Etiqueta: linguística

«Não irmão mas sim filho» [por Octávio dos Santos, “DN”]

Não irmão mas sim filho

Octávio dos Santos

“Diário de Notícias”, 7 de Setembro de 2022

O Brasil celebra hoje, 7 de Setembro de 2022, 200 anos de independência. É uma data muito importante, realmente histórica, pela qual Portugal é o primeiro país a dar os parabéns e a desejar «feliz aniversário». Ao país irmão? Não, ao país filho. Sim, porque o Brasil é uma completa, total, criação de Portugal, que foi tanto «pai» como «mãe» entre 1500 e 1822…

… Período durante o qual sucessivas gerações de portugueses, cujo maior representante, símbolo, terá sido o Padre António Vieira, trabalharam para fazer da Terra de Vera Cruz a mais bela, a mais rica, quiçá perfeita, nação do planeta. Alargaram o território para além do Tratado de Tordesilhas e assim conquistaram praticamente todo o Amazonas, floresta e rio. Aos povos nativos juntaram europeus e africanos, criando condições para uma autêntica, e profícua, miscigenação. Deste lado do Atlântico levaram inclusivamente pedras com que se construíram fortalezas e igrejas. Providenciaram uma língua que constituiria o principal suporte da identidade e da unidade nacionais. E, algo de incrível nunca acontecido, visto, antes nem depois, fizeram da colónia o centro do império, Rio de Janeiro a substituir Lisboa como capital e metrópole, e a seguir permitiram que a família real portuguesa se tornasse também a brasileira, com o «Grito do Ipiranga» do herdeiro do trono a anunciar o «corte» do «cordão umbilical». Que se fez sem revolução, sem guerra, assim possibilitando à nova nação iniciar o seu próprio caminho sem drama, sem tragédia. Os brasileiros teriam preferido que tivesse acontecido o mesmo que nas independências dos Estados Unidos e da Argélia, marcadas por confrontos longos e sangrentos com, respectivamente, a Grã-Bretanha e a França? Sim, não se duvide: tudo o que de bom o Brasil teve e tem deve a Portugal. Pelo que não se compreende e não se aceita que, ainda hoje, tantos brasileiros, desde cidadãos mais ou menos anónimos a figuras públicas mais ou menos conceituadas, insistam no insulto de que os problemas que a sua pátria sofre(u) sejam culpa de Portugal. Tanta estupidez, tamanha falta de respeito, tal demonstração de ignorância, imaturidade e ingratidão, devem ser condenadas sem hesitação e sempre que se manifestem.

Nós deixámos de ser responsáveis por eles desde 1822, directamente, e desde 1889, indirectamente, quando D. Pedro II, após (e por causa de) abolir a escravatura, foi deposto enquanto chefe de Estado, e com ele a monarquia brasileira. Na verdade, os dois países foram, e são, prejudicados por repúblicas, ambas instauradas por golpistas fanáticos e minoritários, que não cumpriram plenamente o que prometeram, ou seja, ordem e progresso. Uma das áreas em que a desordem e o retrocesso mais se fizeram, e fazem, sentir é a da ortografia. As repúblicas de ambos os lados do Atlântico são reincidentes em obsessivas e absurdas «reformas» e (des)acordos quanto à forma de escrever, iniciativas que desvalorizam, enfraquecem, um vital instrumento de comunicação, com (más) consequências visíveis, inegáveis, nas culturas de ambas as nações. O maior extremismo, e até terrorismo, neste âmbito veio do Brasil em 1943, quando a ditadura de Getúlio Vargas consagrou um radical e generalizado corte de consoantes «mudas», ceifando as raízes latinas, que cobardemente as mais altas (ou baixas?) instâncias oficiais portuguesas viriam a «adotar» através do AO90. Os dois países são, neste aspecto, duas insólitas e ridículas, risíveis, excepções em todo o mundo civilizado, duas «repúblicas das bananas» típicas do Terceiro Mundo, terrenos férteis para o surgimento de «vanguardistas» patéticos que não hesitam em sacrificar os verdadeiros interesses, a estabilidade e o bem-estar da maioria dos seus compatriotas em favor de um falso progresso, de utopias que acabam por se revelar, inevitavelmente, como distopias. E tanto deste lado do Atlântico como do outro a «justificação» tem sido a mesma: simplificar e «facilitar» a aprendizagem; porém, tais objectivos não – nunca – foram atingidos, como o atestam os crónicos e elevados índices de analfabetismo e de iliteracia nas duas nações.
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200 anos e 880 anos de independência

Declaração de (des)interesses: não tenho absolutamente nada a ver nem com a carga política do vídeo publicado no Twitter (à direita) nem com a carga política de sinal contrário do texto do “Público” (em baixo). De certa forma, não carecendo a questão de grande perspicácia para estabelecer o respectivo nexo de causalidade, uma coisa explica a outra.
voltar ao Apartado 53Nota: o diploma a que o autor do tweet se refere é o chamado “Acordo de Mo(r)bilidade“, que foi recentemente tramitado pelo Governo português e aprovado no sítio e pela forma do costume.

Seria talvez fastidioso e irrelevante esmiuçar o acesso agudo de brasileirismo que de repente afectou o jornal “Público” (cinco ou seis páginas inteiras por dia, a pretexto do “Bicentenário da Independência do Brasil“) e seria maçada ainda maior depositar aqui mais umas moedinhas para o mesmo peditório. O textículo ora transcrito ilustra o conceito.

Caprichosa selecção de patacoadas, umas mais triviais, outras apenas divertidas, enformam esta carga de paleio laudatório cada vez mais despudoradamente agressivo no seu peculiar nacionalismo hiper-narcisista.

Nacionalismo esse que, além de declarado, deve ter ido buscar inspiração à máxima “tudo pela pátria, nada contra a pátria” do antigamente. Aplicado o ditame (ultra-nacionalista, repita-se) ao caso do “país-continente”, à provavelmente ilustre citada no artigo saiu a seguinte citação histórica: «Tudo pelo Brasil e para o Brasil.» Se sobre a contracção não há grandes dúvidas, já quanto à preposição a coisa começa a plissar um pouco: como diz? “Tudo para o Brasil”? Ah, pois sim, fazia o favor, dirão alguns criados ao dispor de Sua Senhoria mai-las outras, é servir-se.

«Diversidade da língua portuguesa», escreve a autora do texto, a propósito do tal Museu da Língua Brasileira que o Estado português, extremamente solícito e sempre pronto a acudir a desastres no estrangeiro, ajudou a reconstruir com alguns dos seus parceiros preferenciais. Diversidade aquela que, segundo a versão oficial, decorrem das «diferenças regionais» e que o dito museu procura reflectir segundo uma espécie de axioma pelos vistos infalível: «as marcas da fala dessas populações estão no português brasileiro».

Enfim, um verdadeiro festival de brasileirofonia, com os insuspeitos patrocínios do costume, o apoio do Governo tuga e a aprovação por unanimidade, como sempre acontece quanto a estas coisas brasileiristas, dos não muito honoráveis, não muito sábios, não muito sérios deputados da “terrinha”.

E o Brasil criou uma língua. Também é português

Até que ponto soube o Brasil tornar sua uma língua imposta? A tentativa de resposta a tal pergunta começa no Museu da Língua Portuguesa e passa por uma história feita de zangas e contaminações: do tupi aos quilombos, passando por um tratado pombalino e pela literatura enquanto construção de identidade também linguística. Que língua é a língua brasileira? É o português brasileiro.

“Bicentenário da Independência do Brasil
Isabel Lucas
“Público”, 27 de Agosto de 2022

É uma vertigem feita de sons. Um labirinto do qual não apetece sair. Cada som tem um sotaque diferente, o léxico é diverso. De vez em quando há uma palavra que ganha corpo, significado. No resto é música. Harmoniosa, outras vezes dissonante, contém todos os sons que uma língua pode ter. No caso, a portuguesa. Estão ali, concentrados numa instalação feita para mostrar a riqueza e a diversidade de um idioma, e perdidos nessa caixa de palavras ditas — percebe-se o quanto essa língua está por conhecer, por explorar, por cada um dos seus falantes. Aquilo a que essa língua soa quando não a entendemos, ou, pelo contrário, a alegria de encontrar um sentido ainda que ele se perca quase de imediato naquela Babel do mundo da lusofonia e de todos os contactos linguísticos que ajudaram a construir esse sistema de cultura.

A instalação, um conjunto de colunas em forma de troncos aludindo aos troncos que saíram do tronco central a partir do qual o português brasileiro nasceu — o indo-português –, fica numa nas entradas do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, na antiga Estação Luz, edifício de 1867. Reconstruída em 1901, época de ouro do café, num projecto do arquitecto Charles Henry Driver, e pensada para receber comboios, a estação carrega múltiplos simbolismos, sendo os mais marcantes o da viagem e o da tragédia.

Em 1946, foi destruída por um incêndio, numa altura em que o comboio perdia protagonismo enquanto principal meio de transporte no Brasil. Seria reconstruída e fechou em 1982 como estação ferroviária, e em 2002 arrancava a ideia de Paulo Mendes da Rocha de a transformar no Museu da Língua Portuguesa. Inaugurou-se em 2006 e em 2015 voltava a arder. Abriu renovada em Julho de 2021 e pode continuar com o acervo de antes que não se perdeu em 2015 por ser quase na totalidade digital. Estamos perante um património imaterial na cidade com o maior número de falantes de português.

Estamos num território de sons e imagens que pretende “valorizar a diversidade da língua portuguesa, celebrá-la como elemento da cultura e aproximá-la dos falantes do idioma em todo o mundo”, lê-se no ‘site’ do museu. Um ano depois da reabertura, essa intenção continua a ecoar enquanto caminhamos para a Estação Luz, um edifício em betão e ferro totalmente renovado a contrastar com a degradação do bairro da Luz, na junção da Avenida Tiradentes com a Rua João Teodoro, mesmo em frente à pinacoteca de São Paulo.
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Feira do Livro de Lisboa – 2022

A Feira do Livro de Lisboa 2022 realiza-se no Parque Eduardo VII, entre 25 de Agosto e 11 de Setembro, com 140 participantes representando centenas de marcas editoriais, num total de 340 pavilhões. As editoras e entidades assinaladas no mapa são as que editam, promovem e distribuem publicações em Língua Portuguesa.

https://www.google.com/maps/d/edit?mid=17_fEQLMlmVBJhJcTjbh5hjqMZuHSYOI&usp=sharing

Pavilhões de editoras em Português

Alêtheia Editores

D82

R. de São Julião, 140, R/c
1100-527 LISBOA
210 939 748|9
aletheia@aletheia.pt

Âncora Editora

B17

Av. Infante Santo, 52 – 3.º E
1350-179 LISBOA
213 951 221
catarina.ferreira@ancora-editora.pt

Antígona

A42, A44

R. Silva Carvalho, 152 – 2.º
1250-257 LISBOA
: 213 244 170
info@antigona.pt

Edições Avante

A14

Campo Grande, 220 A
1700-094 LISBOA
218 161 760|8
isimoes@paginaapagina.pt

Companhia das Letras

C23, C25, C27, C29, C31, C33, C35, C37, D50, D52, D54, D56, D58, D60, D62, D64

Av. Duque de Loulé, 123 – Sala 3.6
1069-152 LISBOA
911749878
jose.carvalheira@penguinrandomhouse.com

Edições Colibri

A32

Faculdade de Letras de Lisboa
Alameda da Universidade
1600-214 LISBOA
217 964 038
21 931 7499
colibri@edi-colibri.pt
http://www.edi-colibri.pt/

Edições do Saguão

C63

Rua da Sociedade Farmacêutica, 9 – 1.º
1150-337 LISBOA
Tmv.: 934 005 585
E-mail: saguao.edicoes@yahoo.com
URL: www.edicoesdosaguao.pt

Editorial Bizâncio

D29, D31

Largo Luís Chaves, 11-11 A
1600-487 LISBOA
Tel.: 217 550 228
Fax: 217 520 072
E-mail: bizancio@editorial-bizancio.pt
URL: www.editorial-bizancio.pt

E-Primatur

D76, D78, D80

R. Oceano Atlântico, 5
2560-510 SILVEIRA
912 192 454
pbernardo@e-primatur.com

Fundação Francisco Manuel dos Santos

Praça da Fundação
Auditório Sul
C03, C05, C07

Lg. Monterroio Mascarenhas, 1 – 7.º piso
1099-081 LISBOA
938 045 034
snorton@ffms.pt

Gradiva

B68, B70, B72

R. Almeida e Sousa, 21 R/c E
1399-041 LISBOA
vpatinha@gradiva.mail.pt

Guerra e Paz Editores

A46, A48, A50

Rua Conde Redondo, 8 – 5.º Esq.
1150-105 LISBOA
213 144 488
guerraepaz@guerraepaz.net

Livros de Bordo

D33

Rua Frei Luís Chagas, 14 – 2.º Esq.
8500-679 PORTIMÃO
Tmv.: 936 166 181
E-mail: livrosdebordo@gmail.com
URL: www.livrosdebordo.pt
«Nota – Não seguimos o Acordo Ortográfico de 1990.»

Sabooks Editora – Lusodidacta

B29

Sabooks Editora – Lusodidacta – Livros técnicos de saúde
R. Dário Cannas, 5 A
2670-427 LOURES
926 803 798
http://www.lusodidacta.pt/

Maldoror

D22

Rua Heliodoro Salgado , 61 – 2.º
1170-175 LISBOA
Tel.: 914 282 659
E-mail: maldoror.livros@gmail.com
URL: www.livrosmaldoror.com

Nova Vega

A20; A22

Rua do Poder Local, 2 – Sobreloja A
1675-156 PONTINHA
217 781 028|217 786 295
info@novavega.pt

Orfeu Negro

A38, A40
Rua Silva Carvalho, 152 – 2.º
1250-257 LISBOA
Tel.: 213 244 170
Fax: 213 244 171
E-mail: geral@orfeunegro.org
URL: www.orfeunegro.org

Sistema Solar

A16: A18

Rua Passos Manuel, 67 B
1150-258 LISBOA
210 117 011
editora@sistemasolar.pt

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Lápis azul nas redes anti-sociais [2]

Facebook Standards

O “Código Penal” do Fakebook

Esta é a reprodução do dicionário terminológico do Facebookês, a língua em uso naquela rede anti-social, tipificando onomasticamente tudo o que a casa gasta e também — principalmente — aquilo que à casa rende. “Fala” por si mesma a rigidez terminológica assim determinada, não prevendo qualquer espécie de concessão ou elasticidade, sinónimos ou alternativas.

O que se segue, em bloco de citação, contém o que a “legislação” interna estipula como sendo “Hate Speech” (“discurso de ódio”, na tradução vulgarizada). Escusado será dizer que absolutamente ninguém lê uma só linha de qualquer dos enormes manuais de “Direito” facebookiano, as suas diversas Policies, o “código de conduta” — interna, mas que é aplicada externamente –, os volumes dispersos e os escondidos, os inúmeros documentos de “orientação” e as orientações propriamente ditas, as de pé-de-orelha, tudo muito bem protegido, que de calhamaços também se fazem muros e com sussurros se rosnam ameaças.

Facebook Community Standards

Hate Speech

Do not post:

Content targeting a person or group of people (including all groups except those who are considered non-protected groups described as having carried out violent crimes or sexual offenses or representing less than half of a group) on the basis of their aforementioned protected characteristic(s) or immigration status with:

  • Violent speech or support in written or visual form
  • Dehumanizing speech or imagery in the form of comparisons, generalizations, or unqualified behavioral statements (in written or visual form) to or about:
    • Insects.
    • Animals that are culturally perceived as intellectually or physically inferior.
    • Filth, bacteria, disease and feces.
    • Sexual predator.
    • Subhumanity.
    • Violent and sexual criminals
    • Other criminals (including but not limited to “thieves,” “bank robbers,” or saying “All [protected characteristic or quasi-protected characteristic] are ‘criminals’”).
    • Statements denying existence.
  • Mocking the concept, events or victims of hate crimes even if no real person is depicted in an image.
  • Designated dehumanizing comparisons, generalizations, or behavioral statements (in written or visual form) that include:
    • Black people and apes or ape-like creatures.
    • Black people and farm equipment.
    • Caricatures of Black people in the form of blackface.
    • Jewish people and rats.
    • Jewish people running the world or controlling major institutions such as media networks, the economy or the government.
    • Denying or distorting information about the Holocaust.
    • Muslim people and pigs.
    • Muslim person and sexual relations with goats or pigs.
    • Mexican people and worm-like creatures.
    • Women as household objects or referring to women as property or “objects”.
    • Transgender or non-binary people referred to as “it”.
    • Dalits, scheduled caste or ‘lower caste’ people as menial laborers.

Content targeting a person or group of people on the basis of their protected characteristic(s) with:

  • Generalizations that state inferiority (in written or visual form) in the following ways:
    • Physical deficiencies are defined as those about:
      • Hygiene, including but not limited to: filthy, dirty, smelly.
      • Physical appearance, including but not limited to: ugly, hideous.
    • Mental deficiencies are defined as those about:
      • Intellectual capacity, including but not limited to: dumb, stupid, idiots.
      • Education, including but not limited to: illiterate, uneducated.
      • Mental health, including but not limited to: mentally ill, retarded, crazy, insane.
    • Moral deficiencies are defined as those about:
      • Character traits culturally perceived as negative, including but not limited to: coward, liar, arrogant, ignorant.
      • Derogatory terms related to sexual activity, including but not limited to: whore, slut, perverts.
  • Other statements of inferiority, which we define as:
    • Expressions about being less than adequate, including but not limited to: worthless, useless.
    • Expressions about being better/worse than another protected characteristic, including but not limited to: “I believe that males are superior to females.”
    • Expressions about deviating from the norm, including but not limited to: freaks, abnormal.
  • Expressions of contempt (in written or visual form), which we define as:
    • Self-admission to intolerance on the basis of a protected characteristics, including but not limited to: homophobic, islamophobic, racist.
    • Expressions that a protected characteristic shouldn’t exist.
    • Expressions of hate, including but not limited to: despise, hate.
  • Expressions of dismissal, including but not limited to: don´t respect, don’t like, don´t care for
  • Expressions of disgust (in written or visual form), which we define as:
    • Expressions that suggest the target causes sickness, including but not limited to: vomit, throw up.
    • Expressions of repulsion or distaste, including but not limited to: vile, disgusting, yuck.
  • Cursing, except certain gender-based cursing in a romantic break-up context, defined as:
    • Referring to the target as genitalia or anus, including but not limited to: cunt, dick, asshole.
    • Profane terms or phrases with the intent to insult, including but not limited to: fuck, bitch, motherfucker.
    • Terms or phrases calling for engagement in sexual activity, or contact with genitalia, anus, feces or urine, including but not limited to: suck my dick, kiss my ass, eat shit.

Content targeting a person or group of people on the basis of their protected characteristic(s) with any of the following:

  • Segregation in the form of calls for action, statements of intent, aspirational or conditional statements, or statements advocating or supporting segregation.
  • Exclusion in the form of calls for action, statements of intent, aspirational or conditional statements, or statements advocating or supporting, defined as
    • Explicit exclusion, which means things like expelling certain groups or saying they are not allowed.
    • Political exclusion, which means denying the right to right to political participation.
    • Economic exclusion, which means denying access to economic entitlements and limiting participation in the labour market.
    • Social exclusion, which means things like denying access to spaces (physical and online)and social services, except for gender-based exclusion in health and positive support Groups.

Content that describes or negatively targets people with slurs, where slurs are defined as words that are inherently offensive and used as insulting labels for the above characteristics.

Para que se não misturem conceitos, contaminando uns com os outros, é melhor evitar — pelo menos, para já — quaisquer analogias entre o Fakebook e aquilo que se passa no Twitter. Os princípios basilares são os mesmos, a repressão pura e simples do livre pensamento, a liquidação sumária da liberdade de opinião e expressão, mas os métodos pidescos diferem em diversos aspectos, numa rede e na outra. Atenhamo-nos, por conseguinte, àquilo que é cada vez mais (descaradamente) notório no recreio do puto Mark, esse insuportável fanfarrão, e dedicando particular atenção ao que estão por cá a fazer agentes portugueses com a sua particular maestria na arte da estupidificação em massa. Portanto, de momento, “basta-nos” o Fakebook (incluindo as demais “redes” que o dito puto já devorou, como o Instagram) e quais os métodos pidescos mais utilizados na delegação tuga da chafarica markiana.

Não misturemos também aquilo que vamos vendo e lendo, as figuras públicas (talvez) banidas pela sede de Menlo Park, California — são principalmente americanos, mas há também canadianos, franceses e ingleses, entre outros — e as controvérsias que esses episódios mediáticos geram, com o que se vai passando entre as imensas manadas de gado que pastam na paisagem, as reses pastoreadas pelos portadores da flauta ideológica.
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Da ilusão, dos coelhos e das cartolas

De vez em quando, lá salta mais um coelho da cartola acordista. A este tipo de lagomorfo, porém, já que é uma achega por escrito ao organismo geneticamente modificado em 1990, deveria ser atribuída uma nova classificação taxonómica: talvez Leporidae Brasiliensis, ou algo assim.

O truque é simples, pelo menos para quem não se distrair durante o número. Não seria curial, porém, desfazer o “mistério”. Pelo menos no imaginário das criancinhas a coisa talvez pegue como sendo verdadeira “magia”, portanto não as desiludamos, deixemo-las ficar em sossego com as suas crenças, o coelhinho branco, o Pai Natal, o João Ratão, as histórias da Carochinha.

Admitir que um artigo em que se contesta o AO90 seja publicado com a cacografia do AO90 não é apenas um paradoxo, é inerentemente uma manifestação de apoio àquilo que pretensamente se contesta. Quem assina um texto não tem de obedecer a qualquer espécie de ditame ou sequer de “orientação” sobre o conteúdo que expressa e sobre a forma que usa para se expressar; chama-se a isso “direitos de autor” — que nem o “acordo” cacográfico pode revogar nem o Estado pode sequer tentar limitar ou condicionar seja de que forma for.

O título é um anzol. Ou seja, na maior parte das vezes serve para pouco mais do que dar banho à minhoca; principalmente para quem não pesca nada de pesca (ou de ortografia ou de Gramática).

No caso, é todo um programa. Que denota óbvias intenções subjacentes. “Em bom português”? O que significa “bom”? Ou é Português ou não é Português. “Bom” (ou mau ou assim-assim) é um juízo valorativo que poderá, quando muito, ser aplicável a formas criativas ou artísticas de escrita. E se o leitor “tem a certeza” de que sabe escrever, ainda por cima?! Bem, não deve ser preciso fazer um desenho, teme-se o pior, venha de lá o miolo.

São apontados alguns factos que ilustram a vigarice e dois autores que a contestam — cada qual a seu modo, um deles benzito, o outro malmalmal –, além de alguns exemplos de “erros flagrantes” e de “contradições” no articulado da dita vigarice. Pois sim. Mas não.

Não é decisivo que Angola e Moçambique não tenham ratificado o AO90. Se o tivessem feito ou se o fizerem — longe vá o agoiro –, então a vigarice deixaria de o ser?

Não é significativo sequer, porque apenas circula em alguns círculos restritos e para os mesmos — isto é, para consumo interno — e porque enquanto um dos ditos autores ainda tenta discutir com alguma carga de bom senso (como se os acordistas admitissem discutir a língua brasileira), o outro atira-se freneticamente a uma pretensa questão jurídica tão absurda quanto inexistente.

Não tiveram qualquer seguimento as intenções manifestadas por responsáveis do Governo brasileiro. Realmente, a desvinculação unilateral chegou a ser “garantida” por um colaborador próximo da Presidência daquele país mas, ao que parece, bem depressa o Governo local se terá apercebido de que estariam nesse caso a atirar largos milhares de milhões borda fora. Bom, pode ter sido por isso (um telefonemazinho de Portugal deverá ter bastado) mas também pode ter sido por causa de alguma substância ilícita consumida a desoras, por exemplo, ou sabe-se lá bem o que mais se poderia especular a respeito de semelhantes entradas de leão e saídas de sendeiro.

Não será certamente por via de “correcções” ou “melhorias” (“despiorar”, como há quem diga) que o AO90 passará a ser minimamente aceitável. Como é possível aceitar ou conceber sequer uma “revisão” de questões atinentes à ortografia da Língua Portuguesa num documento de cariz estritamente político? Quanto a ortografia propriamente dita, o AO90 apenas tem o seguinte

Artigo único

Em Portugal e PALOP passa a vigorar a forma de escrever em uso no Brasil, consistindo esta na transcrição fonética (utilizando o alfabeto latino, não os símbolos respectivos) do falar “culto” brasileiro.

Mas alguém ainda acredita noutra coisa? Achará este autor que feitas essas tais “melhorias” e “correcções” — o que na prática equivaleria a “recuperar” as “consoantes mudas” que os brasileiros articulam — o AO90 passaria a estar nos conformes? Que aquilo passaria, como que por artes mágicas, a ser de repente “ortográfico”, já não político, e portanto já não repugnante? Ou ficaria só “um bocadinho” repugnante?

Voltamos ao início, portanto. Truques de magia, coelhos da cartola, histórias da Carochinha.

Mas nem sempre em espectáculos de ilusionismo a assistência é constituída exclusivamente por crianças. Será esse o problema?

Tem a certeza que sabe escrever em bom português?

 

Há uma regra infalível para escrever e falar bem em Português? A Língua Portuguesa está de boa saúde e recomenda-se? Usamos cada vez menos palavras? Consegue evitar todas as armadilhas da nossa rica língua? Num momento em que há uma procura crescente de livros sobre a história da nossa língua e as suas regras, ensaiamos, com a ajuda de especialistas, respostas a estas e a outras perguntas sobre o Português que falamos e escrevemos

Desde o momento em que, ainda bebés, passamos a relacionar-nos com o mundo à nossa volta através de palavras, vivemos na nossa língua (ou em várias) como na atmosfera ou como os peixes vivem no oceano. É algo sempre presente, mesmo se estivermos calados, mesmo se não quisermos, por um minuto que seja, pensar no assunto… mas a verdade é que queremos, muitas vezes. A língua – sotaques, escolhas de palavras, correcções e incorrecções, respeitos e desrespeitos… – pode ser tema de longas conversas e de acaloradas discussões em que ninguém detém toda a razão. Há perguntas para as quais nunca se encontra a resposta exacta.

Comecemos por esta: o que é escrever bem? Logo a abrir o seu livro Por Amor à Língua, Manuel Monteiro, que, depois de se formar em Economia e Jornalismo, se foi especializando nas questões da Língua Portuguesa e de revisão de textos, põe as coisas desta forma: “Ao fim de muitas páginas lidas acerca da arte de escrever, concluir-se-á que é muito mais fácil definir os critérios que permitem identificar a má escrita do que aqueles que permitem identificar a boa escrita.” Como tudo o que é humano, demasiado humano, essa definição depende de vários factores e percepções. Se “escrever bem” fosse, apenas, uma questão técnica, a Inteligência Artificial e a ciência avançada dos algoritmos já teriam atingido o pináculo, inquestionável, da boa escrita.

Passaram já quase 32 anos desde o dia em que, em Lisboa, se assinou o AO90, então também chamado “ortografia unificada da língua portuguesa”.

O tempo suficiente para percebermos que algo correu mal no caminho…

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Das duas, uma: ou racismo ou racismo

língua

língua | n. f. | n. m.

(latim lingua, -ae)

nome feminino

1. [Anatomia] Órgão móvel da cavidade bucal.
2. [Entomologia] Tromba dos insectos lepidópteros.
3. [Linguística] Sistema de comunicação comum a uma comunidade linguística.
4. [Figurado]
Estilo de escrita, discurso ou expressão característicos de alguém.
“língua”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

 

Das duas, uma: ou a definição de “Língua” está errada em todos os dicionários e enciclopédias ou então as comunidades por ela identificadas distinguem-se de quaisquer outras por isso mesmo.

Das duas, uma: ou a relação de causa e efeito entre o AO90 e a “adoção” compulsiva da língua brasileira não é ainda evidente, embora seja um facto, ou então não existe nem “acordo” nem “adoção”, de facto.

Das duas, uma: ou está em curso uma campanha de brasileirização sustentada e financiada pelo Estado português, ou então não, tal coisa não passa de mera ilusão ou falta de “entendimento”.

Das duas, uma: ou os portugueses são racistas e xenófobos e em especial em relação a brasileiros, ou então não existe qualquer nexo entre essa alegação e as queixas” em catadupa.

Das duas, uma: ou a relação de causa e efeito entre a imposição selvática da língua brasileira e o extermínio da Língua Portuguesa não é ainda evidente ou então a chamada “língua universau” afinal nunca foi inventada.

Por simples exclusão de partes, temos portanto que não apenas existem como são óbvios os nexos de causalidade entre:

  1. A”adoção” do AO90 e a imposição manu militari do “fálá” brasileiro e, por conseguinte, da sua transcrição fonética, pois nisso consiste semelhante cacografia.
  2. Os dois partidos políticos que se revezam no Poder impõem o AO90, em submissão aos interesses do Brasil e em função dos seus próprios interesses (políticos e económicos).
  3. Ambos os lados dos associados contam com a “comunicação social” (OCS) avençada para lavagens ao cérebro em massa e em sessões contínuas, encenando e repetindo ad infinitum pretensos episódios de “racismo” e “xenofobia”.
  4. Seleccionados os alvos (OCS, ensino básico, academias e demais instituições subsídio-dependentes, públicas ou privadas) e estabelecidas as prioridades do «processo de apagamento da identidade portuguesa em curso», procederam os governantes e seus assalariados ao estabelecimento do “fato consumado” e avançam agora para… as consequências.
  5. Como elemento “facilitador” do plano de linguicídio e aculturação , os manobradores servem-se da lusofobia que se vitimiza para (tentar) calar qualquer tipo de oposição ao plano iniciado em 1986.
  6. Lusofobia, como aliás qualquer outra fobia (medo patológico ou aversão), é uma forma de racismo.

Sem o AO90 — a origem de toda a trama — não haveria (como, de facto, não há) “xenofobia” alguma, nem mesmo a expressamente inventada para justificar as “queixas” de auto-proclamadas “vítimas”. A verdade é que antes da imposição do absurdo (2008) não apenas jamais tinha ocorrido fosse a quem fosse a necessidade de um “acordo” como também os dois países conviviam pacificamente, os portugueses com a Língua Portuguesa e os brasileiros com uma língua própria, descendente da nossa mas que desde há muito se autonomizou e que agora já pouco ou nada tem a ver com a original.

A lusofobia é um fenómeno arreigado no subconsciente do brasileiro “médio” e o complexo de culpa do ex-colonizador, que afecta não apenas o português “médio” como — ou principalmente — a camarilha pseudo-intelectualóide nacional, formam em simbiose uma espécie de base “ideológica” para “justificar” o injustificável.

Sem o AO90, lusófobo e complexado, não teria surgido qualquer alegação de “xenofobia”, real ou imaginária. Logo, não estaria em curso um processo de feroz aculturação, a pretexto de uma pretensa expiação de culpas… inventadas.

O povo português sempre se integrou em qualquer comunidade estrangeira, mesmo as mais racistas, e sempre acolheu (e bem) imigrantes de qualquer nacionalidade, etnia e Língua — incluindo a proveniente do lado de lá do Atlântico.

Outro tanto já não se passa em sentido inverso. Nisto não há “das duas uma” porque não há duas, só há uma. Racistas são os brasileiros. Eles próprios o dizem. E escrevem. E até gritam.

De tão gritante que é a realidade.

Livro ilumina herança africana do português do Brasil

“Folha de S. Paulo” (Brasil), 30.07.22
Sérgio Rodrigues – colunista da Folha

 

[RESUMO] Novo livro da etnolinguista Yeda Pessoa de Castro reforça a importância da autora no estudo das influências de línguas africanas no português falado no Brasil e oferece uma contribuição ao combate, no campo do idioma, do racismo entranhado na sociedade brasileira.

“Nós falamos um português africanizado.” O lançamento de “Camões com Dendê” (Topbooks), da etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro, 84, seria um acontecimento cultural de grande magnitude em qualquer época. Neste momento de reavaliação histórica radical da herança deixada na sociedade brasileira por séculos de escravidão negra, é ainda maior.

Principal autoridade brasileira em línguas africanas, com tese de doutoramento defendida em 1976 na Universidade Nacional do Zaire (atual República Democrática do Congo), Castro destaca o quanto havia de pioneirismo em seu percurso acadêmico, àquela altura, no cenário abertamente eurocêntrico da universidade brasileira.

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A etnolinguistaYeda Pessoa de Castro, autora de ‘Camões com Dendê’
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“O CNPq me negou bolsa de doutorado, disseram que eu tinha que estudar línguas africanas em Londres”, lembrou ela em maio deste ano, ao lançar o livro no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

De tanto caminhar “na contramão da história”, como gosta de dizer, a história —que, como sabemos, é tudo menos linear — a alcançou. Combater o racismo profundamente entranhado na sociedade brasileira é e será por muito tempo uma guerra em múltiplas frentes. No campo da língua, o pensamento antirracista tem uma dívida impagável com Castro.

Trata-se da primeira intelectual brasileira a ter compreendido que o estudo da influência africana no português brasileiro exigia estudar… a África, ora vejam. O caminho que temos pela frente —aquele que, se tudo der certo, levará o Brasil a se encontrar um dia com o Brasil — é tão longo que daqui não se enxerga o fim.
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