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Lusofobia: causa(s) e efeito(s) – 4

Os brasileirófilos

Sem comentários.

Constituição da República Portuguesa

PARTE I – Princípios fundamentais
Artigo 9.º
Tarefas fundamentais do Estado

a) Garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam; (…)
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais (…);
e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português (…);
f) Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa; (…)

PARTE III – Organização do poder político
TÍTULO II – Presidente da República
Artigo 127.º – (Posse e juramento)

(…)
3. No acto de posse o Presidente da República eleito prestará a seguinte declaração de compromisso:
Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa.

 

«Este é um primeiro episódio a tratar da massiva emigração de brasileiros para Portugal. Iniciaremos a reflexão juntamente com o apontamento do presidente Marcelo Rebelo de Sousa em seus pronunciamentos nos Consulados Gerais de Portugal no Rio de Janeiro e São Paulo. Para o presidente da República Portuguesa, “Está a haver uma invasão de Portugal por brasileiros”, e isso ocorre especialmente nos últimos 4 anos e coincide com o governo de Bolsonaro. Nunca antes na História do Brasil um presidente foi capaz de expulsar tantos cidadãos brasileiros… É mesmo uma pena… Muitos brasileiros chegam à Portugal desesperados, saídos de um Brasil de ódio, insegurança, injustiças, instabilidade política e caos social…»

[YouTube, André Carvalho LUSOaBRaço (Brasil)]

Marcelo: “Não há portugueses puros, como não há brasileiros puros”

Lusa
“Públiico”, 3 de Julho 2022

 

Na intervenção que encerrou a cerimónia de abertura da Bienal do Livro de São Paulo, Presidente da República considerou que orquestra com músicos refugiados “é um retrato daquilo que o Brasil é, que Portugal também gosta de ser, que é acolhimento de refugiados e de migrantes”.

[imagem]
[legenda] Marcelo Rebelo de Sousa discursou na abertura oficial da
26.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

O Presidente da República afirmou este sábado à noite que “não há portugueses puros, como não há brasileiros puros”, depois de ouvir uma orquestra formada por músicos imigrantes e refugiados, em São Paulo.

Marcelo Rebelo de Sousa falava na abertura oficial da 26.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em que houve uma actuação da Orquestra Mundana Refugi, com músicos vindos da Síria, da Palestina, do Congo, da Guiné, da Tunísia e de Cuba, entre outros.

Esta orquestra tocou, entre outros, os temas As caravanas, de Chico Buarque, e Canto das três raças, que ficou famoso na voz de Clara Nunes.

Na intervenção, que encerrou esta cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a Orquestra Mundana Refugi “é um retrato daquilo que o Brasil é, que Portugal também gosta de ser, que é acolhimento de refugiados e de migrantes”.

“Não há portugueses puros, como não há brasileiros puros. Somos todos cruzamento de todos. E temos honra em sermos cruzamento de todos. E isto é uma lição própria de sociedades cultas, avançadas, progressivas”, afirmou, em seguida, recebendo palmas.

No discurso, o Presidente da República declarou-se muito honrado por Portugal ser o país homenageado nesta edição da Bienal do Livro de São Paulo.

Segundo o chefe de Estado, isso quer dizer que “Portugal já não é só nem sobretudo o Portugal do passado, é o Portugal do futuro, é o Portugal da liberdade, é o Portugal da democracia, em que é possível ter um Presidente de direita com um Governo de esquerda”.

“É o Portugal da juventude, é o Portugal da nova literatura e da nova cultura”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu, no entanto, que “se a língua portuguesa é importante no mundo é porque há muitos outros países irmãos que têm mais falantes, muito mais falantes, mais leitores e maior projecção nesse mundo” do que Portugal.

E apontou o Brasil como “uma potência cultural” desde “há muito, muito, muito tempo” e “uma potência cultural imparável”.

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‘Preconceito linguístico’, racismo e xenofobia – 5

imagem de página de "Eurodicas" (Brasil)

imagem de página de “Eurodicas” (Brasil) https://www.eurodicas.com.br/universidade-do-porto/

O Que É O Enem E Como Funciona?

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova anual que tem o objetivo de avaliar a qualidade do Ensino Médio em escolas de todo o País. Ele é a principal porta de acesso a cursos em universidades públicas e privadas. Além disso, essa prova garante a estudantes de baixa renda o acesso aos programas governamentais de bolsas de estudo ou financiamento com juros reduzidos. [https://descomplica.com.br/tudo-sobre-enem/enem/o-que-e-o-enem/]

Guia completo da redação Enem 2022

Dá para entrar na UPorto pelo Enem?

Sim, a UPorto é uma das várias universidades portuguesas que aceitam Enem.
No área de candidatura internacional, a universidade informa que aceita os resultados do Enem para a seleção de estudantes brasileiros que desejam ingressar na licenciatura ou mestrado integrado. Assim como para os estudantes portugueses, cuja nota no exame nacional tem peso de acordo com ao curso pretendido. Assim, as notas podem ter peso diferente de acordo com o curso. [“Eurodicas” (Brasil)]

Custos da UPorto

A Universidade do Porto, é uma das instituições que apresenta valores diferenciados para estudantes brasileiros. Esses valores podem ser até 45% menos do que o pago pelos estudantes internacionais. Dessa forma, os estudantes brasileiros pagam mais que os nacionais, mas menos que os demais estrangeiros, pois estão ao abrigo do acordo CPLP.
Os valores se referem ao tempo integral na universidade, ou seja, cursando todos os créditos do ano. Além disso, são valores anuais, que são divididos em 10 vezes pela universidade. [“Eurodicas” (Brasil)]

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Universidade do Porto regista quatro processos relacionados com assédio sexual no último ano lectivo

A 26 de Outubro de 2020, o grupo de estudantes universitários Quarentena Académica denunciou que estavam a ocorrer actos de xenofobia e racismo por parte de alunos e professores nas Faculdades de Engenharia e Letras da U.Porto, noticiou na altura a agência Lusa.
Questionado pela agência Lusa sobre a denúncia, fonte oficial da U.Porto avançava que a instituição ponderava avançar com a “abertura de processos disciplinares”, mas avisava os estudantes, todavia, que só o poderia fazer com uma queixa formal das vítimas.
Em entrevista telefónica à Lusa na altura, Ana Isabel Silva, dirigente da Quarentena Académica referiu que o movimento havia recebido denúncias de estudantes estrangeiros, principalmente de nacionalidade brasileira, de que estavam a ser cometidos “actos de xenofobia e de racismo” por outros estudantes e também por professores, designadamente da “Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP)”. [BrasiLusa/Observador (texto corrigido automaticamente)]

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Enem assim

Em resumo, os estudantes brasileiros em Portugal gozam de todas as facilidades, algumas das quais em rigoroso exclusivo, mas nem assim consideram suficientes tão profusas e generosas prerrogativas. Querem ainda mais, pois é claro, como aliás devem considerar ser seu direito natural. Daí, portanto, os acalorados protestos em escadarias académicas e também daí, também portanto, as duas fotografias de web meme que serviram para encenar uma espécie de “luta” contra o suposto “racismo” e a pressuposta “xenofobia” a condizer.

Apesar da redundância, facilitismo mais facilitista não há, os universitários brasileiros advogam o tau-tau nos mauzões dos tugazinhos, aiaiai, que lhes fazem tanto mal, e logo a eles, coitadinhos, que tanto se sacrificam tirando seus canudos cá na “terrinha”, aonde vieram parar com imenso sacrifício apenas por altruísmo, aspergindo com algumas gotinhas do seu brilhantismo este lugar “cafona” e nada “légau”.

Ou seja, visto que o deprimente rol de pungentes lamentações puxa ao jogo de palavras, substituindo a lubricidade miserabilista pelo trocadilhismo militante, então teremos que eles trocam frequentemente a tautologia pela tau-taulogia. E vice-versa.

Tau-tau esse que se espalha, qual marabunta, pelas parangonas e respectivas peças “jornalísticas” (leia-se propagandísticas) de incertos pasquins.

Como é o notório caso do”Observador” (acima citado), que titula isto: «Universidade do Porto regista quatro processos relacionados com assédio sexual no último ano lectivo».

E desembrulha a bomboca : «fonte oficial da U.Porto avançava que a instituição ponderava avançar com a “abertura de processos disciplinares».

Por fim, ou, melhor, dizendo, era este mesmo o fim, baralha e torna a dar: «o movimento havia recebido denúncias de estudantes estrangeiros, principalmente de nacionalidade brasileira».

O jornalismo, quando a serviço da política e a mando de políticos, serve na perfeição como arma de destruição maciça da verdade. Não informa, desinforma. Não esclarece, confunde. Não relata factos, inventa-os. Não atende a outros interesses que não os de quem dá mais.

Este é mais um caso flagrante. Mistura-se “assédio sexual” — um crime previsto e punido por lei (Artigo 170.º Importunação sexual) — com “denúncias” fora de contexto e com opiniões, dúvidas espúrias ou simples atoardas sobre alegações de “actos de xenofobia e de racismo”.

Quando, afinal, da imensa zaragata provocada por duas fotografias de (in)certos alunos da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, que teriam — segundo alguns ruidosos manifestantes — expressado “racismo e xenofobia” atingindo os seus colegas brasileiros, e que os “racistas” iriam levar com “processos disciplinares” em cima, bem, olha, que surpresa, afinal não, não aconteceu nada disso, a própria “subdiretora” (assim mesmo, com o título academista grafado em brasileiro e tudo) veio comunicar que… enfim… que nhónhónhó.

Faltará pois, do ponto de vista dos “atingidos”, atingir o objectivo principal: passar, obter o diploma (europeu) de qualquer coisa e de qualquer forma. Daí as queixinhas de “racismo”, “xenofobia” e “preconceito”. Qualquer aluno da 4,ª Classe entende uma relação de causa e efeito assim tão clara, evidente, básica. Lá diz o povo, na sua imensa sabedoria: “quem não chora não mama.”
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“Silêncio escuro de lagoa morta”

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.» [Guerra Junqueiro, in ‘Pátria’ (1896)]


Para entender as três “notícias” que se seguem é necessário armar-se a gente de algum arsenal de paciência e de ao menos um módico de perspicácia. O trivial, portanto; a coisa é tão evidente que até dói, salvo seja.

Tanto as “novidades” do “Expresso das Ilhas” como (ou principalmente) a “local” do “Observador” — um dos mais activos órgãos de propaganda e contra-informação governamental — surgem do factor comum habitual, ou seja, através de despachos da Agência Brasilusa (a central oficial de intoxicação e de lavagem ao cérebro), denotando estes de novo o seu habitual esforço para disfarçar a realidade e mascarar as mentiras de Estado com o disfarce da “língua universau” e sob a capa de um “acordo” fictício. As aberrações do costume, portanto, mas estas — se lidas em sequência cronologicamente inversa — sem deixar qualquer margem a que os “distraídos” (tipos que não querem “guerras com o Brasil” e lindezas assim, como se tais guerras existissem fora das suas moleirinhas) finjam que por distracção algo se lhes escapou. Por mais que tentem, com essas mais do que evidentes declarações de intenções, os anjinhos “pacifistas” que se dizem anti-AO90 e tudo não podem desta vez escapar às reais intenções da pseudo-linguística golpada ou iludir as reais intenções (exclusivamente económicas) da diplomacia brasileira e dos colaboracionistas domésticos.

  1. Em 17 de Julho de 2021, na 13.ª Cimeira da CPLB, em Luanda, é “assinado” entre os Estados-membros (quantos deles, ao certo, não consta, mas também não interessa para nada) o Acordo de Morbilidade, garantindo que, por exemplo, um português possa emigrar para a Guiné Equatorial.
  2. Em 12 de Fevereiro de 2022, o “acordo de morbilidade” foi aprovado pelo equivalente — em todos os aspectos, incluindo negociatas de bastidores, corruptos, roubos de “colarinho branco” — que no Brasil faz as vezes do Parlamento tuga. Esta aprovação «seria suposto demorar seis meses, mas foi rápido», dizem os próprios.
  3. 7 de Março de 2022, o «Brasil conclui ratificação do acordo de mobilidade da CPLP e coloca Portugal como prioridade». Na mesma data é “anunciado” (mais propaganda, mais areia p’rós olhos) que o gigantone sambístico «passa a ser o sexto país da CPLP a concluir o processo de adesão ao Acordo» de morbilidade.

Ou seja, em conclusão, a incrível pressa com que homens de negócios brasileiros e portugueses esgalharam este outro “acordo” — apenas oito meses desde a redacção até à assinatura, coisa que é certamente record mundial — demonstra claramente aquilo que por diversas vezes aqui foi bem mais do que exposto, denunciado e esclarecido: a ganância desenfreada é aquilo que exclusivamente move políticos e empresários e foi apenas com essa finalidade objectiva (o petróleo e os diamantes de Angola, o gás natural de Moçambique, Portugal como porta dos fundos para excedentários) que o AO90 foi literalmente inventado, tentando dessa forma conferir algum lustro “académico” e “cultural” à Comunidade dos Países de Língua Oficial Brasileira (CPLB).

A pressa extraordinária em fazer sair esta espécie de lei é só por si extremamente reveladora e ainda mais tresanda a vigarice caso atendamos ao facto de, sem qualquer espécie de transição, nos textos dos despachos dos propagandistas de serviço, passar-se das expressões ocas do costume sobre “Línguas, Cultura, Ciência e Inovação, Educação, Ciência e Cultura, Língua Portuguesa” para o verdadeiro busílis da questão: “Comércio Exterior, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, ministros da Economia, Finanças e Comércio“. Ou seja, os textos passam de repente do paleio rotineiro sobre a língua brasileira para aquilo que realmente interessa aos vendilhões de pátrias — o dinheiro. Não o dinheiro em migalhinhas, que isso ficará para as comissões dos vendidos portugueses, mas o dinheiro à séria, largas centenas ou milhares de milhões em que se banharão os Tios Patinhas da “metrópole” brasileira.

Desta vez, para esta expedita aldrabice, não serviu de nada a regra de três Estados subscritores valerem por todos os oito (agora nove) que os acordistas e brasileiristas inventaram para aprovar o AO90 à força. Mais uma vez se demonstra que aquilo foi um expediente ad-hoc: serviu exclusivamente naquela data fatídica e, arrancado a ferros o efeito pretendido (a imposição da cacografia brasileira a toda a CPLB), nunca mais a “regra” voltou a ser utilizada.

É portanto natural que o tal Zacarias, o actual capataz do Brasil na CPLB, tenha proferido uma “curiosa”, lapidar “sentença”, sublinhando «a rapidez com que o acordo de mobilidade foi ratificado pelo Brasil: “Em tempo recorde”».

Brasil é o sexto país a ratificar Acordo de Mobilidade da CPLP

 

“Expresso das Ilhas” (Cabo Verde), 7 de Março de 2022

 

“O Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, Carlos Alberto França, vai visitar a sede da CPLP (…) para efectuar o depósito do instrumento de ratificação pela República Federativa do Brasil do Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-Membros da CPLP”, assinado a 17 de Julho de 2021, na cimeira de Chefes de Estado e de Governo, em Luanda, referiu um comunicado da organização.

Assim, o Brasil passa a ser o sexto país da CPLP a concluir o processo de adesão ao Acordo de Mobilidade, que já foi ratificado e completado também por Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Esta iniciativa será também um dos pontos altos da agenda do primeiro dia da visita oficial a Portugal do chefe da diplomacia brasileira.

Na sede da CPLP, hoje, o ministro das Relações Exteriores do Brasil “vai ser recebido pelo secretário-executivo, Zacarias da Costa, numa cerimónia que contará também com a presença dos representantes permanentes dos Estados-membros junto da CPLP”, adianta ainda a nota daquela organização emitida sexta-feira.

Carlos Alberto França sublinhou na mesma ocasião que Brasília queria reforçar o seu papel na CPLP e pagar as contribuições em atraso num horizonte de dois anos.

[“Links”, sublinhados e destaques a verde meus.]

Brasil conclui ratificação do acordo de mobilidade da CPLP e coloca Portugal como prioridade

Agência Lusa
“Observador”, 7 de Março 2022

 

O Brasil tornou-se esta segunda-feira o sexto membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) a aderir ao acordo de mobilidade, após depositar o instrumento de ratificação na sede da organização, e colocou Portugal como prioridade para parcerias.
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Timor Loro Sae, Timor Sol Nascente

Nota prévia
Após uma relativamente longa suspensão, em sinal de respeito para com as vítimas da tragédia que estalou na Ucrânia, mas atendendo a que apesar de tudo continua sem qualquer alteração em Portugal o processo de genocídio cultural em curso, decidi retomar a publicação de conteúdos neste “blog”, na expectativa e com a esperança de que esteja para breve a reconquista da independência, da auto-determinação e, numa palavra, da paz naquele país.


«Como foi possível?»
«Algumas pessoas nos perguntam e muitas outras se interrogam: como foi possível que a entrada em vigor do “acordo ortográfico” de 1990 tenha sido aprovada pelo Parlamento?»
Lusa
Na votação de hoje na Assembleia da República, estava em causa apenas a adesão de Timor-Leste ao Acordo Ortográfico e a possibilidade deste poder entrar em vigor após três ratificações, como estabelece o segundo protocolo modificativo. [“Despacho” da agência Lusa, 16 de Maio de 2008. Este “despacho” foi reproduzido na altura pela generalidade da imprensa portuguesa.]

Eu próprio, tal como muitos senhoras e senhores Deputados, assisti a um lancinante apelo de um português que está em Timor e que pedia que se ratificasse este Acordo Ortográfico para que possa ser uma realidade o ensino do Português em Timor-Leste, com professores portugueses mas também brasileiros, ou angolanos, ou moçambicanos. [Excerto de intervenção em plenário de Pedro Mota Soares (deputado), durante a discussão da RAR 35/2008, em 16 de Maio de 2008.]

O que está aqui hoje em discussão — no fundo, o conteúdo deste Segundo Protocolo Modificativo — é a entrada em vigor desse mesmo Acordo Ortográfico, a sua abertura à República Democrática de Timor-Leste e o prazo limite de seis anos para adaptação dos manuais. Isto, depois de um Primeiro Protocolo Modificativo que alterara o texto inicial, quando este previa, como prazo para ratificação por todas as partes signatárias, a entrada em vigor do próprio Acordo Ortográfico no ano de 1994. [Excerto de intervenção em plenário de Rui Gomes da Silva (deputado), durante a discussão da RAR 35/2008, em 16 de Maio de 2008.]

Fica a pergunta: quantos dos 204 deputados terão votado favoravelmente a RAR 35/2008 julgando estar a aprovar não a entrada em vigor do AO90 mas apenas a admissão de Timor-Leste como Estado subscritor? [“Post” da ILCAO em 25.09.12.]

Uso de português em debate de candidatos presidenciais timorenses causa polémica

www.dn.pt, 22.02.22

 

A decisão da Comissão Nacional de Eleições (CNE) timorense de incluir algumas perguntas em língua portuguesa no debate dos candidatos presidenciais às eleições de 19 de Março está a causar polémica em Timor-Leste.

Dez candidatos ouvidos pela Lusa (há 16 concorrentes) concordam com a decisão, recordando que o português é, a par do tétum, uma das línguas oficiais do país e que o Presidente deve dominar as duas línguas.

A maior oposição à ideia tem sido vincada por dirigentes do KmanekHaburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), partido que apoia a candidatura da atual vice-primeira-ministra, Berta dos Santos, que evidencia algumas dificuldades a falar português.

“Não há regras, procedimentos legais que exijam que o candidato tem que falar português”, afirmou à Lusa AntonioTilman, dirigente e deputado do KHUNTO.

“O debate é um meio de os candidatos darem a conhecer as suas políticas à população em geral, que não compreende bem português”, afirmou.

Questionado sobre se a postura do partido tem a ver com o facto de a sua candidata ter dificuldades em português), Tilman insiste que o debate não é sobre a “capacidade de falar ou não” português.

Contra a decisão manifestou-se igualmente o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri.

“Sou defensor da língua portuguesa. Mas neste caso a mensagem deve ser entendida pelos eleitores. 90% dos eleitores não vão absorver nada das mensagens”, disse à Lusa.

Além da oposição pública da candidatura de Berta dos Santos, para já nenhum outro candidato criticou publicamente a decisão, anunciada pelo presidente da CNE, José Belo.

José Ramos-Horta, candidato presidencial, disse à Lusa que concorda totalmente com o uso das duas línguas oficiais durante o debate.

“Como é possível imaginar-se um chefe de Estado timorense que não domine as duas línguas oficiais de Timor-Leste, sendo Timor-Leste membro da CPLP?” (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), disse Ramos-Horta, que ocupou a presidência entre 2007 e 2012.

Outro candidato, Constâncio Pinto, disse à Lusa concordar “perfeitamente com o uso da língua portuguesa no debate da CNE porque a língua portuguesa é uma das línguas oficiais de Timor-Leste”.

“Porque é que temos medo no uso da capacidade de falar em português?”, questionou Martinho Gusmão, padre e candidato presidencial.

LereAnanTimur, general e candidato à presidência, recorda que foi decisão dos timorenses na sua constituição “optar pelo português com o tétum como línguas oficiais” e que por isso o Presidente do país deve defender as duas línguas.

Opinião idêntica tem a candidata Milena Pires, que disse à Lusa que “sendo o tétum e o português línguas oficiais de Timor-Leste, consagradas na Constituição da República, é natural que ambas sejam usadas no debate presidencial promovido pela CNE”.

Opinião idêntica têm Isabel Ferreira, Milena Pires e Virgilio Guterres, candidatos que disseram à Lusa que as línguas estão constitucionalmente consagradas e que por isso devem ser usadas no debate.

Ainda assim, Virgilio Guterres reconheceu que “uma percentagem significativa dos eleitores ainda não domina a língua portuguesa”.

O candidato Mariano Assanami Sabino vinca mesmo que “o Presidente tem papel guardião da constituição e é necessário também usar o português”.

Outro candidato, Felizberto Duarte lembrou que as leis “a serem promulgadas pelo presidente são escritas em português. Domínio de português dos candidatos para o cargo de presidente é um requisito essencial de competência”, disse à Lusa.

A utilização da língua portuguesa no debate já devia ter acontecido em eleições anteriores, defendeu o candidato Anacleto Ferreira. “Só espero não esteja a ser usada esta obrigação como uma arma política”, disse à Lusa.

O debate da CNE está marcado para 08 de Março e a primeira volta das eleições ocorre a 19 de Março.

[Corrigi a cacografia brasileira do original. Destaques e “links” a verde meus. Imagem minha (distribuição de manuais de Língua Portuguesa pelas escolas das montanhas de Timor).]

Cabo Verde tem a sua própria língua nacional, o Crioulo, e utiliza o Português-padrão como segunda língua. Do mesmo modo, em Timor-Leste a língua nacional é o Tétum, sendo a Língua Portuguesa canónica utilizada unicamente em meios oficiais e académicos para efeitos governamentais ou diplomáticos.

Em Timor, aliás à semelhança do que sucedeu e continua a suceder em todas as demais ex-colónias portuguesas, o Português de lei funciona como língua franca, ou seja, como sistema de comunicação comum entre grupos de indivíduos de língua materna e de uso diferentes.
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O apagador, os apagados, o apagamento

De facto, como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c?

Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua;

d) A divergência de grafias existente neste domínio entre a norma lusitana, que teimosamente conserva consoantes que não se articulam em todo o domínio geográfico da língua portuguesa, e a norma brasileira, que há muito suprimiu tais consoantes, é incompreensível para os lusitanistas estrangeiros, nomeadamente para professores e estudantes de português, já que lhes cria dificuldades suplementares, nomeadamente na consulta dos dicionários, uma vez que as palavras em causa vêm em lugares diferentes da ordem alfabética, conforme apresentam ou não a consoante muda;

e) Uma outra razão, esta de natureza psicológica, embora nem por isso menos importante, consiste na convicção de que não haverá unificação ortográfica da língua portuguesa se tal disparidade não for resolvida;

f) Tal disparidade ortográfica só se pode resolver suprimindo da escrita as consoantes não articuladas, por uma questão de coerência, já que a pronúncia as ignora, e não tentando impor a sua grafia àqueles que há muito as não escrevem, justamente por elas não se pronunciarem. [Nota “explicativa” do AO90]

Ensino de Português a alunos estrangeiros com novas regras

www.publico.pt, 16.02.22

BrasiLusa

O ensino de Português a alunos estrangeiros tem novas regras, como a possibilidade de os estudantes terem uma frequência parcial do currículo ficando com mais tempo para um período inicial de aprendizagem da língua, anunciou o Governo.

As novas medidas constam de um despacho, publicado nesta quarta-feira em Diário da República, que regulamenta as condições de ensino do Português Língua Não Materna, específico para os estudantes estrangeiros que frequentam a rede de escolas nacional.

Até agora, os alunos estrangeiros apenas substituíam a disciplina de Português por Português Língua Não Materna, “frequentando as restantes disciplinas do currículo como se fossem capazes de aceder a todos os conteúdos”, sublinha o gabinete de imprensa do Ministério da Educação (ME).

Portugal é cada vez mais um país de acolhimento de imigrantes, lembrou em declarações à Lusa, o secretário de estado Adjunto e da Educação, João Costa. “Hoje é normal que haja mais de 30 línguas maternas numa mesma escola. Os alunos chegam com perfis sociolinguísticos muito diferenciados, bilingues, falantes de línguas de famílias muito distantes das indo-europeias, sem língua de comunicação”, afirmou João Costa.

O despacho agora publicado “possibilita que as escolas adaptem o ensino da língua portuguesa à realidade de cada aluno, por exemplo com períodos de imersão mais intensos, permitindo que tenham reforço de língua antes de frequentarem as outras disciplinas do currículo”, especificou o secretário de Estado, sublinhando que “a escola inclusiva recebe todos os alunos, todas as línguas e adapta-se às necessidades de cada um, sem padronizar”.

Agora, passa a ser mais valorizada “a diferença, o património cultural e linguístico de cada um e a integração das famílias”.

Além da frequência parcial do currículo, garantindo mais tempo para um período inicial de aprendizagem do português, o despacho prevê ainda que os alunos possam frequentar “actividades a desenvolver durante o período horário de dispensa das disciplinas previstas na matriz curricular do respectivo ano de escolaridade”, explica o gabinete de imprensa do ME.

Estas actividades devem promover o contacto com falantes nativos de português do mesmo grupo etário, assim como o conhecimento da realidade e história da região e o contacto com instituições da comunidade local.

Durante esses períodos, deve ainda apostar-se no desenvolvimento do conhecimento da língua e cultura portuguesas assim como na promoção de ligações entre aspectos culturais de Portugal e do país de origem.

O reconhecimento e a valorização da diversidade como oportunidade e como fonte de aprendizagem para todos, no respeito pela multiculturalidade da comunidade escolar” é outra das vantagens que devem ser aproveitadas pelas escolas.

O ME recorda que a elaboração desta alteração decorre do plano de recuperação das aprendizagens 21|23 Escola+, que previa medidas específicas para os alunos estrangeiros que se viram privados do contexto de imersão linguística durante o período de encerramento das escolas.

[Transcrição integral (incluindo “links”. Destaques e sublinhados meus.]

Seria possível expor todo o conteúdo deste artigo do “Público” simplesmente sequenciando as afirmações nele destacadas.

Não deixa de ser algo irónico, para dizer o mínimo, que o mesmo Ministério da “Educação” que promove e fomenta a aniquilação da Língua Portuguesa através da obrigatoriedade compulsiva da utilização da língua brasileira no Ensino venha agora propalar o direito à diferença e a defesa do património cultural e linguístico de cada um.

É extraordinário, de facto, que aos ministeriais (e certamente geniais) manda-chuva tenha ocorrido tão copiosa enxurrada de lugares-comuns, os quais, além de evidentes e comummente aceites, gozam em Portugal de um estranhíssimo estatuto de exclusividade: apenas são aplicáveis nas aulas leccionadas em língua brasileira, a Novilíngua que os donos disto tudo mandaram o povinho “adotar”. Bizarro naipe de paradoxos…

Devem ter descoberto agora, os tipos da alfacinha 5 de Outubro (e adjacências), que o ensino deve adaptar-se «sem padronizar» às necessidades (condicionantes, presume-se) de cada aluno. “Sem padronizar”… desde que seja tudo impingido em brasileiro aos rebanhos de ovelhinhas que enchem as salas de aula.
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Acordo de Morbilidade

Consummatum est.

O plano de anexação “subtil”, após um longo processo que se arrastou durante 35 anos, está completo: Portugal e PALOP são agora, por via da transformação da língua brasileira em “português universal” e sob o pretexto de uma falácia baptizada como “CPLP”, simples entrepostos comerciais, feitorias, estâncias de férias, colónias sob o domínio do gigante brasileiro. O Acordo de Morbilidade é a oficialização do combinado entre os cabecilhas.

Para muito pouco ou nada serviu a oposição “amiga” e “conciliadora” (a única, aliás, à qual os mesmos que ditaram as regras de civilizadíssima subserviência desde sempre entronizaram como sendo “oposição”, segregando qualquer outra forma e “castigando” a mais leve rebeldia), pelo que estão a partir deste momento abertas de par em par todas as portas para que o neo-imperialismo brasileiro se instale a seu bel-prazer em todas as ex-colónias portuguesas — explorando os respectivos recursos, empochando os lucros e atirando com os custos (políticos e outros) para cima da “prefeitura” portuguesa — e para que utilize a ex-metrópole europeia, a ex-potência colonizadora agora reduzida à absoluta insignificância, como sede administrativa dos seus negócios em África e como “porta dos fundos” para escoar “excedentários”.

Mantendo-se religiosamente na mesma linha de industrialização da mentira e de geral lavagem ao cérebro através de propaganda paga, tudo o que foi planeado foi de facto executado, com algumas inflexões e até uma ou outra torção mas, há que reconhecê-lo, visto terem sido profissionais da mistificação os autores e serem agentes altamente treinados os executores, no essencial não existiu qualquer desvio quanto aos objectivos e quaisquer cambalhotas por cima da própria cabeça foram executadas por palhaços, malabaristas, ilusionistas e outros artistas circenses contratados para o efeito.

A notícia do fim do plano, sub-reptícia e nada casualmente foi difundida quando o parlamento português se encontra dissolvido (não que aquilo sirva para alguma coisa, bem entendido, mas no plano político meramente protocolar deveriam ter sido ao menos cumpridas certas “formalidades”), num momento em que decorre já uma espécie de campanha eleitoral para as próximas legislativas e, ainda para mais, quando o país está de novo a braços com a peste moderna. Exceptuando o despacho da agência Brasilusa publicado no jornal online “Eco” (ver transcrição em baixo), nem mais um único órgão de comunicação social português mencionou o assunto; silêncio absoluto, portanto, como convém aos corruptos e aos seus apaniguados, lacaios e “colaboradores”.

Só não vê, mesmo para além da cortina de falácias, quem não quer ver: este é o golpe final (bem, ainda falta oficializar o saque homérico a Angola, questão de tempo mas pouco) na geral golpada que foi desde 1986 impingida à opinião pública portuguesa a fábula da “língua universal” estribada numa pretensa “lusofonia” cuja sede — na Rua de São Mamede (ao Caldas) — servirá doravante como residência do governador nomeado por Brasília. Talvez seja permitido ao novel 27.º Estado manter em Lisboa um Consulado da comunidade portuguesa emigrada no seu próprio país, para tratar de uns casamentos e baptizados, ou assim, mas aquele palacete será doravante (já o é, na verdade) um simples centro empresarial brasileiro, um pouco à semelhança da Avenida Paulista e arredores.

Na prática, o agora assinado (por três em nome de todos) Acordo de MoRbilidade é um acto político de duplo efeito: em concomitância com o estabelecimento oficial de uma ponte facilitadora para a exploração de riquezas naturais das ex-colónias portuguesas em África (aquilo a que chamam CPLP), a celebração de tão leonino contrato representa a abolição unilateral do Acordo de Schengen, passando a região portuguesa a servir como “porta dos fundos” para a Europa, ou seja, para os sistemas europeus de segurança social, serviços de saúde e de segurança pública, entre outras benesses muito lacunares ou mesmo de todo desconhecidas na América do Sul em geral e no Brasil em particular.

Em suma, o tal despacho da Brasilusa e do “Eco” não é apenas uma notícia, é literalmente um tratado. Como auxiliares de leitura, digamos assim, será de atender a alguns tópicos — não arrolando exaustivamente os respectivos pressupostos — e através deles avaliar o peso, as dimensões, o tamanho, o imenso volume da fraude.

1. Já existiam, alguns desde 1975, outros posteriores mas já antigos e ainda mais uns quantos firmados ao longo da última década, diversos e variados acordos parcelares entre o Estado Português e os PALOP (uma organização informal mas funcional que a CPLB extinguiu), nomeadamente nas áreas educativa (estudos universitários, por exemplo) e médica (assistência, intervenções cirúrgicas etc.). Evidentemente, os acordos bilaterais entre Portugal e Brasil são também inúmeros e previam de igual forma diversos tipos de isenções na circulação de pessoas e bens.

2. Os termos de isenção e os requisitos quanto a vistos no espaço Schengen estão oficialmente definidos , valendo e sendo comuns, para todos os efeitos, entre os Estados europeus signatários daquele verdadeiro Tratado internacional de que Portugal faz parte. Fundamentalmente, o Acordo europeu de livre circulação de cidadãos em trânsito (aéreo, marítimo ou terrestre), o “Espaço Schengen”, compreende 26 países: Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Suíça.

3. A esmagadora maioria dos Estados subscritores do Acordo de Schengen são em simultâneo países-membros da União Europeia e, portanto, nos termos do seu Tratado constitutivo, os cidadãos de um país podem viver e trabalhar (ou fazer rigorosamente o que lhes apetecer) em qualquer dos outros. Pelo menos teoricamente, tendo em vista os correspondentes mecanismos de nivelamento económico, tanto a livre circulação como os direitos de residência (mais as respectivas benesses e prerrogativas de protecção social) não estão sujeitos a qualquer tipo de contingentação, ou seja, não existem limites para, por exemplo, os fluxos migratórios dentro da União Europeia.

Ora, sucede que a notícia-a-que-ninguém-ligou-nenhuma refere expressa e textualmente que «o acordo define que a mobilidade CPLP abrange os titulares de passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço e os passaportes ordinários.» Ou seja, o “Acordo de Morbilidade” vale PARA TODOS!

Pois claro. Voltamos à expressão idiomática do costume: “já nem disfarçam”. Andaram durante décadas a enrolar, a inventar delirantemente, numa espiral de insanidade que agora implode em cacos de loucura sanguinária; como chegaram ao fim da empreitada caiu de todo qualquer necessidade de continuar a festiva mascarada a que foram habituando — pelo cansaço — milhões de distraídos, milhares de irresponsáveis e dezenas de doidos furiosos.

Desde quando os diplomatas, os passaportes diplomáticos ou até a bagagem (e a chamada “mala diplomática”) necessitam de “visto” prévio? Pois bem, mesmo sendo o estatuto diplomático um pormenor do conhecimento geral, “de algibeira”, e estando a carreira diplomática perfeitamente definida, ainda assim os mentirosos profissionais não se coíbem de escarrapachar onde calha, sem o mínimo pudor ou um módico de vergonha na cara, as mais aberrantes enormidades. Na frase da “notícia”, aliás reiteradamente, a ideia foi encher de palavreado a construção frásica para tentar ocultar a crueza da verdade: a partir de 1 de Janeiro de 2022 um contingente de, num máximo potencial teórico, 210 milhões de cidadãos sul-americanos, podem tornar-se automaticamente cidadãos portugueses. Logo, ainda em teoria algébrica, a União Europeia passará quase instantaneamente dos actuais 447 para 657 milhões de cidadãos europeus.

Deve ser isto o tal “saldo natural” de que tanto se fala a propósito da decrepitude entre Lisboa e Tallin e das medidas necessárias para reverter o saldo negativo entre nascimentos e óbitos no “velho continente”. A Europa deve estar por conseguinte toda contente com esta “solução”, o milagroso e rapidíssimo plano enjorcado num qualquer fim-de-semana em Búzios por iniciativa de uns quantos foliões.

Apenas alguns passaportes ficam isentos de vistos a partir de Janeiro na CPLP

“Eco” online/Lusa, 10 Dezembro 2021

 

Só os passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço ficam isentos de vistos a partir de Janeiro de 2022. Acordo abrange por enquanto 3 países: Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

 

Os passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço passam a estar isentos de vistos a partir de 1 de Janeiro de 2022 para Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que ratificaram o acordo de mobilidade da CPLP.

Segundo um comunicado divulgado esta sexta-feira pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), apenas uma das modalidades de mobilidade previstas no acordo – “a isenção de vistos a favor dos titulares de passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço – decorre imediatamente da entrada em vigor do acordo”, no início do próximo ano.

O acordo de mobilidade, adianta a organização lusófona, entrará em vigor em 1 de Janeiro apenas para Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que já entregaram ao secretariado-executivo da organização os respectivos instrumentos de ratificação – como Portugal fez na quinta-feira, pelas mãos do primeiro-ministro, António Costa.

Ou seja, da entrada em vigor do acordo “não decorre a imediata aplicação de regime de isenção de vistos na CPLP, nem mesmo” para estes três países. “O acordo estabelece a base legal sobre a qual se construirá uma maior mobilidade e circulação no espaço da CPLP”, e que identifica, de forma “não exaustiva, as diferentes modalidades de mobilidade”.
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