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«Ministro da Educação do Brasil escreveu “imprecionante”, “suspenção” e “paralização”?» [Polígrafo, 09.01.20]

Ministro da Educação do Brasil escreveu “imprecionante”, “suspenção” e “paralização”? – Polígrafo

Espalhou-se pelas redes sociais a imagem de um suposto “tweet” de Abraham Weintraub, actual ministro da Educação do Brasil, no qual terá escrito a palavra “imprecionante”. Em várias publicações remete-se também para outros erros ortográficos do mesmo ministro num documento oficial: “suspenção” e “paralização”. Verdade ou mentira?

“O facto de o ministro da Educação do Brasil escrever ‘imprecionante‘ é, na minha opinião, motivo para que seja demitido imediatamente. É um erro crasso, inadmissível para quem ocupa um cargo tão importante. Eu, como académico e como brasileiro, sinceramente, sinto vergonha. E não é a primeira vez que isso acontece“, sublinha-se numa das publicações em causa, exibindo uma imagem do tweet publicado por Abraham Weintraub.

“Agradeço seu apoio. Mais imprecionante: Não havia área de pesquisa em Segurança Pública. Agora, pesquisadores em mestrados, doutorados e pós-doutorados poderão receber bolsas para pesquisar temas, como o mencionado por ti, que gerem redução da criminalidade”, terá escrito o ministro da Educação, em resposta a um tweet de Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo estado de São Paulo e filho do actual Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Ao longo do dia de ontem, 8 de Janeiro de 2020, propagaram-se nas redes sociais diversas publicações com a imagem do suposto tweet de Weintraub. Em algumas dessas publicações remete-se também para outros erros ortográficos do mesmo ministro num documento oficial: “suspenção” e “paralização”. Confirma-se?

Sim. A história foi confirmada por vários órgãos de comunicação social do Brasil (aqui, aqui e aqui, entre outros exemplos). A mensagem com o erro ortográfico – “imprecionante” – do ministro da Educação consistiu numa resposta a um tweet de Eduardo Bolsonaro, publicado durante a manhã de ontem.

Perante os comentários jocosos que se multiplicaram nas redes sociais, sublinhando o erro ortográfico, Weintraub apressou-se a apagar a mensagem em causa, mas há vários registos fidedignos da mesma.

O ministro apagou o tweet com o erro logo em seguida, mas não conseguiu evitar a repercussão negativa. Em menos de uma hora da publicação, os termos “Imprecionante” e “Ministro da Educação” foram parar nos Trending Topics do Brasil no Twitter”, informou o portal UOL.

Também é verdade que, em Agosto de 2019, Weintraub escreveu “suspenção” e “paralização” num documento que enviou ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

“O ministro da Educação, Abraham Weintraub, enviou um documento com erros de português ao ministro da Economia, Paulo Guedes, pedindo mais recursos para sua pasta. No texto, Weintraub explica que as verbas previstas para a Educação em 2020 são insuficientes e alerta para o risco de ‘paralização’. O ministro também cita ‘suspenção’ de pagamentos. A grafia correta das palavras é paralisação e suspensão”, noticiou então “O Globo”.

Em artigo publicado hoje, o portal UOL recorda mais erros do ministro da Educação, nomeadamente quando se referiu ao escritor “Kafta”. “Em Junho do ano passado, Weintraub chamou o escritor Franz Kafka de ‘Kafta’ – prato de origem árabe, semelhante a um espetinho de carne. A confusão gramatical aconteceu quando Weintraub participava de uma audiência no Senado”.

Avaliação do Polígrafo:

Verdadeiro

[Transcrição integral (incluindo imagem, destaques e “links”) de: Ministro da Educação do Brasil escreveu “imprecionante”, “suspenção” e “paralização”? – Polígrafo. Autor: Gustavo Sampaio. O texto com a cacografia brasileira do original do “Polígrafo” foi automaticamente corrigido com a solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do browser.]

“Governo Sombra” – AO90 – 27.12.19

Na última emissão de 2019 do programa “Governo Sombra” na TVI, os quatro “governantes” habituais e o convidado da semana demonstram, mais uma vez, a sua quase unânime aversão ao “acordo ortográfico”.

Exceptuando as objecções de João Miguel Tavares, também elas habituais (e, como sempre, parvas), até o convidado Adolfo Mesquita Nunes, deputado do CDS-PP, a opinião geral é de que o AO90 tem de ser revertido, parado, esmagado.

A nota dissonante (a tal parvoíce) de JMT resume-se às criancinhas, coitadinhas, que já estão a “aprender” a cacografia brasileira, aiaiai, e agora, o que fazemos com essas criancinhas, coitadinhas. Ou seja, acha bem, JMT, que se continue a ensinar os alunos a escrever à toa, desde que obedeçam ao “acordo” brasileiro. E acha também JMT, por igual parvamente, que não se pode ensinar Português às criancinhas, coitadinhas, porque elas já estão habituadas a escrever segundo os ditames brasileiros e teriam de fazer um enorme esforço (coitadinhas) para reaprender a escrever correctamente.

Portanto, JMT deve estar convencido de que ainda hoje os alunos alemães continuam a estudar as diferenças entre as raças humanas, a comparar com as dos “Untermenschen” os tamanhos da caixa craniana típica do “ideal ariano” e a treinar a escrita para insultar judeus em letras garrafais, nos muros das casas, nas lojas, nas janelas. De facto, segundo a “lógica do hábito” que JMT defende, os alunos portugueses (coitadinhos) deveriam continuar a escrever com erros porque “estão habituados a isso”, só conhecem o AO90, assim como os programas curriculares alemães de 1933 a 1945 deveriam continuar ainda hoje, imutáveis, impassíveis, indiferentes, impermeáveis à própria passagem do tempo e imunes a qualquer realidade histórica.

Uma teoria demasiadamente infantil, de facto, em especial quando alguém do género JMT (há vários espécimenes), que aparenta ser uma pessoa normal (e até inteligente, quando calha), veicula semelhantes enormidades como se fossem dogmas sagrados.

Felizmente rodeado por três pessoas, incluindo o moderador do programa, capazes de usar a boca e não a testa para comer um gelado, JMT acaba invariavelmente por ficar nesta matéria a falar sozinho, tristonho, desconsolado (coitadinho) por ninguém ligar patavina aos delírios “habituais” do brincalhão.

No meu tempo, a estalada era um método pedagógico; hoje é crime. E na verdade todos nós, na minha geração, estávamos habituados a levar porrada dos professores — rotina antiquíssima que para os alunos de então, que não conheciam outro regime “pedagógico”, era coisa normal. Se o “hábito” fosse alguma espécie de critério de validação, então hoje em dia continuaria a ser habitual o castigo físico, o tabefe e o puxão de orelhas, até mesmo a “menina de cinco olhos”.

Enfim. JMT poderia bem aprender alguma coisinha nos livros. A ver se deixava de cometer erros de palmatória.

Com Carlos Vaz Marques, João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira.

[Imagem de: Pardieiros online]

O alçapão das Necessidades

«The Schengen Agreement (English: /ˈʃɛŋən/) is a treaty which led to the creation of Europe’s Schengen Area, in which internal border checks have largely been abolished.» [Wikipedia]

«The Schengen Area is an area comprising 26 European states that have officially abolished all passport and all other types of border control at their mutual borders. The area mostly functions as a single jurisdiction for international travel purposes, with a common visa policy.» [Wikipedia]

Nos dois artigos de jornal que a seguir se reproduzem vemos duas perspectivas sobre o mesmo facto: o Governo português prepara-se para outorgar aos brasileiros a livre circulação no espaço europeu, contornando ardilosamente as regras da própria União Europeia e abrindo assim um alçapão legal (?), uma via de escoamento, uma porta dos fundos para os “excedentes” provenientes daquele país sul-americano. Um privilégio único no mundo!

Agora e desta vez como antes e desde sempre, diligentes funcionários do mistério dos Negócios Estrangeiros, entretêm-se na sua ociosa militância com o intuito único de promover os interesses geo-estratégicos, políticos e económicos brasileiros — ainda que para tal haja que fazer tabula rasa de quaisquer Tratados ou Acordos a que Portugal esteja vinculado enquanto Estado-membro da União Europeia. Sob a longa cauda da CPLP — uma efabulação totalmente inventada por alguns portugueses a soldo do Brasil — trabalha-se com entusiasmo nas Necessidades para resolver as necessidades do Brasil. De facto, caso vingasse a tese — por absurda hipótese académica — da livre circulação na CPLP (ou seja, de brasileiros em Portugal e daqui para toda a UE), então teríamos de sobrepor dois regimes de “livre circulação” que mutuamente se excluem: os negócios do Brasil (com a cidadania portuguesa automática?) e o Acordo de Schengen.   

Usando como capa de ilusionista o “acordo ortográfico de 1990”, o qual consiste basicamente em aniquilar a ortografia do Português e substituí-la pelo garatujar brasileiro, juntam esforços funcionários do MNE e seus apaniguados “teóricos”, teoricamente linguistas teorizando sobre a “legitimidade” dos números (e outras teóricas lindezas), estendendo já passadeiras vermelhas aos novíssimos “cidadãos” europeus, os abençoados pela sorte — tremenda sorte — de terem nascido à sombra de uma imitação do Cristo-Rei do Pragal. 

Mobilidade vai aprofundar sentimento de comunidade na CPLP

| Mundo
Porto Canal com Lusa

 

Luanda, 13 dez 2019 (Lusa) – O acordo de mobilidade na CPLP vai aprofundar o sentimento comunitário na lusofonia, tornando-se um elemento importante pela facilitação migratória e intercâmbio de pessoas, defendeu o chefe da diplomacia brasileira.

para que a CPLP deixe de ser uma sigla que não está presente na vida das pessoas,

Ernesto Araújo disse em entrevista à Lusa em Luanda que “a disposição política é muito favorável” à convenção-quadro sobre mobilidade na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa que se prevê assinar em Julho de 2020, na cimeira de chefes de Estado e de Governo, que se realiza em Angola.

“É uma área complexa, a nossa perspectiva é que haja um acordo guarda-chuva e que haja entendimentos bilaterais entre os países para eventualmente ir além do que está no acordo. Iremos trabalhar nisso com os parceiros, Angola especialmente”, declarou.

“Cada país tem determinadas particularidades e é preciso ver quais as demandas que existem em cada fluxo para avaliar as medidas que facilitam esses fluxos” indicou, apontando por exemplo o caso dos estudantes, e acrescentando que o intercâmbio é decisivo para o projecto de envolvimento e desenvolvimento do Governo brasileiro.

O ministro assinalou que a facilitação migratória e o intercâmbio humano são fundamentais também para as práticas económicas, criando redes e laços que elevam os negócios para outro patamar e geram mais contactos.

Questionado sobre as resistências que o Acordo Ortográfico ainda gera nos dois lados do Atlântico mostrou-se inteiramente favorável à sua ratificação por todos os países, para que depois se possam trabalhar eventuais ajustes.

“Mudar é algo complicado”, reconheceu Ernesto Araújo, considerando natural que as pessoas tenham ligação com a maneira como aprenderam a escrever.

“Mas as vantagens ultrapassam eventuais dúvidas que as pessoas tenham”, contrapôs, dizendo que a ausência de uma ortografia comum é complicada para língua que se fala em quatro continentes, de formas diversas.

“A diversidade da língua dá-se pelo seu conteúdo e não pela ortografia”, sublinhou, afirmando que dentro do Brasil também existem diferenças regionais, que enriquecem a língua, mas “é importante que haja unidade ortográfica”.

RCR // VM

Lusa/Fim

Mobilidade na CPLP analisada em Luanda

Jornal de Angola”
Adelina Inácio

Os presidentes dos parlamentos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem, a partir de hoje, em Luanda, para, entre outros assuntos, analisarem o projecto sobre a mobilidade no espaço lusófono.

A IX Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP) é aberta pelo Chefe de Estado angolano, João Lourenço e, durante o acto, estão previstas intervenções do presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, do secretário executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Teles, e do presidente da AP-CPLP e da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Jorge Pedro dos Santos.

Os parlamentares da CPLP vão ainda analisar a proposta de criação da instância de concertação de jovens parlamentares da comunidade lusófona e alteração do Estatuto da AP-CPLP, no sentido da criação do secretariado permanente da organização, e os mecanismos de financiamentos do seu funcionamento.

A aprovação da proposta de orçamento de funcionamento do secretariado permanente da AP-CPLP e informações sobre os processos eleitorais nos Estados-membros da CPLP constam também da agenda dos parlamentos.

No encontro, que termina amanhã, os parlamentares vão debater vários temas, com destaque para o papel da administração parlamentar na implementação das resoluções do Parlamento do Mercosul, a ser proferido por um representante do Congresso Nacional do Brasil. Um representante da Assembleia Nacional de Cabo Verde vai apresentar o tema “O papel da administração parlamentar na implementação das resoluções do Parlamento da Comunidade dos Estados da África Ocidental”.
Moçambique vai abordar o tema “O papel parlamentar na implementação das resoluções do Parlamento Pan-Africano. A Portugal, cabe apresentar o tema “O papel da administração parlamentar na implementação das resoluções da União Interparlamentar”, enquanto Angola, país anfitrião, vai falar sobre “Reflexões sobre o papel das administrações parlamentares na implementação das resoluções da Assembleia Parlamentar da CPLP”.

Ontem, a Associação dos Secretários-gerais dos Parlamentos de Língua Portuguesa reuniu para analisar o papel das administrações parlamentares na implementação das resoluções de organizações interparlamentares.

O secretário-geral da Assembleia Nacional, Pedro Agostinho de Neri, afirmou que, ao longo da presidência de Angola, o Parlamento angolano fez o seu melhor, buscando experiências de outros parlamentos para que o plano de tarefas aprovado tivesse um índice de cumprimento considerável. “Foi possível realizarmos a maior parte das actividades que constavam do plano e consideramos que foi positivo”, afirmou.

A secretária-geral da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Marlene Dias, disse que a associação tem dado um grande contributo para os parlamentos dos Estados-membros. Marlene Dias ressaltou a troca de experiências entre os parlamentos e disse que as mesmas têm servido para o estreitamento da cooperação e fortalecimento dos laços de amizade.

[Imagem de: Parlamento Europeu]

Assistente do Google no smartphone

Já vários órgãos de comunicação social referiram a novidade, com o senão de todos eles fingirem que a versão escrita não é a contaminada pela  execrável cacografia brasileira (AO90). Mas, de qualquer forma, é possível continuar a ter, à falta de interface em PT-PT, configuradas em simultâneo uma Língua geral (e normal, como o Inglês ou o Francês) para todos os serviços e o Português-padrão apenas para o “Assistente Google”.

Esta “inovação” vale, portanto, para o Português-padrão falado. Por escrito,  “a” assistente pode devolver resultados contaminados pela cacografia malaquenha.

Com uma agradável voz de uma simpática senhora, se bem que electrónica (não se pode ter tudo), este dispositivo virtual cobre inúmeros serviços úteis (busca geral, mapas/percursos, notícias, meteorologia, etc.) sempre num Português inteligível — que não arranha o ouvido, como sucedia até agora com a algaraviada carnavalesca do Brasil — e versando assuntos portugueses de âmbito local, regional ou nacional e já não impingindo-nos tralhas do II Império brasileiro.

E isto vem com um nada desprezível bónus político: o accionamento do serviço “Assistente Google” (os brasileiros que fiquem lá com a sua “assisstêntchi”) implica o reconhecimento oficial de que existem mesmo  duas versões de PT. e não apenas uma (a brasileira), como pretendiam Malaca e seus capangas.

Afinal a tal “língua universal”… piu.

Google Assistant is rolling out in Portuguese (Portugal)

It’s been more than two years since Google Assistant became available in the Brazilian localization of Portuguese, but speakers of the Portugal version (pt-PT) were left waiting. Google has been working on that for over a year, and it began testing it in a closed beta a few months ago, but it appears ready to make it public now.

Head over to your Assistant’s settings and look for the português (Portual) option. Or, if your device is already set to that locale and you didn’t have Assistant yet, try tapping and holding on the home button to see if it pops up. When it’s enabled, you can ask Assistant questions in your language, play music, and control some smart home devices.

 

Assistente do Google agora disponível no seu smartphone

quinta-feira, 14 de Novembro de 2019

Quem não gosta de ter uma ajuda extra para executar as tarefas do dia a dia? Pode ser para descobrir o melhor caminho para um compromisso, traduzir uma expressão noutro idioma, saber a previsão do tempo numa determinada cidade ou até mesmo para tirar uma selfie. Hoje, chega a Portugal o Assistente do Google, uma funcionalidade que permite ao utilizador ter uma conversa natural com o Google em português de Portugal.

O Assistente do Google é compatível com todos dispositivos Android com a versão Marshmallow ou superior e também com equipamentos iOS (basta descarregar a aplicação na App Store).

Com o Assistente do Google, o utilizador passa a ter um verdadeiro assistente pessoal à distância de um toque. Precisa de saber como se diz “Bom dia” em alemão ou encontrar uma pizzaria perto do local onde se encontra? Basta pedir ajuda ao Assistente do Google e terá todas as suas questões esclarecidas.

Portugal Blog

Teolinda Gersão: “por alma de quem?!” [entrevista]

Excerto da entrevista de Teolinda Gersão no programa “Entre Tantos” da TVI24 em 03.11.19. Este excerto abarca apenas a parte da entrevista em que o assunto é o AO90.

 

Obra

Sus novelas tratan de la sociedad contemporánea, aunque transcurren en diferentes períodos. Algunos de los temas principales de sus novelas incluyen las complejidades de las relaciones humanas, la dificultad de la comunicación, el amor y muerte, la opresión, la libertad, la identidad, la resistencia y el proceso de creación. Otro tema central de su obra es el concepto de tiempo, sea el tratamiento del tiempo en la estructura narrativa o el tiempo histórico en el cual tienen lugar sus novelas. la dictadura de Salazar (Paisaje con mujer y mar al fondo); los años 1920 (O Cavalo de Sol), el siglo XIX (A Casa da Cabeça de Cavalo) y los años 1950 y 1960 en la Mozambique colonial (El árbol de las palabras).

Caracteriza a la mujer como instrumento de ruptura de los modelos tradicionales que presenta el feminismo. En su obra, existe un tiempo circular infinito, de retorno y comienzo que reproduce los ciclos de la naturaleza.

Premios literarios

Recibió el Grande Prémio de Romance e Novela de la Asociación Portuguesa de Escritores por su novela A Casa da Cabeça de Cavalo (1995) y los Premios de Ficción del PEN Club por sus libros El silencio (1981) y O Cavalo de Sol (1989). Asimismo, recibió el premio de la crítica de la Asociación Internacional de Críticos Literarios y el Premio Fernando Namora por su novela Los teclados (1999). En 2002, se le otorgó el Gran Premio Camilo Castelo Branco para cuentos por su colección de relatos, Historias de ver y andar.

[Wkipedia]
[Nota: recuso-me a utilizar a wikipédjia brasileirófona]

Uma reunião (muito) ordinária

 

«É o pensamento verbal que nos ajuda a organizar a realidade em que vivemos.»
Lev Vygotsky (1896 – 1934)

Aqui está, portanto, a notícia da constituição da Comissão Técnica de Revisão (CTR) do AO90, a qual terá por (óbvias) funções fingir que “discute” e “delibera” sobre as “aberrações”, os “erros grosseiros” e as “contradições flagrantes” de que se “queixam” há mais de 10 anos inúmeras sumidades. Como se o “acordo ortográfico” não fosse, todo ele, de cabo a rabo, uma contradição flagrante, um erro colossal (e grosseiro), uma completa aberração.

Fazendo de conta (daí a reunião à porta fechada) que analisam as “reivindicações” de alguns ilustres  “cientistas” da Língua, aquela ridícula pandilha de turistas linguísticos, com Malaca e Bechara por guias, darão com imenso júbilo a machadada final na Língua Portuguesa: tendo reservado em 1990 um certo quantitativo de “cedências” para “oferecer” mais tarde aos “contestatários” (as chamadas “novas duplas grafias” e mais umas quantas invenções), preparam-se agora, em sede de “revisão”, para simular que aceitam alguns “retrocessos” pontuais. Assim, as famílias de palavras que antes do AO90 eram (orto)grafadas da mesma maneira e que por via do mesmo “acordo” passaram a escrever-se de forma diferente (segundo o “brilhante” princípio o que não se pronuncia não se escreve), então essas palavrinhas desirmanadas voltam a escrever-se da mesma maneira em ambos os lados do Atlântico. Portanto, se até agora o total de palavras que o Brasil passou a grafar “à portuguesa” foi ZERO e as grafadas segundo a cacografia brasileira foram TODAS as alteradas pelo AO90, ainda faltava terraplanar, esmagar, eliminar de todo qualquer vestígio de ortografia, em sentido lato, a portuguesa em concreto. 

As tais “aberrações” que alguns “reclamam” sejam “corrigidas”, o que, sucedendo agora pelos ofícios da CTR, deve ser para eles motivo de satisfação (imagino os brados de “vitória”, os sorrisos de alegria desses anjinhos), consistirão em “repor” a recePção nos hotéis e a decePção nos eixos (salvo seja), por exemplo. Ou seja, de novo, como sucedeu na primeira fase da brasileirização, o que no Brasil se escreve (porque os brasileiros FALAM assim, articulam a consoante que para nós é “muda”), em Portugal volta a escrever-se conforme a PRONÚNCIA brasileira. É esta a segunda fase, mas não será a última, e foi para conspirar sobre essa incrível golpada que se reuniram na semi-clandestinidade tais e tão abjectos ordinários.        

Conhece uma língua filogeneticamente próxima da sua? Proponha-lhe namoro

A língua portuguesa continua maltratada, mal escrita, mal difundida e mal defendida, ao passo que umas criaturas se instituem, se aconselham, se comissionam e se regulam.

Nuno Pacheco, “Público”  10.10.19

 

Se o ridículo matasse, tinha sido uma tragédia. Felizmente para os participantes, o ridículo ainda não mata e pouco mói, pelo que todos sobreviveram. O que se passou? Logo no dia a seguir às eleições, dada a urgência da coisa, reuniu-se o Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa. Em reunião ordinária, até porque era a primeira (além de que a designação se ajusta perfeitamente ao acto), e cheio de vontade de fazer coisas pelo nosso pobre idioma. E quem lá estava? Além das abencerragens do costume, e do indispensável Kaiser do Acordo Ortográfico (o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, que ao que tudo indica vai manter a pasta mais uns aninhos), um lote de “especialistas” de “Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste” (diz a Lusa) que, no final, assinaram um documento. Ausentes? Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, o que não deixa de ser curioso, dado que São Tomé foi um dos primeiros países a ser imolado na fogueira do Acordo Ortográfico. Quanto à Guiné-Equatorial, que tem tantos e tão ilustres “especialistas” em língua portuguesa, não terá sido difícil encontrar um.

Bom, mas ao que vem este Conselho? Para que se perceba, convém explicar que o COLP é um órgão técnico do IILP. Trocando por miúdos: o Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa, agora criado, é um órgão técnico do Instituto Internacional de Língua Portuguesa. Admira, dada a propensão dos portugueses para estas traficâncias de órgãos, que não se tenha criado também uma comissão, um comité e até um observatório para ajudar a pobre língua a sobreviver. E não é que criaram mesmo uma comissão? Para quê, perguntam? Para coordenar o Conselho, claro, que estas coisas não se coordenam sozinhas. Por isso, depois de louvarem José Malaca Casteleiro e Evanildo Bechara, responsáveis-mores pelo Acordo Ortográfico (AO90), entregaram a este último (“temporariamente”, assinale-se!) a direcção da comissão coordenadora, tendo a seu lado, para compor o ramalhete, Inês Machungo (de Moçambique, país que não assinou o AO90 nem o pratica, ao contrário do que se diz) e José Pedro Ferreira, do ILTEC. Tudo em família, portanto.

O mais curioso é que tudo isto se passou à porta fechada (de tal modo que até a agência noticiosa nacional, para citar as conclusões, teve de escrever, “de acordo com o documento a que a Lusa teve acesso”), consumindo dois dias, segunda e terça, de intensíssima reflexão. Para produzir o quê? Um documento com ideias claras, objectivos, balanços e análises, perspectivas, etc.? Na verdade, não. A inefável Margarita Correia, que preside ao IILP, disse à Lusa que o Conselho vai conferir uma “nova missão e gestão” à língua portuguesa e, embora a Lusa não o dissesse, é quase impossível não a imaginar comovida até às lágrimas, quando afirmou: “É com profunda alegria que testemunho este momento, que é histórico para a língua portuguesa”.

Histórico, claro. O IILP, que em matéria de dinheiros tem andado à míngua, obteve do Kaiser a declaração sonora de que Portugal (país de que se arroga lídimo representante) está “inteiramente disponível” para apoiar os projectos do IILP que “implicam mais verbas e menos verbos”. Isto é ouro para os ouvidos do IILP, cujo site (moderníssimo, como podem constatar), tem na secção de “eventos organizados pelo IILP” apenas quatro: dois colóquios em 2011 e dois em 2013. Ena!

Mas o que define o documento “a que a Lusa teve acesso”? Bom, já que esse papel até ontem não tinha sido transcrito na íntegra em lado algum, nem no próprio IILP, cite-se a Lusa: o COLP “define como primeira prioridade o ‘aprofundamento da sistematização das regras ortográficas do português’. Além deste aprofundamento, o órgão técnico propõe a ‘ampliação do corpo de conhecimentos sobre a ortografia’, que passa pela identificação e descrição das estruturas congéneres, o levantamento de bibliografia sobre a ortografia publicada em português e a gestão da ortografia de língua política ou ‘filogeneticamente próxima’ do português. Por fim, estabelece a criação de ‘corpora’ (conjunto de textos escritos e registos orais) de ‘dimensões comparadas e com equilíbrio semelhante’ para as variedades do português dos estados-membros da CPLP.”

Tudo isto é língua, tudo isto é fado, tudo isto é nada. É inacreditável como se gasta tempo e dinheiro com tamanhas vacuidades. Mas o mais ridículo ainda está para vir: “Esta comissão tem como função primeira supervisionar a elaboração do regulamento do COLP, a apresentar na próxima Reunião CC-IILP [Conselho Científico do IILP], prevista para maio de 2020.” É isso, faltava o regulamento. Um Instituto, um Conselho, uma Comissão, um Regulamento. Está tudo?

Não, ainda falta uma coisa: acabar com esta farsa, que mais não almeja do que a distribuição de uns cargos pela sinistra fraternidade do Acordo. A língua portuguesa continua maltratada, mal escrita, mal difundida e mal defendida, ao passo que umas criaturas se instituem, se aconselham, se comissionam e se regulam, desregulando tudo à sua passagem e sem qualquer benefício para lá das suas próprias quintas. Convém, pois, sublinhar isto: a coisa que falta é mesmo urgente.

nuno.pacheco@publico.pt

[Transcrição integral de: Conhece uma língua filogeneticamente próxima da sua? Proponha-lhe namoro | Opinião | PÚBLICO. Destaques e “links” (a cor-de-laranja) meus. Imagem de (peço desculpa pela menção àquele asqueroso programa) RTP.]

Nota: a reprodução deste artigo, como sucede com todos os aqui transcritos, tem por finalidade única a constituição de acervo documental sobre tudo aquilo que, segundo critérios meus, interessam ou dizem respeito ao chamado “acordo ortográfico”

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