Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Twitter

O que diz Pacheco

Do programa “Quadratura do Círculo”, emitido em 18.05.17 pela SIC Notícias, parece-me aproveitável a parte em que José Pacheco Pereira dá pancada (que não lhe doam as mãos!) no chamado “acordo ortográfico”.

Foi aliás esse mesmo o primeiro tema da tertúlia, se bem que os demais convivas, moderador incluído, se tenham limitado a ou debitar as larachas do costume (Jorge Coelho, pois claro) ou perorar vigorosamente que nim, ah, e tal, eu até acho que coiso mas patati patatá (Lobo Xavier).

Por conseguinte, não se aproveitando mais nada dos 20 minutos iniciais da gravação, transcrevo em baixo — quase na íntegra — apenas o que diz Pacheco.

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AO90: imposição ‘manu militari’ [Pacheco Pereira, “Público”]

 

O nó górdio

O prémio a Frederico Lourenço não nos deve iludir. O mundo sobre o qual ele estuda, escreve e traduz é cada vez menos presente no espaço público do saber, onde cada vez menos se sabe sobre o mundo clássico.

José Pacheco Pereira
3 de Abril de 2017, 6:30

Dedicado à memória de José Medeiros Ferreira,
que uma vez, numa entrevista, falou do “nó górdio”
a uma jornalista, que lhe disse que não sabia o que aquilo era
e recebeu como resposta: “Se não sabe, devia saber”.

—————-

Um Prémio Pessoa mais que merecido foi atribuído a Frederico Lourenço, pela sua obra de especialista e tradutor de literatura clássica, em particular literatura grega. A sua recente tradução da Bíblia a partir do texto grego tem sido saudada como um acontecimento cultural de relevo, mas Frederico Lourenço já tinha traduzido muitos outros textos clássicos, com relevo para Homero. É apenas pena, mas as coisas são como são, que muitos Prémios Pessoa sejam para o homem que foi falado nos seis meses anteriores ao prémio, mas isso é infelizmente um costume cada vez mais comum, resultado da mediatização de toda a vida pública. Num dos sítios em que esta mediatização mais estragos faz é na cultura, mas isso não invalida o mérito do prémio a Lourenço.

O prémio a Frederico Lourenço, no entanto, não nos deve iludir. O mundo sobre o qual ele estuda, escreve e traduz é cada vez menos presente no espaço público do saber, onde cada vez menos se sabe sobre o mundo clássico, e, embora nunca se soubesse muito comparado com os países da Reforma, também cada vez menos se sabe sobre a Bíblia. Não nos devemos iludir quanto ao valor que a escola, a universidade, a sociedade, a comunicação – já para não falar das chamadas “redes sociais” – e a política hoje dão às humanidades e aos estudos clássicos. Esse valor é quase nulo. Pelo contrário, é entendido como um conhecimento inútil, que justifica o corte de financiamentos, a colocação no último lugar da fila, quando não da extinção curricular, das disciplinas do Latim e do Grego, que conseguem ficar atrás da Filosofia. E não é só este cerco às humanidades clássicas — em bom rigor a todas as humanidades — é a sua desvalorização pública implícita em muito documento, declaração política, e em acto.

O mais flagrante exemplo é a defesa de um Acordo Ortográfico que se pretende impor manu militari, e que corta as raízes ortográficas do português no latim. Já para não falar das invectivas contra o conhecimento daquele “comissário” jovem que melhor do que ninguém explica a atitude do extinto Governo PSD-CDS para com estas matérias. E quem escreve isto considera que se é tanto ignorante se não se souber o que é o princípio de Arquimedes, ou a segunda lei da termodinâmica, como desconhecer quem era Polifemo ou Salomão, ou Judite ou o Bom Samaritano.

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“Lost in translation”

lostintranslationNunca entendi esta “questão”. Há-de ser decerto um assunto importante, a julgar pelo número de pessoas (pelo menos aparentemente) normais que a ele se referem amiúde, mas confesso que me ultrapassa mesmo “o” para que raio isto interessa. Em que é que este antiquíssimo fenómeno, esta trivialíssima parvoíce, tal vulgaríssima labreguice afecta a Língua Portuguesa enquanto corpus são e escorreito?

Pois é claro que a TVI (por exemplo, mas com direito a destaque) capricha na liquidação sumária do Português. Pois sim. Mas isso, raios, não tem absolutamente nada a ver com aquilo que nos interessa!

Anglicismos? Francesismos? Barbarismos? Estrangeirismos?

Sim, sempre houve disso. So what?

O “acordo ortográfico” é que é assunto, ok?

Peço desculpa pelo estilo blunt: isto é pura e simples conversa fiada, verbo de encher, bull shit. Tentem lá mudar o chip, caramba, deixem-se de conneries.

 


logo_sharePerdidos na tradução

Nuno Pacheco

29/04/2016 – 00:10

Faz-nos falta a Grande Cruzada da Tradução Nacional!

——–

Anda por aí um vírus, teimoso e persistente, ao qual nos vamos habituando com alguma moleza: o vírus do Anglicismo. Nada de muito grave, diga-se. O seu irmão mais velho, o Galicismo, imperou com pompa e proveito no século XIX. Depois auto-extinguiu-se, sem intervenção de qualquer vacina. Os pais, esses, são eternos: o Desdém e a Tolice. Antes de continuar, convém dizer duas coisas positivas. A primeira é que os portugueses são, ou tentam ser, saudavelmente poliglotas, e para isso muito contribui o facto de não haver, por exemplo, tradução oral mas sim legendagem de filmes, documentários ou séries (ao contrário do que sucede, por exemplo, em Espanha, França ou Inglaterra), e assim desde muito novos que todos sabem como soa o inglês, o francês, o espanhol, o alemão ou o japonês. A segunda, é que o uso de palavras ou frases estrangeiras no dia-a-dia, por necessidade ou brincadeira, não faz mal a ninguém e nem sequer é criticável. Ninguém se lembraria, a não ser os mais puristas, de traduzir Facebook por Livro de Caras ou Twitter por Gorjeio.

No entanto, há casos onde o abuso do inglês se torna caricato. Vejam-se, por exemplo, muitos concursos televisivos nacionais (The Big Picture, Got Talent Portugal, Cook off, The Voice Portugal, Fama Show, Love on Top, etc); os nomes que travestiram tantas universidades; a gíria que infesta a economia e a gestão; ou o recém-inaugurado e prometedor News Museum. Quem escolheu o título em inglês deve tê-lo achado mais cosmopolita. Museu das Notícias? Que saloiada! Mas e o também recente Museu do Dinheiro? Não será este tão ou mais universal do que as notícias? Então, o que esperam para fazer dele um Money’s Museum, hã?

Ah, faz-nos falta a Grande Cruzada da Tradução Nacional! Ponhamos em Belém uma Tower e um Monastery, para ajudar os turistas; troquemos as ruas por streets; chamemos trains aos comboios e ATM aos multibancos, sejamos, como se diz?, universais! — que o Desdém pelo nosso idioma e a Tolice de ignorá-lo farão o resto.

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Portugal – França

Portugal

adetos

Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

Guerra Junqueiro, in ‘Pátria (1896)’

França

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VIDEO. La réforme de l’orthographe va «tomber dans un oubli», selon Hélène Carrère d’Encausse

ORTHOGRAPHE L’annonce de la réforme par l’exécutif avait vivement fait réagir les internautes…

Clémence Apetogbor
Publié le 19.04.2016

La réforme de l’orthographe, qui a fait couler tant d’encre, pourrait ne pas être appliquée, selon  l’académicienne Hélène Carrère d’Encausse. La secrétaire perpétuelle de l’Académie française estime que la suppression des accents circonflexes, ou la suppression du « i » de « oignon », sera « mise au frigidaire ».

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Uma história (muito) mal contada [V]

 

Derrotar o AO90 a todo o custo mas não a qualquer preço

Foi sob este lema, ainda em finais de 2008, que “nasceu” a (ideia de uma) ILC. Significando, evidentemente, que mesmo na Causa mais justa, como era e como será sempre a nossa, não vale tudo. Não vale vender a alma ao diabo, não vale trocar o essencial pelo acessório, não vale condescender nos princípios, não vale ceder um milímetro no fundamental, não vale tolerar traições, infiltrações ou vendilhões.

Houve antes do lançamento alguns contactos, houve conversas, houve sondagens (no sentido não petrolífero do termo) e houve até um “site” — o primeiro exclusivamente dedicado ao tema – que pretendia, ingenuamente mas com toda a boa vontade, congregar vontades, reunir esforços, criar em suma uma “frente comum” na luta contra o AO90: tinha inúmeros conteúdos documentais, tinha ferramentas diversas, tinha até um “fórum de discussão”. Tudo aquilo foi disponibilizado em tempo “record”, a partir de Setembro de 2008, e manteve-se activo — sem grande sucesso, aliás, porque estava “amarrado” à Petição/Manifesto e ao seu “número 2” — até ao lançamento “oficial” da (ideia da) ILC-AO, em Novembro de 2009; o que apenas sucedeu, evidentemente, depois de a dita petição estar, como era previsível e foi expressamente previsto, arquivada, arrumada, posta a um canto sem ter produzido o mais ínfimo resultado concreto.

Quando inicialmente lancei a “hipótese ILC” no Twitter (só um ano mais tarde o projecto foi lançado “oficialmente”, via Facebook), a primeira adesão, entusiástica e sem qualquer reserva, foi de uma espanhola: Rocío Ramos, de Zamora, Leão, Espanha. De imediato secundada, esta primeira activista espanhola, por uma brasileira: Manuela Carneiro, da cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Esta brasileira é, por sinal, portuguesa, de Braga, tem aliás dupla nacionalidade, e aquela “nossa” espanhola é, não por mero acaso, a mais portuguesa de todas as espanholas — adora Portugal, estuda Português, pela-se por tudo o que esteja a jusante do seu Douro natal.

Uns meses depois de ter atirado o barro à parede no Twitter (ainda em 2008), não apenas publiquei um “post” no Facebook sobre o assunto como, a bem dizer “à experiência”, criei ali uma página, usando a aplicação  Causes*, que na altura era bem diferente e incomparavelmente melhor do que a porcaria que é hoje em dia*. Publicada essa página, enviei convites aos meus contactos — sempre convencidíssimo de que ninguém iria ligar nenhuma àquilo. Pois bem, grande surpresa, dois minutos depois de ter enviado os convites recebo a primeira adesão: Paulo Pinto Mascarenhas, jornalista. Lembro-me perfeitamente de lhe ter escrito logo a seguir, agradecendo mas também manifestando a minha estupefacção (as adesões sucediam-se enquanto escrevia ao dito jornalista, a “campainha” virtual não parava de apitar) pelo facto de afinal, contra todas as expectativas, a receptividade à ideia estar a ser entusiástica!

Em 10 de Março de 2009 já havia 1.200 apoiantes daquela página em Facebook Causes*, que tinha um título bastante simples mas sugestivo: “Não Queremos o Acordo Ortográfico“. E a tendência era nitidamente de crescimento rápido e exponencial, tendo chegado a atingir, durante dias a fio, uma média de adesões superior a 150. De tal forma que um ano depois já tinha ultrapassado o (surpreendente) total de 47.000 “membros”.

Extraordinário, não é?

Não, não é.

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Uma história (muito) mal contada [IV]

ILCAOflagPássaro azul

Em 25 de Setembro de 2008, oito meses antes de a Petição/Manifesto de VGM et al ter sido “discutida” no Parlamento (e arquivada, sem mais), já a possibilidade de se lançar uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos tinha sido ventilada, num simples “post” publicado no que era então o meu “blog” pessoal. À época, e desde pelo menos Janeiro de 2007, ia publicando ali alguns textos e outros conteúdos de agitação e propaganda contra o AO90. Foi no início uma campanha de agitprop algo ingénua, reconheço-o sem qualquer rebuço, visto que gravitava essencialmente em volta do que então estava em curso, a tal petição/manifesto de VGM e outros, mas rapidamente me apercebi de que a luta não podia ficar limitada a uma única “frente de combate” e dependente dos resultados (ou da ausência deles) que dali adviessem, caso se confirmassem os piores receios.

As coisas não estavam realmente a correr bem, o silêncio ensurdecedor sobre o assunto e o progressivo isolamento da questão faziam prever o pior. Como poderá jurar a pés juntos qualquer bruxo de bairro, não é de todo necessário possuir extraordinários dotes de adivinhação para prever o que é previsível. Difícil, isso sim, é prever o que é imprevisível, ele há neste mundo coincidências espantosas.

Como diz Sophia no poema Cantata de Paz, “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”.

Ora, nem de propósito, por aquela época o que se ia vendo, ouvindo e lendo sobre a petição/manifesto era VGM isto, VGM aquilo, Graça Moura para cá, o Vasco para lá, VGM sobretudo, e sobre tudo pairando o espectro do político, o destacado dirigente de um Partido confundindo-se com o (co-)autor do Manifesto, a petição subscrita por milhares aparecia a muitos outros milhares como tendo apenas a assinatura do seu primeiro subscritor e principal mentor.

Acredito piamente em que isto tenha sido involuntário, que os acontecimentos se tenham encadeado assim como poderiam ter seguido outro rumo. Mas pelo menos quanto ao que está  em causa, a Língua Portuguesa, parece-me ser tremendo erro que uma única pessoa se torne na “face visível” de uma Causa nacional, transversal, dizendo respeito a todos, mesmo aos “ignorantes”, aos analfabetos e até aos recém-nascidos, os quais, pobres anjinhos, por tremendo azar vêm ao mundo ignorantes de todo, sem saber ler nem escrever ou sequer falar.

Bem sei que existem rebanhos, manadas e bandos, por exemplo, não há como negar as evidências, ele há pastores, ele há líderes, ele há machos-alfa (ou fêmeas-alfa), e é claro que determinam algumas leis da Natureza seguir confortavelmente o formigueiro sua rainha pelo carreiro.

Porém: não tem necessariamente de ser sempre assim, que diabo, ao menos neste tema em particular poderia e sobretudo deveria ter havido alguma prudência. Vasco Graça Moura foi uma figura de excepção no panorama cultural português. Ficará para sempre nos anais da nossa Literatura. Tem reservado, por mérito próprio, um lugar de destaque na História da Cultura portuguesa. E foi efectivamente o mais mediático activista na luta contra o monstro desortográfico.

Mas VGM foi também um homem. Um homem que, à semelhança de qualquer cidadão politicamente habilitado e que esteja para aí virado, militava num partido político, ao qual dedicava boa parte do seu tempo, do seu trabalho, do seu saber e, por fim, do seu próprio prestígio.

Para os portugueses em geral, VGM era um intelectual de topo que militava no PSD. Muito ligado a Cavaco Silva, foi deputado europeu eleito pelo PSD e foi nomeado pelo PSD como Secretário de Estado em 1975. Portanto, para os portugueses em geral, VGM era “o PSD”. Criou, por conseguinte, enquanto animal político, sem ofensa, uma espécie de anti-corpos no tecido social indígena. Muitos portugueses passaram a associar ideologicamente a Petição/Manifesto à militância político-partidária de Vasco Graça Moura, que era a “face visível” do Manifesto. E por simples associação de ideias, não havendo à época mais nada em termos de resistência ao AO90, muita gente  passou a associar essa “face” não apenas à petição como à Causa anti-acordista em geral.

Acresce que, como vimos, havia um outro problema na petição/manifesto, na sua formulação: afinal, e note-se que o próprio Parlamento “solicitou a clarificação do objecto da petição”, a pretensão da dita consubstanciava-se em que o mesmo Parlamento “tome, adopte ou proponha as medidas julgadas necessárias”.

Na melhor das hipóteses, isto equivaleria à apresentação por parte dos deputados de uma Iniciativa Legislativa (ou proposta de Resolução) — conforme entendessem, porque o texto da petição não era objectivo quanto a isso. “Para que sejam alcançados os resultados reivindicados nesta petição”, convenhamos, é uma formulação algo vaga.

Na pior das hipóteses, que era aliás mais do que provável, o Parlamento poderia vir a fazer quanto ao assunto o que efectivamente acabou por suceder: despache-se relatório, recomende-se ao Governo “que as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em conta” (“na opinião do deputado relator”, valha-me Deus!), arquive-se, assunto arrumado.

Em suma, deste quase fatal resultado sabemos nós hoje, ficámos dele inteirados assim que foi despachado o tal relatório parlamentar, mas havia que decidir muito antes, por antecipação, por presunção (e sem qualquer água benta), o que fazer se a petição falhasse. E se afinal aquilo desse em nada por um lado e em coisa nenhuma por outro?

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