Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Macau

“Das várias variantes da língua portuguesa” [jornal “Ponto Final” (Macau)]

«Entre as novidades introduzidas este ano, para além da sessão de cultura macaense, estiveram as sessões de cinema de língua portuguesa. Ambas deverão ser mantidas, na edição do próximo ano, explica a docente: “As tardes de cultura macaense, sim, é para continuar. Este ano também fizemos umas tardes de cinema português, filmes das várias variantes da língua portuguesa. Porque os alunos também gostam e porque é um bom exercício para aprender uma língua”.»

Curso de Verão de língua portuguesa termina com avaliação “francamente positiva”

Sílvia Gonçalves

“Ponto Final” (Macau), 07.08.17

A 31ª edição do Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade de Macau (UMAC) ficou marcada por um acréscimo significativo de alunos, por uma maior assiduidade e ausência de desistências. A coordenadora do curso, Ana Nunes, fala em maior esforço dos estudantes e mostra-se surpreendida com a apreensão imediata que estes fazem das danças tradicionais portuguesas.

Durante três semanas, tomaram contacto com a língua portuguesa dentro e fora da sala de aulas. Numa imersão cultural que incluiu canto, dança, cinema e sessões de história e cultura de Macau. O 31º Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa da UMAC terminou na passada sexta-feira, numa edição marcada pelo acréscimo de alunos – dos 370 da edição de 2016 para os 450 deste ano – pela ausência de desistências e uma maior assiduidade às aulas. Pelos elementos da avaliação, diz a coordenadora do curso, regista-se um maior esforço dos estudantes, que a cada ano chegam maioritariamente da China continental. Além da vertente linguística, certo é que todos se apropriaram das coreografias das danças folclóricas portuguesas. Como se o fizessem desde sempre, garante a docente Ana Nunes.

“O balanço é muito positivo. Já temos acesso aos elementos da avaliação e percebeu-se que este ano, para além dos alunos estarem presentes em todas as aulas, costumam estar mas dá-me a sensação que este ano eles foram ainda mais assíduos, houve ainda um maior interesse, uma maior motivação. O curso é intensivo, todos os dias das 8h30 até às 13 horas, mas notou-se um entusiasmo verdadeiramente desde o início até ao fim. Na avaliação também se percebe que os alunos se esforçaram mais. Para além das presenças nas aulas, as notas deles, a avaliação deles foi francamente positiva”, conta Ana Nunes ao PONTO FINAL.

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“A Língua Portuguesa nas suas múltiplas vertentes” [jornal “Ponto Final” (Macau)]

Lusitanistas reunidos pela primeira vez a Oriente para afirmar o papel da língua portuguesa

São mais de 140, os académicos de algumas das mais prestigiadas universidades do mundo que por estes dias se encontram em Macau para o XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Pela primeira vez, o encontro decorre a Oriente, após de já ter passado por países como França, Portugal, os Estados Unidos da América, o Brasil, a Alemanha e Cabo Verde.

Arrancou ontem o XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas (AIL), iniciativa que até sexta-feira, vai reunir, no Instituto Politécnico de Macau (IPM), mais de 140 conferencistas de 80 instituições de ensino superior oriundas um pouco de todo o mundo. Elemento de destaque naquela que é a primeira edição do evento trienal a Oriente é a presença, pela primeira vez, de académicos chineses que se vão apresentar como palestrantes. Para Roberto Vecchi, presidente da AIL, este afigura-se como “o elemento mais interessante deste congresso que surgiu espontaneamente sem nenhum tipo de organização”. Em declarações ao PONTO FINAL, o também director do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Modernas da Universidade de Bolonha, salientou a importância do evento decorrer em Macau “porque, de certo modo, inaugura um espaço novo, um espaço dinâmico, um espaço que está a investir muito na língua portuguesa”. Vecchi revelou ainda que “provavelmente” o congresso irá regressar à Europa “nos próximos três anos”.

Presente na cerimónia de inauguração que ontem decorreu no Instituto Politécnico de Macau, entidade organizadora do congresso, esteve o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Alexis Tam considerou que o idioma de Camões está a crescer de forma visível no território: “De uma forma simples, pode dizer-se que, hoje, há mais e melhor língua portuguesa em Macau”, defendeu.

Para o dirigente, tal constatação deve-se a “passos muito significativos” como o reforço “substancial” do investimento no ensino da língua, o recrutamento de novos recursos humanos, o aumento do número de alunos, a criação de novos programas e o incremento do intercâmbio e cooperação: “Considero, contudo, que podemos fazer mais. Do ensino básico ao ensino superior, das instituições públicas às instituições privadas, na pedagogia e na investigação, nos projectos e nos resultados”, assegura Alexis Tam. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura garantiu ainda, da parte do Governo, “o estímulo, a dinamização e os meios necessários”.

Por sua vez, Carlos Ascenso André, coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, recordou a viagem que fez até Cabo Verde há três anos, aquando do último encontro da Associação Internacional de Lusitanistas, para apresentar a candidatura da instituição de ensino superior à realização do congresso que se seguiria. Três anos depois, a associação reúne-se em Macau para uma “celebração da língua portuguesa e das culturas dos países de língua portuguesa”, como assim o entende Lei Heong Iok, presidente do IPM.

 

A LÍNGUA E A CULTURA DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA NAS SUAS MÚLTIPLAS VERTENTES

O congresso prossegue hoje, pelas 14h30, com a conferência “Divulgar a Língua Portuguesa e as suas Culturas” e com a apresentação da nova série da revista “Veredas”, editada pela AIL. Hoje será ainda apresentada a “Plataforma 9”, um portal cultural do mundo de língua portuguesa desenvolvido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Associação Internacional de Lusitanistas. Amanhã, pelas 11h, tem lugar o seminário “O Português no Mundo” conduzido por Ana Paula Laborinho, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Benvida da Rosa Lemos Oliveira, da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, e Carlos André, do IPM. Já na quinta-feira vai decorrer a “Mesa dos Escritores” que vai juntar Carlos Morais José, em representação de Macau, Ana Miranda do Brasil e João Paulo Borges Coelho de Moçambique. Por último, a conferência “As Humanidades como ‘inuntensílios’: aceleração – intervalo – interpretação”, conduzida pela ex-ministra da Cultura portuguesa, Isabel Pires de Lima, irá encerrar o congresso na sexta-feira.

Todas as actividades são abertas ao público em geral, incluindo as 44 sessões de trabalho que decorrem em simultâneo ao longo da semana. Serão debatidos temas como os diálogos transculturais entre Brasil, China e Macau, literatura feminina brasileira contemporânea, o acordo ortográfico, a personificação do poder na literatura angolana contemporânea, o papel da tradução na consolidação da identidade macaense, entre muitos outros. No último dia será ainda anunciada a localização e entidade organizadora do XIII congresso que irá acontecer em 2020.

CVN

[Transcrição integral de: Lusitanistas reunidos pela primeira vez a Oriente para afirmar o papel da língua portuguesa. Jornal “Ponto Final”, de Macau, 25.06.17. Imagem de topo de: Instituto Politécnico de Macau.]

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‘Olâ genti conhecido’

Miguel Fernandes
A Dóci Papiaçam di Macau’s version of the patuá song written in patua by the late José “Adé” dos Santos Ferreira. Based on the original score “Lisboa é Assim”, composed by João Nobre

Do Brasil para Cabo Verde, Guiné e Macau: um estímulo à conversa em português

Começou como um perfil na rede social Instagram que desafiou a comunidade lusófona a participar num concurso de fotografia. Da iniciativa resultou um livro com as melhores imagens captadas. Da fotografia ao cinema documental foi um salto, com os responsáveis pelo projecto “Nossa Língua” a rumarem a terras longínquas. A mais recente foi Macau, onde uma equipa de filmagens esteve a rodar as primeiras cenas do segundo de quatro documentários previstos.

Existe na realidade uma língua comum nos países do designado universo lusófono? Estão estes povos a conversar entre si? A procura de uma resposta para estas perguntas levou os responsáveis pelo projecto “Nossa Língua”, sediado no Brasil, a Cabo Verde, Guiné Bissau e Portugal para a rodagem do primeiro filme de um movimento que pugna “pela conversa mundial em português”. No início do mês passado, uma equipa de filmagens associada ao projecto esteve no território para filmar as primeiras cenas do segundo de quatro documentários que tenciona produzir. O trabalho deverá ser lançado antes ainda do final deste ano. De Macau a equipa levou a vontade de poder regressar para recolher imagens que ficaram por capturar e conversar com pessoas que ficaram por entrevistar.

“Aquelas perguntas iniciais, aquela dúvida [sobre se] efectivamente falamos a mesma língua, acho que isso foi diluído. Efectivamente há uma conversa em português no mundo, mas eu acho que essa conversa tem de ser mais intensificada porque ela pode ser mais produtiva”, considerou Julio Silveira, editor e um dos rostos da iniciativa. Ultrapassada a dúvida inicial, criou-se espaço em Macau para explorar outros temas e abordar novas vertentes da língua de Camões. O também chefe de redacção do projecto “Nossa Língua” explicou que durante a estadia no território se interessou pela “história única de Macau” e pela questão do idioma: “Nós tentámos explorar a situação do português original, do patuá, no contexto da história de Macau. Tentámos entender como é que está a situação do antes e depois da transferência de soberania, [quando se] perde o estatuto da língua portuguesa, qual é o estatuto actual, quais são os interesses envolvidos do Governo de Pequim e das outras comunidades”, adiantou Julio Silveira ao PONTO FINAL.

Do outro lado do mundo, os pés banhados pelo Atlântico, vão entrevistar emigrantes da RAEM que se estabeleceram no Rio de Janeiro, para “propor um contraponto entre a situação de Macau” e de quem foi para o Brasil. A fórmula a adoptar no segundo filme será a mesma utilizada no primeiro, como explica o também co-director da série documental: “A gente tem um foco por episódio mas também continua fazendo conexões em outros países. No primeiro episódio nós focalizámos Cabo Verde mas nós pusemos em diálogo Cabo Verde, Portugal, Brasil e Guiné Bissau. No segundo episódio nós vamos ter a mesma fórmula, a gente vai ter o foco sobre Macau mas nós vamos pontuar com imagens do Brasil, África e Portugal”.

A incursão à RAEM no mês passado foi a primeira de Julio Silveira ao território, dois anos depois de também ter visitado Cabo Verde pela primeira vez. Ao comparar os dois locais, o argumentista considera que em Macau “é muito mais dramática a situação, é muito mais densa, tem uma história muito mais complicada”. Ao visitar o arquipélago da Morabeza há dois anos, um dos principais assuntos em discussão era a construção de um resort, questão que foi retomada no mês passado: “Quando eu cheguei a Macau, a primeira vez que eu peguei num jornal estava lá dizendo que tinha sido lançada a primeira pedra do casino e que quem estava fazendo era o David Chow”, recorda. “Isso é uma conversa entre Macau, na Ásia, e Cabo Verde, no meio do Atlântico. É uma conversa no campo da lusofonia e de vez em quando eu acho que o Brasil fica alheio a essa conversa. Nós não aproveitamos esse diálogo criativo e económico entre os países”, critica Silveira.

CRIOULO, O IDIOMA DA SAUDADE E DO POVO DESESPERADO

“O crioulo é uma maneira interessante e criativa de enrolar o português. As palavras saem apertadas, é como se estivesse tudo aglutinado, como se tivesse perdido algumas vogais” diz Shirley Broxado, uma das entrevistadas no primeiro episódio do “Nossa Língua”. “Para você pensar e entender o que eles [cabo-verdianos] estão dizendo precisa alma porque eu acho que o crioulo nasceu da alma desesperada do povo convivendo com o português que foi imposto a eles”, acrescenta ainda a astróloga brasileira.

No centro do primeiro episódio esteve o idioma de Cabo Verde por quem o fala e entende. Osiris Fernandes, um dos cabo-verdianos entrevistados, diz que, para ele, “a força da palavra saudade em crioulo é muito maior do que em português”: “A saudade que eu sinto enquanto cabo-verdiano que vê o mar e uma pessoa amiga e a família partindo. Esse tipo de saudade só dá no cabo-verdiano por causa da situação em que vive, num país insular, sem recursos e que sabe que em algum momento da sua vida você vai ter que perder alguém” defende Fernandes.

“É UM POUCO INGÉNUO TENTAR ESTABELECER UMA COISA QUE É VIVA E QUE ESTÁ MUDANDO TODO O DIA”

Falar da língua portuguesa é também falar do acordo ortográfico que Julio Silveira considera ser “um pouco autoritário no sentido de que ele quer enquadrar uma coisa que é viva e que está mudando o tempo todo”: “Eu acho ele um pouco desnecessário, meio burocrático e ele não vai contribuir para a comunicação entre os países. Eu leio livros publicados em Portugal, no Brasil, em Angola e há um certo nível de ruído, digamos ortográfico, mas o que é importante mesmo, que é a mensagem, o sentimento, as histórias, isso não precisa de ser regulado por terceiros”, defende o argumentista.

“Eu sou editor e lancei livros de Gonçalo M Tavares e eu tinha dificuldades de perceber o que estava escrito e meus revisores queriam mudar frases inteiras”, conta Silveira. “Então eu tinha a impressão que a língua já tinha derivado do português mas quando entrei nesse projecto eu vi que não é assim e que as questões ortográficas e até o vocabulário não são tão graves ao ponto de complicar a inteligibilidade da língua”, admite.

Eu acredito que existe uma mesma cultura lusófona, que ela é extremamente variada, que ela parte de várias línguas e idiomas, mas no fundo existe um traço comum, um legado que a gente leva – talvez não se dê conta de que leve mas ele existe – que a gente tem de recuperar, entender e aceitar como um património nosso”, conclui Julio Silveira.

CVN

Jornal “Ponto Final” (Macau), 05.07.17

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“Alavancar”, disse ele

Fotografia: Eduardo Martins

Conselheiros das Comunidades Portuguesas alertam ministro para necessidade de divulgação da língua

Tiago Brandão Rodrigues esteve reunido com os conselheiros das comunidades portuguesas antes de realizar uma visita ao Instituto Português do Oriente. No IPOR, o Ministro da Educação de Portugal ouviu os alunos solicitarem a introdução de um grau de ensino da língua mais elevado.

Ponto Final (Macau), 14 Outubro 2016

João Santos Filipe

O Ministro da Educação do Governo de Lisboa, Tiago Brandão Rodrigues, esteve ontem à tarde reunido com os Conselheiros das Comunidades Portuguesas, que o alertaram para a necessidade de divulgar melhor a língua portuguesa no território e fazer pressão junto das autoridades locais para que o ensino do idioma seja introduzido nas escolas primárias públicas e privadas.

O encontro teve lugar no consulado, por volta das 17h00, estando presentes na reunião Rita Santos, Gilberto Camacho e Lídia Lourenço, além do ministro e do Cônsul, Vítor Sereno: “Falámos que é preciso sensibilizar o Governo da RAEM para ensinar a língua portuguesa na escola primária, não só nas escolas públicas mas também nas escolas privadas, para que as crianças aprendam o português mais cedo”, disse Rita Santos, ao PONTO FINAL.

“Também abordámos a necessidade da Escola Portuguesa de Macau ter mais interacção com as escolas chinesas e motivar as crianças a terem o desejo de aprender a língua portuguesa”, acrescentou.

Segundo a conselheira, as observações feitas pelos representantes das comunidades portuguesas foram bem acolhidas por Tiago Brandão Rodrigues, que prometeu o apoio do Governo de Lisboa nesse sentido: “Ele disse-nos que concorda com as nossas propostas e espera que através do Consulado-Geral, e em paralelo com o Governo de Portugal, se possa continuar a sensibilizar a sociedade para uma maior utilização da língua”, contou.

Após a reunião, o ministro fez uma visita às instalações do Instituto Português do Oriente, onde ouviu a opinião de alguns alunos sobre o ensino do idioma de Camões em Macau: “Vim presenciar o trabalho excelente que aqui se faz no ensino do português e ter oportunidade de conhecer a viva voz da direcção do IPOR, dos docentes e de falar com os estudantes. Também pude explicar-lhes como a língua portuguesa pode alavancar as oportunidades não só profissionais, mas também pessoais”, disse o governante.

Nesta visita, um aluno houve que interrogou o Ministro sobre a eventual introdução do nível de ensino C2 no IPOR, que é o mais elevado. Neste momento o IPOR apenas fornece o nível C1.

No entanto o director do IPOR, João Neves, explicou que esta possibilidade só poderá ser concretizada em parceria com uma universidade, isto porque o nível C2 é um grau académico: “O C2 é um curso que corresponde a um curso universitário. Nós não somos umas instituição de ensino superior portanto haveria alguma incongruência em fazê-lo. A nossa preocupação é ter um nível C1 bom e sólido para que os nossos formandos quando apresentam um diploma tenham as capacidades que correspondem aos certificados”, explicou João Neves.

Mesmo assim, o director do IPOR admitiu que caso alguma instituição do território esteja disposta a colaborar com o instituto, que este pode envolver-se num curso que forneça aos alunos o graus académica C2.

Source: “Ponto Final” – Conselheiros das Comunidades Portuguesas alertam ministro para necessidade de divulgação da língua, 14.10.16

Esta notícia foi transcrita no Português-padrão do original. Acrescentei um destaque e um “link”.

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Mais negócios da China


Fórum Macau | Secretária-geral pede maior cooperação com sector privado

Por Andreia Sofia Silva6 Outubro, 2016

Em tempo de crise, China e Países Lusófonos limpam as armas. As dificuldades em fomentar o comércio também estão relacionadas com a fraca diversificação da oferta.

Macau está prestes a acolher a 5ª Conferência Ministerial do Fórum Macau (realiza-se entre os dias 11 e 12 de Outubro), mas os desafios económicos não vão ser esquecidos. Num ano os números do comércio bilateral baixaram dos 132 mil milhões de dólares americanos (dados de 2014), para apenas 9,8 mil milhões de dólares o ano passado. A Angola pediu apoio ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e nem sempre os números do comércio foram animadores. Contudo, em entrevista concedida ontem aos órgãos de comunicação social, os responsáveis do Fórum Macau mostraram-se optimistas quanto ao novo plano de acção a ser traçado em dois dias de reunião.

Segundo Xu Yingzhen, nova Secretária-Geral do organismo, será feita uma maior análise às potencialidades da política “Uma Faixa, Uma Rota”. “Vamos coordenar-nos melhor com a política e introduzir os conceitos para uma futura cooperação. Bilateralmente e unilateralmente vai ser discutida esta política”, explicou.

Apesar da existência de um Fundo de Cooperação e Desenvolvimento, Xu Yingzhen defendeu uma maior participação do sector privado. “Os créditos preferenciais poderão ser algo para promover a cooperação, mas esta depende do mercado e das instituições privadas. Notámos que há iniciativas do sector privado para participar na cooperação, não apenas do Banco de Desenvolvimento da China mas outros bancos e instituições financeiras. De uma forma mais sustentada há que haver maior participação do sector privado e não apenas do sector financeiro.”

A nova secretária-geral do Fórum Macau quer ainda que sejam destacadas as capacidades produtivas de cada país. “Talvez possamos usar o Brasil como uma ponte para entrar na América do Sul, Portugal para entrar na Europa e os [outros] países para entrar em África. Podemos pensar novas formas de cooperação mediante consultas.”

As dificuldades

O último plano de acção do Fórum Macau falava na meta dos 160 mil milhões de dólares americanos em trocas comerciais, valor que nunca foi atingido. Mas Xu Yingzhen mostra-se confiante para os próximos anos.

“O ambiente do comércio internacional está em baixo e os preços das mercadorias baixaram imenso. A redução do comércio entre a China e os PLP devem-se a essas razões. Mas tenho esperança que o comércio possa melhorar com uma melhoria do ambiente internacional e de facto existem muitas potencialidades para uma futura cooperação no âmbito comercial.”

Questionada sobre as consequências negativas que alguns cenários sócio-políticos podem trazer, tal como a crise política no Brasil ou o pedido de resgate de Angola, a secretária-geral optou por desvalorizar.

“Não creio que isso aconteça, porque existem sempre as necessidades de mercado. Há uma base muito sólida em termos de cooperação. As empresas chinesas têm os seus contactos muitos estáveis com os mercados dos PLP e assim que seja melhorado o ambiente do comércio internacional penso que o comércio bilateral possa voltar à sua tendência de crescimento.”

Yuan vai facilitar

Vicente de Jesus Manuel, secretário-geral adjunto, lembrou que a conjuntura actual dos países não é das melhores. “As trocas comerciais estão a cair 18 a 19% em relação aos anos anteriores, por isso uma das saídas para reverter a situação é diversificar a economia dos países de língua portuguesa, que são mais exportadores de matéria-prima não processada. Temos o processo de internacionalização do yuan, o que vai facilitar o investimento como também as trocas comerciais”, explicou. “No próximo plano de acção os países vão explorar os benefícios que podem ter em conjunto com a política ‘Uma Faixa, Uma Rota’, prevendo-se ainda a criação de um plano de acção em relação à capacidade produtiva. A expectativa é maior. As áreas antes acordadas serão reforçadas”, concluiu Vicente de Jesus Manuel.

As promessas que a China cumpriu

– Concedidos 1800 milhões de yuan como crédito preferencial para a zona económica especial e o Instituto Confúcio em Moçambique. Angola recebeu infra-estruturas e o Instituto Técnico-Profissional, bem como um centro de distribuição de energia. Timor-leste recebeu uma escola, enquanto que a Guiné-Bissau ganhou um novo centro de saúde

– Fundo de Cooperação e Desenvolvimento resultou em dois empréstimos, estando mais três projectos em fase de aprovação. Há 20 projectos por analisar

– Enviados 200 médicos, equipamentos e materiais para África. Angola, Moçambique e Guiné-Bissau foram os países mais beneficiados, sendo que só para este último foram canalizados 30 milhões de yuans para o combate ao Ébola

Nova secretária-geral é fluente em… espanhol

Xu Yingzhen, a nova secretária-geral do Fórum Macau, é fluente em Espanhol e não domina a Língua Portuguesa, idioma que serve de base à instituição que coordena e a toda a cooperação entre os países lusófonos e a China. Ainda assim, Xu Yingzhen garantiu que tal não traz quaisquer condicionantes ao seu trabalho. “Penso que não existem quaisquer obstáculos porque tenho uma comunicação fluida com os meus colegas. Todos os dias temos diálogo sobre o nosso trabalho e o Espanhol é muito parecido com o Português. É um desafio para mim, seria melhor que eu dominasse o Português com a maior brevidade possível. Ainda estou a aprender”, referiu.

Para Rita Santos, o facto da nova secretária-geral não falar Português não constitui qualquer problema. “Nesse aspecto não é importante, porque domina a língua oficial, o Chinês. É uma pessoa com capacidade de liderança e conexões com o Governo Central e organismo ligados a cooperações já delineadas”, disse ao HM. O HM tentou ainda obter outras reacções sobre o facto de Xu Yingzhen não dominar o Português, mas até ao fecho desta edição não foi possível.

Xu Yingzhen é licenciada em língua espanhola pela Universidade de Economia e Negócios Internacionais de Pequim, tendo entrado em 1989 para o Ministério do Comércio da China. A actual secretária-geral do Fórum Macau foi directora-geral adjunta do Gabinete para os Assuntos das Américas e Oceânia, com uma passagem pela Câmara do Comércio da China no Chile.

Source: Fórum Macau | Secretária-geral pede maior cooperação com sector privado | Hoje Macau

“Links” e destaques meus.

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“Passarinhos quadrúpedes”

Erro do IACM choca residentes que falam português mas não é um caso isolado

O presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais pediu desculpa pela confusão cometida pelo organismo, que trocou no seu portal electrónico a língua portuguesa pela castelhana e promete investigar o caso. Para a comunidade local, o erro é inadmissível, mas não é um caso único e tem as raízes no tempo da Administração Portuguesa.

 

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“ponto final” (Macau), 09.09.16

João Santos Filipe

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) publicou na sua página electrónica um postal em castelhano, desejando ao visitantes uma “Feliz Fiesta de la Luna”, quando pretendia utilizar o idioma português. O erro foi assumido pelo presidente do IACM, José Tavares que, através da página do PONTO FINAL na rede social Facebook, pediu desculpas pelo ocorrido. Segundo o mesmo foi ontem instaurado um processo para apurar as responsabilidades.

A atitude do presidente do IACM mereceu elogios na rede social, mas não faltou quem definisse o erro como “vergonhoso”. Também os membros da comunidade lusófona radicada no território, contactados pelo PONTO FINAL, se mostraram críticos com o caso: “Não tenho palavras para o erro… Aquilo nem é bem um erro, um erro seria ter uma letra trocada. Aquilo é simplesmente confundir uma língua com a outra… É imperdoável”, disse Fernando Gomes, antigo presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, médico e presidente da Associação dos Médicos dos Serviços de Saúde.

Para Rui Rocha, coordenador do Departamento de Português da Universidade Cidade de Macau, o caso ganha especial relevância por se tratar de um erro cometido pelo próprio Governo: “Fiquei espantado. Mesmo considerando eu o português uma língua subsidiária em relação ao chinês, esses erros não são admissíveis, principalmente na administração pública”, afirmou.

Contudo, erros ortográficos ou expressões incompreensíveis em português não são uma novidade no território. Quando Macau estava sob administração portuguesa estas falhas eram frequentes e ficou famoso caso de uma loja que em 1999, na Rotunda Carlos da Maia, anunciava no letreiro a comercialização de “Passarinhos Quadrúpedes”.

“Historicamente a língua portuguesa, mesmo na altura da Administração Portuguesa, tinha erros frequentemente. Bastava ler as tabuletas nas ruas. Pode haver a ideia que a língua portuguesa tinha um tratamento privilegiado até 1999 e isso deixou de acontecer. Mas não é verdade”, frisou Rui Rocha.

“É uma mera consequência do que a Administração Portuguesa deixou. Mas também mostra que nunca houve uma preocupação efectiva com o planeamento linguístico do português em Macau, que continua a não haver”, esclareceu.

Para Rui Rocha, a situação tem de ser resolvida com reformas ao nível do ensino básico e secundário, visto que o contacto com a língua portuguesa apenas no ensino superior não garante a proficiência necessária.

Fernando Gomes reconhece igualmente que estes erros existiam no tempo da Administração Portuguesa, porém diz que a exigência deve aumentar: “Apesar da falta, que é pública, de tradutores, o número que temos agora no Governo é superior em relação há dois, cinco anos ou mesmo no período antes da transição. É complicado justificar este erro quando se confunde uma língua com a outra. Mostra uma grande ignorância e estamos a falar de tradutores que têm uma boa carreira e um bom ordenado”, defende.

Fernando Gomes colocou ainda, em tom irónico, a possibilidade da tradução ter sido realizada por um “estafeta”, o que poderia justificar o acontecido. Mesmo assim, sublinhou que na rua há letreiros com erros visíveis e que estes são aprovados e inspeccionados pelo IACM.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Macaense e da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes, definiu o incidente como “lamentável”. Porém o advogado acredita que se ficou a dever a uma falha por parte dos trabalhadores nos escalões mais baixos da hierarquia do IACM, que muitas vezes “não têm uma certa sensibilidade para uma língua que todos os dias ouvimos dizer que é importante para o território”.

No entanto, o advogado destaca que em relação aos primeiros anos após a transição há uma alteração no discurso oficial, que cada vez mais sublinha a importância da língua portuguesa. Uma tendência que Miguel de Senna Fernandes diz estar presente na Assembleia Legislativa, mesmo entre os deputados da comunidade chinesa.

Source: Erro do IACM choca residentes que falam português mas não é um caso isolado

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