Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: linguística

FAQ AO90 — 6



31. Porque não se unem numa iniciativa conjunta todos os grupos anti-AO90?

A tal “união de esforços“, portanto?

Bom, alguns — mas nem todos — dos que enchem a boca com essa história de embalar, na verdade querem é o contrário: dividir, fraccionar, pulverizar. para assim desmoralizar as hostes, neutralizar as acções, abater a militância, fomentar o inactivismo.

Afinal, paradoxalmente, a julgar pelos efeitos práticos dessa velha e relha ladainha, a “união de esforços” fundamenta-se na lapidar máxima “dividir para reinar”.

São por regra os mais pedantes (ou pretensiosos, porque armados em bonzinhos) quem mais apregoa a “união” divisionista, utilizando para o efeito um argumento “imbatível”: é tudo uma “questão de protagonismo” e portanto vá de fazer o oposto diametral das belas palavras que debitam, toca a lançar a confusão engraxando este e insultando aquele, o que é preciso é acicatar rivalidades — mesmo que ou em especial se estas de facto não existirem. Ou seja, projectam esses vaidosos nos outros o seu próprio penacho mental — fenómeno psicológico de transferência que Freud explica em vários textos, ditados com soberana displicência, palitando os dentes.

Estou em crer, porque já ando “nisto” há muito tempo, que nenhum dos arautos da “união de esforços” faz a mais pequena ideia de que afinal está a sabotar aquilo que diz defender, e muito menor ideia faz de que não passa de uma marioneta manipulada por mão invisível — a dos acordistas, nada menos.

Nunca dizem ao que vêm, os arautos da união com os parasitas dos esforços alheios; não têm qualquer proposta ou ideia concreta, limitam-se a despejar o chavão da “união de esforços”, a seco, sem mais. É atirar o barro à parede, a ver se cola…

“Iniciativa conjunta”? Mas que iniciativa? A ILC que já existe desde 2010 ou uma das petições e outras tretas lançadas consecutivamente, a partir de 2012, para desviar as atenções da primeira?

E essa outra “iniciativa” seria “conjunta” com quem? Com a malta dos grupos, grupinhos e grupelhos do Fakebook? Mas quem é aquela gente? O que fizeram esses grupos, que fez essa virtual malta nesta luta e desde quando e como e com que resultados?

E porque não, contrapondo, com nenhuma dessa gente virtual em virtuais seitas mas com toda a gente verdadeira que existe mesmo na vida real?

Lançar uma nova iniciativa conjuntamente com quem andou a recolher assinaturas para a já existente e depois não as entregou, ficou com elas, sonegou, desviou, roubou essas assinaturas?

Ou pensarão que ninguém percebeu a jogada? O que fizeram a essas subscrições que literalmente roubaram, mai-los respectivos dados dos subscritores, sem conhecimento destes?

Enfim, bem sei que é um pouco estranho responder a uma pergunta frequente com várias perguntas que frequentemente coloco a mim mesmo. Mas pronto, faz-se o que se pode. Até para tentar explicar o que não tem uma explicação humanamente aceitável.

Mas isto sou só eu a falar, evidentemente. Estas são as minhas FAQ AO90, não são as FAQ da ILC-AO, este é o meu modesto “blog”, não é o “site” da ILC — da qual aliás me “reformei” em 2015, por motivos de saúde, entre outros, nomeadamente para não ter de continuar a aturar pulhas ainda piores do que os acordistas.


32. Como reverter o processo de “adoção” no ensino?

Pois. Aparentemente para os adultos é fácil, para as crianças nem tanto. Mas não é nada que não se possa fazer com relativa facilidade: as crianças não nascem necessariamente, em massa, estúpidas ou retardadas. A ideia subjacente ao “acordo” é imbecilizá-las o mais depressa e o mais profundamente possível, mas ainda assim não me parece difícil erradicar o vírus acordista das nossas escolas primárias. Os cérebros juvenis possuem plasticidade (ou maleabilidade) mais do que suficiente para se auto-regenerar em menos de um ano (lectivo).

Talvez este processo de reposição da normalidade e estabilidade do código escrito acabe por revelar-se como uma excelente oportunidade para a re-introdução generalizada, nos planos curriculares dos 3 ciclos do ensino obrigatório, de História da Língua, Ortografia e até, porque não, aulas facultativas de caligrafia — uma vertente pedagógica estupidamente abandonada nos anos 70 do século passado (reforma de Veiga Simão, em 1972, se bem me lembro).

Para as editoras de manuais corrigidos, a liquidação do AO90 representaria a duplicação dos chorudos lucros que obtiveram aquando da “adoção”, desde o ano lectivo de 2010/11, já que tudo teria de ser editado, corrigido e publicado novamente.

A eliminação do AO90 no Ensino é uma tarefa prioritária, evidentemente, já que é na identidade em formação de cada uma das nossas crianças que se forma a consciência colectiva da identidade nacional — na qual a ortografia é elemento fundamental e estruturante.


33. Que repercussões teve o AO90 no estrangeiro?

Todo este desastre foi, e será para todo o sempre, uma embaraçosa humilhação, um enxovalho nacional atirado para cima deste país e dos seus oito séculos de História. Os estrangeiros oscilam invariavelmente entre a perplexidade e o espanto quanto confrontados com este caso único, a nível mundial, de colonização cultural às avessas. E como não têm sobre si a pata da máfia acordista luso-brasileira (muito brasileira e pouco lusa), os analistas e cronistas estrangeiros dizem com desarmante simplicidade aquilo que em Portugal ninguém se atreve a verbalizar: o AO90 representa a eliminação sumária do Português-padrão, numa manobra neo-imperialista brasileira coadjuvada, facilitada e promovida por meia dúzia de vendidos portugueses com a cobertura de políticos tecnicamente analfabetos e geneticamente corruptos.

Mas o camartelo acordês teve outro tipo de repercussões a nível mundial, nomeadamente na Internet, a primeira das quais foi a quase extinção a bandeira portuguesa (e respectivos “interfaces”) nos mais diversos “sites” internacionais, incluindo os institucionais. Claro que já seria suficientemente grave a substituição da bandeira portuguesa pela brasileira, passando esta em vez daquela a identificar o interface em “Português”; mas o arrepiante valor simbólico que representa este arrear de uma e o hastear de outra bandeira não se fica por aí: os próprios conteúdos, que anteriormente eram sobre figuras, monumentos, feitos históricos, objectos, invenções, idiossincrasias portuguesas… tudo foi radicalmente (e com efeitos retroactivos, apagando os antecedentes) substituído pelos respectivos equivalentes sambísticos, fedendo a cachaça.

A Wikipédia é o caso mais flagrante, deste sinistro apagamento da História, da identidade e da nacionalidade portuguesas. Mas não é o único: Google, YouTube, Facebook, em todas as plataformas virtuais desapareceu a opção “Português (Portugal)”, assim como foi liquidado em todas as versões recentes dos programas informáticos de uso corrente (como o MS-Office, por exemplo). Não se tratou “apenas” de substituir conteúdos e de “adotar” a cacografia brasileira; nada disso; o próprio léxico e o jargão técnico passaram a ser integralmente brasileiros (usuário, baixar, curtir, deletar), o mesmo sucedendo até com a sintaxe e as construções frásicas — tudo  integralmente brasileiro.

Uma das patranhas associadas ao “acordo” seria a projecção e expansão da língua portuguesa (leia-se, brasileira) no mundo, o que, em concreto, se traduziria na “adoção” do português (leia-se, do brasileiro) como língua de trabalho da ONU. Claro que também essa tremenda mentira rapidamente foi desmentida pela realidade, o que não obstou a que — por mera “coincidência”, claro — o Brasil tenha começado de imediato a exportar, a granel, às carradas,  professores de “português” para as ex-colónias portuguesas.

E tudo isto em paralelo com um outro fenómeno igualmente espantoso (para os ingénuos): agora, já sem qualquer disfarce, há cursos de brasileiro para estrangeiros e dicionários para traduzir de brasileiro para Francês ou Inglês, por exemplo.
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FAQ AO90 — 5


25. Podemos alegar “objecção de consciência” quanto ao “acordo”?

Vale para isto o mesmo que vale para a desobediência civil. Aliás, a objecção de consciência é uma das formas de desobediência aos ditames abusivos e aos actos de violência, não apenas física mas também mental, cometidos pelo Estado. Se bem que a figura da objecção de consciência seja de âmbito restrito e com regulação por lei. Aplica-se de forma geral em relação ao serviço militar obrigatório e pode ser invocada, em situações excepcionais (aborto, eutanásia, experiências com seres humanos ou em animais, etc.), por médicos, técnicos, cientistas e pouco mais do que isto, no âmbito profissional, ético e deontológico.

Em relação ao “acordo”, por conseguinte, não me parece — de todo — que esta figura legal seja aplicável. É de facto uma questão de consciência (ou de inconsciência, no caso dos acordistas), mas trata-se sobretudo de um problema político. Ora, os problemas políticos resolvem-se objectando contra eles, nos regimes democráticos, através do voto ou do combate político.

Na verdade o AO90 é também uma espécie de eutanásia, ou, melhor dizendo, de assassinato, mas nenhum de nós — mesmo usando ao pescoço, como é o meu caso, um estetoscópio ortográfico — pode dizer que se recusa, por questões de consciência, a… quê? Vê-lo?

Mas é esse, precisamente, o problema!


 26. Como posso contribuir para a resistência ao “acordo” e ajudar nesta luta?

Esta não é uma pergunta lá muito frequente, FAQ!

Bom, o primeiro requisito é não desistir. Não esmorecer já seria pedir muito. Não desistir porque, evidentemente, quem desiste não vai seguramente fazer mais nada a partir desse fatídico momento. E a não desistência é, só por si, uma grande ajuda nesta longa e dura luta.

Mas, em termos concretos, o que pode fazer um cidadão? Pois bem, pode começar por não se calar, não se abster, não deixar passar uma única oportunidade para manifestar a sua oposição ao “acordo”. Escrever (e divulgar) textos sobre o assunto, comentar “posts” — os próprios e os de outras pessoas — ou simplesmente puxar o assunto, em conversas pessoais, com a família, os amigos e os colegas de trabalho.

Pode ajudar a única iniciativa cívica — racional e viável– que está em curso, recolhendo assinaturas em papel e enviando mensagens (directas ou por e-mail) para divulgar aquela iniciativa e o modo de subscrição por via electrónica.

Pode colocar o logótipo da Causa no seu “blog” e/ou como “avatar” nos perfis das redes sociais.

Pode mandar fazer e depois usar (e oferecer!) acessórios e “gadgets” (t-shirts, canetas, “pins”, etc.) contra o AO90.

Pode NÃO comprar livros, jornais e revistas em acordês. Quanto aos livros, que os acordistas andam a acordizar com efeitos retroactivos, é fácil e rápido verificar se estão ou não em Português: na folha de ficha técnica, procure o mês de edição; se não tiver maiúscula inicial, salvo gralha, o livro está todo marado, é atirá-lo de volta à prateleira. Quanto a jornais e revistas, uma simples vista-de-olhos nas “gordas” da capa deve bastar; se não topar nada suspeito, procure (geralmente no cabeçalho) a palavra “Director”; se não tiver C, é lixo, volta ao escaparate. E pode (e deve) ainda cancelar a sua assinatura de publicações periódicas acordistas ou não a renovar.

Pode instalar o Firefox contra o AO90 e assim ler páginas de Internet em paz ortográfica e sossego mental. Há ainda outras ferramentas informáticas, nomeadamente correctores ortográficos, que permitem manter o computador limpo, o trabalho enxuto e a mente sã.

Além destas poucas, há ainda muitas outras possibilidades de realmente fazer alguma coisa contra a cacografia. Imaginação não falta aos portugueses, felizmente.

Algumas pessoas fazem um espécie de vandalismo ao contrário: corrigem letreiros à mão. Desde que o AO90 entrou em vigor vemos por aí uns acessórios urbanos já estropiados pelo acordês: placas toponímicas, sinais de trânsito, cartazes e anúncios.  Ora bem, essa pichante actividade militante justifica-se por si mesma, trata-se de repor a normalidade nos dizeres que saíram vandalizados da fábrica, daí o vandalismo ao contrário, mas pode acarretar riscos para o cidadão: as “autoridades” podem fingir — para empochar mais uma multazinha — que corrigir um vandalismo é vandalismo também. Por isso, hem, não estamos aqui incitando o cidadão a meter-se em sarilhos (ah, valente!)…

Enfim, fazer qualquer coisa já é fazer alguma coisa e já é muito. É puro activismo cívico, são e verdadeiro, bem diferente do activismo político, que não é para aqui chamado. E é também o oposto do inactivismo, essa pecha tipicamente portuguesa que fomentam acordistas — na sombra — e cuja definição chega e sobra para entender o conceito, por antonímia.

Com as devidas desculpas pela auto-citação, e alegando em minha defesa que não vale a pena formular de novo o que já está mais do que definido:

Contrastar o conceito de inactivismo com a imensa, radical, total diferença do seu oposto será talvez um modo eficaz de demonstrar ambos em simultâneo: o verdadeiro activismo (cívico) resume-se a não ceder, não conceder, não desistir e, sobretudo, fazer algo — por pouco que seja — para que ao menos o que se pretende não esmoreça e que se não conceda ao inactivismo um minuto de tréguas, um milímetro de tolerância, um só átomo de crédito.

Porque, no fim de contas, é dos livros, e se não for no fim de contas há-de ser logo que possível, apenas uma de duas coisas pode acontecer. Para os activistas a vitória, ainda que no fim percam a luta. Para os inactivistas a derrota, seja qual for o resultado final. [“Inactivismo” (2)]


27. Afinal a RAR 35/2008 foi o quê, ao certo?

Essa é mesmo a mais frequente das perguntas frequentes.

Sabe-se que alguns anti-acordistas ausentaram-se na ocasião da votação da RAR 35/2008: alegaram “conflito de interesses” ou “reserva de opinião” ou ainda “para não quebrar a disciplina de voto”; sabe-se também que previamente foram pedidos pareceres sobre o AO90 a diversas entidades com créditos firmados nas áreas — entre outras — da linguística, do ensino e do meio editorial, sendo as conclusões de todos esses pareceres manifestamente CONTRA o “acordo”, mas… NENHUM deles foi tido em conta (muito provavelmente, ninguém no Parlamento leu deles uma única linha).

O que mais importa reter, quanto a esta Resolução parlamentar, é que tratou-se da mais grave fraude, de entre as várias cometidas ao longo de todo o processo, mas esta com a seguinte  agravante decisiva: sem a aprovação cega e acéfala daquela porcaria o AO90 não estaria em vigor.

Ao certo, ao certo, foi isto a RAR 35/2008: um golpe de estado ortográfico.

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FAQ AO90 — 4


19. Fala-se muito em revisão do AO90. E porque não?

Porque isso seria estúpido. Quase tão estúpido como referendar a Língua Portuguesa, mas não abusemos.

O que acordistas e assimilados pretendem, na realidade, com essa treta da “revisão” do “acordo”, é fingir que tal desconchavo seria um mal menor; exactamente a mesma táctica, portanto, que usaram os acordistas com o projecto de AO de 1986: fingir que “do mal, o menos” é menos mau do que o horror com que ameaçam. Ora, o horror, como o gigantismo ou a excelência, não é um conceito gradativo ou mensurável — ou é horror ou não é horror.

E o AO90, está bem de ver, é horroroso, sem gradações, não ficaria um horror mais pequenino com a tal “revisão”.

Porque, efectivamente, qualquer espécie de revisão do cambalacho resultaria fatalmente na “adoção” integral e definitiva da desortografia brasileira. Integral porque uma versão revista e “corrigida” do AO90 — que, apesar de horripilante, ainda prevê algumas excepções — obrigaria os portugueses (e africanos) a memorizar (ou perguntar a alguém) a forma como se pronuncia esta ou aquela palavra no Brasil para poder escrevê-la “corretamente”. Afinal, em todas as versões de projectos de revisão do AO90, apenas são apontados casos que antes do “acordo” eram grafados da mesma forma em ambos os lados do Atlântico: como em, por exemplo, “recepção”, “decepção”, “expectativa”, “perspectiva”, etc. As excepções a esta regra (“Egipto” e pouco mais) não passam de trocos a troco de nada; é tudo, como sempre, fingimento descarado.

Ou seja, se fosse aprovada a versão “revista” do “acordo”, os portugueses passariam a ser o único povo do mundo cuja ortografia seria determinada pela forma como se fala num país estrangeiro. Colonização ao contrário, portanto, e da espécie mais alienígena: a ex-colónia impõe a sua novilíngua ao ex-colonizador.


20. Como ou onde podemos ver o que foi alterado pelo AO90?

Não é “alterado”, é adulterado.

Existe online uma coisa que os acordistas baptizaram como “Dicionário de Mudança”, cuja finalidade seria, teoricamente, listar todos os lemas (entradas de dicionário) estropiados pelo AO90.

Em jeito de diálogo informal, aqui fica a “ficha” desse tal “Dicionário de Mudança”:

— Quantas palavras constam daquilo?
6.621 lemas (em Março de 2018).

— Só? Não há mais?
— Até ver, não. Aquilo está cirurgicamente amputado. Muitas das palavras de uso mais  corrente não constam.

— Quantos desses lemas foram alterados no Português-padrão?
— 14.444.

— E na variante brasileira?
— Zero.

— 14.444 palavras (lemas!) do “nosso” Português são estropiadas pelo AO90 mas afinal nem uma da variante brasileira?!
— Exacto. Na variante brasileira nem uma foi alterada pelo AO90. O “acordo” é isto mesmo: uma parte cede 100%, a outra parte “cede” 0%.

Maravilhoso, não é? Para compreender como foi feita esta “fantástica” vigarice basta consultar os respectivos Números.


21. O AO90 pretende “unificar” as duas variantes do Português. Existem variantes em outras Línguas?

Oh, sim! Se existem! Basta abrir o Word ou outro processador de texto similar e conferir:

  • 18 variantes de Inglês: Austrália, Belize, Canadá, Caribe, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irlanda, Jamaica, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Singapura, África do Sul, Trinidade e Tobago, Reino Unido, Estados Unidos da América, Zimbabwe.
  • 15 variantes de Francês: Suíça, Senegal, Reunião, RD Congo, Mónaco, Marrocos, Mali, Luxemburgo, Índias Ocidentais, Haiti, França, Costa do Marfim, Canadá, Camarões, Bélgica.
  • 21 variantes de Espanhol: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Espanha (2 tipos), Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai, Venezuela.
  • 15 variantes de Árabe: Arábia Saudita, Argélia, Barhein, EAU, Egipto, Iémen, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbia, Marrocos, Omã, Katar, Síria, Tunísia.
  • 9 variantes de Sami (Lapão): Sami, Finlândia (3 tipos), Noruega (2 tipos), Suécia (3 tipos).
  • 5 variantes de Alemão: Alemanha, Áustria, Liechtenstein, Luxemburgo, Suíça
  • 5 variantes de Chinês: Hong Kong, Macau, China, Singapura, Taiwan.
  • 3 variantes de Quechua: Bolívia, Equador, Peru.
  • 2 variantes de Gaélico (Irlanda, Escócia), Holandês (Holanda, Bélgica), Italiano (Itália, Suíça), Mongol, Nepalês, Norueguês, Punjabi, Romeno (Moldávia, Roménia), Russo (Moldávia, Rússia), Sindi (Índia, Paquistão), Sueco (Finlândia, Suécia), Tigré, Urdu.

Como vemos, o que diz Malaca sobre este particular é só mais um chorrilho de  mentirolas e contradições.
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FAQ AO90 — 3


13. Das quatro vias para acabar com o “acordo ortográfico”, qual a mais viável?

Dessas 4, que afinal são 5, se contarmos com a denúncia unilateral do AO90 enquanto Tratado internacional, existem duas muito semelhantes entre si e são ambas igualmente viáveis: em qualquer destes dois casos, a solução passará sempre pela apresentação de uma iniciativa legislativa — ou por um mínimo de 23 deputados ou por mais de 20.000 subscritores no caso de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC).

Seja de uma forma ou seja de outra, o objectivo terá de ser forçosamente a anulação do instrumento legal que ratificou o II Protocolo Modificativo (alterando este a redacção original do AO90) e que, assim, colocou em vigor o “acordo” na ordem jurídica nacional.

Instrumento legal esse (RAR 35/2008) que fez ainda mais do que “apenas”, ratificando o dito Protocolo, aceitar em nome de Portugal o golpe perpetrado pelo Brasil: a ratificação do Protocolo por apenas 3 Estados implica a automática entrada em vigor do AO90 em todos os oito Estados-membros da CPLP.

Portanto, só revogando aquela Resolução parlamentar será possível reverter a entrada em vigor do AO90 em Portugal; a anulação de qualquer outra legislação subsequente, decorrente e dependente da RAR 35/2008, seria inútil. Por exemplo, a revogação da RCM 8/2011 não teria quaisquer efeitos práticos, já que o AO90 continuaria legalmente em vigor.


14.  Em que diferem do “acordo ortográfico” brasileiro os casos Francês, Espanhol ou Alemão? Porque é que o Inglês nunca teve qualquer “acordo”?

Não existe a mais pequena similitude entre as reformas ortográficas dos países civilizados e aquilo que se passa em Portugal.

Primeiro, nenhuma das reformas ortográficas promovidas por outros países que não os terceiro-mundistas Brasil e Portugal é vinculativa ou obrigatória. Não contêm qualquer imposição — e muito menos implicam sanções para os “renitentes” –, visto que nenhuma dessas reformas é  compulsiva, como o AO90.

Segundo, tais reformas são a consequência natural e não a causa artificial das alterações ortográficas. Ou seja, os estrangeiros fixam a sua norma ortográfica, apenas quando absolutamente necessário, em função das naturais oscilações que porventura ocorram pela simples passagem do tempo. “As Línguas” evoluem, de facto, como tanto gostam de cuspilhar os acordistas portugueses, mas de forma natural e não por decreto.

O caso da Língua inglesa é algo completamente diferente. Evoluiu ao longo de 1.400 anos mas a sua ortografia mantém-se praticamente inalterada há vários séculos. Por alguma razão — ao invés do que dizem acordistas, com a sua alucinada teoria do facilitismo e da “expansão” — o Inglês é “só” a Língua mais falada (e escrita) no Ocidente e é “só” a lingua franca por excelência em todo o mundo. De resto, em todos os países do ex-Império britânico a ortografia e a etimologia são ponto de honra e motivo de orgulho; nos EUA e no Canadá, por exemplo, existem concursos nacionais, regionais e locais dedicados exclusivamente a soletrar: spelling bee.


15. Se existiu desde o início tanta resistência (e indiferença), porque é que o “acordo ortográfico” entrou em vigor?

Por uma questão de agenda: aos políticos implicados na tramóia e aos empresários gananciosos interessados nela (é a grande finança que paga as campanhas eleitorais e os tachos dos políticos) convinha que a coisa avançasse o mais depressa possível. Assim, primeiramente avançou a parte política do assunto — aprovação do II Protocolo Modificativo — preparando o terreno para que os grandes grupos editoriais, por exemplo, começassem de imediato a facturar. A expansão económica brasileira, tendo por objectivos primordiais Angola e a União Europeia (usando Portugal como trampolim, bem entendido), ficaria para mais tarde, a seu tempo.

Primeiro, era necessário garantir que o AO90 entrasse em vigor em todos os países da CPLP, fosse como fosse, à força, à má-fila.

Como os processos de ratificação tinham vindo a arrastar-se desde 1994, em todos esses países, então o Brasil e seus agentes em Portugal descobriram a pólvora: cozinhar uma espécie de adenda ao “acordo”, o II Protocolo Modificativo, passando a obrigatoriedade de ratificação do AO90 por todos os 7 para apenas 3 Estados-membros; ou seja, a ratificação por 3 Estados implicaria que o AO90 entraria em vigor oficialmente nesses 3… e também nos outros quatro, mesmo que não ratificassem coisa alguma (ratificar é diferente de simplesmente subscrever o AO90, são processos autónomos).

Assim, em 2004 o Brasil (é claro) ratificou, em 2005 Cabo Verde também e por fim São Tomé e Príncipe idem. Pronto, já está, o AO90 entrou em vigor em todos os Estados da CPLP por via administrativa, por imposição de países terceiros. Só faltava então a aquiescência de Portugal para dar um ar de legalidade ao golpe e assim enfiá-lo goela abaixo dos pategos portugueses.

Foi precisamente esta incrível vigarice que o Parlamento português sancionou, através da RAR 35/2008, entrando do mesmo passo o AO90 em vigor também em Portugal.
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FAQ AO90 — 2


7. Que fundamentos alegaram os inventores do “acordo ortográfico” para o justificar?

Três completos absurdos, basicamente:

Não há “unificação” alguma, muito pelo contrário: o AO90 originou ainda mais diferenças entre as duas normas, novos casos de duplas grafias (e triplas e quádruplas). Neste momento (2018) existem não duas mas três “normas”: PT-BR (Brasil), “acordês” (organismos do Estado e algumas empresas em Portugal) e PT-PT (Angola e Moçambique).

Não há qualquer tipo de “projecção e expansão”, acontece o oposto: fecham cada vez mais leitorados de Português no estrangeiro e diversos organismos internacionais extinguem o Português como Língua de trabalho ou institucional.

Não há “maior facilidade” na aprendizagem coisa nenhuma: no Ensino oficial em Portugal a confusão é total e o cAOs instalado afecta gravemente as crianças e jovens, confundindo-as estúpida e desnecessariamente. Não sendo imbecis ou retardados, os alunos portugueses estão mergulhados num caldo de instabilidade ortográfica no qual não só eles mas principalmente eles já não sabem ao certo como se escreve (ou lê). Por isto mesmo os resultados são cada vez piores desde que o AO90 passou a ser obrigatório nos exames.

E os estrangeiros que aprendem Português não são também, em princípio, atrasados mentais: o AO90, abolindo radicalmente a etimologia, afasta ainda mais o Português das demais Línguas de países europeus ex-colonizadores, em especial os das Línguas francesa, espanhola e inglesa.


8. Qual foi a ideia-base para sustentar tecnicamente o “acordo ortográfico”?

Uma ideia de jerico, evidentemente, na qual apenas fingem acreditar alguns idiotas ou pessoas que comem da gamela acordista: prescindir do critério etimológico (a raiz e a evolução ortográfica das palavras) substituindo-o pelo “critério” fonético (“o que não se pronuncia não se escreve”). Uma abominável cretinice, portanto, que jamais passaria pela cabeça de um francês, americano, inglês, espanhol, australiano ou canadiano, para citar apenas alguns povos que são “parvos” por ignorarem as maravilhas dos acordos ortográficos; ideias assim tão asininas, se bem que vendidas como “geniais”, jamais ocorreriam a qualquer cidadão daqueles atrasadíssimos países; só em Portugal e no Brasil, duas super-potências mundiais, como sabemos, existem “génios” capazes de esgalhar semelhante “genialidade”.

Consequência directa do “genial” critério fonético: como no Brasil a pronúncia é completamente diferente das de Portugal e PALOP, a suposta “unificação” resulta em milhares de novas duplas grafias.

Mas esta ideia de jerico deveria levar os ditos “génios” ainda mais longe: sendo o Brasil um país-continente, nada de mais natural do que, apenas ali, existam  “dialectos” — o que, segundo a máxima acordista “se não se pronuncia não se escreve”, deveria dar direito a 16 “ortografias” brasileiras diferentes. Fica a sugestão.

Claro que algum estratagema, de preferência suficientemente idiota para impingir a perfeitos cretinos, teria de ser inventado para mascarar as verdadeiras motivações — ambições políticas e económicas do Brasil — e por conseguinte os acordistas atiraram para o ar um dos absurdos disponíveis no seu arsenal de insanidades: o critério fonético “facilita imenso”.
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Inactivismo (2)

«Um fenómeno relativamente recente, surgido com a vulgarização da Internet e em especial desde que foi inventado o conceito de “rede social”, é o das “causas de consumo”. Para haver “causas de consumo”, evidentemente, é necessário que existam “consumidores de causas”. São estes os que se abastecem periodicamente de (mais) uma causa, a qual juntam a outra ou a outras igualmente do seu agrado, por assim dizer, ou usando a nova para substituir uma que já não agrada (isto é raro mas acontece), que passou de moda ou que por algum outro motivo se extinguiu. Há consumidores para toda e qualquer causa, assim como há causas para todos os gostos, há as apetecíveis para espíritos mais combativos, as que encaixam que nem uma luva em perfis mais para o conservador ou no seu oposto diametral, há umas causas mais fofinhas e outras mais rijas e farfalhudas, há as causas cutchi-cutchi e as que têm imenso salero, enfim, isto das causas é uma alegria, uma causa por dia nem sabe o bem que lhe fazia, há por aí causas a granel, meta lá mais uma no bornal (era para rimar com “granel” mas não deu, ora bolas, diz que ele não há cá “bornel”).» [“Uma história (muito) mal contada” VI]

Como já vimos, não custa nada pular de “causa” em “causa”, como um elefante saltitando elegantemente de nenúfar em nenúfar, e ainda menos custa fabricar desculpas em série, como se fossem pipocas a sair quentinhas daquelas máquinas dos arraiais, para fazer montes de absolutamente nada.

No entanto, a preguiça, o laxismo, o fascínio pela bandalheira, o culto da inactividade, tudo isso por junto não se aproxima sequer, em termos de inactivismo “gourmet”, do que, à míngua de melhor designação, poderíamos chamar “ó bálhamedeus, vossemecês não se ralem com isso, carago”. Refiro-me, com tão informal quanto pouco científica expressão, àquele extraordinário pessoal, tuga até à medula, que debita sistematicamente esta sentença lapidar: «façam como eu, não sigam o AO90 e pronto.»

Até se me eriçam os pêlos da língua, caramba! Por vezes, quando tal oiço ou leio, chego a puxar a culatra atrás, isto é, recua-se-me a mão como se de repente ganhasse vida própria, e, em suma, ficamos ambos, eu e a minha mão, prontíssimos para esbofetear alguém: trau!

Tirando os acordistas propriamente ditos, é esta gente do partido NSAP (Não Sigam o AO90 e Pronto) que mais me tira do sério.

Partido esse cujos militantes (e simpatizantes), extremamente imaginativos, possuem um imenso arsenal de três variantes da sua imbecil ideia programática única:

  • Ah, e tal, eu cá vou continuar a escrever como aprendi e pronto.
  • Ah, e tal, eu cá levei muitas réguadas na escola para aprender a escrever, não é agora que vou mudar e pronto.
  • Ah, e tal, eu cá não escrevo segundo as novas regras nem que me obriguem e pronto.

“E pronto”? Aiaiaiaiaiaiaiai. Caraças, só de enumerar estas enormidades já me está a apetecer trocar a chapada na cara pelo o pontapé no cu.

Mas, ó santinhas, ó santinhos, para que raio serve isso, hem? Porventura andará por aí o Malaca, omnipresente e munido de um taco de basebol para castigar os renitentes, pegando na mãozinha das pessoas, uma a uma, e obrigando-as a escrever em acordês? Quem, em seu perfeito juízo, desata de repente a escrever em acordês “só porque sim”?

Claro que todos esses tugas referem-se à sua escrita particular, no Fakebook, nas suas mensagens de email, em listas de compras e em recados para a mulher-a-dias, por exemplo. Experimentem lá “ignorar o AO90” se forem funcionários públicos, nas vossas papeladas, no vosso trabalho. A ver se vosso chefinho, qual bófia da escrita Malaquenha, não vos mete logo um processozinho disciplinar em cima…

E, de resto, nem a profunda estupidez dos NSAP explica o facto de não poderem — nem eles nem ninguém — “ignorar o AO90”, não na escrita mas na leitura; nas legendas dos filmes, nos letreiros e placas toponímicas ou de trânsito, nos livros (bem, essa gente não lê livros), nos jornais (bem, essa gente não lê jornais, o Correio da Manhã ou a A Bola não contam), nas “faturas”, na publicidade, em qualquer página da Internet, na Wikipédia brasileirófona ou seja onde for que tenha uma bandeira brasileira para identificar o interface “português”.

Ignoremos os traidores, os vendidos e os imbecis que fazem objectivamente o jogo do inimigo. Desses não rezará jamais a História e deles não restará qualquer memória.

Os desistentes, os conformados, os indiferentes e os apáticos não são piores do que os inactivistas. Cada qual a seu modo, os índios de todas essas tribos não passam de pequenas armas de destruição maciça com pernas. Em comum têm o facto de não fazerem nem deixarem fazer nada.

Lá dizia o General romano Galba (século III a. C.), horrorizado com o que viu na Lusitânia, cheio de vontade de regressar à sua abençoada Roma natal e ir de imediato a banhos: «Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!»

Não se governa nem se deixa governar assim como não faz nem deixa fazer, não luta nem deixa lutar, não quer saber nem deixa que alguém queira (ou que alguém saiba). Quem lhes tira o abençoado remanso da inactividade militante tira-lhes tudo.

É assim o inactivismo, como já vimos e como continuamos a ver, este tuguismo, este nacional porreirismo, a mediocridade. a apatia, a indiferença, o empurrar com a barriga qualquer problema. Ou, como há quase cinco séculos muito certeiramente agoirou  Camões, é esta “a austera, apagada e vil tristeza” (Os Lusíadas, X, 145) em que estamos atolados.

Contrastar o conceito de inactivismo com a imensa, radical, total diferença do seu oposto será talvez um modo eficaz de demonstrar ambos em simultâneo: o verdadeiro activismo (cívico) resume-se a não ceder, não conceder, não desistir e, sobretudo, fazer algo — por pouco que seja — para que ao menos o que se pretende não esmoreça e que se não conceda ao inactivismo um minuto de tréguas, um milímetro de tolerância, um só átomo de crédito.

Porque, no fim de contas, é dos livros, e se não for no fim de contas há-de ser logo que possível, apenas uma de duas coisas pode acontecer.

Para os activistas a vitória, ainda que no fim percam a luta.

Para os inactivistas a derrota, seja qual for o resultado final.

Victory Has A Thousand Fathers But Defeat Is An Orpahn

Imagem de topo: recorte de foto publicada na página Portugato (Facebook)

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