Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: literatura

A treta que nos separa


Volta a atacar, salvo seja, um tal Sérgio Rodrigues, autor do panfleto com o significativo título “Viva a Língua Brasileira”.  Reemerge agora esse escriba, portanto, do charco infecto em que chafurdam os flautistas acordistas, para de novo perorar sobre aquilo que, em sua não muito douta opinião, é o “antibrasileirismo linguístico, marca bandeirosa da cultura lusitana“.

Ou seja, traduzindo para Português tão duvidoso paleio, acha o dito que nós, os tugas, somos “contra eles”, os zucas, e que essa espécie de “contrismo” é uma marca identitária da “cultura lusitana”.

Não há paciência.

Pois está claro, antes do AO90 não existia qualquer “antipatia” pelos diversos crioulos brasileiros, mas isso não tem rigorosamente nada a ver com a Literatura brasileira. E essa “antipatia” nunca foi mútua, aliás: nós por cá não traduzimos para a língua indígena os livros nem legendamos os filmes provenientes do “país-continente”.

Escora-se o escriba neste seu textículo, o que de todo não surpreende, em supostos aliados que, do lado oriental do Atlântico, circunstancial ou ocasionalmente paridos algures no meridiano de Greenwich, parece apoiarem tão bizarra (quanto estúpida) teoria da conspiração “contra” a “cultura brasileira” em geral e a respectiva Literatura em particular. No caso, para “ilustrar” a tese, cita umas quantas indignadíssimas bojardas publicadas no Fakebook por um tal Venâncio, gajo se calhar porreiríssimo, suponho, mas que tem no entanto essa estranha — e tuga — mania de armar aos cucos denegrindo os seus compatriotas para dar graxa aos brasileiros.

Coisa que me irrita solenemente, confesso. Para isso, bajulação travestida de erudição, ainda tenho menos pachorra do que para levar com as tretas neo-colonialistas dos acordistas de serviço.

 

A língua que nos separa

Forte em Portugal, desprezo ao português brasileiro também viceja aqui

Sérgio Rodrigues

Jornal “Folha de S. Paulo” (Brasil), 19.07.18

 

Dia desses, no Facebook, o linguista português Fernando Venâncio desabafou: “Poucas coisas me irritam tanto como o antibrasileirismo primário e militante que encontro por estas paragens”. Referia-se ao antibrasileirismo linguístico, marca bandeirosa da cultura lusitana.

Qualquer escritor brasileiro que tenha lançado livros em Portugal nas últimas décadas (sou um desses) sabe o que Venâncio quer dizer. As portas que Jorge Amado escancarou de par em par no século passado se fecharam em algum momento sobre corredores cada vez mais estreitos e labirínticos.

Sim, é claro que muitos editores, críticos, jornalistas e outros portugueses esclarecidos insistem em furar com brio essas defesas. Infiltrando-se nas brechas, porém, os brasileiros que se expressam por escrito logo se veem escalados pelos leitores comuns d’além-mar como representantes de uma versão menor, tosca e corrompida da língua “deles”. Se soubessem cantar, dançar, contar piadas, temperando o verbo com aquele jeito de corpo que é sua maior —ou quem sabe a única— vocação, talvez pudessem ser levados a sério. Mas isso de escrever, francamente…

Nas palavras de Venâncio, há em Portugal uma “desavergonhada altanaria perante os pretensos ‘erros’ de que o português brasileiro estaria inçado”. O linguista vê esse sentimento integrado ao senso comum, cultivado por “gente visivelmente de poucas letras, e poucas luzes”. Refere-se a ele como “assustador”.

Eu prefiro o adjetivo “triste”. Assustador é constatar que um antibrasileirismo tão pimpão e ignorante quanto o luso viceja aqui também. Como reclamar do insulto de nos negarem em terra estrangeira o direito de gozar livremente de algo tão pessoal e profundo quanto a língua materna, sem ouvir sermões abestalhados sobre algum ideal platônico de gramática? Negamos a mesma coisa por conta própria, o que é bem pior.

Parte dessa dissonância é comum às línguas imperiais. A relação de amor e ódio entre o inglês britânico e o americano é tema do recém-lançado “The Prodigal Tongue” (A língua pródiga), de Lynne Murphy, linguista americana que mora e leciona na Inglaterra. Ela identifica em seus compatriotas um “complexo de inferioridade verbal” e, nos britânicos, o que chama de “amerilexofobia”, aversão esnobe a americanismos.

Nada tão diferente assim do que se vê no universo da língua portuguesa ou da espanhola. Ex-colônias crescidinhas e ex-impérios em queda vão sempre se emaranhar em teias complicadas de amor e ódio, admiração e desprezo. Contudo, vale atentar para a diferença que Venâncio, repetindo no post-desabafo o que já defendeu em livros, aponta entre os projetos linguístico-coloniais de Lisboa e de Madri.

“No Brasil, Portugal abandonou a língua portuguesa à sua sorte. E ainda bem! Pense-se na uniformidade lexical, gramatical e ortográfica que a Espanha impõe como ideal à América de fala espanhola”, escreve o linguista, concluindo que “o Português Brasileiro pôde desenvolver em invejável liberdade a sua norma, e vive bem nela”.

O texto termina exigindo, ainda que de forma jocosa, gratidão: “E venha daí um ‘obrigadinho’ a este Portugal que, oh felicidade, nunca teve um projecto linguístico, nem cultural, para o seu Império”.

Muito bem, mas não estou tão certo de que o deus-dará cultural seja algo que devemos agradecer. Seria necessário investigar primeiro até que ponto se funda nele a ridícula autoestima linguística que leva o brasileiro médio a situar nosso português três degraus abaixo do português europeu, e este, pelo menos sete palmos abaixo do inglês.

Sérgio Rodrigues

Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.

[Transcrição integral de artigo, da autoria de Sérgio Rodrigues, publicado no jornal brasileiro “Folha de S. Paulo” em 19.07.18.]

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«Admirável Língua Nova (Parte VIII)» [Manuel Matos Monteiro, “Público”, 16.07.18]

Admirável Língua Nova (Parte VIII)

Antes do Acordo, há UMA ortografia: “Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.” Com o Acordo, há oito ortografias para a frase. E num livro acordizado há facilmente milhões de ortografias possíveis para o mesmíssimo texto.

 

Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeámos na avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeámos na avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeamos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeamos na Avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Passeamos na avenida da Liberdade sem grandes expectativas.

Passeamos na avenida da Liberdade sem grandes expetativas.

Antes do Acordo, há UMA ortografia: “Passeámos na Avenida da Liberdade sem grandes expectativas.” Com o Acordo, há oito ortografias para a frase.

Com o Acordo, “expectativa” aparece nos dicionários acordizados como sendo de dupla grafia em Portugal, porque se entende que há quem pronuncie e há quem não pronuncie. (São as trémulas “pronúncias cultas”.) Se um aluno escrever “expectativa” no singular e “expetativas” no plural, fazendo uso da facultatividade que o Acordo lhe dá, deverá o professor assinalar a anomalia?

A maiúscula inicial da “Avenida da Liberdade” passa a ser opcional, como resulta da Base XIX, 2.º, i).

E reza a Base IX, 4.º: “É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo amámos, louvámos, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos) […].”

Chamamos, chamámos, falamos, falámos, brincamos, brincámos, trocamos, trocámos — é facultativo distinguir o tempo pretérito do tempo presente. Se o contexto for ambíguo, o leitor que se amanhe. Em frases que aparecem desgarradas e desprovidas de contexto (na televisão, na imprensa, na Internet), a salgalhada é total. Numa época de hiperinformação tombando a cada instante, em que muitos só lêem os títulos, que mal tem a interpretação contrária quanto ao tempo em que se situa a acção ou quanto ao próprio sentido da frase? “Jogamos mal” ou “pagamos mal”, numa fonte acordizada, pode ser “jogámos mal” ou “pagámos mal”.

Uma palavra hoje muito na moda (que não me suscita simpatia alguma) é “expectável”. O Portal da Língua Portuguesa e a Infopédia, por exemplo, acolhem “expectável” e “expetável” (pronúncia que passam a legitimar e a fomentar…[i]). O verbo acordizado pode escrever-se “expectar” e “expetar”. Ou seja, no pretérito perfeito, temos “nós expetámos/expetamos/expectámos/expectamos”. Não tenho conhecimento de outra língua em que na mesma pessoa, no mesmo tempo, no mesmo verbo, haja quatro ortografias.

No exemplo acima, se o verbo não fosse “passear”, mas um de dupla grafia, teríamos não oito, mas dezasseis formas ortográficas de escrever a frase. Se ainda acrescentarmos o inacreditavelmente facultativo acento de “dêmos”[ii] (para distinguir de “demos”), teremos trinta e duas ortografias para a frase, parágrafo ou texto. Se tivermos o nome de um curso (por exemplo, Medicina), também aqui passa a ser opcional a maiúscula… e vamos em sessenta e quatro ortografias. Um santo (ou santa) seguido do respectivo nome e eis outra nova facultatividade quanto à maiúscula inicial… cento e vinte e oito ortografias. O nome de um edifício (Palácio da Cultura/palácio da Cultura)… e outra facultatividade… duzentas e cinquenta e seis. O nome completo de uma igreja, opcional também a maiúscula inicial… quinhentas e doze ortografias. O nome de uma rua, mais uma nova facultatividade (Rua do Ouro/rua do Ouro)… mil e vinte e quatro ortografias. Basta mais uma palavra de dupla grafia e chegamos às duas mil e quarenta e oito ortografias. Com as facultatividades dos acentos, das maiúsculas iniciais e com as duplas grafias das palavras pronunciadas ora com ora sem consoante, bastarão vinte casos e teremos um milhão quarenta e oito mil quinhentas e setenta seis formas de escrever o mesmo texto. E assim sucessivamente multiplicando por dois. (Os números começam a ser terrivelmente assustadores, o Acordo torna-nos multimilionários das ortografias.)

Num livro acordizado, há facilmente mais do que vinte casos de facultatividades, ou seja, há milhões de ortografias possíveis para o mesmíssimo texto.

Se a isto somar as diferentes interpretações quanto às locuções que perderam os hífenes (e quanto às próprias consoantes mudas), porque os dicionários e os livros de estilo com o Acordo não se entendem [VER ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA PARTE III], a cabeça explode, não apenas pelo número de ortografias possíveis, mas por não haver dois dicionários ou prontuários acordizados que não tenham muitas divergências quanto àquilo que é a ortografia de certa locução ou palavra.

Ainda agora, nas notícias sobre o Mundial, li em órgãos de comunicação social que seguem o Acordo: “oitavos-de-final”, “quartos-de-final”, “ponta-de-lança” ora com ora sem hífenes, com flutuações dentro do mesmo órgão. Mero exemplo: num canal televisivo (o 5 na minha casa), no espaço de minutos, consegui ler “oitavos-de-final” com e sem hífenes. Antes do Acordo, inquestionavelmente com hífenes. Depois, a salgalhada que faz saltar os olhos. (Se quereis a minha opinião, caros acordistas, com o vosso Acordo, deve ser sem hífenes, ainda que o espírito da lei seja inexcedivelmente ambíguo, como já demonstrei antes. Ou seja, ficais com “guarda-redes”, “defesa-central”, mas “ponta de lança”; com “oitavos de final” e “quartos de final”, mas “meias-finais”[iii].) [VER ADMIRÁVEL LÍNGUA NOVA PARTE II.]

Lembremos as palavras mágicas do Acordo: simplificar, uniformizar, internacionalizar a língua. Hoje, demonstrada a fraude em toda a sua extensão (algum brasileiro passou a comprar um livro português por este seguir o Acordo e vice-versa?), sobra apenas o argumento, ou pretexto, de que já não podemos voltar atrás, de que as crianças já aprendem assim, de que teríamos de imprimir novos livros — blá-blá-blá que esconde o vácuo: apenas a inércia e a obstinação do orgulho de quem não admite que criou e deixou criar um monstro metuendo e indomável permitem que o Acordo não seja atirado para o sítio das coisas que não prestam para nada. O caixote do lixo que não é reciclável.

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[i] O engenheiro informático João Miranda que trabalha em Praga escreveu-me numa mensagem de correio electrónico: “Uma das características interessantes do Acordo, que se presume ortográfico, é que interfere, esperada ou inesperadamente, com a pronúncia, em vez de interferir apenas com a ortografia. Houve quem mudasse a forma como sempre disse certas palavras (inconscientemente ou não), e, por outro lado, há palavras cuja pronúncia se impõe, porque os autores do Acordo [e aqueles que se viram obrigados a interpretá-lo, nem que fosse para fazer dicionários] acham que se deve dizer de determinada forma (e a grafia impõe essa leitura). ”

[ii] Veja-se o seguinte passo de Camilo Castelo Branco, em O Santo da Montanha: “Já que morreu a serpente, dêmos duas cabriolas; que, medrosos de seus olhos, nada até ora fizemos.” Perceba e sinta como o tempo verbal sem o acento é lido de outra forma. E já há Camilo acordizado por aí. Pegue na frase “Para que demos tudo?” e veja como a ausência do acento altera o sentido (além de aquele “para” poder tratar-se de um “pára”).

[iii] Lemos na Infopédia, num “artigo de apoio”, que “quartos-de-final” perde os hífenes com a “explicação”: “Com o Acordo Ortográfico, não se usa hífen na maioria das locuções.”

Mas porque acolhem outras com hífenes?! Não explicam. Tal como não explicam como se distingue a maioria da minoria. Porque o Acordo também não o faz na sua prosa enrolada da Base XV, 6.º.

[“Público”, 16.07.18. Textos desta série anteriormente reproduzidos aqui: Parte VII, Parte VI, Parte V, Parte IV, Parte III, Parte II, Parte I. ]

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Passagem de modelos

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Não deixa de ter sua piada, de facto. Nem de propósito, a respeito deste tipo de fantochadas ainda ontem aqui tinha deixado uma espécie de 11.º Mandamento, que me perdoe o Supremo Chefão pela ousadia (espero bem que ao menos Ele tenha algum sentido de humor), e eis que de imediato surge esta coisada patusca, ena, mais um “debate” sobre a “língua portuguesa”, mas que luxo, aquilo não há-de ser propaganda acordista nem nada.

Tratar-se-á, esta espécie de eleição da Miss Mundo Lusófono, de um evento ilustradíssimo, sapientíssimo, quiçá amiúde brilhantíssimo, a avaliar pelos e pelas presentes no desfile (parece que a parte do fato-de-banho foi proibida recentemente, temos pena), do qual resultará com certeza uma cerimónia de coroação condigna, a vencedora (ou vencedor, sejamos “paritários”) chorando baba e ranho pela “surpresa” e debitando depois o tradicional discurso sobre os seus desejos de “paz e prosperidade para toda a humanidade”. Uma coisa linda e comovente, em suma.

Estou em crer que será um sucesso estrondoso. Em especial a parte final, a do “debate”, certamente abrilhantado por uma qualquer tuna universitária com sua garota da pandeireta aos pulinhos; haverá, como é da praxe, 90% de acordistas massacrando, com cuidado para não esmagar de vez, a única anti-acordista (extra-concurso) presente.

10 DE JULHO | SALÃO NOBRE DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS

Manhã
9.00h – Académico Adriano Moreira (ACL) ─ A Língua não é nossa, também é nossa.

9.20h – Escritor José Eduardo Agualusa (Angola) ─ Título a indicar.

9.40h – Juíza Desembargadora Vera Duarte (Cabo Verde) ─ A Língua Portuguesa como metáfora do Quinto Império.

10.00h – (Censurado [por mim, é claro]. Não transcrevo o nome daquele escroque no meu blog.)

10.20h – Doutor Rafael Gomes Filipe (Universidade Nova de Lisboa) ─ Algumas reflexões sobre os acordos ortográficos luso-brasileiros.

10.40h – Doutor Olivier Pellegrino (França) ─ A primeira edição luso-brasileira do Vocabulário Internacional de Metrologia.

11.00h – Padre António Colimão (Damão) ─ Crioulo Damanense ou Português falado em Damão-Diu e Silvassá.

11.20h – Professora Doutora Ana Maria Martinho (Universidade Nova de Lisboa ─ CHAM) ─ A língua portuguesa em Moçambique e a valorização das línguas bantu.

11.40h – Professor Doutor Luís Filipe Reis Thomaz ─ Título a indicar (sobre Timor).

12.00h – Doutora Maria do Carmo Vieira ─ Lusofonias.

12.20h – Académico João Abel da Fonseca (ACL) ─ Moçambicanismos e características peculiares.

12.40h – Debate.

Tarde
14.30h – Abertura da Exposição sobre “Filólogos da Academia”, patente na Biblioteca da Academia.

15.00h – Académico Manuel Alegre (ACL) ─ Título a indicar.

15.20h – Professora Doutora Fátima Roque (Angola) ─ A Língua Portuguesa e as línguas maternas em Angola.

15.40h – Professora Doutora Teresa Lino (Universidade Nova de Lisboa) ─ Neologia do Português contemporâneo.

16.00h – Professor Doutor Deonísio da Silva (Brasil) ─ Futebol: breve observação sobre palavras-chaves.

16.20h – Doutor António Callixto (Luxemburgo) ─ Situação da Língua Portuguesa no Luxemburgo.

16.40h – Doutora Carmen de Frias e Gouveia (Universidade de Coimbra) ─ Da inutilidade do “novo” Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

17.00h – Académico João Bigotte Chorão (ACL) ─ Por amor ao idioma.

17.20h – Professor Doutor Celso Augusto da Conceição (Brasil) ─ A diversidade linguística entre Brasil e Portugal: uma questão idiomática.

17.40h – Professora Doutora Annabela Rita (Universidade de Lisboa ─ CLEPUL) ─ Língua Portuguesa: da diversidade à esteticização.

18.00h – Académico Fernando Paulo Baptista (ACL) ─ A expressão da diversidade intercultural dos países da C.P.L.P., no respeito do “direito à diferença”.

18.20h – Académico Duarte Ivo Cruz (ACL) ─ A Língua no teatro pré-vicentino.

18.40h – Professor Doutor José Carlos Gentili (Brasil) ─ O continente Brasil e seus falares.

19.00h – Académico Artur Anselmo (ACL) ─ Todas as línguas são iguais em direitos.

19.20h – Debate.

https://www.facebook.com/events/1080680245415994/

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“Egoísta”, dos que pensam e escrevem pela própria cabeça

Ditosa língua, esta, a portuguesa, a que Pessoa chamou a sua Pátria. Resiliente, também: enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive, incólume, na semântica dos que pensam – e escrevem – pela própria cabeça”, lê-se no texto de Assis Ferreira.

Revista Egoísta recebe três Grandes Prémios Papies e totaliza 86 distinções

SAPO 24, 15.06.18

A revista Egoísta foi distinguida com três Grandes Prémios Papies, relativos aos números 61.º, 62.º e 63.º, elevando para 86 o número de galardões que esta publicação da Estoril Sol já recebeu em 18 anos de edição.

“A Egoísta levou para casa três Grandes Prémios Papies na categoria de Revista, com as edições 61, intitulado ‘Televisão’, 62, ‘Doce’, e 63, ’18’. Esta publicação dirigida por Mário Assis Ferreira, soma assim 86 distinções alcançadas em competições nacionais e internacionais”, afirma a Estoril Sol em comunicado.

Sobre estes três troféus, a editora da revista, desde a sua fundação, a escritora Patrícia Reis, afirmou: “Numa era tecnológica em que as redes sociais parecem dominar, é bom e de salutar que possamos fazer a apologia do papel, da escrita na página, incentivando à leitura e à imaginação”.

No número celebrativo do 18.º aniversário da revista, intitulado enfaticamente “18”, Mário Assis Ferreira escreveu no editorial: “Longa vida à Egoísta! Tão longa, que já nem seja eu, maduro septuagenário, a ter o tempo de escrever o seu último editorial!”.

Este 63.º número da Egoísta conta com as colaborações de Gonçalo M. Tavares, Inês Pedrosa, Raquel Prates – com uma produção exclusiva – Ilda David, que ilustra Hélia Correia, Gonçalo F. Santos e Xavier Pereira, que juntos assinam uma fotonovela, Afonso Cruz, Nuno Júdice, Estelle Valente, Tiago Pimentel e Lena Pogrebnaya, entre outros.

A Estoril Sol, aquando da sua publicação, em Março, afirmou que “a edição da ’18’ será o primeiro de vários momentos que terão como propósito celebrar este marco na história da publicação, e que continuarão a ter lugar ao longo deste ano”.

O número 62.º, publicado em Dezembro do ano passado, intitula-se “Doce” e, no editorial, o seu director elogia a Língua Portuguesa que “enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive”.

“Ditosa língua, esta, a portuguesa, a que Pessoa chamou a sua Pátria. Resiliente, também: enfrenta as intentonas de um espúrio Acordo Ortográfico e sobrevive, incólume, na semântica dos que pensam – e escrevem – pela própria cabeça”, lê-se no texto de Assis Ferreira.

“Na pujança do seu léxico, eis que cada vocábulo se desdobra numa multiplicidade de sinónimos e, não raro, cada sinónimo se espraia em duplos sentidos. Tal como a palavra Doce – na sua acepção gastronómica ou enquanto expressão imaterial. Pois que Doce, guloseima, e Doce postura humanística não se confundem, embora se conciliem no prazer da sua fruição”, prossegue Mário Assis Ferreira.

A capa deste número editada em 3D, sugere um rebuçado, e inclui ‘drops’ “flocos de neve”, numa parceria com a septuagenária confeitaria Vieira de Castro.

O 61.º número, editado em Agosto do ano passado, foi dedicado à televisão, “a máquina que mudou o mundo”, escreveu Patrícia Reis, tendo sido a primeira edição da Egoísta, numa versão bilingue – português e inglês.

Esta edição publicou o último texto do economista Miguel Beleza (1950-2017).

A edição realçou o 60.º aniversário da RTP, contou com a participação dos jornalistas João Adelino Faria e Cândida Pinto, e ainda com outros nomes do universo televisivo, como Carlos Ramos, Gonçalo F. Santos, Patrícia Fonseca, Filipe Santos Costa, Drumond, Luís Filipe Cunha, Inês Pedrosa, Richard Zimler, Nuno Artur Silva, Miguel Monteiro, Paulo Mendes Pinto, João Gobern, Henrique Raposo, Joel Neto, Andris Feldmanis, Pedro Boucherie Mendes, Alexandre Honrado, Dulce Garcia e Ricardo Alevizos.

Esta não foi a primeira vez que uma edição da Egoísta foi distinguida com o Grande Prémio Papies, na categoria Revista, pois já lhe tinha sido aliás entregue, pelo 60.º número, cuja temática foi a política.

[Source: Revista Egoísta recebe três Grandes Prémios Papies e totaliza 86 distinções – Atualidade – SAPO 24O texto em acordês no original foi corrigido automaticamente para Português-padrão pela solução Firefox contra o AO90.]

 

As edições Televisão, Doce e 18 foram reconhecidas com Grande Prémio na categoria de Revista, nos mais recentes Prémios…

Publicado por Revista Egoísta em Sexta-feira, 8 de Junho de 2018

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O tanas

Ocorrência: Fraude na SPA

No jornal Público foi ontem publicado electronicamente, e hoje na edição em papel, o artigo (e notícia) «Rui Vieira Nery premiou como júri obra de que é um dos coordenadores», escrito por Rodrigo Nogueira.

Este é um facto do qual eu fui o primeiro a tomar conhecimento… fora da Sociedade Portuguesa de Autores, cujos principais (ir)responsáveis vieram a revelar-se cúmplices numa situação de autêntica fraude intelectual, e privando-me, e ao meu livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal» (e, eventualmente, a outros autores e a outras obras), de um prémio, com o nome de José Mariano Gago, já falecido e saudoso professor, investigador e ministro, nesta capacidade tendo dado início, em meados da década de 90, a um processo, a um projecto, de modernização tecnológica do país, do Estado e da sociedade civil, corporizado no «Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal», editado em 1997, e que, precisamente, constituiu o pretexto e o ponto de partida para a minha carreira enquanto jornalista especializado em tecnologias da informação e da comunicação. Reuni os que considero serem os melhores textos dessa carreira num volume publicado no ano passado, quando se assinalou o 20º aniversário do «Livro Verde…».

Custaria a acreditar que um livro feito por causa de José Mariano Gago, e em homenagem (explícita) a José Mariano Gago, não vencesse a primeira edição de um prémio com o nome de José Mariano Gago, com o objectivo declarado de «ser atribuído ao autor português do melhor livro de divulgação científica publicado no ano anterior». Porém, infelizmente e até escandalosamente, foi isso mesmo o que aconteceu. Para o artigo do Público dei o meu depoimento e, deste, excertos são citados, resumindo correctamente o que sucedeu desde 22 de Maio último: a minha surpresa após saber qual tinha sido a obra «vencedora», considerando as suas características, incluindo em especial o estar «escrita» em sujeição ao AO90; a minha ainda maior surpresa ao descobrir, quase por acaso, que um dos membros do júri era também um dos co-autores da obra – veja-se, e confirme-se, quem coordena(rá) o volume Nº 20 daquela; o meu contacto junto da SPA, com conhecimento do Presidente da Direcção daquela, José Jorge Letria, apelando a que a entrega do prémio fosse cancelada, o que não aconteceu; a minha mensagem a Carlos Fiolhais (que, enquanto director da colecção «Ciência Aberta» da Gradiva, recusou publicar o meu livro «Nautas» naquela editora, isto depois de se ter queixado, no seu livro «A Ciência em Portugal», de que faltavam obras escritas por jornalistas de ciência) sugerindo-lhe, e a José Eduardo Franco, que renunciassem ao prémio, e da qual, significativamente, não recebi resposta.

No momento em que escrevo e publico este relato não há indícios de que este caso de «compadrio cultural», de atropelo à ética, de «promiscuidade professoral», vá ter consequências, mais concretamente, e obviamente, (algumas) demissões. Afinal, é tão só mais um exemplo de como neste país certas pessoas sentem ter a autoridade e a impunidade para fazerem o que, como e quando querem, não obedecendo a regras ou adoptando regras diferentes para elas próprias. No entanto, e apesar de particularmente grave, este «incidente» com a SPA não constitui o único exemplo recente, e em que eu estou de algum modo envolvido, de prémios literários organizados e/ou atribuídos de forma duvidosa. Antes, mas já igualmente neste ano de 2018, (um júri nomeado pel)a Associação Portuguesa de Escritores concedeu o seu Prémio de Crónica e Dispersos Literários, não a «Nautas» mas sim a «A Alma Vagueante» de Mário Cláudio… que, por «coincidência» e curiosamente, é igualmente presidente da mesa da assembleia geral da APE! Todavia, aqui houve um regulamento, divulgado publicamente, que indicava claramente como (única?) incompatibilidade a de membros do júri não poderem ser autores concorrentes ao prémio. Contudo, será isso suficiente para afastar as suspeitas? (Também no MILhafre.)

Octávio dos Santos , “blog” Octanas, 14.06.18

«”Fiquei intrigado com a tipologia da obra vencedora, esperava que fosse algo mais recente, não uma obra estilo enciclopédia, com textos antigos da cultura portuguesa e abrangendo algumas áreas que nem são ciências”, partilha, acrescentando que também achou estranho o projecto “seguir o Acordo Ortográfico de 1990”, contra o qual – “e bem”, comenta – a SPA tem vindo a lutar.»

Rui Vieira Nery premiou como membro do júri obra de que é um dos coordenadores

Rodrigo Nogueira
“Público”, 13.06.18

Na sua primeira edição, o Prémio José Mariano Gago de Divulgação Científica foi para Carlos Fiolhais e José Eduardo Franco, pela coordenação do projecto Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa. Rui Vieira Nery, que fez parte do júri e vai coordenar um dos 30 volumes do projecto, diz que não há qualquer conflito de interesses.

Rui Vieira Nery fez parte, com Miguel Lopes e Elvira Fortunato, do júri que a 22 de Maio atribuiu ao físico Carlos Fiolhais e ao historiador José Eduardo Franco o primeiro Prémio José Mariano Gago de Divulgação Científica, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), pela coordenação do projecto Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa. Mas é também o coordenador de Primeiros tratados de música, o vindouro 20.º volume daquela colecção, cuja equipa reúne mais de 170 especialistas, investigadores nacionais e internacionais.

(mais…)

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Outra academia vandalizada por um bando de “hooligans”

«É que isto não é uma questão linguística, é uma questão política.»

Malaca Casteleiro
Jornal Expresso, 20.02.08

1. «Dizer que o Brasil cedeu alguma coisa é de uma hipocrisia total» [Artur Anselmo, “Público”, 12.11.16]
Artur Anselmo defende que o respeito pelas normas de cada país é essencial para um bom entendimento em matéria ortográfica: um mesmo sistema, o da Língua Portuguesa, e várias normas, consoante os países a que digam respeito. E isto dispensaria um acordo.

2. «Academia e bom senso» [Nuno Pacheco, “Público”, 15.11.15]
Do presidente da Academia, Artur Anselmo, ouvimos esta declaração: “A Academia não foi consultada no momento em que um ministro da Cultura decidiu pôr em vigor o que ainda estava em discussão” (o acordo ortográfico de 1990, AO90). (…) Ah, e o Vocabulário Ortográfico Comum, essa coisa essencial ao acordo que devia estar pronta logo, logo?

3. Artur Anselmo: «situações que ferem a nossa inteligência (12.12.16)»
“Nós consideramos que o normal é o respeito pelas ortografias nacionais”
O presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Artur Anselmo, anuncia para Janeiro um documento chamado ‘Subsídios para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico’. É o retomar da polémica pelo lado científico, num campo em que “a política é incompetente”.

4. “Lobbies”? Cartéis? Qual quê! Nada disso existe em Portugal!
As “Sugestões para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” (AO), nesta semana levadas à Assembleia da República pela Academia de Ciências, dificilmente passarão do plano das ideias. (…) A alternativa, no caso dos manuais, seria esperar que os títulos actualmente no mercado chegassem ao fim do seu período de vigência. Mas em muitos casos essa opção implicaria uma espera de seis anos, até 2023, para que os livros adoptados no presente ano lectivo chegassem ao final do seu ciclo natural de vida.

5. (…) uma vez que o acordo entrou em vigor por indicação do Ministério e que os manuais escolares e os dicionários começaram a escrever-se com o acordo, se agora quisermos voltar para trás, e queremos, a maior parte das pessoas querem, o que é que acontece? Acontece aquilo que eu não sabia e que provavelmente a maior parte das pessoas não sabe: é que o Ministério não pode, porque os editores assinaram um protocolo com o Ministério, segundo o qual — e isto é feito nas costas da população e a população não sabe — o Ministério tem que indemnizar regiamente os editores da despesa que já foi feita. [Maria Alzira Seixo, Março 2013]

Acordo Ortográfico. Academia das Ciências de Lisboa disponibiliza vocabulário ortográfico “online”

A Academia das Ciências de Lisboa (ACL) vai disponibilizar, no domingo, um novo vocabulário ortográfico online, em www.volp-acl.pt, que permitirá “a pesquisa de mais de 215.000 entradas”.

No comunicado enviado nesta sexta-feira, a ACL afirma que “este recurso contempla a variedade portuguesa da língua e segue a nova ortografia, podendo ser acedido gratuitamente”, e inclui “informações sobre a classificação gramatical, indicação de pronúncia, e muitos outros elementos úteis”.

A colocação online do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), no domingo, celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e contou com o apoio do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa (ILLLP).

Esta é a primeira vez que a ACL apresenta uma página na Internet, inteiramente dedicada à língua portuguesa, “dando garantias de uma actualização diária dos dados lexicais”, assinala a mesma fonte, acrescentando que, “do ‘corpus’ reunido no Vocabulário, cem mil vocábulos irão constituir a nomenclatura do novo Dicionário da Academia”.

Os mais de 215.000 vocábulos que constituem o VOLP, além de informação sobre a classificação gramatical e indicação de pronúncia, refere as formas irregulares femininas e plurais de compostos.

A lista vocabular inclui nomes próprios, designadamente, antropónimos e topónimos entre outros.

“Apesar de a lista de entradas ter sido actualizada ortograficamente, as grafias, segundo a norma de [19]45 são pesquisáveis e remetem para as formas segundo o Acordo de 1990”, refere a ACL, acrescentando que o VOLP “integra as formas não adaptadas ao português, ou seja, vocábulos de origem estrangeira que não se encaixam na matriz ortográfica portuguesa”.

Relativamente aos estrangeirismos, a ACL adianta que “foram alvo de uma rigorosa selecção e são devidamente assinalados como tal”.

Telmo Verdelho, presidente do ILLLP, citado pela ACL, afirma que o novo vocabulário “responde à necessidade de promover a unidade, a defesa e a abundância da língua, actualizando os vocabulários anteriores e promovendo o registo do fluxo inovador resultante do convívio interlinguístico e da criatividade lexical dos falantes e dos escritores”.

A ACL assinala o “empreendimento demorado e trabalhoso” que sustenta o novo VOLP, pois, apesar de dar sequência às anteriores edições académicas, “foi elaborado inteiramente de novo”.
A recolha lexical foi Ana de Castro Salgado, do Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa, coordenadora do projecto, e contou “com a colaboração de vários membros da ACL, especialmente no que concerne a termos pertencentes a diferentes áreas de especialidade”.

No mesmo documento a ACL afirma-se “consciente de que há ainda muito trabalho pela frente”, e “reconhece que este é um passo muito importante”.

Para a ACL, “vivendo na era digital, este é um recurso que se impunha necessariamente à instituição”.

https://www.publico.pt/2018/06/08/sociedade/noticia/academia-das-ciencias-de-lisboa-disponibiliza-vocabulario-ortografico-online-1833793

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