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No doubt about it

O que tem a ver com o AO90 um texto sobre a Língua Inglesa escrito por um russo em Inglês?

Bom, tem tudo a ver. Qualquer semelhança entre este argumentário sólido e as tretas acordistas é mera coincidência, bem entendido, seguindo o autor uma linha de raciocínio coerente (e inteligível) que radicalmente difere do discurso errático, polvilhado com “inverdades” escabrosas, que é típico do paleio de Malaca, Bechara, Reis, Canavilhas e outros portadores de mitomania.

E se quanto a semelhanças estamos conversados, já no que diz respeito a diferenças temos apenas esta: não existe a mais leve referência a ortografia. Nem explícita nem implicitamente. Nem claramente expressa nem vagamente aflorada.

O que faz todo o sentido, evidentemente. Tratando-se de anglofonia, falando-se de países anglófonos, analisando-se a (real, efectiva) difusão e expansão da Língua Inglesa, a “questão ortográfica” jamais ocorreria sequer a qualquer anglófono: a ortografia do Inglês permanece intocada há séculos. Aliás, por alguma razão é essa e não outra, hoje em dia e desde há séculos, a única língua-franca universal.

Afinal, vendo bem, este texto tem tudo a ver porque não tem nada a ver.

 

The English Language No Longer Belongs to Britain and America»

Brits and Americans No Longer Own English

By Leonid Bershidsky
“Bloomberg”, 02.03.19

 

The Brexit circus and the unpopularity of President Donald Trump are causing apprehension about the future of the Anglosphere, the cultural, intellectual and political influence of the core English-speaking nations: Britain and the U.S.

As a non-native English speaker who works in the Anglosphere, though, I’m not worried about that; Americans and Brits are merely facing increasing competition from within their accustomed domain rather than from without.

The English language, which has just 379 million native speakers, is spoken at a useful level by some 1.7 billion people, according to the British Council. That has long ensured that U.S. and U.K. voices are heard louder than any others.

There is no indication that the language’s popularity is declining despite the recent damage to the two countries’ soft power. Last year, the British Council forecast that the number of potential learners in Europe will decline by 8.8 percent, or some 15.3 million, between 2015 and 2025. Brexit has nothing to do with this: the expansion of English teaching at schools is expected to cut demand for the organization’s courses. Overall, the market for English in education is predicted to grow by 17 percent a year to reach $22 billion in 2024. That, in large part, is thanks to insatiable demand in Asia.

I learned it in the Soviet Union. I have to admit I did it because of British and U.S. soft power: I wanted to understand rock song lyrics, watch Hollywood movies in the original, and read books that weren’t available in translation. But that wasn’t the reason high-quality instruction was available to me in Moscow in the 1980s: English was the adversary’s mother tongue. Russian President Vladimir Putin is no fan of the U.S. or the U.K., but he has learned their language well enough to speak to other foreign leaders without a translator.

It’s impossible to avoid: 54 percent of all websites are in it. The next most widespread language is Russian, with 6 percent. The most popular translation requests on Google all involve English. The global academic community speaks it, and not just because U.S. and U.K. universities are important: If they all closed tomorrow, scholars would still need a common tongue, and they aren’t going to vote to adopt another one.

Nor will the global political community. The European Union is a case in point: After Brexit, English could lose the status as one of the bloc’s working languages because no remaining members use it officially. Yet the legal departments of all the EU governing bodies have agreed that it can retain its status on the rather thin argument that it’s used in Irish and Maltese law. It’s also the lingua franca for all the Eastern European officials who have never learned French or German. Even after Brexit, it will share with German the status of the most widely spoken language in the EU – that is, as long as one takes into account non-native speakers.

(mais…)

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“Lost in translation”

lostintranslationNunca entendi esta “questão”. Há-de ser decerto um assunto importante, a julgar pelo número de pessoas (pelo menos aparentemente) normais que a ele se referem amiúde, mas confesso que me ultrapassa mesmo “o” para que raio isto interessa. Em que é que este antiquíssimo fenómeno, esta trivialíssima parvoíce, tal vulgaríssima labreguice afecta a Língua Portuguesa enquanto corpus são e escorreito?

Pois é claro que a TVI (por exemplo, mas com direito a destaque) capricha na liquidação sumária do Português. Pois sim. Mas isso, raios, não tem absolutamente nada a ver com aquilo que nos interessa!

Anglicismos? Francesismos? Barbarismos? Estrangeirismos?

Sim, sempre houve disso. So what?

O “acordo ortográfico” é que é assunto, ok?

Peço desculpa pelo estilo blunt: isto é pura e simples conversa fiada, verbo de encher, bull shit. Tentem lá mudar o chip, caramba, deixem-se de conneries.

 


logo_sharePerdidos na tradução

Nuno Pacheco

29/04/2016 – 00:10

Faz-nos falta a Grande Cruzada da Tradução Nacional!

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Anda por aí um vírus, teimoso e persistente, ao qual nos vamos habituando com alguma moleza: o vírus do Anglicismo. Nada de muito grave, diga-se. O seu irmão mais velho, o Galicismo, imperou com pompa e proveito no século XIX. Depois auto-extinguiu-se, sem intervenção de qualquer vacina. Os pais, esses, são eternos: o Desdém e a Tolice. Antes de continuar, convém dizer duas coisas positivas. A primeira é que os portugueses são, ou tentam ser, saudavelmente poliglotas, e para isso muito contribui o facto de não haver, por exemplo, tradução oral mas sim legendagem de filmes, documentários ou séries (ao contrário do que sucede, por exemplo, em Espanha, França ou Inglaterra), e assim desde muito novos que todos sabem como soa o inglês, o francês, o espanhol, o alemão ou o japonês. A segunda, é que o uso de palavras ou frases estrangeiras no dia-a-dia, por necessidade ou brincadeira, não faz mal a ninguém e nem sequer é criticável. Ninguém se lembraria, a não ser os mais puristas, de traduzir Facebook por Livro de Caras ou Twitter por Gorjeio.

No entanto, há casos onde o abuso do inglês se torna caricato. Vejam-se, por exemplo, muitos concursos televisivos nacionais (The Big Picture, Got Talent Portugal, Cook off, The Voice Portugal, Fama Show, Love on Top, etc); os nomes que travestiram tantas universidades; a gíria que infesta a economia e a gestão; ou o recém-inaugurado e prometedor News Museum. Quem escolheu o título em inglês deve tê-lo achado mais cosmopolita. Museu das Notícias? Que saloiada! Mas e o também recente Museu do Dinheiro? Não será este tão ou mais universal do que as notícias? Então, o que esperam para fazer dele um Money’s Museum, hã?

Ah, faz-nos falta a Grande Cruzada da Tradução Nacional! Ponhamos em Belém uma Tower e um Monastery, para ajudar os turistas; troquemos as ruas por streets; chamemos trains aos comboios e ATM aos multibancos, sejamos, como se diz?, universais! — que o Desdém pelo nosso idioma e a Tolice de ignorá-lo farão o resto.

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«O português que os pariu» [Carlos Fino, jornal “Tornado online”]

PeroVazCaminha

jornaltornado_logoBRASIL – PAÍS AUTOFÁGICO?

22 de Abril de 1500 – Frota de Cabral chega ao Brasil

Texto: Carlos Fino, em Brasília · 23 Abril, 2016

Ao contrário dos norte-americanos, que celebram sem complexos e com orgulho o dia de Colombo (12 de Outubro é feriado nos EUA) os brasileiros não celebram nem nunca celebraram o dia da descoberta do país pela frota de Pedro Álvares Cabral

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O desejo de forjarem a sua própria identidade como se fossem filhos de si próprios desde cedo levou o Brasil – os seus ideólogos e intérpretes – a menosprezar a herança portuguesa e quase tudo o que com ela se prende, a começar pela descoberta.

Questiona-se se ela foi acidental ou planeada, contesta-se que tenha sido Cabral o primeiro, sublinha-se que o território já era habitado. Depois, sublinha-se toda a herança negativa – matança dos índios, destruição da mata atlântica, escravatura, burocracia, corrupção.

Raramente se reconhece a herança positiva – o desbravamento do território, um vasto património arquitectónico hoje reconhecido como valor universal pela UNESCO, um país de dimensões continentais unido sob a mesma língua e um fundo cultural comum, uma convivência tolerante entre as diferentes etnias…

Na leitura do passado histórico, a regra seguida pelos brasileiros é esta – se foi mau, a culpa é dos portugueses; se foi bom, é porque já eram brasileiros, mesmo que tudo se tenha passado antes da independência, em 1822.

O ressentimento anti-português (transversal, mas cultivado mais à esquerda do que à direita) é tanto mais estranho quanto é certo que em 1822 – data da independência – não havia ainda propriamente uma nação brasileira formada. E a separação deu-se mais por responsabilidade portuguesa (a exigência das Cortes liberais de retirar ao Brasil o estatuto de reino que lhe havia sido reconhecido por D.João VI em 1815) do que por exigência brasileira.

Numa palavra – foi mais a intransigência dos portugueses de cá que levou os portugueses de lá a declararem a independência. Tivesse havido mais compreensão e talvez o Reino Unido tivesse podido prolongar-se por mais tempo para benefício mútuo.

Na célebre Semana de Arte Moderna de 1922 – que assinalou o primeiro centenário da independência – os modernistas lançaram a ideia do Brasil como país antropofágico – aquele que tudo devora e assimila, tornando-se mais forte do que os elementos exógenos que a ele chegaram ou o tentaram dominar.

A partir daí, o Brasil passou a revalorizar as suas raízes negras e índias, recalcando ou votando ao esquecimento as raízes portuguesas. “Nunca fomos catequizados. Fizemos foi o Carnaval” dizia o Manifesto Antropófago, sublinhando – “Tupi, or not tupi – that is the question.”

É compreensível que queiram matar o pai. Mas o terrível drama com que os brasileiros se debatem é este – cada vez que se olham ao espelho, por mais que o queiram apagar ou negar, por mais que se pintem de preto ou de vermelho, sempre se defrontam com o português que os pariu.

Não seria mais sensato, então, admitirem-no francamente e reconciliarem-se de vez com a herança lusa?

É que esse recalcamento, mais do que um enriquecedor gesto antropofágico, acaba por ser – dada a profundidade das raízes que os portugueses aqui deixaram – um altamente prejudicial gesto autofágico.

[Transcrição integral de artigo com o título “BRASIL – PAÍS AUTOFÁGICO?”, da autoria do jornalista Carlos Fino, publicado no jornal “Tornado online” em 23.04.16. Destaques meus. Imagem de topo de Fundação Torino (Brasil).]

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«Lusofonia económica» [Luciano Amaral, “CM”]

correio_da_manha_logoLusofonia económica

Andamos sempre com a Irlanda na boca mas o seu segredo foi não ter medo de americanos e ingleses.

Luciano Amaral

11.04.2016 00:30

A lusofonia económica anda mal. Vejam-se as coqueluches da elite político-económica portuguesa. O Brasil está devolvido ao colapso económico, político e institucional; Angola revelou na semana passada o desastre do seu capitalismo de monocultura petrolífera: caiu o preço do petróleo e foi logo preciso chamar o Fundo Monetário Internacional.

As esperanças que recorrentemente Portugal coloca no Brasil e em Angola tarde ou cedo confrontam- -se com a sua profunda disfuncionalidade social, económica e institucional. São essas disfuncionalidades que fazem esboroar rapidamente os seus aparentes êxitos económicos. O carinho por estes parceiros explica-se pelo facto de Portugal ser também um pouco como eles. O que é sobretudo visível nas elites do capitalismo rentista, que esperam, graças aos negócios com as elites idênticas desses países, perpetuar o ambiente de protecção e compadrio em que viveram até à crise. Veja-se, a título de exemplo, a história do Banco Espírito Santo e suas várias conexões angolanas (ESCOM, BESA…).

O medo que essas elites têm do capital de países mais desenvolvidos é o medo de se verem sujeitas a práticas empresariais mais transparentes e exigentes. Um exemplo que diz tudo é o da administração do recém-resolvido BANIF, cheia de medo do dinheiro espanhol mas ansiosa pelo da Guiné Equatorial: esperava certamente recebê-lo para tudo continuar como dantes, quartel-general em Abrantes.

As conexões lusófonas serão muito interessantes para essas elites. Para o comum dos portugueses, interessaria mais que o país se tornasse atractivo para investimento externo vindo de países que sabem fazer melhor as coisas. Andamos sempre com a Irlanda na boca, mas o seu segredo foi esse: não ter medo de americanos e ingleses. A crise de Brasil e Angola devia ser uma oportunidade para esquecermos essas fontes de dinheiro fácil.

Transcrição de: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/luciano_amaral/detalhe/lusofonia_economica.html

 

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“Unidade” e “prestígio”?

«A existência de duas ortografias oficiais da língua portuguesa, a lusitana e a brasileira, tem sido considerada como largamente prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu prestígio no Mundo.»

Acordo Ortográfico de 1990 – Nota Explicativa – Memória breve dos acordos ortográficos 

 


CEREAL_cover1[transcrição]
PORTUGUESE SPELLING REFORM

You say comboio, I say trem.

In spite of bough, trough, though, and through, color and colour, theatre and theater, lift, elevator, and the conflicting meanings of ‘pants’, language reform is not high on the agenda in the English speaking nations. Aside from a brief flirtation with orthographic spring cleaning in the 1970s that led, temporarily, to an Australian Ministry of Helth, the ‘rules’ of written English are not to be tinkered with. Like English, Portuguese is spoken the world over, and includes all the subtle (and not so subtle) regional variation that globalisation entails. Like English, too, its major fault line lies somewhere along the Mid Atlantic Ridge. Africans, Asians, and Europeans say facto, ideia, comboio, Brazilians say fato, idéia, and trem. You say ‘to-may-to’, I say ‘to-mah-to’. In contrast to English, which seems more than happy to continue with catalogues, catalogs, programs, programmes, encyclopedias, and encyclopaedias, the difference between voo and vôo has long been deemed an insufferable stain on the language’s international standing.

Before going any further, it is important to point out that the apathetic Anglophone attitude to orthography is the anomaly. While a few spelling systems are stable – Czech since the 15th century, Spanish since the 19th, and Russian since the revolution – incessant revision is more the norm. In 1972, Indonesia adopted a wholesale reform that saw tjoetjoe transform into the much more Malaysian looking chuchu. The Nederlandse Taalunie updated its Green Book of Dutch spellings in 1995, and then again ten years later. As recently as 2004, the Académie française changed to mu and diesel to diésel along with 2,000 other words. In 2005, the German speaking world saw radfahren become Rad fahren, and welcomed in the beautifully triplicate Flussschifffahrt. The same year, Norway backpedalled on an earlier reform and returned to more traditional spelling.

In the elaborate halls of a former convent in the pastel coloured city of Lisbon on 16th December 1990, after years of negotiation, six men and one woman solemnly assembled. They put their names to an international treaty promising to end the insupportable indignity of pinguim coexisting with pingüim, and some people writing janeiro with a capital ‘J’. The signatories of O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – The Portuguese Language Orthographic Agreement – represented the then seven Portuguese speaking nations of the world; Angola, Cabo Verde, Guinea-Bissau, Mozambique, and São Tomé e Príncipe in Africa (a combined 50 million speakers), Portugal (around 10 million speakers), and Brazil (a monumental 200 million speakers). The presence of observers from galego speaking Galicia in northwestern Spain satisfied those who considered their language a dialect of Portuguese, the absence of their signatures on the treaty satisfied those who did not. Timor-Leste, the eighth member of the Lusosphere, added its signature in 2004, two years after uncoupling from Indonesia and becoming the 21st century’s first independent nation. The treaty eschews silent letters, sheds hyphens, rationalises the use of capitals, and belatedly grants K, W, and Y legitimate places in the alphabet. Attempting to reflect the numerical realities of the Portuguese speaking world, it also shifts the centre of linguistic gravity firmly westwards. While around 1.6% of words are affected in the Portuguese spoken east of the Atlantic, only 0.5% change in the Brazilian standard. Breathing space is also given to genuine regional pronunciation differences; aspecto and aspeto both find room at the table, as does the much subtler difference between génio and gênio. Logical and accommodating though the agreement was designed to be, it unleashed an unfortunate aftermath.

After much dragging of feet and two controversial amendments, the treaty was finally written into the statute books in Brazil and Portugal in 2009. Brazil’s three year transition period passed predictably smoothly, but the European six year changeover has been mired in ever increasing opposition. This Portuguese unease has been mirrored in virtually every non Latin American territory where the language is spoken – including Equatorial Guinea, which waded into the fray in 2007 by adopting Portuguese as one of its official languages. Genuine confusion accounts for some of the aversion, notably in the teaching and publishing professions, and intransigence can also be blamed, with traditionalists clinging to every lost diaeresis. Animosity directed at an increasingly unpopular political class hasn’t helped, and national pride is definitely in the mix too. Imagine telling a Mancunian or Liverpudlian they have to spell it ‘favor’ from now on. Angola, representing 24 million speakers, shows no sign of falling into line, and the Common Lexicon – a prerequisite of the treaty – is yet to materialise. Such disarray, naysayers warn, is damaging the language’s international prestige. Their sentiments precisely echo the good intentions that set the whole process in motion in the first place. The final irony in this cautionary tale is that Lisbon and Brasília have taken highly divergent approaches to the reforms. The architects of the treaty, in trying to unite the two strains of Portuguese, have unwittingly split it into four. It is no longer enough to know if your Portuguese is Brazilian or the other kind, you must also ask if it is pre or post reform.
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[Cópia do texto reproduzido no “site” Miniature Lion a partir do original publicado na revista inglesa “Cereal Magazine” vol. 9, 2015 (esgotado na editora, disponível em Amazon). Imagem da capa: Amazon. Destaques meus.]

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“Apagamos coisas da História só porque são difíceis de memorizar? NÃO!”

Uma simples reforma ortográfica gera um verdadeiro levantamento dos franceses. Por cá, o Estado ousa assinar um acordo ortográfico à revelia dos portugueses e parece que está tudo conformado.
Isabel Coutinho Monteiro

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End of the circumflex? Changes in French spelling cause uproar

jesuiscirconflexe
[Nota: a BBC não permite a exibição dos seus vídeos fora de território britânico. Aceder ao “link” da notícia.]



Suggested new spellings for more than 2,000 French words have sparked controversy.
(mais…)

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