Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: LUSA

A Guiné Equatoriáu e a CPLP

Muita gente, por alienação programada ou porque o assunto foi impingido como sendo menor, nunca entendeu, não entende e já nem quer saber para que diabo serve a CPLP e o que faz nessa “comunidade” a Guiné-Equatorial. É um grande mistério. Ou não.

Se tivermos em conta apenas os factos conhecidos e verificáveis de tão bizarra “ligação”, não é muito difícil perceber não apenas porque é que o país do ditador Obiang entrou na CPLP, como também o que é e para que serve a “comunidade”. Existe de facto uma relação de causa e efeito entre a admissão daquela ditadura e o carácter político-económico da organização.

Sendo a CPLP uma invenção totalmente brasileira (com a prestimosa colaboração de jagunços  portugueses), interessa ao Itamarati (e aos jagunços) ter mais um entreposto comercial em África, sendo que este, funcionando como uma espécie de feitoria do sub-mundo empresarial, facilita enormemente as negociatas e cambalachos em que se especializaram capitalistas pseudo-acordistas; ora, sendo inconfessáveis tais negociatas, os interesses tripartidos (digamos, 90% para brasileiros, 8% para portugueses, 2% para a família Obiang) têm, debaixo da cortina de fumo da “língua universáu”, uma espécie de caverna obscura para planear os seus assaltos e roubalheiras. Portanto, em conclusão, a Guiné-Equatorial serve, no contexto da CPLP, de entreposto para legitimar (e ocultar) negócios que de outra forma, por métodos legais, transparentes e legítimos seriam impossíveis.

O pouco que se sabe daquele país de Língua oficial espanhola não se recomenda de forma alguma (até tem “ficha” na CIA), em perfeita consonância com a génese, os métodos de actuação e as finalidades da agremiação inventada pelo Brasil e paga por Portugal.

Em linguagem cifrada, é disso que tratam estas duas notícias: a primeira limita-se a reproduzir um despacho da agência brasiLusa e a segunda desenvolve o tema, destapando uma pontinha do véu de secretismo que por definição envolve estas “cimeiras”.

De entre outros chavões incontornáveis dos “jornalistas” avençados pela CPLP, destaque-se o mais habitual de todos, sempre presente — expressa ou implicitamente — neste tipo de “notícias”: o encontro da organização lusófona deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”. Ou seja, traduzindo, empresas de apenas dois dos nove países, dez ou vinte grandes tubarões do Brasil e um ou dois dromedários de Portugal; a Guiné-Bissau, um narco-estado, e os micro-estados de Cabo Verde, São Tomé e Timor não contam porque não têm “grandes empresas” e Moçambique tem mais com que se ralar; talvez algum angolano apareça lá por Malabó, a ver as cotações dos diamantes no mercado-negro.

Guiné Equatorial acolhe “Cimeira de Negócios” da CPLP em Fevereiro

e-Global, 04.01.21

 

A Guiné Equatorial vai acolher em Malabo, entre 14 a 16 de Fevereiro, a primeira “Cimeira de Negócios” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Esta é a primeira vez que recebe o evento desde que aderiu à organização lusófona, em 2014.

O anúncio foi feito pela Embaixada da Guiné Equatorial em Lisboa, capital de Portugal. A cimeira é patrocinada pelo Governo equato-guineense e também pelo secretariado executivo da CPLP, estando a organização a cargo da Confederação Empresarial da CPLP.

O objectivo do evento é “impulsionar, desenvolver e fortalecer a cooperação económica e empresarial” entre os Estados-membros da organização dos países de língua portuguesa e observadores associados.

Um comunicado da Embaixada da Guiné Equatorial refere ainda que o encontro da organização lusófona deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”.

Recorde-se que, além da Guiné Equatorial, a CPLP é igualmente constituída por Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné-Bissau.

Guiné Equatorial acolhe “Cimeira de Negócios” da CPLP em Fevereiro

“Expresso das Ilhas“, LUSA, 30 Dez. 2020

 

A Guiné Equatorial vai acolher em Malabo de 14 a 16 de Fevereiro a primeira “Cimeira de Negócios” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desde que aderiu à organização em 2014, anunciou a embaixada equato-guineense em Lisboa.

A cimeira, patrocinada pelo Governo equato-guineense e pelo secretariado executivo da CPLP, e organizada pela Confederação Empresarial da CPLP, tem como objectivo “impulsionar, desenvolver e fortalecer a cooperação económica e empresarial” entre os Estados-membros da organização dos países de língua portuguesa e observadores associados.

Segundo um comunicado da embaixada equato-guineense, o encontro da CPLP deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”.

Empresas dos sectores do petróleo e gás, indústria, pesca, agricultura, transformação alimentar, meio ambiente, turismo, transportes, saúde e formação dos nove países da CPLP vão ter acesso a um menu de “oportunidades de negócio no país”, a ser apresentado pelo governo anfitrião, assim como conhecer as instituições locais de suporte ao investimento internacional, ainda segundo o texto.

A queda dos preços do petróleo, em consequência da violenta quebra de consumo mundial provocada pela pandemia de covid-19, teve um forte impacto na economia da Guiné Equatorial, que em agosto remodelou o Governo, e em Outubro substituiu o ministro das Finanças, como recurso de combate à crise, assumido pelo próprio Presidente Teodoro Obiang Nguema.

O chefe de Estado declarou na altura ter sido obrigado “a tomar medidas rigorosas para mitigar os efeitos de uma grave recessão económica e prevenir a instabilidade política e social”.

Obiang sublinhou então que “razões económicas” justificaram a dissolução do Governo anterior e que o novo executivo – ainda que fundamentalmente com o mesmo elenco – devia “procurar soluções específicas e viáveis para resolver os atuais problemas enfrentados pelos países do mundo e os problemas económicos”.

A consultora Economist Intelligence Unit (EIU) considerou no início do quarto trimestre deste ano que a Guiné Equatorial vai necessitar de mais ajuda financeira além do programa do Fundo Monetário Internacional (FMI), antevendo uma queda de 5,5% no PIB em 2021.

“Antevemos que a Guiné Equatorial vá pedir mais assistência além do seu atual pacote de financiamento, e cumprir as condições prévias de financiamento dos credores será uma das principais prioridades políticas, com o Governo a tentar encontrar maneiras de gerir o forte choque nas receitas causado pela pandemia”, escreveram os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Numa nota sobre a economia do país enviada aos clientes, os analistas da EIU estimaram que a Guiné Equatorial enfrentará uma recessão de 12,7% do PIB este ano e que em 2021 a economia volte a quebrar, ao contrário do que prevê o FMI, que antecipa um crescimento da economia equato-guineense no próximo ano.

Desde a sua independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial tem sido considerada pelos grupos de direitos humanos como um dos países mais repressivos do mundo, devido a alegações de detenção e tortura de dissidentes e de fraude eleitoral.

Obiang, que tem liderado o país desde 1979, quando derrubou o seu tio, Francisco Macias, num golpe de Estado, é o Presidente em funções há mais tempo em todo o mundo.

A Guiné Equatorial integra a CPLP desde 2014, que é ainda composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Negócios da China


Mais do mesmo.

Estas “notícias” não são notícias e não têm absolutamente nada a ver com a chamada “lusofonia”, uma artimanha brasileira para impor o seu próprio linguajar (e escrevinhar) aos indígenas de Portugal e dos PALOP. A qual artimanha — ou golpada, para ser rigoroso — não passa de um pretexto (grotesco), bem entendido, para a protecção e “difusão” dos interesses económicos do Brasil “no mundo”.

Neste caso, na China, que de facto é o lugar mais adequado para fazer negócios, como sabe perfeitamente qualquer vigarista.

Claro que da pompa e circunstância dos anúncios — a fingir que são notícias — o que inevitavelmente resultará há-de ser exclusivamente uma universidade brasileira em língua brasileira, com a conhecida cortina de fumo (AO90) para esconder negócios da China brasileiros. Apesar de Macau, do Japão e de todas as orientais paragens que portugueses descobriram e colonizaram (ou ali se estabeleceram), criando laços comerciais duradouros, cooperação frutuosa, num encontro e simbiose de civilizações, algo absolutamente único no mundo, desde sempre e para nunca mais.

Temos, portanto, uma ex-colónia que não apenas coloniza a potência colonizadora como anda agora, 500 anos depois dos Descobrimentos portugueses, a apanhar bonés  nas outras ex-colónias portuguesas e a traficar os restos da nossa História no Oriente. Restos esses que lhes renderão lucros equivalentes aos de qualquer serralho saudita, ou de mil deles, como nas “Miu e Uma Noitchis”, mas a verdade é que o dinheiro não tem mau feitio.

O que virá a seguir? Para onde seguirá a ganância brasileira mai-las suas histórias para criancinhas (o AO90)? Para o Japão? A Indonésia? A Malásia? A Índia?!

Já sabemos de Angola e dos seus diamantes, de Moçambique e as imensas riquezas por descobrir, de Cabo Verde e as suas belezas naturais, de Timor-Leste e do seu mar de petróleo. Já sabemos (porque “vemos, ouvimos e lemos”) que Portugal está em época de saldos, cheio de coisas baratinhas, e até é calmo e tudo, não há cá massacres nem facadas nem tiros nem assaltos como no Brasil — um dos países mais violentos do mundo — e traz de brinde uma porta, a de entrada na Europa; mesmo a calhar para usar “isto” como trampolim (ou tábua de chamada), contornando maçadas como o Acordo de Schengen e outras “papeladas”. Tudo a coberto de um outro papel, o “acordo ortográfico” de 1990, para o qual se recomenda um uso, errrr… digamos… portanto… mais escatológico; intestinal, por assim dizer.

Enfim. O Brasil não se chateia com nada e muito menos ainda com “minudências”. Para esses aborrecimentos têm cá os tugazitos, essa raça de canídeos mais fiel aos brasileiros do que um Serra da Estrela ao seu pastor.

É oficial: China abre a primeira faculdade dedicada à língua portuguesa

Primeira faculdade dedicada à língua portuguesa, na China — Imagem: Universidade do Porto

Pela primeira vez abriu, em território chinês continental, uma instituição académica pioneira dedicada à língua portuguesa: a Faculdade de Estudos Hispânicos e Portugueses da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim.

Aprofundar o ensino da língua e os conhecimentos sobre os países lusófonos, bem como aumentar o intercâmbio internacional são os primordiais objetivos da nova aposta universitária.

Até então, uma licenciatura em português só era possível na Universidade de Estudos Estrangeiros, sediada em Pequim, e na Universidade de Estudos Estrangeiros de Xangai. Contudo, desde 1999, as instituições de ensino superior chinesas têm apostado no incremento de licenciaturas lusófonas mais completas. Hoje em dia, mais de 1500 estudantes nacionais frequentam estes cursos. Contexto que será, ainda mais, impulsionado, devido à crescente procura por este tipo de formações.

Numa altura em que os mercados sino-lusófonos têm estreitado relações, a procura por pessoas que falem simultaneamente mandarim e português — atualmente a quarta língua mais falada no mundo —, tem crescido. Deste modo, graças à recém-novidade, serão abertas mais cadeiras de estudo, alicerçadas em sete áreas distintas: linguísticatraduçãoliteraturaciênciapolíticaeconomia e comércio.

É importante relembrar que o envolvimento económico chinês nos países lusófonos, nomeadamente em Portugal, Angola e no Brasil, tem sido fortalecido. Consequentemente, milhares de jovens têm demonstrado interesse em dominar o português — uma língua que começa a assumir-se, na contemporaneidade, como indispensável para o sucesso das transações inter-comerciais.

«Conexão “lusôfona”»]

Primeira faculdade de português na China quer aprofundar conhecimento sobre os países lusófonos

Faculdade de Estudos Hispânicos e Portugueses em Pequim vai sofrer uma reforma que reflecte a necessidade da China em formar melhores quadros para trabalhar com países de língua portuguesa.
A primeira faculdade dedicada ao português na China continental quer complementar o ensino da língua com conhecimentos “mais aprofundados” sobre os países lusófonos e “aumentar o intercâmbio internacional”, revelou hoje à agência Lusa a directora.” (fonte: Blogue do IILP)

Hiperligação para a notícia completa

Navegação de artigos

[Universidade do Porto]

[Notícia (e título) via Olga Rodrigues. Fotografia de topo de: “Expediente Sínico“. Fotografia do texto de: Barkyn.]

 

ILC no Parlamento fora do Parlamento

Lei de cidadãos contra Acordo Ortográfico começa a ser discutida um ano depois

Lisboa, 25 mai 2020 (Lusa) – Um projeto de lei de iniciativa de cidadãos, com 20.669 assinaturas, contra o Acordo Ortográfico (AO), começa esta quarta-feira a ser discutido no parlamento, mais de um ano depois de ter sido entregue. [“LUSA” 25.06.20] (em brasileiro, a escrita da LUSA)

 


PS e PSD aprovam parecer contra suspensão do Acordo Ortográfico por iniciativa de cidadãos

A comissão de Assuntos Constitucionais aprovou hoje, por maioria PS-PSD, um parecer do deputado socialista Pedro Delgado Alves que concluiu ser impossível suspender o Acordo Ortográfico através de uma iniciativa legislativa de cidadãos.
O parecer, pedido à comissão de Assuntos Constitucionais pela comissão de Cultura e Comunicação, foi aprovado com os votos favoráveis do PS e PSD, a abstenção do BE e PCP, na ausência de deputados dos restantes partidos, disseram à Lusa deputados da comissão.
O projeto de lei de iniciativa de cidadãos, com 20.669 assinaturas, pela suspensão do AO, foi entregue há mais de ano, passou de uma legislatura para a outra, e está na comissão parlamentar de Cultura, que pediu um parecer sobre a sua constitucionalidade à comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. [“SaPo”, “LUSA” 24.06.20]

 


PS e PSD aprovam parecer contra suspensão do Acordo Ortográfico

PS e PSD aprovam parecer do deputado socialista Pedro Delgado Alves que concluiu ser impossível suspender o Acordo Ortográfico através de uma iniciativa legislativa de cidadãos. [“Observador” 24.06.20]

 


Parecer conclui que lei de cidadãos não pode suspender Acordo Ortográfico

O parlamento retoma na quarta-feira o debate sobre a suspensão do Acordo Ortográfico (AO), mas o parecer do deputado Pedro Delgado Alves (PS) concluiu que isso não pode ser feito com uma lei da iniciativa de cidadãos. [“Sábado” 23.06.20]

 


Verdes querem avaliação de Acordo Ortográfico e admitem suspensão

Resolução pede ao Governo que faça “avaliação global” e que retire conclusões. [“LUSA” , “Público” 23.06.20]

 


Parecer conclui que lei de cidadãos não pode suspender Acordo Ortográfico

Projeto de lei de iniciativa de cidadãos, com 20. 669 assinaturas, não pode suspender Acordo Ortográfico, segundo a Constituição. Debate sobre a sua suspensão regressa ao parlamento na quarta-feira. [“LUSA”, Observador” 23.06.20]

 


Acordo ortográfico não pode ser suspenso por cidadãos, diz parecer

Projeto de lei de iniciativa de cidadãos foi entregue há mais de um ano e está na comissão parlamentar de Cultura. Conta com mais de 20.500 assinaturas. [“LUSA”, Rádio “Renascença” 23.06.20]

Iniciativa: Cidadãos contra o Acordo Ortográfico

Lei de cidadãos contra Acordo Ortográfico começa a ser discutida um ano depois

 

Agência Lusa/”Observador”, 25.05.20

Um projecto de lei de iniciativa de cidadãos contra o Acordo Ortográfico (AO), com 20.669 assinaturas, começa esta quarta-feira a ser discutido no parlamento, mais de um ano depois de ter sido entregue.

Na agenda de quarta-feira da comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias está prevista “apreciação e votação do parecer sobre a constitucionalidade do projecto de lei n.º 1.195″, entrado na anterior legislatura, em 10 de Abril do ano passado, mas que não caducou com a entrada em funções do parlamento eleito nas eleições de 2019.

O direito de iniciativa legislativa dos cidadãos, previsto no artigo 176.º da Constituição, foi regulamentado em lei em 2017 e permite que grupos de cidadãos eleitores possam apresentar projectos de lei e participar no procedimento legislativo a que derem origem.

Este projecto de apenas três artigos propõe que a Assembleia da República revogue a resolução, também do parlamento, que aprovou o acordo.

No artigo 1.º do texto pode ler-se que “a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 fica suspensa por prazo indeterminado, para que sejam elaborados estudos complementares que atestem a sua viabilidade económica, o seu impacto social e a sua adequação ao contexto histórico, nacional e patrimonial em que se insere”.

O segundo artigo propõe que a “ortografia constante de actos, normas, orientações ou documentos provenientes de entidades públicas, de bens culturais, bem como de manuais escolares e outros recursos didáctico-pedagógicos, com valor oficial ou legalmente sujeitos a reconhecimento, validação ou certificação, será a que vigorou até 31 de Dezembro de 2009 e que nunca foi revogada”.

O terceiro e último artigo estabelece que “este diploma revoga todas as disposições da Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 29 de Julho, que com ele sejam incompatíveis”.

A comissão representativa desta iniciativa legislativa de cidadãos é composta por Hermínia Castro, Luís de Matos, Isabel Coutinho Monteiro, Nuno Pacheco, Olga Rodrigues, Henrique Lopes Valente, Rui Valente e Maria do Carmo Vieira.

Em 2019, um grupo de trabalho parlamentar criado para avaliar o impacto da aplicação do Acordo Ortográfico terminou funções em 19 de Julho, sem ter reunido consenso para uma possível alteração a esta convenção.

O grupo de trabalho foi criado em 2017 para avaliar o impacto da aplicação do AO de 1990 e, nos dois anos seguintes, estes dois anos, foram ouvidas várias entidades e personalidades, mas manteve-se a divergência entre os deputados sobre a matéria.

Entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Acordo Ortográfico de 1990 está em vigor em Portugal, no Brasil, em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde, enquanto Timor-Leste e Guiné-Bissau apenas o ratificaram, sem implementar. Falta ainda a ratificação do acordo por parte de Angola e de Moçambique.

Twitter Lusa




O Estudo em Casa “aftado”


«Os alunos do ensino básico terão disponíveis, a partir das 9 da manhã do dia 20 de Abril, um conjunto de blocos pedagógicos transmitidos pela RTP Memória e pela RTP Play. Estes blocos servirão para complementar o trabalho dos seus professores, e respeitam as aprendizagens essenciais determinadas pelo Ministério da Educação.»

«As aulas podem ser acedidas pela televisão (através do cabo e da TDT) e online (via RTP Play), e destinam-se a minorar os prejuízos causados pelo confinamento dos alunos devido à pandemia de COVID-19. O Ministério da Educação anunciou que os blocos pedagógicos serão transmitidos de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 às 17h50, sob a designação #EstudoEmCasa.»

infecção | s. f.
in·fec·ção |èç| ou |ècç|
(latim infectio, -onis, acção de tingir)
substantivo feminino
1. Acto ou efeito de infeccionar.
2. Corrupção; contágio.
infecção oportunista
Prática que consiste em manter ou aumentar a distância física entre pessoas ou em evitar o contacto directo com pessoas ou objectos em lugares públicos, sobretudo durante o surto de doenças infecciosas, para diminuir o risco de contágio e a propagação da infecção.
Dupla grafia pelo Acordo Ortográfico de 1990: infeção ou infecção.
Palavras relacionadas reinfecção, auto-infecção, heteroinfecção, multinfecção, oportunista, superinfecção, infeccionar.
“infecção”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/infec%C3%A7%C3%A3o [consultado em 16-04-2020].

Enquanto combatemos o novo coronavírus, o velho “ortogravírus” não pára

Nuno Pacheco, publico.pt, 16.04.20

 

Sabem o que é o “impato” da pandemia? Ou a propriedade “inteletual”? Ou os “artefatos” que a PJ encontrou? Ou a “seção” do talho? Ou o “fato de não irem” sabe-se lá onde? Ou alguém ter ficado “estupefato” com alguma coisa? Se não sabem, deviam saber. São alguns dos recentes efeitos de um vírus que se instalou na escrita portuguesa (mas também na fala: esta semana, na televisão, alguém falou em “adetos” de um clube) e não há maneira de ser erradicado. Está um pouco por todo o lado, desde o oficialíssimo Diário da República aos jornais e à televisão.

E continua assim por sucessivas razões. Quando se fala nos malefícios do acordo ortográfico, há sempre qualquer urgência que adia a discussão: eleições, remodelações, temas candentes no parlamento (aborto, eutanásia, orçamento), crises, um imenso rol. Mas como a língua, falada ou escrita, é coisa de todos os dias e transversal a todas as actividades, da mais pequena etiqueta de vestuário ou bula farmacêutica até aos decretos governamentais, o caos ortográfico é desde há muito um dado adquirido nessa imensa torrente de palavras. Bem pior em Portugal do que no universo mais vasto da língua portuguesa, onde tal vírus só fracamente se propagou.

Um exemplo, actualíssimo. Quando o ministro Tiago Brandão Rodrigues anunciou, nesta quarta-feira, as maravilhas da nova telescola pela “caixinha mágica” (palavras dele) da RTP, no rodapé era anunciado um aumento do “número de infetados” (sic) com o novo coronavírus. Por cá, tudo o que se relaciona com infecções foi amputado de uma letra pelo velho vírus ortográfico (ou “ortogravírus”, como queiram) e passou a infetado, infetada, infecioso, infeção, infeções, infetou, infetar, desinfeção. Pois bem, já que o acordo ortográfico de 1990 é para o universo da língua portuguesa, supunha-se que tal grafia seria comum a todos os países. Mas não. No Brasil, como já aqui se referiu, a norma desta família de palavras não se alterou (está, aliás, igual à que Portugal praticava antes do acordo): infectado, infectada, infectados, infecção, infecções, infecciosas, infectologista, desinfecção. E numa ronda mais recente pela imprensa brasileira (no dia 12 de Abril) confirma-se tal conclusão. Folha de S. Paulo: “Ele [Jair Bolsonaro] negou ter sido infectado, mas não mostrou o resultado dos exames até agora”; Correio Braziliense: “Após 16 dias de infecção, um novo exame e o resultado negativo”; Estadão: “A missão dos governos será retomar a atividade econômica sem desencadear uma segunda onda de infecções.” Jornal do Brasil: “No Ceará, são 1.582 infectados e 67 óbitos.” Veja: “Acompanhe as últimas notícias sobre a infecção no Brasil e no mundo.” Chega?

Não, não chega. Vejamos Cabo Verde. A Semana (12/4): “infectados” e “infecção”; Expresso das Ilhas (11/4): “infectada”, “infectou”. Agora São Tomé e Príncipe. Jornal Transparência (26/3): “infecção” e “infectou”; Téla Nón (8/4): “infecção” e “infectados”; Jornal Tropical (25/3): “infecção”. Convém sublinhar que nestes jornais (dos únicos países que até agora aderiram ao AO90) continua a aplicar-se a grafia de 1945, excepto nos artigos importados de Portugal, via agência Lusa. Mas prossigamos a viagem, com Angola. O Novo Jornal (9/4) fala em “casos de infecção” e o Jornal de Angola (11/4) em “casos infectados”. Em Moçambique, idem: “Infectadas” n’O País (5/4) e “infectados” na Verdade (11/4). Tal como em Timor-Leste: “A cidadã infectada esteve em Portugal para uma acção de formação” (Tornado, 23/3). Só na Guiné-Bissau se verifica uma miscelânea. O comunicado do Ministério da Administração Territorial e Poder Local (11/4) fala em “pessoas infectadas”, mas grafa “atividade” sem C. Nos jornais O Democrata ou Rispito também podem encontrar-se “infeção” e “infetados”.

Portanto, “infetados” só mesmo em Portugal e algures em Bissau. No resto do mundo, só há “infectados”. Mas pode dizer-se que Portugal seguiu exemplos de simplificação ortográfica existentes noutros países? Veja-se como se escreve infecção noutras línguas que usam o nosso alfabeto. Mantendo o dígrafo CT da língua matriz, o latim (infectione), temos infection (inglês, francês) e infectie (holandês e romeno, este com uma cedilha no t); com o dígrafo CC, temos infección (espanhol, galego) e infecció (catalão); com o dígrafo KT, há infektion (alemão, dinamarquês, sueco), infektioun (luxemburguês), infektio (finlandês), infekto (esperanto) e infektsiya (uzbeque); com o dígrafo KC, registam-se infekcija (bósnio, croata, lituano, letão), infekcja (polaco), infekcie (eslovaco) e infekce (checo); com KS, há infeksi (indonésio), infèksi (javanês), inféksi (sudanês), infeksie (afrikaans), ynfeksje (frísio), infeksiya (azerbaijano), infeksion (albanês), infeksjon (norueguês), enfeksiyon (turco) e enfeksyon (crioulo haitiano); com KZ há infekzio (basco); e com ZZ infezzjoni (maltês, corso). Com uma só letra, o Z, há o infezione italiano. Que se lê com “e” aberto, ao contrário da infeção acordista, onde o “e” se apaga como em infecundo, infeliz ou inferior. O ministro da Educação devia acordar para isto, quando sugere um interesse por “línguas estrangeiras” nestes tempos de difusão telescolar.

[Transcrição integral . Nesta transcrição foi  mantida a cacografia e ou mantida em gravação a algaraviada brasileira do original . Destaques sublinhados e “links” meus. Imagem copiada da Internet. Tudo o que aqui escrevo é de minha exclusiva responsabilidade e tudo o que aqui reproduzo — com a finalidade de constituição de acervo documental respeitante ao “acordo ortográfico”, em especial — é da responsabilidade dos respectivos autores, que são, sempre que possível, citados com indicação das fontes/autoria. Os “links a verde são meus. JPG]

 

Pandemónio

Covid-19. Sindicato denuncia “pandemónio” no ensino de português no estrangeiro – Nacional – SAPO

O Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL) denunciou hoje que a pandemia de covid-19 está a gerar o “pandemónio” no ensino de português no estrangeiro e que os professores estão a receber “pouquíssimo apoio”.

O ensino de português no estrangeiro “está a ressentir-se devido à pandemia provocada pelo vírus covid-19, que impossibilita as aulas presenciais”, explica o SPCL, em comunicado enviado à Lusa.

“Os 277 professores que ainda exercem no espaço europeu estão a ter pouquíssimo apoio para poderem continuar as suas actividades lectivas à distância, visto que a acção das coordenações de ensino tem sido, até agora, extremamente fraca”, relata.

Os professores receberam avisos quando as escolas foram encerradas e pedidos para manterem o contacto com alunos e pais, mas “pouco mais sucedeu”, acrescenta, ressalvando que “muitos alunos e também alguns professores não dispõem dos meios para dar ou ter aulas à distância.

O SPCL recorda que 80% dos alunos do ensino de português no estrangeiro frequentam o 1.° ciclo e, portanto, “não podem utilizar esses meios sozinhos”.

Desde 2011 que o ensino de português no estrangeiro está sob tutela do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, que o SPCL critica por se ter preocupado em “verificar se os professores estariam mesmo nas suas residências, isto é, nos seus postos de trabalho”, mas só hoje ter disponibilizado “um curso de formação ‘online’ para que os professores possam aprender” a dar aulas à distância.

“Se tanto professores como alunos não dispuserem dos meios tecnológicos para tal, os progressos não serão muitos”, antecipa o SPCL.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infectou mais de 400 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 18.000.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

A pandemia de covid-19 — que já fez 33 mortes em Portugal — obrigou ao encerramento das escolas no dia 16 de Março.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de Março e até às 23:59 de 02 de Abril.

SBR // SRLusa, 24 de Março de 2020 — Covid-19. Sindicato denuncia “pandemónio” no ensino de português no estrangeiro – Nacional – SAPO

Escola Portuguesa de Díli (imagem): SAPO

Duas professoras portuguesas apresentaram queixa na polícia de Timor-Leste

Duas professoras portuguesas destacadas em Timor-Leste fizeram hoje participação na Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) de incidentes que ocorreram no final da semana a bordo de um transporte público em Baucau, segunda cidade do país.

Fontes policiais confirmaram à Lusa que as docentes foram hoje ao comando da PNTL em Díli, acompanhadas por responsáveis do projecto em que participam e por um elemento da Embaixada de Portugal, a pedido “de responsáveis da polícia timorense”. Na participação, as docentes explicam que estavam a viajar numa microlete, o transporte público mais usado em Timor-Leste, quando um jovem agarrou uma das professoras e gritou a palavra “corona”, antes de saltar da viatura e fugir. O caso não foi denunciado à polícia em Baucau.

As professoras relataram igualmente um caso em que foram lançadas pedras para o recinto de uma das casas em que os docentes viviam. Finalmente, as docentes referiram-se ainda a um incidente anterior, de 4 de Março, em que houve uma invasão do espaço da casa de um professor, situação que foi reportada nesse dia à polícia em Baucau que registou a ocorrência. Esse professor não foi hoje ao comando em Díli.

A Lusa solicitou comentários a docentes de Baucau que afirmaram não querer falar sobre os casos. Fonte do Ministério da Educação timorense disse à Lusa que está a ser preparado um relatório sobre a situação.

Na sequência desses incidentes, um grupo de dez professores ali destacados escreveu aos coordenadores do projecto e às autoridades portuguesas em Díli e Lisboa manifestando “o seu desejo de solicitar o seu repatriamento imediato de Timor-Leste”.

Nessa comunicação a que a Lusa teve acesso dez professores referem-se, entre outros incidentes, a uma “tentativa de agressão de uma professora na microlete”.

Perante estes incidentes e o “sentimento de insegurança” manifestado na comunicação, o embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira, ordenou que o grupo viajasse para Díli onde estão desde domingo.

Questionado hoje sobre a situação, o embaixador português José Pedro Machado Vieira reiterou declarações anteriores de que até ao dia de hoje a embaixada não tinha registo de nenhum caso de agressões físicas ocorrido com professores destacados em Timor-Leste no contexto do covid-19.

Sobre a decisão de ordenar a vinda do grupo de docentes para Díli, o diplomata explicou que se deveu ao facto do “sentimento de intimidação e insegurança que as professoras manifestaram”, mas sem ter sido feito “qualquer referência a violência física”.

A maior parte dos 140 professores destacados em Timor-Leste no mesmo projecto de que fazem parte os docentes destacados em Baucau pediram o repatriamento.

RTP/Lusa, 24.03.20 — PNTL , Díli

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