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Trinta anos de luta

O PEV apresentou no Parlamento um Projecto de Resolução com vista, no limite, à suspensão do “acordo ortográfico” de 1990. A notícia está ali em baixo, é do Pravda (“verdade”, em Russo), e a gravação vídeo da sessão parlamentar respectiva está aqui em cima.

Como seria de todo expectável, a argumentação aduzida nesta “recomendação ao Governo” refere, além da  habitual resenha histórica sobre o AO90, as palavras-chave da ordem e os lugares-comuns da oratória ritual sobre o tema, isto é, as “lacunas”, as “facultatividades”, as “ambiguidades” do AO90, etc. Este tipo de preâmbulo é de certa forma natural, em especial quando o parlamentar documento é redigido e lido por alguém que, por excepção no caso do “acordo”, não teve nem tem qualquer espécie de ligação aos “negócios” envolvidos ou às “conversações” secretas nos Passos Perdidos; de quem não suspeita sequer de coisa nenhuma no que respeita à imensa penumbra (ou, melhor dizendo, à total escuridão) que envolveu o processo de “adoção” da cacografia brasileira através de uma simples Resolução parlamentar, em 2008; de quem está ali de boa-fé, em suma.

Evidentemente, depois dos considerandos o PEV explanou — com basta soma de razões — o que é e para que serve (serviria, se por milagre fosse aprovado) o seu Projecto de Resolução. A deputada a quem tocou essa explanação terá com certeza dado o seu melhor mas, como de resto era muito mais do que previsível, o Projecto foi derrotado por larga maioria — como sempre sucede num regime como o vigente em Portugal, a democracia parlamentar.

Tal tipo de regime político implica necessariamente o primado não da democracia propriamente dita mas do poder absoluto — teoricamente legitimado pelo voto popular universal — entregue ao sistema partidário e, dentro deste, à cobertura política da acção governamental por parte de um partido político ou de uma coligação ad-hoc suficiente para garantir uma maioria parlamentar.

Ora, em tal conformidade é totalmente inviável a apresentação em sede de Parlamento de qualquer iniciativa política que por algum motivo não agrade ao partido do Governo ou escape ao controlo  dos partidos maioritários em coligação. Do que resulta a total e absoluta irrelevância dos deputados, que para o efeito (aprovação ou rejeição de iniciativas e diplomas) cumprem apenas o papel de corpo presente: o seu sentido de voto foi previamente determinado pelos respectivos directórios partidários. Portanto, a votação pelos deputados desta iniciativa do PEV — ou de qualquer outra entregue em mão a São Bento — foi totalmente inútil, como é invariavelmente inútil, tratando-se, na prática, de um simples ritual regimental sem o menor vestígio de democraticidade e sem qualquer espécie de relevância ou efectividade; se os votos dos deputados não são dos deputados (são do respectivo “chefe”) e se o resultado dessa “votação” já estava previamente determinado, então será legítimo (e justo) que um qualquer cidadão pergunte a si mesmo para que raio servem as votações na Assembleia da República; com efeito, em vez da cena teatral com 230 actores, cinco ou seis chamadas telefónicas para as sedes partidárias bastaria para aprovar ou chumbar qualquer iniciativa legislativa ou diploma legal.

Não houve portanto nesta sessão qualquer tipo de votação, a não ser a ritual e inútil, assim como também não houve qualquer espécie de “discussão” sobre o Projecto de Resolução em causa, debitando as diversas bancadas parlamentares um discurso  impermeável a um único argumento que não seja da sua própria lavra; sequer dão-se à maçada de ouvir as intervenções alheias (tagarelam, de costas para a oradora, em amenas cavaqueiras); à semelhança de outras iniciativas parlamentares, inclusivamente sobre o AO90 (do PCP e da ILCAO), os diversos partidos limitaram-se a ler o seu texto pré-formatado e a ignorar qualquer outro; no caso do Centrão (PSD e PS), em especial destaque (pela negativa), repetindo as mesmíssimas bojardas, o chorrilho de mentiras e aldrabices que usam há já 30 anos para enganar o povo — o mesmíssimo povo que votou neles e assim autorizou (para gáudio de alguns) que eles se marimbem sistematicamente na memória, na propriedade imaterial colectiva, na História, na Cultura, no património identitário de quem os elegeu.

Projecto de Os Verdes no qual Recomendam a Avaliação Científica do Acordo Ortográfico de 1990

pravda.ru, 16.01.21

 

Este Projecto de Resolução será discutido e votado, em Plenário da Assembleia da República, amanhã sexta-feira, dia 15 de Janeiro, a partir das 10H00.

PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº 533/XIV/1ª. – AVALIAÇÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

Nos anos 80, um grupo de especialistas da Língua Portuguesa reuniu-se e criou uma série de regras ortográficas modificativas, alegadamente para “unificação e simplificação da escrita do Português”.

Em 1990 foram assinados dois documentos: o Projeto de Ortografia Unificada da Língua Portuguesa e a Introdução ao Projecto de Ortografia Unificada da Língua Portuguesa, que viriam dar origem ao Acordo Ortográfico de 1990 (AO90).

Este Acordo foi assinado por Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, tendo Timor-Leste aderido em 2004, após ter reconquistado a independência.

O Acordo Ortográfico de 1990 foi aprovado, para ratificação, pela Resolução da Assembleia da República n.º 26/91, de 23 de agosto, e foi ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 43/91, 23 de agosto.

Entretanto, surgiram protocolos modificativos.

O Primeiro Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa foi aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 8/2000, de 28 de janeiro, e ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 1/2000, 28 de Janeiro, excluindo do seu artigo 3.º a data da entrada em vigor, mas mantendo o requisito do depósito dos instrumentos de ratificação de todos os Estados contraentes.

O Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 29 de Julho, e ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 52/2008, de 29 de Julho, que, para além de permitir a adesão de Timor-Leste, veio introduzir diversas alterações ao texto como, por exemplo, permitir a possibilidade de o Acordo Ortográfico entrar em vigor mesmo sem ter sido ratificado por todos os países envolvidos, sendo suficiente que apenas três membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) o ratificassem para que entrasse em vigor nesses países.

Recorde-se que apenas Portugal e Cabo Verde ratificaram o novo acordo dentro do prazo estabelecido.
Em Portugal, entrou em vigor oficialmente em 13 de Maio 2009, com um período de seis anos para a sua total implementação. Nas escolas do ensino básico e secundário passou a ser aplicado a partir de Setembro de 2011 e, em Janeiro de 2012, em todos os demais organismos e publicações do Estado.

Emitiu-se uma Nota Explicativa, nos primeiros anos, em que se indicavam as razões de tais modificações e os objectivos que os autores esperavam obter com a utilização do AO90, na Língua escrita e oral. Eram apresentados alguns exemplos, para esclarecer a sua efectuação, com listas, nunca exaustivas, de palavras alteradas pelo Acordo.

Foram estabelecidas diversas regras ortográficas, que se concentraram em queda de consoantes mudas, na retirada de hífenes em locuções nominais, na passagem a minúscula inicial em várias palavras, na eliminação de acentos, e outras.

Para além destas regras e para abordar casos difíceis, apresentavam-se complementarmente noções elucidadoras como: «pronúncia erudita» para resolver dúvidas no caso das consoantes que não se pronunciam; noção de «consagrado pelo uso» para resolver casos em que as palavras não perderiam os hífenes; e a noção de que «o contexto define a semântica», no caso da eliminação de acentos que permitiam discernir significados.
Os objetivos mais salientados na Nota Explicativa seriam três, na tal ambição de melhorar a Língua Portuguesa, nas suas gerais utilizações, nos vários Países de Língua Oficial Portuguesa:

1) Unificação da Língua;
2) Simplificação da Língua;
3) Facilitação da aprendizagem da Língua para crianças em fase escolar e para estrangeiros.

(mais…)

Ao menos coerência!

Não há-de ser difícil e muito menos será de alguma forma arriscado, seja qual for a perspectiva: os escritores estão legalmente protegidos por Direitos de Autor, o que significa que a integridade das obras literárias está de facto preservada e consignada. A nenhuma editora assiste o poder de alterar*** — seja de que forma for, a começar pela ortografia utilizada pelo autor — qualquer obra, livro, artigo, notas, comentários ou quaisquer outra formas de expressão escrita.

Por algum motivo que escapa à compreensão dos simples mortais, isto é, do público ao qual a Literatura se dirige e da qual é consumidor, porque adquirente, ou de outra forma leitor, porque destinatário, alguns escritores portugueses (e jornalistas e tradutores) admitem que as suas obras sejam estropiadas pelas editoras; estas, por seu turno, não apenas destroem alegremente a ortografia dos originais como, por requinte de malvadez, obrigam os autores a permitir que os seus escritos sejam previamente triturados pelo AO90. São imensas (e muito mal esgalhadas, como não podia deixar de ser) as desculpas que tais autores balbuciam para justificar a sua cobardia (ou pura estupidez); mesmo dando de barato as tretas e mentiras do costume (ah, e tal, o AO90 agora é lei, as editoras são obrigadas a empregar o “acordo”, o que posso eu fazer, a vida está difícil, e tal e tal), para esses esponjosos autores não há qualquer desculpa e sequer podem alegar coisa alguma em sua defesa. Admitem a cacografia brasileira nas suas publicações porque são feitos de borracha — sejamos polidos na terminologia — e portanto fingem que o problema lhes é indiferente, mera “questão de hábito” e patacoadas assim.

Não é de todo este o caso da escritora Teolinda Gersão, que desde sempre recusa liminarmente, como é seu direito, quaisquer vigarices na ortografia. Militante desde a primeira hora da luta contra o AO90, Teolinda Gersão declara expressamente em todos os seus originais que a edição e impressão de qualquer original seu terá de respeitar a versão integral do original, o que inclui, natural e inerentemente, a respectiva ortografia.

Não há cá “funfum nem gaitinhas”: ou a editora segue as instruções da autora quanto à ortografia ou então a autora mudará de editora (que as há, e bastantes, a recusar também o AO90), e adeus, passem bem.

[Nota: por respeito para com Teolinda Gersão, que além do mais é uma pessoa simpaticíssima, e para o muito improvável caso de tão honorável senhora alguma vez ler isto, devo dizer que — de boa vontade — tentei quase desesperadamente não desatar a insultar os brasileirófilos em geral e os escritores portugueses desse género em particular.]

*** Entretanto, os vigaristas ao serviço do Centrão acordista já alteraram o CDADC

 

Escritora Teolinda Gersão celebra 40 anos de carreira literária com novo livro

“Diário de Notícias” (Madeira), 14.01.21

 

A escritora Teolinda Gersão, a celebrar 40 anos de actividade literária, publica hoje um novo título, “O Regresso de Júlia Mann a Paraty”, e reedita “A Mulher que prendeu a Chuva”, de 2007, um dos mais premiados da autora.

“O Regresso de Júlia Mann a Paraty” reúne três novelas que se entrecruzam, e a que a escritora admite chamar romance, como afirmou, em declarações à agência Lusa.

“Prefiro considerá-lo um conjunto de três novelas entrelaçadas, sobre personagens históricas, que na vida real coexistiram e tiveram algum tipo de relacionamento”, afirmou Teolinda Gersão, numa entrevista por escrito, à Lusa, na qual sublinha a sua determinação em não seguir o Acordo Ortográfico vigente.

“Poderia chamar romance a este livro”, assegurou. “Obviamente há aspectos ficcionados, imediatamente reconhecíveis, mas todos os factos que refiro no livro são rigorosamente verdadeiros e estão documentados”, sublinhou.

Segundo Teolinda Gersão, “os títulos fornecem as coordenadas ao leitor”, são eles: “Freud pensando em Thomas Mann em Dezembro de 1938”, “Thomas Mann em Freud em Dezembro de 1930” e “O regresso de Júlia Mann a Paraty”, que dá titulo ao livro.

Quanto a “A Mulher que Prendeu a Chuva e outras histórias”, foi editado em 2007, venceu os prémios Máxima Literatura e Fundação Inês de Castro e vai na 7.ª edição.

A obra [de] 14 contos, que, partindo do quotidiano, se desenvolvem “insensivelmente, a outros mundos – oníricos, fantásticos, terríveis ou absurdos -, que nem por isso deixam de nos pertencer e de ser o lugar onde habitamos”, lê-se na apresentação da obra.

Sobre os 40 anos de vida literária, Teolinda Gersão faz um “balanço positivo e gratificante”.

“Sou agora muito mais lida do que há décadas atrás, os leitores estão familiarizados com a minha escrita. E os primeiros livros que publiquei tornaram-se ainda mais actuais do que na altura em que surgiram”, argumentou.

“Suponho que sou intuitiva, e me arrisco muitas vezes a ter razão antes do tempo”, acrescentou.

Sobre a actual situação pandémica, Teolinda Gersão afirmou que “é, certamente, inspiradora de novas histórias”.

“Todas as situações e épocas precisam de ser contadas, é o que distingue os humanos das outras espécies do planeta. Mas as narrativas necessitam em absoluto de ser verdadeiras. Para isso, a ficção pode ser, paradoxalmente, o melhor dos caminhos. Daí a responsabilidade enorme, e cada vez maior, dos escritores”.

“O mundo está cheio de narrativas falsas, e elas são uma das grandes perversões do mundo doente em que nos encontramos”, acrescentou.

O novo título de Teolinda Gersão, “O Regresso de Júlia Mann a Paraty”, é apresentado em ‘live streaming’ no dia 09 de Fevereiro, às 21:30, nas páginas da Porto Editora nas redes sociais Facebook e Youtube, com a participação da autora e da psicanalista Deolinda Santos Costa, numa sessão moderada pelo editor Vasco David.

Teolinda Gersão completa 81 anos no próximo dia 30. Nasceu em Coimbra, estudou Germanística, Romanística e Anglística nas universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim, na Alemanha.

Foi Leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, tendo lecionado Literatura Alemã e Literatura Comparada.

Teolinda Gersão recebeu mais de uma dezena dos principais prémios literários, alguns dos quais bisou, como o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, da Associação Portuguesa de Escritores, que recebeu em 2002, com “Histórias de Ver e Andar” e, em 2017, com “Prantos, Amores e Outros Desvarios”.

Também por duas vezes foi distinguida com o Prémio Fernando Namora, atribuído pela Estoril-Sol, em 2001 pela obra “Os Teclados” e, em 2015, com “Passagens”.

O Prémio P.E.N. Clube de Narrativa foi-lhe igualmente atribuído pelas obras “O silêncio”, a sua estreia literária em 1981, e por “O Cavalo de Sol”, em 1990, ambos atribuídos ex-aequo, respectivamente com Eduarda Dionísio, “Histórias, Memórias, Imagens e Mitos duma Geração Curiosa” e Paulo Castilho, “Fora de Horas”.

“O Regresso de Júlia Mann a Paraty” sucede ao livro de contos “Atrás da Porta”, publicado em 2019.

 

[Os textos que eventualmente sejam publicados na imprensa usando a cacografia brasileira no original (por exemplo,da Agência brasileirusa) e aqui reproduzidos são automaticamente corrigidos com a solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do browser.]

 

 

O macho-alfa


Ah, pois, isso das caixas de comentários é como os sacos para vomitar que se distribuem nos aviões. A gente precisa de um mas só se nunca tiver sido usado. Ou seja, assim com’assim o melhor é nem olhar para eles, a não ser em caso de extrema necessidade e na condição exclusiva de ainda estar virgem de todo, por assim dizer; quando não, pela certa levaremos com o pivete e se porventura não nos estiver a apetecer “restituir”, como dizia o Conselheiro Acácio, então com aquela abjecta visão  teremos de largar um vómito interminável, tão nojento como o que já lá está. Em suma, é fazer de conta que se trata de “ordens do médico”, o mais avisado para que se nos resguarde a saúde mental será conservar uma distância higiénica das caixas de comentários tanto quanto dos sacos aeronáuticos.

Neste caso, tratando-se do AO90, a “matéria orgânica” é a habitual: ou de brasileirófilos empedernidos, sapateiros que não cobram nada para engraxar brasileiros, ou então aqueles outros que, armando ao “tolerante”, concedem que o “acordo” não passa de “uma questão de hábito”. Ambos os tipos restituem os mesmos eflúvios, diferindo entre si apenas pelo grau de octanagem da lavadura regurgitada — porque o AO90 já se transformou numa bebedeira homérica, algo como uma pandemia mental, demencial alucinação colectiva. Exceptuando uma ou outra pessoa, um ou outro comentário, isto é, nos raros e honrosos casos em que não há insultos ou asneiras como ácidos gástricos e bolo alimentar mal digerido, então estamos perante alguém que não carece de Kompensan, logo, de pouco ou nada adianta alimentar uma hipotética discussão; discutir o indiscutível é, com gente normal, converter os convertidos ou sobrecarregar com proselitismo quem já sabe da missa a muito mais de metade.

Não são portanto de grande utilidade os comentários escritos em “caixas” várias, sejam eles latrinários ou redundantes; porém, com certeza algo de aproveitável sobrará da mais simples e amena cavaqueira — face a face, sem “nicknames”, sem “alias”, sem gorilas, sem machos-beta (ou delta ou zeta) que se julgam alfa por se esconderem atrás de um vidro, um teclado e imensa bazófia. 

 

O ocaso das consoantes e a felicidade dos jovens

Nuno Pacheco
“Público”, 14.01.21

…………….

Num tempo dominado por pês (Presidenciais & Pandemia) pode parecer excessivo reincidir no magno problema de escrever com os pés. Mas como a minha crónica anterior suscitou três comentários a merecer resposta, aqui vai. Um: “Na minha opinião o AO 90 tem defeitos, que podem ser analisados e corrigidos, havendo vontade para isso. Nuno Pacheco limita-se a repetir até à exaustão exemplos de erros e incorreções que pouco ou nada têm a ver com o AO 90, numa lógica do ‘quanto pior, melhor’. Analisar e debater seriamente os defeitos e propor correções/soluções não parece ser para ele importante”; outro: “Meta na sua cabeça que está a lutar contra moinhos de vento. Desaparecida a sua geração, estas confusões deixarão de existir porque teremos uma nova geração de gente que aprendeu a escrever a língua portuguesa segundo a nova norma”; Último, que uma criatura assinou como “Macho Alfa”: “Títulos à la André Ventura para continuar uma guerra perdida? É muito à la Trump. Há gente confusa? Há? Sempre houve gente confusa aquando dos acordos ortográficos, nomeadamente os velhotes. Os jovens estão na onda AO90 e felicíssimos. Estão sintonizados. Esta conversa já dá sono.”

O acordo ortográfico de 1990 tem defeitos, há que propor soluções e “correções” (sic). Pois. Isso até os seus autores diziam. Mas algum deles mexeu um só músculo para corrigir o que quer que fosse? Nem um. E já lá vai tempo suficiente para perceber que, tecnicamente, como já muita gente demonstrou (e felizmente por escrito), o problema não são os erros que ele terá, é o erro monumental que ele é: a dita “nova norma” é uma fraude, que não só não uniformizou a grafia nos países de língua portuguesa como fomentou um persistente caos ortográfico que, em lugar de diminuir, a cada dia vai dando novos ares da sua (des)graça.

Debater seriamente? Há décadas que muita gente o faz, apontando erros técnicos, disparates, noções erradas. A isso, os responsáveis pela coisa fazem “orelhas moucas”. Não admira, tal o autoconvencimento de que este acordo é uma coisa com futuro. Já em 1986, um dos grandes defensores, à época, do acordo, escrevia: “Umas semanas bastarão para que as pessoas fiquem acomodadas a ler o seu jornal com meia dúzia de letras e acentos a menos. Alguns dias bastarão para que uma pessoa que escreva frequentemente assimile as novas regras” (Expresso, 21/6).

Contudo, nestes muitos anos cavou-se um fosso abissal entre a prática e essa falsa e ilusória propaganda. A tal “assimilação” rápida das “novas regras” produz todos os dias pequenos monstros, obrigando-nos a ler coisas como “otogonal”, “inato” (por inapto, que inato é outra coisa!), “impato”, “etoplasma”, “adeto”, “ocipital”, “inteletual”, “ocional”, “eucalito”, “rétil”, “elítico” e até “arimética”. Esta colheita é recente e pode juntar-se à da minha crónica anterior. Mas é curioso que já em 2015, no PÚBLICO, o jornalista e escritor Octávio dos Santos (num artigo intitulado “Apocalise abruto”) mencionava dezenas de disparates deste calibre, coligidos em documentos oficiais, institucionais ou na imprensa, por especialistas atentos. Dir-me-ão que erros sempre houve. É verdade. Mas estes são novos, induzidos pela “guerra” às consoantes que o AO90 incentivou. “Arimética”, por exemplo, é dada como correcta no vocabulário oficial do IILP, como grafia facultativa de “aritmética”. Já no da Academia das Ciências não existe.

Gente confusa? Sim, os “velhotes”, coitados. Como os Prémios Camões Vítor Aguiar e Silva e Manuel Alegre, o também premiado linguista Fernando Venâncio ou os recém-desaparecidos Eduardo Lourenço e Carlos do Carmo, aos quais o país teceu as louvaminhas do costume. Adversários, todos eles, do AO90. Deve ser por aquilo que Pedro Mexia disse ao recomendar em 2020 um livro de Vítor Aguiar e Silva no “Governo Sombra” da SIC: “Há esta curiosidade, de pessoas que conhecem bem a língua e a literatura serem contra o acordo ortográfico.”

E os jovens? Diz o tal “Macho” que estão “felicíssimos” e “sintonizados”. É. Basta passar junto das escolas para se ouvirem gritos de alegria onde antes só havia gemidos de dor a temer pelas aulas de português. Aliás, porque não abolir a ortografia? Era muito mais barato e os resultados não andariam longe destes. Tal conversa já dá sono? Deve ser por isso que os responsáveis ou cúmplices de tal trapalhada pedem logo umas almofadas quando se lhes fala no assunto. Azar: os disparates já são tantos e tão ruidosos que não hão-de ter um só minuto de sossego.

[Transcrição integral de artigo com o título “O ocaso das consoantes e a felicidade dos jovens”, da autoria de Nuno Pacheco. (publico.pt, 14.01.21.Destaques, sublinhados e “links” (a verde) meus. Foto de topo de: “¿Qué comen los gorilas?” (quecome.org)]

Rádio Comercial

Esta semana passaram a ser obrigatórias as regras do acordo ortográfico. Ricardo Araújo Pereira explica os problemas do acordo, com o auxílio de Samantha Fox.

Triste comédia

Os neuropsicólogos que estudam a linguagem tentam compreender como utilizamos e combinamos palavras (ou signos, no caso de uma linguagem gestual) para formar frases e transmitir os conceitos elaborados pelo cérebro. Investigam também como compreendemos palavras expressas por outros e de que forma o cérebro as transforma em conceitos. A linguagem surgiu e manteve-se ao longo da evolução porque constitui um meio de comunicação eficaz, sobretudo para conceitos abstractos; auxilia-nos a estruturar o mundo em conceitos e a reduzir a complexidade das estruturas abstractas a fim de apreendê-las: é a propriedade de “compreensão cognitiva”. O termo “chave-de-fendas”, por exemplo, evoca várias representações dessa ferramenta: as descrições visuais da sua aparência e utilização, as condições específicas do seu emprego, a sensação que provoca o seu manuseio ou o movimento da mão quando a utiliza. Da mesma forma, a palavra “democracia” é associada a diversas representações conceptuais. A “economia cognitiva” que a linguagem autoriza ao reagrupar numerosas noções sob um mesmo símbolo permite-nos elaborar conceitos complexos e alcançar níveis de abstracção elevados.

[António Damásio; Hanna Damásio. ‘O cérebro e a linguagem. Viver Mente & Cérebro’.
Scientific American, ano XIII, nº. 143, Dez. 2004]

Assunto recorrente, principalmente em Portugal, a chamada “revisão” do AO90 parece actualmente constituir o tema central no que diz respeito ao “acordo ortográfico” de 1990 (AO90). Puro engano, está bem de ver, se bem que tenhamos de reconhecer os méritos dos métodos de dissimulação que os acordistas conseguiram levar a cabo.

A golpada foi de facto brilhante: em 1986 cozinharam uma primeira versão do “acordo” introduzindo no articulado umas quantas aberrações (ainda mais horripilantes do que aquelas que lhes interessavam) para que a contestação fosse radical e absoluta, como veio evidentemente a suceder. Foi com base nessas hiper-aberrações que surgiram as bacoradas de alguns pretensos acordistas, como as brincadeiras do “cagado de fato na praia”. Toda a gente gozou imenso com o cagado e com o seu fato sem se aperceber de que os acordistas pretendiam na realidade ameaçar o povão com uma versão deliberadamente exagerada contendo o que nem a eles mesmos interessava; tal expediente serviu para que se tornasse mais fácil aparecer posteriormente com uma outra versão, já sem o recheio do “cagado” e do “fato”; assim, satisfeitos com a sua “vitória”, os “indignados” profissionais do costume (e agentes acordistas) regressaram a penates, olha que bom, ganhámos, assim ao menos temos um “acordo”, sim, mas sem “cagados” nem “fatos”. Está claro, tratou-se de uma velha e relha manobra de contra-informação, daquelas que se podem encontrar em qualquer manual de guerrilha propagandística: primeiro ameaça-se com alguma coisa que seja inadmissível e depois saca-se da manga, como se fosse uma concessão aos opositores, a versão final — que sempre foi a única em que os vigaristas estavam interessados. 

Uma ressonância dessa táctica transparece de certa forma neste artigo de Gregório Duvivier, um comediante brasileiro: mesmo tratando-se apenas de alterações respeitantes ao acordo ortográfico de 1945, que o Brasil denunciou unilateralmente 10 anos depois, o comediante deixa de ter qualquer espécie de piada quando se “indigna” com questões de acentuação e de hifenização, os dois únicos itens em que “o Brasil cedeu”. Desses dois aspectos do AO45 que o Brasil não cumpriu então e que apresenta agora no AO90 como sendo “cedências”, aquilo que mais irrita o excelente piadético é a abolição do acento diferencial em pára/para. 

Aliás, o busílis, para os brasileiros que sabem escrever qualquer coisinha, resume-se àqueles dois pormenores (que ocorrem, desde 1945, exclusivamente na escrita brasileira) e à diferenciação entre a forma verbal “pára” e a preposição “para”.

Ora, aqui também vale a mesmíssima táctica (vigarice) utilizada na versão de 1986 do “acordo” e posteriormente na versão “mitigada” de 1990: quando o articulado “final” deste foi aprovado e, posteriormente, quando foi “ratificado” pelos deputados portugueses a soldo (RAR 35/2008), já toda a gente sabia perfeitamente que não iria ser aquela a versão final do estropício e que iria haver posteriormente uma “comissão técnica de revisão” para nela “corrigir os erros mais flagrantes”. De facto, como alegam alguns portugueses, não é só “despiorar” o AO90, é rever as “contradições flagrantes”, as “facultatividades” e, sobretudo, as “duplas grafias”.

Apenas então, quando entrar em funções tal “comissão”, serão “corrigidas” as “aberrações” todas, a do “pára/para” (fica “para/pra”), as tais “facultatividades” e as “duplas grafias” (se no Brasil a consoante é articulada, então em Portugal reentra na escrita). Teremos, por conseguinte, à conta do truque “ok, então nós cedemos”, a “adoção” definitiva — e na íntegra — do brasileiro como língua oficial de Portugal. 

Portanto, os que agora se atiram às “contradições” como gato a bofe terão não apenas de se calar como de, por desfastio, dar palmadinhas nas costas uns aos outros e uma bofetada enorme na coerência. E terão ainda de reconhecer que afinal contribuíram para dar uma enorme, tremenda, fatal machadada na nossa História.

Nossa ruína começou em 2009, quando aprovaram o novo acordo ortográfico

Gregório Duvivier, “Folha de S.Paulo” (Brasil), 12.01.21

País ficou ainda mais confuso a partir do momento em que a gente não sabia nem se era pra ou para onde ir

Historiadores do futuro divergirão sobre a hora em que tudo começou a dar errado aqui. Haverá quem culpe o golpeachment de 2016. Outros citarão o fatídico 7 a 1 na Copa de 2014. Arqueólogos atribuirão às manifestações de 2013 o papel de invasões bárbaras — a culpa, dirão, é do gigante que acordou, quebrou tudo e voltou a dormir.

Tenho uma hipótese que gostaria que paleontólogos do futuro aventassem ao se deparar com nossos fósseis. Nossa ruína começou antes, mais precisamente em 2009, quando aprovaram o novo acordo ortográfico —que, além de não ser novo, não gerou nenhum acordo.

Nesse mesmo ano Portugal entrou numa crise da qual nunca se recuperou. No Brasil, a crise chegou com alguns anos de atraso, como de hábito.

Não se derruba tantos acentos numa língua sem que se derrubem algumas instituições junto. O falante do português ficou na sua própria língua como num ônibus lotado: sem assento. Nem hífen, o cinto de segurança da língua.

A palavra “co-comandante” passou a ser grafada “cocomandante”. Percebam os impactos subliminares de se falar uma língua na qual o cocô é o mandante. Apenas isso explica o fato de termos eleito um tolete de bosta pra pilotar o país.

O Brasil nunca soube pra onde ir, mas ficou ainda mais confuso a partir do momento em que a gente não sabia nem se era “pra” ou “para” onde ir.

A reforma ortográfica derrubou o acento de pára, no sentido de parar, e agora no português “para” significa duas coisas opostas: para onde se vai, e o ato de deixar de ir. O lema “progresso para sempre” diz o contrário do que ele quer dizer.

Dito isso, chego ao real motivo dessa crônica: precisamos parar de escrever “para” com o sentido de “pra”. Com a queda do acento no verbo parar, o acordo nos obriga a escrever “pra” quando usamos a preposição, pra diferenciá-la do verbo. A vogal da primeira sílaba da preposição não deixará saudades.

Ninguém a pronunciava, em nenhuma variante do português — não conheço ninguém que peça: “vamos pAra casa!”, a não ser numa dublagem da sessão da tarde.

Eu me lembro do amigo cronista Fabrício Corsaletti, ao fim de uma noitada sem fim, pedindo aos amigos: “se eu morrer, é pra! É pra!”.

“É pra que?”

“É pra! Não deixa nenhum editor trocar meus ‘pras’ por ‘paras’! Promete?”

Dito isso, peço encarecidamente aos revisores, e editores, e professores desse país: é pra! É pra! Deixem os “pras” em paz. O para precisa parar. Quem sabe assim o país volta a andar.

 

AO90: acordo ortográfico entre Estados brasileiros

Os brasileiros são os donos da língua. Da língua  brasileira, é claro. Não têm nada que no-la impingir, com revoltante sobranceria, a pretexto de inacreditáveis invenções enjorcadas com os seus assalariados portugueses. De resto, nem se dão à maçada de mencionar os indígenas e as colónias, deixando tais “esclarecimentos” (um chorrilho de mentiras a armar ao “técnico” e à “linguística”) em defesa desse demente acordo a cargo dos seus lacaios portugueses.

Sempre que se referem a “língua” ou, pior, ainda, a ortografia, só uma coisa interessa a nossos “irrmaum” de além-Atlântico: respectivamente, o seu modo de falar (logo, de escrever) e a sua própria e exclusiva cacografia. Bem, isso é lá com eles, pois claro, que falem da sua escrita abstrusa e que sobre ela “reflitam” à vontade, força. com os nossos cumprimentos às esposas e aos consortes, consoante o caso. Tudo estaria nos conformes, portanto, caso não pretendessem impor a Portugal (e PALOP), como uma “infeção”, a peçonha da sua Babel em miniatura.

A título de ilustração dessa sobranceria neo-colonialista, se bem que se estejam marimbando para as sua colónias linguísticas, com as quais nem de raspão se ralam, para os brasileiros as colónias apenas têm de “adotar” a cacografia e pronto, não se fala mais nisso.

Neste artigo da “Amazônia”, como invariavelmente sucede, todas as “priocupaçaum” rodam infindavelmente em volta das “regras” (absurdas, desconexas ou ausentes) da sua forma de escrever — uma coisa parecida com transcrição fonética mas com o alfabeto e não com os símbolos exactos. 

Os jornalistas brasileiros “especializados” na matéria são uns cómicos. Todo o artigo é uma anedota pegada. Além das “regras de utilização” de umas coisas giras que mais parecem ter sido redigidas para mais fácil compreensão das criancinhas, há até um “fato” que lhes fica a matar: referem uma coisa, certamente dificílima de esgalhar, que baptizaram como “importância da Ortografia na escrita”. É o título do próprio textículo. Fantástico. Se calhar, digo eu, que não sou de intrigas, no Brasil é capaz de haver também ortografia na culinária, sei lá bem, ortografia no Cristo-Rei (que é brasileiro, como toda a gente sabe) ou até, quem sabe, devem ter lá ortografia no “futchibóu” e assim. Está por conseguinte inaugurado um novo ramo da tautologia (ou estupidologia, há quem diga): evidentemente, “Ortografia na escrita” é mais ou menos o mesmo que “água na oceanografia” ou, por extenso, “a importância do ar na respiração”.

note-se “djinheiro”, “djia”, “djitado”

No Brasil ainda não existe uma língua oficial propriamente dita. Mas para lá caminha a passos largos. Ainda não há um sistema de comunicação (oral e escrita) padronizado e nacionalmente comum. Há imensas línguas (e ainda mais dialectos, é favor não confundir uma coisa com a outra). A entrada da “wikipédjia lusôfona” sobre a matéria (ver em baixo) dá conta do essencial, nesse aspecto. Ora, assim sendo, o AO90 vem mesmo a calhar para o efeito. Finalmente conseguiram padronizar alguma coisinha e assim fixar a sua própria língua nacional.

O Português começou por servir no Brasil, um “país-Continente”, como língua franca; saltando uma longa (e interessante) história, funcionou como o Latim popular no Império romano ou como é e para que serve o Inglês nos dias de hoje.

De um ponto de vista técnico (as implicações geo-políticas são outra cousa), o “acordo ortográfico” não passa de uma tentativa de fixação de uma norma para a língua brasileira, cuja autonomização em relação à Língua Portuguesa começou com o “grito do Ipiranga” (7 de Setembro de 1822), acelerou em 1911, 1945 e 1986, e terminou com a imposição do “acordo” de 1990. O qual não passa, afinal, de um verdadeiro acordo ortográfico entre Estados, sim, mas apenas entre os 26 Estados brasileiros.

Precisamente, nisso se consubstancia e é essa a essência da luta contra o AO90: O Brasil que fique lá com a sua língua e que não venha para cá tentar impô-la à força. Por mais traidores e vendidos portugueses que forem capazes de arrebanhar, jamais conseguirão calar (ou corromper) a voz da razão.

Importância da ortografia na escrita

“Diário da Amazônia”, 11.01.21

A “arte de escrever corretamente as palavras de uma língua”, eis a definição de Ortografia, dada por Coelho Neto (2002), em seu estudo sobre a dificuldade na competência da apropriação do sistema ortográfico.  Etimologicamente, o termo é formado pelos elementos gregos “orto” e “grafia” que significam, respectivamente, direito (exato) e ação de escrever domínio da ortografia.

Entre regras, regularidades e irregularidades, a ortografia surgiu como forma de facilitar a comunicação escrita, delimitando as regras de acentuação gráfica das palavras, o uso correto das letras na escrita dos vocábulos, etc. Sendo assim, sua existência acaba assegurando que o idioma, a língua, não sofra mudanças drásticas dentro do próprio país.

Nesse viés, entende-se a ortografia como a ação de escrever direito, de forma correta, padronizada, o que demanda muito estudo e esforço. Aprender a escrever é um processo contínuo, praticando e dominando a ortografia de nossa língua, temos uma forma comum de escrever cada palavra. Portanto, quando conhecemos as regras de ortografia e praticamos, acabamos percebendo que escrever corretamente, fica mais fácil.

Desta forma, é possível afirmar que conhecer e ter habilidade com as regras que regem a ortografia de nossa língua significa ter maior probabilidade de proficiência na modalidade escrita.

Considerando as constantes mudanças na língua, nos deparamos em 2016 com Acordo Ortográfico de 1990 que passou a entrar em vigor no Brasil. As principais alterações aconteceram na maneira como algumas palavras são acentuadas e no emprego do hífen. Muitos brasileiros já conhecem as alterações, mas ainda estão se adequando às novas regras na prática.

Dentre o universo da Ortografia, estudamos sobre a Letra e alfabeto; Notações lexicais (acento agudo, grave e circunflexo, trema, apóstrofo, hífen); Regras de acentuação; Separação silábica; Ditongos; Regras de utilização de determinados vocábulos, como “mas” ou “mais”, “onde” ou “aonde” e Regras de utilização das letras, como as particularidades por trás do emprego de H, X, Y, Z, CH, SS, entre outras.

Para que se tenha êxito nos objetivos da produção textual, como a interação entre o produtor do texto e o seu receptor, deve-se construir um todo significativo, com os elementos que estabeleçam ligação entre as partes, isto é, que confiram coesão ao que se quer transmitir ao escrever e a ortografia é essencial nesse ponto.

Algumas dicas são úteis para melhorar a ortografia, como: Desabilitar o corretor ortográfico na hora da escrita no meio digital; Listar as palavras que geram dúvida com frequência; Estudar as regras da nova ortografia, dar atenção aos acentos e escrever no mínimo, dois textos por semana.

São ações que visam desenvolver novas capacidades acerca da apropriação do sistema ortográfico, que, consequentemente, pode melhorar a prática da escrita e reduzir a dificuldade na competência ortográfica, interagindo com a língua e respeitando toda sua a sua multiplicidade textual.

Línguas do Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

As línguas do Brasil são duas do tipo oficial a nível nacional: português[5] e libras.[6] Contudo, línguas minoritárias do Brasil são faladas em todo o país. O censo de 2010 contabilizou 305 etnias indígenas no Brasil, que falam 274 línguas diferentes.[7][8] Há comunidades significativas de falantes do alemão (na maior parte o Hunsrückisch, um alto dialeto alemão) e italiano (principalmente o talian, de origem vêneta) no sul do país, os quais foram influenciados pelo idioma português,[9][10] assim como um processo recente de cooficialização destas línguas, como já ocorreu em Pomerode e em Santa Maria de Jetibá.[11]

É estimado que se falavam mais de mil idiomas no Brasil na época do descobrimento. Segunda pesquisa anterior ao censo de 2010, esses idiomas estavam reduzidos ao número de 180.[12][13] Destas 180 línguas, apenas 24, ou 13%, têm mais de mil falantes; 108 línguas, ou 60%, têm entre cem e mil falantes; enquanto que 50 línguas, ou 27%, têm menos de 100 falantes e metade destas, ou 13%, têm menos de 50 falantes, o que mostra que grande parte desses idiomas estão em sério risco de extinção.[14]

Nos primeiros anos de colonização, as línguas indígenas eram faladas inclusive pelos colonos portugueses, que adotaram um idioma misto baseado na língua tupi, chamado nheengatu. Por ser falada por quase todos os habitantes do Brasil, ficou conhecida como língua geral. Todavia, no século XVIII, a língua portuguesa tornou-se oficial do Brasil, o que culminou no quase desaparecimento dessa língua comum.[14] Atualmente, os idiomas indígenas são falados sobretudo no Norte e Centro-Oeste. As línguas mais faladas são do tronco Tupi-guarani.[14]

Há uma recente tendência de cooficializar outras línguas nos municípios povoados por imigrantes, como as línguas italiana e alemã ou indígenas, através de levantamentos do Inventário Nacional da Diversidade Linguística instituído através de decreto pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 de dezembro de 2010,[15] que analisará propostas de revitalização dessas línguas no país.[16]

Também os estados de Santa Catarina[17][18] e Rio Grande do Sul possuem o Talian como patrimônio linguístico aprovado oficialmente no estado (já a língua alemã, de grande abrangência nestes dois estados, não foi oficializada ainda por não haver um consenso entre a padronização da forma hunsriqueana, ou a pomerana, ou a adoção das duas modalidades em simultâneo),[19][20] enquanto no Espírito Santo tramita desde agosto de 2011 a PEC 11/2009, que visa incluir no artigo 182 da Constituição Estadual a língua pomerana e a alemã como patrimônios culturais deste estado.[21][22][23]

Em âmbito federal, ao lado do português o governo brasileiro também reconhece como oficial a língua brasileira de sinais (LIBRAS), por meio da Lei nº 10.436, regulamentada pelo Decreto n.º 5.626. Trata-se de uma língua de modalidade visuogestual, oriunda da comunidade surda nacional.

 

[Sendo brasileiro o artigo, foi conservada a cacografia do original. Wikipédia brasileira (que acabou com a Wikipédia portuguesa).]

[Conservada a escrita brasileira do original. Destaques meus. Imagem de texto em: “Norma Culta” (Brasil). Imagem de rodapé de: http://www.linguabrasileirainverbo.com.br/]

A Guiné Equatoriáu e a CPLP

Muita gente, por alienação programada ou porque o assunto foi impingido como sendo menor, nunca entendeu, não entende e já nem quer saber para que diabo serve a CPLP e o que faz nessa “comunidade” a Guiné-Equatorial. É um grande mistério. Ou não.

Se tivermos em conta apenas os factos conhecidos e verificáveis de tão bizarra “ligação”, não é muito difícil perceber não apenas porque é que o país do ditador Obiang entrou na CPLP, como também o que é e para que serve a “comunidade”. Existe de facto uma relação de causa e efeito entre a admissão daquela ditadura e o carácter político-económico da organização.

Sendo a CPLP uma invenção totalmente brasileira (com a prestimosa colaboração de jagunços  portugueses), interessa ao Itamarati (e aos jagunços) ter mais um entreposto comercial em África, sendo que este, funcionando como uma espécie de feitoria do sub-mundo empresarial, facilita enormemente as negociatas e cambalachos em que se especializaram capitalistas pseudo-acordistas; ora, sendo inconfessáveis tais negociatas, os interesses tripartidos (digamos, 90% para brasileiros, 8% para portugueses, 2% para a família Obiang) têm, debaixo da cortina de fumo da “língua universáu”, uma espécie de caverna obscura para planear os seus assaltos e roubalheiras. Portanto, em conclusão, a Guiné-Equatorial serve, no contexto da CPLP, de entreposto para legitimar (e ocultar) negócios que de outra forma, por métodos legais, transparentes e legítimos seriam impossíveis.

O pouco que se sabe daquele país de Língua oficial espanhola não se recomenda de forma alguma (até tem “ficha” na CIA), em perfeita consonância com a génese, os métodos de actuação e as finalidades da agremiação inventada pelo Brasil e paga por Portugal.

Em linguagem cifrada, é disso que tratam estas duas notícias: a primeira limita-se a reproduzir um despacho da agência brasiLusa e a segunda desenvolve o tema, destapando uma pontinha do véu de secretismo que por definição envolve estas “cimeiras”.

De entre outros chavões incontornáveis dos “jornalistas” avençados pela CPLP, destaque-se o mais habitual de todos, sempre presente — expressa ou implicitamente — neste tipo de “notícias”: o encontro da organização lusófona deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”. Ou seja, traduzindo, empresas de apenas dois dos nove países, dez ou vinte grandes tubarões do Brasil e um ou dois dromedários de Portugal; a Guiné-Bissau, um narco-estado, e os micro-estados de Cabo Verde, São Tomé e Timor não contam porque não têm “grandes empresas” e Moçambique tem mais com que se ralar; talvez algum angolano apareça lá por Malabó, a ver as cotações dos diamantes no mercado-negro.

Guiné Equatorial acolhe “Cimeira de Negócios” da CPLP em Fevereiro

e-Global, 04.01.21

 

A Guiné Equatorial vai acolher em Malabo, entre 14 a 16 de Fevereiro, a primeira “Cimeira de Negócios” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Esta é a primeira vez que recebe o evento desde que aderiu à organização lusófona, em 2014.

O anúncio foi feito pela Embaixada da Guiné Equatorial em Lisboa, capital de Portugal. A cimeira é patrocinada pelo Governo equato-guineense e também pelo secretariado executivo da CPLP, estando a organização a cargo da Confederação Empresarial da CPLP.

O objectivo do evento é “impulsionar, desenvolver e fortalecer a cooperação económica e empresarial” entre os Estados-membros da organização dos países de língua portuguesa e observadores associados.

Um comunicado da Embaixada da Guiné Equatorial refere ainda que o encontro da organização lusófona deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”.

Recorde-se que, além da Guiné Equatorial, a CPLP é igualmente constituída por Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné-Bissau.

Guiné Equatorial acolhe “Cimeira de Negócios” da CPLP em Fevereiro

“Expresso das Ilhas“, LUSA, 30 Dez. 2020

 

A Guiné Equatorial vai acolher em Malabo de 14 a 16 de Fevereiro a primeira “Cimeira de Negócios” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desde que aderiu à organização em 2014, anunciou a embaixada equato-guineense em Lisboa.

A cimeira, patrocinada pelo Governo equato-guineense e pelo secretariado executivo da CPLP, e organizada pela Confederação Empresarial da CPLP, tem como objectivo “impulsionar, desenvolver e fortalecer a cooperação económica e empresarial” entre os Estados-membros da organização dos países de língua portuguesa e observadores associados.

Segundo um comunicado da embaixada equato-guineense, o encontro da CPLP deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”.

Empresas dos sectores do petróleo e gás, indústria, pesca, agricultura, transformação alimentar, meio ambiente, turismo, transportes, saúde e formação dos nove países da CPLP vão ter acesso a um menu de “oportunidades de negócio no país”, a ser apresentado pelo governo anfitrião, assim como conhecer as instituições locais de suporte ao investimento internacional, ainda segundo o texto.

A queda dos preços do petróleo, em consequência da violenta quebra de consumo mundial provocada pela pandemia de covid-19, teve um forte impacto na economia da Guiné Equatorial, que em agosto remodelou o Governo, e em Outubro substituiu o ministro das Finanças, como recurso de combate à crise, assumido pelo próprio Presidente Teodoro Obiang Nguema.

O chefe de Estado declarou na altura ter sido obrigado “a tomar medidas rigorosas para mitigar os efeitos de uma grave recessão económica e prevenir a instabilidade política e social”.

Obiang sublinhou então que “razões económicas” justificaram a dissolução do Governo anterior e que o novo executivo – ainda que fundamentalmente com o mesmo elenco – devia “procurar soluções específicas e viáveis para resolver os atuais problemas enfrentados pelos países do mundo e os problemas económicos”.

A consultora Economist Intelligence Unit (EIU) considerou no início do quarto trimestre deste ano que a Guiné Equatorial vai necessitar de mais ajuda financeira além do programa do Fundo Monetário Internacional (FMI), antevendo uma queda de 5,5% no PIB em 2021.

“Antevemos que a Guiné Equatorial vá pedir mais assistência além do seu atual pacote de financiamento, e cumprir as condições prévias de financiamento dos credores será uma das principais prioridades políticas, com o Governo a tentar encontrar maneiras de gerir o forte choque nas receitas causado pela pandemia”, escreveram os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Numa nota sobre a economia do país enviada aos clientes, os analistas da EIU estimaram que a Guiné Equatorial enfrentará uma recessão de 12,7% do PIB este ano e que em 2021 a economia volte a quebrar, ao contrário do que prevê o FMI, que antecipa um crescimento da economia equato-guineense no próximo ano.

Desde a sua independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial tem sido considerada pelos grupos de direitos humanos como um dos países mais repressivos do mundo, devido a alegações de detenção e tortura de dissidentes e de fraude eleitoral.

Obiang, que tem liderado o país desde 1979, quando derrubou o seu tio, Francisco Macias, num golpe de Estado, é o Presidente em funções há mais tempo em todo o mundo.

A Guiné Equatorial integra a CPLP desde 2014, que é ainda composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.