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“O ananás português e o abacaxi brasileiro” [Nuno Pacheco, “Público”, 06.12.18]

Nas voltas da língua, por entre cá e lá

Duas revistas, a ‘Linguará’ brasileira e a ‘Luzes’ galega, reforçam a importância da diversidade da língua, a despeito das distopias “unificadoras” dos novos tempos.

Nuno Pacheco
publico.pt, 06.12.18

 

Entre tantas, e por vezes tão falsas, declarações de amor eterno à língua portuguesa, há uma verdadeiramente notável. Escreveu-a o poeta brasileiro Manoel de Barros (1916-2014) e foi aliás destacada na contracapa da edição portuguesa da sua ‘Poesia Completa’ (ed. Caminho, 2010). Diz assim: “A única língua que estudei com força foi a portuguesa. Estudei-a com força para poder errá-la ao dente.” Ora este errar não deve ser confundido com desacerto ou engano, porque significa (e quem o lê facilmente o confirma) vaguear, não se fixar, andar de um lugar para outro. E se o fez com mestria o poeta, fê-lo igualmente a língua portuguesa.

Tirando partido dessas errâncias, e do resultado delas, acaba de ser lançada uma revista de nome ‘Linguará’, editada por Carla Paoliello, Maria José Amorim e Priscilla Ballarin, todas elas brasileiras e residentes em Portugal, onde a revista é editada. Quadrimestral, começou na primeira letra do alfabeto, o A, e conta percorrê-las todas, incluindo K, W e Y, colhendo nessa viagem frutos da errância do idioma. Ou, como escrevem em editorial, navegarão “na fonética, morfologia, léxico, sintaxe, acordo, desacordo, o comum, o incomum, as inúmeras transformações da língua portuguesa. O que nos une, o que nos separa. A conexão feita pela via da palavra, igual e diferente, dos países desta mesma língua.” E isso faz-se com poesia, artes plásticas, paisagens (e lá estão, lado a lado, Aveiro ou Alter do Chão, as de cá e as do Brasil, ambas no Pará), palavras diferentes para um mesmo objecto ou coisa. Há um léxico breve, no final, na linha do levantamento que, entre Lisboa e Belém do Pará, haviam feito em livro a portuguesa Anete Costa Ferreira e as brasileiras Rosa Assis e Ana Cerqueira. O livro, lançado em Abril de 2006, chamou-se ‘De Olho na Língua – Palavras de Cá e Lá’. Mas a revista ‘Linguará’ (lançada esta quarta-feira na Livraria-Bar Menina e Moça, ao Cais do Sodré) é também “desmontável”, o que faz com que, tiradas duas das suas páginas, surjam lado a lado o ananás português e o abacaxi brasileiro, o primeiro representado num jarro de cerâmica (de Bordallo Pinheiro) e o segundo numa popular jarra de plástico (da Trol). Além dos nomes do fruto, diferem os do recipiente (jarro, jarra) e as frases que, inscritas no verso, querem dizer a mesma coisa: “Faz crescer água na boca” (cá) e “Dá água na boca” (lá). Se nesta primeira edição o jogo linguístico e vocabular se faz essencialmente entre o Brasil e Portugal, prometem vir a alargar fronteiras aonde quer que a língua viva e se transforme.

Antes de ‘Linguará’, porém, saiu ‘Luzes’, revista que se edita na Galiza e que dedica a sua 59.ª edição às ligações culturais com Portugal. Sob o título “PortuGaliza, saudade de futuro”, a revista dirigida por Manuel Rivas e Xosé Manuel Pereiro inclui um lote interessantíssimo de artigos e é inteiramente escrita em galego, mesmo os textos de portugueses (Rui Reininho ou Francisco Teixeira da Mota). Isto quer dizer que, apesar do movimento reintegracionista (que quer, na sequência da lei Paz Andrade, instituir na Galiza o “português-padrão”), a língua galega ainda se afirma como veículo cultural identitário. A Rede da Galilusofonia, constituída em Braga, em 23 de Novembro, ainda emitiu dois comunicados paralelos, um em português e outro em galego. Mas é uma riqueza que a visão estreita ameaça, ao tentar anular as diferenças para fazer valer a “novilíngua” imposta pelo dito “acordo ortográfico”.

Enquanto as botas cardadas dos “unificadores” marcam passo, a língua vive. E é bom ler, no editorial da ‘Luzes’: “O que máis ten que unirnos é a historia por facer: encher a saudade de porvir. E que este novo espazo, a Portugaliza, sexa unha referencia de navegar valente na Europa varada.” Precisaram de tradutor? Não, nem agora nem antes. Nas peças quinhentistas apresentadas na semana passada na Sá da Costa pelo Teatro Maizum (que faz um trabalho meritório na afirmação do Teatro Clássico), lá estavam representados, como personagens, o “português”, o “galego” e o “castelhano”. Nos respectivos falares e a séculos de distância da distopia “unificadora” do “acordo ortográfico”. Poderia o célebre Luís de Matos fazê-lo desaparecer, num passe de mágica, no ‘Impossível Ao Vivo’ que vai apresentar no Tivoli? Milhões de portugueses, brasileiros, africanos e galegos agradecer-lhe-iam de bom grado.

[Transcrição integral de artigo do jornal “Público”, da autoria de Nuno Pacheco, publicado em 06.12.18. “Links” e destaques meus. Imagens de topo de: BordalloPinheiro.pt e de: “mercado livre” (jarro “marca” Troll), Brasil, “LOL”.]

Activismo

 

 

 

Luis de Matos

last Friday

Podemos e devemos reagir!
Em momento algum da minha carreira artística, ou actividade enquanto produtor cultural ao longo de 23 anos, tive a alegria e o incentivo de ser financiado pelo Estado Português. Com a minha equipa construímos um teatro e com ela continuamos a levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo. Na próxima segunda-feira partimos, uma vez mais, para fazer espectáculos em Monte-Carlo, Monaco, Lyon, France, Geneva, Switzerland, Bordeaux, France, Toulouse, France e Budapest, Hungary.
Por estes motivos, não estou sob suspeita quando digo ser absolutamente vergonhoso que continuemos a afastar-nos do famoso 1% do Orçamento para a cultura, de que Portugal se aproximou na passagem do século. É verdade que já vi muito lixo ser financiado. Mas a situação actual é inaceitável.
A destruição da nossa identidade começa com o patético Acordo Ortográfico e atinge hoje limites inacreditáveis com os cortes recentemente anunciados no sector da Cultura.
Não é tarde para tentar reverter o mal fadado Acordo, basta começar por seguir este link: https://ilcao.com
Não é tarde para tentar reverter a tragédia actual, basta começar por seguir este link: http://emdefesadacultura.blogspot.pt

 

Em Português – 69

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Curso dirigido a agentes culturais ou interessados que pretendam desenvolver o seu trabalho/projecto na área de Gestão/Produção das Artes do Espectáculo.

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Falámos sobre esses 25 anos de actividade e sobre a forma como vão ser assinalados, abordamos a sua carreira e processo de criação, bem como os projectos que tem em curso.

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Vera Mantero fala sobre a influência de Yvonnne Rainer no seu trabalho, no contexto da presença da coreógrafa americana em Serralves este fim-de-semana.

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Inestética companhia teatral

Ópera de câmara de Luís Soldado, a partir do poema homónimo de Álvaro de Campos, estreada no Palácio do Sobralinho em Novembro de 2017, com encenação de Alexandre Lyra Leite, direcção musical de Rui Pinheiro e interpretação de Rui Baeta (barítono), Inês Simões (soprano), Daniela Pinheiro (flauta), Catherine Stockwell (fagote), Magda Pinto (viola) e Sofia Azevedo (violoncelo).

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Se os lugares são as pessoas, voltaremos a este lugar, para reflectir melhor sobre quem somos!

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Fotografia Portugal / Portugal Photography

Sugestões de óptimas viagens pelos “recantos mágicos” de Portugal

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Por exemplo o apoio a projectos de desenvolvimento sustentável, ao sector não governamental, além do suporte a pequenas e médias empresas.

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Na foto de @SusanaMonteiro 2017, as Actrizes Margarida Gonçalves e Mónica Garnel. Do elenco do espectáculo também fazem parte os Actores Paulo Pinto, Telmo Mendes, Miguel Damião, Rosinda Costa e o Músico Rui Rebelo.

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Em Português – 39

Teatro Dos Aloés

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Começamos 2018 com o acolhimento do espectáculo “Vanessa Vai à Luta”, uma co-produção Teatro da Trindade Inatel e Teatro do Bairro com texto de Luísa Costa Gomes e encenação de António Pires.

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Associação Cultural Ephemera

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Um novo passo vai ser dado pela ASSOCIAÇÃO CULTURAL EPHEMERA ©, após a realização da primeira Assembleia geral com os fundadores, e o cumprimento de todas as formalidades legais necessárias ao início da actividade, – a entrada de novos associados.

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