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Operação Bilu Bilu Teteia


A pouco e pouco, no rasto das aldrabices propaladas e das vigarices cometidas por dois (ou três) Presidentes brasileiros, começam a descobrir-se alguns podres daquilo a que se convencionou chamar CPLP, uma organização internacional altamente suspeita, a qual, apoiando-se na mais colossal mentira de Estado(s) da História, o AO90, não prossegue quaisquer outros fins além do fulgurantemente obsceno enriquecimento de alguns sobas sanguinários e de outros tantos caciques sem escrúpulos, mai-los restos que tocarão a seus paus-mandados, testas-de-ferro, homens (e mulheres)-de-mão.

Por enquanto ainda estamos numa fase incipiente das investigações, visto apenas haver comprovações de algumas negociatas menores entre um ditador e um presidiário, mas deverá ser, por conseguinte, mera questão de tempo até que seja revelada em toda a sua horrorosa extensão o imenso lodaçal em que chafurdam “lusofónicos” em geral e acordistas em particular, com seus lacaios (em sentido restrito) e mercenários (em sentido lato) fazedores de opinião.

 

Lula da Silva acusado de branqueamento de capitais por negócio na Guiné Equatorial

O antigo Presidente brasileiro, preso por corrupção, foi acusado de branqueamento de capitais, por intermediar negociações entre o Governo de Guiné Equatorial e o grupo brasileiro ARG, que terá pago um milhão de reais (230 mil euros).

“DN”/Lusa, 14 Dezembro 2018

 

A acusação foi feita por membros da operação Lava Jato que trabalham no Ministério Público de São Paulo. O pagamento do alegado suborno terá sido dissimulado em doações do grupo empresarial ARG ao Instituto Lula.

Os procuradores afirmam que o maior accionista do grupo ARG, Rodolfo Giannetti Geo, teria pedido em 2011 a Lula da Silva que influenciasse o Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, para que aquele país mantivesse os contratos firmados com a empresa para obras rodoviárias.

Em troca, o empresário teria oferecido “doações robustas” ao Instituto Lula.

A denúncia apresentou ‘e-mails’ encontrados em computadores no Instituto Lula, apreendidos em Março de 2016 na Operação Aletheia, 24.ª fase da Operação Lava Jato de Curitiba.

Entre as provas apresentadas pelos investigadores para atestar a prática de obtenção de vantagem ilícita estão recibos de pagamento das supostas doações e menções a uma carta do Presidente da Guiné Equatorial em que o governante africano teria pedido a intervenção de Lula da Silva junto da então Presidente Dilma Rousseff no quadro da entrada de seu país na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Há também a inclusão de uma carta do ex-presidente brasileiro para Teodoro Obiang na qual Lula da Silva dizia estar optimista com a inclusão da Guiné Equatorial na CPLP, na qual recomenda os serviços da ARG, escrevendo que a empresa “desde 2007 se familiarizou com a Guiné Equatorial, destacando-se na construção de estradas”.

O advogado de Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, afirmou numa nota emitida no mês de Novembro sobre este caso que a denúncia era “mais um duro golpe no Estado de Direito, porque subverte a lei e os factos para fabricar uma acusação e dar continuidade a uma perseguição política [contra Lula da Silva] sem precedentes pela via judicial”.

[Transcrição integral de “despacho” da agência brasiLusa publicado pelo “Diário de Notícias” online em 14.12.18. Destaques do original, “links” meus.]

Tá légau

Brasileiros votaram na Faculdade de Direito, em Lisboa, para a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil © MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Sobrecarga de serviços deixa milhares de brasileiros à espera de cidadania portuguesa

Giuliana Miranda, Folha de São Paulo

Reportagem da Folha de São Paulo fala com António Costa, que admite falhas no sistema consular português. O primeiro ministro português garante que as relações com o Brasil “são estáveis”.

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, reconheceu as falhas no sistema consular de seu país e prometeu reforços financeiros e tecnológicos para acelerar os milhares de processos de visto e de nacionalidade que se acumulam, sobretudo nas repartições brasileiras.

Segundo informações do Ministério da Justiça luso, existem atualmente mais de 40 mil pedidos de cidadania portuguesa pendentes, sendo a maioria oriundos de cidadãos brasileiros.

Em outubro, o consulado de Portugal em São Paulo -recordista mundial na concessão de cidadanias portuguesas- chegou a interromper novos agendamentos devido à grande quantidade de solicitações. Os serviços foram retomados em novembro.

“A nova lei de nacionalidade [que entrou em vigor em 2016 e estendeu a nacionalidade de origem para netos de portugueses] aumentou muito o número de pedidos. Estamos a adotar medidas para reforçar os serviços do Ministério da Justiça, para tentar recuperar as pendências que temos na atribuição de nacionalidade”, explicou.

Segundo o primeiro-ministro, mais do que reforços financeiros, o objetivo do governo português é modernizar os sistemas de pedidos e análise de documentos, para garantir mais agilidade nas respostas.

“Vamos alterar os procedimentos de formas a que eles sejam mais rápidos e eficientes”, disse à Folha.

Desde 2014, quando passou a aceitar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como forma de ingresso nas universidades portuguesas, o país tem apostado na atração dos alunos brasileiros. Nos últimos dois anos houve um aumento expressivo na quantidade de pedidos.

Entre janeiro e setembro de 2018, os pedidos de visto no consulado paulista aumentaram 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, que já havia sido de procura recorde. Foram quase 6 mil pedidos de visto, sendo 61% de estudo.

O aumento na demanda em todo o país superlotou os serviços consulados e gerou atrasos constantes, fazendo com que muitos estudantes não conseguissem a documentação a tempo do início do período letivo.

“Quanto aos vistos, respeitando aquilo que é a legislação comum na União Europeia, que temos de respeitar, temos procurado agilizar todo o procedimento da concessão, de forma a facilitar e a diminuir a pressão sobre a rede consular”, afirmou.

Apesar de reconhecer as falhas e prometer melhoras, António Costa também justificou os problemas com o enxugamento da estrutura consular causada pela crise.

“Nestes últimos anos, nós fomos obrigados a fazer uma grande reestruturação na nossa rede consular, que foi bastante comprimida. Mas o que estamos a fazer é apostar muito nos serviços online, como forma de acelerar a concessão de vistos”, completou.

“As nossas relações com o Brasil são estáveis”

Líder do Partido Socialista português e à frente de uma inédita coligação de esquerda, apelidada pelos críticos de geringonça devido à sua aparente fragilidade, António Costa acaba de aprovar o último Orçamento de Estado de sua legislatura.

Portugal vai novamente às urnas no ano que vem e, segundo pesquisas eleitorais, o Partido Socialista português tem chances de conseguir maioria absoluta no Parlamento.

O bom momento da esquerda portuguesa contrasta com a crise em outros países europeus e no Brasil. O primeiro-ministro, no entanto, esquivou-se de comentar sobre a situação brasileira e o perfil do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

“Portugal tem relações com todos os países na base de Estados, e não de quem circunstancialmente os governa”, afirmou.

“Vamos ver quais serão as prioridades do novo governo brasileiro, mas as nossas relações com o Brasil são estáveis. Nós somos um país da União Europeia, mas que dá uma prioridade muito clara ao Sul, sensivelmente aos países de língua portuguesa e ao espaço ibero-americano. Somos um país defensor da resolução pacífica dos conflitos, do tribunal de direitos internacional, do comércio livre, da responsabilidade com os refugiados e defensor da livre circulação”, completou.

Texto publicado na Folha de São Paulo.
Source: Sobrecarga de serviços deixa milhares de brasileiros à espera de cidadania portuguesa, “DN”, 04.12.18.

[Evidentemente, sendo a autora brasileira, foi conservada a sintaxe (brasileira) e o léxico (brasileiro) e não foi corrigida automaticamente a ortografia (brasileira) do texto. Os destaques são os do original, Adicionei “links”.]

Short-term visas at external borders: To facilitate short-term tourism, Member States will be allowed to issue single-entry visas directly at external land and sea borders under temporary, seasonal schemes subject to strict conditions. Such visas will be valid for a stay of a maximum of 7 days in the issuing Member State only. [eTN]

Há dinheiro, há palhaços

Orçamento do Instituto Camões não diminui e poderá ir até 70 ME em 2019

Lisboa, 30 Nov (Lusa) – O orçamento de 2019 do Camões não deverá baixar face a 2018, ficando entre 60 e 70 milhões de euros, e é suficiente para cumprir os objectivos da entidade, agregando orçamento de instituições europeias, disse hoje o seu presidente.

Em entrevista à Lusa, a propósito do seu primeiro mandato como presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Luís Faro Ramos afirmou que, no próximo ano, o Orçamento do Estado deve prever “um valor entre 60 a 70 milhões de euros”, mas o responsável ressalvou que ainda se desconhecem quais serão as cativações.

No ano passado, o orçamento do Camões “foi de 60 milhões de euros, mas desse valor, 20 milhões são para pagar à rede de professores de ensino do português no estrangeiro”, destaca.

O facto de não estar prevista uma diminuição do orçamento no próximo ano já é, para Faro Ramos, “muito bom”.

Além disso, explica, o Camões está a tentar agregar ao orçamento financiado pelo Orçamento Geral do Estado “orçamento que vem de instituições europeias”.

“Existe uma modalidade de cooperação para o desenvolvimento, que é a cooperação delegada, que o Camões, que é uma entidade certificada para executar projectos em nome da União Europeia irá aproveitar”, explicou.

“Isto também nos ajuda a reforçar a área da cooperação”, afirmou o diplomata.

Por isso, assegurou, “os recursos financeiros do instituto são suficientes [para dar resposta às ambições do Governo em termos de metas]”, mas é necessário alocá-los “de uma maneira judiciosa às várias actividades – cooperação, cultura e língua -, e obviamente à estrutura, que tem um peso significativo no orçamento”, sublinhou.

Temos o que precisamos” e as metas coadunam-se com o orçamento, garantiu Faro Ramos.

No âmbito da cooperação delegada, estão alguns dos projectos que estão a ser pensados com Angola e que vão ser certamente executados nos próximos anos. “Projectos, aliás, muito importantes e que se enquadram num contexto do novo relacionamento estratégico com Angola”, afirma o diplomata.

Luís Faro Ramos faz um balanço “positivo” de um ano de mandato à frente do Camões e diz que as perspectivas para 2019 também são boas.

“Obviamente que também houve dificuldades, mas também se não as houvesse não teria sido tão desafiante. É o que temos, os recursos humanos que temos e os recursos financeiros que temos. E os números estão todos em crescimento. O balanço de 2018 é muito positivo e as perspectivas para o próximo ano também”, afirmou.

“Há mais alunos a estudar de português pelo mundo fora, 200 mil, há mais professores, há mais pessoas interessadas em aprender o português, há mais protocolos com instituições de ensino assinados, há mais países onde o português está a ser ensinado no currículo escolar, há mais actividades culturais”, descreveu.

O embaixador revela ainda que “todos os dias” recebe pedidos no Camões, vindos do mundo inteiro, de autoridades que querem ensinar o português ou acções culturais com o Camões e isso, considerou, “é o mais compensador”.

E sublinha que esse é o resultado de um trabalho “notável” da equipa, tanto a da sede, em Lisboa, como a que trabalha um pouco por todo o mundo, num total de 600 pessoas.

Sobre a escolha de um diplomata para o lugar que ocupa, Faro Ramos diz que “é um reconhecimento do valor da carreira diplomática portuguesa”.

“Isso é reconhecer que as actividades do instituto, seja a promoção da língua e cultura portuguesas, seja a cooperação para o desenvolvimento, são centrais para a política externa do nosso país e isso é muito reconfortante”, destacou.

A rede do Camões alcança mais de 80 países, embora na área da cooperação as prioridades do instituto vão, como definido há muito pelo Governo português, para os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste.

Para 2019, além do crescimento do ensino do português pelo mundo e do reforço da cooperação Luis Faro Ramos, quer também aumentar o número de bolseiros.

“O Camões pretende reforçar o número de bolsas atribuídas em 2019”, disse o presidente do instituto, não querendo avançar com metas.

Actualmente, o Camões tem mais de 500 bolseiros dos países africanos de língua portuguesa e de Timor-Leste, seja em bolsas externas (as que os estudantes desses países recebem para estudar em Portugal), seja em internas (as que os aluno recebem para estudarem nos seus próprios países), adiantou.

Mas na opinião do diplomata, “em termos de promoção dos nossos valores, as bolsas são fundamentais”.

“Dar a um estudante de um país lusófono uma bolsa no nosso país, é estarmos a dar-lhe directamente a conhecer os nossos valores, a nossa cultura e economia”, salientou.

Além disso, os bolseiros são pessoas que normalmente “no futuro terão um papel importante a desempenhar nos seus países” e são por isso “absolutamente fundamentais na política portuguesa de cooperação para o desenvolvimento”.

Faro Ramos lembrou ainda que, além destas bolsas que o Camões atribui, “há inúmeras outras bolsas que as universidades portuguesas dão a pessoas dos países lusófonos”.

ATR // JH – Lusa /Fim
Source: Orçamento do Instituto Camões não diminui e poderá ir até 70 ME em 2019

 

[Via Olga Rodrigues. “Links” e destaques meus. Imagem de: Kisspng]

Ligue os pontos para ver a imagem “escondida”

 

«Luandino Vieira, Pepetela, Ondjaki fazem parte dos geniais que tiveram a audácia de escrever em “mau” português o Desacordo Ortográfico. O diálogo fora criado a partir da similaridade e da diversidade que nos remonta para um convívio linguístico onde a língua portuguesa é apenas um dos códigos das nacionalidades /internacionalidades dos escritores. Fica a saudade do livro e a vontade de comprar outro Desacordo Ortográfico. E no futuro, quem sabe, o “Lusíadas de Angola”.»

[Transcrição de: “Um ataque pessoal a Camões” | Artigos | Opinião | Jornal de Angola – Online]”
[“Angola em ‘Desacordo Ortográfico”, 01.05.17]

Editar em Portugal “é mais fácil” para autores angolanos, mas depende – autor e editor

 

O editor livreiro Zeferino Coelho defende que “é mais fácil aos autores angolanos editar” em Portugal e chegar a outras paragens, nomeadamente o Brasil, enquanto o escritor angolano Pepetela considera que “depende”, justificando-se pelos “percursos individuais” dos autores.

Lusa/”DN” , 24 Novembro 2018

 

Para Pepetela, que recentemente publicou em Portugal “Sua Excelência de Corpo Presente”, em declarações à agência Lusa afirmou: “Eu acho que depende, há muitos percursos individuais, há gente que se lançou e é conhecida, publicando em Londres”.

“O Sousa Jamba, por exemplo, começou por publicar o livro dele, ‘Os Patriotas’, em Londres, e só depois em Luanda, mas há outros casos que passaram por Portugal, sobretudo mais da minha geração”, disse o escritor nascido há 77 anos, em Benguela, no sul de Angola, e que, em 1997, se tornou o primeiro autor angolano a receber o Prémio Camões.

Depois da independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975, os autores angolanos começaram a ser publicados em Portugal. Pepetela recordou que “havia um acordo entre a União de Escritores Angolanos (UEA) e as Edições 70, em Portugal”.

“Esse grupo, dos primeiros escritores que formaram a UEA, passaram a ser conhecidos em Portugal, com mais ou menos destaque, e uns foram traduzidos e outros não”, disse Pepetela, referindo que “há escritores que publicaram em Luanda e foram traduzidos para outras línguas”, e citou o poeta Lopito Feijó, que publicou em Espanha, antes de publicar em Portugal.

Lopito Feijó, 55 anos, foi cofundador da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e é membro da UEA. Em 2015, publicou “Desejos da Aminata”, obra poética inspirada na sua mulher. O poeta, que foi deputado à Assembleia Popular, está também traduzido, entre outros idiomas, em francês e inglês.

Pepetela reconheceu que “Portugal tem ainda um papel importante”, mas referiu que a edição no Brasil, sendo “rara”, já vai acontecendo, e permite mais rapidamente o acesso ao mercado de língua espanhola, “e a partir do espanhol, parece-me, há uma difusão maior”.

O editor livreiro Zeferino Coelho, por seu turno, argumentou que “o facto de as editoras nacionais, prestigiadas, interna e internacionalmente, que compram e vendem direitos de publicação”, serem “conhecidas um pouco por todo lado”, dá uma maior visibilidade aos escritores que editam, nomeadamente os angolanos.

“Isto é assim desde há bastante tempo, continua a ser e acho que vai ser”, argumentou.

Zeferino Coelho lidera a Editorial Caminho, que publicou a coleção “Uma terra Sem Amos”, no âmbito da qual vários escritores africanos de língua portuguesa editaram, como “A Conjura”, do angolano José Eduardo Agualusa, que continua a publicar em editoras portuguesas.

O Grupo LeYa, do qual faz parte a Editorial Caminho, que é liderada por Zeferino Coelho, tem uma editora em Angola, a Nzila

Jorge Mendonça, Ondjacki, Luandino Vieira ou Pepetela, de quem saiu recentemente “Sua Excelência de Corpo Presente”, e Kalaf Epalanga, que no ano passado lançou “Também os Brancos Sabem Dançar”, são alguns dos escritores angolanos que editam sob a chancela do grupo LeYa.

“É melhor publicar [em Portugal], que apenas em Angola. Aqui ganham maior visibilidade porque há atenção de meios [de comunicação] internacionais do que se passa no mundo Língua Portuguesa”, disse Zeferino Coelho à Lusa, referindo, todavia, que “não é algo muito forte, mas ainda assim há”.

O editor realçou ainda que a atenção que em Portugal se presta a um autor angolano “é maior” que noutros países, e que actividade editorial portuguesa é mais dinâmica do que a angolana.

[Source: Editar em Portugal ″é mais fácil″ para autores angolanos, mas depende – autor e editor. “DN”/Lusa, 24.11.18. Destaques, sublinhados e “links” meus. Imagem de topo de: “Connect The Dots” ( European Donkeys).]

O preço certo

Muito se tem falado, umas vezes a pretexto do AO90 propriamente dito e outras tantas em divertidas tertúlias sobre a “lusofonia” ou a “CPLP”, de uma coisa hermética a que alguns chamam, com um piscar de olho espertíssimo e entendido,  “valor económico da língua”. Atrelam por regra esses tais excursionistas, sempre os mesmos, o dito “valor económico“, a um outro fenómeno que igualmente ninguém faz a menor ideia do que diabo vem a ser: a “promoção e expansão da língua portuguesa no mundo”.

Tudo coisas fantásticas, só grandiloquências. Expressões tonitroantes sem o mais ínfimo significado, pois claro, como convém a políticos para verbalmente comporem seus ramalhetes de absolutas vacuidades, mas contendo a dose exacta de palavreado esmagador que chegue para impressionar pategos, intimidar ignorantes, emudecer totós.

No entanto, apesar de algumas especulações avulsas — oscilando, com impecável rigor algébrico, entre os “muitos milhões” e os “muitíssimos milhões” –, jamais ocorreu fosse a quem fosse quantificar com uma exactidão “aproximada” o tal “valor económico da língua”.

Até agora. “Nosso” Ministro dos Negócios estrangeiros acaba de atrever-se, efectivamente, a determinar esse valor apondo nela, com a chancela do Estado, a etiqueta com o preço (isto é, o “valor”) da Língua Portuguesa. E não faz a coisa por menos: «30 mil milhões de euros». Os 30 mil milhões não são o preço de venda por grosso ou a retalho, nada disso, trata-se do valor anual que o ou os “clientes” (ou seja, quem a quiser tomar de aluguer) pagará por cada ano (ou fracção, presumo) do respectivo usufruto, correspondente posse e inerente detenção em regime de propriedade global.

É espantoso, de facto. Vivemos num “maravilhoso mundo novo”, em que toda a gente sabe o preço de tudo mas ninguém sabe o valor de nada, sobrevivemos numa espécie de condomínio pessimamente frequentado cujo lema é “salve-se quem puder” e vamos todos caminhando a cadência certa para uma morte extremamente saudável.

Neste matagal caótico alagado pelo pântano da loucura geral, surgem por vezes, como se fossem orquídeas ideológicas vicejando num charco infecto, alimentando-se de matéria em decomposição, umas quantas ervas daninhas com pétalas coloridas e um cheiro pestilento para atrair alguma incauta varejeira.

Vemos, ouvimos e lemos. Mas não podemos acreditar.

Aí está o preço certo. “Espetáculo”.

Augusto Santos Silva diz que língua portuguesa vale 30 mil milhões de euros por ano

“Observador”, 9/10/2018

O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que a língua portuguesa “é das pessoas, depois da cultura, especificamente da literatura, e só depois é uma língua económica”.

TIAGO PETINGA/LUSA – Autor
Agência Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, destacou esta terça-feira que a língua portuguesa representa, como “matéria para a actividade económica”, quase 17% do Produto Interno Bruto de Portugal, o equivalente a 30 mil milhões de euros por ano.

“A língua portuguesa é também de trabalho, é um valor económico de nós todos”, disse o governante, na inauguração da exposição itinerante “A Língua Portuguesa em Nós”, no Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), no edifício Central Tejo, com a presença do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira.

Augusto Santos Silva lembrou que um estudo estimou “um conjunto de actividade económicas cuja matéria prima é o português, que vai desde as artes literárias performativas até à indústria do cinema, da edição didáctica e pedagógica até ao mundo da televisão ao audiovisual”. O ministro referiu que “a estimativa de todos estas actividades” em Portugal levam a “um número próximo de 17% do PIB, o que quer dizer que, a preços actuais, a língua, matéria para actividade económica, vale por ano pelo menos 30 mil milhões de euros”.

Porém, o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, que aludiu à importância afirmou que a língua portuguesa “é das pessoas, depois da cultura, especificamente da literatura, e só depois é uma língua económica”. O ministro dos Negócios Estrangeiros acentuou também que “é uma língua de afirmação internacional e de comunicação internacional e é esta flexibilidade e polivalência que faz a sua força”.

“Se Fernando Pessoa pôde dizer que a língua portuguesa era a sua pátria e se Vergílio Ferreira pôde dizer que da língua portuguesa se via o mar, acho que nós todos – os portugueses, os brasileiros, os angolanos, os guineenses, os são-tomenses, os moçambicanos, os cabo-verdianos e os timorenses – podemos todos dizer que da língua portuguesa, que é a nossa língua comum, se vê hoje o futuro”, disse.

O ministro dos Negócios Externos do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, declarou que a língua portuguesa tem “relevância política e diplomática” na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP. O membro do Governo de Michel Temer notou a importância do idioma na CPLP para “estreitar os laços de cooperação, de comunicação e buscando a aproximação de posições que os países têm sobre as grandes questões do mundo”.

A exposição itinerante “A Língua Portuguesa em Nós”, criada pelo Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no Brasil, exibe-se parte do acervo desta mostra apresentada na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que percorreu países de África de língua portuguesa, como Cabo Verde, Angola e Moçambique.

A mostra faz um percurso pela presença da língua portuguesa no mundo, que representa actualmente cerca de 270 milhões de falantes nos cinco continentes, além de abordar o contacto com outros idiomas e a sua participação na formação cultural brasileira. Esta exposição no MAAT transitará, com carácter permanente, para a Cidade Literária de Óbidos.

Source: Augusto Santos Silva diz que língua portuguesa vale 30 mil milhões de euros por ano – Observador

[A desortografia  abrasileirada do original  foi automaticamente corrigida pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

Costa em Angola: bué aldrabão, craro

Visita de Estado de António Costa a Angola

Em declarações à televisão estatal local, o Primeiro-Ministro português revela mais uma vez não apenas a sua total inépcia para a expressão oral em geral como a sua absoluta incapacidade na área da dicção em particular: ou seja, é praticamente impossível entender aquilo que o homem diz porque ele pura e simplesmente despreza a sua própria Língua de forma acintosa e progressivamente arrogante. Isto, é claro, caso não se trate de alguma deficiência — articulatória ou mental — clinicamente diagnosticada, de que seja portador o cidadão em causa, e estando ou não em curso o respectivo tratamento.

Acautelado tal handicap (nesta transcrição substituindo-se por anotações entre parêntesis rectos as expressões ou construções frásicas absolutamente incompreensíveis), resta ainda assim algo de picaresco — para não dizer anedótico — naquilo que debita Sua Excelência a respeito da Língua Portuguesa em geral e do “acordo ortográfico” em particular. Aliás, o facto de nem ter-me dado à maçada de destacar as declarações mais extraordinárias ou bizarras é desde logo indício de que não há ali nada a destacar, tudo o que ele diz sobre tais assuntos (que em absoluto e com indisfarçável orgulho desconhece) é mais do mesmo: puro paleio, verbo de encher, chorrilho de vacuidades, a treta do costume.

Note-se, porém, que este exemplar é um político de carreira e, portanto, há que tentar ouvir o que ele diz não dizendo e, sobretudo, o que ele implicitamente declara nas entrelinhas.

Ora, sob este prisma está lá tudo aquilo que significa actualmente a expressão “língua portuguesa”, o que é e para que serve a CPLP, em que consiste basicamente o AO90: o “acordo” é a base ideológica (conversa para enganar as massas) que sustenta a criação da Comunidade (variante neo-colonialista de cariz mercantilista, já não militar) tendo por finalidade a erradicação  do Português-padrão e a sua substituição pela variante brasileira.

Ou seja, tornando ainda mais claro o paleio de chacha do político, pretende este dizer, esfregando as mãos de contentamento, que o II Império brasileiro é a actual “rota das especiarias”, o El Dorado do século XXI, a casa-forte do Tio Patinhas à qual passarão a ter acesso não apenas os brasileiros de cartola como também os seus “amigos” portugueses — a irrisória minoria de traidores e vendidos, as ratazanas que já vão amarinhando pelo cordame de atracação das novas naus prontas a zarpar, ao invés do sentido da História, do Novo para o Velho Mundo.

Teria até sua piada, este triste, caso não fosse trágico, demente, catastrófico aquilo que na prática significam as suas graçolas.

[27:40] ent. –Os críticos da CPLP dizem que tem havido pouco investimento em matéria de língua, que afinal é o maior capital que a organização devia ter, ou que tem, e o que eu pergunto é, por exemplo, não constrange ao sr. primeiro-ministro o português, por exemplo, não ser língua de trabalho nas Nações Unidas? Vem aí o mês de Setembro, Conselho-Geral das Nações Unidas e aí não lhe constrange, por exemplo,{inaudível/incompreensível].
A.C. —E acho que é um trabalho que temos de continuar a fazer. Hoje temos mais de 230 milhões de falantes, prevê-se que em 2050 [‘tecemos’?] mais de 350 milhões de falantes em todo o mundo, portanto é uma língua que claramente está em expansão, é uma língua cada vez mais global, é uma língua que é falada em 4 continentes e acho que esse trabalho de promoção da língua é cada vez mais importante…

ent. —Mas qual é o óbice para avançar-se nesta matéria?
A.C. —Eu acho que não há óbice. Vamos lá ver. Nós todos temos tido, muitas vezes temos sido confrontados com outras prioridades; nem sempre os últimos anos foram fáceis para todos nós e portanto tivemos que nos concentrar, muitas vezes, na resolução de problemas internos mais do naquilo que podemos fazer, mas agora, que estamos numa fase de viragem, acho que essa, o reforço do investimento [‘da’? ‘na’?] promoção da língua será também importante. Posso-lhe dizer que o orçamento de Estado para o próximo ano em Portugal vai ter um reforço importante no Instituto Camões, que é o responsável pela promoção {inaudível/incompreensível] da língua. Temos feito investimentos importantes no aumento das escolas portuguesas. Por exemplo, não havia uma escola portuguesa em Cabo Verde e está-se a avançar com a escola portuguesa em Cabo Verde. Recentemente adquirimos algo que é absolutamente fundamental para a {inaudível/incompreensível] da língua e da cultura lusófona, que é o Real Gabinete de Leitura no Rio de Janeiro, que foi adquirido pelo Estado português, para o poder preservar, para além da vida sempre contingente da família que o geria. Portanto, temos vindo a procurar fazer esse esforço de investimento e quero acreditar que o vamos fazer, e vejo como muito auspicioso também o acordo que a TPA assinará amanhã com a RTP e com a Lusa, como uma outra forma de divulgar a língua, de promover a língua portuguesa.
ent. —A propósito da língua, como é que se vai resolver o grande handicap que é do acordo ortográfico? Até agora não se encontrou uma plataforma comum. Como é?
A.C. —Bom, Portugal fez a sua parte, cada um está a fazer a sua parte. Eu percebo as resistências que existem aqui e ali, mas eu acho que há uma coisa que é essencial e que temos que compreender: as línguas não são fixas, são vivas. E as línguas vivas vão-se transformando, não só na sua ortografia como no seu vocabulário. Hoje, nós, quanto mais não seja fruto das novelas, introduzimos na nossa linguagem do dia-a-dia um conjunto de expressões do português do Brasil que nós não utilizávamos ou nós também introduzimos em Portugal muitas expressões do — olhe — do português falado em Angola, como “bué”, hoje é uma palavra corrente em Portugal quando não era quando eu andava na escola…