Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: liberdade

«Ficou a Academia, foi-se o bom senso» [Nuno Pacheco, “Público”, 20.06.18]

Ficou a Academia, foi-se o bom senso

Nuno Pacheco
“Público”, 20.06.18

A Academia das Ciências de Lisboa seguiu, por decisão apressada dos seus mais fervorosos acordistas, o mau caminho dos vocabulários “oficiais”. É isto ciência, senhores?

 

Em 2015, promoveu a Academia das Ciências de Lisboa um colóquio intitulado Ortografia e Bom Senso. Dois dias de intenso confronto de opiniões que deram depois origem ao documento “Sugestões para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, produzido pela Academia e divulgado em 2017. O que dizia a Academia (ACL), nesse texto? Que, sendo a ACL “o órgão consultivo do Governo português em matéria linguística”, e sendo o texto do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), “por vezes, ambíguo, omisso e lacunar, não estabelecendo uma ortografia única e inequívoca”, entendia assim importante dar um “forte contributo” na “sistematização de critérios e orientações, em prol de uma maior regularização e, por consequência, na defesa de um registo adequado à variante portuguesa.” Com espírito conciliatório, esclarecia que tal “não significa rejeitar a nova ortografia, mas antes aprimorar as regras ortográficas e retocar determinados pontos para fixar a nomenclatura do Vocabulário e do Dicionário da Academia.”

Mesmo duvidando que um texto tão tecnicamente mal feito e tão prejudicial possa alguma vez ser “aprimorado”, as sugestões dadas pela ACL respeitavam o mais elementar bom senso. Pára, péla, pêlo, pôr, pôde, dêmos eram acentuados (diferenciando-se assim de para, pela, pelo, por, pode, demos); crêem, vêem e lêem recuperariam os respectivos circunflexos; a terminação –ámos (pretérito) voltava a ser acentuada, para se distinguir, no tempo verbal, de –amos (presente); acepção, corrector, espectador e óptica voltariam a imperar sobre aceção, corretor, espetador e ótica; palavras inventadas como interrutor ou concetível seriam abolidas, restaurando-se interruptor ou conceptível; e voltava a olhar-se para o hífen com lógica científica, usando-o “nas combinações vocabulares que formem verdadeiras unidades semânticas” (água-de-colónia, braço-de-ferro, pé-de-meia, etc.) e nas expressões onde a soma dos elementos forma sentido único (faz-de-conta, maria-vai-com-as-outras). Há mais, mas estes exemplos já dão uma ideia do abalo no dito “acordo”.

Há dias, numa estranha comemoração do 10 de Junho, resolveu a ACL publicar online o prometido Vocabulário. Com as sugestões de 2017? Não. Ou seja: ficou a Academia, mas foi-se o bom senso. E isso não é compreensível, mesmo para os defendem que este “acordo” só devia ter como destino o lixo. Porque as portas abertas em 2015 e 2017 foram um sinal de que nem tudo estava bem no território, absurdamente intocável, do “acordo”. Que havia erros, que podiam e deviam ser corrigidos. Ora o que nos traz este Vocabulário da ACL, que aliás vem juntar-se a mais dois “oficiais”, o do ILTEC e o da IILP, sendo este último o mais indigente de todos? Pouco ou nada que acrescente aos demais. Anunciando 215 mil entradas, promete para cada palavra a “indicação da sua grafia, categoria morfossintática [sic] e outras informações úteis, como ortoépia, formas irregulares de feminino e plural, particularidades na flexão verbal, etc.” Logo a abrir, diz: “Não sabe como escrever determinada palavra? Pesquise na nossa base de dados”. Ora vamos lá. Imagine-se que alguém pensa que se escreve “tumada” em lugar de tomada. Escreve “tumada” e surgem 5 palavras, como acostumadamente. Porque têm essa conjugação no meio. Não há um algoritmo que sugira “será que quis dizer tomada?” Nem aqui nem em nenhum dos outros vocabulários citados (ILTEC ou IILP). Conclusão: se é preciso saber escrever bem a palavra para a encontrar, então para que servem os vocabulários? Para impingir o AO90, evidentemente.

Procurem por pêlo, grafia que o AO90 aboliu e a ACL prometia ressuscitar. Saem três resultados: pelo, pelo de arame e pelo de rato. Com esta nota: “Grafia AO1945: pêlo”. Mas se procurarem por pelo, saem 74 palavras, tantas quantas tiverem pelo na sua constituição (ampelofagia, arrepelo, atropelo, etc.). E de nada vale isolar a palavra com aspas (“pelo”) para restringir a busca, como é usual noutras bases de dados. Se procurarmos, por exemplo, por espectador, saem-nos três palavras: espectador, espetador e telespectador. E não há telespetador? Há, mas temos de procurar por espetador. E, nesta palavra, há indicação de abertura da vogal em [é]? Não, há isto: [ô]. Como se alguém dissesse –dór! Inacreditável.

Há mais exemplos, muitos. Consultem e confiram. A Academia seguiu, por decisão apressada dos seus mais fervorosos acordistas, o mau caminho dos vocabulários “oficiais”. É isto ciência, senhores?

Nuno Pacheco

[“Público”, 20.06.18. “Links” e destaques meus. Imagem de topo (ACL): Por enioprado, CC BY-SA 3.0, Hiperligação]

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O tanas, compadre!

Ao fim e ao cabo, se bem que seja enorme a quantidade de informação, o que, paradoxalmente,  impossibilita um  escrutínio minimamente credível, tal é o grau (zero) de iliteracia vigente, o caso explica-se por si mesmo em poucas palavras ou, vá lá, numa frase singela: o autor de um livro ainda não publicado premeia-se a si mesmo enquanto júri de um concurso literário sem regulamento e depois alega em sua defesa que seria absurdo ele próprio ter feito aquilo que exactamente ele mesmo fez.

O objecto da contenda ficou antes aqui substancialmente exposto, contrastando os dois lados da questão, a qual é afinal apenas uma: o compadrio enquanto elemento ancestralmente estrutural na chamada “intelectualidade” portuguesa, essa irrisória (e risível) tribo de indígenas emplumados cujo modo de vida consiste em passear diariamente seus enormes egos entre o Chiado e a pastelaria Suíça.

Deixo agora, portanto, a acompanhar o presigo, o respectivo conduto, isto é, os acompanhamentos, os demais elementos de análise, a documentação atinente, com “bonecos” e tudo, para quem tradicionalmente à portuguesa odeie ler e ainda mais pensar ou tirar as mais simples conclusões — em especial se o prato principal for servido em bandeja de prata por criado de luva branca, venerador, atento e obrigado.

Prémio José Mariano Gago atribuído a “OBRAS PIONEIRAS DA CULTURA PORTUGUESA”

Na sua primeira edição, o Prémio José Mariano Gago de Divulgação Científica criado pela SPA é atribuído no Dia do Autor, na próxima terça-feira às 18 horas, na Sala-galeria Carlos Paredes aos 30 volumes das “Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa”, publicados sob a égide da Universidade de Coimbra e da Universidade Aberta e com o apoio da Fundação Gulbenkian e da Biblioteca Nacional. Os coordenadores desta ampla e muito diversificada edição foram os professores Carlos Fiolhais e José Eduardo Franco.

Estes 30 volumes da maior operação científica interdisciplinar da cultura portuguesa incluem obras representativas da medicina, da geografia, do direito, da física, da arquitectura, da química, da música, da engenharia, da botânica, da pedagogia e da arte de navegar, entre outras.
Os júri que efectuou esta escolha e levou em conta as obras publicadas na área da divulgação científica em 2017 foi constituído pelos professores universitários e investigadores Rui Vieira Nery, Miguel Lopes e Elvira Fortunato.
Os prémios constam de um troféu e do valor pecuniário de 2.500 euros.
Recorde-se que a Assembleia da República escolheu como Dia da Ciência a data de 16 de Maio, por ser aquela em que José Mariano Gago nasceu há 70 anos. Mariano Gago foi ministro durante 12 anos e realizou um trabalho notável como físico, docente universitário, decisor político e dirigente internacional.
Lisboa, 18 de Maio de 2018

OBRAS PIONEIRAS DA CULTURA PORTUGUESA
  Sob a  égide 
da Universidade de Coimbra e da Universidade Aberta,
e com o apoio
da Fundação Calouste Gulbenkian, do Ministério da Educação e da Biblioteca Nacional de Portugal
Editar e conhecer as obras pioneiras da nossa cultura é uma maneira excelente de tomarmos consciência do nosso passado extraordinariamente rico e de nos apercebermos de que a nossa língua esteve a par de grandes línguas europeias, antecipando-se até, por vezes, a algumas delas no processo de autonomização do tronco da língua latina de onde emergiu.
Marcelo Rebelo de Sousa
Presidente da República Portuguesa

Estamos em directo da cerimónia do Dia do Autor Português e 93º Aniversário da SPA!#diadoautor #spa #spautores

Publicado por Sociedade Portuguesa de Autores em Terça-feira, 22 de Maio de 2018

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“Cidadãos dóceis”

 

«O sistema agradece. É sempre mais fácil lidar com cidadãos dóceis, não reivindicativos, fáceis de convencer e manipular.»

 

Iliteracia

O dicionário Priberam da Língua Portuguesa, para citar um dos mais utilizados actualmente sem entrar em obras mais complexas, apresenta os significados seguintes para iliteracia:

“1. Qualidade ou condição do que é iletrado. 2. Estado ou condição de quem não sabe ler nem escrever. = ANALFABETISMO, ALITERACIA, ILETRISMO 3. Incapacidade para perceber ou interpretar o que é lido.”

Há, no entanto, diverso tipo de iliteracias: científica, política, digital, em saúde, mediática… Vou centrar-me na iliteracia mediática e tecer algumas considerações acerca das suas causas e consequências.

Segundo estudos recentes, quase metade da população portuguesa em idade activa não possui conhecimentos funcionais mínimos.

Quer isto dizer que, embora saibam ler, escrever e contar, o seu nível de conhecimento (literacia) é insuficiente para o cabal desempenho das funções que exercem. A acreditarmos no Relatório do Desenvolvimento Humano publicado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) 48% da população portuguesa é considerada iletrada funcional, valor mais elevado da União Europeia.

Esta aparente realidade pode parecer-nos insólita! Então não basta saber ler para entender o que se lê?!

A comunicação social fez eco da existência de mais de meio milhão de portugueses analfabetos. Não é desses que aqui falo. Falo dos mais de 90% de alfabetizados cuja literacia andará perto dos 45%, segundo os últimos dados.

A ser verdade, só cerca de 45% dos alfabetizados são capazes de ler um texto, observar um gráfico, perceber um aviso, um comunicado e interpretá-lo devidamente.

Os avanços da tecnologia proporcionaram-nos ferramentas e equipamentos capazes de nos proporcionar respostas imediatas (máquinas de calcular, computadores, gps, browsers da internet, telemóveis, etc.) o que nos torna cada dia mais preguiçosos.

Deixamo-nos embalar na aparente facilidade com que absorvemos horas de lixo televisivo, redes sociais e imprensa cor-de-rosa. Acreditamos nas notícias com que somos bombardeados 24 horas por dia de um modo acrítico e… desinformado!

Ouvimos políticos, comentadores, fazedores de opinião, “peritos”. Tudo isto sem que o nosso cérebro se rebele e tome o comando.

Sentamo-nos em frente da televisão e temos ao nosso dispor centenas de canais com informação, actualidade, entretenimento, debate político, desporto, novelas, filmes…tudo isso nos dá a falsa impressão de estarmos “informados”, “actualizados”, “conhecedores da realidade”.

O próprio sistema de ensino está construído nessa base. As famílias não têm tempo. As escolas debitam “informação” não ensinam a aprender e, muito menos, a questionar, a duvidar, a ter opinião devidamente estruturada e fundamentada. O sistema agradece. É sempre mais fácil lidar com cidadãos dóceis, não reivindicativos, fáceis de convencer e manipular.

Evitemos as controvérsias sérias. Os problemas sérios. As situações graves que campeiam por todo o lado. Sejamos bons meninos. Bons alunos. Bons cidadãos. Bons trabalhadores.

A injustiça social, o compadrio, o roubo descarado, a corrupção, a injustiça, existem mas… há quem vele por nós! Há quem nos assegure que tudo vai melhorar quando A, B ou C for eleito. Vamos ter saúde, educação, segurança social, justiça.

Apesar de grande parte dos políticos, comentadores, mesmo jornalistas, se expressar mal na própria língua… nós acreditamos! A nossa iliteracia mediática leva-nos a acreditar em tudo o que ouvimos ou lemos, em especial, quando apoia os nossos secretos desejos de uma vida melhor.

A escola continua a ignorar que é preciso melhorar a literacia dos agentes de ensino e dos alunos, que é urgente encontrar novos modelos educacionais, que é fundamental apoiar uma aprendizagem mais personalizada, que é crucial preparar as pessoas para aceitarem a mudança, que é imprescindível ligar as aprendizagens extracurriculares dos alunos às actividades de aprendizagem em aula, que a escola deve guiar os alunos no conhecimento do processo de aprendizagem ao invés de debitar matéria que, frequentemente, já está desactualizada no momento em que é transmitida.

A iliteracia mediática e digital assume-se como uma nova forma de “analfabetismo funcional” que traduz a ausência de competências para existir e coexistir num contexto de uma sociedade global da informação.

Os hábitos de leitura, a análise factual, a dúvida metódica, a capacidade de pôr em causa tudo na procura da verdade, o pensar pela própria cabeça, a necessidade de fundamentar opiniões e certezas não se decretam, quando muito, incentivam-se. Se não tivermos uma estratégia para combater a iliteracia aos múltiplos níveis micro e ao nível macro, de nada nos serve a acessibilidade às mais diversas plataformas comunicacionais, às toneladas de informação que nos caem em cima diariamente. Continuaremos a sofrer de iliteracia.

[Source: «Iliteracia», “DN” Madeira, 17.06.18. “Links” meus.]

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‘Errare humanum est, sed in errare perseverare diabolicum’

«Essa expressão de “caos” estaria mais relacionada com o ensino da língua portuguesa agora usando o acordo ortográfico.»

«Foi a sensação que eu tive de que o ensino se estava a tornar num negócio. Tornou-se num negócio com esta implementação do acordo ortográfico.»

«Porque eu reformei-me, e reformei-me por não querer cumprir o acordo ortográfico, porque não o cumpria.»

«Não interessa que o ser-humano pense. O que interessa é que fique indiferente às coisas e que se torne um escravo e também, às vezes, um selvagem em relação aos outros.»

«Séneca tem uma frase: “errar é próprio dos homens, persistir no erro é próprio de loucos”. »

«Se o critério fundamental é a pronúncia, então cada qual escreve como quer.»

«Dizem que as crianças, se tirassem as consoantes mudas, era tudo tão mais fácil, ora, eu sou professora e nunca foi nas consoantes — nos C e nos P — que os alunos faziam os seus erros.»

«O acordo, o Tratado internacional é uma perfeita fraude.»

«Nenhuma Língua evolui por decreto. Esta língua, que é uma mixórdia em que eu não reconheço o Português, não evoluiu nada, isto não é evolução, isto é o contrário da etimologia da palavra ‘evolução’. Por isso, se a estupidez quiser vingar, e é estupidez se nada se fizer para recuar.»

Maria do Carmo Vieira

Da Capa à Contracapa

Andamos a tratar bem a Língua Portuguesa?

16 Jun, 2018

 

Os professores Maria do Carmo Vieira, Adelino Calado e Rui Afonso Mateus juntam-se a José Pedro Frazão para discutir o ensino do português e a forma como tratamos a Língua Portuguesa na nossa sociedade.

Esta semana no “Da Capa à Contracapa” fala-se do ensino do português e a forma como tratamos a Língua Portuguesa na nossa sociedade.

Professores do Ensino Secundário, Maria do Carmo Vieira, Adelino Calado e Rui Afonso Mateus têm leituras muito próprias e críticas do sistema e do ensino, também das pedagogias aplicadas. Em particular no ensino do Português.

O Professor Adelino Calado, não sendo professor da mesma área, pois leciona Educação Física, é diretor do Agrupamento de Escolas de Carcavelos onde tem implementado medidas inovadoras como acabar com os TPC convencionais, os exames ou os toques de entrada. Com a sua ajuda lançamos também um olhar sobre a escola de hoje, trazendo ainda algumas ideias para a escola do futuro.

E recomendamos a leitura dos ensaios da fundação Francisco Manuel dos Santos sobre o tema: nomeadamente os dos autores que convidamos: o Ensino do Português e Literatura e Ensino do português.

O da Capa à Contracapa é uma parceria da Renascença com a Fundação Francisco Manuel dos Santos. A moderação como sempre é do jornalista José Pedro Frazão.

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“Egoísta”, dos que pensam e escrevem pela própria cabeça

Ditosa língua, esta, a portuguesa, a que Pessoa chamou a sua Pátria. Resiliente, também: enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive, incólume, na semântica dos que pensam – e escrevem – pela própria cabeça”, lê-se no texto de Assis Ferreira.

Revista Egoísta recebe três Grandes Prémios Papies e totaliza 86 distinções

SAPO 24, 15.06.18

A revista Egoísta foi distinguida com três Grandes Prémios Papies, relativos aos números 61.º, 62.º e 63.º, elevando para 86 o número de galardões que esta publicação da Estoril Sol já recebeu em 18 anos de edição.

“A Egoísta levou para casa três Grandes Prémios Papies na categoria de Revista, com as edições 61, intitulado ‘Televisão’, 62, ‘Doce’, e 63, ’18’. Esta publicação dirigida por Mário Assis Ferreira, soma assim 86 distinções alcançadas em competições nacionais e internacionais”, afirma a Estoril Sol em comunicado.

Sobre estes três troféus, a editora da revista, desde a sua fundação, a escritora Patrícia Reis, afirmou: “Numa era tecnológica em que as redes sociais parecem dominar, é bom e de salutar que possamos fazer a apologia do papel, da escrita na página, incentivando à leitura e à imaginação”.

No número celebrativo do 18.º aniversário da revista, intitulado enfaticamente “18”, Mário Assis Ferreira escreveu no editorial: “Longa vida à Egoísta! Tão longa, que já nem seja eu, maduro septuagenário, a ter o tempo de escrever o seu último editorial!”.

Este 63.º número da Egoísta conta com as colaborações de Gonçalo M. Tavares, Inês Pedrosa, Raquel Prates – com uma produção exclusiva – Ilda David, que ilustra Hélia Correia, Gonçalo F. Santos e Xavier Pereira, que juntos assinam uma fotonovela, Afonso Cruz, Nuno Júdice, Estelle Valente, Tiago Pimentel e Lena Pogrebnaya, entre outros.

A Estoril Sol, aquando da sua publicação, em Março, afirmou que “a edição da ’18’ será o primeiro de vários momentos que terão como propósito celebrar este marco na história da publicação, e que continuarão a ter lugar ao longo deste ano”.

O número 62.º, publicado em Dezembro do ano passado, intitula-se “Doce” e, no editorial, o seu director elogia a Língua Portuguesa que “enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive”.

“Ditosa língua, esta, a portuguesa, a que Pessoa chamou a sua Pátria. Resiliente, também: enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive, incólume, na semântica dos que pensam – e escrevem – pela própria cabeça”, lê-se no texto de Assis Ferreira.

“Na pujança do seu léxico, eis que cada vocábulo se desdobra numa multiplicidade de sinónimos e, não raro, cada sinónimo se espraia em duplos sentidos. Tal como a palavra Doce – na sua acepção gastronómica ou enquanto expressão imaterial. Pois que Doce, guloseima, e Doce postura humanística não se confundem, embora se conciliem no prazer da sua fruição”, prossegue Mário Assis Ferreira.

A capa deste número editada em 3D, sugere um rebuçado, e inclui ‘drops’ “flocos de neve”, numa parceria com a septuagenária confeitaria Vieira de Castro.

O 61.º número, editado em Agosto do ano passado, foi dedicado à televisão, “a máquina que mudou o mundo”, escreveu Patrícia Reis, tendo sido a primeira edição da Egoísta, numa versão bilingue – português e inglês.

Esta edição publicou o último texto do economista Miguel Beleza (1950-2017).

A edição realçou o 60.º aniversário da RTP, contou com a participação dos jornalistas João Adelino Faria e Cândida Pinto, e ainda com outros nomes do universo televisivo, como Carlos Ramos, Gonçalo F. Santos, Patrícia Fonseca, Filipe Santos Costa, Drumond, Luís Filipe Cunha, Inês Pedrosa, Richard Zimler, Nuno Artur Silva, Miguel Monteiro, Paulo Mendes Pinto, João Gobern, Henrique Raposo, Joel Neto, Andris Feldmanis, Pedro Boucherie Mendes, Alexandre Honrado, Dulce Garcia e Ricardo Alevizos.

Esta não foi a primeira vez que uma edição da Egoísta foi distinguida com o Grande Prémio Papies, na categoria Revista, pois já lhe tinha sido aliás entregue, pelo 60.º número, cuja temática foi a política.

[Source: Revista Egoísta recebe três Grandes Prémios Papies e totaliza 86 distinções – Atualidade – SAPO 24O texto em acordês no original foi corrigido automaticamente para Português-padrão pela solução Firefox contra o AO90.]

 

As edições Televisão, Doce e 18 foram reconhecidas com Grande Prémio na categoria de Revista, nos mais recentes Prémios…

Publicado por Revista Egoísta em Sexta-feira, 8 de Junho de 2018

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O AO90 e a “maravilhosa projecção internacional da língua” «unificada»

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

Angola quer acesso à comunidade dos países de língua francesa. (RTP)

L’Angola lusophone fait les yeux doux au Commonwealth et à la Francophonie

 

Faire d’une pierre deux coups. C’est l’ambition du nouveau président angolais Joao Lourenço qui souhaite, contre toute attente, voir son pays, une ancienne colonie portugaise, intégrer à la fois la Francophonie et le Commonwealth britannique.

La mission ne s’annonce pas impossible, à en croire le chef de l’Etat, qui tente coûte que coûte d’attirer les investisseurs étrangers dans son pays producteur de pétrole, mais embourbé depuis des années dans une profonde crise économique.

Joao Lourenço en veut pour preuve le Mozambique, une autre ex-colonie portugaise qui a rejoint le Commonwealth en 1995.

“L’Angola n’est pas entouré de pays lusophones”, a-t-il benoîtement constaté pour justifier son initiative. Il est pressé au nord par la République démocratique du Congo et le Congo-Brazzaville, adeptes de la langue de Molière. Au sud et à l’est par la Namibie et la Zambie, pratiquants de celle de Shakespeare.

“Par conséquent, ne vous étonnez pas que nous demandions maintenant l’adhésion à la Francophonie et, dans quelques jours, au Commonwealth”, a lancé le président angolais lors d’une récente tournée diplomatique en Europe.

Londres a réagi avec enthousiasme à cette annonce surprise. “Formidable”, s’est extasié le chef de la diplomatie britannique Boris Johnson sur Twitter.

“Nous accueillons avec une grande satisfaction l’engagement du président Lourenço sur des réformes de long terme, la lutte contre la corruption, l’amélioration des droits humains. Au plaisir de l’accueillir bientôt au Royaume-Uni”, a-t-il lancé.

L’intégration au Commonwealth répond à des critères stricts. Sa charte insiste notamment sur “l’égalité et le respect de la protection et de la promotion des droits civils, politiques, économiques, sociaux et culturels” de ses membres.

La perspective d’y ajouter l’Angola réjouit Zenaida Machado, de l’organisation Human Rights Watch (HRW).

“Il devra adhérer à des règles et des principes qui, s’ils sont respectés, seront très bons pour le climat du pays”, se réjouit-elle, “pour nous c’est un bon signal”.

– “Bonne idée” –

Car, de l’avis des ONG, l’Angola n’est pas précisément un parangon de vertu démocratique.

Il sort à peine de trente-huit ans de règne autoritaire de Jose Eduardo dos Santos, qui a largement muselé ses adversaires politiques. Son successeur Joao Lourenço, issu du même parti, le MPLA, a promis d’éradiquer la corruption, mais la route reste longue sur la voie d’un changement de régime.

S’il a autorisé en mars une rare manifestation de l’opposition, sa police a encore été épinglée au début du mois pour avoir abattu sans autre forme de procès un suspect dans la rue.

A ce jour, seuls deux pays sans histoire coloniale commune avec le Royaume-Uni – le Mozambique et le Rwanda – sont membres du Commonwealth. Et ceux qui adhèrent en même temps à la Francophonie (84 membres) et au Commonwealth (53) se comptent sur les doigts des deux mains.

“C’est une bonne idée que l’Angola (les) rejoigne car la majorité des pays africains sont liés à ces organisations”, estime l’analyste politique Augusto Bafua Bafua. “L’Angola est déjà membre de la Communauté des pays de langue portugaise, mais cette organisation est très faible”, fait-il remarquer.

Dans les rues de Luanda, les Angolais, qui se débattent au quotidien avec un chômage de masse et une forte inflation, s’interrogent pourtant sur l’impact de telles adhésions.

“L’Angola fait déjà partie d’organisations similaires et les avantages ne sont pas visibles”, estime Augusto Pedro, chômeur de 36 ans. “Le portugais n’est pas parlé par toute la population, donc on devrait se battre pour rejoindre ces communautés”, nuance un autre habitant, Manuel Joao, 28 ans.

L’opposant Rafael Marques, lui, reste très perplexe. “Les gens en Angola peuvent à peine écrire portugais parce que le système éducatif s’est effondré”, constate-t-il, “si on ne peut pas éduquer son peuple dans la langue officielle, à quoi bon rejoindre deux autres communautés de langue ?”

Alors Rafael Marques, féroce critique du parti au pouvoir, avance une autre explication. “Cette annonce sympathique va lui faire gagner des points dans les médias”, cingle-t-il.

Source: L’Angola lusophone fait les yeux doux au Commonwealth et à la Francophonie

https://twitter.com/BorisJohnson/status/1004039780076748802?ref_src=twsrc%5Etfw&ref_url=https%3A%2F%2Feco.pt%2F2018%2F06%2F06%2Fboris-johnson-confirma-no-twitter-angola-quer-juntar-se-a-commonwealth%2F

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