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A vitimização como arma política – 1

PROPOSTA DE LEI N.º 19/XV/1.ª
(aprovada 21.07.2022)

ALTERA O REGIME JURÍDICO DE ENTRADA, PERMANÊNCIA, SAÍDA E AFASTAMENTO DE

ESTRANGEIROS DO TERRITÓRIO NACIONAL

O Programa do XXIII Governo Constitucional assumiu como compromisso privilegiar o relacionamento com cada um dos países de língua portuguesa em África, América e Timor-Leste. O Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados – Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinado em Luanda, em 17 de Julho de 2021, e aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 313/2021, de 9 de Dezembro, representa um contributo fundamental para a organização de fluxos regulares, seguros e ordenados de migrações, assim como para o combate à migração ilegal e ao tráfico de seres humanos a ela associado.

Este Acordo estabelece a base legal sobre a qual se construirá uma maior mobilidade e circulação no espaço da CPLP e constituirá um instrumento essencial para a regulação e a criação de condições para a entrada e permanência de cidadãos dos Estados-Membros da CPLP em Portugal.

Neste contexto, cabe criar as condições para a sua rápida implementação através das necessárias alterações legislativas na ordem jurídica interna.

Assim, com a presente proposta de lei, procede-se à alteração da Lei n.º 23/2007, de 4 de Julho, na sua redacção actual, que aprova o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, a fim de se alcançarem os objectivos consagrados no Acordo e de se permitir que o mesmo possa ser aplicado a todos os Estados-Membros da CPLP, à medida que depositem os respectivos instrumentos de ratificação.

Neste âmbito, determina-se, nomeadamente, que a concessão de vistos de residência e de estada temporária a cidadãos nacionais de um Estado em que esteja em vigor o Acordo CPLP não depende de parecer prévio do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), sem prejuízo de a concessão de vistos ser comunicada ao SEF, para efeitos do exercício das suas competências em matéria de segurança interna.

Em linha com o Programa do XXIII Governo Constitucional, a presente alteração procura, ainda, estabelecer procedimentos que permitam atrair uma imigração regulada e integrada, para o desenvolvimento do País, mudar a forma como a Administração Pública se relaciona com os imigrantes e garantir condições de integração dos imigrantes, destacando-se, a implementação das seguintes medidas:
(i) criação de um título de duração limitada que permita a entrada legal de imigrantes em Portugal com o objectivo de procura de trabalho;
(ii) simplificação de procedimentos;
(iii) possibilidade de os vistos de estada temporária ou de residência terem também como finalidade a prestação de trabalho remoto, bem como o acompanhamento dos familiares habilitados com os respectivos títulos, permitindo que a família possa, de forma regular, entrar em território nacional, entre outras medidas de promoção do reagrupamento familiar; e
(iv) aumento do limite de validade de documentos.

Neste contexto, a presente proposta de lei elimina a existência de um contingente global de oportunidades de emprego a fixar pelo Conselho de Ministros, para efeitos de concessão de visto para obtenção de autorização de residência para exercício de actividade profissional subordinada.

De igual modo, passa a ser permitido o exercício de uma actividade profissional remunerada, subordinada ou independente, a todos os estudantes do ensino secundário, estagiários, voluntários e admitidos a frequentar curso dos níveis de qualificação 4 ou 5 do Quadro Nacional de Qualificações, ou cursos de formação ministrados por estabelecimentos de ensino ou de formação profissional, que sejam titulares de uma autorização de residência, complementarmente à actividade que deu origem ao visto. […]

[Actividade parlamentar – “Debates” (cacografia brasileira corrigida automaticamente; acrescentei “links” a verde)]

Por exclusão de partes

Tendo em atenção os antecedentes, torna-se de novo perfeitamente clara a relação de causa e efeito entre o súbito surto de “queixas” por “xenofobia” e as consequentes “medidas” governamentais destinadas a, conforme diz a própria titular dos serviços que despacham leis, «facilitação da passagem de vistos de residência».

Portanto, à imagem e semelhança da “mecânica” já aqui profusamente ilustrada — e mais o que a seu tempo se verá — quanto mais abundante e espectacular for o coro de lamúrias a que os media dão cobertura, mais “generoso” será o “pacote” legislativo que a carimbadela parlamentar transformará de imediato em lei. Este imutável, repetitivo, geralmente encenado e sistematicamente rapidíssimo processo de vitimização-legislação, num país em que é “normal” que uma simples Proposta de Lei fique congelada durante mais de três anos até que finalmente não obtenha resposta, é um indicador seguro do enquadramento político (logo, económico) em que se insere desde 1986 o processo de demolição linguística e cultural em curso. De facto, desde que o AO90 foi aprovado e depois transformado numa espécie de regulamento interno para funcionários públicos, em 2008, o Parlamento (português) tem vindo a sucessivamente dar cobertura às diversas “medidas” governamentais de “facilitação” e de “agilização” (ou seja, de anulação sistemática de qualquer disposição incómoda para o efeito) do processo de feroz aculturação; em todas as “votações”, nesse mesmo âmbito, os chamados representantes do povo português votam sem pestanejar — e não poucas vezes sem fazerem a menor ideia daquilo que estão a aprovar — e por regra, como sucede neste caso do acordo de morbilidade, a aprovação foi quase imediata, o processo legislativo foi despachado num mês — para surpresa da própria jornalista brasileira que entrevista a Ministro especialista em Passos Perdidos.

Duas notas finais: primeira, escusado será repetir que os “queixosos”, os que se dizem “vítimas” de “racismo” e de “xenofobia, não são angolanos, moçambicanos, guineenses, cabo-verdianos, santomenses ou timorenses; segunda, que as “razões” aduzidas pela senhora Mendes não passam de mero exercício de verborreia; a uma tão previsível colecção de chavões e expressões “consagradas pelo uso” (como previsto no acordo cacográfico) não se costuma chamar argumentação, coerência, substância, conteúdo político ou sequer honestidade intelectual.

Não. Por exclusão de partes, tal chorrilho de lugares-comuns absolutamente desprovidos de sentido é aquilo que em política — e no quotidiano, entre pessoas decentes — se designa como demagogia. Pura demagogia.

O mesmo critério de exclusão de partes deve servir para destrinçar, de entre a selecção de auto-intituladas “vítimas”, qual é a única nacionalidade que usa a vitimização como arma política. E daí porquê ou para quê.

Casos de xenofobia existem, mas Portugal precisa da imigração, diz ministra

Ana Catarina Mendes defende novos vistos de trabalho e afirma que país acompanha episódios de discriminação

Giuliana Miranda

 

​Principal nome à frente da recém-aprovada reforma da lei de Estrangeiros em Portugal, que facilitou o acesso a vistos de trabalho para brasileiros, entre outros grupos, a ministra de Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, defende que imigrantes são essenciais para a sustentabilidade econômica e demográfica do país.

Deputada pelo Partido Socialista há mais de duas décadas, ela rebate críticas da oposição de que o projeto tenha tramitado de maneira apressada — o texto foi aprovado na última quinta (21), pouco mais de um mês após seu anúncio no Conselho de Ministros, mas já constava no Orçamento desde 2020.

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O ‘regime do deixa andar’ [José Carlos Barros]

«José Carlos Barros (Boticas, 1963) é licenciado em Arquitectura Paisagista pela Universidade de Évora e vive no Algarve, em Vila Nova de Cacela. A sua actividade profissional tem sido exercida nos domínios do ordenamento do território e da conservação da natureza. Foi director do Parque Natural da Ria Formosa. É autor, entre outros, dos livros de poesia Uma Abstracção Inútil, Todos os Náufragos, Teoria do Esquecimento, Pequenas Depressões (com Otília Monteiro Fernandes) e As Leis do Povoamento (editado também em castelhano). Com Sete Epígonos de Tebas venceu o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2009. Em 2003 estreou-se na prosa com O Dia em Que o Mar Desapareceu. Venceu vários prémios literários (com destaque para o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, que lhe foi atribuído duas vezes) e os seus textos poéticos estão publicados em vários países. O Prazer e o Tédio foi o seu primeiro romance, seguido de Um Amigo Para o Inverno (Casa das Letras, 2013), com o qual foi finalista do Prémio LeYa em 2012. Os seus livros mais recentes (poesia) são os seguintes: O Uso dos Venenos, ed. Língua Morta (2ª edição, 2018), A Educação das Crianças, ed. Do Lado Esquerdo Editora, 2020, Estação – Os Poemas do DN Jovem, 1984-1989, ed. On y Va, 2020, e Penélope Escreve a Ulisses, Edições Caixa Alta, 2021.» [Wook]

 

Esta entrevista do arquitecto, ex-deputado e escritor José Carlos Barros mereceria talvez algumas observações, mas qualquer delas iria decerto dispersar atenções, desviando o enfoque do essencial.

Em traços gerais, as respostas — numa conversa amena, aliás muito bem conduzida — pintam um quadro que, a traço grosso mas a cores, transmitem uma ideia genérica da “paisagem” acordista, num enquadramento em versão bucólica e por isso paradoxalmente assustador, com algum gado vacum e muita carneirada pastando em descanso sob o olhar vigilante de alguns ciosos pastores.

Convirá recordar que o entrevistado foi, em 2017, o deputado relator do Grupo de Trabalho parlamentar para a avaliação do “Impato” do AO90 (por extenso, “Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, de sua graça)[ver Nota, em baixo].

Como diz? Contradição? Bem, com certeza que sim… mas se calhar não. Isto das ralações parlamentares é assim, complicado mas pouco, difícil mas não muito, ao fim e ao cabo trata-se de saber quem diz o quê, se o que diz é “na condição de” deputado ou “enquanto” cidadão e quando e por quem será decidido que afinal a posição final já não é a inicial, muito pelo contrário, vem de trás para a frente e vice-versa.

Para se entender o que pensam ao certo os que “andam na” política, todos eles deveriam ser forçados — como acontece nos filmes — a pendurar ao pescoço um cartaz com os dizeres “qualquer semelhança entre o que eu penso e o que o Partido manda é mera coincidência”.

José Carlos Barros:

“Esta asneirada do acordo ortográfico é uma metáfora da degeneração da nossa sociedade”

Diogo Vaz Pinto
11/07/2022
ionline.sapo.pt

Os leitores de poesia já se haviam deparado há muito com os inventários afectivos e a subtil ironia de José Carlos Barros. Mas depois de ter já sido finalista do Prémio Leya, com o terceiro romance, aquele cuja escrita se arrastou por uma década, conquistou o prémio e então… o quê? Logo se verá.

Já o chinfrim amainou, e deram por si esgotadas aquelas semanas mais intensas, publicitárias, depois do anúncio do Prémio Leya, resta agora ver de que modo assenta o pó depois desse pequeno pé de vento, sendo este o mais cobiçado pelo valor, pelo pequeno buzinão que se segue, isto quando há muito a literatura por si só não alimenta já grandes farras. A glória literária vive de ninharias e é o passatempo de uns tantos que não se cansam de jogar a feijões e uma ocupação de uns poucos demagogos do mistério, que se devotam a umas aleivosias de feira em feira, improvisando umas patetices choramingonas para essa gente que aparece a fingir de povo. Isto não diminui o empenho daqueles que ainda se esmeram e dão anos da sua vida, tantas horas para superar alguns emperros de ofício, esses que não se encostam ao tal do ‘dom’ mas se esfalfam para encontrar as suas páginas levando a cabo esse esforço de sondagem e conhecimento mágico da realidade, não passando ao lado nem por cima das agruras, dos aspectos mais rudes e esgotantes do quotidiano. Transmontano, nascido em Boticas, e vivendo há vários anos no Algarve, José Carlos Barros foi vereador municipal e ainda deputado na Assembleia da República (2015-2019). Tem-se mantido fiel ao mundo de que sempre foi íntimo, trazendo notícias tantas vezes miúdas, como uma chuva que preferisse a sua avara e honesta melodia a inventar às três pancadas uns vendavais ou tempestades muito postiças. Seja nos poemas que escreve desde a adolescência seja nos romances a que se abalançou já maduro, prefere dizer-nos as coisas claramente, apresentar-nos paisagens de punhos cerrados contra ídolos de pó, do que vir-nos com galanteios de sonhos parvos. Durante o mandato na assembleia, bateu-se como pode contra ‘o silêncio antidemocrático’ com que nos fazem engolir certas aberrações como este novo acordo ortográfico e tem sido sempre uma voz crítica da forma como se tem esquecido o interior do país e se marginalizou a riquíssima cultura das populações rurais. O romance que lhe valeu o Prémio Leya – As Pessoas Invisíveis – procede, de resto, a um ajuste de contas com um obscuro e sujo episódio do período colonial, mas também com esta mentalidade do deixa andar, este alheamento e até receio de enfrentar o passado, isto num país onde persistem as mofentas lérias sobre a grandeza dos nossos feitos, e em que aqueles que nos exaltam a identidade vêm sempre com aranhas na boca já a dobarem a História.

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“Um Português e Um Brasileiro Entram Num Bar”

Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier apresentam espectáculo em S. Paulo (Brasil) nos dias próximos dias 25 e 26 de Junho (de 2022)

Sendo ambos por igual conhecidos pela sua saudável aversão ao chamado “acordo ortográfico de 1990” e já com créditos firmados na militância contra o estropício, também do guião desta nova “conversa” não poderia deixar de constar a abominável invenção que lembrou a Malaca, Bechara e Companhia (e a outros palhaços, dos quais não consta o próprio Batatinha).

De entre os diversos conteúdos já aqui reproduzidos com intervenções de Ricardo Ararújo Pereira sobre o AO90, deve destacar-se o post AO90: a tomada de três pinos “lusófona” e também a reprodução de um documento (ver em baixo, depois dos vídeos) que plenamente comprova que este cidadão ao menos não se limita a falar.

Humoristas Gregório Duvivier e Ricardo Araújo Pereira apresentam Um Português e Um Brasileiro Entram

Cartão de Visita News
https://cartaodevisita.r7.com/conteudo/40322/humoristas-gregorio-duvivier-e-ricardo-araujo-pereira-apresentam-um-portugues-e-um-brasileiro-entram

Digital StillCamera

Espetáculo mescla palestra, improviso e conversa para discutir de forma espirituosa como fazer humor em tempos de cancelamento e outras questões inquietantes
https://cartaodevisita.r7.com/conteudo/40322/humoristas-gregorio-duvivier-e-ricardo-araujo-pereira-apresentam-um-portugues-e-um-brasileiro-entram

Considerados dois importantes nomes do humor em língua portuguesa, o brasileiro Gregório Duviver e o português Ricardo Araújo Pereira se encontram no espetáculo Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar…, que tem apresentações nos dias 25 e 26 de junho no Teatro Procópio Ferreira.

 

Em uma mistura de palestra, conversa e improviso, os dois amigos – separados apenas pelo oceano Atlântico – contam histórias engraçadas e falam sobre vários temas que os inquietam, como, por exemplo, como fazer humor em tempos de cancelamento e os novos obstáculos que tornam a profissão de humorista ainda mais desafiadora.

Gregório e Ricardo não responderão, no entanto, a perguntas como: “Pode-se rir de tudo?” ou “qual o limite do humor?”. Cansados de ouvir sempre essas mesmas questões, eles resolveram fazer novas perguntas: por que é que “já” é agora, mas “já já” é daqui a pouco? Por que é que “ãrrã” é sim, mas “ã-hã” é não?. Muitos dirão que existem pouquíssimos elementos que unam todas as variantes do português. A dupla de palestrantes vai discordar. Todas as variantes desprezam com igual fervor o Novo Acordo Ortográfico.

Assim, com esse tom debochado, eles exploram fatos que os aproximam. Gregório, por exemplo, criou junto com amigos o Porta dos Fundos. Já Ricardo fundou o Gato Fedorento, grupo que serviu de inspiração para esse canal. E ambos escrevem semanalmente para o jornal Folha de S.Paulo e fazem um programa de humor político.

Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar… surgiu em 2017 e os dois humoristas se juntaram e conversaram apenas duas vezes. Os vídeos desses encontros ultrapassaram um milhão de visualizações no YouTube. Mas o mais importante: ficaram amigos. Nunca mais se viram. Hoje são duas figuras ímpares do humor em português e precisam de um pretexto para voltar a se juntar.

Sinopse
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Apartado 53: novas páginas

Este “apartado” não é só um repositório de conteúdos sobre o AO90 publicados nos órgãos de comunicação social, em suportes virtuais, em redes de rádio e TV, nas redes anti-sociais ou em qualquer outro tipo de fontes; muito menos será este um espaço meramente opinativo ou de reflexão sobre tão estranhos e recentes fenómenos quanto, por exemplo, o brasileirismo ofegante, a bajulação impenitente, a subserviência como filosofia de vida e o seguidismo como única ocupação.

Não tendo este endereço electrónico (i.e., a pessoa que nele se aloja, salvo seja) absolutamente nada a ver com tão ociosas elucubrações e semelhante espécie de dúvidas existenciais, além da extrema falta de tempo para deitar fora, ao menos por aqui vai-se tentando ajudar em alguma coisinha na luta contra o linguicídio em particular e o anti-portuguesismo em geral — um movimento de estrangeirados em que o AO90 é a peça central, terra-de-ninguém onde se acoitam mercenários e vendidos.

Modestamente, sim, este simples blog vai fazendo o que pode e até o que pelos vistos “não pode”. Uma das coisas “que pode” e faz é a reprodução dos documentos oficiais que mais incisiva ou determinantemente estão relacionados com o AO90; os quais por regra são traduzidos do brasileiro, anotados, inter-relacionados com “links” e, sobretudo, são adicionados destaques, sublinhados e vermelhos nos períodos ou partes de maior relevância. Esse tipo de conteúdos, que serve como sustentação legal e factual aos “posts”, passam à categoria de “páginas”.

Raramente vou dando aqui notícia das que vão entrando para o menu do blog (ou pelo menos para a lista geral de documentos). Em qualquer dos casos, constam do mapa do site (xml) e podem ser sempre localizados, é claro, através da busca interna (na parte superior da barra da esquerda).

E pronto, expostos os considerandos atinentes, em conclusão, só para variar, aqui vão indicações de algumas das últimas páginas recentemente incluídas no Apartado 53.

Saudações anti-acordistas.

Ferramentas

As ferramentas essenciais para quem tenciona continuar a escrever e (principalmente) a ler em Português, seja “navegando” na Internet seja escrevendo e/ou corrigindo texto estão agora aqui seriadas e explicadas da maneira mais simples possível.

Internet em Português: Chrome, Edge e Firefox

Não precisa de levar no seu computador com as páginas de Internet portuguesas todas assassinadas pela cacografia brasileira que foi imposta a Portugal (e PALOP). Existem ferramentas fáceis e práticas para que possa ler de novo em Português os conteúdos que estavam correctos em “sites” que passaram (ou foram obrigados) a “adotar” o AO90.

[Google Chrome]
[Microsoft Edge]
[Mozilla Firefox]

“Websites” em Língua Portuguesa

Esta pequena selecção de logótipos (com os respectivos “links) pretende ser meramente representativa da imensa quantidade de sites, páginas, organizações, plataformas e serviços que na Internet mantêm a Língua Portuguesa inalterada, ou seja, com os seus conteúdos livres da contaminação pela cacografia brasileira imposta pelo AO90.

Texto em Pt-Pt: dicionário/corrector FLiP

Certamente, a melhor ferramenta do género. Indispensável para quem trabalha com a Língua Portuguesa… em Português! O FLiP (Ferramentas para a Língua Portuguesa) inclui, além de dicionário online (grátis), um corrector ortográfico e sintáctico — programa local ou utilitário gratuito — que pode ser utilizado em qualquer processamento de texto (Office, Windows, etc.). Disponível também em “plugin” para o WordPress.

Declaração de Brasília

Resolução sobre Cidadania e Circulação de Pessoas no Espaço da CPLP, que aprova os seguintes Acordos:
• Acordo Sobre Concessão de Vistos de Múltiplas Entradas para Determinadas Categorias de Pessoas;
• Resolução sobre o Fórum Empresarial da CPLP;
• Resolução sobre a Revisão dos Estatutos da CPLP;
Resolução sobre a Vigência dos Actos Internacionais;

Resolução CPLP 2002: três por oito

DECIDE:
Recomendar seja considerada a conveniência de inscrição de artigo, nos Actos que venham a ser firmados no âmbito da CPLP, segundo o seguinte padrão geral:

1 – O presente Acordo entrará em vigor no primeiro dia do mês seguinte à data em que três Estados membros da CPLP tenham depositado na sede da CPLP, junto do seu Secretariado Executivo, os respectivos instrumentos de ratificação ou documentos equivalentes que os vinculem ao Acordo.

Resolução estatutos CPLP

O artigo 21º (Proveniência dos Fundos ) passa a ter a seguinte redacção:
Os fundos da CPLP são provenientes das contribuições dos Estados Membros mediante quotas a serem fixadas pelo Conselho de Ministros.
A CPLP conta com um Fundo Especial, dedicado exclusivamente ao apoio financeiro das Acções Concretas levadas à cabo no quadro da CPLP, constituído por contribuições voluntárias, públicas ou privadas, e regido por Regimento próprio, aprovado pelo Conselho de Ministros.

Constituição da CPLP

Os Chefes de Estado e de Governo de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, reunidos em Lisboa, no dia 17 de Julho de 1996, Imbuídos dos valores perenes da Paz, da Democracia e do Estado de Direito, dos Direitos Humanos, do Desenvolvimento e da Justiça Social;
Tendo em mente o respeito pela integridade territorial e a não-ingerência nos assuntos internos de cada Estado, bem como o direito de cada um estabelecer as formas do seu próprio desenvolvimento político, económico e social e adoptar soberanamente as respectivas políticas e mecanismos nesses domínios;

Acordo de Mobilidade CPLP

Ressaltando que na Declaração sobre Pessoas e Mobilidade na CPLP, aprovada na Cimeira de Santa Maria, em 2018, os Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reafirmaram que “a mobilidade e a circulação no espaço da CPLP constituem um instrumento essencial para o aprofundamento da Comunidade e a progressiva construção de uma Cidadania da CPLP“;

Diário das sessões – aprovação RAR 35/2008

«Percebeu-se, porém, que o processo de ratificação por parte dos Estados da CPLP era, apesar de tudo, especialmente moroso, por razões compreensíveis: alguns deles encontravam-se em guerra, alguns deles tinham processos legislativos e parlamentares não estabilizados. E daí que, em 2002, na Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada em Brasília, se tenha deliberado que os tratados celebrados no âmbito da CPLP passassem a entrar em vigor logo que ratificados por quaisquer três membros.
Todos os tratados eram assinados pelos governos membros da CPLP, mas o processo de ratificação, para a entrada em vigor dos tratados, passaria a ser suficiente quando levado a cabo por três [José António Pinto Ribeiro, Ministro da Cultura]

Internet em Português: Chrome e Firefox

CHROME Desacordo Ortográfico – extensão Chrome

«Ah e tal agora escreve-se assim…»
«Extensão para o Google Chrome que converte páginas escritas ao abrigo do acordo ortográfico de 1990 para o de 1945. Está publicada aqui. […]. Papa-linces.»
«Não há coisa mais aberrante do que uns mentecaptos a tentar “evoluir” a língua à força e por decreto. Esta idiotice tem de acabar (e rápido), e esta iniciativa é uma forma de devolver a sanidade às vítimas deste aborto ortográfico.»
«Voltemos a ler em bom Português.» [Miguel Laginha, “Desacordo Ortográfico“]

[com a cacografia brasileira] [em Português]
[Wikipédjia lusôfona (brasileira) em brasileiro] [Wikipédjia brasileira com ortografia em Português]
Install an extension
1. Open the Chrome Web Store.
2. Find and select the extension you want.
3. Click Add to Chrome.
4. Some extensions will let you know if they need certain permissions or data. To approve, click Add extension. Important: Make sure you only approve extensions that you trust.
Instalar uma extensão no Chrome
1. Aceder a Chrome Web Store
2. Procure e seleccione a extensão pretendida.
3. Click em “adicionar ao Chrome”.
4. Algumas extensões irão indicar permissões ou dados necessários para a instalação. Para aprovar, click em “adicionar extensão”. Assegure-se de que aprova extensões de proveniência segura.

O processo de instalação de uma extensão no Chrome é muito simples e intuitivo. Depois de instalada esta, a “desacordo Ortográfico”, pode adicionar um “botão” ao menu de topo do browser (como na imagem a seguir) e pronto, sempre que quiser ver uma página da Internet com a ortografia do Português basta um click no ícone com “O” em fundo preto.


FIREFOX

Firefox contra o Acordo Ortográfico – extra para “FoxReplace”

«Este site pretende ser mais uma frente de luta contra a aberração que é o Acordo Ortográfico. Mais especificamente, será o site oficial de suporte e divulgação ao método para colocar o seu Firefox a mostrar textos em acordês como se estivessem escritos de acordo com a norma do AO45, que é aquela que todos conhecemos muito bem e estamos familiarizados. Isto é feito com recurso ao extra FoxReplace, para o Firefox. Não sabe o que é? Encontra a resposta na página convenientemente denominada O que é?.» [João Ricardo Rosa, “Firefox contra o Acordo Ortográfico“]

[com a cacografia brasileira] [em Português]
[texto de acordista] [texto do acordista em Português]

Existem inúmeras variáveis de configuração da extensão FoxReplace para Firefox e do respectivo ficheiro de palavras e sites onde as alterações podem actuar automaticamente (ou “a pedido”, conforme preferir). Na imagem seguinte vê a localização da extensão nas “ferramentas” do Firefox (em Windows 10) e as opções imediatas — aplicar substituição automática ou só na página corrente (“manual”) — e as configurações globais (em Options/Opções) através do conteúdo do ficheiro de substituições.
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«Deite-se fora o Acordo Ortográfico» [Miguel Esteves Cardoso, 8 Abril 2022]

Voltar à frente

Miguel Esteves Cardoso
“Público”, 8 de Abril de 2022

Deite-se fora o AO e, em vez desse desmando, ensinemos às nossas crianças a riqueza, a graça e a personalidade das várias versões nacionais da língua portuguesa.

Emendar a mão é o único sinal de superioridade. Quem emenda a mão é porque sabe que errou. Mas, para saber que errou, tem de estar acordado, tem de estar aberto, tem de ouvir as vozes discordantes, tem de mostrar a coragem de ser constantemente avaliado.

A humildade não é um princípio nem um valor. Não é interior sequer. A humildade é uma prática. Só se afirma nas acções. Ser humilde é praticar a humildade: não é fazer-se de santo ou encher a boca de palavras aprovadas.

Para se ser humilde é preciso dar valor aos outros, estar atento aos outros, ter medo de nos enganarmos e confiar nos outros para nos corrigir.

É por isso que emendar a mão é tão bonito de se ver: é o contrario da arrogância, 0 contrário da prepotência, o contrário da rigidez, o contrário do fechamento.

É altura de dar uma alegria à língua portuguesa: é altura de a libertar do Acordo Ortográfico.

O Acordo Ortográfico foi feito numa altura em que a uniformização estava na moda, numa época em que se pedia às pessoas que esquecessem as diferenças.

Mas entretanto tudo mudou: agora são as diferenças que é preciso celebrar. Portugal já não é um pais pequenino diante o Brasil e os outros países que falam português. Agora, Portugal é Portugal e o Brasil é o Brasil e São Tomé e Príncipe é São Tomé e Príncipe.

O contrario da uniformização é a celebração das diferenças. A melhor maneira de as celebrar é através do estudo. Deite-se fora o Acordo Ortográfico e, em vez desse desmando, ensinemos às nossas crianças a riqueza, a graça e a personalidade das várias versões nacionais da língua portuguesa.

E nos também temos direito à nossa versão, à nossa ortografia, às nossas manias, às nossas particularidades.

A alegria da nossa língua é a liberdade.

Restituam-na e serão recompensados.

 

[Reprodução integral (por “text scan”) de crónica da autoria de
Miguel Esteves Cardoso (MEC)
publicada na edição em papel do jornal “Público”
de 8 de Abril de 2022
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]

«(…) o AO é um acto de genocídio cultural, estético, racional e político.»
«O AO é como querermos unir, à força, os verões e os climas brasileiros, portugueses e cabo-verdianos, procurando semelhanças superficiais e despromovendo diferenças profundas, só para chegarmos à conclusão que todos sentimos frio e calor e que todos somos molhados pela chuva.Por muito que acreditemos no contrário, os nossos tempos, como as nossas línguas – e as maneiras como as escrevemos graficamente – são parecidos de mais para fingirmos que somos diferentes. Mergulhamos no conhecido e aprendemos como deve ser.»
[«Calor e mar bravo» [MEC, Público], 12.08.11]

«(…) em que se noticiava e elogiava a decisão de Vasco Graça Moura, depois de ter consultado e obtido o apoio unânime do conselho de administração do Centro Cultural de Belém, de mandar à merda o Acordo Ortográfico.» [«Grande Vasco» [MEC, “Público”, 06.02.12]

«Os escritores e cronistas Miguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia vão continuar a usar o Acordo Ortográfico de 1945, questionando a utilidade do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, cujo período de transição da sua aplicação termina quarta-feira*.»
«Questionado pela Lusa, se a partir de 13 de Maio irá utilizar a nova grafia Miguel Esteves Cardoso foi peremptório: “Claro que não! Nunca. É uma posição de liberdade e patriótica”.» [LUSA – 105 FM – 09 Maio 2015, “post” com o título “Miguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia (e muitos outros) não aceitam AO90″, 11.05.15]

«Daqui a 50 anos, em 2065, quase todos os opositores do analfabeto Acordo Ortográfico estarão mortos. Em contrapartida, as crianças que este ano, em 2015, começaram a ser ensinadas a escrever tortograficamente, terão 55 anos ou menos. Ou seja: mandarão no país e na língua oficial portuguesa.»
«A jogada repugnante dos acordistas imperialistas — ignorantes e cada vez mais desacompanhados pelas ex-colónias que tentaram recolonizar ortograficamente — terá ganho tanto por manha como por estultícia.»
«As vítimas e os alvos dos conspiradores do AO90 não somos nós: são as criancinhas que não sabem defender-se.» [«O segundo acto» [Miguel Esteves Cardoso, “Público”, 20.05.15]


Se em vez de mim “à frente” da iniciativa estivesse alguém como Miguel Esteves Cardoso, “nosso” MEC, ou um outro nome ainda mais veterano (e venerável), Pedro Tamen, por exemplo, bem, pois com certeza, nesse caso outro galo cantaria, o pessoal mui naturalmente adora seguir um líder, mas que esse líder seja gente de algo, garantia à cabeça — literalmente — de que de sua ilustre cabeça jorrarão ideias em tropel e prestígio a rodos e brilho aspergido por todos em volta. [JPG, “Uma história (muito) mal contada [XXVII]”, 20.12.15]


[Nota: a versão online do artigo está disponível apenas para assinantes do “Público”. Imagem inserida na transcrição (foto-montagem de MEC) do jornal online “Observador”.]