Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: tradução

“Das várias variantes da língua portuguesa” [jornal “Ponto Final” (Macau)]

«Entre as novidades introduzidas este ano, para além da sessão de cultura macaense, estiveram as sessões de cinema de língua portuguesa. Ambas deverão ser mantidas, na edição do próximo ano, explica a docente: “As tardes de cultura macaense, sim, é para continuar. Este ano também fizemos umas tardes de cinema português, filmes das várias variantes da língua portuguesa. Porque os alunos também gostam e porque é um bom exercício para aprender uma língua”.»

Curso de Verão de língua portuguesa termina com avaliação “francamente positiva”

Sílvia Gonçalves

“Ponto Final” (Macau), 07.08.17

A 31ª edição do Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade de Macau (UMAC) ficou marcada por um acréscimo significativo de alunos, por uma maior assiduidade e ausência de desistências. A coordenadora do curso, Ana Nunes, fala em maior esforço dos estudantes e mostra-se surpreendida com a apreensão imediata que estes fazem das danças tradicionais portuguesas.

Durante três semanas, tomaram contacto com a língua portuguesa dentro e fora da sala de aulas. Numa imersão cultural que incluiu canto, dança, cinema e sessões de história e cultura de Macau. O 31º Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa da UMAC terminou na passada sexta-feira, numa edição marcada pelo acréscimo de alunos – dos 370 da edição de 2016 para os 450 deste ano – pela ausência de desistências e uma maior assiduidade às aulas. Pelos elementos da avaliação, diz a coordenadora do curso, regista-se um maior esforço dos estudantes, que a cada ano chegam maioritariamente da China continental. Além da vertente linguística, certo é que todos se apropriaram das coreografias das danças folclóricas portuguesas. Como se o fizessem desde sempre, garante a docente Ana Nunes.

“O balanço é muito positivo. Já temos acesso aos elementos da avaliação e percebeu-se que este ano, para além dos alunos estarem presentes em todas as aulas, costumam estar mas dá-me a sensação que este ano eles foram ainda mais assíduos, houve ainda um maior interesse, uma maior motivação. O curso é intensivo, todos os dias das 8h30 até às 13 horas, mas notou-se um entusiasmo verdadeiramente desde o início até ao fim. Na avaliação também se percebe que os alunos se esforçaram mais. Para além das presenças nas aulas, as notas deles, a avaliação deles foi francamente positiva”, conta Ana Nunes ao PONTO FINAL.

(mais…)

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«Falta apenas bom senso» [João Roque Dias, tradutor]

Atrás da declaração «Portugal tem sempre cumprido com as suas obrigações internacionais», o MNE é, finalmente, obrigado a vir a jogo e falar das hipóteses de o aborto ortográfico vir a ser objecto de um “coup de grâce”.

É um passo de gigante, depois do triste comportamento de avestruz durante todo este processo, por este e por todos os governos anteriores.

É também bom que o governo português entenda, de uma vez por todas, que o fim do aborto ortográfico não é o fim da Pátria nem da honra do Estado. Face ao miserável estado da ortografia em Portugal depois da tentativa falhada da sua aplicação em Portugal (basta o MNE dar uma vista de olhos pelo Diário da República), é antes uma atitude inteligente e patriótica. O cumprimento dos tratados não deve servir para “mostrar serviço”, quando tal lesa os interesses de Portugal. Dizer apenas, como diz o MNE, que o AO90 «está em plena aplicação» (o “plena” não passa de “palha” nesta frase), sem olhar para os resultados da sua falhada e doentia aplicação é uma declaração desonesta que deveria envergonhar o seu autor e o governo a que pertence.

O Brasil já nos ensinou duas vezes como se protegem os interesses próprios: com a Reforma portuguesa de 1911, adoptada pela ABL em 1915 e revogada pela mesma ABL em 1919 e com a Convenção de 1945, adoptada pelo Brasil (Decreto-lei 8.286, de 05.12.1945) e posteriormente revogada pelo Decreto-lei 2.623, de 21.10.1955.

“Jurisprudência”, existe. Falta apenas bom senso.

João Roque Dias

[imagem de: ILC-AO]

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O WordPress em PT-PT está cada vez melhor

Os resultados da votação

Colocámos duas perguntas a votação:

A tradução deve observar o novo Acordo Ortográfico?
(…)
Depois de devidamente filtrados os artistas que lançaram scripts automáticos de votação (uma pista para os script kiddies: mais de 300 votações em menos de 2 minutos, a partir do mesmo IP é suspeito. Para a próxima tentem outra coisa), os resultados são estes:

Votos: 305
Acordo Ortográfico, sim ou não? NÃO: 206, SIM: 99
(…)

A primeira conclusão

A tradução do WordPress para Português de Portugal continuará, como até agora, a ignorar o Acordo Ortográfico.

30.05.13

 

Esta tabela reproduz as versões mais recentes das traduções do WordPress para português (pt_PT). O objectivo é que seja um guia rápido para procura de termos quando se pretender consolidar o seu uso, no próprio WordPress e restantes projectos, como temas e plugins. Ao pesquisar um termo em inglês ou em português, é possível perceber quais foram os critérios usados para a tradução em diferentes contextos. Tradução importada de Development, Administration e Network Admin, em 2016-08-17 (um trabalho do Pedro Mendonça).

Fonte: Tradução do WordPress 4.6 pt_PT – WordPress Portugal

Português / Portuguese (Portugal)

 

Download WordPress in Portuguese (Portugal)

Download language pack (4.7.1)

Imagem de topo: europe.wordcamp.org

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“O Primo Basílio”, de Eça de Queirós, em brasileiro (“revisado” conforme o AO90)

E depois podia atenuar, dizer que fora só uma correspondência platônica… A partida de Basílio, além disso, fazia daquele erro um fato passado, quase antigo… E Sebastião era tão amigo dela!

Source: O Primo Basílio – Eça de Queiroz – Google Books

 

O excerto original em Português:

E depois podia atenuar, dizer que fora só uma correspondência platónica… A partida de Basílio, além disso, fazia daquele erro um facto passado, quase antigo… E Sebastião era tão amigo dela!

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‘Os Maias’, de Eça de Queirós, em brasileiro (“revisado” conforme o AO90)

Teve de se calar. Justamente ao fundo do corredor assomava o Taveira, abafado até aos olhos na gola de uma ulster donde saíam as pontas de um cachenê de seda clara. O escudeiro desembaraçou-o dos agasalhos; e ele, de casaca e colete branco, limpando o bonito bigode úmido da geada, veio apertar a mão ao caro Vilaça, ao amigo Eusébio, arrepiado, mas achando o frio elegante, desejando a neve e o seu chique…

—Nada, nada — dizia Vilaça todo amável — cá o nosso solzinho português sempre é melhor…
E foram entrando no fumoir, onde se ouviam as vozes do marquês, de Carlos, numa das suas sábias e prolixas cavaqueiras sobre cavalos e esporte.

Source: Os Maias [Biografia, Ilustrado, Índice Ativo, Análises, Resumo e Estudos … – Eça de Queirós – Google Books

 

O excerto original em Português:

Teve de se calar. Justamente ao fundo do corredor assomava o Taveira, abafado até aos olhos na gola de uma ulster donde saíam as pontas de um cache-nez de seda clara. O escudeiro desembaraçou-o dos agasalhos; e ele, de casaca e colete branco, limpando o bonito bigode húmido da geada, veio apertar a mão ao caro Vilaça, ao amigo Eusébio, arrepiado, mas achando o frio elegante, desejando a neve e o seu chique…
—Nada, nada — dizia Vilaça todo amável — cá o nosso solzinho português sempre é melhor…
E foram entrando no fumoir, onde se ouviam as vozes do marquês, de Carlos, numa das suas sábias e prolixas cavaqueiras sobre cavalos e sport.
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Lampadinhas

A “maravilhosa língua unificada” e a não menos “maravilhosa revisão do AO90″…

Oops, peço desculpa, não é “revisão” que se diz, agora parece ser obrigatório chamar “aperfeiçoamento” à fantochada.

Os acordistas portugueses conseguiram fazer esta coisa espantosa com o Português: transformá-lo numa espécie de “brasileiro” (como se vê, por exemplo, na bandeirinha que abrilhanta o site da Babbel) e assim, entrouxando essa tremenda vigarice em delírios para deslumbrar pategos, fazer passar a golpada por uma coisa a que chamam “língua unificada”.

Tentemos ignorar o ridículo da “ideia” e vamos fingir, por uma vez sem exemplo, que não alcançamos ao certo a dimensão da fraude. Talvez seja útil desaprender amiúde tudo aquilo que julgamos saber sobre o “acordo” e voltar por sistema à estaca zero. Reciclar o espanto, digamos, depurar a indignação.

É evidente, a julgar pelas últimas investidas, que o processo de brasileirização em curso (PBC) ficaria incompleto caso não existisse um continuum gradativo. Como se costuma dizer, isto vai de mal a pior: visto que o “acordo ortográfico” propriamente dito não unifica coisíssima nenhuma e até, pelo contrário, veio criar novas duplas grafias onde elas não existiam, então vá de “melhorar” a besta (ou “despiorar”, como há já quem designe essa trafulhice), consagrando exclusivamente não apenas a ortografia brasileira como também a própria fala dos brasileiros (“norma culta”, dizem eles). A premissa é muito simples: caso no Brasil  se pronuncie determinada consoante que é “muda” em Portugal (e PALOP), então essa consoante, que o AO90 eliminara em 7 países mas não no Brasil, volta a ser “válida”; portanto, as ditas consoantes “mudas” passam a “valer” de novo em todos os 8 países da CPLP, mas essa “validade” é só para aquelas que… os brasileiros articulam e que, portanto, utilizam na (sua) escrita.

Dito de outro modo, porque isto parece ser de muito difícil compreensão para quem não quer entender ou se recusa a aceitar aquilo que é por demais evidente:  a anunciada “revisão” do AO90, artisticamente baptizada pela ACL como  “aperfeiçoamento”, não é mais do que a segunda etapa do PBC e consiste basicamente em impor a norma ortográfica brasileira no espaço da chamada “lusofonia”. Sintetizando, meia dúzia de fulanos que nasceram em Portugal (assessorados por alguns estupefactos brasileiros) pretendem impingir ao país de origem da Língua e a seis ex-colónias portuguesas uma coisa a que chamam “língua portuguesa unificada” mas que na verdade e de facto é a “norma” da sétima ex-colónia.

O PBC, na prática, caso se verifique não haver em Portugal senão umas quantas manadas de ruminantes, significará esta coisa arrepiante, nojenta, escabrosa: para escrever uma palavra “corretamente” (em “brasileiro”) qualquer português terá de saber — de memória ou perguntando para os lados —  como se redige, ou seja, como se pronuncia essa palavra no Brasil.

Os “arquitetos” do PBC não brincam em serviço. Além das habituais campanhas de intoxicação da opinião pública, vão já experimentando até uma velhíssima técnica de “marketing”: inventar de raiz uma necessidade para resolver problemas gerados por outra necessidade que eles mesmos tinham também previamente inventado  prevendo a segunda campanha e destinando-se essa a resolver problemas que jamais existiram.

Mal comparado, seria o mesmo que um “expert” (“esperto”, no crioulo de Malaca) lembrar-se de lançar uma marca de sabonetes “para emagrecer” e viesse uns tempos depois colocar no mercado um antídoto para as pessoas que desataram a comer sabonetes…

A peça seguinte ilustra na perfeição estes conceitos de vendedores de banha-da-cobra com designação genérica em Inglês: o AO90 jamais serviu para coisa alguma, foi uma invenção não apenas totalmente inútil como estupidamente perniciosa, mas agora há estas “diferençazinhas” (que antes do mesmo AO90 não existiam), portanto vá de “melhorar” o AO90, eliminem-se as tais “diferençazinhas” (que antes não existiam mas isso agora não interessa nada, faz de conta que sempre foi assim).

Génios da corda. Lampadinhas.

 

babbel_ptbr-ptpt
Certains mots s’épellent différemment en portugais européen et portugais brésilien. Le mot «réception», par exemple, s’écrit au Portugal receção, tandis que la version brésilienne rajoute un -p : recepção. Cette différence s’étend à d’autres mots auxquels la prononciation brésilienne rajoute un -p là où il est absent dans la prononciation européenne.

Imagem de topo: By Source (WP:NFCC#4), Fair use, Link

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