Freeport Alcochete Carlyle (2007)

Uma das questões sobre o caso Freeport que parecem ainda não ter tido resposta é a seguinte: qual será o interesse das autoridades anti-fraude inglesas em investigar o que se passou com o “outlet” português?

Numa edição do passado dia 22, num jornal de Língua inglesa publicado em Portugal, o Algarve Resident, podemos ler:

«British interests in Freeport and the case in Portugal began in 2007 when US group Carlyle launched a takeover bid in London for Freeport offering shareholders 7.19 euros per share at what was later discovered to be an artificially inflated price.»

[trad.]Os interesses britânicos no Freeport e no caso sucedido em Portugal começaram em 2007, quando o grupo americano Carlyle lançou uma OPA, oferecendo aos accionistas do Freeport um valor de 7,19 Euros por acção, o que se descobriu depois ser um preço artificialmente inflacionado.[/trad.]

Poderão, por conseguinte, ficar sossegados aqueles que mais se incomodaram com a aparente “ingerência” das autoridades inglesas num assunto interno de uma nação soberana. Não se trata sequer – era só o que mais faltava – de estarem os ingleses a tentar fazer os trabalhos de casa das autoridades portuguesas, porque hipoteticamente estas não actuassem. O assunto apenas interessa à SFO porque diz respeito a operações financeiras realizadas com empresas do Reino Unido e envolvendo cidadãos britânicos.

Que essas investigações possam envolver também cidadãos portugueses, bem, isso será – a acontecer – porventura uma inevitabilidade ou, quem sabe, uma irónica fatalidade: como a borboleta chinesa que origina ventania no ocidente, sempre que abana as asas, agora talvez uma simples tampa destapada em Inglaterra provoque um terramoto arrasador em Portugal.

A cronologia deste caso, anteriormente publicada no Apdeites, já foi actualizada com estes dados.

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