Etiqueta: Macau

Português correcto em Macau

CAPÍTULO I

Disposição geral

Artigo 1.º

(Línguas oficiais)

1. As línguas chinesa e portuguesa são as línguas oficiais de Macau.

2. As línguas oficiais têm igual dignidade e são ambas meio de expressão válido de quaisquer actos jurídicos.

3. O disposto nos números anteriores não prejudica a liberdade de escolha, por cada indivíduo, da sua própria língua e o direito de a utilizar na sua esfera pessoal e familiar, bem como de a aprender e ensinar.

4. A Administração deve promover o ensino das línguas oficiais, bem como a sua correcta utilização.

[http://bo.io.gov.mo/bo/i/99/50/declei101.asp]

 

Um Acordo, Dois Sistemas

TDM Canal Macau

«O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é uma realidade no território, apesar de não ter sido oficialmente aprovado. É utilizado há vários anos no ensino, mas não entra nos sectores da administração ou do governo.»

 

 

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«Crazy poor portuguese» [Clara Ferreira Alves, “Expresso”, 01.09.18]

«De Goa e Bombaim a Malaca, de Macau a Pequim, da Índia aos confins da Pérsia, da China e do Japão, os portugueses deixaram uma herança histórica e cultural que decidiram não honrar e eliminar. A lusofonia tornou-se um conceito brasileiro e africano, um conceito que nenhum resultado teve até hoje, a não ser a consequência de um Acordo Ortográfico inútil e destruidor da raiz latina da língua. Ou seja, tudo o que a lusofonia com esta matriz PALOP fez por Portugal foi pago por Portugal e ignorado por todos os países lusófonos. A política da língua, inexistente, serviu para o costume, a criação de um corpo de funcionários públicos e clientelas dos partidos, que existem sem missão e sem verba.»
Clara Ferreira Alves

CRAZY POOR PORTUGUESE

Clara Ferreira Alves

Abolir filmes asiáticos não nos ajuda, porque quem conheça a Ásia percebe que o futuro está no eixo do Pacífico e que o eixo do Atlântico está a terminar

Quando saiu do elevador deixou um perfume que entonteceu os sitiados. Orquídeas? Jasmim? Flores brancas das que crescem na Ásia por todo o lado. Os sitiados, que iam para andares diferentes do hotel, ficaram em silêncio a aspirar o cheiro do dinheiro. Tudo, naquela mulher, cheirava a dinheiro. A roupa de marca, a jóia discreta, o cabelo negro lacado, os sapatos de verniz e salto alto, mil euros desenhados por aquele senhor com nome francês que tem casa na costa alentejana. E isto sabendo-se que ao anoitecer a chuva cairia com violência, inundando as ruas e escorrendo nos declives e goteiras com o barulho de uma catarata. Aqueles sapatos nunca saíam à rua, eram sapatos de motorista e carro de luxo, de portas abertas à passagem por gente fardada. Por servos. Aqueles sapatos pertenciam a uma mulher chinesa rica. Podia ser de Xangai, Pequim, Singapura ou Hong Kong, podia ser de Banguecoque, era sem dúvida de ascendência chinesa. Conforme as sábias palavras do grande viajante árabe Ibn Batuta, o marroquino nascido em Tânger em 1304, em nenhuma parte do mundo se encontra gente mais rica do que os chineses.

A frase serve de epígrafe à novela de Kevin Kwan que deu origem ao filme “Crazy Rich Asians”, que bate recordes de bilheteira e que a Netflix tentou comprar sem conseguir. O filme parece que não será visto nas salas portuguesas. A distribuidora assim decidiu, por ser um filme habitado por actores asiáticos e que se passa no universo exclusivo dos multimilionários de Singapura. O filme, como o livro, não passa de um best-seller de aeroporto que vale pelo que mostra desta Ásia com dinheiro, muito dinheiro. Mostra uma parte de um mundo que, para os portugueses que deixaram de ser comerciantes, aventureiros e diplomatas, deveria ser mais bem conhecida e deveria despertar mais curiosidade. Abolir filmes asiáticos não nos ajuda, porque quem conheça a Ásia percebe que o futuro está no eixo do Pacífico e que o eixo do Atlântico está a terminar. Ali estão os países que determinarão a prosperidade mundial, e os Estados Unidos perceberam isso. Portugal permanece um dos países mais ignorantes e avessos a um continente onde fomos importantes, onde desembarcámos e comerciámos e missionámos, onde construímos e onde deixámos uma elite, pequena, é certo, que foi a única elite do império português. De Goa e Bombaim a Malaca, de Macau a Pequim, da Índia aos confins da Pérsia, da China e do Japão, os portugueses deixaram uma herança histórica e cultural que decidiram não honrar e eliminar. A lusofonia tornou-se um conceito brasileiro e africano, um conceito que nenhum resultado teve até hoje, a não ser a consequência de um Acordo Ortográfico inútil e destruidor da raiz latina da língua. Ou seja, tudo o que a lusofonia com esta matriz PALOP fez por Portugal foi pago por Portugal e ignorado por todos os países lusófonos. A política da língua, inexistente, serviu para o costume, a criação de um corpo de funcionários públicos e clientelas dos partidos, que existem sem missão e sem verba.

A ignorância da Ásia prejudica-nos. O nosso conhecimento do continente não pode resumir-se à diáspora emigrante de Macau ou a um pacote de turismo de massas numa praia da Tailândia. Ao contrário dos franceses, que mantiveram os laços com a Indochina, Portugal não estudou nem investiu. Nos mercados asiáticos, não se vê uma marca portuguesa, uma só, esqueçam o pastel de nata, que foi culturalmente apropriado, o que demonstra que perdemos a nossa vocação de comerciantes para nos tornarmos o que somos, um país a vender as pratas da família para poder comer. Portugal está a ser comprado pela China, em largas quantidades, e não nos importamos de vender sectores essenciais que determinarão a soberania e nos reduzirão a uma plataforma logística. A actual ministra do Mar anda por aí num enlevo a ver se vende por grosso os portos portugueses aos chineses, contrato que nenhum outro país da Europa, com excepção da Grécia, assinaria. Pelas implicações futuras e pela demonstração da incapacidade para administrar bem o que nos pertence. O que não for vendido à China será vendido a Singapura ou à Tailândia, como aconteceu com as sobras hoteleiras do império Espírito Santo, que se desmoronou em corrupções e humilhações. Será vendido a gente como a do mundo mostrado em “Crazy Rich Asians”, gente que tem uma visão do mundo determinada pelo privilégio e o poder do dinheiro. Conviria percebê-los melhor, visto que não existem filmes, nem existirão, sobre os interiores e corredores da nomenclatura comunista, constituída também por crazy rich asians.

Não existe gente mais rica do que os chineses, ou não existe gente mais ostensivamente rica do que os chineses. A nossa relação com a Ásia devia ser aprendida e cultivada, ou não passaremos, no tempo que aí vem, de novos funcionários. De servos de gente e de culturas que não conhecemos nem estudámos. E abriremos as portas à sua passagem. Portugal tem especialistas da Ásia, excelentes, que nenhum ignorante político português se lembraria de consultar, tão entretidos que andam com a intriga palaciana e a discussão do Orçamento, único tema de um país na indigência. Crazy poor portuguese.

Expresso, Revista E, 01SET,2018

[Transcrição integral de transcrição integral publicada no “blog ” Cadernos da Libânia de artigo, da autoria de Clara Ferreira Alves, publicado no semanário “Expresso” de 01.0918. A desortografia  abrasileirada do original foi automaticamente corrigida pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

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Quarta-feira, 6 de Junho 2018, às 22 horas, na RTP3

Para Fernando Pessoa a língua portuguesa era a “pátria”, para Mia Couto “a língua da moçambicanidade” e um “instrumento de contacto com o mundo” para o escritor cabo-verdiano Germano Almeida.

Do Brasil, a África, passando pela Índia, Timor-Leste ou Macau serão mais de 260 milhões aqueles que falam português, apontam os dados oficiais. O idioma é língua oficial de nove países e deixou vestígios em mais de uma centena de línguas e dialectos, dizem os especialistas.

Ainda divididos pela ortografia, segundo as previsões, o número de falantes do português continuará a crescer, acompanhando a explosão demográfica no hemisfério Sul: atingirá os 395 milhões em 2050, revelam as estimativas das Nações Unidas.

Se é em português que nos entendemos, que estratégia existe para a língua e a sua afirmação no futuro?  Que património cultural arrasta? Que poder tem e quanto vale hoje falar português?

Para responder a estas e outras questões estarão no programa o escritor cabo-verdiano e Prémio Camões 2018 Germano Almeida, o músico e compositor brasileiro Ivan Lins e o poeta e cronista português Pedro Mexia.

O programa contará também com um vídeo original do actor, humorista e escritor brasileiro, Gregório Duvivier, um dos criadores da série Portas dos Fundos.

A moderação é do jornalista da RTP Carlos Daniel. Não perca o próximo Fronteiras XXI, no dia 6 de Junho, às 22h, na RTP3.

FFMS

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Macau é “activo indispensável” na promoção do português [“Ponto Final” (Macau)]


Macau é “activo indispensável” na promoção do português

“Ponto Final” (Macau), 12.04.18

O presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua considerou ontem que “Macau é um activo indispensável na promoção da língua portuguesa” na região da Ásia Pacífico. No território para a terceira Subcomissão Mista entre Portugal e a RAEM, na quinta e sexta-feira, Luís Faro Ramos disse à Lusa que esta reunião tem como objectivo fazer “um ponto de situação das relações bilaterais” entre Portugal e a RAEM, reflectindo o “longo caminho que se tem percorrido” nestas duas áreas, língua e educação.

Um caminho que se tem mostrado “cada vez mais sólido” e, em muito, devido ao trabalho do Instituto Português do Oriente (IPOR) na “promoção da língua portuguesa em Macau, na China e na Austrália”, sublinhou.

A Subcomissão Mista para a língua portuguesa e educação foi constituída no âmbito da Comissão Mista entre Portugal e a RAEM e reúne-se alternadamente em Lisboa e Macau. O último encontro decorreu em Lisboa, em Fevereiro do ano passado.

À margem da reunião, o presidente do Camões cumprirá uma agenda de encontros com autoridades portuguesas e macaenses, designadamente o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno, o presidente da Escola Portuguesa de Macau, Manuel Machado, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, o presidente do IPM, Lei Heong Ieok, e a presidente do Instituto Cultural, Mok Ian Ian.

O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua é um instituto público tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal, que tem por missão propor e executar a política de cooperação portuguesa e a política de ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro.

[Transcrição integral (incluindo imagem) de: Macau é “activo indispensável” na promoção do português. Jornal “Ponto Final” (Macau), 12.04.18. Imagem de topo: Diego Delso [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], from Wikimedia Commons.]

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Em Português – 46

Fundação Oriente

OBJECTIVOSA Fundação Oriente concede bolsas de estudo a candidatos nacionais de países do Extremo Oriente para a frequê…

Publicado por João Pedro Graça em Sábado, 20 de Janeiro de 2018

RECEPÇÃO DE CANDIDATURAS | 2 a 31 Janeiro 2018

Fundação Oriente
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Jornal “O Comércio de Alcântara”

Publicado por O Comércio de Alcântara em Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015

Jornal “O Comércio de Alcântara”
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Revista “Intro”

Mistura electrizante de comédia de erros e retrato do artista, "A glória e seu cortejo de horrores" é o retrato de toda…

Publicado por Revista Intro em Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Mistura electrizante de comédia de erros e retrato do artista, “A glória e seu cortejo de horrores” é o retrato de toda uma geração: na pele de Mario, vemos a derrocada das ilusões de tantos outros, num mundo cada vez mais rendido às fúteis aparências.

Revista “Intro”
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Patuá Sâm Assi

Patuá, a língua que Macau deixou ‘morrer’ a troco de “dinheiro fácil”

Joana Almeida
14 Jan 2018

O crescimento de Macau, alicerçado na indústria do jogo, veio pôr em xeque a cultura local. O patuá macaense, língua crioula baseada no português, está a em risco de se extinguir e os cidadãos locais apontam o dedo “ao dinheiro fácil”.

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O negócio dos casinos em Macau fez da região administrativa a ‘Las Vegas do Leste’ e, embora tenha ajudado financeiramente, este crescimento veio reflectir muito pouco da cultura local macaense. O patuá macaense, língua crioula baseada no português, está a em risco de se extinguir e os cidadãos locais apontam o dedo “ao dinheiro fácil”.

“Hoje em dia, ninguém fala muito patuá. Apenas as pessoas com mais idade”, afirma Aida de Jesus, de 102 anos, ao jornal britânico ‘The Guardian’. Esta é uma das guardiãs mais antigas do idioma, que se originou para ser a língua da comunidade indígena eurasiática de Macau, depois do intercâmbio entre colonizadores portugueses e o povo chinês.

Elisabela Larrea, uma das habitantes da região que ainda conserva a língua, conta que o progressivo desaparecimento do patuá macaense se deveu, numa primeira fase, à forte presença portuguesa na região. As crianças eram obrigadas nas escolas a falar português e, aos poucos, com o aumento da escolarização, o patuá macaense foi-se perdendo.

“Na escola, fui ensinada a falar em português e pediram-me que não falasse em patuá”, conta Aida de Jesus. “Se falasse Patuá na escola, eles não entenderiam. Por isso, precisávamos de falar em português”.

A situação tornou-se ainda mais crítica quando, em 1999, a administração da região de Macau foi devolvida à China, depois de quase cinco séculos sobre domínio português. A entrada no capitalismo de mercado chinês trouxe consigo novas empresas e negócios e fez da indústria do jogo o principal motor da economia. Com isso vieram também novos hábitos e tendências, os velhos costumes estão a perder-se (ainda mais).

“A minha mãe disse-me que os nossos antepassados desistiram do que era nosso para passarem a ter uma língua que não faz parte da nossa identidade”, conta Elisabela Larrea, que tem um blog, onde divulga palavras em patuá macaense e as traduz para mandarim, cantonês e inglês para não deixar morrer a língua. “Resta-nos agora recuperar o que realmente representa a nossa cultura e o nosso espírito”, considera.

Em 2009, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) classificou o patuá como uma língua “criticamente ameaçada”, depois de na viragem do milénio se ter estimado a população total de falantes em apenas 50.

[“Jornal Económico”, 14.01.18. O texto em acordês no original foi corrigido automaticamente para Português-padrão pela solução Firefox contra o AO90.]

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