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AO90: acordo ortográfico entre Estados brasileiros

Os brasileiros são os donos da língua. Da língua  brasileira, é claro. Não têm nada que no-la impingir, com revoltante sobranceria, a pretexto de inacreditáveis invenções enjorcadas com os seus assalariados portugueses. De resto, nem se dão à maçada de mencionar os indígenas e as colónias, deixando tais “esclarecimentos” (um chorrilho de mentiras a armar ao “técnico” e à “linguística”) em defesa desse demente acordo a cargo dos seus lacaios portugueses.

Sempre que se referem a “língua” ou, pior, ainda, a ortografia, só uma coisa interessa a nossos “irrmaum” de além-Atlântico: respectivamente, o seu modo de falar (logo, de escrever) e a sua própria e exclusiva cacografia. Bem, isso é lá com eles, pois claro, que falem da sua escrita abstrusa e que sobre ela “reflitam” à vontade, força. com os nossos cumprimentos às esposas e aos consortes, consoante o caso. Tudo estaria nos conformes, portanto, caso não pretendessem impor a Portugal (e PALOP), como uma “infeção”, a peçonha da sua Babel em miniatura.

A título de ilustração dessa sobranceria neo-colonialista, se bem que se estejam marimbando para as sua colónias linguísticas, com as quais nem de raspão se ralam, para os brasileiros as colónias apenas têm de “adotar” a cacografia e pronto, não se fala mais nisso.

Neste artigo da “Amazônia”, como invariavelmente sucede, todas as “priocupaçaum” rodam infindavelmente em volta das “regras” (absurdas, desconexas ou ausentes) da sua forma de escrever — uma coisa parecida com transcrição fonética mas com o alfabeto e não com os símbolos exactos. 

Os jornalistas brasileiros “especializados” na matéria são uns cómicos. Todo o artigo é uma anedota pegada. Além das “regras de utilização” de umas coisas giras que mais parecem ter sido redigidas para mais fácil compreensão das criancinhas, há até um “fato” que lhes fica a matar: referem uma coisa, certamente dificílima de esgalhar, que baptizaram como “importância da Ortografia na escrita”. É o título do próprio textículo. Fantástico. Se calhar, digo eu, que não sou de intrigas, no Brasil é capaz de haver também ortografia na culinária, sei lá bem, ortografia no Cristo-Rei (que é brasileiro, como toda a gente sabe) ou até, quem sabe, devem ter lá ortografia no “futchibóu” e assim. Está por conseguinte inaugurado um novo ramo da tautologia (ou estupidologia, há quem diga): evidentemente, “Ortografia na escrita” é mais ou menos o mesmo que “água na oceanografia” ou, por extenso, “a importância do ar na respiração”.

note-se “djinheiro”, “djia”, “djitado”

No Brasil ainda não existe uma língua oficial propriamente dita. Mas para lá caminha a passos largos. Ainda não há um sistema de comunicação (oral e escrita) padronizado e nacionalmente comum. Há imensas línguas (e ainda mais dialectos, é favor não confundir uma coisa com a outra). A entrada da “wikipédjia lusôfona” sobre a matéria (ver em baixo) dá conta do essencial, nesse aspecto. Ora, assim sendo, o AO90 vem mesmo a calhar para o efeito. Finalmente conseguiram padronizar alguma coisinha e assim fixar a sua própria língua nacional.

O Português começou por servir no Brasil, um “país-Continente”, como língua franca; saltando uma longa (e interessante) história, funcionou como o Latim popular no Império romano ou como é e para que serve o Inglês nos dias de hoje.

De um ponto de vista técnico (as implicações geo-políticas são outra cousa), o “acordo ortográfico” não passa de uma tentativa de fixação de uma norma para a língua brasileira, cuja autonomização em relação à Língua Portuguesa começou com o “grito do Ipiranga” (7 de Setembro de 1822), acelerou em 1911, 1945 e 1986, e terminou com a imposição do “acordo” de 1990. O qual não passa, afinal, de um verdadeiro acordo ortográfico entre Estados, sim, mas apenas entre os 26 Estados brasileiros.

Precisamente, nisso se consubstancia e é essa a essência da luta contra o AO90: O Brasil que fique lá com a sua língua e que não venha para cá tentar impô-la à força. Por mais traidores e vendidos portugueses que forem capazes de arrebanhar, jamais conseguirão calar (ou corromper) a voz da razão.

Importância da ortografia na escrita

“Diário da Amazônia”, 11.01.21

A “arte de escrever corretamente as palavras de uma língua”, eis a definição de Ortografia, dada por Coelho Neto (2002), em seu estudo sobre a dificuldade na competência da apropriação do sistema ortográfico.  Etimologicamente, o termo é formado pelos elementos gregos “orto” e “grafia” que significam, respectivamente, direito (exato) e ação de escrever domínio da ortografia.

Entre regras, regularidades e irregularidades, a ortografia surgiu como forma de facilitar a comunicação escrita, delimitando as regras de acentuação gráfica das palavras, o uso correto das letras na escrita dos vocábulos, etc. Sendo assim, sua existência acaba assegurando que o idioma, a língua, não sofra mudanças drásticas dentro do próprio país.

Nesse viés, entende-se a ortografia como a ação de escrever direito, de forma correta, padronizada, o que demanda muito estudo e esforço. Aprender a escrever é um processo contínuo, praticando e dominando a ortografia de nossa língua, temos uma forma comum de escrever cada palavra. Portanto, quando conhecemos as regras de ortografia e praticamos, acabamos percebendo que escrever corretamente, fica mais fácil.

Desta forma, é possível afirmar que conhecer e ter habilidade com as regras que regem a ortografia de nossa língua significa ter maior probabilidade de proficiência na modalidade escrita.

Considerando as constantes mudanças na língua, nos deparamos em 2016 com Acordo Ortográfico de 1990 que passou a entrar em vigor no Brasil. As principais alterações aconteceram na maneira como algumas palavras são acentuadas e no emprego do hífen. Muitos brasileiros já conhecem as alterações, mas ainda estão se adequando às novas regras na prática.

Dentre o universo da Ortografia, estudamos sobre a Letra e alfabeto; Notações lexicais (acento agudo, grave e circunflexo, trema, apóstrofo, hífen); Regras de acentuação; Separação silábica; Ditongos; Regras de utilização de determinados vocábulos, como “mas” ou “mais”, “onde” ou “aonde” e Regras de utilização das letras, como as particularidades por trás do emprego de H, X, Y, Z, CH, SS, entre outras.

Para que se tenha êxito nos objetivos da produção textual, como a interação entre o produtor do texto e o seu receptor, deve-se construir um todo significativo, com os elementos que estabeleçam ligação entre as partes, isto é, que confiram coesão ao que se quer transmitir ao escrever e a ortografia é essencial nesse ponto.

Algumas dicas são úteis para melhorar a ortografia, como: Desabilitar o corretor ortográfico na hora da escrita no meio digital; Listar as palavras que geram dúvida com frequência; Estudar as regras da nova ortografia, dar atenção aos acentos e escrever no mínimo, dois textos por semana.

São ações que visam desenvolver novas capacidades acerca da apropriação do sistema ortográfico, que, consequentemente, pode melhorar a prática da escrita e reduzir a dificuldade na competência ortográfica, interagindo com a língua e respeitando toda sua a sua multiplicidade textual.

Línguas do Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

As línguas do Brasil são duas do tipo oficial a nível nacional: português[5] e libras.[6] Contudo, línguas minoritárias do Brasil são faladas em todo o país. O censo de 2010 contabilizou 305 etnias indígenas no Brasil, que falam 274 línguas diferentes.[7][8] Há comunidades significativas de falantes do alemão (na maior parte o Hunsrückisch, um alto dialeto alemão) e italiano (principalmente o talian, de origem vêneta) no sul do país, os quais foram influenciados pelo idioma português,[9][10] assim como um processo recente de cooficialização destas línguas, como já ocorreu em Pomerode e em Santa Maria de Jetibá.[11]

É estimado que se falavam mais de mil idiomas no Brasil na época do descobrimento. Segunda pesquisa anterior ao censo de 2010, esses idiomas estavam reduzidos ao número de 180.[12][13] Destas 180 línguas, apenas 24, ou 13%, têm mais de mil falantes; 108 línguas, ou 60%, têm entre cem e mil falantes; enquanto que 50 línguas, ou 27%, têm menos de 100 falantes e metade destas, ou 13%, têm menos de 50 falantes, o que mostra que grande parte desses idiomas estão em sério risco de extinção.[14]

Nos primeiros anos de colonização, as línguas indígenas eram faladas inclusive pelos colonos portugueses, que adotaram um idioma misto baseado na língua tupi, chamado nheengatu. Por ser falada por quase todos os habitantes do Brasil, ficou conhecida como língua geral. Todavia, no século XVIII, a língua portuguesa tornou-se oficial do Brasil, o que culminou no quase desaparecimento dessa língua comum.[14] Atualmente, os idiomas indígenas são falados sobretudo no Norte e Centro-Oeste. As línguas mais faladas são do tronco Tupi-guarani.[14]

Há uma recente tendência de cooficializar outras línguas nos municípios povoados por imigrantes, como as línguas italiana e alemã ou indígenas, através de levantamentos do Inventário Nacional da Diversidade Linguística instituído através de decreto pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 de dezembro de 2010,[15] que analisará propostas de revitalização dessas línguas no país.[16]

Também os estados de Santa Catarina[17][18] e Rio Grande do Sul possuem o Talian como patrimônio linguístico aprovado oficialmente no estado (já a língua alemã, de grande abrangência nestes dois estados, não foi oficializada ainda por não haver um consenso entre a padronização da forma hunsriqueana, ou a pomerana, ou a adoção das duas modalidades em simultâneo),[19][20] enquanto no Espírito Santo tramita desde agosto de 2011 a PEC 11/2009, que visa incluir no artigo 182 da Constituição Estadual a língua pomerana e a alemã como patrimônios culturais deste estado.[21][22][23]

Em âmbito federal, ao lado do português o governo brasileiro também reconhece como oficial a língua brasileira de sinais (LIBRAS), por meio da Lei nº 10.436, regulamentada pelo Decreto n.º 5.626. Trata-se de uma língua de modalidade visuogestual, oriunda da comunidade surda nacional.

 

[Sendo brasileiro o artigo, foi conservada a cacografia do original. Wikipédia brasileira (que acabou com a Wikipédia portuguesa).]

[Conservada a escrita brasileira do original. Destaques meus. Imagem de texto em: “Norma Culta” (Brasil). Imagem de rodapé de: http://www.linguabrasileirainverbo.com.br/]

A Guiné Equatoriáu e a CPLP

Muita gente, por alienação programada ou porque o assunto foi impingido como sendo menor, nunca entendeu, não entende e já nem quer saber para que diabo serve a CPLP e o que faz nessa “comunidade” a Guiné-Equatorial. É um grande mistério. Ou não.

Se tivermos em conta apenas os factos conhecidos e verificáveis de tão bizarra “ligação”, não é muito difícil perceber não apenas porque é que o país do ditador Obiang entrou na CPLP, como também o que é e para que serve a “comunidade”. Existe de facto uma relação de causa e efeito entre a admissão daquela ditadura e o carácter político-económico da organização.

Sendo a CPLP uma invenção totalmente brasileira (com a prestimosa colaboração de jagunços  portugueses), interessa ao Itamarati (e aos jagunços) ter mais um entreposto comercial em África, sendo que este, funcionando como uma espécie de feitoria do sub-mundo empresarial, facilita enormemente as negociatas e cambalachos em que se especializaram capitalistas pseudo-acordistas; ora, sendo inconfessáveis tais negociatas, os interesses tripartidos (digamos, 90% para brasileiros, 8% para portugueses, 2% para a família Obiang) têm, debaixo da cortina de fumo da “língua universáu”, uma espécie de caverna obscura para planear os seus assaltos e roubalheiras. Portanto, em conclusão, a Guiné-Equatorial serve, no contexto da CPLP, de entreposto para legitimar (e ocultar) negócios que de outra forma, por métodos legais, transparentes e legítimos seriam impossíveis.

O pouco que se sabe daquele país de Língua oficial espanhola não se recomenda de forma alguma (até tem “ficha” na CIA), em perfeita consonância com a génese, os métodos de actuação e as finalidades da agremiação inventada pelo Brasil e paga por Portugal.

Em linguagem cifrada, é disso que tratam estas duas notícias: a primeira limita-se a reproduzir um despacho da agência brasiLusa e a segunda desenvolve o tema, destapando uma pontinha do véu de secretismo que por definição envolve estas “cimeiras”.

De entre outros chavões incontornáveis dos “jornalistas” avençados pela CPLP, destaque-se o mais habitual de todos, sempre presente — expressa ou implicitamente — neste tipo de “notícias”: o encontro da organização lusófona deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”. Ou seja, traduzindo, empresas de apenas dois dos nove países, dez ou vinte grandes tubarões do Brasil e um ou dois dromedários de Portugal; a Guiné-Bissau, um narco-estado, e os micro-estados de Cabo Verde, São Tomé e Timor não contam porque não têm “grandes empresas” e Moçambique tem mais com que se ralar; talvez algum angolano apareça lá por Malabó, a ver as cotações dos diamantes no mercado-negro.

Guiné Equatorial acolhe “Cimeira de Negócios” da CPLP em Fevereiro

e-Global, 04.01.21

 

A Guiné Equatorial vai acolher em Malabo, entre 14 a 16 de Fevereiro, a primeira “Cimeira de Negócios” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Esta é a primeira vez que recebe o evento desde que aderiu à organização lusófona, em 2014.

O anúncio foi feito pela Embaixada da Guiné Equatorial em Lisboa, capital de Portugal. A cimeira é patrocinada pelo Governo equato-guineense e também pelo secretariado executivo da CPLP, estando a organização a cargo da Confederação Empresarial da CPLP.

O objectivo do evento é “impulsionar, desenvolver e fortalecer a cooperação económica e empresarial” entre os Estados-membros da organização dos países de língua portuguesa e observadores associados.

Um comunicado da Embaixada da Guiné Equatorial refere ainda que o encontro da organização lusófona deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”.

Recorde-se que, além da Guiné Equatorial, a CPLP é igualmente constituída por Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné-Bissau.

Guiné Equatorial acolhe “Cimeira de Negócios” da CPLP em Fevereiro

“Expresso das Ilhas“, LUSA, 30 Dez. 2020

 

A Guiné Equatorial vai acolher em Malabo de 14 a 16 de Fevereiro a primeira “Cimeira de Negócios” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desde que aderiu à organização em 2014, anunciou a embaixada equato-guineense em Lisboa.

A cimeira, patrocinada pelo Governo equato-guineense e pelo secretariado executivo da CPLP, e organizada pela Confederação Empresarial da CPLP, tem como objectivo “impulsionar, desenvolver e fortalecer a cooperação económica e empresarial” entre os Estados-membros da organização dos países de língua portuguesa e observadores associados.

Segundo um comunicado da embaixada equato-guineense, o encontro da CPLP deverá levar “à Guiné Equatorial grandes empresas de todos os nove países, espalhados por quatro continentes”.

Empresas dos sectores do petróleo e gás, indústria, pesca, agricultura, transformação alimentar, meio ambiente, turismo, transportes, saúde e formação dos nove países da CPLP vão ter acesso a um menu de “oportunidades de negócio no país”, a ser apresentado pelo governo anfitrião, assim como conhecer as instituições locais de suporte ao investimento internacional, ainda segundo o texto.

A queda dos preços do petróleo, em consequência da violenta quebra de consumo mundial provocada pela pandemia de covid-19, teve um forte impacto na economia da Guiné Equatorial, que em agosto remodelou o Governo, e em Outubro substituiu o ministro das Finanças, como recurso de combate à crise, assumido pelo próprio Presidente Teodoro Obiang Nguema.

O chefe de Estado declarou na altura ter sido obrigado “a tomar medidas rigorosas para mitigar os efeitos de uma grave recessão económica e prevenir a instabilidade política e social”.

Obiang sublinhou então que “razões económicas” justificaram a dissolução do Governo anterior e que o novo executivo – ainda que fundamentalmente com o mesmo elenco – devia “procurar soluções específicas e viáveis para resolver os atuais problemas enfrentados pelos países do mundo e os problemas económicos”.

A consultora Economist Intelligence Unit (EIU) considerou no início do quarto trimestre deste ano que a Guiné Equatorial vai necessitar de mais ajuda financeira além do programa do Fundo Monetário Internacional (FMI), antevendo uma queda de 5,5% no PIB em 2021.

“Antevemos que a Guiné Equatorial vá pedir mais assistência além do seu atual pacote de financiamento, e cumprir as condições prévias de financiamento dos credores será uma das principais prioridades políticas, com o Governo a tentar encontrar maneiras de gerir o forte choque nas receitas causado pela pandemia”, escreveram os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Numa nota sobre a economia do país enviada aos clientes, os analistas da EIU estimaram que a Guiné Equatorial enfrentará uma recessão de 12,7% do PIB este ano e que em 2021 a economia volte a quebrar, ao contrário do que prevê o FMI, que antecipa um crescimento da economia equato-guineense no próximo ano.

Desde a sua independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial tem sido considerada pelos grupos de direitos humanos como um dos países mais repressivos do mundo, devido a alegações de detenção e tortura de dissidentes e de fraude eleitoral.

Obiang, que tem liderado o país desde 1979, quando derrubou o seu tio, Francisco Macias, num golpe de Estado, é o Presidente em funções há mais tempo em todo o mundo.

A Guiné Equatorial integra a CPLP desde 2014, que é ainda composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

“Pandemia da ignorância” [Pedro Marta Santos, “Sábado”, 05.01.21]

A ciência e a matemática são muito importantes, mas a arte e as humanidades são imprescindíveis à imaginação e ao pensamento intuitivo que estão por trás do que é novo.
António Damásio

 

Não obstante existam inúmeras opiniões, fundamentadas em imenso suporte documental e trabalho de campo  experimental, sobre a questão do QI (Quociente de Inteligência), parece ser um facto indesmentível que existe uma co-relação*** e, de certa forma, um certo nexo de causalidade entre inteligência e escrita. Essa co-relação*** será até bi-unívoca, visto que não apenas é muito mais fácil para um aluno dotado aprender a escrever, por um lado, e por outro o acto de escrever é, sem dúvida, um factor de incremento intelectual (por assim dizer). Exemplos flagrantes de tal interacção vão dos exercícios mais simples (incluindo as palavras cruzadas, o Scrabble e outros jogos) até a expressões-chave (“leste-me os pensamentos”, “tu para mim és um livro aberto”) e abarcam mesmo rituais particulares; namoro (cartas, recados), “pichagens” nas paredes, leitura compulsiva, etc.

Nesta acepção, a imergência de todo o tecido social nas chamadas “redes sociais”, independentemente da faixa etária ou do estatuto pessoal e profissional de cada qual, representou e representa, quanto à Língua, uma verdadeira tragédia; nas ditas “redes” há de tudo, boa gente e escroques, tarados e pseudo-intelectuais mas também gente que sabe escrever e não engoliu uma vassoura, uma miríade de conteúdos aproveitáveis em contraste com lixo do mais abjecto, cobarde, insultuoso, aviltante; o maior problema desses tugúrios virtuais, porém, quanto à escrita, é a aceleração vertiginosa do processo de degradação que o sistema de Ensino convencional veicula e até promove. A mediocridade que desde há décadas (ou séculos) se instalou no nosso sistema “educativo” e a novel promoção acelerada da Escola enquanto “espaço lúdico”, mimetizando um parque infantil monstruoso ou um circo de 700×200 km, conduziram a uma sistemática fabricação de seres avessos ao conhecimento, renitentes quanto ao estudo e absolutamente alérgicos a um mínimo de rigor; consequentemente, tornou-se vulgar — e até motivo de gala — escrever “com os pés”, ou seja, de qualquer maneira, não importa como, “desde que se perceba”…

E, é claro, a partir de 2010 caiu em cima do sistema, já de si laxista e incompetente, uma epidemia (“pandemia”, para ser exacto) que veio desferir o golpe de misericórdia no Português-padrão; o AO90 destruiu o que de sério ainda restava no Ensino e, para acabar com uma única e geral espadeirada, fez com que imensos portugueses — sem qualquer obrigação ou necessidade disso — “adotassem” a cacografia brasileira no  quotidiano.

Por isso, digo eu, este extracto de um artigo de Pedro Marta Santos tem todo o interesse, Termina, porém, numa pergunta que jamais obteve resposta dos autores do estropício. Os quais, aliás, acoitados na impunidade, sob a mão oculta dos Donos Disto Tudo, nunca responderam a coisa nenhuma nem responderam por coisa alguma.

Quando a resposta ao articulista, senhores acordistas, teria sido muito simples: por nada.

Da estupidez em 2021

 

O maior desafio de 2021 é o da pandemia da ignorância.

O efeito Flynn é a asserção, polémica mas maioritária, de que o valor do Q.I. das populações mundiais tem subido de forma consistente desde o pós-guerra. Nas últimas duas décadas, os especialistas em ciências cognitivas constataram uma inversão do efeito Flynn, sobretudo nos países mais desenvolvidos. Para Christophe Clavé, um guru da estratégia empresarial e professor na INSEEC Business School of Economics, grupo francês especializado no ensino de gestão com filiais em Londres e São Francisco, uma das chaves do problema é a linguagem.

Com o empobrecimento do vocabulário dos millennials (nascidos entre os anos 80 e o final do século XX) e a redução do léxico da geração Z (nascidos entre a segunda metade dos 90 e 2010), não são apenas as palavras que perdem o valor comunicativo. É o próprio pensamento. Falar e, sobretudo, escrever no presente, sem projecção no tempo ou recurso ao condicional, o desaparecimento da pontuação, o abandono das maiúsculas e a longa quarentena de verbos sofisticados, antes em liberdade criativa, são causas e sintomas de um problema maior: a redução na capacidade de desenvolver e reproduzir ideias complexas.

Como António Damásio e outros há muito demonstraram, a atrofia do intelecto pressupõe a asfixia das emoções. Escrever de forma cada vez mais simples e em tempo linear mutila a diversidade emocional. Sem ela, tornamo-nos agressivos. Como frisa Clavé, “parte da violência nas esferas pública e privada provém directamente da incapacidade de descrever as emoções por palavras, como quando abolimos géneros, tempos e nuances”.

A essa escravatura da linguagem podem acrescentar-se os estrangeirismos tecnocráticos (aquele vazio supremo do soft power, do branding ou dos segmentos premium), o novo dadaísmo do Tik-Tok (onde a mensagem é o virtuosismo com que alguém se espeta contra uma parede) e a infantilização do diálogo (likes, tags, emojis). Quando tirarmos as máscaras, o maior desafio de 2021 será dinamitar o monólito das explicações simples para responder à complexidade do mundo. A vida é complicada. Porque não haveriam de o ser a linguagem e o pensamento?

[…]

[Transcrição parcial. Destaques e “links” meus.]

*** Como já disse várias vezes, pelo facto de o AO90 prever não uma mas diversas grafias, eu cá reivindico o direito de escrever conforme me dá na real gana, ou seja, em Português-padrão mas omitindo (de caminho) uma ou outra das regras do acordo de 1945 e mesmo da convenção de 1911.

 

Um murro na chipala

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[veja aqui um “filme” falado em “Portuguese” (“língua universal” brasileira)]
[imagem Facebook de uma empresa qualquer de “ensino” de “Portuguese” (brasileiro) online]
O AO90 não tem nem “erros” nem “deficiências”. O AO90 é um erro, todo ele, e é uma deficiência total, de cabo a rabo. Para que algo contenha “erros” e “deficiências” necessariamente deverá conter alguma coisa acertada, algo que faça pelo menos algum sentido ou, no mínimo, que tenha uma ponta por onde se lhe pegar; ora, é mais do que evidente que o “acordo ortográfico”, não sendo sequer um acordo e não contendo absolutamente nada de ortográfico, não apenas não tem ponta por onde se lhe pegue como também nem mesmo tenta disfarçar o seu carácter exclusivamente político e, por inerência, as suas finalidades: o aniquilamento do Português-padrão substituindo-o por uma versão exclusivamente brasileira visando a “adoção” dessa versão, sob a capa ficcionada de “língua universal”, para que seja “adotada” em alguns organismos supra-nacionais e assim “facilitar” os interesses geo-económicos do Brasil; esta dupla manobra de neo-colonização ao contrário utiliza na integra os ditames brasileiros com a colaboração de uma ridícula cáfila de traidores portugueses vendidos a sinecuras várias na CPLP (uma organização fantoche) no IILP e em outras instituições outrora portuguesas (Instituto Camões, LUSA, etc.).

Por conseguinte, sendo exclusivamente político, tentar “despiorar” o AO90 equivale a transformar um insulto à inteligência num simpático remoque. Ou tornar um monstro numa coisinha um bocadinho menos monstruosa. Ou ainda transformar, por artes nada mágicas, uma aberração informe numa elegante flor de papel.

O artigo que se segue, de uma publicação angolana (em Português correcto, visto que dos oito países da CPLP apenas Portugal “adotou” a aberrante cacografia) tenta inicialmente traçar uma espécie de “background” da questão e depois desenvolve a coisa num estilo bem mais solto, digamos, atirando-se vorazmente às canelas dos tugas que inventaram — para bajular ainda mais o Brasil, é claro — a CPLP e a sua excrescência a armar ao “ténico” (tem duas consoantes seguidas, não pode), aquela bambochata a que chamaram IILP.

Que não doam a mão e a escrita aos angolanos, é o que se espera e deseja. Cada cachaporra no toutiço daqueles anormais é mais uma pazada de terra (ou esterco) atirada para cima do cadáver adiado, o zombie ressuscitado por Cavaco, Lula e Sócrates.

Vasco Graça Moura, a CPLP e o… português

jornalf8.net. 03.01.21

 

Como o Folha 8 escreveu hoje, o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural distinguiu o gestor e jurista Emílio Rui Vilar, cujo percurso profissional “constituiu um expressivo exemplo de cidadania cultural”. Vasco Graça Moura nasceu no dia 3 de Janeiro de 1942 e morreu em 2014.

Vasco Graça Moura considerava que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) era uma espécie de organização fantasma, “que não serve para rigorosamente nada”, a não ser “ocupar gente desocupada”.

“O Instituto Internacional da Língua Portuguesa não está em funcionamento porque nenhum dos países membros da CPLP lhe dá meios para o fazer”, disse em Julho de 2010 o escritor e também poeta, a propósito da VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP.

“Isto corresponde a uma coisa chamada CPLP, que é uma espécie de fantasma que não serve para rigorosamente nada, que só serve para empatar e ocupar gente desocupada”, acrescentou na altura em declarações à Lusa. Para o escritor, o IILP “é uma entidade fantasma criada dentro de outra entidade fantasma.”

“Não se nota que exista qualquer espécie de política da língua da parte do Governo português e nota-se, da parte da mesma entidade, uma enorme estupidez na forma de tratar a língua, no que diz respeito ao Acordo Ortográfico”, disse o escritor.

Vasco Graça Moura, que foi uma das vozes contrárias ao Acordo Ortográfico por considerar que este tem deficiências e erros que lesam o Português, considerava que o Governo estava a cometer um crime contra a língua portuguesa.

Os crimes que este Governo está a cometer e está em vias de cometer em relação à língua diz respeito ao Acordo Ortográfico. Portanto, não há política de língua digna deste nome. Há uma série de equívocos em que este Governo está a persistir”, sublinhou.

Segundo o escritor, “o acordo ortográfico é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.”

“É um atentado que tenta desfigurar completamente a língua e é absolutamente irresponsável da parte de quem negociou e da parte de quem o aprovou”, disse.

“As pessoas falam português em qualquer parte do mundo e se entendem, seja no aspecto familiar, cultural, negocial, diplomático, isso nunca prejudicou ninguém (o facto de não haver um acordo ortográfico)”, referiu.

Graça Moura sublinhou também a importância dos países africanos lusófonos na projecção do português no âmbito internacional, além de Portugal e Brasil.

“Basta considerar o número de habitantes de todos os países que falam a língua portuguesa, não apenas o Brasil, não apenas Portugal. Se considerarmos os países africanos de língua portuguesa, temos mais 50 milhões de pessoas, pelo menos, a falar português”, indicou na altura.

Para Graça Moura, nunca foi preciso um Acordo Ortográfico para a projecção internacional do português.

“A projecção do português pode passar pelas organizações internacionais, pode passar pela promoção da cultura da língua, pela promoção da aprendizagem. Neste momento, a melhor maneira de projectar a língua é acabar, pura e simplesmente, com o Acordo Ortográfico”, concluiu.

Recordemos Amélia Mingas

No dia 21 de Julho de 2009, a directora executiva do Instituto Internacional de Língua Português (IILP), Amélia Mingas, disse que não iria recandidatar-se ao cargo em 2010, alegando que estava “cansada de ser sacrificada”.

Bater com a porta é, nestes casos, uma boa solução. Na altura esperava-se que o barulho fizesse algo pela comunidade lusófona (algo mais do que a mera CPLP), acordando-a da longa, mas bem nutrida, letargia em que ainda hoje se encontra.

“Tudo o que poderia ter dado já dei, com muito sofrimento e com muitas noites sem dormir para tentar ver o que poderia ser feito para dar visibilidade ao IILP. A única coisa que se comenta é que o IILP não fez nada e que é inoperante. Mas nunca deram meios”, afirmou a linguista angolana, nomeada em 2006 e reconduzida em 2008.

Também nós somos dos que dizem que o IILP é, tal como a própria Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, um elefante branco anestesiado pelas sucessivas tentativas de o tornar ora cor-de-rosa, ora laranja, ora outra coisa qualquer.

Isso não significa, nem significou como o Folha 8 escreveu em 24de Maio de 2016, uma crítica a Amélia Mingas, a não ser que deveria (exactamente porque nunca lhe deram meios) ter há muito dado um valente murro na mesa ou, talvez, até na chipala dos que se julgam donos da CPLP.

Amélia Mingas comentava nessa data os resultados da 14ª Reunião do Conselho de Ministros da CPLP, que decorreu na Cidade da Praia, em Cabo Verde, em que foi decidido criar um grupo de trabalho para pensar a refundação do Instituto, criado em 1989.

Questionada sobre se a perspectiva de Angola assumir a presidência da CPLP em Julho de 2010 poderia trazer benefícios para a direcção do IILP, Amélia Mingas foi clara na resposta: “Quando tudo isso for aprovado e capaz de ser posto em acção, já não estarei cá. Termino a minha comissão em Julho do próximo ano. E não me recandidato.”

Amélia Mingas sabia, melhor do que todos nós, que a refundação nada mais significaria do que a constatação do óbito do Instituto Internacional de Língua Português. Isto porque, ao esperarem que ele sobreviva sem “comer”, vão verificar que quando estava já a saber viver sem “comer”… morreu.

“Tem sido uma travessia difícil. A verdade é que, quer se queira ou não, o IILP tem uma directora executiva, que o representa e que dá a cara sempre que necessário, mas nunca se fala dos meios que lhe puseram à disposição. Foi uma missão muito ingrata”, sustentou.

(mais…)

A ideia de beleza

«The limits of my language mean the limits of my world»

Ludwig Wittgenstein

O que sobra para dizer quando está tudo dito? Que palavras restam ainda quando nos acerta  uma verdade como punhos?

Não é fácil, de facto. A este pequeno artigo de Clavé muito pouco ou absolutamente nada há a acrescentar. Enquanto francês (e que fosse inglês ou japonês ou espanhol), é fácil para o autor “falar” com despreocupada leveza daquilo que em França (ou na Commonwealth ou em qualquer país de língua oficial espanhola, por exemplo) não é mais do que uma inimaginável — e quase integralmente académica — hipótese remota. A  língua francesa não está em perigo, bem como o Inglês, o Castelhano, o Japonês, o Mandarim e o Árabe, entre outras “falas” e respectivas “escritas”.

Radicalmente diferente, como sabemos, inversamente e em estreia mundial, nós por cá vamos assistindo à demolição sistemática da nossa Língua e à sua neo-colonização por iniciativa de uma seita de traidores vendidos aos interesses brasileiros. A dupla operação geopolítica (esmagamento e substituição da Língua Portuguesa pelo patoá brasileiro) confunde-se com a operação (em curso) de engenharia (ou experimentalismo) social. Como diz Clavé, “quanto mais pobre a linguagem, menos pensamento existe“, e isso traduz em poucas palavras a fatalidade que nos calhou em sorte (azar): “il n’y a pas de pensée sans mots“, logo, é impossível estropiar as palavras  sem torturar, perverter, aniquilar o pensamento.

Sim, também é verdade, a mais ninguém em todo o mundo ocorreu «simplificar a ortografia, purgar a linguagem dos seus “defeitos”» e, de caminho, levar tudo a eito, arrasar uma língua nacional vetusta e honrada trocando-a violentamente pela História, a Cultura, o património imaterial, as idiossincrasias e o carácter identitário de uma amálgama de povos alienígenas.

E isso diz muito sobre o QI médio dos traidores e dos neo-imperialistas: rondará talvez a sageza equivalente à de um Cocker Spaniel.

Baisse du QI, appauvrissement du langage et ruine de la pensée par Christophe Clavé *

Zap du Net

L’effet de Flynn du nom de son concepteur, a prévalu jusque dans les année 1960. Son principe est que le Quotient Intellectuel (QI) moyen ne cesse d’augmenter dans la population. Or depuis les années 1980, les chercheurs en sciences cognitives semblent partager le constat d’une inversion de l’effet Flynn, et d’une baisse du QI moyen.

La thèse est encore discutée et de nombreuses études sont en cours depuis près de quarante ans sans parvenir à apaiser le débat. Il semble bien que le niveau d’intelligence mesuré par les tests de QI diminue dans les pays les plus développés, et qu’une multitude de facteurs puissent en être la cause.

A cette baisse même contestée du niveau moyen d’intelligence s’ajoute l’appauvrissement du langage. Les études sont nombreuses qui démontrent le rétrécissement du champ lexical et un appauvrissement de la langue. Il ne s’agit pas seulement de la diminution du vocabulaire utilisé, mais aussi des subtilités de la langue qui permettent d’élaborer et de formuler une pensée complexe.

La disparition progressive des temps (subjonctif, passé simple, imparfait, formes composées du futur, participe passé…) donne lieu à une pensée au présent, limitée à l’instant, incapable de projections dans le temps. La généralisation du tutoiement, la disparition des majuscules et de la ponctuation sont autant de coups mortels portés à la subtilité de l’expression. Supprimer le mot «mademoiselle» est non seulement renoncer à l’esthétique d’un mot, mais également promouvoir l’idée qu’entre une petite fille et une femme il n’y a rien.

Moins de mots et moins de verbes conjugués c’est moins de capacités à exprimer les émotions et moins de possibilité d’élaborer une pensée.

Des études ont montré qu’une partie de la violence dans la sphère publique et privée provient directement de l’incapacité à mettre des mots sur les émotions.

Sans mots pour construire un raisonnement la pensée complexe chère à Edgar Morin est entravée, rendue impossible. Plus le langage est pauvre, moins la pensée existe.

L’histoire est riche d’exemples et les écrits sont nombreux de Georges Orwell dans 1984 à Ray Bradbury dans Fahrenheit 451 qui ont relaté comment les dictatures de toutes obédiences entravaient la pensée en réduisant et tordant le nombre et le sens des mots. Il n’y a pas de pensée critique sans pensée. Et il n’y a pas de pensée sans mots. Comment construire une pensée hypothético-déductive sans maîtrise du conditionnel? Comment envisager l’avenir sans conjugaison au futur? Comment appréhender une temporalité, une succession d’éléments dans le temps, qu’ils soient passés ou à venir, ainsi que leur durée relative, sans une langue qui fait la différence entre ce qui aurait pu être, ce qui a été, ce qui est, ce qui pourrait advenir, et ce qui sera après que ce qui pourrait advenir soit advenu? Si un cri de ralliement devait se faire entendre aujourd’hui, ce serait celui, adressé aux parents et aux enseignants: faites parler, lire et écrire vos enfants, vos élèves, vos étudiants.

Enseignez et pratiquez la langue dans ses formes les plus variées, même si elle semble compliquée, surtout si elle est compliquée. Parce que dans cet effort se trouve la liberté. Ceux qui expliquent à longueur de temps qu’il faut simplifier l’orthographe, purger la langue de ses «défauts», abolir les genres, les temps, les nuances, tout ce qui crée de la complexité sont les fossoyeurs de l’esprit humain. Il n’est pas de liberté sans exigences. Il n’est pas de beauté sans la pensée de la beauté.

* Professeur de stratégie & management INSEEC SBE


[tradução]

QI diminuído, empobrecimento da linguagem e pensamento arruinado

Christophe Clavé

O efeito Flynn, assim chamado em homenagem ao seu criador, prevaleceu até a década de 1960. O seu princípio é que o quociente intelectual médio (QI) continue a aumentar na população. Desde a década de 1980, os pesquisadores de ciências cognitivas parecem compartilhar a observação de uma inversão do efeito Flynn e de uma queda no QI médio.

A tese ainda está em discussão e numerosos estudos estão em curso, há quase quarenta anos, sem esfriar o debate. Parece que o nível de inteligência medido pelos testes de QI está a diminuir nos países mais desenvolvidos e que uma série de factores pode ser a causa disso.

A essa queda, ainda disputada no nível médio de inteligência, soma-se o empobrecimento da linguagem. Existem numerosos estudos que demonstram o estreitamento do campo lexical e o empobrecimento da linguagem. Não se trata apenas de reduzir o vocabulário usado, mas também das subtilezas da linguagem que possibilitam o desenvolvimento e a formulação de pensamentos complexos.

O desaparecimento progressivo do tempo (subjuntivo, passado simples, imperfeito, formas compostas do futuro, particípio passado …) gera um pensamento no presente, limitado ao instante, incapaz de projecções no tempo. A generalização da familiaridade, o desaparecimento de letras maiúsculas e de pontuação são golpes fatais na subtileza da expressão. Excluir a palavra “rapariga” não é apenas renunciar à estética de uma palavra, mas também promover a ideia de que entre uma rapariguinha e uma mulher não há nada. Menos palavras e menos verbos combinados significam menos capacidade de expressar emoções e menos possibilidade de desenvolver um pensamento.

Alguns estudos demonstraram que parte da violência [discursiva] nas esferas pública e privada advém directamente da incapacidade de colocar palavras em emoções.

Sem palavras para construir o raciocínio, o pensamento complexo de Edgar Morin é dificultado, torna-se impossível. Quanto mais pobre a linguagem, menos pensamento existe.

A história é rica em exemplos e existem muitos escritos, de Georges Orwell, em 1984, a Ray Bradbury, em Fahrenheit 451, que relataram como as ditaduras de todas as persuasões impedem o pensamento, reduzindo e distorcendo o número e o significado das palavras. Não há pensamento crítico sem pensamento. E não há pensamento sem palavras. Como construir um pensamento hipotético-dedutivo sem dominar o condicional? Como imaginar o futuro sem conjugação com o futuro? Como entender uma temporalidade, uma sucessão de elementos no tempo, sejam eles passados ou futuros, bem como sua duração relativa, sem uma linguagem que faça a diferença entre o que poderia ter sido, o que era, o que é, o que poderia acontecer e o que acontecerá depois que o que poderia acontecer acontecer? Se um grito de guerra fosse ouvido hoje, seria dirigido a pais e professores: faça os seus filhos, os seus alunos, os seus alunos falar, ler e escrever.

Ensine e pratique o idioma nas suas mais variadas formas, mesmo que isso pareça complicado, principalmente se for complicado. Porque nesse esforço está a liberdade. Aqueles que explicam o tempo todo que é necessário simplificar a ortografia, purgar a linguagem dos seus “defeitos”, abolir os géneros, os tempos, as nuances, tudo o que gera complexidade, são os coveiros do espírito humano. Não há liberdade sem requisitos. Não há beleza sem a ideia de beleza.

AGEFI(Publicado em 15 de Novembro de 2019)

[Tradução, destaques e sublinhados meus. “TagCloud” gerada em CloudGenerator.]

Traduttore traditore

Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Abílio de Guerra Junqueiro

Isto não sucedeu só na tradução mas foi a tradução que a vigarice de Estado mais violentamente afectou. O AO90, ou seja, a imposição canina da língua brasileira, não apenas implicou a falência, a ruína, a extinção da actividade de tradução em Portugal, de empresas e principalmente de tradutores por conta própria, como implicou a pura e simples extinção do próprio conceito de “Língua Portuguesa”: o chamado “Português europeu” foi administrativamente abolido e em seu lugar aparece agora por todo o lado o brasileiro, essa horripilante “língua universáu”. A própria bandeira portuguesa foi virtualmente arreada e içada em seu lugar a bandeira brasileira para significar “Portuguese” nas empresas de tradução internacionais.

Claro que a geral carneirada, os burros de carga de que falava Guerra Junqueiro em 1896, engoliu esta imperdoável afronta e lá seguiu, com um encolher de ombros e assobiando, num alegre optimismo que faria inveja a qualquer Miguel de Vasconcelos temporão e fantasmagórico.

De certa forma, com muito boa vontade e não menor caridade, a atitude da dita carneirada compreende-se; é do conhecimento comum que a hombridade e a coragem são, nos sinistros tempos que vão correndo, luxos caríssimos; a noção de honra, somente a noção. já sem ir mais longe, como o brio patriótico ou o orgulho nacional, não passam agora de vagas memórias que se misturam num passado longínquo com os nossos “egrégios avós”, que do hino se papagueia sem o mínimo significado.

Para esta nação de “heróis do mar” a terraplanagem neo-colonialista parece afinal ser indiferente, coisa de somenos. Para os tradutores em particular, de facto, sem ofensa (ou com ela, tanto se me dá), resta o labéu cujo significado, profundo e triste, só agora se revela e que pouco ou nada tem a ver com o do jogo de palavras antigo: tradução, traição.

[este jornal é português, não é brasileiro]

jornaldocentro.pt, 21.12.20

Qual é o custo de uma tradução online?

O cálculo do preço para traduções profissionais depende de vários fatores e varia de profissional para profissional e de agência para agência de tradução. Isto porque existem vários métodos diferentes para chegar ao valor final e também existem muitos fatores que influenciam a complexidade dos trabalhos.

Veja alguns exemplos do que pode influenciar o custo de uma tradução online:

Formato do documento: se o documento a ser reproduzido é muito complexo, o custo pode ser maior do que uma tradução mais simples. Por exemplo, se o documento a ser traduzido contém gráficos ou imagens que exigem tradução, o trabalho será maior e o custo da tradução também será maior; há também o DTP (Desktop Publishing), que influencia no custo da tradução online. Criar novos gráficos, tabelas ou imagens vai gerar trabalho extra.

O volume: um maior número de palavras ou de páginas tem um preço correspondente;

Prazo: traduções mais urgentes costumam ter um custo mais elevado;

Combinação linguística: quanto mais raro o idioma, maior será o preço da tradução.

Grau de conteúdo técnico: quanto mais técnicos forem os documentos, maior o preço;

Entre outros;

Quais são os cálculos de custo de tradução online mais comuns?

Pode aceder este site para saber mais sobre o Custo de Tradução https://www.protranslate.net/pt/custo-de-traducao/. De qualquer forma, os cálculos de custo de tradução online mais comuns são:

Custo de Tradução por Palavra

Nestes casos, o orçamento será de acordo com o número de palavras num documento. Este é um método de valorização bastante usado em empresas de confiança como a Protranslate, que possui uma plataforma online onde pode submeter o seu documento, selecionar um idioma e depois calcular o custo do serviço de tradução.

Custo por Página de Tradução Certificada

Como a modalidade de Tradução Certificada possui preços tabelados, os valores destes serviços costumam ser fixos. De qualquer forma, plataformas como a Protranslate também permitem que envie os seus documentos e tenha acesso a traduções profissionais de acordo com o serviço que necessita.

Tudo o que precisa fazer é aceder à plataforma, enviar o documento, selecionar o idioma de origem e o de destino que pretende na sua tradução. Depois, ser-lhe-á pedido que escolha a categoria da tradução, ou seja tradução certificada. A partir daí vai conseguir aceder a um valor médio do custo pelo serviço.

É importante salientar que, mais do que o custo, é preciso observar a qualidade da agência de tradução ou dos profissionais que farão o trabalho. Procure sempre empresas que também disponibilizem profissionais de revisão de texto, para garantir qualidade e legibilidade em cada documento, evitando erros de ortografia, gramática e estilo.

[A imagem de topo foi copiada do “site” LawLinguistics. O autor da pintura original (Torre de Babel) foi Pieter Bruegel the Elder (1563)]