A mentira da mentira

«Parecia existir uma falha por parte do FSS. Onde estava o exame aos cabelos encontrados na bagageira do Renault Scénic? Stuart, mais uma vez, consultou o laboratório inglês. Ainda não tinham analisado os cabelos. Não queríamos, apenas, apurar se tais cabelos eram de Madeleine. Queríamos principalmente saber se eram de pessoa viva ou morta. O FSS não estava em condições de responder ao último quesito, apenas ao primeiro. Colegas ingleses presentes na reunião levantam a hipótese de tais cabelos serem remetidos a laboratórios europeus com capacidade para responder àquela questão: cabelos de pessoa viva ou morta. Mas o FSS parece não querer abrir mão de tais cabelos. Informa, via Stuart, que através de um processo de comparação de coloração irá apurar a hipótese de serem de Madeleine. O passo seguinte seria a identificação do perfil de ADN, o que não veio a acontecer.

Recorde-se que: existir ADN de Maddie em casa é facilmente justificável, mas existir no carro que foi alugado mais de vinte dias após o seu desaparecimento não é. Os resultados laboratoriais, no entanto, não esclarecem se o ADN pertence aos pais ou irmãos de Maddie, o que se estranha porque o laboratório tinha esses perfis em seu poder.»

Gonçalo Amaral, A Verdade da Mentira, página 187

Palavras e expressões-chave: McCann, crime, ocultação, provas, encobrimento, Forensic Science Service, FSS, governo inglês, governo português, serviços secretos, Birmingham, Inglaterra, Portugal, Praia da Luz, Algarve, contra-informação.

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