Wikileaks: fonte segura

O serviço WikiLeaks aloja todo o tipo de documentos que possam, de alguma forma, “revelar comportamento anti-ético nos (…) governos e companhias“.

Estes documentos, censurados, apagados, alterados, sonegados ou simplesmente ocultados da opinião pública – principalmente em regimes ditatoriais, mas também em algumas democracias ocidentais – gozam assim de uma espécie de imunidade virtual que os torna acessíveis a qualquer um, na imensa torre de Babel que é a comunidade cibernética.

No que diz respeito a Portugal, podemos neste momento ali encontrar, entre outros, documentos “classificados” (e alguns secretos) sobre a missão militar portuguesa no Iraque, o traçado previsto para o TGV (publicado e disponível no DR) ou o relatório final da PJ sobre o caso “Maddie” McCann.

(…)
Abordando agora, e especificamente, a questão relativa à diligência processualmente denominada por “reconstituição do facto” (Artigo 150.° do Código de Processo Penal), a qual não foi realizada por recusa de alguns dos elementos integrantes do grupo de férias em se deslocarem ao nosso país (conforme documentado no inquérito), a mesma visava esclarecer, devidamente e no próprio local dos factos, os seguintes importantíssimos detalhes, entre outros:

  • A proximidade física, real e efectiva entre JANE TANNER, GERALD McCANN e JEREMY WILKINS, no momento em que a primeira passou por eles, e que coincidiu com o avistamento do suposto suspeito, transportando uma criança. Resulta, a nosso ver, inusitado que tanto GERALD McCANN como, JEREMY WILKINS, não a terem visto, nem ao alegado raptor, apesar da exiguidade do espaço;
  • A situação relativa à janela do quarto onde MADELEINE dormia, juntamente com os gémeos, a qual estava aberta, segundo KATE. Afigurava-se então necessário esclarecer se existia alguma corrente de ar, já que se menciona movimento das cortinas e pressão sob a porta de entrada do quarto, o que seria, eventualmente, descortinável através da reconstituição;
  • O estabelecimento de uma linha de tempo e de controlo efectivo dos menores deixados sozinhos nos apartamentos, uma vez que, a crer-se que tal controlo seria tão apertado como as testemunhas e os arguidos o descrevem, seria, pelo menos, muito difícil que se encontrassem reunidas condições para a introdução de um raptor na residência e posterior saída do mesmo, com a criança, mormente por uma janela com escasso espaço. Acresce que o suposto raptor só poderia passar, nessa janela, com a menor numa posição diferente (na vertical) à que a testemunha JANE TANNER o visualizou (na horizontal);
  • O que aconteceu no hiato temporal que mediou entre as 17h30 (hora a que a MADELEINE foi vista pela última vez por pessoa diferente dos seus pais ou irmãos) e a hora a que é reportado o desaparecimento por KATE HEALY (cerca das 22h00).

(…)

[Extraído de Relatório Final da Polícia Judiciária sobre o caso Madeleine McCan
Referência: NUIPC – 201/07.0 GALG
Relator: João Carlos, Inspector
Local e Data: Portimão, 20 de Junho de 2008
Cópia do original arquivada em WikiLeaks: http://wikileaks.org/leak/maddie-mccain-pj-report-2008.pdf]

Sobre este documento, alojado na íntegra pela WikiLeaks, podemos ler a seguinte

«Nota
De acordo com o jornal The Sun (Reino Unido), [o documento] surgiu primeiramente no site do jornal português Expresso, mas parece ter sido posteriormente removido.»

«Note
According to The Sun (UK) first appeared on the Portuguese newspaper website Expresso, but then apparently subsequently removed.
»

3 comentários em “Wikileaks: fonte segura”

  1. É verdade, isso.

    E é verdade também que a pista inicial sobre o Wikileaks foi sua. Desde ontem que tencionava fazer referência a esse seu comentário. É para já.

    P.S.: mas não encontro esse tal comentário seu em que indicava o Wikileaks! Raios. Terá sido via Twitter ou no FB?

  2. Juro que não me lembro desse, mas lembro-me do… lol… dia mais “bombástico” do ano.
    Espero que todos cumpram com os seus deveres e alegrem as suas casinhas com as lâmpadas do antigamente – amigas do ambiente – e mandem às malvas as “amigas dos pulhíticos»!
    Outra coisa, não twitto, não facebooko; msn de vez em quando e em offline; skype muito menos; télélé normalmente em regime silencioso e também não atendo números privados, tendo aderido há muito à AMD (http://www.amd.pt/).
    Cartão único também não… por enquanto; chip na matrícula, logo se verá e bases de ADN então… ui! Resumindo sou uma degenerada ET, com muito orgulho. 😀
    Bom fds! 🙂

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