Plágio? Uma vez sem exemplo, não.

O jornal Correio da Manhã referiu ontem um assunto que, estranhamente, continua a agitar a “blogosfera”: quem será o autor do texto “Precisa-se de Matéria Prima para Construir um País”, o português Eduardo Prado Coelho ou o brasileiro João Ubaldo Ribeiro?

A questão vai provocando também apaixonadíssimas trocas de opiniões (e de acusações), havendo até “partidos” a favor de um, “plagiado”, e contra o outro, “plagiador”.

Um oportuno esclarecimento de Brasilino Godinho, escritor brasileiro, vem, ao que parece, esclarecer definitivamente que não se tratou de plágio algum. Será, de resto, a julgar por este esclarecimento e por aquilo que já anteriormente o blog Blasfémias publicou (em 2005!), um fenómeno interessante e absolutamente novo: alguém escreve um texto, num determinado contexto e referindo-se à realidade política de um determinado país (Brasil ou Portugal); posteriormente, uma outra pessoa pega nesse texto e adapta-o às circunstâncias da sua própria pátria (Portugal ou Brasil), apenas trocando nomes, locais, datas e uma ou outra expressão idiomática; por fim, uma terceira pessoa (ou uma das duas primeiras) publica os dois textos em paralelo, anotando as semelhanças óbvias e atribuindo uma versão a um autor do primeiro país e a outra a um autor do segundo; e pronto, está lançada a polémica. Como a Língua utilizada em ambos os países é a mesma, a operação de cosmética tornou-se não apenas fácil como extremamente eficaz.

O objectivo da criação de mais este boato foi maximizar a divulgação do conteúdo do texto original: enquanto se discutia, de ambos os lados do Atlântico, a autoria do arrazoado, mais e mais pessoas iam tomando conhecimento do conteúdo político que se pretendia divulgar.

Pode-se dizer o que se entender sobre isto, mas de uma coisa podemos estar certos: como manobra de propaganda, é muito bem achado.

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