Segurança e privacidade nas “redes sociais” – Facebook

Este é um diálogo, através de “wall to wall”, entre dois utilizadores* do Facebook. Para melhor comprender a sequência, é conveniente ler as entradas de baixo para cima, seguindo a cronologia assinalada pela hora de gravação.


Catarina Campos wrote
at 2:33pm
Estive a ver. Mas é o sindroma da avestruz. Não acontece senão aos outros. as pessoas não querem saber.
João Pedro Graça wrote
at 2:29pm
Mas há tanta coisa sobre isto, valha-me Deus!

Por exemplo: http://www.thestudentroom.co.uk/showthread.php?t=793898

Uma frase: "It's just asking for child rapists."

Catarina Campos wrote
at 2:25pm
Esses avisos caem sempre em saco roto…já dei para esse peditório anos a fio nos babyblogs. Sinceramente fez-me alguma aflição aterrar aqui e ver tudo, desde os números de telemóveis até às fotos dos filhos, das tags nas pics que colocam de outras pessoas, enfim. Mas como diz o JPT (Ma-schamba), as pessoas querem ser "amadas" pelos seus perfis e mostrarem que têm vidas lindas. Enquanto é só info pessoal do próprio, pois ok, se tiver chatices, paciência, mas envolver terceiros, acho uma inconsciência.
Acho que, quanto aos tarados, a rapaziada enfia a cabeça na areia, só acontece aos outros.
João Pedro Graça wrote
at 2:19pm
Estou farto de avisar toda a gente para não colocarem demasiadas fotos (demasiadamente) pessoais (principalmente de CRIANÇAS), mas parece que está tudo muito convencido de que o FB é "seguríssimo".

Que diabo, por alguma razão a FB baniu as fotos com imagens de mulheres a amamentar! Alguém presume que não há aqui tarados, fazendo-se passar por "amigos" de não sei quem?

Catarina Campos wrote
at 2:02pm
pois…deve ter apanhado uma data de informação. este FB é uma mina de ouro, toda a gente posta tudo e mais um par de botas.
João Pedro Graça wrote
at 1:56pm
Pelo que vejo, a aplicação "Error Check System" (um "worm") já foi apagada pelo staff da FB. Espero que já tenham também começado a tapar buracos na API. A extensão de "data grabbing" desta aplicação pirata ainda é desconhecida.
Catarina Campos wrote
at 1:38pm
obrigada eu pela causa e pelo aviso ontem do bug naquela aplicação.
João Pedro Graça wrote
at 1:37pm
Obrigado pela sua (recordista) participação na causa anti-acordista.

Estes simples recados, trocados entre dois dos mais de 80.000 utilizadores portugueses do Facebook, ilustram perfeitamente alguns dos maiores riscos e perigos que vão correndo e a que se vão sujeitando todos os membros (e seus familiares e amigos), não apenas desta como de todas as chamadas “redes sociais”.

1. A propagação inopinada e involuntária de diversas formas de pirataria informática, contrafacção, disseminação de “vírus”, destruição ou perturbação de sistemas.
2. A exposição de dados pessoais, próprios e alheios, à apropriação fraudulenta e/ou para fins não autorizados ou de alguma forma inconvenientes ou prejudiciais.
3. A divulgação de fotografias pessoais (próprias ou alheias) ou, principalmente, de imagens de crianças, que poderão ser utilizadas por terceiros para a prática de diversos crimes: pedofilia, rapto, assédio, perseguição, chantagem, assassinato.

Muita gente continua a acreditar, de facto, que as coisas mais desgraçadas “só acontecem aos outros”. E é realmente muito difícil convencer alguém de que não é bem assim, e pior ainda quando se trata de meios electrónicos e de redes virtuais. A insegurança dos dados varia, como é óbvio, na razão directa da facilidade e da velocidade com que se propaga, mas nem essa evidência parece suficiente para convencer os mais incautos a munir-se de alguma precaução, mantendo níveis mínimos de privacidade.

Quando é a segurança das crianças que está em causa, não há que ter medo das palavras: as fotografias dos vossos filhos podem ser usadas por redes pedófilas, manipuladas, alteradas, passadas de mão em mão (mesmo que ou principalmente de forma virtual).

Quando se trata da nossa própria imagem, também não há que ter medo de “chamar os bois pelos nomes”: qualquer um pode usá-las como entender e para o que quiser, fazer montagens com elas, distorcê-las ou até passar a usar a nossa cara como a sua própria “identificação”.

Os nossos dados pessoais, no Facebook e nas outras redes (hi5, MySpace, etc.), constituem verdadeiras minas para uma imensa panóplia de organizações e “serviços” nada recomendáveis: spamming, tele-marketing, clubes de férias, seitas diversas (catastrofistas ou não), agências de viagens e similares, vendedores de banha da cobra e de diplomas universitários sem estudar, farmacêuticas milagrosas de medicamentos manhosos, e assim por diante, até ao infinito ou até que se esgote a imaginação dos mercados, dos mercadores e dos traficantes em geral.

Por exemplo, quando um de nós morrer (alguém acha que vai ficar por cá eternamente?), qualquer jornalista, qualquer agência funerária, qualquer simples blogger poderá escarrapachar tudo o que a respeito do falecido encontrar na respectiva página de “perfil”.

E nessa altura, escusado será lembrar, já cá não estaremos para autorizar ou proibir seja o que for. A Internet não reconhece a morte nem, por mais caprichada que esteja na redacção, consegue identificar uma simples certidão de óbito.

* A transcrição deste diálogo foi autorizada pela minha interlocutora, na ocasião.

3 comentários em “Segurança e privacidade nas “redes sociais” – Facebook”

  1. Na verdade a emergência da Cibercultura (nova forma sócio-cultural de comunicação e interacção), do ciberespaço (novo espaço de sociabilidade) e todos os inerentes “modismos” (mundialização do consumo) são alguns dos novos fenómenos do pós-modernismo (“ganhar.com”) associados às novas tecnologias.

    Os senhores do capital e do marketing há muito que se aperceberam disso e por assim dizer, “vampirizaram” a rede em seu proveito, ditando o que é, ou não é cibercultura. Daí, o surgimento de autênticas máquinas de sedução como são estas novas redes sociais tipo: FB, hi5, MySpace, autênticos depósitos de informação em fluxo que os “senhores dos anéis” muito agradecem e manipulam.

    Para os utilizadores (inconscientes dos perigos, ou não) o virtual é uma nova modalidade de SER. O corpo tornou-se obsoleto, dando lugar à virtualização da realidade, daí a noção ilusória de segurança.
    Por outro lado, também não se aperceberam ainda, como os papéis naturais estão a ser desviados, no seu desempenho, para o domínio do virtual. É aqui (no virtual) que agora se formam relações, é aqui que se satisfazem necessidades, é aqui que se procura fazer tudo, necessariamente em substituição da realidade. Melhor dito, é esta a nova realidade porque se vive, quiçá uma era totalmente hedonista e consumista.

    Também no virtual os humanos terão de habituar-se a cair, para aprenderem a levantarem-se e a andar! 😉

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