Apartado 53

Um blog contra o AO90 e outros detritos

Etiqueta: Universidade

O AO90 é “disrutivo”

«May prefere um ‘Brexit’ ordeiro, suave, sem um “processo disrutivo próximo do abismo”.»
Revista “Visão”, 02.02.17

 


«Este tipo de maltrato de natureza indireta é capaz de provocar na criança sintomas persistentes, disrutivos, patológicos e traumáticos (Costa & Sani, 2007a).»
Universidade do Porto – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (tese de mestrado, pág. 10, 2012)

 


«Evitam, frequentemente, o contacto social, isolam-se, exibem respostas negativas ou mesmo comportamentos disrutivos.»

Escola Superior de Educação de Lisboa (“projeto” de mestrado, pág. 22, 2015)


«Assim sendo, elas estão menos expostas do que as públicas a fatores externos e internos à escola que potencializam comportamentos disrutivos»
Sociologia vol.30  Porto dez. 2015


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“Pitografia” é algo “pitográfico”. E “pitogramas”?

 

«vieram os pitogramas que tinham como base a representação por meio de símbolos. A escrita é resultado de uma evolução contínua da pitografia para formas mais ou menos convencionais»

«A primeira etapa do seu desenvolvimento ficou conhecida como género pitográfico’.»

 

Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras

‘O Erro, uma análise necessária: sua implicação no ensino da Língua Portuguesa em Cabo Verde’
Mestrado em Língua e Cultura Portuguesa (PLE/PL2)
Área de especialização: Língua e Cultura Portuguesa (PLE/PL2)
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Imagem de topo de: UFBA (Brasil)
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“Das várias variantes da língua portuguesa” [jornal “Ponto Final” (Macau)]

«Entre as novidades introduzidas este ano, para além da sessão de cultura macaense, estiveram as sessões de cinema de língua portuguesa. Ambas deverão ser mantidas, na edição do próximo ano, explica a docente: “As tardes de cultura macaense, sim, é para continuar. Este ano também fizemos umas tardes de cinema português, filmes das várias variantes da língua portuguesa. Porque os alunos também gostam e porque é um bom exercício para aprender uma língua”.»

Curso de Verão de língua portuguesa termina com avaliação “francamente positiva”

Sílvia Gonçalves

“Ponto Final” (Macau), 07.08.17

A 31ª edição do Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade de Macau (UMAC) ficou marcada por um acréscimo significativo de alunos, por uma maior assiduidade e ausência de desistências. A coordenadora do curso, Ana Nunes, fala em maior esforço dos estudantes e mostra-se surpreendida com a apreensão imediata que estes fazem das danças tradicionais portuguesas.

Durante três semanas, tomaram contacto com a língua portuguesa dentro e fora da sala de aulas. Numa imersão cultural que incluiu canto, dança, cinema e sessões de história e cultura de Macau. O 31º Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa da UMAC terminou na passada sexta-feira, numa edição marcada pelo acréscimo de alunos – dos 370 da edição de 2016 para os 450 deste ano – pela ausência de desistências e uma maior assiduidade às aulas. Pelos elementos da avaliação, diz a coordenadora do curso, regista-se um maior esforço dos estudantes, que a cada ano chegam maioritariamente da China continental. Além da vertente linguística, certo é que todos se apropriaram das coreografias das danças folclóricas portuguesas. Como se o fizessem desde sempre, garante a docente Ana Nunes.

“O balanço é muito positivo. Já temos acesso aos elementos da avaliação e percebeu-se que este ano, para além dos alunos estarem presentes em todas as aulas, costumam estar mas dá-me a sensação que este ano eles foram ainda mais assíduos, houve ainda um maior interesse, uma maior motivação. O curso é intensivo, todos os dias das 8h30 até às 13 horas, mas notou-se um entusiasmo verdadeiramente desde o início até ao fim. Na avaliação também se percebe que os alunos se esforçaram mais. Para além das presenças nas aulas, as notas deles, a avaliação deles foi francamente positiva”, conta Ana Nunes ao PONTO FINAL.

(mais…)

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“A Língua Portuguesa nas suas múltiplas vertentes” [jornal “Ponto Final” (Macau)]

Lusitanistas reunidos pela primeira vez a Oriente para afirmar o papel da língua portuguesa

São mais de 140, os académicos de algumas das mais prestigiadas universidades do mundo que por estes dias se encontram em Macau para o XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Pela primeira vez, o encontro decorre a Oriente, após de já ter passado por países como França, Portugal, os Estados Unidos da América, o Brasil, a Alemanha e Cabo Verde.

Arrancou ontem o XII Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas (AIL), iniciativa que até sexta-feira, vai reunir, no Instituto Politécnico de Macau (IPM), mais de 140 conferencistas de 80 instituições de ensino superior oriundas um pouco de todo o mundo. Elemento de destaque naquela que é a primeira edição do evento trienal a Oriente é a presença, pela primeira vez, de académicos chineses que se vão apresentar como palestrantes. Para Roberto Vecchi, presidente da AIL, este afigura-se como “o elemento mais interessante deste congresso que surgiu espontaneamente sem nenhum tipo de organização”. Em declarações ao PONTO FINAL, o também director do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Modernas da Universidade de Bolonha, salientou a importância do evento decorrer em Macau “porque, de certo modo, inaugura um espaço novo, um espaço dinâmico, um espaço que está a investir muito na língua portuguesa”. Vecchi revelou ainda que “provavelmente” o congresso irá regressar à Europa “nos próximos três anos”.

Presente na cerimónia de inauguração que ontem decorreu no Instituto Politécnico de Macau, entidade organizadora do congresso, esteve o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Alexis Tam considerou que o idioma de Camões está a crescer de forma visível no território: “De uma forma simples, pode dizer-se que, hoje, há mais e melhor língua portuguesa em Macau”, defendeu.

Para o dirigente, tal constatação deve-se a “passos muito significativos” como o reforço “substancial” do investimento no ensino da língua, o recrutamento de novos recursos humanos, o aumento do número de alunos, a criação de novos programas e o incremento do intercâmbio e cooperação: “Considero, contudo, que podemos fazer mais. Do ensino básico ao ensino superior, das instituições públicas às instituições privadas, na pedagogia e na investigação, nos projectos e nos resultados”, assegura Alexis Tam. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura garantiu ainda, da parte do Governo, “o estímulo, a dinamização e os meios necessários”.

Por sua vez, Carlos Ascenso André, coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, recordou a viagem que fez até Cabo Verde há três anos, aquando do último encontro da Associação Internacional de Lusitanistas, para apresentar a candidatura da instituição de ensino superior à realização do congresso que se seguiria. Três anos depois, a associação reúne-se em Macau para uma “celebração da língua portuguesa e das culturas dos países de língua portuguesa”, como assim o entende Lei Heong Iok, presidente do IPM.

 

A LÍNGUA E A CULTURA DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA NAS SUAS MÚLTIPLAS VERTENTES

O congresso prossegue hoje, pelas 14h30, com a conferência “Divulgar a Língua Portuguesa e as suas Culturas” e com a apresentação da nova série da revista “Veredas”, editada pela AIL. Hoje será ainda apresentada a “Plataforma 9”, um portal cultural do mundo de língua portuguesa desenvolvido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Associação Internacional de Lusitanistas. Amanhã, pelas 11h, tem lugar o seminário “O Português no Mundo” conduzido por Ana Paula Laborinho, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Benvida da Rosa Lemos Oliveira, da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, e Carlos André, do IPM. Já na quinta-feira vai decorrer a “Mesa dos Escritores” que vai juntar Carlos Morais José, em representação de Macau, Ana Miranda do Brasil e João Paulo Borges Coelho de Moçambique. Por último, a conferência “As Humanidades como ‘inuntensílios’: aceleração – intervalo – interpretação”, conduzida pela ex-ministra da Cultura portuguesa, Isabel Pires de Lima, irá encerrar o congresso na sexta-feira.

Todas as actividades são abertas ao público em geral, incluindo as 44 sessões de trabalho que decorrem em simultâneo ao longo da semana. Serão debatidos temas como os diálogos transculturais entre Brasil, China e Macau, literatura feminina brasileira contemporânea, o acordo ortográfico, a personificação do poder na literatura angolana contemporânea, o papel da tradução na consolidação da identidade macaense, entre muitos outros. No último dia será ainda anunciada a localização e entidade organizadora do XIII congresso que irá acontecer em 2020.

CVN

[Transcrição integral de: Lusitanistas reunidos pela primeira vez a Oriente para afirmar o papel da língua portuguesa. Jornal “Ponto Final”, de Macau, 25.06.17. Imagem de topo de: Instituto Politécnico de Macau.]

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“A unificação é uma miragem” [Helena Buescu, linguista]

 

Fantástico depoimento, extraordinária argumentação, espantoso manifesto! Não encontro os adjectivos mais adequados — nem os suficientes — para qualificar a verdadeira lição de Português que a Professora Helena Buescu deu aos deputados. Foi uma brilhante, inspiradíssima  lição de Português, sim, e foi também uma verdadeira aula de História e até mesmo de Decência, algo que não sendo disciplina curricular parece ser uma grande lacuna na formação básica de boa parte dos nossos deputados.

Tive imensa dificuldade em escolher um título para este “post”. Decidi-me por uma citação de entre muitas outras que serviriam para o efeito, de igual peso, significado e brilho.

Durante toda a aula ouve-se perfeitamente o absoluto silêncio dos deputados acordistas, o que denota com eloquência gritante a total falência dos argumentos que não têm para contrapor aos que lhes foram claramente… explicados.

Não vale a pena transcrever a lição da linguista, porque nesse caso teria de passar a escrito mais de meia hora de discurso. Este é um daqueles raros casos em que se diz “só ouvindo”. Tudo.

 

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“Voltar a aprender Português” [Ana Mesquita, deputada]

Confesso que foi difícil ouvir esta… “audição”. De facto, levar com a longa arenga inicial de Malaca Casteleiro é estucha que não se deseja a ninguém. No seu característico tom enfastiado e gemebundo de quem faz um tremendo favor à humanidade por aturá-la, o homem desfia as patranhas do costume, todas e, desta vez, mais algumas; chega até a fingir, este poeta do fingimento, verdadeiro artista incontinente, que é dor a dor que deveras não sente. Enfim, resumamos a estopada: são 15 excruciantes minutos de “exposição”, logo de entrada, e mais à frente o homem serve outras doses de maçada (Patranhas à Malaca, um pitéu).

Mas nem tudo se perde nesta “audição”. Quem porventura conseguir chegar ao minuto 31 da gravação sem adormecer, saltando por cima das tergiversações de uma deputada do PSD e de um colega dela do PS, então poderá escutar algumas observações acertadas da autoria da deputada Vânia Dias da Silva (CDS-PP). E de seguida, a partir do minuto 37:30, destaque especial para a extraordinária desmontagem que Ana Mesquita (PCP) faz de todos os “argumentos” aduzidos por Malaca.

Eu disse “desmontagem”? Foi lapso, peço desculpa. É uma verdadeira demolição.

Transcrevo em baixo o grosso das pancadas do camartelo.

[38:25] Ana Mesquita

Relativamente a esta questão, e a algumas questões que aqui nos trouxe, nós temos de facto muitas dúvidas. Por um lado, quando se fala da questão da uniformização, e o senhor professor colocou de outra forma, de uma “unidade essencial”, temos alguns problemas quando há criação de novas palavras, que não existiam sequer no português do Brasil, tudo bem, nós sabemos que depois há aqui questões próprias de cada Língua mas parece-nos que vamos então em sentido diverso, vamos num sentido de divergência. Por outro lado, quando nós fazemos uma análise comparativa relativamente a esta matéria é impossível afirmar que esta uniformização da grafia possibilite de facto uma suposta “unidade essencial”. E eu aqui passaria a um exemplo mais concreto. É porque, se nós tivermos a oportunidade de fazer uma análise comparativa do que são versões portuguesas e versões, por exemplo, de português do Brasil, de obras comuns, substituindo apenas e só a questão da grafia, no sentido da sua uniformização, o texto continua a não fazer sentido nenhum! Ou seja, há diferenças que suplantam imensamente a questão da tal “unidade gráfica essencial”. E, portanto, até que ponto é que, então, conseguimos algum tipo de uniformização? Porque não nos parece que esteja a ser conseguida! Porque se nós fizermos esta leitura vamos continuar a ter, de facto, imensas, um mundo, um mar de diferenças, que não é fácil ultrapassar. Gostaríamos também de perceber, e isto aliás até se liga com outra questão: é que no próprio “Guia Rápido para a Aplicação da Nova Ortografia”, já de há algum tempo, se dizia que o acordo uniformizava não a forma de todas as palavras mas as regras da escrita. Ora, se nós fizermos esta comparação, nem uma coisa nem outra. De facto! E, portanto, o que é que nós temos aqui em cima da mesa, verdadeiramente?

Outra questão que nós colocamos é que consideramos que a política da Língua não pode ser um resultado, um mero resultado da dimensão das comunidades falantes, dos interesses editoriais subjacentes a cada uma destas comunidades, e que deve partir de um pressuposto que é a igualdade entre os vários países. Ora, assim sendo não podemos nunca falar de dois lados neste acordo. Temos de falar de uma vasta comunidade com muitos países e, portanto, até que ponto nós estamos a falar efectivamente disto, porque o que nos parece é que há uma subjacência, o que está subjacente aqui é fundamentalmente Portugal e o Brasil. Ora, há mais países aqui envolvidos. 

Por outro lado, temos outra dúvida relativamente a uma questão que foi aqui levantada, e muitas vezes é levantada, é que este processo foi também um processo de simplificação, no sentido de ser mais fácil para as crianças aprenderem a Língua e poderem de facto entendê-la melhor e que, portanto, voltar para trás era um desastre porque já houve muitos milhares de crianças que foram formadas com esta nova grafia. Não estaremos nós a menorizar quer as crianças, quer os professores, que nomeadamente aprendem línguas estrangeiras com uma complexidade em termos daquilo que é a escrita e a não correspondência da fórmula escrita àquilo que é expresso, imensa, não é?, pensemos, se calhar, no Inglês, no Francês, no Alemão, em que se nós formos a ler aquilo, tal e qual, para nós é dificílimo, e no entanto as crianças todos os dias aprendem uma Língua nova, se for necessário. Portanto, porque é que é tão mais difícil voltarem a aprender o Português?! Numa formulação antiga. Seria assim tão complicado? Num contexto que eu aqui também deixava, que é o seguinte: é verdade ou não é verdade que a esmagadora maioria dos livros que existem, nos acervos públicos, estão ou não estão escritos na grafia anterior? E, portanto, se a maior parte dos suportes, hoje em dia, da Língua, ainda hoje, não estão eles ainda produzidos no acordo anterior ao acordo ortográfico de 1990? E se essa não é de facto a maior base de suporte que, ainda assim, temos disponível.

São questões que nós temos e evidentemente interessa-nos detalhá-las e perceber um pouco o seu alcance e eu deixava de facto uma última questão. Que é: qual é o actual ponto da situação? Porque nos parece, efectivamente, que a aplicação e o uso corrente, que está neste momento, quer nas escolas — onde também há muitos problemas — mas ao nível  da sociedade em geral, na comunicação social, nos documentos oficiais, é de facto de uma grande irregularidade, que eu não sei se alguma vez, nos tempos mais recentes, tivemos a oportunidade de assistir a um fenómeno desta dimensão.  É porque em certas alturas, e nomeadamente na comunicação social, ninguém se entende a escrever! Todos os dias temos exemplos que nos devem merecer preocupação e reflexão.

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