Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: liberdade

“Dinheiro vivo”

O “despacho” da agência Brasilusa que agora se reproduz tem tudo a ver com o artigo de opinião anterior. Basta ler aquele e depois este, de enfiada, e facílimo se torna concluir que estamos perante uma espécie de jogo de espelhos: o que um constata com amargura (o Brasil está a aniquilar as ancestrais relações culturais e linguísticas entre Portugal e os PALOP) o outro apresenta em triunfo como sendo uma “conquista” da organização brasileira CPLP mai-lo seu “império global”.

Mais uma alegre trupe de maluquinhos, está bem de ver; até metem Donald Trump ao barulho, qual verdadeiro artista que abrilhantará a festa. Tal é o desplante deste grupo excursionista especializado em “turismo linguístico” cujos membros, a expensas de alguns tugas deslumbrados, percorrem as estâncias de veraneio, os casinos e outros tipos de estabelecimentos de acesso VIP (“é favor usar gravata e não usar as mangas para assoar-se, seu labrego“) levando o samba, o fio dental e a aguardente de cana aos confins do mundo.

Uma espécie de Novas Descobertas pós-modernistas, sem caravelas nem padrões mas com imensa batucada e imensos gajos do futchibóu.

Lisboa, 11/7/2018 - Maria do Carmo Silveira posa na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de que é secretária executiva. Política são-tomense, foi primeira-ministra de São Tomé e Príncipe e chega em breve ao fim do seu mandato de dois anos à frente da CPLP. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Lisboa, 11/7/2018 – Maria do Carmo Silveira posa na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de que é secretária executiva. Política são-tomense, foi primeira-ministra de São Tomé e Príncipe e chega em breve ao fim do seu mandato de dois anos à frente da CPLP. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

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Líderes da CPLP reúnem-se para debater liderança global

Os líderes dos países de língua oficial portuguesa reúnem-se esta terça-feira depois do debate Geral da 73.ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque.
Os líderes de Portugal e dos Países de Língua Portuguesa reúnem-se esta terça-feira em Nova Iorque, depois das intervenções de abertura do Debate Geral da 73.ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O debate vai ser inaugurado esta terça-feira pelas 09:00 em Nova Iorque (14:00 em Lisboa) com a intervenção do Presidente do Brasil, Michel Temer. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também vai fazer uma intervenção na abertura do Debate Geral, seguido pelo Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, da França, Emmanuel Macron e do Irão, Hassan Rouhani, entre outros. À tarde, na continuação dos trabalhos, falará o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que segundo um comunicado da presidência moçambicana, vai apresentar o compromisso do país com a consolidação da paz e reconciliação nacional. O debate geral deste ano tem como tema: “Tornar a ONU relevante para todos: Liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis”. A reunião informal dos chefes de Estado e de governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem início às 16:00 locais, 21:00 em Lisboa, com uma duração esperada de duas horas e meia. Vão estar presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao lado dos representantes lusófonos. A reunião é promovida por Cabo Verde, país que assume a presidência temporária da CPLP. Hoje, o Presidente da República português participa também num evento de alto-nível sobre acção para a manutenção de paz. O ministro dos Negócios Estrangeiros participa num evento da ONU sobre a pena de morte e noutro sobre o combate à poluição provocada pelo plástico. O dia termina com o Jantar Transatlântico, promovido pelo Departamento de Estado norte-americano. O Presidente do Brasil participa também numa reunião de chefes de Estado dos países do Mercado Comum do Sul, mais conhecido como Mercosul, às 11:00 horas locais. Também hoje, realiza-se na ONU uma Reunião Ministerial do G4, com representantes da Alemanha, Brasil, Índia e Japão.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também vai fazer uma intervenção na abertura do Debate Geral, seguido pelo Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, da França, Emmanuel Macron e do Irão, Hassan Rouhani, entre outros. À tarde, na continuação dos trabalhos, falará o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, que segundo um comunicado da presidência moçambicana, vai apresentar o compromisso do país com a consolidação da paz e reconciliação nacional. O debate geral deste ano tem como tema: “Tornar a ONU relevante para todos: Liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis”. A reunião informal dos chefes de Estado e de governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem início às 16:00 locais, 21:00 em Lisboa, com uma duração esperada de duas horas e meia. Vão estar presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao lado dos representantes lusófonos. A reunião é promovida por Cabo Verde, país que assume a presidência temporária da CPLP. Hoje, o Presidente da República português participa também num evento de alto-nível sobre ação para a manutenção de paz. O ministro dos Negócios Estrangeiros participa num evento da ONU sobre a pena de morte e noutro sobre o combate à poluição provocada pelo plástico. O dia termina com o Jantar Transatlântico, promovido pelo Departamento de Estado norte-americano. O Presidente do Brasil participa também numa reunião de chefes de Estado dos países do Mercado Comum do Sul, mais conhecido como Mercosul, às 11:00 horas locais. Também hoje, realiza-se na ONU uma Reunião Ministerial do G4, com representantes da Alemanha, Brasil, Índia e Japão.
[Transcrição parcial de “Líderes da CPLP reúnem-se para debater liderança global ”, publicado no jornal “Dinheiro Vivo” de 25.09.18. Destaques meus. A desortografia  abrasileirada do original  foi automaticamente corrigida pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

 

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“O que há de melhor em Portugal?” Gente decente!


«Todas as reportagens têm de estar escritas em língua portuguesa. Podem ser escritas no antigo ou no novo acordo ortográfico, mas na data de publicação todas elas serão adaptadas à grafia do antigo acordo ortográfico

O que há de melhor em Portugal? Quem responder ganha o concurso Descla/Fnac Viseu

Por Mariana Rodrigues
Revista “Descla”, 11.09.18

 

Pelo segundo ano consecutivo, a Descla e a Fnac Viseu dinamizam o concurso que premeia as melhores reportagens escritas sobre “o que é bem português”.

Os participantes habilitam-se a ver o seu trabalho publicado no site da Descla e a ser prendados com uma estadia para dois numa Pousadas de Portugal, um jantar para duas pessoas na Pousada de Viseu ou um pack Fnac.

Regulamento:

  • Este concurso consiste na criação de uma reportagem nas temáticas de desporto, cultura, lazer, turismo e património. Podem ser de âmbito nacional ou internacional, mas todas as reportagens têm de focar algo que seja português.
  • Todas as reportagens têm de estar escritas em língua portuguesa.
  • Podem ser escritas no antigo ou no novo acordo ortográfico, mas na data de publicação todas elas serão adaptadas à grafia do antigo acordo ortográfico.
  • Todas as reportagens seleccionadas serão publicadas na revista Descla com o nome do seu autor e passam a ser propriedade da revista Descla e da Fnac Viseu.
  • Qualquer reportagem que já tenha sido publicada em qualquer outro local (órgão de comunicação, blog, site…) será automaticamente excluída do concurso.
  • Cada reportagem tem de ter no mínimo duas fotografias e no máximo seis.
  • O número mínimo de participantes é 10, sem o qual o concurso é cancelado.
  • Os menores de 18 anos precisam de autorização do encarregado de educação para participar no concurso.
  • Não podem participar no concurso familiares directos dos funcionários da revista Descla, da Fnac Viseu e da Pousada de Viseu.
  • As reportagens devem ser enviadas para cultura@descla.pt até dia 31 de Outubro pelas 23:59.
  • O 1º prémio é uma estadia de duas noites para duas pessoas numa das Pousadas de Portugal, o 2º prémio um jantar para duas pessoas na Pousada de Viseu e o 3º prémio um pack Fnac.
  • A data de entrega dos prémios será a 30 de Novembro, pelas 21:00 horas, na Fnac Viseu.

Source: O que há de melhor em Portugal? Quem responder ganha o concurso Descla/Fnac Viseu – Descla

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“Os Maias”, bro? Yow, cena fatela!

Aparentemente, isto seria uma boa notícia: afinal os facínoras politicamente correctos (passe a redundância) que enxameiam o Ministério da “Educação” ganharam juízo e recuaram, ao menos por uma vez, se calhar sem exemplo, numa das suas desastrosas decisões.

Pois bem, não me parece. De todo. Não há nisto mais do que uma manobra táctica, aliás a do costume, consistindo esta em fingir que existe recuo quando se trata de simples adiamento: a seu tempo, quando àquela espécie de lagartixas extra-terrestres mais convier, o “recuo” de agora será mais tarde cobrado com juros exorbitantes. A real finalidade mantém-se intacta e entretanto os papalvos do costume rejubilam com o que julgam ser uma “grande vitória” a curto prazo.

Pois sim. A curto prazo o engodo da “reposição” de “Os Maias“, por exemplo, mas depois, a médio prazo, o abate sistemático de tudo aquilo que vagamente cheire a Literatura no ensino, e por fim, a longo prazo, a institucionalização da “ideia” subjacente: ler não passa de um ridículo anacronismo, às crianças e aos jovens a leitura “não serve para nada”, há que dar vazão à sua própria “criatividade” (jogando futebol, por exemplo) e promover a “inclusão” erradicando por via administrativa a “exclusão”. Sempre a mesma dicotomia simplista, a mesma premissa binária de incompatibilidade mútua,

Ou seja, patacoada pseudo-progressista atrás de patacoada pseudo-pedagógica, mais tarde ou mais cedo um “radioso” futuro de “igualdade” universal acabará de uma vez por todas com os últimos laivos de esperança em que as gerações vindouras não sejam exclusivamente compostas de perfeitos ignorantes, completos trogloditas, absolutos idiotas.

Os Maias voltaram à lista de leitura para o ensino secundário

Ministério da Educação recuou na proposta de conteúdos que devem ser leccionados no secundário. Versão definitiva das aprendizagens essenciais volta a incluir quais as obras que devem ser lidas em vez de deixar esta escolha a cada professor.

Clara Viana
“Público”, 02.09.18

 

A obra de Eça de Queirós Os Maias não vai, afinal, desaparecer da lista de leitura para o ensino secundário, como o Ministério da Educação (ME) chegou a propor. É o que se pode comprovar ao ler a versão definitiva das aprendizagens essenciais para o secundário, que foi homologada nesta sexta-feira por despacho do Secretário de Estado da Educação João Costa.

As chamadas aprendizagens essenciais vão ser aplicadas a partir do próximo ano lectivo, num processo que começará, no caso do secundário, pelo 10.º ano. Para o ME, a definição destas aprendizagens, que esteve sobretudo a cargo das associações de professores, é necessária para resolver o problema da “extensão” dos actuais programas e permitir que seja fixado um “conjunto essencial de conteúdos” que todos os alunos devem saber, em cada disciplina, no final de cada ano de escolaridade.

Na versão que esteve em consulta pública em Julho, os documentos propostos para a disciplina de Português omitiam quais as obras de Eça de Queirós que deveriam ser lidas no secundário, referindo apenas que os alunos teriam de ler um livro deste autor.

O programa da disciplina, que ainda se encontra em vigor, determina que a abordagem a Eça de Queirós, que faz parte da matéria do 11.º ano, passa pela leitura de um de dois livros: Os Maias ou a Ilustre Casa de Ramires. E é essa a prática que tem sido seguida nos últimos anos.

A supressão da obra Os Maias na versão inicial apresentada pelo ME, noticiada pelo PÚBLICO, deu origem a um coro de protestos de académicos, professores e especialistas queirosianos. Mas como o ME não tem por hábito elaborar relatórios das consultas pública que promove, não se sabe quantas propostas de alteração foram apresentadas, nem qual o seu teor.

Não foi só em relação a Eça de Queirós que o ministério recuou. Em todas as listas de leitura apresentadas agora para o 10.º, 11.º e 12.º anos, voltam a ser inscritas as obras de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Camilo Castelo que constam do programa, mas que tinham desaparecido da versão inicial das aprendizagens essenciais, onde foram substituídas pela referência “escolher um romance” de um destes três autores. Foi o que passou também com Cesário Verde, onde se apontava apenas que seria preciso “escolher três poemas”, o que agora foi substituído pela leitura obrigatória, como tem sido a norma, do Sentimento dum Ocidental.

Na altura, a presidente da Associação de Professores de Português, Filomena Viegas, justificou esta opção, por um lado com a necessidade de diminuir o número de obras propostas para leitura e, por outro para se permitir “o alargamento das opções que podem ser tomadas pelos docentes”, a quem ficaria entregue a escolha dos livros que os alunos deveriam ler.

Também no 12.º ano o ME desistiu de retirar a abordagem ao conto, enquanto género literário. Na lista de leitura para este ano de escolaridade voltam a estar incluídos contos de Manuel da Fonseca, Maria Judite de Carvalho e Mário de Carvalho.

Num artigo de opinião escrito para o PÚBLICO, a professora da Universidade do Porto e ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, chamou a atenção para o facto de a supressão do conto do programa de Português não ser “uma opção desejável, até por se tratar de um género breve que os jovens nas sociedades de hoje (…) nitidamente privilegiam como é possível constatar na blogosfera onde narrativas breves e micronarrativas ocupam lugar de relevo”.

Por fim, no que respeita ao 10.º ano, a versão definitiva das aprendizagens essenciais volta a incluir a Crónica de D. João I, de Fernão Lopes, que na proposta inicial tinha sido erradicada.

cviana@publico.pt

Source: “Os Maias” voltaram à lista de leitura para o ensino secundário | Escolas | PÚBLICO

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O buraco de trás

«They can make you say anything – anything – but they can’t make you believe it.
They can’t get inside you.
»
George Orwell, “1984”

 

“Esclarecido” o que é e porque surgiu o “buraco da frente” vejamos, por analogia (salvo seja, não sei se já tinha dito), o seu émulo das traseiras, na mui douta opinião de outros, se bem que da mesma espécie, especialistas na matéria — canadianos, neste caso.

Isto é, apuremos então em que consiste o conceito de “buraco de trás” e como este outro orifício se enquadra na mesma linha de engenharia linguística para fins de experimentalismo social.

Note-se que sobre o buraco anterior aqui citado, ou seja, dizer “buraco da frente” em vez de dizer (ou escrever) “vagina”, está ainda numa fase precoce de “implementação”, não sendo ainda obrigatório por lei trocar uma designação pela outra, ainda não é CRIME usar o termo “vagina” para designar vagina em vez de “buraco da frente” para designar vagina.

Mas se quanto a esse buraco ainda não é CRIME chamar outra coisa além de “buraco da frente”, em qualquer parte do mundo, cenário bem diferente se passa já quanto a toda uma classe gramatical numa certa parte do mesmo mundo: a classe é a dos pronomes e a parte é o Canadá.

Sucede que o país da “folha do ácer” tem correntemente um Primeiro-Ministro com seu quê de atrasado mental, ou de perfeito imbecil, vá, um tal Justin Trudeau, de sua graça, cuja função primordial parece consistir na demolição sistemática da linguagem: chamando os bois por outros nomes, deixa de haver bois. O que significa que, por exemplo, se a “pobreza” passar a ser “desfavorecimento”, então fica doravante administrativamente erradicada a pobreza, são eliminados de uma assentada todos os pobres e passarão a existir apenas “desfavorecidos”. Proibindo qualquer menção a “ignorância” e se, em vez deste desprezível termo, for obrigatório utilizar a expressão “necessidades educativas especiais” (ou outra patacoada qualquer), então está erradicada a iliteracia, toda a população receberá de imediato os respectivos canudos, à escolha. O próprio conceito de “crime” (quando perpetrado por “criminosos”, tipos violentos), por extenso e extensivamente, desaparecerá de todo — até porque é muito aborrecido, por vezes mete sangue, ou assim, sei lá — caso se passe a designar a coisa como “acidente de percurso” e os coisinhos como “vítimas da sociedade, coitadinhas”.

Coisa brilhante, portanto, que vai aliás fazendo escola — inclusivamente em Portugal, descontando os habituais dez anos de atraso — e que permite destarte resolver todos os problemas sociais sem sequer aflorar absolutamente nenhum deles.

No fundo, salvo seja pela enésima vez, trata-se neste caso de pronomes e, making short a very long story, sucede que a lei canadiana (alterando os próprios preceitos constitucionais) não apenas torna agora obrigatório o uso de pronomes consoante o “género” da pessoa (ou grupo) a que o pronome é aplicado, como CRIMINALIZA a utilização de “apenas” o masculino ou o feminino. Do que resulta isto: qualquer pessoa que pretenda dirigir-se, comunicar com ou referir-se a alguém (ou a um grupo) terá de saber de cor esta tabela de “géneros” alternativos. 

Gender Neutral / Gender Inclusive Pronouns

A gender neutral or gender inclusive pronoun is a pronoun which does not associate a gender with the individual who is being discussed.

Some languages, such as English, do not have a gender neutral or third gender pronoun available, and this has been criticized, since in many instances, writers, speakers, etc. use “he/his” when referring to a generic individual in the third person. Also, the dichotomy of “he and she” in English does not leave room for other gender identities, which is a source of frustration to the transgender and gender queer communities.

People who are limited by languages which do not include gender neutral pronouns have attempted to create them, in the interest of greater equality.

Quem tentar escapar disto, quem mijar fora do penico, ou pede publicamente desculpa aos/às/les/lis/xis/vis ofendidos/as/les/lis/xis/vis ou então paga uma multazinha jeitosa ou ainda, no caso de ser reincidente, vai malhar com os ossos na cadeia.

Isto é em Inglês, claro, e suponho que em Francês também, desgraçados dos Québécois, mas fazendo um exercício de analogia simplificado teríamos em Português algo como “ele, ela, ila, vila, vela, xela, xilo, zil, eles, elas, ilas, vilas, velas, xelas, xilos, zils, seus, suas, trilas, trilos, hezis, silas, xzels”, etc., etc., etc.

Um prodígio da pós-modernidade. Digo, uma prodígia dil pós-modernimil. Ou lst prodígicoise da modernzilic.

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O buraco da frente

Em prol de uma coisa que designa como “linguagem inclusiva”, certa organização LGBTQIA (acho que faltam na sigla algumas das letras do alfabeto) preconiza — o habitual primeiro passo para a obrigatoriedade por lei — que o termo “vagina” seja substituído pela expressão “buraco da frente”.

Mais declaram, os extremamente virtuosos paladinos do conceito, entre outras pérolas de semelhante cultura, que, historicamente falando, sempre houve uma tão evidente quanto generalizada “homofobia e transfobia” (ou lá o que é), o que se reflectia (indecentemente, se calhar) nos manuais (salvo seja) e nos “guias de sexo seguro”. Ora, dizem eles, e quem somos nós para duvidar, esse tempo já lá vai, acabou-se a bandalheira, agora é que é a sério: mude-se o nome da coisa (salvo seja, de novo) e pronto, aí está a tal “linguagem inclusiva”.

“Buraco da frente”, aliás, substituindo compulsivamente o repugnante — porque  homofóbico e transfóbico — substantivo feminino “vagina”, parece de facto ser muitíssimo mais elegante, no mínimo, o que poupará toda a gente a evidentes embaraços quando, por exemplo em amena cavaqueira, à mesa do café ou assim, for necessário referir “aquilo”. Convenhamos, é desagradável, pode mesmo tirar o apetite, estamos nós muito descansadinhos a debicar uns petiscos e de repente algum gajo “homofóbico ou transfóbico” desata a falar em “vaginas”, bem, ai, q’horror, t’arrenego Satanás. Isto ele não há cá disso, nunca houve, só existem “buracos”, somos apenas, no fim de contas, um conjunto, uma colecção de orifícios espalhados pelo corpo.

O que significa, portanto, que não apenas os manuais e guias de “sexo seguro” estavam completamente errados (o que deve ser corrigido com efeitos retroactivos, presumo) como errada estava a abordagem clínica da questão: não contando com as cesarianas, nenhum (e nenhuma) de nós veio ao mundo por parto vaginal, todos (e todas) nós nascemos pelo “buraco da frente”.

O que significará também, por arrevesada analogia (salvo seja, pela terceira e última vez), que estando “atestado” o “buraco da frente”, então importa apurar o que é e para que serve o “buraco de trás”. Não interessando propriamente usos alternativos, podemos no entanto questionar os mesmos ou outros engenheiros linguísticos sobre o que desse outro buraco nascerá.

Lá iremos mas, para já, aqui fica a documentação que esclarece o profundo caso. Não é preciso espreitar pelo buraco da fechadura.

 

(…)

These guides also often unnecessarily gender body parts as being “male parts” and “female parts” and refer to “sex with women” or “sex with men,” excluding those who identify as nonbinary. Many individuals don’t see body parts as having a gender — people have a gender.

And as a result, the notion that a penis is exclusively a male body part and a vulva is exclusively a female body part is inaccurate. By using the word “parts” to talk about genitals and using medical terms for anatomy without attaching a gender to it, we become much more able to effectively discuss safe sex in a way that’s clear and inclusive.

For the purposes of this guide, we’ve chosen to include alternative words for readers to use for their genitals. For example, some trans men choose to use the words “front hole” or “internal genital” instead of “vagina.” Alternatively, some trans women may say “strapless” or “girl dick” for penis. This usage is meant for one-on-one communication with trusted persons, such as your doctor or partner, not for broad discussion.

In this guide, whenever we use the medical term “vagina,” we’ll also include “front hole” as clinically recommended by researchers in the BMC Pregnancy and Childbirth journal.

(…)

Health Line, “LGBTQIA Safe Sex Guide”

Medically reviewed by Janet Brito, PhD, LCSW, CST
on July 12, 2018
— Written by Mere Abrams

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