Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: rádio

O grande timoneiro

Mais uma vez lá vem Marcelo, no seu peculiar estilo nacional-porreirista, meter o bedelho onde não é chamado. Na verdade, para estes números circenses da “lusofonia” já temos um especialista em malabarismos, o inefável Augusto Santos Silva. “Negócios estrangeiros”, desde logo por inerência terminológica, são trapalhadas da competência exclusiva do MNE; ao PR, nesta como em qualquer outra matéria de gestão da “coisa pública”, toca um papel meramente protocolar, içar a bandeira, escutar em sentido o hino, acenar ao povo, etc. Identificar as diferenças entre “poder executivo” e “poder passar revista às tropas”, distinguir “negócios estrangeiros” de “ócios no estrangeiro”, conhecer estas comezinhas evidências não implica necessariamente um doutoramento na Sorbonne, aprende-se até na Wikipedia ou nos pacotinhos de açúcar do acordista Nabeiro.

Mas “prontos”, o que se há-de fazer, Marcelo é omnipresente, Marcelo é omnisciente, Marcelo “comenta tudo, tudo, no próprio dia” — como afirma Pereira — e portanto lá temos que levar com ele, salvo seja, também debitando seus palpites em matéria de “livre circulação” dentro da CPLB (Cambalacho de Países de Língua Brasileira) e sobre a forma como Portugal poderá, enquanto membro da União Europeia, aldrabar em simultâneo e pela mesma via as regras do Acordo de Schengen.

Entretanto, ou por acréscimo a esta saga palpiteira, à laia de recheio, assim como se abríssemos uma carcaça e lá dentro aparecesse um Pokémon (vivo), diz Marcelo sobre o AO90 que ah, e tal, “não quero pronunciar-me para não abrir uma querela”.

Ou seja, a aparente querela que “aqui há atrasado” o mesmíssimo Marcelo simulou sobre o assunto, fingindo embirrar com Malaca e devolvendo-lhe este a cortesia, não passou afinal de tremenda fita, uma encenação, uma peça teatral de cabo a rabo.  Peça essa que estreou em Maio de 2016 e que teve, ao menos aqui, a devida resposta de um apreciador de Teatro que não aprecia aldrabices em palco, literal ou metaforicamente falando:

«Quando o actual Presidente da República proclamou, em 2008, que “Portugal tem de lutar para dar a primazia ao Brasil” e quando, em 2015, reforçou essa “ideia” defendendo um “acordo militante”… queria ele dizer o quê, ao certo?» [O camartelo (1)]

 

Marcelo admite que se pode “ir mais longe” na liberdade de circulação dos nacionais da CPLP

Lusa/”Observador”, 19.11.18

O Presidente da República começou por distinguir os problemas do “lado burocrático”, em relação ao quais o MNE tem feito um “esforço permanente e contido para ultrapassar.”

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O Presidente da República português considerou existir “uma janela de oportunidade para a mobilidade no espaço” dos cidadãos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), podendo-se “ir mais longe” na liberdade de circulação.

Em entrevista à Rádio Nacional de Angola, esta segunda-feira difundida, questionado sobre as dificuldades na concessão de vistos para a entrada no espaço europeu, Marcelo Rebelo de Sousa começou por distinguir os problemas do “lado burocrático”, em relação ao quais o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem feito um “esforço permanente e contido para ultrapassar”, dos relacionados com a liberdade de circulação.

Penso que, mesmo respeitando as regras de outras comunidades, como a União Europeia, há espaço para irmos mais longe na circulação”, sustentou o chefe de Estado português, para quem existe actualmente “uma oportunidade muito boa, porventura única, para se avançar em domínios como este”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse depositar “muita esperança” nas presidências da CPLP, actual (Cabo Verde) e seguinte (Angola), para a resolução deste problema.

Questionado se o problema deve ser resolvido no quadro da CPLP ou bilateralmente, o Presidente da República português afirmou preferir a forma de resolução global, no quadro da comunidade dos países que falam português. “O ideal era irmos multilateralmente, no quadro da CPLP, mas eu admito que, se isso não puder avançar, que se avance bilateralmente”, acrescentou.

Quanto à questão do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que Angola ainda não ratificou, tal como Moçambique, o chefe de Estado português disse que evita pronunciar-se, “para não abrir uma querela”, embora acompanhe “com interesse” as posições dos vários países da comunidade.

Muito ruído introduzido pela minha pronúncia não facilitava a convergência”, argumentou, defendendo a necessidade de “aproximar realidades que têm muito em comum, mas, legitimamente, têm posições próprias”. “Essa é uma matéria que poderá vir, porventura, a ser equacionada, se os responsáveis políticos entenderem que merece, a nível de CPLP ou a nível meramente informal, uma troca de impressões adicional no futuro”, salientou.

Na entrevista, interpelado sobre o pagamento das dívidas angolanas a empresas portuguesas, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou a “forma franca e honesta, clara e frontal” como o ministro das Finanças do executivo de Luanda colocou a questão, aquando da visita oficial a Luanda do primeiro-ministro português. “Há boa vontade de parte a parte. Tem havido, continua a haver e o trabalho continua”, concluiu o Presidente da República português.

[Transcrição integral deMarcelo admite que se pode “ir mais longe” na liberdade de circulação dos nacionais da CPLP”, jornal online “Observador”, 19.11.18. Destaques, sublinhados e “links” meus. Texto automaticamente corrigido pela solução Firefox contra o AO90 através da extensão FoxReplace do “browser”.]

[A fotografia, de autoria desconhecida, que utilizei para a fotomontagem de topo, foi copiada do mesmo artigo. Nessa fotomontagem incluí uma fotografia, também de autoria de desconhecida, da estátua do célebre “Cego do Maio“, um homem de bem. ]

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«O acordo ortográfico é absurdo» [Manuel Monteiro, entrevista à “Antena 3”]

O acordo ortográfico é absurdo“. Sábias palavras, de facto, tanto estas como outras de igual recorte e semelhante exactidão, as que Manuel Monteiro proferiu em entrevista ao programa “Prova Oral” da rádio Antena 3 há uns dias.

Embora num “registo” ligeiramente diferente do que sucedeu numa entrevista anterior, dado o carácter mais lúdico deste programa em concreto, o motivo (ou pretexto) para esta emissão radiofónica foi ainda a recente publicação do seu novo livro, “Por Amor à Língua“, tendo o autor Manuel Monteiro mais uma vez reiterado e ilustrado (salvo seja) com inúmeras amostras o carácter nauseabundo do AO90.

Seria talvez útil arrolar mais algumas citações, além da lapidar que sumariamente aqui serve de título, porém esse lúdico exercício resultaria em redundância, variações sobre o tema: o acordo ortográfico é mesmo absurdo.

Nada de mais consensual, nisso estamos todos de acordo.

 

Esta quinta chega a vez de Manuel Monteiro: autor, revisor linguístico e formador profissional de revisão de textos….

Publicado por Prova Oral em Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

Esta quinta chega a vez de Manuel Monteiro: autor, revisor linguístico e formador profissional de revisão de textos.

Sobre o seu novo livro “Por amor à língua” escreveu: se chove muito, chove torrencialmente. Se aconselhamos ou recomendamos com ênfase, aconselhamos e recomendamos vivamente. Se rejeitamos ou recusamos, rejeitamos e recusamos liminarmente. Mas se afirmamos, afirmamos categoricamente ou peremptoriamente.

Quando acreditamos, acreditamos piamente; mas quando confiamos, já confiamos cegamente. Se nos enganamos, enganamo-nos redondamente; mas se falhamos, já falhamos rotundamente. E quando alguém mente, não raro, recorremos à rima para o insultar: mente descaradamente. E tudo isto nos deveria IRRITAR SOLENEMENTE (quando alguém se irrita, fá-lo sempre com solenidade).

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“O bom português” [Manuel Monteiro, entrevista à Rádio Renascença]

A pretexto do seu novo livro, “Por Amor à Língua“, Manuel Monteiro fala sobre o “acordo ortográfico” nesta entrevista à Rádio Renascença. Desancando-o, evidentemente, como compete a qualquer ‘bom português’. Ou a quem souber ler e escrever, vá, não exorbitando.

“Adjectivamos muito, sim, e quase sempre os mesmos substantivos ou os mesmos nomes com os mesmos adjectivos. Vamos a exemplos? Um adepto é? Fervoroso. Um defensor é acérrimo. Um crime terrível é um crime hediondo. A fronteira é sempre… ténue. Um corpo belíssimo é… escultural.

O mar está revolto, os jardins são luxuriantes e as árvores são frondosas. Eu rejeito liminarmente, aconselho vivamente e irrito-me solenemente. Enfim, são locuções estereotipadas que nós usamos tão acriticamente que há uma palavra das duas que, muitas vezes, nem sabemos o significado e que nunca usamos fora daquele contexto”.

Manuel Monteiro
(Novo livro: Manuel Monteiro, “Por Amor à Língua”)

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45% dos alunos não conseguem situar Portugal no mapa

«Então, por causa dos tais dois mil para quem o conhecimento desta língua é útil, noventa e oito mil foram torturados e em vão sacrificaram um tempo precioso. (…) Daí que seria essencialmente mais útil se ao jovem estudante fossem transmitidos apenas os contornos gerais da língua (…) Evitar-se-ia também o perigo de, de toda a sobrecarga de matéria, apenas ficarem uns fragmentos na memória, uma vez que o jovem só teria de aprender o essencial, sendo assim feita antecipadamente a selecção do que é útil e inútil. (…) Ganhar-se-ia assim no currículo o tempo necessário para a educação física (…)»

[“Mein Kampf”, Adolf Hitler]

«É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam. De facto como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c? Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.» [Acordo Ortográfico – Nota Explicativa [Pseudologia fantastica – 12]

 

 

 

Grande parte dos alunos que fizeram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, em 2017, não conseguiam localizar o país no Sudoeste da Europa.

Entre os mais de 90 mil alunos que fizeram provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, em 2017, 45% não conseguiram localizar Portugal continental em relação ao continente europeus. Esta conclusão consta num novo relatório que abrange dois anos de provas de aferição – 2016 e 2017 – de várias disciplinas e anos de escolaridade, citado pelo Diário de Notícias.

Ou seja, utilizando os pontos colaterais da rosa-dos-ventos, os alunos não conseguiam localizar o país no Sudoeste da Europa. Além disso, apenas 45% dos estudantes localizaram correctamente “o continente europeu em relação ao continente asiático, o continente africano em relação ao continente europeu e Portugal continental em relação ao continente americano”.

O presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), Hélder de Sousa, não considera que estas falhas sejam por falta de conhecimento, mas sim na capacidade de o aplicar.

“Em alguns relatórios, na análise que se faz da Geografia do ensino secundário, uma das coisas um pouco anacrónicas é a dificuldade que os alunos têm em utilizar a informação cartográfica, quando a Geografia é a área em que, por excelência, estas áreas deviam estar mais consolidadas”, frisa.

Source: 45% dos alunos não conseguem situar Portugal no mapa – Portugal – SÁBADO

 

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‘Errare humanum est, sed in errare perseverare diabolicum’

«Essa expressão de “caos” estaria mais relacionada com o ensino da língua portuguesa agora usando o acordo ortográfico.»

«Foi a sensação que eu tive de que o ensino se estava a tornar num negócio. Tornou-se num negócio com esta implementação do acordo ortográfico.»

«Porque eu reformei-me, e reformei-me por não querer cumprir o acordo ortográfico, porque não o cumpria.»

«Não interessa que o ser-humano pense. O que interessa é que fique indiferente às coisas e que se torne um escravo e também, às vezes, um selvagem em relação aos outros.»

«Séneca tem uma frase: “errar é próprio dos homens, persistir no erro é próprio de loucos”. »

«Se o critério fundamental é a pronúncia, então cada qual escreve como quer.»

«Dizem que as crianças, se tirassem as consoantes mudas, era tudo tão mais fácil, ora, eu sou professora e nunca foi nas consoantes — nos C e nos P — que os alunos faziam os seus erros.»

«O acordo, o Tratado internacional é uma perfeita fraude.»

«Nenhuma Língua evolui por decreto. Esta língua, que é uma mixórdia em que eu não reconheço o Português, não evoluiu nada, isto não é evolução, isto é o contrário da etimologia da palavra ‘evolução’. Por isso, se a estupidez quiser vingar, e é estupidez se nada se fizer para recuar.»

Maria do Carmo Vieira

Da Capa à Contracapa

Andamos a tratar bem a Língua Portuguesa?

16 Jun, 2018

 

Os professores Maria do Carmo Vieira, Adelino Calado e Rui Afonso Mateus juntam-se a José Pedro Frazão para discutir o ensino do português e a forma como tratamos a Língua Portuguesa na nossa sociedade.

Esta semana no “Da Capa à Contracapa” fala-se do ensino do português e a forma como tratamos a Língua Portuguesa na nossa sociedade.

Professores do Ensino Secundário, Maria do Carmo Vieira, Adelino Calado e Rui Afonso Mateus têm leituras muito próprias e críticas do sistema e do ensino, também das pedagogias aplicadas. Em particular no ensino do Português.

O Professor Adelino Calado, não sendo professor da mesma área, pois leciona Educação Física, é diretor do Agrupamento de Escolas de Carcavelos onde tem implementado medidas inovadoras como acabar com os TPC convencionais, os exames ou os toques de entrada. Com a sua ajuda lançamos também um olhar sobre a escola de hoje, trazendo ainda algumas ideias para a escola do futuro.

E recomendamos a leitura dos ensaios da fundação Francisco Manuel dos Santos sobre o tema: nomeadamente os dos autores que convidamos: o Ensino do Português e Literatura e Ensino do português.

O da Capa à Contracapa é uma parceria da Renascença com a Fundação Francisco Manuel dos Santos. A moderação como sempre é do jornalista José Pedro Frazão.

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Banha da cobra na língua (diz que cura tudo, até úrsula no diodene)

Os brasileiros, do alto da sua imensa “lata” (e com a conivência de alguns mercenários portugueses), continuam a vender aquilo que designam, por uma questão de marketing, “língua portuguesa”, a que chamam sua, por esse mundo fora. E fazem isto, estes vendilhões, como se estivessem a impingir aspiradores a papalvos. Ou sabonetes a idiotas. Ou banha da cobra a indigentes mentais.

“A língua também é um instrumento de poder”

TSF”, 09 de MAIO de 2018

O português como língua de negócios foi tema de uma conferência da CPLP organizada em Berlim.

A frase fez parte do discurso de abertura do Embaixador do Brasil na Alemanha, Mario Vilalva. “A língua também é um instrumento de poder”, neste caso de poder nos negócios. Estima-se que as relações comerciais entre os países da lusofonia tenham gerado, nos últimos cinco anos, mais de três mil milhões de euros. Existem nesta altura mais de 260 milhões de falantes de português no mundo e estima-se que o número possa duplicar nos próximos 50 a 80 anos.

Um estudo desenvolvido pelo Professor Catedrático do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, Luís Reto, compara oito línguas globais. No “Ranking de Influências das Línguas Globais – O Caso da Língua Portuguesa” o português aparece quase a meio da tabela, “uma posição bastante boa” nesta que é uma espécie de lista da “primeira liga” das línguas, sublinha o investigador. O estudo obedece a seis critérios, entre eles internet, economia e cultura.

Neste processo de crescimento da influência e da importância do português muito têm contribuído os empresários privados. Para Georgina de Mello, directora-geral da CPLP, têm sido organizadas um conjunto de iniciativas e criado instituições no sector privado que captam interesse mesmo fora da comunidade. O exemplo é a Alemanha, para Klaus Deutsch, economista-chefe da BDI (a Confederação da Indústria Alemã), as relações comerciais com alguns países da CPLP têm crescido nos últimos anos. O sector do digital tem merecido mais destaque.

A conferência “O Espaço Económico da CPLP – Português como Língua de Negócios”, que se realizou na Embaixada do Brasil, em Berlim, teve como objectivo divulgar o potencial económico da CPLP e reforçar as relações económicas entre os seus países-membros e a Alemanha.

Source: ″A língua também é um instrumento de poder″

As letras em falta no original do artigo foram automaticamente repostas pela solução Firefox contra o AO90.

 

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