Etiqueta: rádio

Novo Império (escola de samba, Figueira da Foz, Portugal)

Fragmento de troca de comentários, em data incerta (talvez 2017), entre dois utilizadores do Facebook. Este recorte, encontrado e repescado por mera casualidade, estava perdido entre dezenas de materiais e conteúdos diversos numa das várias “colecções” que ao longo do tempo foram sendo guardadas (à cautela) em locais e em suportes diferentes.

[Tradução]

— Mihail Cazacu (Bucareste, Roménia)
Porque é que em Portugal se fala Português, uma língua brasileira, em vez de uma das línguas europeias?
— Garcia Francisco (Portugal)
Em Portugal falamos Português, que é efectivamente uma língua brasileira, dado o facto de nós termos sido descobertos em 1876 por uma navegadora brasileira de nome Fafá de Belém. A capitã Fafá atravessou o Atlântico num barco chamado Chico Buarque e encontrou terra num local hoje conhecido como sendo a costa de Portugal, perto de Évora, uma cidade costeira de onde eles enviavam escravos portugueses para o Brasil. Depois de estabelecido o comércio de escravos, os colonizadores brasileiros começaram a desenvolver o local e por fim começaram a enviar [para cá] as suas telenovelas, que sem dúvida se tornaram no ponto fulcral da Cultura deste jovem e ingénuo país. Apenas em 1958 conquistamos a independência em relação ao [Brasil] […]

Evidentemente, este “diálogo” tem tanto de virtual como de — não sendo brutal na adjectivacão — irónico. O ilustre desconhecido, Garcia Francisco de sua graça, merece uma saudação calorosa pelo extraordinário sentido de humor com que destrói uma intrigante dúvida existencial de certa cabecinha extremamente baralhada. Presume-se que a interlocutora romena tenha ficado mergulhada numa ainda mais intrincada teia de ignorância sobre Portugal e a Língua Portuguesa e sobre o crioulo brasileiro mai-lo seu “gigantismo”. É, no entanto, algo curioso que até entre alguns estrangeiros já comece a pairar a fábula brasileirista.

A resposta não é de todo irónica, afinal. Podemos mesmo dizer que é reveladora — e tristemente — do ponto a que chegou já a “difusão da língua” brasileira no mundo, ou seja, da intensa campanha de desinformação e de intoxicação da opinião pública promovida pelos lacaios neo-imperialistas da tugalândia.

Ainda menos piadético do que este “diálogo”, se tal coisa é possível dizer a respeito das golpadas visando a estupidificação em massa, é a gravação que seguidamente [agradecimentos a Paulo Martins pela indicação] podemos “apreciar” ao vivo e a cores: as “exigências” que brasileiros em Portugal pretendem impor ao país que os acolheu (e que os qualifica), na sua auto-assumida condição de colonizadores. Em suma, para este naipe extremamente “selecto”, é um escândalo que em Portugal se fale Português. Acusando os “portuguesinhos” do habitual no seu discurso característico e atirando-lhes para riba dos lombos os insultos habituais (que nós somos “preconceituosos” e xenófobos”, essas lindas coisinhas), em especial os “académicos” do calçadão — a coberto da total impunidade conferida pelos brasileiristas tugófilos — fartam-se de malhar no país, nos seus habitantes e na sua Língua.…e


Nada disto é meramente casual, evidentemente. O linguicídio é “apenas” uma das facetas mais visíveis e notórias do processo em curso que visa a aniquilação da identidade nacional. Além do factor identitário fundamental, substituindo a Língua Portuguesa pela brasileira a coberto de um “acordo ortográfico” que de acordo nada tem e de ortográfico ainda menos, os brasileiristas nascidos em Portugal promovem sistemática e violentamente o esmagamento cultural e o radical apagamento da História de todo e qualquer resquício da Pátria que tanto os seus egrégios avós como aqueles bastardos gerou.

Com a maior das “levezas” (superficialidade) foram sucessivamente permitindo — e até mesmo facilitando — a eliminação de conteúdos portugueses. Em especial na Internet e nos sistemas informáticos — a começar pela extinção do “código de matrícula” do Português-padrão (CHCP 860) — mas também nos demais canais e meios de informação, difusão e entretenimento.

Já aqui foram escalpelizados alguns dos casos mais flagrantes de apagamento selectivo e eliminação sumária (Google e outros “motores de busca”, Wikipedia, programas de edição de texto, “corretores” cacográficos compulsivos, etc.). Todos os endereços de serviços e de plataformas que eram “https://domínio.com.pt” ou “pt.domínio.org” ou “domínio.xxx.pt-pt”, por exemplo, e que continham “interfaces”, documentação ou quaisquer outros conteúdos portugueses e cuja ortografia era a da Língua Portuguesa mantiveram o endereço (URL) mas o que agora deles consta está tudo na cacografia brasileira, escrito na língua brasileira e com conteúdos brasileiros; existem casos em que os anteriores conteúdos portugueses (imagens, entradas de enciclopédia, expressões idiomáticas, etc.) foram substituídos pelos equivalentes brasileiros.

Evidentemente, convém ir ilustrando e documentando o golpe de Estado, também a página de abertura da Wikipédjia Lusôfona contém apenas assuntos brasileiros (negócios, de preferência)

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos é uma parceria firmada entre o Brasil e a França, no ano de 2008, com o objetivo de transferir tecnologia para a fabricação de embarcações militares. É um componente da Estratégia de Defesa do Estado para o desenvolvimento do poder naval do país com a produção de quatro submarinos convencionais (propulsão diesel-elétrica) e do primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro. O programa fará do Brasil um dos poucos países a contar com tecnologia nuclear, ao lado de Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, China e Índia.

Apesar de o programa ter iniciado em 2008 com o objetivo de prover a Marinha do Brasil com uma “força naval de envergadura”, parte dele remonta à década de 1970 quando a Marinha começou a procurar o domínio da energia nuclear. (leia mais…)

Veja-se um outro caso ao acaso, que isto está por todo o lado e já infectou tudo: a versão “pt” (brasileira) da Google Maps utiliza para os transportes públicos portugueses a terminologia exclusiva do Brasil. Assim, o famoso “eléctrico 28” é uma espécie de monumento alfacinha em movimento a que agora os brasileiros impõem que se chame “bondji vintchioito” ou “bondjinho 28”.Temos portanto, por força do AO90, da “língua univérsáu” e, em suma, por ordem dos novos “bwana” cá do indigenato, que “em nossa cápitáu próvinciáu” Lisboa temos “bondes”, o que aliás é extensível a toda a colónia, onde também passamos a ter ponto de “ônibus” onde na anticlíngua tínhamos “paragens de autocarro” (uma chinesice que ninguém entendia, “ônibus” é muito mais “fáciu, viu”).
(mais…)

São Bento do Corcovado

Palácio de São Bento, Assembleia da República (Lisboa, Portugal)

 

De acordo com dados de 2010,[4] o desempenho do Brasil em participação política é comparável ao de Malauí e Uganda, considerados “regimes híbridos”, enquanto o desempenho em cultura política é comparável ao de Cuba, considerado um regime autoritário.[4] No entanto, a média geral do país é inferior somente à do Uruguai (nota 8,17), do Chile (nota 7,84) e da Argentina (nota 7,02) na América do Sul.[4] Dentre os BRICS, a Índia (nota 7,74) e a África do Sul (nota 7,56) possuem desempenho melhor.[4] [Wikipedia brasileira]

Com as devidas desculpas pela auto-citação, devo rectificar uma afirmação nela contida:

Esta campanha, utilizando as mais modernas tácticas (a CPLP), ferramentas (o AO90) e armamento (os OCS), foi lançada em 1986 por um “sindicato” de políticos brasileiros e portugueses que, em 1990, congeminaram um “acordo” político garantindo ao Brasil a tomada de posse administrativa da Língua Portuguesa e, re-baptizando-a como “língua universal”, outorgando àquele país o direito de se imiscuir (ou mandar) nos assuntos internos (ensino, diplomacia, exploração de recursos) de Portugal e dos ex-PALOP (agora PALOB). [post “Assinar de cruz”]

De facto, a fraseoutorgando àquele país o direito de se imiscuir nos assuntos internos de Portugal” peca por defeito. Conforme noticia o portal oficial da República Federativa do Brasil (em baixo, texto e áudio), o plano de anexação política em curso de execução desde 2008 tem agora o respaldo não apenas do Governo brasileiro como também do Congresso de Brasília, ou seja, literalmente, do poder executivo e do poder legislativo (mais ou menos) instituídos naquela federação.

O que significa, portanto, no que diz respeito a Portugal (e restante CPLP), que o Brasil já pode dispensar os acordos leoninos de bastidores, as conversações secretas, as negociatas e os “cambalachos” com os seus comparsas portugueses. Doravante, estribados na mesma “lógica” do “acordo ortográfico” (eles são 210 milhões e nós apenas 10 milhões), o Brasil está “legalmente” autorizado (por si mesmo e pelos vendidos portugueses) a não apenas ditar como a legislar sobre quaisquer matérias (literal ou metaforicamente) que sirvam os seus interesses.

O mais natural é que em Portugal ninguém sequer se aperceba de ter sido cumprida mais esta etapa do plano, como anteriormente ninguém se apercebeu da substituição de uma organização supra-nacional (os PALOP) por outra integralmente fabricada pelo Brasil (a CPLP), ninguém se apercebeu de que o objectivo principal sempre foi o esbulho das riquezas naturais de Angola e de Moçambique (Angola especialmente, claro), ninguém se apercebeu do golpe diplomático-político-económico a que os envolvidos chamam Acordo de Mobilidade e ninguém se apercebeu de que o Acordo Ortográfico representa a eliminação sumária da Língua Portuguesa substituindo-a pela brasileira. Muito menos a alguém passou sequer pela cabeça o maquiavelismo da montagem e encenação desta espécie de peça em três Actos:

Acto I: imposição a Portugal e PALOP, com a “assinatura” protocolar de dois pequenos Estados da CPLP, de uma cacografia alienígena a pretexto de uma pretensa “unificação” da língua brasileira, para o efeito re-baptizada como “língua universal”.

Acto II: brasileirização intensiva com a cobertura política de uma organização internacional fictícia (a CPLP), abarcando primeiramente os sectores educativo, editorial, comercial e de tradução, e posteriormente invadir — com participações directas ou através de assalariados de fachada — as mais diversas áreas industriais.

Acto III: a deformação das crianças e dos jovens de Portugal através de intensos “banhos” com insistentes “mergulhos” no caldo cultural brasileiro, não apenas a língua mas também os costumes e tradições, como as escolas de samba, abarcando já todos os níveis de educação escolar, incluindo as escolas portuguesas nas ex-colónias e ainda os centros culturais e de ensino (mesmo os destinados a PLE – Português Língua Estrangeira), em especial nas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

É este o guião da peça. Como envolve imenso ilusionismo e toda a sorte de truques, ninguém acredita no que os seus olhos vêem.

Pois bem, há novidades sobre o feérico espectáculo: enquanto o respeitável público está muito entretido ou imensamente distraído, as portas do teatro estão a fechar-se para sempre. Em breve ninguém poderá sair, escapar dali.

E dessa sorte eles não devolvem o custo dos bilhetes, nem em espécie de embrutecimento nem em contado de convulsões.

Escola de Samba Costa de Prata | Site Oficial (escostadeprata.pt)

 

  • Presidente da Câmara defende participação maior do parlamento brasileiro na CPLP

O presidente da Câmara participa de evento internacional em Portugal. Durante o encontro, Arthur Lira (PP-AL) anunciou a criação de comissão mista e encontro de países de língua portuguesa na Câmara. Mais informações na matéria do repórter Antonio Vital.

Na abertura do seminário sobre os 25 anos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, defendeu uma maior participação do parlamento brasileiro no fortalecimento da instituição, que reúne nove países e 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

Lira anunciou apoio à criação de uma comissão mista do Congresso Nacional para tratar dos temas e propostas relativos à CPLP, entidade que busca reunir e viabilizar interesses comuns dos países do bloco na economia e na cultura.
(mais…)

Assinar de cruz

«Apesar da manifesta melhoria das relações comerciais, apesar da TAP, da Embraer e dos contactos, um oceano de percepções continua a separar Portugal do Brasil. Que os brasileiros tenham cultivado o antilusitanismo, no século XIX, para construírem a sua própria identidade (que não existia antes da independência), compreende-se; que o continuem a fazer até hoje, quase 200 anos depois, já se percebe menos.» [Carlos Fino, 03.09.2018]


A expressão-chave nesta série de artigos e gravações sobre a colonização linguística brasileira é “português do Brasil” (com variantes como “português brasileiro”, por exemplo), essa tremenda mentira em que nem bebés de chupeta acreditam; para as crianças portuguesas — ou seja, para as principais vítimas da intoxicação malaco-becharense — aquilo que estão a aprender a falar e a escrever é brasileiro, é mesmo a língua brasileira. No que têm toda a razão, evidentemente, jorrando como sempre acontece pela boca das crianças a verdade crua, sem dourados, torções ou disfarces.

https://www.facebook.com/groups/616234322684043/posts/689189422055199/?__cft__[0]=AZWZka-dOHi8Uxu-5UVUh0kT2AQr2o1XhxlI02hGbEcxIu1t-uGGK2kGaJTAvt2G5k_1F0f_CFymySFADyZbCTjualwICiWC1Q8RB0Rs2o0R5jxWCRKeOvwq3KNZN-efNZIqvgF_Pqw_8Ah3qahss7H1mI-vpouXbnkwHIn2Xg_AjYPIii47J_lJODr0Qu7GEYo&__tn__=%2CO%2CP-y-RNo caso específico de mais esta notícia, de um órgão de comunicação social português, o enunciado da matéria jornalística mantém-se mas agora com outros e mais pormenorizados exemplos da campanha neo-imperialista, racista e xenófoba em curso; esta campanha, utilizando as mais modernas tácticas (a CPLP), ferramentas (o AO90) e armamento (os OCS), foi lançada em 1986 por um “sindicato” de políticos brasileiros e portugueses que, em 1990, congeminaram um “acordo” político garantindo ao Brasil a tomada de posse administrativa da Língua Portuguesa e, re-baptizando-a como “língua universal”, outorgando àquele país o direito de se imiscuir (ou mandar) nos assuntos internos (ensino, diplomacia, exploração de recursos) de Portugal e dos ex-PALOP (agora PALOB). As medidas mais concretas e imediatas já em curso de execução incluem a priori a perversão do Acordo de Schengen, que Portugal subscreveu enquanto país-membro da União Europeia, e a “negociação” — intermediada por portugueses comissionistas — com Angola e Moçambique da exploração de petróleo, diamantes, ouro, gás natural, madeiras exóticas e mão-de-obra “barata”.

Assumir ou presumir ou pretender que a destruição da Língua Portuguesa, que a permanente lavagem ao cérebro a que são sujeitos os portugueses e que o condicionamento mental das nossas crianças são meras “coincidências”, fingir que a campanha neo-imperialista brasileira é só mais uma “teoria da conspiração” ou, em suma, como corolário do infelizmente ancestral deixandarismo lusitano, continuar a assobiar para o lado e “vê-las passar”, corresponderá fatalmente a assinar de cruz uma extensa certidão de óbito passada à maioria ainda em vida e de novo aos seus egrégios avós.

“Oi, beleza?” Como os ‘influencers’ brasileiros transformam o português dos mais novos

Rádio Renascença
rr.sapo.pt, 14.10.21
14 Out. 2021 • Pedro Mesquita , André Rodrigues

Youtubers

Com a proliferação de canais de youtubers brasileiros, o português do país do samba substitui, por vezes, o português original no dia a dia de crianças entre os quatro e os dez anos. A escola acompanha com preocupação, os pais procuram corrigir o mais que podem. Mas nem sempre conseguem exercer o papel de regulação. Há crianças a adormecer “por exaustão”, reconhece uma professora.

“Oi, galera”, “Beleza?”. São as expressões do português que se fala no Brasil e que estão a tornar-se cada vez mais frequentes no vocabulário das crianças portuguesas. Basta entrar no YouTube e, rapidamente, se percebe que escolha é coisa que não falta.

Um dos mais populares em Portugal é Luccas Neto, que já superou a marca dos 32,6 milhões de inscritos no seu canal.

É um negócio de família, pode dizer-se: Luccas é irmão de Felipe, um dos primeiros youtubers a fazer sucesso no YouTube. O canal mais voltado para o público adolescente conta com mais de 40 milhões de inscritos e mais de 10 mil milhões de visualizações.

Mas é na faixa entre os quatro e os 10 anos que o fenómeno regista um crescimento mais acentuado. Há poucas crianças dentro destas idades que nunca tenham visto, pelo menos, um vídeo de Luccas Neto.

O que mais preocupa pais e educadores é o facto de verem e ouvirem horas a fio, muitas vezes sem controlo parental.

E acabam por imitar: “Oi galera, como é que você está? Digo esse tipo de coisas que também aprendi com o Luccas”, conta à Renascença Vasco (nome fictício), um menino de oito anos.

“Já pedi aos meus pais, se eu podia ser youtuber, mas eles ainda estão a pensar”, confessa Rita (nome fictício), com nove anos de idade.

Da imitação ao sonho de ser uma estrela do streaming infantil, vai um passo demasiado curto. O português sambado vai gradualmente substituindo o original.

“A minha mãe não se importa, mas o meu pai não gosta muito que eu fale assim”, reconhece a menina de nove anos, aluna na Escola das Devesas, em Gaia.

Outra casa, outra família, a mesma preocupação: Vasco admite que expressões como ‘oi’ são frequentes. Mas os pais não lhe dão margem para abrasileirar o português. “Eles já me avisaram de muita coisa que eu digo em brasileiro e não digo em português, conta.

A escola já se apercebeu do fenómeno

A fluência e a rapidez com que as crianças interagem umas com as outras em português do Brasil surpreendem as famílias e, também, os professores.

A sala de aula e, sobretudo, o recreio tornaram-se os locais preferidos para replicar falas que vão de Luccas Neto a Maria Clara e JP, de Luluca a Felipe Neto e tantos mais que tomam uma parte do tempo livre das crianças que crescem de olhos pregados nos tablets e nos smartphones.

“Eles até me ensinam, porque eu questionei como é que tenho alguns alunos que ainda não conseguem ler e eles encontram estratégias, dizem as palavras Luccas Neto no microfone do Google e aparece-lhes”, reconhece Carmen, professora do primeiro ciclo do Ensino Básico.

Também Cristina, educadora de infância, sente essa tendência nos mais pequenos: “eu sinto que as crianças com quatro, cinco ou seis anos têm livre acesso. Quase todos têm um tablet ou acedem ao telemóvel dos pais e eu vou descobrindo personagens de youtubers”.

A chave do sucesso destas personagens está nas situações que os vídeos retratam. As guloseimas estão presentes nos vídeos de Luccas Neto, a par com alguns comportamentos menos correctos que são retratados, até em contexto de sala de aula.

Vasco reconhece que o seu ídolo Youtube “goza com as pessoas e com a professora”.

Mas, depois, “aprendeu que gozar as pessoas, ainda por cima a professora é mau, porque, depois, ele tem de levar os castigos”.

E esta é a mensagem que este fã retém, a par de outras menos didácticas servidas a toda a hora.

Exaustão na aula, depois de uma madrugada ao telemóvel

Os vídeos são como as cerejas. Cristina relata duas situações em que alunos de nove e dez anos de uma das suas turmas “adormeceram por exaustão… Eles relatam que estão a ver no telemóvel dos pais ou no tablet esse tipo de vídeos”.

“Se uma criança acorda a meio da noite e tem um tablet no quarto, se estiver sozinha, pode fazer o uso que quiser do tablet. Eles podem ter os headphones e ninguém se apercebe do que eles estão a ver”, acrescenta.

Para Cristina, o mais preocupante na ausência da regulação parental no consumo destes conteúdos é a ausência “de quem os ajude a terem um espírito crítico daquilo que eles estão a ver”.

“Eles estão a ter acesso a muita coisa que não controlam, não têm ninguém que os ajude a perceber se aquilo está certo ou se foi só uma brincadeira disparatada que nós também já tivemos quando éramos crianças”, remata.

[Transcrição integral de peça jornalística da Rádio Renascença (original em rr.sapo.pt) publicada em 14.10.21, assinada por Pedro Mesquita e André Rodrigues. Destaques, sublinhados e “links” meus. Corrigi a cacografia brasileira do original. Imagem/citação de Joker de: “Joker Quotes” (Facebook).]

“Posts” anteriores sobre este assunto: || 1.º || 2.º || 3.º || 4.º || 5. º || 6.º || 7.º ||

Fia lux e fata lux es

Seria com certeza redundante, além de pretensioso e arrogante, especular sobre o que está por detrás disto. Que “sociedade secreta” (ou apenas “discreta”) e que ligações existirão porventura entre esta espécie de maçonaria católica e a sua congénere pretensamente secular; mais complexo ainda seria, a partir daí, determinar as relações de ambas as seitas, que facilmente se confundem, com outras organizações de características similares.

De uma coisa poderemos estar certos, porém, não apenas quanto a esta mas a respeito de todas as “famílias” e “irmandades” organizadas: não havendo para os seus membros o mais ínfimo risco ou a mais remota espécie de perigo, não sendo nem eles mesmos nem as respectivas “famílias” alvo de qualquer tipo de perseguição, de restrição de movimentos, de reunião, de expressão ou até de propagação das suas “ideias” (ou da sua total inexistência), pois então, por exclusão de partes, algo de muito difícil compreensão (ou de sinistro) compelirá tais “sociedades” a manter-se voluntariamente na clandestinidade. Se nada obsta a que se expressem ou manifestem, se ninguém pretende  segregá-los, denegri-los, caluniá-los, desonrá-los ou cometer contra eles qualquer espécie de violência — física, moral ou psicológica –, se não existe a mais ínfima reserva política ou condicionante jurídica especificamente dirigida a tais organizações, então, se se escondem por detrás do anonimato, se operam apenas nos bastidores, movimentando-se na sombra, como fantasmas ou demónios, algum motivo muito forte ou motivações quiçá inconfessáveis terão os “manos” para persistir no seu bizarro secretismo.

Não se tratando de organizações terroristas (se bem que, à semelhança dessas, também não divulguem  registos nem apresentem contas de espécie alguma) e não perseguindo objectivos de carácter subversivo (muito pelo contrário, já que todos os seus dirigentes pertencem à oligarquia dominante), torna-se para o comum dos mortais ainda mais “incompreensível” essa espécie de brincadeiras “discretas” das tais sociedades “secretas” (ou vice-versa). Ao fim e ao cabo, trata-se de adultos, nenhum deles conhecido por ser muito pobre, indigente, alienado ou particularmente ascético, praticando uma variante do infantil “vamos jogar ao esconde-esconde”. De repente, é facílimo, basta-lhes tirar o avental ou despir a batina e pronto, acabou-se a brincadeira, estão instantaneamente de volta ao seu elemento natural e ao seu ambiente habitual, os corredores do Poder, os “passos perdidos” da política, os recintos inexpugnáveis onde escorre o néctar borbulhante e se degustam canapés requintados enquanto se fecham negócios, compram-se nações e trespassam-se povos, decreta-se o apagamento de memórias inconvenientes e inventam-se “factos” indesmentíveis.

Terá decerto sido num desses lautos repastos que despacharam os confrades entre si, com a solícita participação de tribunos aspirantes, a chamada “questão ortográfica” — flagrante exemplo dos tais “factos indesmentíveis” inventados de raiz —  e como abichar mais uns milhões à conta daquela ridícula vigarice, distribuindo-os depois irmãmente (em sentidos lato e restrito) pelos demais convivas ali presentes e não esquecendo a aquiescência dos políticos envolvidos, a “neutralidade activa” dos respectivos lacaios (vulgo, deputados) e a anestesia, a passividade, a geral paralisia proporcionada pelo competentíssimo trabalho de lavagem cerebral realizado por “jornalistas” e “fazedores de opinião” a soldo. Ah, pois, contas são contas, meus amigos, e naquelas confrarias só pára gente de respeito, no que tange a metal sonante, pague-se o que se tiver de pagar, compre-se quem se tiver de comprar, até ao último centavo não há cá dívidas, raios, para alguma coisa servem os tampos das mesas, por baixo passa tudo.

São assim mesmo, os “irmãos”, quando despojados de suas vestes comprometedoras e interrompendo a contra-gosto seus estilizados rituais, aquilo é tudo gente que honra com escrúpulo compromissos, venha o primeiro que duvide, nunca, jamais um único daqueles senhores deixou por liquidar o montante que prometeu, desonrou a palavra dada a outro envolvido, roeu a corda numa qualquer negociata ou sequer chibou-se quanto a qualquer das piquenas ilegalidades que sempre ocorrem quando se congeminam fraudes, sempre que se compra, vende ou troca o que não é trocável, vendável ou comprável.

E também, que diabo, vejamos, será que existe mesmo alguma coisa absolutamente imune a transacções porque, mesmo tendo um valor incomensurável, ainda assim — ou por isso mesmo — não tem preço?

E haverá de facto alguém que de todo não se venda? Mas então porquê, santo Deus?!

Porque não tem valor? Pois. Não se vende porque não tem valor. Só pode.

Há uma nova tradução da Bíblia para Português. E os leitores vão poder pronunciar-se

Ângela Roque
24 Março 2019 , rr.sapo.pt,

Conferência Episcopal Portuguesa apresenta, esta segunda-feira, a tradução de ‘Os Quatro Evangelhos e Salmos’, feita a partir das línguas originais, mas a opinião de quem lê vai ser tida em conta para uma próxima edição. Trabalho iniciado em 2012 envolve mais de 30 biblistas, incluindo dos PALOP.

 

A edição de ‘Os Quatro Evangelhos e Salmos’ faz parte do projecto de tradução de toda a Bíblia, promovido pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). O objectivo é conseguir um texto uniforme, traduzido directamente das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), que possa ser usado na liturgia, na catequese e em todas as actividades da Igreja, quer em Portugal quer, futuramente, nos outros países lusófonos, que também colaboram neste trabalho. O projecto arrancou em 2012, e segue o acordo ortográfico.

A comissão coordenadora do projecto é presidida por D. Anacleto Oliveira, bispo de Viana do Castelo, e também ele biblista, e inclui vários elementos da Associação Bíblica Portuguesa (ABP).

Em entrevista à Renascença, o padre Mário Sousa, presidente da ABP e professor de Novo Testamento no Instituto Superior de Teologia de Évora, explica que já estava na altura da Bíblia ter uma nova tradução em Português, destacando, para além do grande número de colaboradores, o facto de se pretender sujeitar o texto à apreciação dos leitores antes de se avançar para uma versão definitiva.

Por que é que houve necessidade de uma nova tradução da Bíblia?

Porque sempre se sentiu, sobretudo nas traduções litúrgicas, que determinadas expressões não estavam, talvez, bem conseguidas, e que talvez fosse importante fazer-se uma revisão. Depois a Conferência Episcopal julgou ser pertinente em vez de se fazer apenas uma revisão e completar os textos – porque, de facto, nem todos os textos são usados na liturgia, e por isso nem toda a Bíblia estava traduzida a nível litúrgico -, fazer-se uma tradução de raiz, partido das línguas originais, ou seja, do hebraico e do grego, e também do aramaico, para determinadas passagens.
(mais…)

Governo Sombra com Iniciativa

Os “ministros” Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira e João Miguel Tavares, além do próprio “host” do programa, Carlos Vaz Marques, manifestam mais uma vez unanimidade no que ao “acordo ortográfico” diz respeito: todos contra.

Esta emissão do “Governo Sombra” passou na TVI na madrugada do dia 2 de Fevereiro de 2019 e em gravação áudio, na TSF, no dia seguinte.

A parte que mais interessa, aquela em que o “gabinete ministerial” fala (ou, melhor, diz cobras e lagartos) sobre o AO90, acontece a partir do minuto 45 e, durante os seis minutos e meio dedicados ao tema, aquilo a que assistimos é o habitual arraial de pancadaria, os quatro altos dignitários da Nação competindo entre si a ver quem dá mais porrada na malaquenha invenção. Apenas João Miguel Tavares coloca algumas reticências quanto à reversão do processo de demolição em curso (ah, e tal, as minhas filhinhas, coitadinhas, se isto volta atrás vão ter de aprender a escrever de novo, etc.) mas, evidentemente, aquilo é brincadeira, ninguém pode aventar semelhante objecção sem estar no gozo, este João Miguel adora a reinação.

Uma espécie de fenómeno curioso ocorrido durante esta ministerial conversação é o facto de Pedro Mexia ter declarado apoiar a ILC-AO (que subscreveu, como é público, à semelhança do que fez RAP) e de ter assinado «tudo o que me puseram à frente sobre o acordo ortográfico» mas com uma única excepção: «tirando uma coisa sobre um referendo; como ia ter 5% de participação, achei que era má ideia.»

Curioso, realmente, oh, sim, muito curioso. Mas então não é ele mesmo, Pedro Mexia, um dos “mandatários” do tal referendo-que-afinal-é-má-ideia?

Estarás pois tu, ó Pedro, a mentir? E, se não estás tu a mentir, ó Pedro, como a mim me parece, então quem será que anda por aí a aldrabar o pessoal? Quem será o aldrabão (ou aldrabões), hem, ó Pedro, que a mim, assim de repente, não me ocorre (digamos) nomezinho nenhum, hem, ó Pedro, o que dizes?

Bom, e daí, talvez seja melhor não dizer mais nada, pelo menos até ver.

O que por agora importa é ouvir. E ler. E pensar. E então agir: apoiar a luta contra o AO90  ajudando de todas as formas possíveis a única Iniciativa verdadeira, séria, credível e viável para acabar com ele.

 

Nota: o vídeo acima está em “iframe” (página externa embutida), daí a publicidade inserida pela TVI na “janela” de origem; é possível que o dito canal de TV tente impingir remotamente, além de anúncios a granel, uma qualquer inscrição num “portal” ou num serviço qualquer. Evidentemente, não tenho nada a ver com isso, manobras publicitárias ou truques de “marketing” não são a minha praia. Sugiro que a visualização seja feita no “site” onde está alojado (e aferrolhado) o vídeo.

O AO90 visto a 45º

[Como nem o entrevistador nem o entrevistado apreciam particularmente o uso de palavras em “estrangeiro”, aqui deixo, da entrevista, à laia de apetáisa, alguns ailáites.]

  • Isto é uma salgalhada total.
  • A ortografia vai a reboque da pronúncia. Isto é um princípio perigosíssimo.
  • Quem se mete a defender o acordo sai sempre com disparates absolutos.
  • “Pronuncio, escrevo. Não pronuncio, não escrevo. Então temos a ortografia unipessoal.
  • Isto é o desmembramento da Língua em muitos aspectos.

#46 Manuel Monteiro – “Andamos a tratar mal a Língua Portuguesa?”

Manuel Monteiro é um escritor e revisor linguístico que se tem tornado conhecido, de há uns anos para cá, como um dos maiores paladinos da Língua Portuguesa na actualidade. Tem obra publicada na área da literatura e da não-ficção e o seu livro mais recente, “Por Amor à Língua — Contra a Linguagem Que por aí Circula”, foi o mote para a conversa.

O Manuel é, como vão ver, de uma erudição no que toca à língua que nos faz logo sentir ignorantes. Faz questão, por exemplo, de continuar a usar palavras que foram caindo em desuso ou de usar a pronúncia original para palavras cuja pronúncia o uso corrente deturpou (o que leva a que pareça, a um ouvinte incauto, ser ele quem está a falar mal).

Durante a discussão, que foi bem animada, discorremos sobre vários temas, desde a origem, etimologia e evolução da Língua Portuguesa, até à nossa predilecção nacional pela importação de palavras estrangeiras, passando pelo inevitável acordo ortográfico.

————–

Bio: Manuel Monteiro é autor, revisor linguístico e formador profissional da Revisão de Textos. Tem obra publicada na área da literatura e da não-ficção. Os seus livros mais recentes são Dicionário de Erros Frequentes da Língua e Por Amor à Língua — Contra a Linguagem Que por aí Circula.

[Conteúdos produzidos e publicados por José Maria Pimentel, podcast “45 Graus”, em 23.01.19. Inseri “links” no texto citado.]