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“Qualquer cidade dividida contra si mesma não perdurará”

O Ministro da Administração Interna. Na posição protocolar da bandeira da UE, a bandeira do Brasil, ao lado da do 28.º Estado

Lula da Silva “Doutor” Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, Março 2011


Marcelo mostra os seus “extraordinários” dotes de sutáki brasileiro

Lula da Silva, Marcelo e Janja (Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique)

Abstraiamo-nos das questões protocolares ou diplomáticas envolvidas. Atenhamo-nos apenas aos factores políticos que, não muito subtilmente, enformam mais esta cerimónia.

De facto, vamos assistindo — como é da tradição portuguesa, impassível e sonolentamente — a um estranho frenesi de imposição de insígnias, condecorações e títulos, por parte das autoridades tuguesas, tendo por obsessivo objectivo único “honrar” determinadas “personalidades” brasileiras. Talvez, se atendermos ao facto de ser este um vício já antigo — a peganhenta bajulação ao “gigante” sul-americano é uma idiossincrasia nacional –, possamos admitir alguma espécie de atenuante para tão esquizofrénica mania; porém, nem “no tempo da outra senhora” se viam tão frenéticas quanto frequentes engraxadelas como agora. Urge seja criada quiçá mais uma “entidade reguladora”, mas esta, por absoluta excepção, com algum préstimo; tão utilíssimo serviço público poderia vir a chamar-se, por exemplo, Provedoria Geral de Engraxadoria ou, simplificando, Observatório da Engraxadela.

Foi o doutoramento Honoris Causa de Lula da Silva pela Universidade de Coimbra, em 2011, com a (política e diplomaticamente inexplicável) presença do então PR Cavaco Silva.

Foi o Prémio Camões 2019 para Chico Buarque, com o Governador Geral do 28.º Estado da RFB a “óminágiá u lauriadu” em brasileiro.

Foi a condecoração de Janja, mulher de Lula, “com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, destinada a distinguir serviços relevantes a Portugal ou na expansão da cultura portuguesa“.

E é agora esta outra, ocorrida há poucos dias, a do doutoramento Honoris Causa do cantor brasileiro Gilberto Gil pela Universidade Nova de Lisboa. Como se vê, até porque isso está escarrapachado na notícia, o artista fez um intervalozinho na sua tournée e deu um saltinho à “cápitau” da “terrinha” para receber o títulozinho académico — que, pelo menos no que toca a brasileiros, começa a ser um ritual praxista.

Após esta cerimónia e empochando o título, aliás ao invés dos carolos e das pinturas na testa vulgares em qualquer praxe, o dito artista vai logo de seguida dar mais um “espetáculo”, por mero acaso na mesma Lisboa da generosa Universidade que lhe impôs borla (de certeza) e capelo (se calhar). Da capital do 28.º Estado seguirá para o Porto, a segunda maior cidade provincial, “para o último de três concertos em solo” tuguês.

Da absoluta vacuidade das suas palavras, incluindo os agradecimentos do alto da burra e os desejos de tornar não sei quê “mais suave, mais flexível, mais aberto e afecto às coisas do afecto e do amor“, tiradas que não desmerecem dos discursos de qualquer recém-eleita Miss Universo, pouco ou absolutamente nada haverá a notar ou a anotar.

O mesmo já não se poderá dizer, evidentemente, quanto ao significado político de mais esta enérgica escovadela a que se prestaram — e de cara alegre — tanto o colégio académico de “engraxates” (em Português, engraxadores) como ou principalmente o seu “magnífico”… errrr… coiso.

Provavelmente, ou por pura ignorância ou porque também o Latim “já não se usa”, visto ser “muito complicado”, a nenhum dos “ilustres” brasileiristas daquela universidade alfacinha terá ocorrido sequer dar uma vista de olhos à divisa da instituição: “OMNIS CIVITAS CONTRA SE DIVISA NON STABIT”.

Gilberto Gil recebe título Doutor Honoris Causa pela Universidade NOVA de Lisboa

sicnoticias.pt, 31.10.23
Daniela Tomé
Cultura

O compositor e cantor Gilberto Gil está em digressão pela Europa. Esta terça-feira volta a actuar em Lisboa e na quinta-feira dirige-se ao Porto, para o último de três concertos em solo português.

O músico brasileiro Gilberto Gil foi distinguido na tarde desta terça-feira com o título doutor ‘honoris causa’, pela Universidade Nova de Lisboa. Na cerimónia de atribuição do título, Gilberto Gil, de 81 anos, expressou a sua “gratidão profunda a todos da UNL”, e agradeceu o gesto da universidade para com um “cantor do simples, do subtil, quiçá do belo, por vezes acossado e assustado pelos horrores de um mundo traiçoeiro”.

Com 60 anos de carreira, Gilberto Gil foi ministro da Cultura do Brasil e sempre mostrou resistência contra a ditadura do país.

O compositor, que é um dos símbolos da cultura lusófona, afirmou que a política no país melhorou, desde a eleição de Lula da Silva há cerca de um ano.

Gilberto Gil, que conta com mais de 600 canções no seu reportório, está em digressão pela Europa, tendo dado um concerto esta segunda-feira, no Coliseu de Lisboa.

Esta terça-feira volta a actuar em Lisboa e na quinta-feira dirige-se ao Porto, para o último de três concertos em solo português.

O reitor da UNL, João Sáàgua falou, durante a cerimónia, num “dia único” e “muito feliz” para a UNL, e que a atribuição do título Honoris Causa ao cantor brasileiro é uma “expressão de profunda gratidão e reconhecimento pela sua vida e obra“.

“No caso de Gilberto Gil, honramos valores fundamentais que corporiza de dois modos — pela arte (representa para nós valores da energia criativa, alegria sã, harmonia cósmica e compreensão profunda da humanidade) e pela cidadania (representa para nós valores de liberdade, diversidade, igualdade, democracia)”, referiu.

Biografia

Nascido em 1942, em Salvador da Bahia, no Brasil, Gilberto Gil começou a carreira musical na década de 1950 a tocar acordeão, “inspirado por Luiz Gonzaga, pelo som da rádio e pelas procissões à porta de casa no interior da Bahia, até que surge João Gilberto, a bossa nova, e também Dorival Caymmi, com as suas canções imbuídas de praia e do mundo litoral”, como descreveu a promotora IM.par.

Figura central do Tropicalismo, Gilberto Gil também foi ministro da Cultura do Brasil entre 2003 e 2008, durante a administração do presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, e é membro da Academia Brasileira de Letras desde 2021.

Instado na conferência de imprensa a recordar os tempos em que tutelou a área da Cultura, Gilberto Gil contou que “aquele momento foi uma oportunidade de endereçar ao país, e ao mundo todo, uma série de questões, de quesitos, da proposição cultural permanente que se vai tornando cada vez mais densa, cada vez mais caudalosa, com as grandes massas humanas, os grandes mercados“.

“O Ministério da Cultura foi uma tentativa de amplificar essa compreensão sobre essa extensa vastidão do mundo cultural no Brasil e no mundo, num momento em que nas relações internacionais o factor cultural tem cada vez mais peso, com a desmaterialização obrigatória das funções práticas da vida humana. Um telemóvel é o exemplo extraordinário dessa desmaterialização, a concentração da vida cultural num pequeno aparelhinho. Foi um momento para amplificar esse discurso”, disse.

Sempre que é questionado sobre questões culturais, Gilberto Gil lembra que “a Cultura anda sozinha, anda por si própria: é o resultado de falares, falas, modos de convívio, permanente, e a reverberação desse convívio através das linguagens”.

No entanto, há um papel, “discutível”, que o Estado tem na vida cultural de um país.

“Fomento, incentivo, mapeamentos, para que as populações tenham ideia de como se colocar no plano cultural. Tudo isso é papel do Estado, do governo federal, dos governos estaduais, municipais”, defendeu.

Papel da Cultura num mundo em conflitos

Gilberto Gil foi também questionado sobre o papel na Cultura numa altura em que há no mundo cada vez mais conflitos, entre os quais o que opõe Israel ao movimento islamita Hamas.

Para o músico, “a Arte, especialmente a música, todas as formas de expressão artística são balsâmicos, unguentos de que nos utilizamos para o amaciamento dessa musculatura enrijecida que é a humanidade cada vez mais complexa e cada vez mais volumosa, em termos de população, em termos de operação, a grande operação da vida contemporânea, moderna no mundo inteiro”.

O papel da Arte, da canção em especial é balsamizar esse corpo todo no sentido de torná-lo mais suave, mais flexível, mais aberto e afecto às coisas do afecto e do amor, esse é o papel da canção, da música“, defendeu.

Gilberto Gil admite que “os aspectos tormentosos da vida humana” obrigam a um “discurso duro e menos harmonioso”, mas o papel da canção “é essa balsamização do corpo, em cada indivíduo e em todos os colectivos da sociedade humana”.

[Transcrição integral. Destaques meus. Cacografia brasileira corrigida automaticamente.]

Vídeo legendado (subitchitulado) em brasileiro
As regras gerais para o uso da Bandeira Nacional (BN) encontram-se estabelecidas pelo Decreto-Lei 150/87
Quando hasteada com outras bandeiras, a Bandeira Nacional ocupará sempre o lugar mais honroso.

Se existirem três mastros: a BN ocupará o mastro do centro e a seguinte bandeira na ordem de precedência, ocupará o mastro da direita (esquerda de quem olha).
[AUDACES – vexilologia, heráldica e história]

[Fotografia de Lula/Marcelo/Janja de: “Poder 360“.]

Áfinau naum rôbáru nosso ôro, naum? Xiii, naum djiga!

A forma politicamente vesga e sociologicamente cavernícola como a nomenklatura tuga trata (d)os assuntos brasileiros reflecte-se claramente na inacreditável sucessão — em quantidade, extensão e número de envolvidos — de peças “jornalísticas” sobre a data em que, segundo não rezam as crónicas mas muito repetem alguns nas suas, Portugal deixou de “explorar” os brasileiros, de “roubar” o ouro “deles” e de cometer genocídio (!!!) sobre os povos indígenas lá dos sertões e das florestas amazónicas.
Estribados numa pretensa superioridade do Brasil e dos brasileiros em relação ao “colonizador explorador e torcionário”, essa alucinação rapidamente resvalou ainda mais para baixo, para uma forma de desprezo pelas reais origens daquele país, para a hostilização sistemática dos portugueses em geral e para uma verdadeira sanha persecutória quanto a tudo aquilo que mesmo se remotamente lhes cheire a “terrinha”. Este absurdo e insuportavelmente insultuoso preconceito está já estudado, se bem que mal, e dicionarizado, neste caso muito bem: lusofobia. Um tipo de racismo, portanto, como claramente denota o sufixo, um exclusivo que brasileiros dedicam a Portugal.
[‘Independência ou morte – 11.08.22]

Ah, pronto, cá está de novo a rapsódia do “colonialismo” dos portugueses, esses malvados que têm de pagar caro — e até ao fim dos tempos, se não mais — pela insuportável pesporrência de terem “colonizado” o 5.º maior país do mundo, o qual, de resto, até já existia antes da chegada dos ditos malvados. É que, segundo reza a Cristina, naqueles virginais e impolutos 8.510.345 Km² não há absolutamente violência alguma, tal coisa jamais existiu, o Brasil nem é um dos países mais violentos do mundo nem nada, fomos e somos nós que malignamente pecámos e pecamos ocultando a «violência da colonização portuguesa do Brasil». E não podia faltar à historinha, pois claro, o infalível, omnipresente “argumento” — que a Cristina põe na boca da criancinha — do ouro que os “cara” da “terrinha” foram lá “roubar”: «“Mostraram-se muito interessados no nosso ouro e prata”».
[‘Brasil colonizando Cristina’ – 07.03.23]

O que se há-de fazer? É uma fatalidade, um fado. O que mais há por aí é portugueses com “síndrome do colonizador”. A paranóia — ou obsessão ou monomania — está de tal forma arreigada no espírito do chamado “português médio” que dir-se-ia estarmos perante um caso evidente, iminente, perigosamente patológico; para o qual, aliás, dado o enorme número de afectados, não seria possível arranjar em tempo útil um contingente de psiquiatras e outros especialistas em afecções na caixa dos martelos, como carinhosamente diz o povo; ainda que se importassem uns quantos contentores cheios desses profissionais, nem pondo toda a indústria nacional a trabalhar 24 sobre 24 horas no fabrico de sofás seria possível deitar tantos pacientes a debitar suas lamúrias, expiando a “culpa” de Portugal por ter-se atrevido a fazer alguma coisa decente — o que para os padrões actuais da tugaria é absolutamente inadmissível, um pecado horrível.
[‘A “escravização” do Principado da Pontinha (e do Brasil, claro)’ – 01.08.23]

“A História que se aprende no liceu é uma História de brancos. Transmite-se uma ideia de superioridade europeia que é falsa. Quando digo aos meus alunos que eram os africanos que controlavam o preço no comércio de escravos, eles ficam de boca aberta”

Clara Teixeira
revista “Visão”, 15.10.23

Com a publicação de ‘Portugal na História – Uma Identidade’ (Temas e Debates, 640 págs., €24,90), João Paulo Oliveira e Costa, 61 anos, historiador e professor catedrático, quis reflectir e explicar a existência longeva de Portugal, um pequeno país do extremo da Europa que se mantém independente há quase 900 anos. A recente atribuição do Prémio John dos Passos 2023, criado para perpetuar a memória do escritor norte-americano de origem madeirense, foi o pretexto para uma entrevista com o autor da obra, que o próprio define como um ensaio historiográfico de geoestratégia. O debate e a polémica sobre os Descobrimentos, período no qual se especializou, e o papel dos portugueses na escravatura, também chamados à conversa, são para ele “uma perversidade” e “uma importação do que se passa nos EUA”. E também uma consequência do facto de se ensinar “uma História de brancos” nos liceus.

O que é este livro? Não é uma História de Portugal, no sentido clássico. São as reflexões de um historiador?
Um amigo disse que podia ser a minha obra de fecho. Sempre me interessei por História e sempre viajei com a História. Como especialidade, escolhi a história dos Descobrimentos e da expansão e, como professor e investigador, interessam-me as questões da identidade. O livro é um ensaio historiográfico de geoestratégia, para tentar perceber Portugal e a mim próprio, que sou português. É uma longa reflexão, feita ao longo de 50 anos de vida.

Que mensagem quis passar sobre a identidade dos portugueses?
Não quis passar nenhuma mensagem. Quis reflectir e demonstrar que somos um país profundamente europeu, e que nunca estivemos de costas voltadas para a Europa.

Somos um país de certa forma improvável, tendo em conta que estamos num canto da Europa e temos os espanhóis por vizinhos? (mais…)

Não agoirando agora

Oficialmente, o #AO90 entrou em vigor em Portugal no dia 1 de Janeiro de 2010. Por conseguinte, foi no ano lectivo imediato (2010-2011) que as crianças portuguesas começaram a ser formatadas em língua brasileira e que, por conseguinte, teve início o processo de terraplanagem cultural, logo, de destruição do mais valioso património imaterial nacional, logo, de apagamento da História de Portugal, logo, de esmagamento da identidade nacional. Todo o plano visa, desde o início, a constituição do 28.º Estado da República Federativa (o primeiro Estado brasileiro fora das fronteiras terrestres do Brasil),

Implacável e rapidamente, a marabunta brasileirista estendeu-se a todos os graus de ensino, desde o Básico até ao Universitário. Do mesmo passo, a gigantesca máquina trituradora, pilotada por um grupinho de políticos devotos de Vera Cruz, engoliu e esmigalhou todos os órgãos de propaganda (vulgo, “media” ou OCS) do “governo gérau lócau” e contaminou vastas áreas dos sectores teoricamente privados, da indústria ao comércio, das tecnologias mais avançadas à lavoura mais primária, das Ordens e organizações profissionais às entidades não governamentais mais diversas — algumas das quais foram até criadas de raiz ou reconvertidas para colaborar na empreitada da “desportugalização”.

Em especial no que diz respeito ao sistema de ensino, 37 anos depois do lançamento do plano, cujo esboço foi rabiscado no Rio de Janeiro, em 1986, e passado a limpo (passe a contradição) em 1990, é hoje perfeitamente evidente que não apenas o objectivo primordial — o “fato consumado” — foi alcançado, como o alcance das “medidas” de eembrutecimento em massa atingiu um paroxismo que nem os próprios autores da tramóia ou os seus lacaios e homens-de-mão se atreveriam a julgar possível: as crianças, os jovens e mesmo os adultos envolvidos no sistema de ensino/aprendizagem (“aprendizado”, em brasileiro) foram tão violentamente afogados no cAOs linguístico (portanto, cultural), que já chegam a encarar como sendo perfeitamente natural a “adoção” não apenas da cacografia como também da construção frásica, da total ausência de Gramática e até da pronúncia, do “sutáki” brasileiro — essa coisa que a comandita Marcelo, Costa & Associados adora.

Escorados nos “media” colaboracionistas, veneradores, atentos e obrigados — os OCS avençados para executar a desinformação e ocultar as manobras de bastidores — o inquilino do Palácio de Belém e o arrendatário do palacete de São Bento exultam de satisfação porque parece estar a resultar o processo de aculturação forçada.

De facto, em especial entre os mais jovens, já se vão sentindo os efeitos conjugados da imposição manu militari da cacografia brasileira, da ponte aérea em crescendo e da importação maciça de telenovelas, programas, festivais, carnavais e outros números de circo, toda essa panóplia muito caipira e “légau”, enfim, com tudo isto, convenhamos que não será assim tão bizarro — por mais aberrante que na realidade seja — estar a nossa juventude já “recetiva” até mesmo a não apenas “iscrevê” como também a “fálá” brasileiro.

Serve como exemplo ilustrativo da referida aberração que a comandita adora um dos vídeos da série que se segue. Nos dois primeiros, já antes aqui reproduzidos, o fulano de Belém e o sicrano de São Bento proferem as suas baboseiras em ou sobre a língua brasileira; na última das gravações, uma rapariga (ver no dicionário Br-Pt como se diz “rapariga” em brasileiro, tem sua piada) conversa alegremente com a senhora sua mãe; são ambas portuguesas (da Silva) mas a miúda faz questão de “fálá” assim.

Sistematicamente exposta a doses industriais de “cultura” brasileira, sujeita à deformação linguística e à lavagem ao cérebro vigente nas escolas, cada vez mais cercada por imigrantes que recusam terminantemente a língua “complicada” da “terrinha”, empanturrada de palhaçadas brasileiras na TV e nas redes anti-sociais, é de certa forma compreensível que esta rapariguinha julgue agora não apenas poder como até mesmo dever fazer-se passar por brasileirinha.

Que isto não passe de pura macaqueação, esporádica e pontual, de cromos como o tal Luccas Neto. Que, apesar de todo o caldo lusófobo em que estão mergulhadas, às crianças portuguesas não suceda o mesmo que acontece aos pepinos quando são torcidos desde pequeninos. Que a anti-cultura e o anti-portuguesismo permaneçam na cabeça dos traidores e vendidos.

Esperemos que não extravase esta encenação tenebrosa para o quotidiano; que se fique por aquilo que (ainda) é, uma simples excepção, e que nunca por nunca semelhante desgraça descambe em algo normal ou generalizado, num padrão.

Longe vá o agoiro.

[Nota (15.10.23 – 16:05)
Por algum motivo que de todo me escapa, a gravação Instagram que aqui estava terá mudado de URL (ou de código), pelo que o vídeo que aparecia era outro e não o que inicialmente lá estava; situação que agora se corrige, esperando que o percalço técnico se não repita. De qualquer forma, as minhas desculpas pelo sucedido.]

O “Prêmio” Camões

O cAOs não é apenas pontual, até porque os conceitos presentes na formulação excluem-se mutuamente.

A vitimização não é ocasional, até porque se baseia exclusivamente em queixas inventadas e/ou encenadas.

As consequências da ponte aérea nos diversos sectores de actividade não são irrelevantes, até porque — mesmo se ainda a medo — começam a acumular-se as denúncias.

A propaganda difundida pelos mais diversos órgãos de desinformação social não é menosprezável, até porque obedece a um plano… algo sinistro.

Até mesmo a (abundante) distribuição de bajulações avulsas, de condecorações e deste ou daquele “prêmio” (note-se, na imagem de topo, mesmo com interface em Inglês, a palavra grafada em brasileiro) não é meramente protocolar e muito menos será inocente.

Até porque, certamente a contragosto e por vezes com tímidos protestos, alguns portugueses são eles próprios agraciados com umas medalhinhas, umas palmadinhas nas costas, umas festinhas no ego.

Convém aos “presuntos” (presumíveis, em Castelhano) implicados disfarçar um pouco o carácter exclusivista da seita, o festim onanista do seu mal disfarçado brasileirismo, o fedor que ressuma da sua orgia brasileirista. Metendo tudo no mesmo saco (sem fundo) da brasileirofonia a que chamam “luso” e na segura presunção de que todos os portugueses — à excepção de eles mesmos — são absolutamente estúpidos, os DDT zucatugas julgam assim conseguir enganar toda a gente, impor a língua “universau” à manada e silenciar de uma vez por todas qualquer opinião dissonante… ou qualquer opinião tout court.

Prémio Camões 2023. “A Língua Portuguesa está a ser muito maltratada”

Rádio Renascença, 10 Out, 2023

Maria João Costa

Em entrevista à Renascença, João Barrento considera que “a Língua Portuguesa pode estar tão bem representada numa tradução de uma grande obra universal, se ela for feita com o nível que deve ser, como o romance ou na poesia”.

“A Língua Portuguesa está a ser muito maltratada e utilizada”, lamenta João Barrento, o ensaísta e tradutor português que venceu esta terça-feira o Prémio Camões 2023.

A Língua Portuguesa está a ser muito maltratada e utilizada“, lamenta João Barrento, o ensaísta e tradutor português que venceu esta terça-feira o Prémio Camões 2023.

Em entrevista à Renascença, João Barrento considera que o problema é mais patente com o novo Acordo Ortográfico, que “está cheio de incongruências”, porque a língua “perde um certo carácter a partir do momento em que se adultera a imagem da palavra”.

Sobre a distinção ao trabalho da sua vida, o ensaísta e tradutor explica que ficou “surpreendido” com a atribuição do Prémio Camões.

“Fiquei surpreendido porque normalmente o Prémio Camões tem sido atribuído a escritores portugueses ou brasileiros dos chamados grandes géneros, o romance ou a poesia, e eu não cultivo esses géneros e tenho dedicado toda a minha vida ao ensaio e à tradução, onde tenho um trabalho intenso nessas áreas”, afirma o novo Prémio Camões.

João Barrento considera, no entanto, que “a Língua Portuguesa pode estar tão bem representada numa tradução de uma grande obra universal, se ela for feita com o nível que deve ser, como o romance ou na poesia”.

Nestas declarações à Renascença, João Barrento sublinha que tem uma “obra bastante vasta no ensaio e na tradução, e quase sempre de autores e livros exigentes”.

O Prémio Camões 2023 confessa que só traduz o que gosta. Tem feito sobretudo tradução de escritores de língua alemã, como Goethe ou Walter Benjamim.

“Tenho-me esforçado quase sempre por escolher os meus autores, quase não fiz tradução por encomenda. Nos casos dos grandes autores, fui eu que sugeri aos editores. Por outro lado, tenho-me esforçado sempre por recorrer a esse grande reservatório, a esse grande depósito, que é a Língua Portuguesa que está ao dispor de nós todos. De modo que, é um trabalho que pode ser tão original na recriação como o trabalho a que se atribuiu um estatuto mais de criação original.”

João Barrento considera que o trabalho de tradução é “solitário”, tal como na escrita. “Nós temos que estar num diálogo íntimo quer com as ideias, no caso do ensaio, quer de vivências, no caso da poesia e do romance, ou com um texto na língua estrangeira, no caso da tradução”.

[Transcrição integral. Destaques meus. Introduzi no texto um “link” interno.]

A língua do Brasil é a brasileira

Language is a structured system of communication that consists of grammar and vocabulary. It is the primary means by which humans convey meaning, both in spoken and written forms, and may also be conveyed through sign languages. The vast majority of human languages have developed writing systems that allow for the recording and preservation of the sounds or signs of language. Human language is characterized by its cultural and historical diversity, with significant variations observed between cultures and across time.[1] Human languages possess the properties of productivity and displacement, which enable the creation of an infinite number of sentences, and the ability to refer to objects, events, and ideas that are not immediately present in the discourse. The use of human language relies on social convention and is acquired through learning. [Wikipedia]

 

Diz a autora do “post”: «That was exactly what happened to the Portuguese.»Pois foi exactamente o que aconteceu com os portugueses.»)

Bem, não exactamente. Não existe “língua americana”, mas existe — de facto, se bem que (ainda) não oficialmente — língua brasileira. A Língua inglesa é a nacional, adoptada federalmente e instituída nos 50 estados da República Federativa dos Estados Unidos da América do Norte (USA). Salvas as devidas e naturais diferenças de sotaque e mesmo de algum vocabulário específico entre os estados mais a Norte em relação aos do Sul e daqueles mais próximos da costa atlântica, a Leste, face aos da costa do Pacífico, a Oeste, a Gramática da Língua falada e escrita nos USA é a do Inglês canónico — aliás, comum a todas as ex-colónias da Coroa britânica

Isto não sucede, de todo, com a língua brasileira; por motivos políticos e consoante as respectivas incidências históricas (processo de independência, influências linguístico-culturais externas e internas, fluxos migratórios, convulsões geoestratégicas, organização social etc.), a Língua da antiga potência colonial sofreu um processo de erosão, primeiro, de re-construção (não confundir com reconstrução), a seguir, e de pura e simples destruição, por fim, da matriz linguística original. Hoje em dia, a língua brasileira é simultaneamente tão parecida e tão diferente do Português como o são o Galego, o Crioulo de Cabo Verde (por exemplo) ou até o Papiamento, o Patuá ou qualquer dos outros crioulos de base portuguesa espalhados pelo mundo.

Não existem, por conseguinte, a não ser nos discursos de brasileiristas e na conversa fiada de “linguistas” e “especialistas” a soldo (e em saldo), outras “variantes” do Português — Língua oficial — além das de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe; ou seja, nos PALOP. Os casos de Timor-Leste, de Macau e mesmo da antiga “Índia portuguesa” não entram na categoria de “variantes”, dadas as suas exiguidade e particularidade.

O factor comum, logo, unificador, logo, identitário, é o mesmo que regula os vastíssimos e imensamente diversificados espaços da Commonwealth e, também mas não de igual forma, da Francophonie: a Gramática é comum, o vernáculo é estável (se não o fosse, não seria vernáculo), a ortografia — suportando apenas variações pontuais e de pormenor — a mesma. Nada disto sucede com a língua brasileira, o que, pela própria noção conceptual, exclui liminarmente e por definição sequer a possibilidade de aquilo ser uma “variante” da Língua Portuguesa.

Por mais cambalhotas “linguísticas”, por mais malabarismos neo-imperialistas e por mais vigarices que marionetas a soldo (“linguistas”, “académicos”) tentem impingir a papalvos, a verdade é que já nem Jorge Amado ou Chico Buarque, nem Machado de Assis ou José Mauro de Vasconcelos, nem Olavo Bilac ou Jô Soares conseguirão reverter ou ao menos parar o processo — aliás tão natural como a própria marcha da História — de… rompimento linguístico: será mera questão de tempo até que a Língua Brasileira seja oficialmente reconhecida como “língua de trabalho” da ONU e finalmente assumida pelos poderes políticos instituídos no Brasil e em Portugal como sendo aquilo que na realidade o Português e o Brasileiro já são: línguas diferentes. Uma, filha do Latim, europeia e adoptada por alguns países africanos; a outra, trineta (ou pentaneta) da tal filha do Latim, esgarçada pelos próprios brasileiros com a ajuda de italianos, libaneses, japoneses e até dos brasileiros que já lá estavam antes de existir o país Brasil e sequer a ideia de “país” — índios de inúmeras tribos.

How do you explain the inexplicable?

Cátia Cassiano

“In The Eyes Of A Translator”, 28 August 2023

How do you explain the inexplicable? As an entrepreneur, I have a duty of care to my clients. I must provide them with great service, transparency, and all the relevant information they need to make their own decisions. This would be a straightforward task if you work in the legal industry or if you sell a product. You both speak the same language and you both know the desired outcome. What about language service providers? For us, it may be a little more complicated because we are dealing with different languages and cultures and one side might not have any knowledge or contact with the language or culture. So, what do you do?

Making a connection

As linguists, our duty is to make a connection between those two languages and cultures. In other words, that document our client gave us to be translated needs to be converted into something the readers of the other language perceive as native and written for them. This is why we need translators after all!

The broken link

What if there is a broken link in the process? You must solve it and restore that link as soon as you possibly can. This usually happens when there are variants in the languages you are working with. We need to explain to our clients why being aware of these variants is essential to the success of their projects. Because if they don’t have any contact with the language they might not understand that a text in the wrong variant may damage their reputation in that country and that might be a problem for them.

Cultural assassination

This all seems doable. You can explain the diversity of the cultures that speak that language and why the variants might be so different from the main language from which they originated. But, what if the government of that country is the one trying to erase that culture and language, how can you explain it? How do you explain to your clients that the government of the country they are doing business with is trying to assassinate the culture and language of that country? Impossible isn’t it?

This is what is currently happening in Portugal, and that is the situation I and all my colleagues who work with the Portuguese Language have to face. The elected Government signed an agreement without public consultation, forcing the Portuguese to write according to the Brazilian variant of the language. No linguist was consulted, the constituents were not consulted, and no one was consulted. The result was something abhorrent and confusing.

They claimed they wanted to unify the language but all they did was create more division. People don’t know how to write, there are errors everywhere and it is an absolute disgrace. Citizens have been fighting for this for a long time, but the same corrupt politicians who signed this absurd are the ones ignoring the people who put them there!

So how can you explain to your clients why it is essential to respect the language and culture of the country they are doing business with if the government of that country is the first one to do the opposite? I try, I even try to explain what is happening here, but it is so absurd that even that is difficult. Let me try … just think about it … what would you say if you read or someone told you that Rishi Sunak signed an agreement with all other English-speaking countries so the United Kingdom and all other countries start speaking the American variant of English? What would you say about this? What would Kind Carles say about this? That was exactly what happened to the Portuguese. Absurd isn’t it?

[Transcrição integral, com ligeiras alterações apenas no aspecto gráfico.
Acrescentei “links”.]

[tradução]

Como explicar o inexplicável?

Cátia Cassiano
“In The Eyes Of A Translator”, 28 August 2023

Como é que se explica o inexplicável? Como empresária, tenho o dever de cuidar dos interesses dos meus clientes. Tenho de lhes prestar um bom serviço, com transparência e providenciando toda a informação relevante de que necessitam para tomarem as suas próprias decisões. Esta é uma tarefa simples para quem trabalha no sector jurídico ou se vendermos um produto; ambos falam a mesma língua e ambos sabem qual o resultado pretendido. E os prestadores de serviços linguísticos? Para nós pode ser um pouco mais complicado, porque estamos a lidar com línguas e culturas diferentes e uma das partes pode não ter qualquer conhecimento ou contacto com a língua ou cultura da outra. Então, o que é que se faz?

Estabelecer uma ligação

(mais…)