este, navegue na total obscuridade das profundidades oceânicas, a “lusofonia” não cumpre qualquer papel na cadeia trófica — ou seja, não serve rigorosamente para nada na cadeia alimentar (e nas outras) — nem executa a mais ínfima das funções no que à Língua Portuguesa diz respeito. “Lusofonia” é pura entropia, portanto, algo que, por completamente inútil e sem o menor significado, apresenta num embrulho palavroso o caos da ideia fixa.

No entanto, como sucede neste caso, ainda há quem se agarre com unhas e dentes a essa espécie de quimera (não o peixe, a esperança vã), argumentando pontualmente com surpreendente coerência sobre essa “piquena maravilha” que será (seria) uma “mundovisão” em que toda a gente, “do Minho a Timor” e arredores (incluindo aquele piqueno enclave a que chamaram Brasil) falasse uma espécie de “português universal”.

Baseando-se em alguns dos falsos pressupostos que Houaïss, esse benemérito “promotor” do AO90, inventou para vender os seus calhamaços (e logo ele, valha-me Deus, um fulano tão desprendido, isto é, nada agarrado ao vil metal, um académico marxista, tão desapegado dos bens, terrenos, propriedades, contas bancárias e tudo, um tipo tão fixe, ganda bacano), os “lusofonistas” insistem nos méritos da causa lusofonista com denodo e dedicação extremas.

Afinal, se virmos bem, isto é, se nos artilharmos com todo o arsenal de condescendência do planeta, a tal “lusofonia” até não é assim tão má ideia. Coisa antiga, aliás, que durou até 1975 e finou-se de vez em 1999; a ex-colónia de Vera Cruz não conta, pelo menos desde 1822, neste âmbito, visto ter-se tornado independente sob a forma de Império, com língua própria e com um tremendo ressaibo para com Portugal, “a terrinha”.

Claro que na demanda de uma hipotética “expansão”, torna-se difícil imaginar uns quantos voluntários daquilo a “promover” e a “difundir” a Língua nas ruas de, por exemplo, New York, Paris, Ouagadou, Calcutá ou Pyongyang. Assim como não será muito fácil imaginar a “lusofonia” fazendo notar aos mercados financeiros internacionais o “valor económico da língua” e as respectivas “oportunidades de negócio”.

Pôr uns vendedores a chatear peões em grandes cidades do mundo, assim como quem impinge “time sharing” a transeuntes, bem, uma coisa dessas correria sérios riscos de se tornar um bocadinho ridícula e ligeiramente estúpida.

Quanto aos negócios, pois tende paciência, senhores lusofonistas, isso já está tudo tomado: o Brasil agradece, está claro, se bem que pela calada e em absoluta surdina, e até parece que nos estão fazendo um grande favor quando passam a ocupar, à conta do AO90 e sob o disfarce da CPLP, as nossas posições económicas (e políticas e culturais) um pouco por todo o mundo, nos países e territórios a que outrora aportaram nossos maiores; “do Minho a Timor”, sim, passando por Macau (China) e em breve por Goa (Índia), o novo império dos negócios brasileiros segue pujante e das migalhas sobrantes vão debicando os vendidos tugas, esses galináceos com muito cócórócó na garganta e imenso cocó na cabeça.

Evidentemente, aos tais lusofonistas — alguns deles anti-acordistas convictos — jamais terá ocorrido que a sua “lusofonia” acaba afinal por fazer o jogo (e, em parte, o trabalho) dos acordistas, contribuindo com o seu entusiasmo “lusofónico” para encobrir as negociatas da nomenklatura becharo-malaquenha, usando a suposta irmandade entre um pigmeu com História e um monstro nascido ontem para “justificar” a “liderança do Brasil” no processo de demolição da Língua Portuguesa.

Não lhes podem ser assacadas culpas, pelo menos aos inocentes bem intencionados, assim como aos próprios brasileiros também não, se já não hoje por hoje, pelo menos quanto à genese e ao lançamento da marabunta cacográfica; esta sucedeu por absoluta e exclusiva responsabilidade dos agentes tugas a mando da oligarquia dominante, o “centrão” político-partidário. Foram estes tipos quem, perante a estupefacção e a incredulidade dos brasileiros, surpreendidos por tanta e tão asquerosa bajulação tuga, delinearam toda a tramóia, montaram a estratégia da mentira matraqueada e venderam, em suma, ao próprio Itamarati, o esquema para dissimular os futuros negócios da China (e de Angola). Está claro, do ponto de vista da tradição  brasileira, “tá tudo légau”, valeu, primeiro riram-se dos tugazinhos graxistas (os “puxa-saco”, em brasileiro) mas depois começaram a abrir a pestana e hoje em dia é o que se vê, estão por todo o lado e em tudo fazem comércio, traficam influências e trocam “favores” (via CPLP, por exemplo), vão paulatinamente empochando o “bolo” lusófono — sucessivas camadas de História que nasceram do rasto das caravelas.

A Lusofonia não precisa de ser salva, apenas de ser desadiada (II)

Renato Epifânio
jornal “O Diabo”, 17.06.21

 

 

Espremido o texto, porém, a grande questão que ressalta é, de novo, a questão do Acordo Ortográfico e da relutância portuguesa em segui-lo, o que merece do jornalista e escritor brasileiro a seguinte sentença: “está claro que o português não deseja se tornar uma língua sem centro, com 270 milhões de falantes e algumas variedades nacionais. Chega de perder tempo!”.

É verdade que no Brasil essa relutância portuguesa em seguir o Acordo Ortográfico não é de todo compreendida, como eu próprio já pude testemunhar. Em Maio de 2018 – há precisamente três anos –, coordenei, como Presidente do MIL (Movimento Internacional Lusófono), um debate sobre as “as visões da Lusofonia no Brasil”, integrado num Encontro Científico promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira na cidade brasileira de Mariana, em Minas Gerais. Pois bem: perante um público particularmente culto e qualificado, a grande questão que emergiu ao longo do demorado debate foi precisamente essa: por que razão em Portugal havia tanta relutância em seguir o Acordo Ortográfico? E se essa relutância não deveria ser interpretada como uma atitude anti-lusófona da parte de Portugal, desde logo em relação ao Brasil?

Esse sentimento é pois real, ainda que, como procurei então aduzir, a conclusão seja, também aqui, “manifestamente exagerada”. Sim, é verdade que há em Portugal uma manifesta relutância em seguir o Acordo Ortográfico. Mas não é de todo verdade que isso deva ser interpretado como uma atitude anti-lusófona da parte de Portugal, desde logo em relação ao Brasil. Como sempre defendi, a Lusofonia não depende de nenhum Acordo Ortográfico como condição necessária – por mais que este pudesse ser útil, em teoria, assim ele tivesse cumprido a sua promessa de uma real “uniformização ortográfica” (o que ficou muito longe de acontecer, como é sabido). E há em Portugal muitos exemplos de pessoas que, sendo contra o Acordo Ortográfico, não são por isso contra a Lusofonia. Bem pelo contrário.

Extravasando este “irritante diplomático”, há de facto muito a fazer, como refere Rui Tavares, a começar pela dinamização da própria CPLP, que nem sequer face à tragédia em curso no norte de Moçambique tem dado uma resposta à altura (ainda que aí as responsabilidades maiores estejam a montante). Quanto ao mais, as ideias que lança são em geral boas, ainda que nem todas originais. Apenas um exemplo – precisamente a propósito do artigo de Rui Tavares, António Braz Teixeira, Presidente do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e ex-Vice-Presidente da RTP (entre muitos outros cargos relevantes que ocupou), recordou-me que, em 1987, ele próprio teve a iniciativa de promover uma TV Cultura da CPLP, tendo sido até fundada, em 1991, em Cabo Verde, a Organização das Televisões de Língua Portuguesa, com Estatutos aprovados e Órgãos eleitos. Trinta anos depois, o projecto está ainda por concretizar. Caso para dizer: a Lusofonia não precisa de ser salva – apenas de ser desadiada… ■

[Transcrição integral. Destaques, sublinhados e “links” meus. Foto de Pyongyang, imagem de: Wikipedia.]
[Agradecimentos a Luís Mendes pela ajuda (sobre peixes).]

Portsoc

Pretendia-se que quando a Novilíngua fosse adoptada de uma vez por todas e a Velhalíngua esquecida, um pensamento herético  fosse literalmente impensável, pelo menos na medida em que o pensamento depende das palavras. [George Orwell, “1984”]


Como anteriormente aqui disse, e repito, e que me perdoe pelo calão algum mais comichoso dos três leitores deste manual de diatribes contra o AO90 (e outros detritos), estou-me altamente nas tintas para a cagança dos idiotas profissionais que abusam da Língua Inglesa. Por regra e definição, essa pandilha é constituída por tecnocratas que pouco ou nada sabem dizer (e muito menos escrever) em Inglês (e muito menos em Português), além de jargão técnico, tipinhos com uma pronúncia desgraçada (sotaque das Amoreiras, digamos), yuppies do século XXI cuja “pinta” de lorpas se topa a léguas. Enfim, que se danem os inguelishes e que se inglixe a jactância.

Esse estranhíssimo fenómeno (tipos que tentam impressionar a pategada com “buéda” tecnicismos no original) poderia interessar alguma coisinha caso tivesse a ver com assuntos sérios em geral, como a Ortografia, a Gramática portuguesa, a História de Portugal, o nosso património cultural, a independência nacional ou a soberania que estrangeiros nos sonegaram; ou seja, com o “acordo ortográfico”.

O AO90 contém igualmente algo de soluços de vaidosos e muito de tiques de autoritaristas, além de outro tanto de radical imbecilidade, porém é caso único, uma hecatombe que ameaça não deixar pedra sobre pedra dos nossos castelos no ar e apagar para todo o sempre o mais ínfimo vestígio de tudo o que prezamos, valorizamos e, em suma, somos; aquele horrendo crime de lesa-inteligência pretende derrubar todos os que, durante novecentos anos, construíram o que a última geração de estrangeirados ameaça abrasileirar.

No processo de aniquilação em curso, pretendem eles substituir a Língua portuguesa pelo brasileiro utilizando a táctica da novilíngua, isto é, a invenção literal de uma nova língua para eliminar a existente; isto não implica apenas chamar os bois por outros nomes, trata-se de reescrever a História e de “reformar” o próprio pensamento: conceitos, idiossincrasias, ideias simples ou raciocínios complexos, anseios individuais ou colectivos, devaneios ou desejos e mesmo os erros, as falhas, as faltas, os equívocos, as coisas hilariantes e as tristes, até a língua em que sonhamos; tudo, rigorosamente tudo será alterado, adulterado, “corrigido” segundo os sacros mandamentos dos oficiais do Partido, os donos da língua e, portanto, da vontade dos proletas — cujas funções consistirão exclusivamente em gerar outros escravos do Grande “país-Irmão”.

Proibir a língua “velha” (a velhice é já um demónio ao serviço da Nova Igreja) faz parte, obviamente, deste hediondo plano de terraplanagem linguística e cultural através da massificação da catatonia e contando já com o geral estado comatoso que caracteriza a indígena chusma de “pensadores”. As patranhas colossais, as mentiras descabeladas propaladas por alguns traidores e vendidos portugueses, contando com a nacional apatia (uma patologia ancestral), tentam impingir a todo um povo de descendentes de colonizadores a cacografia e, em última análise, a língua dos ex-colonizados. Caso único no mundo, evidentemente, “fundamentado” nesta coisa extraordinária: eles são 210 milhões e nós somos 10 milhões. Ou seja, a língua é só uma questão de contar cabeças; mesmo que os novos colonos provenham de um país a 7.500 km de distância, com o oceano Atlântico de permeio, mesmo que o Brasil seja uma ex-colónia portuguesa independente desde 1822 (e Portugal desde 1143), mesmo que do lado “dji” lá a pronúncia (não confundir com “sotaque”) seja para nós alienígena, a sintaxe abstrusa e a cacografia completamente anárquica, pois ainda assim uma mão-cheia de alucinados — isto é, de gulosos vigaristas — insiste na “adoção” por Portugal do brasileiro como Língua nacional, extinguindo em simultâneo o Português.

George Orwell era um inglês que escrevia, evidentemente, em Língua Inglesa. A sua obra mais genial é, sem dúvida, Nineteen Eighty-Four (1984). Isto sim, é Inglês que se pode (e deve) citar até à exaustão.

Nem sempre utilizar expressões inglesas serve só para impressionar (pategos). Há coisas que fazem parte da Língua em que foram criadas mas que acabam por se tornar património do universo inteiro.

Como a austera, apagada e vil tristeza de Camões, Hamlet (Shakespeare) reflectindo sobre to be or not to be ou, pela inversa, contrariando a sentença lapidar de “1984”,

Victory is possible

Os malefícios de um provincianismo mental acrítico e fascinado pelo novo

Nem a TLEBS, com as suas fastidiosas e aberrantes descrições, nem o AO 90, com os “seus erros, imprecisões e incoerências”, propiciam uma reflexão sobre a Língua.

Maria do Carmo Vieira
“Público”, 11 de Junho de 2021

 

O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Fernando Pessoa

 

Regresso a um tema que me é caro e sobre o qual me tenho repetido porquanto, a meu ver, permanece o absurdo que o caracteriza, bem como a doença de que padece e à qual se refere a epígrafe escolhida. Refiro-me à Reforma curricular de 2003, cujo espírito e metodologias se mantêm porquanto “o princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro”, o que ainda não aconteceu.

Não posso deixar de confessar que o presente texto nasceu do livro do Professor Jorge Calado (IST),Limites da Ciência (2.ª edição, 2021), da Fundação Francisco Manuel dos Santos, “redigido com o Acordo Ortográfico de 1945”, conforme se lê em nota. Será imprescindível transcrever as palavras do autor, a propósito de “A Língua e a linguagem”, para evidenciar a relação com a Reforma de 2003 acima referida e entusiasticamente anunciada. Eis a transcrição, longa, mas imperiosa: “Alguns cientistas, isolados nas suas torres de marfim, pensam que, se ninguém os entende, fazem figura de seres supremamente inteligentes. A verdade é que a construção de uma linguagem hermética, entendida por poucos e benéfica para nenhum, não passa, muitas vezes, de mais um sintoma de impreparação. A nudez da ignorância disfarçada com o manto espesso do artifício. […] A snobeira do falar difícil e pseudocientífico encontrou terreno fértil nas humanidades. […] que dizer da relativamente recente (2004) substituição da velha Nomenclatura Gramatical Portuguesa dos artigos, substantivos, adjectivos, verbos, pronomes, advérbios, preposições, etc., pela pretensiosamente científica Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS), entretanto suspensa? Uma salgalhada de variáveis, determinantes, auxiliares aspectuais e modais e preciosidades como ‘Um Nome tem um funcionamento não contável quando necessita de um suporte (discretizador ou enumerador) que o discretize ou enumere.’ Ciência, isto?”

Haverá que esclarecer o Professor Jorge Calado que a TLEBS não foi suspensa, apenas “corrigida” (imagine-se o desconforto do vocábulo para os “cientistas” que a trabalharam) continuando activa nos seus “disparates”, em programas e exames de Português. Na tentativa de apagar a polémica e o desastre intelectual que representou, a TLEBS transfigurou-se em Dicionário Terminológico, sendo seu obstinado mentor o Professor João Costa, de há longa data Secretário de Estado da Educação, e obviamente um fervoroso impulsionador da Reforma de 2003 da qual se salienta, no que à disciplina de Português diz respeito, a apologia de textos funcionais, o menosprezo pela Literatura, mormente pela Poesia, o amaldiçoamento de aulas expositivas, bem como do uso da memória e a pseudo-novidade da “Reflexão sobre a Língua” que a TLEBS proporcionaria, segundo “explicaram”, em acções de formação. E acções de formação porquê? Pela constatação da impossibilidade de os professores compreenderem as “inovadoras” descrições terminológicas. Eu própria assisti apenas a uma sessão, não estando inscrita, e foi o suficiente. Perante uma dúvida, a formadora repetiu vezes sem conta a mesma explicação, com o mesmo vocabulário, aberrante e impenetrável, apontando no final, e ostensivamente, a minha “impreparação”.
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10 de Junho, Dia da Língua Portuguesa

Comemora-se hoje, 10 de Junho, o Dia de Portugal, da Língua Portuguesa, de Camões e da diáspora.

Esta é uma data a celebrar, efectivamente, e que nada tem a ver, pelo que em caso algum deve dar azo a quaisquer confusões, por lapso ou contaminação propagandística, com o dia da língua brasileira, a 5 de Maio; esta outra data, totalmente alheia a Portugal, aos portugueses e à sua Língua, consiste numa série de eventos artificiais patrocinados por brasileiros, pelo político profissional António Guterres, por uma organização brasileira (paga pelo erário público português) a que resolveram os implicados chamar “CPLP” e por uma pequena seita de fanáticos brasileirófilos misturados com alguns sôfregos capitalistas e um grupinho de rapazolas para ir apanhar as canas e servir umas caipirinhas.

Por exemplo (se bem que nestes casos exista um dever de observar alguma espécie de gravitas e de dignitas,  dado o estatuto de algumas das pessoas em causa), Cavaco, Malaca, Sócrates, Bechara, Lula, Reis, Santana e Canavilhas contribuiram — cada qual a seu modo e na medida das suas possibilidades políticas e das respectivas “influências” — não apenas para esgalhar o AO90, essa arma de destruição maciça da Língua Portuguesa, como também para inventar a festarola sambística do “5 de Maio“. Esta invenção ocorreu primeiramente em 2018 (caramba!, há três anos, mas que coisa antiga, vetusta, cheia de tradição e verdete) e no ano seguinte, 2019, a UNESCO, sabe-se lá por que bulas e a troco de quê, resolveu puxar o lustro àquela bota “proclamando” essa mesma data como “Dia Mundial” da língua brasileira.

Coisa estranha, esta suspeitíssima manobra diplomática junto da UNESCO, visto que parece ser esse “Dia Mundial” da língua brasileira, precisamente, um caso muito raro ou único. Existe naquele organismo supranacional o “Dia Internacional da Língua Materna”, o que consubstancia um conceito radicalmente diferente, por genérico e abrangente, mas qualquer pesquisa (interna ou via Google) por “Dia da Língua” (ou por “language day”) devolve apenas um resultado, no que respeita a línguas de países historicamente colonizadores: além do tal “5 de Maio”, o “Day” da “bambochata” do “pôrrtugueiss universáu”, não existe qualquer “Day” para qualquer outra Língua nacional. À excepção, evidentemente, dos dias dedicados às línguas de trabalho oficiais admitidas na ONU: Arabic (18 December), Chinese (20 April)English (23 April), French (20 March), Russian (6 June) e Spanish (23 April). Estes seis casos justificam-se por aquilo que representam (línguas de trabalho da ONU), mas o dia da língua brasileira é o único a fintar essa lógica formal.

Dever-se-á talvez rever a definição do verbo “tresandar”. Isto já não é uma história (muito) mal contada. Se a UNESCO e o próprio secretário-geral da ONU estão atolados em tão viscoso entroncamento de lamaçais, então estaremos não apenas perante uma das maiores burlas diplomáticas de sempre como vamos assistindo — muitos, com passividade ou indiferença — a um filme de encenação deprimente, péssimo guião, actores horríveis. Demasiado mau para ser verdade, de facto.

É hoje o único, o verdadeiro Dia da Língua Portuguesa. Eis uma certeza absoluta, séria e fiável.

Deixemos as alucinações para os imperialistas e os xenófobos, as mentiras para os desequilibrados e mitómanos, a verborreia para aqueles “intelectuais” em cuja cabeça apenas existe um preço escrito na testa.

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A arte de transformar uma ILC-AO numa ILCalem-se

Imagine-se o ridículo: pedir à AR que recomendasse ao governo que pedisse à AR que revogasse uma resolução da própria AR!

Nuno Pacheco
“Público”, 10 de Junho de 2021

Não há inspiração camoniana (“Cale-se de Alexandre e de Trajano…”) no título deste texto, apesar de hoje, 10 de Junho, se celebrar Camões, a par de Portugal e das Comunidades. Não, o motivo é outro e nada tem de metafórico; pelo contrário, é literal. Expliquemo-nos: há um “cantinho” reservado aos cidadãos na Assembleia da República (AR); não para se sentarem, para isso há as galerias, mas para intervirem na actividade parlamentar. É um espaço virtual onde podem ser apresentadas três tipos de iniciativas: legislativas, petições e referendos. E ali se acolhe o que a lei e as regras (há um manual do utilizador, com 23 páginas) permitem. Dia 7, por exemplo, estavam lá três iniciativas legislativas de cidadãos (ILC, com 3393, 3101 e 543 assinaturas, respectivamente) e 36 petições. A mais “pesada”, de Abril, tinha 192.129 assinaturas (para afastar o juiz Ivo Rosa), a segunda 10.625 e a última apenas 3.

Mas, antes delas, uma outra ILC foi fazendo um longo e duro caminho até estar composta, aceite e pronta à votação. Se não tivesse esbarrado, antes, num muro. Falamos da ILC-AO, respeitante ao Acordo Ortográfico (AO90) e de que já aqui se falou mais do que uma vez (declaração de interesses: sou um dos subscritores). As raízes de tal iniciativa remontam a 2008 e centram-se no segundo protocolo modificativo do dito: “[o AO90] entrará em vigor com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa.” Isto, que muitos políticos acharam natural, foi um golpe inadmissível. Um acordo que envolve oito países (depois de se lhes juntar Timor-Leste) não podia entrar em vigor só com o “sim” de três; ou melhor, só poderia se todos os oito tivessem ratificado essa alteração de fundo. Só que, de facto, quatro nem sequer ratificaram o acordo, quanto mais os dois protocolos modificativos; e os restantes fizeram-no com métodos e em datas bastante duvidosas, como também oportunamente aqui se demonstrou em Agosto e em Dezembro de 2019. Mas a verdade é que a Assembleia da República aprovou, pela Resolução n.º 35/2008, de 29 de Julho, esse inominável segundo protocolo. Objectivo da ILC-AO? Que a AR o revogasse.

Nestes muitos anos, e enfrentando mudanças de leis e regras, a ILC fez o seu caminho. Foi recolhendo assinaturas, entregou-as em Abril de 2019 (21.206 validadas, feitos os acertos) e foi transformada oficialmente em projecto de lei, com o número 1195/XIII. Datada de 30 de Outubro de 2019, a Nota de Admissibilidade concluía: “A apresentação desta iniciativa cumpre os requisitos formais de admissibilidade previstos na Constituição, no Regimento da Assembleia da República e na Lei sobre a Iniciativa Legislativa dos Cidadãos.” Tudo certo?

Sim e não. Porque depois o assunto emperrou. Em 6 de Novembro, baixou à Comissão de Cultura e foi como se tivesse baixado à terra, na acepção funerária do termo. Debateu-se, contrariou-se, pediram-se pareceres e… ignorou-se a Lei das ILC, a n.º 17/2003, que diz expressamente que o respectivo relatório e parecer devem ser elaborados no prazo de 30 dias e, esgotado tal prazo, a ILC deve ser agendada “para uma das 10 reuniões plenárias seguintes”. Ora o relatório/parecer só foi enviado ao Presidente da AR em 29 de Junho de 2020, com muitos 30 dias já gastos e só em 16 de Setembro de 2020 é que foi discutida em Conferência de Líderes, órgão ao qual cabe decidir a agenda do Plenário. E o que sugeriram os líderes em conferência? Que a ILC fosse transformada em petição. Imagine-se o ridículo: pedir à AR que recomendasse ao governo que pedisse à AR que revogasse a resolução da própria AR!
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European Portuguese

É inevitável, dizem eles: mais tarde ou mais cedo, a língua do Brasil será o padrão do “portugueiss”, a “língua universáu” e única, pela simples razão de que o Brasil tem “mais de 200 milhões” e Portugal apenas 10 milhões de indígenas; e é “pobre”, oh, raio de paíseco, desprezível chafarica, ainda por cima cheio de fulanos maçadores, tem portanto apenas o que merece, ou seja, será perfeitamente justo que o monstro brasileiro engula a “terrinha” e que, por conseguinte, a língua brasileira seja entronizada como língua nacional neste já retalhado quintal à beira-mar arroteado; quanto a nós, os ditos indígenas, “ignorantes” e “sem História”, devemos engolir (com gosto?) a afronta, há que ficar caladinho e agradecer aos neo-colonos a maçada de ocupar esta “porcaria” atrasadinha, miserável, paupérrima, começando por “adotar” a cacografia da “linda língua” em que se “canta” o samba e se cultiva o barulho com denodo e dedicação à “causa” dos trajes “tipo” fio dental.

Bem entendido, este texto do “The Portugal News” — um dos jornais publicados em Portugal para os residentes (e turistas) de língua inglesa, por acaso muito recomendável para qualquer português que se preze — não passa de um singelo exemplo, se bem que em vários aspectos, tanto de conteúdo no artigo propriamente dito como (ou principalmente) nos comentários que o acompanham (e enxovalham, por arrastamento, na enxurrada de insultos anti-portugueses de alguns trogloditas brasileiros); estes “comentários”, apesar da corajosa resistência de ingleses, são aqui apresentados a título meramente ilustrativo; muitas centenas de outros “mimos” endereçados por zucas aos seus primos tugas podem ser encontrados, por exemplo, no YouTube ou em comentários no Fakebook e no Twitter. São uns compinchas, os brasileiros, adoram-nos.

Esta matéria em concreto, em especial as eructações redigidas a propósito de Desculpem Brasileiros -We want European Portuguese!”, é algo carecendo de pinças para lhe pegar, devido à tendência para o vómito que da sua leitura resulta, já estava por aqui há mais de um ano, ficou a marinar, por assim dizer, mas pronto, é agora, noblesse oblige.

Entre outros aspectos, não desfazendo nas demais manifestações ultra-nacionalistas

ou xenófobas e os sumamente imbecis “gritos do Ipiranga” ao contrário, o factor comum à “opinião” dos brasileiros é a sua estranha obsessão pelo micro-manifesto, isto é, pelas frases soltas curtas (pejadas de erros, apesar da brevidade) endeusando o Brasil e diabolizando simultaneamente Portugal; julgam os zucas cumprir o seu desiderato histórico, uma espécie de II Império, mas agora em versão festiva, com tambores e carros alegóricos; numa espécie de bizarro silogismo, acrescentam, se eles são os maiores,  então a sua língua é proporcionalmente avassaladora, portanto o tuga — esse “xenófobo” que resiste à pax brasiliensis — que fale e escreva em brasileiro (para isso foi feito o AO90) e que se cale, meta a viola no saco (não sei dizer isto em brasileiro) e até agradeça à santinha do Corcovado pela benesse. Quando não, os xenófobos brasileiros, os maníacos anti-portugueses das cavernas paulistas ou cariocas atiram imediatamente com aquele epíteto que tanto agrada aos brasileirófilos tugas: os xenófobos somos nós, não eles; eles limitam-se a insultar tudo o que mexe em Portugal mas esse camartelo é para nosso “bem”, nós é que somos uma cambada de mal-agradecidos.

Se (ou quando) Portugal tomar a iniciativa de se tornar no 28.º Estado brasileiro (e os diamantes de Angola o 29.º e o gás de Moçambique o 30.º), então por fim tudo reentrará nos eixos, ali está o Paraíso, mesmo ao virar da esquina do tempo, a memória por fim extinta pela estupidez supremacista, esmagada pelo peso dos milhões.


Portuguese and brasilian Portuguese.
They are two separate languages, make no mistake about that.
So I agree that portuguese should be distinguished from Brazilian portuguese.
By Anabela from Lisbon on 06-03-2020 07:27

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Amei este Blog – I live in Brasil and my wife is Portuguesa and we plan on going to Portugal in two years -so I speak Portugues Brasileirobut also understand European Portugues Loved this Blog – !! Nota 10 !! By the way I as born in New Zealand
By Stephen Thomas from Other on 14-05-2020 03:00

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Portugal is the mother of the Portuguese language. Moreover, Brazil cannot compare to Portugal in living standard, wages, health care and so on. Brazil is a basket case like most other South American countries. And yes, I find it very difficult to understand Brazilians.
By John from Other on 10-03-2020 07:15

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Thanks for the article, but it should be marked as a sponsored piece or as advertising, not as news. As a US-born world citizen who has lived and worked in many countries, like my UK born husband, who lived and worked for many years in Southern Africa, our priority in coming to live permanently in Portugal was to learn the language, customs and values of our neighbours. We are the exceptions. Most of our friends are Portuguese and few speak any English. The other native English speakers we know also try hard to assimilate. We welcome information about any and all language techniques and take regular classes in Portuguese. Our goal is to become Portuguese citizens, because we love this place and its people, who welcomed us and help us every day. Obrigadinha maravilhoso Portugal.
By Jude Irwin from Beiras on 08-03-2020 09:26

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I’m a Brazilian journalist, and have always wondered why Portuguese-language countries ever signed the Ortographic Agreement back circa 2009 or sooner,  once all other Portuguese-language countries would keep on using their very particular words  like “puto” for boy, which is a very offensive term down here in Brazil. Just like Britons say lorry for truck. Just like they write s instead of z, colour instead of color, and so on. People in Portugal still write many words with a double c, as in acção, inspite of said “Agreement”. Scads of dictionaries were sold, for nothing, after all. Anyways, I can perfectly understand European Portuguese, just like an American would understand BE.The differences are just some words and the accent, in both cases.
By Luiz Leitão da Cunha from Other on 08-03-2020 12:08

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Interesting concepts, the truth is there’s is only one official Portuguese, as it was made standard a few years back, and the Brasilian Portuguese is deemed to be the official one, so eventually the younger generations growing in Portugal today, will be learning Brasilian Portuguese.
As for the brasilians making adjustments on how to speak when in Europe, it’s simple, depends where you’re from in Brasil, they will sound at lot like the Portuguese people.
And let’s be real, the Portuguese themselves cannot understand each other, from one region to another.
By Paulo Medeiros from Other on 07-03-2020 10:33

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Brazilian Portuguese is more evoluted and rich.The pronouce is easier and also Brazil is now one of the most counyry in the world.
By Antonio Heitor Santoro from USA on 07-03-2020 02:40

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On Brazil we are more then 200 millions so sorry Portugal the Portuguese is Brazilian already we even google accept that !
By Tomas Turbano from Other on 07-03-2020 10:57

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All these stupid comments give the sense of a certain “inferiority complex”. See, Portugal is an underdeveloped nation in Europe, economically, financially speaking. People are rude and that is reflected on the way they deal with the prevalence of Brazilian Portuguese. 210 millions people speaking an accent will prevail over the other 10 million folks, mostly when the latter are poorer. There’s no way around.Gotta accept it and deal with it with lots of resilience…
By G.O.A.T. from USA on 07-03-2020 10:50

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Primeiramente, a TV globo não representa o BRASIL, pois trata-se de uma concessão estadunidense que faz política e cultura em verde-amarelo.
Sou professor , e agora há pouco comentava com uma professora de língua portuguesa na escola em que trabalho sobre o idioma português que é falado no Brasil. Bem, assim como o idioma francês , o espanhol , o italiano e a língua lusa derivaram do Lácio romano, e, por consequência da evolução e transformações lingüísticas, se transformaram em expressões idiomáticas genuínas , acredito que o idioma português se transformará no Brasil em uma língua única, sob todos os pontos de vista e escrita. Somos diferentes, mui diferentes, patrícios. O mundo mudou , somos nações, hoje, que falam línguas diferentes, apesar da origem romano. Saúde à lusa Portugal !
By Francis Campos – Amazônia- Pará- Brasil from Other on 07-03-2020 02:15

“Desculpem Brasileiros -We want European Portuguese!”

By Advertiser, In Business · 06 Mar 2020, 01:00 · 54 Comments

Whether you’ve just arrived to Portugal or have already been here for decades, as a non-native, you’re sure to run into daily challenges with understanding the language when it’s spoken in real-life situations.

That’s why PracticePortuguese.com was created back in 2013, and quickly became the most popular method for learning European Portuguese online.

Combining Canadian native Joel Rendall’s practical estrangeiro perspective with Rui Coimbra’s passion for helping foreigners overcome plateaus as they learn his native language, these young co-founders have struck a balance between making online learning effective, while keeping it humourous, relatable and engaging.

Their online platform helps learners master the practical elements of European Portuguese, while improving comprehension skills using short, addictive bursts of practice, with their 1-2 minute “Shorties”; or their new video clips feature, featuring Portuguese natives of all ages speaking thousands of useful phrases.

“We know that there’s no one-size fits all approach to language learning”, explains Portuguese co-founder Rui Coimbra. “Everyone has different reasons for learning the language, different interests, and learning styles. That’s why we provide a wide variety of material for all of our members, and we strive to keep things simple and approachable.
We empower the adult learner by letting them go at their own pace, on their own schedule, all while choosing their own unique path. For example, if you’re buying a Portuguese property, then your language learning needs will be very different from someone who is vacationing for a week. That’s reflected in the flexibility of our platform.”

Based in Lisbon while serving the globe, Practice Portuguese is currently offering 15 percent off their monthly and annual subscriptions, at practiceportuguese.com/PortugalMag

The Portugal News

«Desculpem, brasileiros. Nós queremos Português europeu!»

Por Dep. Marketing, em “Business” · 06 Mar 2020, 01:00 · 54 Comentários

«Quer tenha acabado de chegar a Portugal, quer já cá esteja há décadas, não sendo aqui nascido, pode ter a certeza de que irá lidar com segurança nas mais diversas situações do quotidiano, compreendendo a Língua tal como ela é usada.»

«Foi por isso mesmo que PracticePortuguese.com foi criado, em 2013, tornando-se rapidamente no método mais procurado para aprender Português europeu online.

Combinando a perspectiva de um estrangeiro como é Joel Rendall, nascido e criado no Canadá, com a paixão de Rui Coimbra por ajudar estrangeiros a ultrapassar etapas na aprendizagem da Língua Portuguesa, estes co-fundadores estabeleceram um padrão de eficácia numa aprendizagem online objectiva, relacionada e envolvente.

A plataforma que montaram ajuda os explicandos a dominar os elementos práticos do Português europeu, desenvolvendo em simultâneo a compreensão através de exercícios curtos, quase viciantes, com os seus “Shorties” de 1 a 2 minutos ou através dos seus novos vídeos em que nativos de Português, de todas as idades, utilizam milhares de exemplos de frases mais significativas.

“Sabemos que não existe uma abordagem padronizada na aprendizagem de línguas”, explica o co-fundador Rui Coimbra.

“Cada pessoa tem os seus próprios motivos para aprender a Língua, tem interesses diferentes e diversos tipos de  aprendizagem. Por isso mesmo oferecemos a todos os nossos membros uma gama variada de matérias e esforçamo-nos para transmitir conhecimentos de forma simples e atractiva.”

“A formação de adultos acompanha o ritmo de cada qual, pelo que incentivamos cada um deles a seguir uma calendarização individual e a cada passo decidir que via e métodos mais lhe convêm. Por exemplo, se pretende comprar uma propriedade em Portugal, então os requisitos na sua aprendizagem da Língua serão muito diferentes dos de alguém que está a gozar uma semana de férias. Estes exemplos ilustram a flexibilidade da nossa plataforma.”

Com sede em Lisboa mas acessível a partir de qualquer ponto do Globo, a plataforma ‘Practice Portuguese’ está presentemente a oferecer um desconto de 15% nas subscrições mensais ou anuais. Ver em practiceportuguese.com/PortugalMag»

[Tradução de original em Inglês publicado em The Portugal News. Imagem de topo: página de Beethoven no Facebook.]