Ganhar uns trocos na Web? Não se metam nisso!

Há coisa de dois meses, foi aqui publicado um texto sobre o ReviewMe – resenhas ou apreciações pagas à peça – que explicava todo o sistema, aparentemente simples e inovador; nesse artigo, ficou em suspenso o respectivo pagamento, por parte daquela Empresa virtual, e haveria apenas que esperar até que o chequezinho chegasse; quando isto aconteceu, sem falta, uns dias depois, foi acrescentada uma nota de rodapé ao mesmo post, dizendo que sim senhor, cá tinham chegado os trinta dólares da ordem.

Erro. Enorme. Quer dizer, o cheque chegou, de facto, perfeitamente em regra, a valer USD $30. Pois, vale de facto mas… nos Estados Unidos da América do Norte!

Em Portugal, um cheque recebido dos USA não pode ser cambiado directamente, em qualquer banco; tem de ser depositado na conta do “beneficiário” identificado nesse cheque. Acontece que a “comissão” que os bancos portugueses cobram pelo depósito de cada cheque provindo dos Estados Unidos é uma verdadeira enormidade: 20 € mais Imposto de Selo mais taxa de “Não Sei Quê”; ou seja, para depositar os trinta dólares recebidos da ReviewMe, seria creditada na minha conta a fabulosa quantia de 8 dólares e qualquer coisa; um valor a rondar os 7 euros. Ainda aqui tenho o chequezinho, para recordação, verdadeiro souvenir desta experiência surrealista que é viver em Portugal.

Com um outro cheque, recebido da Alemanha (em Euros, portanto), sucedeu algo ainda mais cómico, se não fosse deprimente. Tratava-se de uma comissão devida pela venda on-line de determinado software, e veio sob a forma de Travelex (“worldwide money”); ou seja, 24.75 € em forma de travellers check que, mais uma vez, levei ao Banco para depositar. Surpresa: a comissão (mais alcavalas) excedia o valor do depósito; logo, teria de pagar cerca de um euro para depositar o papel, e seria creditado em ZERO Euros! Mais um chequezinho para a colecção. Se alguém for coleccionador de cheques, é favor avisar, ou se tiver algum para troca, talvez seja esta a maneira de iniciar uma originalíssima colecção, parecida com as de cromos, produzida e realizada por verdadeiros cromos, mas que não é de cromos.

Isto não é brincadeira, nem partida de 1 de Abril, que ainda vem longe. Quem estiver à espera de receber pagamentos pelos anúncios que tem no site ou no blog, por exemplo da AdSense(*), bem pode tirar o cavalinho da chuva, como se costuma dizer. A não ser que vá viajar para a América em breve, ou que tenha lá família ou amigos, essas quantias serão imediatamente devoradas pelos custos do depósito em qualquer Banco português. Atenção, repita-se: as comissões são cobradas por cheque, independentemente do seu valor; ou seja, só valerá a pena a deslocação à agência se o valor do cheque for superior a, digamos, 50 ou mesmo 100 dólares (ou Euros); e. mesmo assim, é garantido que uma boa fatia fica ali mesmo, abarbatada pelo Banco.

P.S.: já agora, uma dúvida inocente: será que as empresas virtuais não sabem disto? Não saberão elas que grande parte dos cheques nunca será descontada? Ou seja, que bem podem endossar milhares ou mesmo milhões de dólares, distribuídos por cheques de valor microscópico, tendo a certeza prévia de que essas quantias nunca lhes serão sacadas? Não será isto um excelente esquema, exclusivamente assente na ingenuidade e na credulidade dos internautas?

(*) Claro que, no caso da AdSense, se os valores forem elevados e/ou se os pagamentos forem efectuados por transferência bancária (em qualquer caso), esta questão não se põe. Este artigo refere-se a pagamentos de pequenas quantias através de cheque.

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