“A cidade de Lisboa nasceu em torno do Tejo”


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Um vídeo muito bem feito, profissional, tudo excelente: locução, animação gráfica, realização, fotografia, montagem.

Mas alguém acredita naquela Alcântara futurista? Comboio subterrâneo? Menos mil camiões TIR por dia? E menos não sei quantas toneladas de CO2?

Pois sim. Este excelente vídeo tresanda a treta. Treta bem esgalhada, mas treta, ainda assim.

Há uma data de coisas que ali constam, mas que não constam. O que consta ou, melhor, o que é certo, o que está escarrapachado em letra de forma e em forma de lei, no DL 188/2008, é o aumento exponencial da capacidade de movimentação para mais do triplo (de 300.000 para 1.000.000 de contentores). O que lá consta, outorgando até 2042 a concessão, é que toda a área de intervenção da Liscont será arrasada, terraplanada, os edifícios existentes todos demolidos; posteriormente, e também isso está previsto, serão construídos novos edifícios, totalmente de raiz, e a área será integralmente redesenhada, pavimentada e equipada.

O resto, comboios, túneis, plataformas, será tudo sujeito a planos parcelares. Logo, muito à portuguesa, essas coisas serão todas assim a modos que “logo se vê”. Primeiro, e para já, avança-se com a expansão feroz do terminal de contentores, prorroga-se a concessão, destrói-se tudo e volta-se a construir no mesmo sítio. Depois, lá as outras coisas, aquilo que agora é apresentado como se fizesse parte de um plano integrado e simultâneo, bem, isso “logo se vê”.

Ou seja: não é muito difícil prever como é que as coisas irão ficar, de facto, nos próximos 36 anos.

Uma parede metálica gigantesca à espera de… “logo se vê”.

Ou vê-se já que não pode ser nada disso?

Localização do vídeo via blog Travessa do Fala Só

Um comentário em ““A cidade de Lisboa nasceu em torno do Tejo””

  1. É verdade. O “logo se vê” é sina nacional.
    E a mim também me preocupa o facto de a Gare Marítima de Alcântara ficar sem ligação ao rio. É o irreversível. Com a expansão do cais de carga, a sua vocação para passageiros fica definitivamente comprometida.

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