Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Macau

Quarta-feira, 6 de Junho 2018, às 22 horas, na RTP3

Para Fernando Pessoa a língua portuguesa era a “pátria”, para Mia Couto “a língua da moçambicanidade” e um “instrumento de contacto com o mundo” para o escritor cabo-verdiano Germano Almeida.

Do Brasil, a África, passando pela Índia, Timor-Leste ou Macau serão mais de 260 milhões aqueles que falam português, apontam os dados oficiais. O idioma é língua oficial de nove países e deixou vestígios em mais de uma centena de línguas e dialectos, dizem os especialistas.

Ainda divididos pela ortografia, segundo as previsões, o número de falantes do português continuará a crescer, acompanhando a explosão demográfica no hemisfério Sul: atingirá os 395 milhões em 2050, revelam as estimativas das Nações Unidas.

Se é em português que nos entendemos, que estratégia existe para a língua e a sua afirmação no futuro?  Que património cultural arrasta? Que poder tem e quanto vale hoje falar português?

Para responder a estas e outras questões estarão no programa o escritor cabo-verdiano e Prémio Camões 2018 Germano Almeida, o músico e compositor brasileiro Ivan Lins e o poeta e cronista português Pedro Mexia.

O programa contará também com um vídeo original do actor, humorista e escritor brasileiro, Gregório Duvivier, um dos criadores da série Portas dos Fundos.

A moderação é do jornalista da RTP Carlos Daniel. Não perca o próximo Fronteiras XXI, no dia 6 de Junho, às 22h, na RTP3.

FFMS

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Macau é “activo indispensável” na promoção do português [“Ponto Final” (Macau)]


Macau é “activo indispensável” na promoção do português

“Ponto Final” (Macau), 12.04.18

O presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua considerou ontem que “Macau é um activo indispensável na promoção da língua portuguesa” na região da Ásia Pacífico. No território para a terceira Subcomissão Mista entre Portugal e a RAEM, na quinta e sexta-feira, Luís Faro Ramos disse à Lusa que esta reunião tem como objectivo fazer “um ponto de situação das relações bilaterais” entre Portugal e a RAEM, reflectindo o “longo caminho que se tem percorrido” nestas duas áreas, língua e educação.

Um caminho que se tem mostrado “cada vez mais sólido” e, em muito, devido ao trabalho do Instituto Português do Oriente (IPOR) na “promoção da língua portuguesa em Macau, na China e na Austrália”, sublinhou.

A Subcomissão Mista para a língua portuguesa e educação foi constituída no âmbito da Comissão Mista entre Portugal e a RAEM e reúne-se alternadamente em Lisboa e Macau. O último encontro decorreu em Lisboa, em Fevereiro do ano passado.

À margem da reunião, o presidente do Camões cumprirá uma agenda de encontros com autoridades portuguesas e macaenses, designadamente o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno, o presidente da Escola Portuguesa de Macau, Manuel Machado, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, o presidente do IPM, Lei Heong Ieok, e a presidente do Instituto Cultural, Mok Ian Ian.

O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua é um instituto público tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal, que tem por missão propor e executar a política de cooperação portuguesa e a política de ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro.

[Transcrição integral (incluindo imagem) de: Macau é “activo indispensável” na promoção do português. Jornal “Ponto Final” (Macau), 12.04.18. Imagem de topo: Diego Delso [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], from Wikimedia Commons.]

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Em Português – 46

Fundação Oriente

OBJECTIVOSA Fundação Oriente concede bolsas de estudo a candidatos nacionais de países do Extremo Oriente para a frequê…

Publicado por João Pedro Graça em Sábado, 20 de Janeiro de 2018

RECEPÇÃO DE CANDIDATURAS | 2 a 31 Janeiro 2018

Fundação Oriente
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Jornal “O Comércio de Alcântara”

Publicado por O Comércio de Alcântara em Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015

Jornal “O Comércio de Alcântara”
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Revista “Intro”

Mistura electrizante de comédia de erros e retrato do artista, "A glória e seu cortejo de horrores" é o retrato de toda…

Publicado por Revista Intro em Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Mistura electrizante de comédia de erros e retrato do artista, “A glória e seu cortejo de horrores” é o retrato de toda uma geração: na pele de Mario, vemos a derrocada das ilusões de tantos outros, num mundo cada vez mais rendido às fúteis aparências.

Revista “Intro”
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Patuá Sâm Assi

Patuá, a língua que Macau deixou ‘morrer’ a troco de “dinheiro fácil”

Joana Almeida
14 Jan 2018

O crescimento de Macau, alicerçado na indústria do jogo, veio pôr em xeque a cultura local. O patuá macaense, língua crioula baseada no português, está a em risco de se extinguir e os cidadãos locais apontam o dedo “ao dinheiro fácil”.

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O negócio dos casinos em Macau fez da região administrativa a ‘Las Vegas do Leste’ e, embora tenha ajudado financeiramente, este crescimento veio reflectir muito pouco da cultura local macaense. O patuá macaense, língua crioula baseada no português, está a em risco de se extinguir e os cidadãos locais apontam o dedo “ao dinheiro fácil”.

“Hoje em dia, ninguém fala muito patuá. Apenas as pessoas com mais idade”, afirma Aida de Jesus, de 102 anos, ao jornal britânico ‘The Guardian’. Esta é uma das guardiãs mais antigas do idioma, que se originou para ser a língua da comunidade indígena eurasiática de Macau, depois do intercâmbio entre colonizadores portugueses e o povo chinês.

Elisabela Larrea, uma das habitantes da região que ainda conserva a língua, conta que o progressivo desaparecimento do patuá macaense se deveu, numa primeira fase, à forte presença portuguesa na região. As crianças eram obrigadas nas escolas a falar português e, aos poucos, com o aumento da escolarização, o patuá macaense foi-se perdendo.

“Na escola, fui ensinada a falar em português e pediram-me que não falasse em patuá”, conta Aida de Jesus. “Se falasse Patuá na escola, eles não entenderiam. Por isso, precisávamos de falar em português”.

A situação tornou-se ainda mais crítica quando, em 1999, a administração da região de Macau foi devolvida à China, depois de quase cinco séculos sobre domínio português. A entrada no capitalismo de mercado chinês trouxe consigo novas empresas e negócios e fez da indústria do jogo o principal motor da economia. Com isso vieram também novos hábitos e tendências, os velhos costumes estão a perder-se (ainda mais).

“A minha mãe disse-me que os nossos antepassados desistiram do que era nosso para passarem a ter uma língua que não faz parte da nossa identidade”, conta Elisabela Larrea, que tem um blog, onde divulga palavras em patuá macaense e as traduz para mandarim, cantonês e inglês para não deixar morrer a língua. “Resta-nos agora recuperar o que realmente representa a nossa cultura e o nosso espírito”, considera.

Em 2009, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) classificou o patuá como uma língua “criticamente ameaçada”, depois de na viragem do milénio se ter estimado a população total de falantes em apenas 50.

[“Jornal Económico”, 14.01.18. O texto em acordês no original foi corrigido automaticamente para Português-padrão pela solução Firefox contra o AO90.]

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“A minha grande tristeza é a pouca atenção que se dá à língua portuguesa”

澳門大學

“A minha grande tristeza é a pouca atenção que se dá à língua portuguesa na Universidade de Macau”

Catarina Vila Nova

Jornal “Ponto Final (Macau), 10.01.18

 

Na Universidade de Macau, contrariamente ao que se poderia pensar, não existe a promoção da língua portuguesa. As palavras são de Inocência Mata, antiga subdirectora do Departamento de Português da instituição. Ao PONTO FINAL, a académica apontou um rol de problemas que diz existir no departamento relacionados com a importância – ou falta dela – atribuída à língua portuguesa.

A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) enviou uma carta aberta a Song Yonghua, que tomou ontem posse como reitor da Universidade de Macau (UM). Na missiva, o organismo apela ao académico para “promover a utilização da língua portuguesa na comunicação da UM com a sociedade e com os jornalistas de língua portuguesa de Macau”, algo que considera “que não tem sido prática corrente no passado recente da UM”. Para Inocência Mata, que até Agosto do ano passado era a subdirectora do Departamento de Português da Universidade de Macau (UM), esta carta é vista como “oportuna”. “É oportuna porque na verdade eu creio que para a Universidade de Macau o português não existe”, afirmou a académica em declarações ao PONTO FINAL.

“Eu penso [que esta carta] faz todo o sentido porque contrariamente ao que se poderia imaginar não existe a promoção da língua portuguesa pela e na Universidade de Macau”, declarou Inocência Mata. “Eu gostava que a língua portuguesa fosse uma língua mais promovida não apenas no sentido desse ensino que, como também já é do conhecimento geral, tem sofrido um enorme ‘backlash’. Eu espero que quem toma as decisões na Universidade de Macau perceba que a universidade ganha em promover a língua portuguesa. Não direi já como língua de trabalho mas pelo menos [como] uma das línguas muito importantes para os alunos e para que os alunos se sintam motivados”, sustentou a professora.

Questionada quanto a uma possível alteração do panorama por si traçado com a tomada de posse de Song Yonghua, Inocência Mata duvida que tal esteja directamente dependente do reitor. Porém, a académica também não acredita que este poder esteja concentrado no director do Departamento de Português devido à “relação demasiado vertical” que diz existir na hierarquia da instituição. “Nunca se sabe quem impõe as regras, eu não sei se depende do chefe do departamento porque na verdade é uma relação demasiado vertical que não sei qual é o centro do poder que não tem noção da especificidade da língua portuguesa na região de Macau”, criticou a docente.

Quanto ao que a motivou a abandonar o cargo de subdirectora, Inocência Mata aponta uma “miríade de razões” sendo a principal o facto de achar que “todas as decisões já estavam tomadas”. “Eu não quis continuar porque achava que não fazia a diferença e eu estou habituada a fazer a diferença. Na casa de onde venho, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, eu estou habituada a que as decisões de ordem pedagógica e científica sejam tomadas pelos professores. Eu cheguei à conclusão que os professores não têm qualquer palavra a dizer, a decisão está toda tomada. Eu não sei onde é que está o centro das decisões, eu sei é que não está no Departamento de Português”.

Inocência Mata faz também a ponte com a instituição onde leccionava em Portugal antes de vir para Macau para criticar o facto de a UM não abrir há três anos um mestrado na área dos estudos literários e culturais de português. Segundo explicou a académica, quando assumia ainda funções como subdirectora foi-lhe comunicado que o mestrado não iria abrir devido ao número de alunos inscritos não ser suficiente.

“Por exemplo, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa é óbvio que os candidatos aos cursos de latim e grego são sempre um número menor do que os candidatos aos cursos de línguas hispânicas ou de português; portanto, deixar de abrir cursos de latim e grego é passar um atestado de óbito. Ou seja, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa arca com este fardo porque tem a ver com o espírito da faculdade e eu penso que a Faculdade de Letras e Humanidades [da UM] devia fazer isto em relação ao português”, sustentou.

A especialista em estudos pós-coloniais no mundo da língua portuguesa critica ainda o facto de, na faculdade, “o que conta são as revistas publicadas em inglês e os artigos publicados em inglês”. “Então não era de se valorizar uma pessoa que é da área do português e haver uma promoção das revistas portuguesas, angolanas, brasileiras, moçambicanas?”, atirou. “Mas não. Para meu espanto cheguei a apercebi-me de que, na verdade, o que conta são as revistas que estão em bases e que são todas elas dos Estados Unidos e da Inglaterra”, contou.

“Obviamente que eu não consigo conviver com isto porque a minha área é a área do português. Porque é que eu tenho de escrever em inglês e publicar em inglês? O inglês aqui é a língua valorizada para publicação, realidade com a qual eu não convivi nada bem”, disse a académica que, contudo, assumiu que “obviamente que as coisas mudaram um bocado”. “Esperemos que as pessoas agora tenham atenção a esta matéria porque esta é a minha grande tristeza, a pouca atenção que se dá à língua portuguesa na Universidade de Macau”.

“QUE OBSTÁCULO É QUE VOCÊS TÊM NO CONTACTO [COM A UM]?”

Contactado pelo PONTO FINAL também sobre a carta da AIPIM, Yao Jingming, director do Departamento de Português da UM, disse que “faz sentido ter sido enviada essa carta”, apesar de defender que “recentemente a universidade tem vindo a trabalhar muito em termos de melhoramento do ensino da língua portuguesa”. “Em termos de relação da Universidade de Macau com os meios de comunicação social em português, as notícias que eles fazem sempre fazem em três línguas. Por isso, que obstáculo é que vocês [jornalistas] têm no contacto e na comunicação com eles?”, questionou o também poeta e tradutor.

Para Yao Jingming, a questão também se coloca de forma inversa ao afirmar que “todos os cidadãos de Macau também têm que aprender outras línguas”. “Os portugueses que vivem aqui em Macau também têm que aprender e sentir-se mais motivados para aprender chinês. Se todos pudessem falar outras línguas a comunicação e o convívio seria muito mais fácil. Os chineses claro que têm que aprender mais português enquanto que os portugueses que vivem em Macau também têm de estar mais motivados para aprender a língua e a cultura chinesas”.

Quanto ao novo reitor, o responsável pelo Departamento de Português disse que Song Yonghua “precisa de tempo para conhecer a realidade da língua portuguesa para [poder] tomar medidas em termos da promoção desta língua, porque ele chegou a Macau há poucos dias”.

[Transcrição integral de: “A minha grande tristeza é a pouca atenção que se dá à língua portuguesa na Universidade de Macau”. Autoria: Catarina Vila Nova. Jornal “Ponto Final” (Macau), 10.01.18.]

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Pèidéluó, Pútáoyá (1)

como se escreve Pedro em Mandarim: algo como Pèidéluó

 

Olá, o meu nome é Pèidéluó e vivo em Pútáoyá.

Parece que acabei de dizer dois palavrões mas não. Aquilo ali é a tradução de “Pedro” e de “Portugal” para Mandarim (Pinyin).

Toda a gente sabe, por experiência própria e até porque o fenómeno faz já parte do anedotário nacional, os chineses “comem” os RR (érres) porque… não conseguem pronunciá-los. Ou porque “têm preguiça” de articulá-los, como explica esta simpaticíssima chinesa do Brasil.

Quem nunca entrou numa “loja do chinês” à plócula de palafusos ou de blocas, pol exemplo? E quem nunca teve de conter o riso (convém não lile, sobletudo não lile, pala não ofendele) quando nos pelguntam se quelemos glandes ou pequenos?

Mas os chineses não são caso único. “Deficiência” semelhante na pronúncia dos RR têm também americanos, ingleses e todos os demais nativos de Língua inglesa. Os sons “aRRanhados” ou, de forma geral, aqueles que envolvam “érres”, são para eles algo de muito difícil articulação, quando não totalmente impossíveis de articular. A chinesinha do vídeo acima fala também deste problema que são os RR no Inglês e não apenas no Mandarim.

Ora, outro tanto sucede em sentido inverso, isto é, por regra os portugueses manifestam uma tremenda incapacidade para articular certos sons em qualquer Língua estrangeira, seja ela Mandarim, Inglês ou até Francês.

Mesmo que sejam, por paradoxal que isto possa parecer, fluentes em qualquer daquelas Línguas. Basta recordarmos, e igualmente tentando conter o riso, como na loja do chinês, os casos de Mário Soares em Francês ou de José Mourinho em Inglês, por exemplo.

Isto para não referir fenómenos verdadeiramente patológicos, digamos assim, como José Sócrates e o seu “castelhanês” ou “portuñol” totalmente inventado e “alternativo”.

Mas ultrapassemos esta nota de rodapé, simples ilustração da tese pela demonstração de uma situação-limite de incapacidade articulatória.

Incapacidade que, exceptuando patologias, verifica-se ser bem mais comum do que geralmente se admite.

Na Língua inglesa existe uma palavra, quiçá a mais básica de todas, que só à custa de muito treino (ou de uma tendência natural e congénita para “aprender línguas”) um português — e mais ainda um brasileiro — consegue articular correctamente: “THE” (artigo definido). E a coisa piora muitíssimo se o dito português tentar pronunciar qualquer um da gama de sons cuja grafia seja representada por este par de letras: TH. Como em “moth” (traça, borboleta nocturna), thirst/thirsty (sede/sedento) ou thread (vários significados).

É muito engraçado escutar as formas extremamente artísticas como os non-native English speakers  “resolvem” o “problema”. Se esse falante não nativo de Inglês for português (ou, pior, repito, se for brasileiro) então a maneira que ele arranja para “desenrascar” o TH já não é só hilariante — é de rebolar a rir.

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