Cebolinha e a teoria do caos

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«Neste momento penso que a blogosfera está dividida por camadas, como se fosse uma cebola: a primeira contém os blogs de pessoas conceituadas, que já o eram antes de estarem na blogosfera ou por quem ficou famoso pelos seus blogs e foi convidado para colaborar com jornais e tvs ou então que até escreveu livros sobre os seus blogs. São os opinion leaders. Na segunda camada surgem blogs com expressão própria, que pertencem a revistas ou outros meios, como o da revista Atlântico, ou que apostam numa área concreta, como o humor ou a culinária. A terceira camada é o caos, pois contém os blogs pessoais e aí existe uma constante guerra para encontrar um espaço próprio, o que não é nada fácil. Estou convicto que existe muito talento, mas torna-se muito complicado ganhar expressão.»

Pedro Rolo Duarte, Portugal Diário, 3 de Abril de 2007

E as polémicas sucedem-se, dos blogues contra os jornais e também, desde a semana passada, dos jornais contra os blogues (veja-se a última crónica de Pedro Rolo Duarte neste suplemento).

José Mário Silva, blog Escrita Automática, 28 de Junho de 2003

Em “O pior de Portugal” (Diário de Notícias, DNA, 14 de Junho de 2003, p. 4) eram já evidentes alguns laivos de pouca tolerância, para não dizer mesmo arrogância. Julgo que em “A blague dos blogues” (Diário de Notícias, DNA, 21 de Junho de 2003, p. 12) o problema se agravou. Caro Pedro, você já batia em alguma rapaziada da periferia unida em a “Periférica”. Agora brinda-nos com alguns açoites à rapaziada da capital que, julgo, são seus subordinados aí no DNA. Por este andar, numa das suas próximas impressões, ataca-se a si próprio, quem sabe, se mantiver o estilo, com um texto intitulado a “A pior blague de Portugal”.

Vasco Eiriz, blog Empreender, 22 de Junho 2003

Se houvesse leis sobre a matéria e eu pudesse legislar, os «blogues» existiam. Mas tinham esta reserva legal: só a eles deveriam ter acesso os que, pelas mais diversas razões, não têm espaço próprio nos meios de comunicação. Ponto final. Nessa medida, fazem sentido os «blogues» de gente anónima e cheia de raiva para destilar como o Ricardo Araújo Pereira ou o Nuno Centeio.

Pedro Rolo Duarte, em A blague do «blogues», suplemento DNA do Diário de Notícias, 21 de Junho de 2003 (digitalização anónima, alojada em http://dnablogue.tripod.com/)

Ditados e expressões populares a condizer
Nunca digas “desta água não beberei”. (autor anónimo de blog anónimo)
Estão verdes, não prestam, só cães as podem tragar. (La Fontaine, blogger e blagueur do séc. XVII)
O que hoje é mentira, amanhã pode ser verdade. (Pimenta Machado, ex-presidente do Vitória de Guimarães)
Cebola: Pessoa fraca e indolente; relógio ordinário; cavalo que não responde ao picar da espora; pessoa com muitas vestes sobrepostas (do Dicionário de E.P., de Guilherme Augusto Simões)
Cavalo que não responde? Cavalo? Mas cavalo mesmo? Esta é boa. (isto sou eu a pensar cá c’os meus botões)

Imagem: copyright de Editorial Globo, Brasil.

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